segunda-feira, 30 de novembro de 2009

SAVEIROS DA BAHIA- PROPULSÃO PRÓPRIA

Parece que para alguns não ficou bem claro o serviço de transbordo por saveiros de mercadorias que chegavam pelos navios ao tempo do Cais do Ouro. Cita-se, inclusive, que este serviço era realizado por Alvarengas mas, não é citado, como se movimentavam essas alvarengas. Também não há citações que esse serviço era realizado pelos saveiros, igualmente uma embarcação larga com deslocação própria e econômica. Vencia fácil as correntezas que são fortes nessa parte da Baía, vejamos porquê.


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A parte mais escura é um canal. À esquerda Itaparica e à direita Salvador. A distância entre as duas cidades é de 9 km.

Nesse canal aportavam os navios. Reparem as faixas cinza contornando as duas áreas. São partes mais rasas. Na de Salvador, encontra-se o atual porto que será motivo de postagem especial, justamente por esta razão. Também há de se notar como se forma uma “boca” na entrada da Barra. Nas marés de vazante as correntezas são imensas, elevando-se a 0.216 cm.seg. Isto equivale dizer que uma embarcação à deriva nesse local deslocar-se-á a uma velocidade de 129.60 cm.min. Em 30 minutos que seria o tempo provável para alcançar os navios, ela deslocar-se-ia aproximados 3 quilômetros, em considerando aspectos de atrito, peso, altura, etc.. Dissemos que ela iria parar na Boca da Barra. Fomos modestos! Em verdade ela vai alcançar o Rio Vermelho.

Somente os saveiros como nós conhecemos, seriam capazes de fazer o transbordo de mercadorias com eficiência e economia.Não acreditamos que não fossem aproveitados para esse mister. A magia de suas velas captando os ventos, dando-lhes propulsão própria e meios técnicos de velejar, poderiam vencer estas correntezas e se aproximar dos navios e deles se afastar em direção à terra.


A Baía de Todos os Santos têm cerca de 1100k2 de extensão

SAVEIROS DA BAHIA - O SERVIÇO DE TRANSBORDO

Na postagem anterior vimos o Cais do Ouro, aliás, o extraordinário Cais do Porto e na bela foto onde ele é mostrado, destacam-se centenas de saveiros ancorados nas bordas do cais. Estavam ali descarregando mercadorias e produtos diversos oriundos dos navios que aportavam ao largo, desde que não podiam se aproximar por causa da pouca profundidade da área.
Ficavam ancorados no canal que separa Salvador da Ilha de Itaparica, evidentemente mais chegados para a capital. Os saveiros iam até eles, recebiam os produtos e chegavam até o Cais do Ouro. Daí eram levados em lombos de animais ou de escravos aos trapiches existentes nas proximidades.

Um trabalho como este a que estamos nos propondo fazer, só poderia ser produzido através de pesquisas em jornais da época, livros publicados, documentos, postais e em alguns casos, depoimentos de pessoas que viveram tempos atrás ou proximidades. Neste último caso, em razão da época que se está abordando, não vivem mais as pessoas daquele tempo. Ficaremos então somente com as primeiras fontes. Uma delas cita que o transbordo dos produtos vindos de navios, era feito por “Alvarengas”.

Faltou dizer como as alvarengas eram movimentadas. Possivelmente por embarcações à motor, mas nem as alvarengas, nem os barcos a motor são vistos na maioria das fotos do Cais do Ouro.

De qualquer sorte, vamos ver o que era uma Alvarenga. Uma embarcação geralmente medindo entre 15 e 20 metros, desprovida de propulsão própria, ( o grifo é nosso) feita de madeira, destinada a transportar cargas não muito volumosas e em águas rasas, em rios, costas e proximidades de portos marítimos como equipamento auxiliar de transbordo”.

Agora vamos ver um desenho de uma alvarenga:

Mede cerca de 20 metros de comprimento por 5 metros de boca

Efetivamente, ela não tem propulsão própria. Não tem nem como remar. Velas, nem falar. É como se fosse uma balsa que precisa ser puxada por outra embarcação que tenha sua própria propulsão. Aliás, alguns autores, referem-se às Alvarengas como se fossem balsas.

domingo, 29 de novembro de 2009

SAVEIROS E TRAPICHES DA BAHIA ANTIGA

Durante todo o século XVIII e princípio do século XIX, Salvador era considerada o “maior porto do hemisfério sul”, principalmente quando em 28 de janeiro de 1801 foi decretada a abertura dos Portos do Brasil ao comércio livre com todas as nações e todos os povos.

Salvador tinha um “ativo e colorido comércio” segundo opinião de Karl Friedrich Von Martins e de Joahann Babtist Von Spix (Viagem ao Brasil): “lojas sortidas de fazendas inglesas, chapéus, cutelaria, artigos franceses de moda, linhos alemães, ferragens, produtos de Nuremberg e tecidos de algodão”.

A Cidade do Salvador chegou a ter 429 trapiches no apogeu desta forma de comércio mercantilista. Muitos foram incendiados e reconstruídos, mas a maioria acabou extinta pela degradação. O Trapiche Quirino, assim como o Careca, o Piaçava, Pilar e o Xixi, que no incêndio perdeu duas mil sacas de açúcar, estão entre os trapiches que sofreram incêndios suspeitos, segundo historiadores da época, vitimados pela concorrência desenfreada de seus
proprietários.
Tudo era importado. Era proibido ter indústrias. Somente em 18 de fevereiro de 1815 foi concedida licença a Francisco Ignácio da Silveira Nobre para construir uma fábrica de vidro na Bahia. Em seguida vieram as indústrias têxteis. Fizeram-se 5 delas, enquanto no Brasil haviam 9 ao todo, mas só fabricava panos de algodão de baixa qualidade, chamados de grosseiro, que serviam para ensacar gêneros agrícolas e vestuário dos escravos. Pode?
]
Até sal era importado. Em contra partida, muitos “produtos do sertão” eram exportados para todas as partes do mundo desde que em seu porto “aproximavam-se” navios de várias nacionalidades.

Quando se faz referência de que Salvador era o mais importante porto do hemisfério sul àquela época, poderá parecer que existia uma estrutura portuária como hoje conhecemos. Não havia! Os navios apenas “aproximavam-se” da sua costa na altura onde é hoje o Comércio, Cais das Amarras e Cais do Ouro.

E como as mercadorias eram desembarcadas? Este serviço era executado parte pelos saveiros da Bahia. Vimos a preciosa foto do Cais do Ouro que agora repetimos.
Cais do Ouro
Não se pode aceitar que centenas de saveiros estivessem ali trazendo exclusivamente produtos das cidades do recôncavo e das ilhas. Chega ser ilógico e irracional! Não tinha tanta coisa assim: farinha, cerâmica, açúcar, mel aguardente, couro, fumo e grãos. Talvez mais alguma coisa sem grande expressão.

Os saveiros, compridos e largos traziam os produtos dos navios para o Cais das Amarras e principalmente, Cais do Ouro, onde se concentrava a maioria dos trapiches.
Devido as suas características, era a embarcação ideal para este serviço àquela época. Não existiam as balsas que precisariam ser movidas a motor, também coisa difícil naqueles tempos. Se elas existissem, será que venceriam a correnteza de vazante ou enchente que é fortíssima no canal que separa a Ilha de Itaparica de Salvador, onde aportavam os navios? Não conseguiriam!
Só os saveiros com sua facilidade de manobra, com suas velas de içar, conseguiam tal feito.

Trapiche Barnabé





Trapiche Querino

Somente quando se fez efetivamente o porto, isto é, a estrutura portuária de um verdadeiro porto, nas concepções de hoje, e se construiu o antigo Mercado Modelo e sua rampa aos fundos do mesmo, é que os saveiros da Bahia tiveram as funções hoje conhecidas de transporte de produtos advindos do recôncavo e das ilhas.
Nessa ocasião, já não eram as centenas deles que vimos aportar no Cais do Ouro. A maioria foi desativada e esquecida nas praias da Baía de Todos os Santos.


Saveiros no Farol - Dois símbolos da Bahia



Navegando nos Tainheiros


Em serviço na Feira de São Joaquim






sábado, 28 de novembro de 2009

PRAÇA CAIS DO OURO


Nas imediações das Praças Conde dos Arcos e Praça Riachuelo existe muita coisa de bom e de ruim. Neste último caso, por exemplo, vemos o antigo Elevador do Taboão, caindo aos pedaços.
Não se justifica o descaso pela coisa pública. Salvador tem uma característica que poucas metropoles do mundo têm. Seus dois planos de cidade são interligados por elevadores e os chamados “planos inclinados”. A população, na sua grande maioria, desloca-se nesses equipamentos.
No caso específico do Elevador do Taboão, ele liga uma área comercial muito importante que é a Baixa dos Sapateiros, Taboão inclusive, com a Cidade Baixa. E o que vemos? Um equipamento sendo degradado pelo tempo. Deixaram para lá. Essa é a expressão que encontramos para situar o problema.
Foi inaugurado em 19 de junho de 1896 e funcionou durante 65 anos até ser desativado em 1959. Todos os candidatos a prefeito prometem recuperá-lo. Os negociantes da área voltam neles, esparançosos como sempre!

Também nas imediações da Praça Conde dos Arcos está a Praça Marechal Deodoro, bem arborizada.


Área vista do alto
A seta amarela indica a Praça Marechal Deodoro. A seta vermelha mostra a Praça Riachuelo e a seta verde, a Praça Conde dos Arcos.

A praça vista de baixo
Esta praça é um terminal de ônibus e é também uma “feira do rolo”. As pessoas aglomeradas à direita participam da mesma de segunda a sábado. Antigamente, ao tempo dos trapiches, se faziam outros negócios nas proximidades.



Praça Marechal Deodoro de antigamente- Chamava-se Praça Cais do Ouro

Notem a quantidade de saveiros aportados na área. Impressionante! Por muito tempo, julgava-se que somente a rampa do antigo Mercado Modelo recebia os saveiros da Bahia. Esta foto mostra que a maioria aportava aqui.
Lá aportava um pequeno número de embarcações e foi muito posterior ao momento que essa foto registra, em torno de 1879, o que significa dizer que a Rampa do Mercado Modelo e ele próprio ainda não existiam.
Não existia nem o atual Porto, construído no principio do século XX. Funcionava na área o chamado Cais das Amarras, onde também atracavam os saveiros, contudo em menor número.
Por quê? Pelo fato de que nas proximidades, estava a grande maioria dos trapiches de Salvador, bem como os mercados, como o do Ouro, visto ao fundo da foto.

Sobre esses trapiches e mercados trataremos em postagens especiais, bem assim os saveiros, desde que é um assunto de elevada importância sócio-econômica. Através deles passaremos por uma era de ouro até chegarmos à decadência dos dias de hoje.

Por enquanto, digno de registro é a beleza da Praça Cais de Ouro. Era realmente extraordinária. Merecia o nome!

Importados(!?) -Hoje





A praça vista do mêsmo angulo da antiga foto




ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DA BAHIA - SEU INTERIOR

Com a proteção do Senhor

Salão Principal
Não temos visto trabalhos fotográficos sobre o interior da Associação Comercial da Bahia. De sua fachada, há muitos, internamente, contudo, existe uma certa escassês. No entretanto, a parte interna da Associação é extraordinária. Luxo e requinte da melhor qualidade.




Uma lateral do salão



Tribuna




Sala dos ex-presidentes






Portinari!





D. João


Tem mais de duas dezenas de fotos, contudo, este blog não comportaria tantas.





sexta-feira, 27 de novembro de 2009

COMÉRCIO - 4

Na postagem anterior, vimos a Praça Riachuelo em frente ao belíssimo prédio da Associação Comercial da Bahia. Nos fundos do mesmo, acha-se a Praça Conde dos Arcos. Isto mesmo! Leva o nome do homem. Conde dos Arcos-D. Marcos de Noronha e Brito. Tinha que ser! Vimos a sua estátua de costas. Agora vamos vê-la de frente.
Conde dos Arcos

A praça em torno tem muita história. Primeiramente ao lado direito o belíssimo prédio onde funcionou a Bolsa de Valores da Bahia. Oscar Cordeiro, um dos descobridores do petróleo do Brasil, foi presidente da mesma durante muitos anos. Hoje é um edifício de escritórios.

A bela torre poligonal


1874



Os dois prédios contíguos

Tão antigo ou mais antigo do que a própria Associação Comercial. Na foto da Associação Comercial datada de 1874, ele já estava no local. Foi reformado. Mas, reparem o mesmo número de andares – cinco- Igualmente, o mesmo número de janelas. O último andar formando um triângulo foi suprimido para torná-lo reto e levantaram uma torre. Digno também de observação é o prédio que lhe está contíguo, pintado de amarelo. Na foto antiga ele também está lá, esquina com a Rua Conselheiro Saraiva.
Achamos importante essas informações. Elas refletem a mudança urbanística da cidade num dos seus aspectos que são os imóveis que a constituem. Sem eles não seria uma cidade, não é verdade? Seria um descampado, um lugar desabitado, sem vida!



Ao lado esquerdo, o Restaurante Colon. O prédio que o aloja certamente também é daquela época. Vê-se pelo seu formato. As janelas e as portas. A formação triangular superior.

Infelizmente, não temos uma foto antiga dessa parte da praça e na que publicamos nessa postagem, o edifício da Associação Comercial encobre-o.

O Colon Restaurante e Choperia funciona desde 1914 e na época ocupava o térreo e o 1º andar. É sensacional. Mostra aspectos do cotidiano de uma época.


Seu interior simples, mas tradicional



“Tudo voltará a ser como antes”, afirmou Juan Carlos Orge Rocha, proprietário do referido restaurante em entrevista ao jornal A Tarde. Infelizmente, jamais será! Gostaríamos que fosse, mas é muito difícil. O golpe que o Comercio sofreu foi mortal. Veremos em outras postagens.

Fica também na Praça Conde dos Arcos, o antigo escritório do senhor Mamede Paes Mendonça. Hoje funciona um módulo policial.


Ex-Escritório Central da firma Paes Mendonça S.A








quinta-feira, 26 de novembro de 2009

COMÉRCIO - 3

Quem passa pelo Comércio em direção à Calçada e outras localidades, via Rua Miguel Calmon, obrigatoriamente contorna a Praça Riachuelo, onde se encontra o tradicional e belo obelisco em homenagem ao feito
Praça Riachuelo

Mapa da região


Monumento Batalha do Riachuelo

Pouca gente, entretanto, dá-se conta da importância dessa batalha; aonde foi realizada; seus participantes e outras informações de caráter histórico. As atribulações da vida não deixam espaço para essas reflexões. Se, por acaso, lerem esse blog , na próxima vez que contornarem o belo obelisco, poderão entender a sua importância e porquê está ali .

Foi inaugurado em 23 de novembro de 1874 e sua origem é francesa. É composto por pedra calcárea, bronze e ferro. Tem 23 metros de altura e um diâmetro de 27,60m.




No pedestal, há um grande medalhão de bronze no qual estão esculpidas as armas do Império. Do lado oposto, há outro medalhão, de onde se vêem as armas da Câmara Municipal, uma pomba a voar, tendo no bico um ramo de oliveira e ao redor da mesma o seguinte versículo bíblico:
Sic illa ad arcam reversa est.

Do lado sul está escrito:
No reinado de D. Pedro II, Imperador
Constitucional e Defensor Perpetuo do
Brasil, sendo Arcebispo da Bahia e
Primaz do Brasil o Conde de S. Salvador
e Presidente da Província o Desembargador
João Antonio de Araújo Freitas Henriques no
ano
MDCCCLXXII
Do lado norte:
Mandado erigir pelo corpo commercial
desta praça, representado pela sua
Diretoria em
MDCCCLXXII
Mais abaixo lê-se, a seguinte dedicatória:
OFERECIDO AO POVO BRAZILEIRO
Architecto, Delaporte, Fundidor, Leroux. As obras foram dirigidas gratuitamente pelo Engenheiro José Revault.
Batalha Naval de Riachuelo
11 de junho de 1865



A coluna é de bronze, de estilo corinto, com um capitel dourado de onde saem oito volutas também douradas, sustentada por uma esfera, sobre a qual, numa atitude de vôo, vê-se o anjo da vitória, tendo em suas mãos uma palma e na outra uma coroa de louros, dourada em bronze.

(Volutas: ornato espiralado que remata os ângulos do capitel jônico)

Do capitel para baixo estão gravadas, em letras douradas, os nomes dos lugares onde ocorreram os mais importantes combates, na seguinte ordem:

M C C C C L X X I I
Riachuelo, Jatahy, Uruguayana,
Paraná, Estero Bellaco, Curuzú,
Corumbá, Pilar, Tagy, Tuyucué,
Timbó, Assuncion.

Da coluna desce um largo anel que sustenta 4 capelas de ouro e abaixo se lê a seguinte inscrição:


Aos voluntários da Pátria, Exercito
E Armada Imperial pelas victórias
Alcançadas no Paraguai.


Lado de terra:
Linhas de Rojas, Chaco, Humaytá, Tibicuary,
Angustura, Lomas Valentinas, Itororó, Piquis-
Syry, Villeta, Ascurra, Peribebuy, Caraguatay,
Aquidaban.

A base da coluna é composta por dois anéis de onde se prendem 4 festões e 4 capacetes, estando um em cada ângulo, em bronze.






























































COMERCIO - 2

Na postagem anterior culminava-nos com a Associação Comercial da Bahia, o belíssimo prédio em estilo neoclássico implantado praticamente no centro do bairro do Comércio e já falávamos de seu idealizador, o Conde dos Arcos, D. Marcos.
Ele foi governador da Bahia em 1810. Seu nome completo era D. Marcos de Noronha e Brito e foi o 8º Conde dos Arcos, tendo sido o 7º e último Vice-Rei do Rio de Janeiro entre 1806 e 1808. Em 1818 foi designado para o Ministério da Marinha. Os mesmos comerciantes que custearam a construção da Associação Comercial da Bahia adquiriram uma grande chácara naquele estado, onde foi erguido um palacete. O Conde dos Arcos residiu no mesmo até 1821 e quando D.João VI voltou para Portugal, acompanhou-o.

Esta doação caracteriza de alguma forma ou inteiramente, o poderio econômico do comércio da Bahia, dos seus comerciantes, dos trapicheiros, voltamos a repetir. Salvador era considerada o maior porto do Atlântico Sul e a segunda maior cidade do Império Português. E ela foi crescendo ao Norte (Carmo e Santo Antônio; ao Sul (São Bento, São Pedro, Piedade, Mercês; à Leste, Palma, Lapa, Santana, Saúde; na Cidade Baixa se estendia da Preguiça até a Jequitaia e na Península de Itapagipe (Boa Viagem, Bonfim, Penha).

Conde dos Arcos – Fundador da Praça do Comércio da Bahia

Fizeram-lhe uma estátua.

Com a frente voltada para sua Associação e não de costas como é costume se ver, o Conde dos Arcos é homenageado com este monumento erigido em 28 de março de 1932.

“Serviços prestados à Cidade de Salvador no período de 30 de outubro de 1810 a 20 de janeiro de 1818”.


Vejamos um pouco da vida desse nobre. Nasceu no Palácio do Salvador em Alfama, Lisboa, a 7 de julho de 1771. Era filho único de D. Juliana Xavier de Noronha 7ª Condessa dos Arcos de Valdevez e de D. Manuel José Antônio de Noronha e Menezes. Foi militar tendo servido na Fortaleza de Cascais. Alcançou a patente de capitão. Casou-se aos vinte anos com D. Maria Rosa Caetano da Cunha, filha do Conde São Vicente.

Transferido para o Brasil foi governador do Pará e Rio Negro de 1803 a 1806, sendo que neste ano foi nomeado Vice-Rei do Brasil (o 15º e último). Em maio de 1810 foi nomeado Governador e Capitão-General da Capitania da Bahia. Ficou no cargo até 1818. Por morte de Antônio de Araujo Azevedo, Conde da Barca, foi nomeado Ministro da Marinha e Domínios Ultramarinos no Rio de Janeiro em julho de 1817. Regressou a Portugal tão logo D.João o fez. No seu desembarque aconteceu algo insólito: foi preso, acusado de ser um dos fundadores da independência, o que não é verdadeiro. Foi inocentado após rigoroso inquérito.


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

COMÉRCIO - 1

Associação Comercial da Bahia (1817)

Estamos começando a presente postagem com esta sensacional foto de Salvador de antigamente. O mar chegava junto ao obelisco que fica em frente à Associação Comercial da Bahia. Reparem os dois lances paralelos de escadas. 10 degraus de cada lado. Um simples acesso dos ocupantes do palácio ao mar ou um cais de atracação de saveiros? Uma opção de prazer, um requinte ou uma razão econômica? Esta última é a menos viável. Ali perto, existia o Cais das Amarras, onde os saveiros do recôncavo e das ilhas aportavam para descarrego de suas mercadorias. O prazer nunca é descartável. Para tanto, alguém deve ter morado no palácio. Fala-se que foi residência dos Ximenez, Mestre de Campo D. Alonso Ximenez de Almiron. O requinte era inevitável naquela época, principalmente em se tratando de uma obra dessa natureza. Foi o primeiro prédio em estilo neoclássico, construído no País.
Não há sinal de nenhuma rua passando entre essas escadarias e o prédio como existe hoje, contornando os dois lados do obelisco. No local vê-se um jardim. O acesso aos setores à esquerda do prédio deveria ser feito pela hoje Praça Conde dos Arcos, aos fundos. Adiante, à esquerda, ficava a Praça Cais do Ouro, há poucos metros dali.
Hoje é assim.


O prédio visto da Praça Conde dos Arcos
Essa belíssima construção foi erguida no terreno da antiga bateria (obra fortificada com peças de artilharia) do Forte São Fernando, anteriormente chamado Cais Novo. Decorria o ano de 1811. Foi inaugurado no dia 28 de janeiro de 1817.



Vestígios do antigo Forte de São Fernando (no subsolo do prédio)

As despesas decorrentes da construção foram inteiramente bancadas pelos comerciantes da Bahia, principalmente os trapicheiros. No dia da inauguração foi oferecida uma espada de ouro a D. Marcos – Conde dos Arcos.




terça-feira, 24 de novembro de 2009

PILAR - 3

O Pilar hoje é uma área absolutamente degradada, apesar de ainda funcionar algumas firmas atacadistas e sedes de transportadoras. Suas ruas são estreitas, ainda calçadas de paralelepípedos. Nos últimos anos não recebeu nenhum benefício por parte da Prefeitura. À noite torna-se intransitável devido à marginalidade que toma conta do pedaço, tanto é que, a maioria das firmas fecha suas portas às 5 horas, desde que as seis já se torna um perigo.
Foi, outrora, um grande centro comercial. Dos melhores! De trapiches! As imagens que serão mostradas expressam melhor do que palavras. Para que gastá-las? Agora, sente-se uma brisa de esperança. Fala-se em recuperação de muita coisa, inclusive do Trapiche Barnabé que teria sido comprado por Bernard Attal, cidadão francês. No local, deverá ser instalado um Centro Cultural. Carlinhos Brow fez uma casa de espetáculo no antigo Mercado do Ouro. Verdade que desalojou o Restaurante do Juarez, o melhor filé de Salvador. Deveria tê-lo integrado.

Rua principal



Ladeira do Pilar
Um dos seus antigos trapiches




Plano Inclinado do Pilar

Foi construído no século XIX pelo engenheiro Júlio Brandão a pedido do comerciante Antônio Araujo Porto. Foi eletrificado em 16 de julho de 1910. Sua inclinação se deu em 1930. Antes funcionava junto à encosta.

O bairro do Comércio, onde se inclui o Pilar, já foi considerado o entreposto comercial mais importante do Atlântico Sul. Por volta do século XIX Salvador era uma grande cidade portuária com seus armazéns, trapiches e mercados.

Hoje, a Prefeitura em parceria com o Governo do Estado, as Docas e a Associação Comercial, tentam devolver a essa área as características dos velhos e bons tempos. Vai ser muito difícil! Não é coisa para a atual geração. Por outro lado, a cidade cresceu para outros lados. A inclinação mercantil já é outra. Estamos na era dos grandes Shoppings Center. Das redes dos Supermercados. É muito diferente!
O que realmente se pode alcançar e já está sendo feito, é o aproveitamento das antigas construções, boas ou em ruínas, para outras finalidades como as faculdades que estão se instalando na área ou como os Centros Culturais modelo Carlinhos Brow, instalado no antigo Mercado do Ouro.

Salvador não tem uma boa casa de espetáculos como às existentes no Rio de Janeiro, São Paulo e até em Sergipe. O Trapiche Barnabé, sem bulir na sua extraordinária fachada, está esperando por essa iniciativa. Seu espaço interno é enorme. Vejamo-lo do espaço



Trapiche Barnabé visto do alto - São 3.600m2

Outra providência que precisa ser urgentemente tomada é a efetivação da “via náutica” à partir da Barra, sendo que o Comércio será um dos pontos de parada. Onde? No primeiro e segundo armazéns do porto. Este local precisa ter outra finalidade. Talvez um grande espaço cultural! Talvez um shopping! E o estacionamento? Nos outros armazéns. O porto tem para onde se expandir. Para os lados de São Joaquim. Aliás, este é o plano!

Pode esta degradação? Não fossem os carros e se diria tratar-se uma cidade abandonada.

Estamos encerrando este capítulo com a foto acima. Incrível! Ao lado direito funciona o prédio da Receita Federal mas, mesmo esta, está se mudando. O que fazer com um edifício daquele tamanho?











PILAR - 2

Como se disse anteriormente, grande parte do Pilar fica em nível suspenso em relação à Avenida Jequitaia, com ligações através pequenas ladeiras ou escadas. Duas dessas escadas se encontram nos fundos do prédio da antiga Receita Federal.
Como o mar chegava às bordas da atual Avenida Jequitaia, este lugar foi muito requisitado para a construção de trapiches e mercados.Estava protegido!

Caindo aos pedaços, mas ainda se sobe e se desce em mão dupla

Prédio da Receita Federal – Frente para a Avenida Jequitaia e fundos para o Pilar

Na Rua do Pilar concentravam-se os grandes trapiches de Salvador de antigamente. Segundo o dicionário Aurélio, “trapiche” - local onde se guardam mercadorias importadas ou para exportar. Seriam como hoje as grandes distribuidoras atacadistas. Não diríamos que se parecesse com os Shoppings Center de agora, desde que com finalidades distintas.

Um desses trapiches ainda se encontra com suas paredes em pé, até mesmo algumas janelas que o cupim ainda não destruiu totalmente. Referimo-nos ao Trapiche Barnabé.

Quem passa pela Avenida Jequitaia na altura do prédio da Receita Federal, depara-se hoje com esta estrutura monumental, infelizmente oca por dentro. É o Trapiche Barnabé.

Fundos do Trapiche Barnabé
Apesar de extraordinária, esta fachada era apenas os fundos do grandioso trapiche. Sua frente está localizada na Rua do Pilar. Vejamo-la:



Frente



Lateral direita





Lateral esquerda




Entrada principal



Monumental portão de ferro