ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

quinta-feira, 25 de março de 2010

BAIA DE TODOS OS SANTOS = 3ª PARTE

Ao se falar da Baia de Todos os Santos, hoje em dia, não se pode deixar de falar sobre a ponte que querem construir ligando Salvador à Ilha de Itaparica.


Projeto de ponte datado de 1980

A coisa é antiga. Em 1980 já existia um projeto com detalhes de sua conformação (foto acima). Pelo que se vê, a ponte começaria ou terminaria exatamente em frente ao Elevador Lacerda, ao lado do atual Mercado Modelo. É um grande erro. Não levou em conta o sistema viário de apoio. Outro grande erro é a curvatura à direita, aproximando-se do cais norte do porto, o que já é um problema. Fecha uma das entradas ou saídas dos navios. Não é mesmo?

Ao nosso modo de ver, nas proximidades, o único lugar mais ou menos viável, ainda assim com seríssimas restrições, seria o inicio ou término dessa ponte em Água de Meninos, aproveitando a Via Portuária para escoamento do tráfego.

Mas não se iludam os que são favoráveis à construção da ponte, ela não será quase vista de Salvador. O real projeto de ligação Salvador-Itaparica será constituído por três pontes. A primeira ponte seria construída no trevo da estrada para a Base Naval de Aratu (BA 528), garantindo acesso ao Centro Industrial de Aratu. A ligação seguiria até Madre de Deus, onde uma segunda ponte garantiria conexão com a Ilha dos Frades. Em seguida, uma terceira ponte, com extensão de 11 quilômetros, faria a interligação com Itaparica, na localidade de Mocambo, permitindo acesso até a BR 101.

Em verdade, não se pensa apenas em ocupação imobiliária da ilha. Isto será uma conseqüência. O que realmente se pretende é permitir a continuação da Rodovia BR-101 pela costa brasileira, com grandes vantagens turísticas e econômicas, visto que seria grande a economia de tempo e consumo para se viajar e transportar cargas do Sul para o Norte do País. A economia estimada seria de 120 quilômetros de estrada, sendo que essa economia, por si só, justificaria e traria retorno rápido ao investimento.O resto é balela e sonho!

Mais um detalhe: imaginem se acontece com essa ponte o que vem ocorrendo com as obras do metrô de Salvador que se arrastam por longos 12 anos. Inicia-se a sua construção e, por falta de verba, que é muito comun em nossa terra, a ponte para no meio da Baía de Todos os Santos. Que espetáculo dandesco proporcionaria! Uma alfinetada de cimento e ferro no coração da bela baía. Viraria um terminal de pesca de anzol. Todo mundo pescando no canal. Uma beleza! Os gozadores de plantão dirão logo: "A Bahia conseguiu fazer uma ponte que tem começo e não tem fim". Já os pretensos arautos do progresso dirão que tudo se resolve. "Far-se-ia, por exemplo, um transbordo com ferries boats. Estes teriam diminuição de percurso. Isto é que é economia".

Apesar das vantagens que essa ponte suportamente traria, uns são contra. Um deles é o escritor João Ubaldo Ribeiro. Transcrevemos um trecho de seu pronunciamento à respeito:

“Como todos os anos, vim a Itaparica, para passar meu aniversário em minha terra na casa onde nasci. Casa de meu avô, coronel Ubaldo Osório, que fez pouco mais na vida que amar e defender a ilha e seu povo. De lá para cá, muito se tem perpetrado para destruí-los física ou culturalmente e há nova tentativa em curso. Trata-se da anunciada construção de uma ponte de Salvador para cá. Isso é qualificado, por seus idealizadores, de progresso. Conheço esse progresso. É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles. Conheço os argumentos farisaicos dos proponentes da ponte, ávidos sacerdotes de Mamon, autoungidos como empresários socialmente responsáveis”.

Finaliza: “Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente”

Esse cara escreve demais, contudo,  esquece que a ilha já tem uma ligação com o continente lá pelo sul  e não aconteceu nada (Ponte do Funil). A sugestão que se faz e é quase oficial, pelo menos, é federal, é a ligação lá pelos lados de Aratu e os veículos já sairiam no quilômetro 31 da Salvador-Feira, cerca de 70 quilômetros de Feira de Santana. 

A ponte em frente à Salvador é uma utopia e um mal senso. Parece mais ser uma propaganda de efeitos políticos. Vai ser até mais cara, devido a profundidade do canal que separa Salvador de Itaparica. Seriam colunas imensas de alto custo e são muitas. Se o metrô já levou 12 anos para ser construído, justamente por falta de verba, imagine essa ponte. Vai esvaziar os cofres da nação. 

BAIA DE TODOS OS SANTOS = 2ª PARTE

A Baía de Todos os Santos possui 56 ilhas. Muitas dessas ilhas são vistas de quem está em Salvador, inclusive de quem está na Cidade Baixa. Esta é uma vista, digamos,  a nível do mar. Vemos seus morros e alguma vegetação. De Mar Grande, chegamos a ver sua igrejinha.

A maior e a mais importante das ilhas é a de Itaparica. Outras ilhas importantes, que compõem roteiros turísticos, são Madre de Deus, Bom Jesus dos Passos, Matarandiba, Saraíba, Mutá, Olho Amarelo, Caraíbas, Malacaia, Porcos, Carapitubas, Canas, Ponta Grossa, Fontes, Pati, Santos, Coqueiros, Itapipuca, Grande, Pequena, Madeira, Chegado, Topete, Guarapira, Monte Cristo, Coroa Branca e Uruabo.

Vamos estender esta visão graças aos recursos do Google Earth. Naturalmente que não podemos mostrar suas 56 ilhas. Podemos nos contentar com algumas delas, as mais importantes ou as mais bonitas.


Ilha de Itaparica


Ilha Bom Jesús dos Passos


Ilha do Mêdo


Ilha de Madre de Deus


Ilha de Maré


Ilha dos Frades


Pontos de mergulho

Enquanto as atividadas da pesca vão se estinguindo, felizmente a atividade de mergulho continua firme. A poluição generalizada não deu ainda para prejudicar a visão dos restos dos diversos navios naufragados na Baía de Todos os Santos. O único prejuízo é a diminuição da visibilidade da água. A BTS ainda é um paraíso para os mergulhadores de todo o País. Acima, um mapa com os principais pontos de mergulho.

BAIA DE TODOS OS SANTOS = 1ª PARTE

Este blog já tem 172 postagens num período de cinco meses de existência. Dá mais de uma por dia. Falamos de muita coisa sobre a Cidade Baixa. Suas avenidas, suas ladeiras, seus largos, suas praias, suas igrejas, seus monumentos, suas festas e até sua gente. São centenas de citações. Tentamos esgotar o assunto, fosse ele possível de tal. Não falamos, entretanto, de algo básico sem o que a própria Cidade Baixa não existiria. Sim! Não falamos da Baía de Todos os Santos, este extraordinário acidente geográfico, considerado a maior baía do Brasil e a terceira do Mundo. Nela está inserida toda a Cidade Baixa, desde o seu Porto até a extremidade mais aguda de seu espaço, a Ponta da Penha.

 
Foi nominada por Gaspar Lemos e Américo Vespúcio em 1º de Novembro de 1501, dia dedicado a Todos os Santos, daí o seu nome. Alguns autores, dizem que ela tem 1.052 km2 e é a maior baia do Brasil. Outros afirmam que ela mede 1.223 km2 na maré alta e 919 km2 na maré baixa. Como se vê, após centenas de anos, ainda não se sabe a sua verdadeira extensão.

A segunda maior é a Baia da Guanabara no Rio de Janeiro com 380km2 e a terceira é a Baia de Camamu, ainda na Bahia.
 

Baia de Fundy - A maior baia do mundo
 
E como se formam as baías? Formam-se pela luta entre a força das ondas do mar e a resistência da costa. Quando o mar encontra um ponto menos resistente nas rochas, ele começa seu lento trabalho de erosão. A fenda vai se ampliando lentamente e forma a baía. Já as rochas de calcário fragmentadas formam a areia da praia.
Esta é a explicação mais simples, digamos popular, da formação das baías. Tem umas complicações teutônicas e cenozóicas por aí que, possivelmente, não caberiam num blog como este.




Baia de Todos os Santos

Em todas as baias há um fluxo e refluxo de maré muito forte. A maior variação de maré ocorre na Baía de Fundy, no Canadá. A cada 6 horas, 115 bilhões de água (115km2) entram e saem desta baía. Na história desse acidente geográfico, a maior variação de maré foi de 17 metros durante a Lua Cheia. Na Bahia de Todos os Santos essa variação deve atingir cerca de 6 metros também em dias de Lua Cheia.
 
Baia de Fundy- Canadá
 
Mas, temos uma novidade. Segundo estudiosos, a Baía de Todos os Santos, nunca foi invadida pelo mar. Mas como? Informam os especialistas: ”Durante o Cenozóico o planeta experimentou um progressivo resfriamento que pouco a pouco resultou na acumulação de gêlo em altas latitudes. Uma conseqüencia desta acumulação foi o progressivo abaixamento do nível do mar. Esta tendência de queda foi interrompida no Mioceno inferior/médio, quando uma elevação da temperatura resultou em degelo e portanto elevação do nível do mar. A altura máxima alcançada pelo nível do mar nesta época ainda não está bem estabelecida mas se situaria entre 25 e 150m acima do nível atual dependendo da metodologia utilizada”.

A Baía de todos os Santos possui um contorno litorâneo de aproximados 300 Km. sendo, na realidade, um pequeno golfo composto por três baías. A própria Baia de Todos os Santos, a Baia de Aratu e a Baia de Iguape. Possui dois portos, o de Salvador e o de Aratu. Tem uma refinaria de petróleo, a Landulfo Alves, fábrica de cimento, a Cimento Aratu e, nas proximidades, o Complexo Industrial de Aratu com inúmeras indústrias.

A borda leste da baía é marcada por uma retilínea e íngrime escarpa tectônica, a escarpa de Salvador, o mais belo exemplar de um antigo bordo cristalino de fossa tectônica costeira existente em toda a América do Sul. Por possuir muitas vistas panorâmicas do alto da escarpa, a cidade de Salvador é conhecida também como cidade-belvedere.

Era de se esperar que esse extraordinário bem que a natureza nos deu estivesse “tinindo”. Poucos países no mundo tem o que nós temos. Muito pelo contrário. A nossa baía vem sofrendo ao longo dos anos uma agressividade ambiental das mais sérias. A nossa Petrobrás, por exemplo, anda a derramar óleo de vez em quando em suas margens. O último deles (abril do ano passado) na órdem de 2.5 mil litros atingiu diversas praias e prejudicou os manguezais do Rio Mataripe e do Rio Caípe.

De Santo Amaro, através do Rio Subaé, os dejetos industriais da Companhia Brasileira de Chumbo atingiram a Baía de Todos os Santos. Cádmio (Cd) e chumbo (pb) foram derramados na Baía de Todos os Santos.

Os portos de Salvador e Aratu não possuem controle dos impactos causados pela navegação – transporte de poluentes e lavagem dos navios. Estão sendo descarregados na BTS, intoxicando fauna, flora, praias e os habitantes das localidades próximas, que se contaminam no contato com os resíduos industriais.

A presença do porto de Aratu, da Base Naval, dos terminais da Ford e do Moinho Dias Branco é um fator de risco para a baía. Além delas há mais de cem empresas dos ramos mecânico, têxtil, petroquímico, agrícola e siderúrgico que, nos últimos 60 anos, desenvolveram suas atividades às margens do mar, liberando metais como cobre, cromo, chumbo, zinco, manganês e mercúrio.

A pesca com bomba é outra agressão imperdoável. Desde o Solar do Unhão até a Enseada dos Tainheiros, pratica-se a pesca com dinamite. Isso destrói a flora e a fauna, compromete os corais e locas submarinas, além de causar danos aos monumentos. Que o digam o Solar do Unhão e o Abrigo D.Pedro II.



Abrigo D. Pedro II
 
Dolar do Unhão

O crescimento demográfico desodernado contribui de maneira muito significativa para o desencadeamento de problemas ambientais, principalmente em virtude dos esgotos lançados no mar. Os Alagados do Porto dos Mastros, Lobato e Uruguai são os maiores responsáveis. Chegaram a colocar uma rede para aparar as coisas de maior volume. Acho que já não existe mais. Os dejetos se dirigem ao canal que se inicia na Enseada dos Tainheiros, atravessa toda a baía e vão se depositar para os lados de Cabuçu e Saubara.

De relação aos mangues, eles se extinguem aos poucos. Não há mais caranguejo na Bahia. Os que os restaurantes servem, vêm do Pará e do Maranhão. Camarão seco que vemos em profusão nas feiras livres, vem de Sergipe.

Vermelhos de todas as espécies eram capturados no canal entre Salvador e Itaparica. Tainhas e agulhas davam em abundância na Enseada dos Tanheiros, inclusive o nome Tainheiros originou-se dos “tanheiros”, pescadores de tainhas. Robalos eram pescados na Ponta da Penha em extensões de pontes de madeiras que ali existiam. Em baixo do flutuante do Hidroporto da Ribeira, dava robalo. Caconetes e cações eram apreendidos com facilidade nos arredores da Ilha de Maré. Grandes budiões azuis eram vistos no cais sul do Porto e no madeirame que sustentava os trapiches na Preguiça e do Porto. Polvos e caramurus eram pescados nos recifes da Boa Viagem, Canta Galo e Monte Serrat. Pescava-se com facilidade lagostas nos recifes de toda Mar Grande. Hoje a atividade pesqueira está extremamente diminuída ou quase extinta. A única pesca que ainda se mantêm é a de papa-fumos e siris-boias, estes últimos em áreas cada vez mais profundas. E ainda pescam, sem piedade, os siris prestes a desovar. Na ponta da Penha, onde existe um ponto de venda de pescado, pode se constatar esse fato. Um crime! Mais tarde, eles próprios (vendedores/pescadores) vão se lamentar por não existir mais siri-boia na Baía de Todos os Santos.

Não se tem notícia de nenhum plano de recuperação efetiva das atividades pesqueiras na Baia de Todos os Santos. Não há um plano de descanso da pesca. Pesca-se 365 dias no ano. Não se sabe até quando os papa-fumos resistirão. Quando acabar, vai ser um desastre. Dezenas de milhares de famílias vivem desse molusco.

quarta-feira, 17 de março de 2010

AGRADECIMENTO A DOIS AMIGOS – PAULO OLIVEIRA E GERALDO LEAL



Prezado Paulo.

Muitíssimo obrigado pelas suas considerações sobre meu blog. Se fosse possível, gostaria de sair por aí, divulgando-o. Aos amigos que encontro falo dele, mas com certo receio de que possa parecer diletantismo. Tenho horror a isto. Em verdade, prefiro que ele se divulgue por si próprio. Que cresca com sua própria força, se é que ele tem. Esforço não faltou na sua criação. Foram mais de três anos de pesquisas. Tirei para mais de 500 fotos. Infelizmente, o espaço não dá para mostrar todas elas.

Mas, confesso, sua observação sobre divulgação me preocupou. Será que ele está na escuridão do desconhecimento, na vacuidade?

Fui aos meios de informações respectivos. O item "História da Cidade Baixa" tem cinco milhões e setecentos e sessenta mil acessos. Sou uma partícula desse número sensacional!

Não me conformei. É muito genérico! Queria saber o número de acessos exclusivamente do meu blog.

Fui informado, extra- oficialmente, que está em quatrocentos e vinte e cinco mil acessos (425.000). Não esperava tanto! A internet é realmente incrível!

Sobre Geraldo Leal, você me deu a oportunidade de homenageá-lo com o presente de um de seus livros. Num deles, ele me citou generosamente. Dizia aos meus amigos: " estou no livro de Geraldo". Que orgulho!

Agora, foi a oportunidade de retribuir e o fiz com carinho. Geraldo era uma pessoa boníssima. Um gentleman! Seu livro chega às minúcias. O assunto dos bondes é impressionante. Parece que estamos andando num deles.

quarta-feira, 10 de março de 2010

OS BONDES DE GERALDO DA COSTA LEAL

Chegou ás minhas mãos um dos quatro livros de Geraldo da Costa Leal. (PERFÍS URBANOS DA BAHIA). Foi um gentil presente do amigo José Paulo de Oliveira. No primeiro livro de Geraldo, meu nome é citado, juntamente com outros grandes jogadores de tênis de mesa do passado como Edinho, Renato Amaral, Edson dos Santos, Edson O'Dwyer, Carlos Maia, Geraldo Correia e tantos outros da década de 1960/70. Fomos jogar no antigo Clube Palmares na Qintandinha do Capim, território de Geraldo.
 
Escritor Geraldo da Costa Leal
 
Geraldo tem uma escrita absolutamente coloquial. Ele como que conversa com o leitor sem maiores preocupações com determinadas regras. Vai contando tudo que sabe e conviveu ao seu tempo.

Por exemplo, no caso dos bondes de Salvador. Conta quase tudo! Deixa pouco espaço para novas considerações. Certa feita quis me referir a esse meio de transporte de massa, único em determinado tempo de nossa história. Quase desisti. O livro de Geraldo trata-o em minúcias. Mas sempre há um espaço por onde pode se imiscuir a curiosidade humana.

Começamos, pincelando nas páginas do seu livro alguma coisa relativa à Cidade Baixa, assunto específico desse blog.

Por exemplo, a numeração dos bondes que circulavam na Cidade Baixa, ou seja, cada ramal tinha um número. Por exemplo, 12 era Calçada; 18, Luiz Tarquínio; 19, Dendezeiros; 20, Caminho de Areia; 21, Roma; 22, Bonfim e 32 era Madragoa.
Explicando bem: os números respectivos correspondiam a um determinado local do bairro de notório conhecimento.

Mas Geraldo vai mais fundo. Vai às nuances de cada caminho que cada uma das linhas tomava. Vejamos o extremo detalhe:

O bonde da Calçada, 12, de ida, seguia pela Rua Thomé de Souza, Rua do Tijolo, Baixa dos Sapateiros, Largo das 7 Portas, Dois Leões, Av. Barros Reis, Largo do Retiro, Av. San Martin, Largo do Tanque da Conceição, Baixa do Fiscal, Rua do Cortume, Rua da Vala e, finalmente,Largo da Calçada.
Ai os bancos eram virados e começava a volta: Largo da Calçada, Rua da Vala, Baixa do Fiscal, Largo do Tanque, Av. San Martin, Largo do Retiro, Barros Reis, Dois Leões, Largo das 7 Portas, Baixa dos Sapateiros, Praça dos Veteranos, Ladeira da Praça, Tijolo.

Por sua vez, o bonde dos Dendezeiros – 19 – na ida ia da Praça Visconde de Cairu – Rua Portugal – Praça Conde dos Arcos – Praça Torquato Bahia – Praça Marechal Deodoro- Av. Frederico Pontos – Rua Barão de Cotegipe – Largo de Roma – Av. Dendezeiros – Rua Visconde da Pedra Branca – Largo do Papagaio – Rua Visconde de Caravelas – Largo da Madragoa – Rua Lélis Piedade – Rua Júlio David – Ribeira (fim da linha) - Retorno na ordem inversa.

Após esse incrível detalhamento, fomos buscar a origem do nome “bonde”. Não é que Geraldo tenha passado por cima. Não? Escreveu: “ Na verdade, bonde era a passagem adquirida pelos passageiros, como estava escrito pela Cia. Bond and Share, daí surgir o nome”. A Bond and Share era uma companhia inglesa que controlava a maioria dos bondes no Brasil.

Oportunamente, deve ser citado que os primeiros bondes elétricos, foram feitos na Inglaterra, mais precisamente na cidade de Blackpool.

Hoje, bondes ou bondinhos são também os teleféricos que no Corredor da Vitória está cheio. No Rio tem o “bondinho do Pão de Açúcar” e também lá designa o passador de drogas e também é o “bonde do mal”, dos terríveis arrastões. As duas últimas referências, não são do tempo de Geraldo.

A maioria dos autores concorda que a origem do nome bonde vem da palavra inglesa “Bond”, aliás, como cita indiretamente o próprio Geraldo ( Bond and Share).

A versão mais comumente aceita diz que a palavra era usada para os bilhetes emitidos pelo americana Botanical Garden Rail Road Company que explorou os bondes que circulavam na zona sul do Rio de Janeiro a partir de 1868. Esses bilhetes teriam um desenho de um carro puxado por animais e, por extensão, o termo passou a designar os próprios carros em si. Uma complementação dessa versão diz que, os “bonds” eram vales usados nessa época em virtude da escassez de troco. Esses vales eram trocados por dinheiro nos escritórios da empresa. Em inglês, Bond signifiica exatamente vale, obrigação, título financeiro.

Há outra versão vinda do Pará. É totalmente diferente! Diz-se que James Bond era o nome de um industrial norte-americano e cônsul dos Estados Unidos na cidade de Belém em 1868. Este senhor foi quem organizou a primeira linha de carros com tração animal. Consequentemente, esses carros passaram a ser conhecidos pelo nome do seu criador – os bonds.

É interessante também registrar as denominações que os primeiros bondes receberam da população no Rio de Janeiro. Todos sabem como são os cariocas. "Vaca de Jeke", em alusão aos guizos dos animais empregados na tração desses veículos e "Jabuti", devido a forma abaulada do tejadilho (teto) dos carros.



Vejamos outras denominações dadas aos bondes por este Brasil afóra:

Caradura ou Taioba - Bonde de segunda classe, destinado inicialmente ao transporte de mercadorias. Vinha atrelado ao bonde principal. Custava a metade do preço.

Bonde de Ceroulas - Era um bonde de gala, forrado com brim branco para conduzir afortunados a eventos sociais.

Bonde-Salão - Entrou em operação na cidade de Salvador em 1911. Era reservado para eventos de autoridades, casamentos e batizados. São Paulo também tinha o seu, o luxuoso Ypiranga, adquirido pela Light em 1905. Abençoado pelo cardeal Arcoverde, era alugado para eventos e festas.

Bonde do Correio - Usado para o transporte de cartas. Como ele, diversos serviços públicos tinham seus meios de transporte.

Bonde de Areia - Certos afortunados não dispensavam os trilhos dos bondes, por onde andavam com seus automóveis. Poupavam seus preciosos bens dos desníveis dos paralelepípedos. A borracha dos pneus se acumulava e, de tempos em tempos, obrigava que a companhia de bondes fizesse a manutenção jogando areia nos trilhos.

Bonde Camarão - Ganhou o apelido por sua cor vermelha. Tinha capacidade para 51 passageiros sentados. Foi o último bonde a circular em São Paulo.

Bonde Centex ou Gilda - O mais luxuoso bonde que circulou em São Paulo. Apelidado de Gilda em homenagem à personagem de Rita Hayworth no clássico homônimo do cinema noir. Dispunha até de calefação automática. Teve similares. Em Olinda, havia o Zeppelin. Em Vitória, o Tobias, que, revestido de espelhos, não permitia a viagem de homens sem gravata.

Bonde dos Mortos - Servia aos cortejos fúnebres. No carro principal iam os parentes. No reboque, o morto.



É conhecido de todos as diversas citações populares com o uso da palavra bonde. Relembremos algumas delas:

Andar na linha (do bonde)- Ser correto e sincero nos negócios.
Comprar um bonde - Cair no conto do vigário. Fazer mal negócio.
Pegar o bonde andando - Entrar no meio de uma situação ou conversa em andamento.
Perder o bonde da história - Perder-se no contexto de algo.
Tocar o bonde - Levar algo adiante.
Tomar o bonde errado - Ver frustrados os intentos.
Trombada - Nos anos 1920, um elefante fugiu do circo e derrubou um bonde com a tromba. A palavra virou sinônimo de colisão.

Precisamos encerrar e vamos fazê-lo primeiro, com um escrito de Machado de Assis relativo aos bondes, mais precisamente, ao comportamento de uma pessoa num bonde:

"Art. I - Dos Encatarrhoados - Os encatarrhoados podem entrar nos bonds, com a condição de não tossirem mais de trez vezes dentro de uma hora, e no caso de pigarro, quatro. Quando a tosse for tão teimosa que não permita esta limitação, os encatarrhoados têem dous alvitres: ou irem a pé, que é bom exercicio, ou metterem-se na cama. Também podem ir tossir para o diabo que os carregue. Os encatarrhoados que estiverem nas extremidades dos bancos devem escarrar para o lado da rua, em vez de o fazerem no proprio bond, salvo caso de aposta, preceito religioso ou maçonico, vocação etc., etc"

Segundo, que tal mostrarmos um bonde todo iluminado na Itália. Também em Blackpool existe alguns, ainda hoje:



Geraldo gostaria de ter visto um deles. Diria: "vi passar um bonde todo iluminado na Quitandinha do Capim, bem em frente ao antigo Clube dos Palmares - Morei alí perto!"

domingo, 7 de março de 2010

O CALÇAMENTO DE PEDRAS PORTUGUESAS NO BUGARI E POÇO

Todos os anos a Prefeitura refaz o passeio em pedras portuguesas que contorna boa parte da Avenida Beira Mar, principalmente no trecho que vai da Penha ao Poço. Agora mesmo está a fazê-lo.
Mas não adianta! Em pouco tempo, voltam a aparecer os buracos ou falhas. Porque isto acontece?
Elas são mal colocadas. Aqui no Brasil não as aplicam como em Portugal, onde não há cimento na fixação. Nas cidades portuguesas estas pedras são aplicadas por profissionais especializados, os calceteiros, e não por curiosos como aqui.




Sistema de colocação de pedras portuguesas

Acima, vê-se o sistema de aplicação dessas pedras. O reajuste é feito com cimento e areia. Aqui na Bahia não há reajuste com cimento. Só usam areia. Consequentemente, as pedras se soltam em pouco tempo. Tão logo as pessoas andam sobre elas, as bicicletas e carrinhos de mão de empresas de bebidas,as pedras se deslocam e para evitar um tropeço, são jogadas para o lado. Na Penha e no Poço, jogam-nas no mar. Virou brincadeira de criança. Quem arremessar mais longe, ganha a disputa.


O novo calçamento na Barra


Só areia e as pedras, além da má colocação- na Penha
 
 Bugari - Paseio bonito por pouco tempo

Na Barra, quando resolveram substituí-las, foi um Deus nos Acuda. Foi preciso o Ministério Público intervir para que a Prefeitura pudesse trocá-las por uma pavimentação de cimento e granito, até hoje intacta. Alegavam alguns moradores que a substituição iria agredir o “histórico do lugar”. O Instituto Histórico e Geográfico da Bahia afirmou que passeio não tinha nada a haver com o conjunto do local. Autorizou a sua substituição, laconicamente. Para evitar qualquer dúvida, o M.P. mandou proceder a uma votação entre os moradores do que resultou uma aprovação de 9.580 votos a favor e 5.630 contra. Esmagadora maioria!

Mas vale apenas recordar um pouco dessa polêmica. Vejamos o que diziam os que eram contra e a favor:

CONTRA:
“ ...Considerar o Forte de São Diogo, o Forte de Santa Maria e o Farol da Barra (Forte de Santo Antônio) como monumentos isolados, como “ilhas” em um vazio, esquecendo seu entorno, contradiz o espírito da legislação pertinente ao patrimônio cultural... O passeio que limita a orla construída na Barra, dando acesso à praia através de escadarias, tem inegável importância estratégica para a composição da paisagem. A alteração das balaustradas ou do piso pode afetar o conjunto de maneira negativa, como está sucedendo”.

Até o cantor Caetano Velozo opinou em carta dirigida à imprensa: “...O calçamento português é marca importante da nossa vida física e espiritual. Os incômodos que porventura venham de sua má conservação não são motivo para destruí-lo. Não creio que seja um caso para votações inspiradas nesse tipo degradado de democracia. É caso para ouvirem-se os especialistas, respeitarem-se os locais históricos e míticos, esboçar-se uma reestruturação inteligente da cidade.

À FAVOR:

“Do Porto da Barra ao Clube Espanhol, os 2,5 mil metros de calçada da orla de Salvador estão sendo requalificados. O pavimento em pedra portuguesa foi retirado e implantado piso em concreto lavado na cor natural, com acabamento em granito vermelho nas bordas e preto nos quatro cantos do quadrado. Mais seguro para os transeuntes, por não conter irregularidades, o novo calçamento será uma melhor opção para idosos e pessoas com dificuldades de locomoção, além de praticantes de caminhada e turistas que visitam a área, uma das mais conhecidas da capital baiana”..

A presidente da Associação de Moradores da Barra (AMA Barra), Regina Macedo, disse que as melhorias na orla do bairro são uma reivindicação antiga dos moradores e, por isso, eles são favoráveis à reforma. "Antes, as pedras portuguesas que se soltavam do calçadão eram usadas por bandidos como arma para abordar as pessoas. Os idosos e os deficientes tinham muita dificuldade. Hoje, nós só temos recebido elogios dos moradores", enfatizou Regina.

O aposentado Gerson Machado, de 80 anos, desejava que esta obra tivesse acontecido antes, mas agora está satisfeito. "Nós que moramos aqui sabemos o significado desta obra. Sou testemunha dos acidentes que já aconteceram. Antes, era só buraqueira, tínhamos que andar olhando para o chão, sem aproveitar o pôr-do-sol".

Para Alan Santana, 34 anos, que trafega diariamente pela orla da Barra, o novo calçadão trouxe melhorias. "As pessoas vão se sentir mais seguras e ter mais prazer em andar na Barra". Já o ambulante Everaldo Santos, 38 anos, considera que antes o passeio estava cheio de buracos e agora está mais bonito e mais seguro.




Área degradada- Têm muitas!A beleza é a primeira a ser prejudicada!

Voltando ao nosso Itapagipe, não acreditamos que haja a mesma polêmica. É evidente a necessidade de substituição das pedras portuguesas por algo mais consistente. O caminhar das pessoas, as bicicletas e os carrinhos de mão das empresas de bebidas e gelo, danificam rapidamente o "ajuntamento" - só com areia - que é feito duas a três vezes ao ano. Um desperdício financeiro incalculável!

Que não se faça um calçamento de puro cimento. Poder-se-á intercalar paralepípedos como se fez no Dique do Tororó ou tijolos alaranjados iguais ao da praça do Forte Santa Maria. Ficou bonito! O granito também se ajusta bem.

quinta-feira, 4 de março de 2010

A PROTEÇÃO DA PRAIA DO BUGARI

Em postagem anterior, abordamos a existência de dois paredões de pedra que se projetavam na Av. Beira Mar em Itapagipe, construídos com o intuito de desviar os dejetos de esgoto então existentes na referida avenida. Sem dúvida que o intuito era proteger da poluição a Praia do Bugari na extremidade da península. Na oportunidade, fizemos uma representação do sistema.


Sistema de desvio

O primeiro desses paredões ficava em frente ao 2º tamarindeiro, ou seja, na esquina do Colégio Santa Bernadete. Não existe mais! – o paredão. De relação ao tamarindeiro, já não é mais o mesmo, frondoso que era. Hoje dá a impressão de uma árvore que morre aos poucos.

O segundo ficava no limítrofe entre o Clube dos Sargentos e Sub-Oficiais da Marinha e a Praia do Bugari. Ainda existe parte dele.

E a praia do Bugari não tinha esgoto? É a pergunta que se faz? Se bem nos lembramos, não tinha. Não existia nenhuma construção à sua frente. O conjunto de pequenos apartamentos que hoje se vê no local, foi construído pelos idos de 1960/70 e o Colégio Estadual João Florêncio Gomes, é posterior a 1970.

Os dejetos das casas então residentes na ponta da Penha eram jogados no canal em frente e passava ao largo da Praia do Bugari.

Outra pergunta que se faz com freqüência é quanto à quantidade de esgotos então existentes na Avenida Beira Mar. Eram mais de oitenta. Uma super-carga. Mais do que justa a construção dos paredões. Protegia de alguma forma a principal praia do local.

Hoje, está quase tudo despoluído. O programa Baia Azul foi mais do que providencial. A única praia ainda com problemas é a Praia da Penha. Aquela em frente à igreja.


Esta!
 
Não é tem esgotos no local. Todavia,  toda a sujeira vem dos Alagados. Numa  certa época colocaram até uma rede. Não deixava passar cadeiras e cochões. Mas o resto, passava.