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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

OS QUADRADOS (LARGOS) DA ANTIGA SALVADOR- PRAÇA TOMÉ DE SOUZA- 1

O segundo quadrado (largo) a ser abordado aqui é a Praça Tomé de Souza, também conhecida como Praça Municipal. Foi o primeiro largo a ser “urbanizado” ao tempo de Tomé de Souza. Nele se construiu a primeira Casa dos Governadores, residência oficial, dizendo melhor.

1549/1623

Começou assim e permaneceu até 1623. Construída em taipa de pilão.

1623 –1890

Depois, já em alvenaria normal, ficou assim até 1890


1890 – 1912- um pouco mais de requinte.



Hoje é assim- Imponente!



Mapa da localidade

domingo, 30 de janeiro de 2011

PRAÇA CASTRO ALVES -4

Concluindo as postagens sobre a Praça Castro Alves, resta-nos ver o que havia a mais ao seu redor ontem e como ela é hoje e já projetando o seu futuro como é o caso da maquete do Hotel Fazano que será construído no prédio do jornal A Tarde, mantendo praticamente a sua fachada. Que bom!



Futuro Hotel Fazano


A foto acima mostra-nos com destaque o Ed. Sulacap, construído em 1940. Ele limita um dos lados da Praça Castro Alves, contudo o que mais chama atenção nesse flagrante são os quatro prédios ao final da subida da Ladeira da Montanha. São impressionantes! Porque foram destruídos? A fim de oferecer uma melhor visão da parte baixa da cidade? Quebrava a harmonia do local? Nada disto! Pura insensibilidade.
Por volta de 1912, uma febre de reformas assolou a cidade. Queriam porque queriam “alargar as ruas da cidade” e aí foram destruindo o que havia pela frente. Até a antiga Catedral foi na onda. Dizem que também parte do Mosteiro de São Bento e outras relíquias que ficavam no trajeto do que seria hoje a Av. 7 de setembro.
Concomitantemente, na parte baixa da cidade, aterrava-se grande parte do bairro do Comércio para a construção do porto. Fazia-se também a Avenida da França e a Miguel Calmon. Esta tinha na frente o belíssimo prédio da Associação Comercial da Bahia, uma das relíquias arquitetônicas de nossa cidade. Quiseram também destruí-lo. Só não conseguiram porque os trapicheiros não deixaram. Foram eles que financiaram a obra. Depois de muita negociação, resolveram contornar o monumento à sua frente.

Nesse ponto, aqui vale uma opinião de um internauta de São Paulo sobre Salvador. Ele recebia de um amigo uma série de fotos da Salvador antiga. Fez o seguinte comentário:
“Juntando o que ainda existe com o que foi destruído, Salvador seria hoje uma das maiores cidades do mundo”.

Pois bem, no local dos quatro prédios acima mencionados na subida da Ladeira da Montanha, funcionava até há pouco tempo um estacionamento em dois os três níveis, acompanhando o declive da ladeira.



O antigo estacionamento- propriedade do governo

Agora, precisamos recorrer a outro foto do local para mostrar o que contornava ou ainda contorna a maravilhosa praça:

Foto obtida ainda do tempo dos bondes। Do lado direito o prédio do jornal A Tarde, substituindo o casarão que havia no local. Do lado esquerdo, onde existia o Teatro São João, incendiado em 1923, o governo construiu um prédio "quadradão" onde funcionava uma Secretaria do Governo. Hoje é o chamado Palácio dos Esportes.

Para quem tinha no local um verdadeiro monumento que era o Teatro São João, este edifício fica muito a desejar. Simplesmente horrível!



Theatro São João (com todas as letras)


Seu interior em dia de espetáculo.


Palácio dos Esportes



Cinema Guarani - Inaugurado em 1919


Reformado, hoje é o “Espaço Cultural Glauber Rocha – Cineasta baiano

Ao lado do antigo Cinema Guarani, funcionava o Bar e Restaurante O Cacique, praticamente ao ar livre। Tinha uma pequena cobertura, uma espécie de toldo. Era ponto de encontro de intelectuais. À noite a coisa se misturava, desde que ao fundo do cinema funcionava o Tabaris Night Club, famosa casa de diversão dos anos 30 a 60. Fechou as suas portas em 1968. Antes exibia as “grandes” companhias de revista do Rio de Janeiro que aqui aportavam, acompanhadas pelas melhores orquestras de Salvador. Um luxo! As artistas após o espetáculo sumiam. Era a vez das prostitutas do 63 da Montanha, 11 e 13 da Gamaleira e outras menos famosas. Quem queria, terminava a noite nos bordeis respectivos e em seguida ou ia comer o feijão de Zé do Muro ali mesmo na Praça Castro Alves, ou desciam a Ladeira da Conceição da Praia para pegar o sarapatel ou o mocotó do Mercado Modelo.


Tabaris Night Clube - Aos fundos do Cinema Guarani


A marca da boemia


Espaço Cultural Barroquinha

Ao lado do Tabaris, na descida para a Barroquinha, construiu-se no século XVII a Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha।
Em 1722, Manuel Ribeiro Leitão fez a doação das terras para a construção da Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha. Este era seu nome oficial.


A imagem de Nossa Senhora da Barroquinha é conhecida desde o século XV. A mais antiga referência da sua existência foi feita na obra “Memórias do Bispado de Leiria” – 1657-
“Por baixo das casas do cura desta igreja (De Nossa Senhora da Luz de Maceira), na concavidade que faz a altura dela, ao sítio do adro, está um oratório que fez um devoto, e nele a imagem de Nossa Senhora (que estava antes no mesmo lugar, em uma lapa que se fazia no dito barrocal).” O local também chamava-se “barroquinha”. Coisas de Portugal!
A praça foi inaugurada em 1913, contudo desde 1881 já homenageava o grande poeta, quando foram colocadas duas placas de bronze no local.
A estátua de Castro Alves foi fundida em São Paulo. É um trabalho do escultor italiano Pasquale de Chirico. Foi levantada em 20 de junho de 1923.Em 1971 abrigou seus restos mortais.


O poeta como que declama: A praça é do povo, como o céu é do condor...

sábado, 29 de janeiro de 2011

PRAÇA CASTRO ALVES- 3


Na postagem anterior, publicamos a foto acima। Mostra o antigo Teatro São João e ao seu lado direito um prédio de três andares, situado onde hoje se encontra o tradicional edificio onde funcionou o jornal A Tarde e que vai se transformar num hotel (Hotel Fazano).

Como se pode notar, a foto é bem antiga. Não há nenhum beneficiamento no local. A rua parece ser de barro. Em frente ao teatro um modesto jardim com duas árvores, uma delas uma amendoeira, com certeza.
Agora, vamos ver outra foto do mesmo local:


A rua parece ter sido calçada com paralepípedo. Não há mais o jardim em frente ao teatro e as árvores foram removidas, entre elas a amendoeira que foi identificada pelo formato de seus galhos. Em frente ao prédio à direita do teatro, construiu-se um jardim de melhor aspecto. Mas que prédio? Este já é outro!O anterior tinha a parte superior reta e no mínimo seis largas portas em arcos. E já circulam os bondes com tração animal. E há os trilhos marcando o solo!

Há de se notar também os postes de iluminação, bem característicos daquela época. Um deles finaliza um gradil de ferro, definindo a grande praça (ao lado esquerdo em baixo). Por fim as pessoas. Sim, as pessoas daquela época circulando ao redor! Outras conversando. Esta era Salvador, possivelmente entre meados do século XIX a princípio do século XX. Tranquilidade!

PRAÇA CASTRO ALVES- 2

A praça Castro Alves é do povo,
Como o céu é do avião, já dizia Caetano Veloso, imitando Castro Alves que no século XVIII declamava:
A praça é do povo,
Como o céu é do condor....


Construída entre 1802/1805 no governo de Francisco Cunha Menezes, a Praça Castro Alves chamava-se antes Largo da Quitanda e mais adiante Largo de São Bento em virtude das proximidades com o Convento de São Bento, ali em cima. No que se refere ao Largo da Quitanda, sem dúvida que no local funcionava uma feira.


Já foi também Largo de São Bento


Seu primeiro grande prédio do seu entorno, teria sido um casarão onde hoje está localizado o edifício construído pelo jornal A Tarde.
Mais tarde, ao seu lado, construiu-se o Teatro São João, inaugurado em 1808, com inicio das obras entre 1805/1806 no governo de João de Saldanha da Gama Melo Torres Guedes de Brito, 6º Conde da Ponte.
Entre os dois prédios, 30 metros acima, começava a famosa Rua Chile, bem como a Rua da Ajuda e a Rua Rui Barbosa, todas estreitas como veremos oportunamente.

Por enquanto, vamos analisar com todo o cuidado a magnífica foto acima. À frente do teatro um modesto jardim com duas árvores já crescidas.
Não estamos interessados neles. Interessa-nos observar o descampado ao lado esquerdo do teatro. É a Baia de Todos os Santos. Percebe-se uma murada. Ainda não existia a belíssima balaustrada que hoje contorna o largo. Será que também não existia a Ladeira da Montanha, logo abaixo? Façamos um retrospecto.
A Ladeira da Montanha foi construída no governo do Barão Homem de Melo que teve inicio em 1878. Foi ele quem mandou construí-la numa extensão de 661,9 m, ligando a então "Rua do Ourives" ao "Largo do Teatro" . Em sua homenagem a Ladeira da Montanha tem o seu nome, mas ninguém a denomina assim.: “Ladeira Barão Homem de Melo”.


Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo, primeiro e único barão de Homem de Melo, (Pindamonhangaba, 1 de maio de 1837 — Campo Belo, 4 de janeiro de 1918) foi um político, escritor, professor, cartógrafo e nobre brasileiro.


Concluindo, efetivamente ainda não existia a Ladeira da Montanha. Já as ladeiras da Conceição da Praia e da Preguiça funcionavam como importantes vias de acesso entre as cidades Alta e Baixa.


Ladeira da Conceição hoje – caindo ou "descendo" aos pedaços

OS QUADRADOS (LARGOS) DA ANTIGA SALVADOR- 1549-1672-PRAÇA CASTRO ALVES 1

Um tabuleiro de xadrez
Acima um mapa de Salvador de 1672, Vê-se os quadrados (largos) com os quais foi planejada. À direita a hoje Praça Castro Alves; no centro a Praça Municipal e à esquerda, a Praça da Sé e Terreiro de Jesus. Os terrenos à direita seriam hoje São Bento e São Pedro; os da esquerda, Pelourinho e Santo Antônio Além do Carmo. Mais ou menos por aí!
Vamos tentar descrevê-los da melhor forma possível, primeiramente imaginando como eram nos primeiros tempos; em seguida, sua evolução através dos anos até chegarmos aos dias de hoje.
Evidentemente, dos primeiros tempos só temos mapas como este; em seguida vieram as edificações das quais se possui alguma coisa até os tempos atuais que as máquinas modernas registram com facilidade।

Hoje tem o nome em homenagem ao poeta baiano Castro Alves. Ao tempo de Tomé de Souza, que não é o caso presente, desde que o mapa acima é datado de 1672, ela ainda não existia. A porta de Santa Luzia fazia esquina com a atual Rua Chile, ficando o terreno onde seria construída a praça, do lado de fora.
A primeira citação histórica de sua existência foi feito pelo cronista da época, Gabriel Soares em 1587.
Fizemos citações do fato em nosso blog sobre a Cidade Baixa de Salvador em 13 de dezembro de 2009.
Permita-nos transcrevê-lo:

“A segunda ladeira assim reconhecida foi, sem dúvida alguma, a Ladeira da Conceição, com referências históricas desde 1587. Gabriel Soares, cronista da época escrevia:

“Está no meio dessa cidade uma honesta praça em que se correm touros quando convém..., e dessa mesma banda da praça, dos cantos dela, descem dois caminhos em volta para a praia, uma da banda norte que é de serventia da fonte que se diz do Pereira e do desembarque da gente dos navios..."

Na forma de escrever de hoje seria algo mais ou menos assim: “há no meio dessa cidade uma praça onde se faziam corridas de touros ocasionalmente, e de um dos cantos dessa praça, desciam dois caminhos, um em direção à praia e outro em direção à Vila Pereira, onde existia uma fonte e se fazia desembarque de pessoas de navios”.


O texto seria mais ou menos assim. As dúvidas surgem, quando o atencioso cronista faz citação de uma “praça honesta”. Poderia ser a hoje Praça Thomé de Souza, como também poderia ser a hoje Praça Castro Alves. Por enquanto é imprecisa a definição, entretanto quando o cronista se refere que “nesta correm touros quando convém”, é lógico deduzir que não seria na praça principal, a Thomé de Souza que essas corridas seriam convenientes "quando convém". É mais ou menos crível que a praça principal fosse preservada. Os touros deveriam destruir tudo ou quase tudo.
À sua esquerda, em direção ao Carmo, muito menos, desde que era uma área onde a população fazia suas casas. Só nos resta a hoje Praça Castro Alves, onde se localizava a porta sul da cidade. A mais afastada, a menos habitada, consequentemente, a mais conveniente para corridas de touros, se é que havia.

“...dos cantos dela descem dois caminhos em direção à praia e outro em direção à Vila Pereira”.

Não há registro de caminhos que descem da Praça Thomé de Souza. Poder-se-ia registrar a Ladeira da Praça, em direção à Baixa dos Sapateiros, Nazaré, etc. que não é o caso.
O mais viável e lógico é aventar que a tal “praça honesta” não é outra senão a atual Praça Castro Alves. Dela saem duas ladeiras. A da Conceição da Praia que vai dar no lugar onde os padres haveriam de erigir a Basílica da Conceição da Praia e a Ladeira da Preguiça que, bem ao meio, tem uma junção com a Ladeira de Santa Tereza, esta em direção à Vila Pereira.”



A Praça Castro Alves pelo Google Earth

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

AS ENCOSTAS DO PALÁCIO

Na postagem anterior, tivemos ocasião de nos referir ao crescimento de Salvador pelas encostas da Sé e de São Francisco. Dizíamos naquela oportunidade o seguinte:

“Felizmente, essas encostas nunca deram grandes problemas como agora se vê no Rio de Janeiro. Certamente a causa dessa estabilidade resulta da estrutura maciça existente tanto na Praça da Sé como no Terreiro de Jesus, o que impede o desmoronamento da parte mais alta e conseqüente deslizamento. As águas correm fluentes sobre a camada superior feita de pedras “cabeça de nego” ou de paralepípedos em algumas poucas ruas. Fala-se também que no local existem grandes galerias para descarrego de água pluvial, às vezes confundido com subterrâneos construídos pelos padres.
Em verdade, Salvador foi uma cidade planejada. Muitos a consideram a “cidade ideal” com base numa planta semelhante àquilo que os arquitetos europeus consideram como tal.”

Tudo isto é verdade, contudo há um detalhe complementar que contribuiu decisivamente para que nada tenha ocorrido até hoje com as encostas da Salvador histórica, isto é, entre a Praça Castro Alves e a Praça da Sé, praticamente a Salvador dos tempos de Tomé de Souza com um pequeno acréscimo correspondente à Rua da Misericórdia e a própria Sé.

Trata-se das obras de engenharia feitas para contenção da grande encosta que compreende justamente, o espaço entre a Praça da Sé e a Praça Castro Alves.

Pouca gente ou ninguém de nosso conhecimento fez referência a esse detalhe, mas ele é muito importante.

Sabemos todos que o espaço onde se encontra hoje o Palácio Rio Branco, foi sempre o mesmo onde se construiu a primeira Casa dos Governadores em 1549 em taipa e barro e que foi residência de Tomé de Souza.


1549/1623

Esse “imóvel” durou até 1623, quando foi destruído pelos holandeses. Em seguida, reconstruído passou a ter o seguinte aspecto:


1663 –1890

Como se percebe, já é uma construção sólida, pesada, dois andares, inúmeras janelas e portas. Seu lado esquerdo dá para a atual Rua Chile como é até hoje. Seu lado direito enfrenta a grande encosta que se debruça sobre o Bairro do Comércio.

Será que Felipe Guitau, engenheiro militar de quem se diz ser o autor do grande projeto, não teria percebido o grande perigo que era aquela encosta para a segurança da 2ª Casa dos Governadores? Claro que percebeu e deve ter feito os planos para a sua construção.

Ainda não existia a atual Ladeira da Montanha que hoje passa em baixo. Ela foi construída por volta de 1887, e a Casa dos Governadores já existia desde 1663.

Por outro lado, à direita do Palácio, entre 1802 e 1805 se fez a Praça Castro Alves, também debruçada sobre a grande encosta.
Dentro desse enfoque, retratamos para este blog a esquecida e importante encosta do Palácio। Uma obra magnífica que estava a merecer o destaque que hoje se faz:

Encosta do Palácio
Vista do alto da ladeira

No principio da ladeira

O elevador Lacerda sempre se destaca

Noutro ângulo

Uma visão mais ampla

CRESCIMENTO DE SALVADOR PELAS ENCOSTAS DA SÉ E DE SÃO FRANCISCO

Enquanto a aristocracia construía no alto do morro, haja vista Santo Antônio, os mais pobres procuravam as encostas para fazer suas moradias.
Então, pelo visto, o problema das encostas não é de hoje? Já vem dos tempos de Tomé de Souza e Mem de Sá, Duarte da Costa, etc... Sim! Do lado interno da Sé e Terreiro de Jesus,(contrário ao mar), temos as chamadas encostas da Sé e de São Francisco em descida para a Baixa dos Sapateiros. Aí foi construída grande parte da Salvador menos abastada entre os séculos XVI e XVIII.

Acima visão aérea do Google dessa região। Dentro dos traçados vermelhos encontram-se as encostas da Sé e de São Francisco। Em baixo a Av J.J. Seabra – Hoje Baixa dos Sapateiros। Nesse espaço as residências já não eram mais de dois e até três andares. Eram térreas, como se costuma dizer. No principio das ruas ainda se construía algumas com dois andares, mas em seguida a estrutura baixava. As fotos a seguir mostram o detalhe.




Felizmente, essas encostas nunca deram grandes problemas como agora se vê no Rio de Janeiro. Certamente a causa dessa estabilidade resulta da estrutura maciça existente tanto na Praça da Sé como no Terreiro de Jesus, o que impede o desmoronamento da parte mais alta e conseqüente deslizamento. As águas correm fluentes sobre a camada superior, feita de pedras “cabeça de nego” ou de paralepípedo em alguma poucas ruas. Fala-se também que no local existem grandes galerias para descarrego de água pluvial, às vezes confundido com subterrâneos construídos pelos padres.

Em verdade, Salvador foi uma cidade planejada. Muitos a consideram a “cidade ideal” com base numa planta semelhante àquilo que os arquitetos europeus consideram como tal.

Olhando o traçado de suas ruas no que se refere ao setor construído por Tomé de Souza, percebe-se que as quadras e praças são todas regulares, semelhante a um quadrado, como se fizesse parte de um grande tabuleiro de xadrez।


Um grande tabuleiro de xadrez

CRESCIMENTO DA CIDADE PARA O SANTO ANTONIO ALÉM DO CARMO

Com a segurança garantida pelo Forte do Carmo, a cidade cresceu para os lados de Santo Antônio e foi um crescimento de qualidade que poderá ser avaliado pelas fotos de suas residências, a maioria de dois andares. Como se explicaria esse fato? Àquela época a deslocação das pessoas era precário, geralmente feito em lombo de animais, o que não era sempre conveniente. Consequentemente, quem podia, procurava morar perto do local de trabalho. Os trapicheiros, por exemplo, todos ricos, tinham seus negócios ali perto. Outros comerciantes tinham o mesmo procedimento. Era o caso daqueles da Baixa dos Sapateiros, na época o grande centro comercial de Salvador.

Para aumentar as razões dessa concentração, os acessos à parte baixa da cidade, aonde chegavam todas as mercadorias que a cidade necessitava, por exemplo, o Cais do Ouro, eram mais fáceis por esta parte da cidade.

Mas tarde ou concomitantemente, os produtos que vinham do recôncavo, principalmente lenha para aquecimento, carbonizada ou não, chegavam pelo famoso Porto da Lenha em Itapagipe e o principal acesso era a Ladeira da Jequitaia que ficava ali perto. Grande parte do caminho era feito pela praia. Antes, alcançava-se o hoje "Alto do Bonfim".

Do outro lado, onde ficava a Porta de Santa Luzia, já aberta, o único acesso eram a atual Ladeira da Preguiça aonde, lá embaixo, já aportavam algumas embarcações na Enseada da Preguiça e a Ladeira da Conceição da Praia que foi aberta para a construção da grande igreja do Comércio.

Por esta razão, surgiram na área os primeiros trapiches, os quais, segundo se diz, destinados apenas a armazenar as mercadorias que não subiam em determinado dia. Eram pequenos comerciantes. Pode-se avaliar seu padrão social pelas casas construídas nas proximidades, inclusive na própria Ladeira da Preguiça e da Conceição da Praia.

Com o passar do tempo, esses comerciantes foram crescendo e a qualidade de suas residências nas proximidades foi melhorando. É o que se pode ver na Rua da Preguiça, principal artéria dessa localidade. Hoje, quase todas elas são casas de materiais de construção e respectivos depósitos


Rua da Preguiça


Enseada da Preguiça


Ladeira da Conceição da Praia

A seguir, vamos admirar uma meia dúzia de fotos de residências de Santo Antônio Além do Carmo. Todas belíssimas. Havia uma preocupação extraordinária com as fachadas dos prédios. Super requintadas!
 


Esilo pombalino