Mas o que nos leva a pensar assim? A convicção de que a Ladeira da Barra só ia até o princípio do elevado onde se encontra hoje a Igreja de Santo Antônio da Barra। Após isto, existia um paredão rochoso que isolava a Praia do Porto da hoje grande ladeira.
Vejam esta foto:
Esta foto é apresentada como sendo a Ladeira da Barra e realmente o é, contudo não nos deixemos enganar pelo seu trajeto. Inicialmente, vamos destacar os principais ângulos da mesma até que cheguemos às conclusões definitivas. A enseada à esquerda é a antiga Praia dos Índios na Vila Pereira, onde hoje está localizado o Iate Clube da Bahia. Na encosta do morro que dá para a enseada vê-se bem claramente o Cemitério dos Ingleses, já murado e na mesma direção uma residência, talvez a sede do próprio cemitério. À frente do muro e da residência, sobe a Ladeira da Barra que se curva ao alto em direção ao Largo da Vitória. Agora mudemos nosso foco de observação para o declive de onde foi tirada a foto. Essa é a Ladeira de Santo Antônio da Barra, ainda mais rústica do que a própria Ladeira da Barra. Ainda não havia sido construída a igreja que lhe dá uma grande peculiaridade. Vejamos a grande modificação introduzida por volta de 1900 através outra foto também preciosa:
Foi feito um corte no morro। Construiu-se uma balaustrada e foram colocados postes de iluminação. Aí, a ladeira tem seqüência até o Porto.
Vamos fazer algumas constatações dessas modificações através outros ângulos de observação. Primeiramente pelo mar, graças a uma magnífica tela do pintor Henrique Passos. Esse grande artista pintou a antiga Salvador de forma extraordinária. Suas telas são magníficas.
Reprodução da tela de Henrique Passos
A tela mostra a enseada a partir do mar; as residências ao alto do morro, inclusive os cinco coqueiros que se vê no paredão rochoso a que nos referimos na foto original, bem como dois grandes casarões। Ela ilustra muito bem parte do que estamos falando। No futuro, O Yacth Clube da Bahia aí se instalaria na baixada. A segunda constatação se fará através uma preciosa foto a Praia do Porto, aí pelo século XVII
Praia do Porto – XVII Reprodução do magnífico desenho।
Apresenta a Igreja ao alto। Ainda não existia o Forte de São Diogo e o destaque maior é o elevado que se estende em frente à Igreja. Não há sinal de ladeira.
Esta constatação empresta à Caramuru e aos índios da tribo de sua mulher, uma importância mais do que significativa aos acontecimento daquela época. Tornando-se a Graça, onde habitava os tupinambás, passagem obrigatória para quem vinha do Porto da Barra – Vila Pereira – claro que os índios deviam se aproveitar dessas circunstâncias para impor determinadas condições no fornecimento, por exemplo, de água. O escambo devia ser sempre favorável a eles e não importava a nação. Nesse sentido, conta-se até uma história: A Ponta do Padrão onde é hoje o Farol da Barra, marco de posse dos portugueses da nova terra, não era considerado pelos franceses que a chamavam de Ponta do Diogo, em homenagem ao grande amigo dos gualeses. Os espanhóis também deviam usar outro nome- Extremidad del Alvarez, por exemplo. O fato é que, naquela época ninguém era de ninguém.
Farol da Barra – Ponta do Padrão
Américo Vespucci junto com Gaspar de Lemos instalaram o padrão de posse no Farol da Barra
Não se sabe ao certo onde se encontra o marco colocado por Américo Vespucci no atual Forte de Santo Antônio – Farol da Barra. Tem-se a impressão que a fortaleza foi construída sobre ele. Já em Porto Seguro o marco de posse daquela terra está devidamente exposto em redoma de vidro na praça diante da Igreja de Nossa Senhora da Penha. Ele foi feito em mármore com a Cruz de Avis esculpida num dos lados, do outro as Armas de Portugal. Possui 2,5 m de altura. Acredita-se que o de Salvador tenha tido as mesmas características.
Monumento de posse de Porto Seguro.jpg)

































