ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

segunda-feira, 30 de maio de 2011

RUA CHILE – 4 – O ALARGAMENTO

Antes de se chamar Rua Chile, essa artéria tradicional de Salvador teve vários nomes a começar com Rua Direita Santa Luzia; em seguida, Rua da Porta de São Bento; depois, Rua Direita dos Mercadores; após Rua do Palácio e finalmente Rua Chile.

Entre 1900 e 1912, a Rua Chile se manteve como era em largura e comprimento, bem como não se construiu nenhum outro imóvel. Absolutamente intacta!

Viria a sofrer intervenção na sua estrutura como um todo após o bombardeio da cidade em 10 de janeiro de 1912.

Bombardeio?!! Sim! Salvador foi bombardeada por ela própria desde que os artefatos partiram do Forte São Marcelo, na época chamado Forte do Mar, situado bem em frente ao frontal de Salvador. Algumas balas atingiram prédios da antiga Rua Chile como foram os casos dos de número 23 e 25, este ocupado no térreo pela Sapataria do Sr Rafael Buffone e no andar superior pela família do cirurgião dentista Álvaro Barbosa e aquele pelos irmãos Rodrigues na parte térrea e o pavimento superior pelo consultório do Dr. Bonifácio Costa.

Bombardear a própria cidade é coisa de louco, transpassando às raias da racionalidade das coisas e da vida।

Original (cópia)

Lulu Parola (pseudônimo do jornalista Aloísio de Carvalho, escreveu na época:

Quando eu olho da Praça para o mar
E vejo agora o forte São. Marcelo
Digo: quem é que havia de pensar
Que você emtraria num duelo!
Sim! A verdade eu devo confessar
E não invento aqui nenhum libelo;
Diziam que o teu forte era em salvar
Para o mais te mantiam num chinelo
Mas, depois que roçaste o tiro grosso
Acreditaram mesmo sem querer
Quando agora o teu vulto é examinado
Os que te achavam velho e desdentado
Dizem quem é que havia de dizer।


Pois bem! Foi essa gente que dominava a Bahia com mão de ferro nos idos de 1912 a 1935, promoveu outro “bombardeio” ainda mais devastador do que aquele do forte, quando sem dó nem piedade, pôs abaixo grande parte da antiga Cidade de Salvador – Cidade Alta e Cidade Baixa – à titulo de uma pretensa modernização que compreendia a construção de uma avenida e o porto de Salvador। No bojo se faria o alargamento da Rua Chile e a avenida 7 começaria no principio da Ladeira de São Bento। Até então não se cogitou nenhuma intervenção nos quarteirões de casas e da Igreja que se localizavam na atual Praça da Sé, fato que só viria a ocorrer em 1930, ou seja, 18 anos depois o que é de causar certa estranheza. (Adiante trataremos desse assunto).

E se fazia necessário efetivamente a construção da avenida e do porto? O momento era propício? E o Estado estava em condições de bancar a “parada”?

Não estava! A Bahia saía de uma crise muito séria, não somente crise política, mas, igualmente, crise financeira desde que almas gêmeas uma da outra ou sombra delas próprias. Contribuía e muito para essa situação uma crise da economia mundial do que resultou em parte a guerra de 1914.

A impressão que nos dá e deu para muita gente da época, é que José Joaquim Seabra, que veio a ser o governador da Bahia no período em pauta, precisava se redimir das acusações que lhe faziam sobre o bombardeio da cidade. Partiu pra tudo ou nada.
 


J.J.Seabra

Vejamos um artigo publicado no site WWW.webargios.com.articles/3712/2/0 - Bombardeio da Bahia de 1912.


Seabra o mais nauseante batráquio da politicagem nacional". Seabra resolveu responder com obras. Auxiliado pelo engenheiro Arlindo Fragoso, seu secretário de estado, tomou para si a missão de modernizar Salvador, aos moldes do que havia presenciado no Rio de Janeiro, quando era Ministro da Justiça e Negócios Interiores. Na época, o prefeito Pereira Passos derrubou cortiços e prédios antigos para "sanear" e modernizar a capital federal. Mas a inspiração maior de Seabra pode ter vindo de mais longe. Em 1907, ele passou uma temporada na Europa e ficou encantado com a cidade de Paris.
Salvador perdeu vários edifícios coloniais de grande valor histórico e ganhou em troca a Avenida Sete de Setembro, a mais importante obra iniciada no primeiro governo de J. J. Seabra. Num ponto valorizado da nova avenida, no local onde se erguia a Igreja de São Pedro derrubada, ele colocou um relógio importado, que ficou conhecido como o Relógio de São Pedro. A idéia não era só enfeitar a nova via. Antes de Seabra, a população de Salvador costumava se guiar pelo tradicional "tiro das nove", deflagrado sempre às nove da noite do Forte de São Marcelo. Todo o mundo entendia, então, que era hora de dormir. Mas, depois do bombardeio, a população traumatizada precisava de outra maneira de saber as horas. Com o relógio e as muitas obras que fez, Seabra mostrava que queria passar uma borracha no incômodo episódio. Foi para isso, também, que ele logo reformou com pompa o Palácio do Governo atingido pelo bombardeio, que foi também rebatizado. Até hoje, o prédio ostenta o nome de Palácio Rio Branco. “

Outros comentários:

Iniciou-se então o processo de demolição das residências da área central que a grande imprensa saudou denominando-o com simpatia de “regeneração”. Para os atingidos pelo ato era a ditadura do “bota-abaixo” já que não estavam previstas qualquer indenização para os despejos e suas famílias, nem se tomou qualquer providencia para realocá-los. Só lhe cabia arrebanhar suas famílias, juntar os parcos bens que possuíam e desaparecer de cena.”
“Na Bahia o “urbanismo demolidor” implementado por SEABRA tinha também como meta substituir o velho pelo novo, abrir avenidas largas, demolir prédios antigos e igrejas, higienizar, tornar a cidadã salubre, mais bonita, desenvolver o comercio. Substituir o tradicional pelo moderno sem preocupar-se com os custos econômicos e sociais, muito bem assimilado na convivência com o Governador carioca.
Tendo sido ministro de Viação e Obras Publicas, SEABRA se vangloriava de conseguir articular ações nas três esferas estatais para executar as reformas da cidade. “

De relação ao porto, mais vale transcrevermos o que escrevemos meses atrás nesse mesmo blog. Façamos um condensado:

Outro ponto um tanto quanto discutível da construção do Porto de Salvador onde efetivamente ocorreu, foi o câmbio da navegação à vela pela navegação a vapor. Os trapiches acabaram. Os saveiros ficaram sem função. Todo o recôncavo baiano sofreu na carne. As cidades em torno estacionaram economicamente. As ilhas também. O bairro do Comércio perdeu a atmosfera internacional que possuía.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
PORTO DE SALVADOR - CONSEQUÊNCIAS DE SUA INSTALAÇÃO- 2

Diz-se que a Cidade de Salvador deu as costas para o porto, o que é verdade. Isso tem a ver com as cargas e o ambiente social. Havia um passível ambiental. O porto era um lugar imundo. Era comum jogar no mar restos de cargas avariadas de alimentos. Crescia a população de ratos. No campo social, a atividade portuária era exclusivamente masculina. Isto incentivou a criação de prostíbulos nas proximidades. Virou “barra pesada” associado ao submundo de crimes, drogas e contrabando. Por outro lado, a topografia da cidade agravou a divisão, contribuindo não só para separar os dois setores da cidade, mas para sujar ainda mais a parte baixa da mesma.

PORTO DE SALVADOR - INCONVENIÊNCIAS DE SUA LOCALIZAÇÃO

Certa feita, escrevemos que de mar entendem os iatistas. Na oportunidade, tratávamos justamente de estaleiros. Qual o melhor lugar de implantá-los!
No caso do porto de Salvador ao tempo da decisão sobre onde instalá-lo, na falta dos iatistas, os saveiristas do Cais do Ouro poderiam opinar com precisão e, certamente, diriam eles que o melhor local seria aquele a partir do próprio Cais do Ouro em direção a São Joaquim. Claro que não diriam “incluso Cais do Ouro” por questões óbvias de sobrevivência e manutenção de suas próprias atividades.
E estariam certos! Teria sido evitado o grande erro de construção do porto de Salvador a partir de onde ele efetivamente começa, isto é, em frente à antiga Alfândega, hoje Mercado Modelo.



Porto de Salvador - Início

A foto acima é um atestado mais do que evidente da inconveniência técnica da construção de um porto começando justamente em frente a um banco de arreia e recifes onde está assentado o Forte de São Marcelo. A área tem baixíssima profundidade decorrente da irradiação desse banco ao redor. Não entra na cabeça de alguém que entenda um pouco de mar a concepção de um porto nas proximidades. É inacreditável!
Tanto isso é verdade que, os dois primeiros armazéns estão praticamente inativos. Nenhum navio aporta neles. Só a partir do terceiro armazém se vê movimento portuário, propriamente dito, assim mesmo de navios de pequeno calado. O quarto atende melhor a demanda. Vejamos outra foto da mesma área, esta mais abrangente, mostrando os dois quebra-mares:



A linha vermelha procura indicar a entrada de um navio entre os dois quebra-mares. A amarela mostra como o navio sairia desses limites. A linha azul mostra a forma mais garantida de sair. O círculo em torno do Forte São Marcelo indica a provável área de baixa profundidade.

Nos dois primeiros casos (vermelha e amarela), o navio passaria nas proximidades do Forte de São Marcelo e da área ao redor que deve ser rasa. Um perigo!

Outros problemas também existem. Vejamos trecho de um relatório produzido pela Usuport (Associação dos Usuários dos Portos da Bahia):

“Hoje, o terminal possui dois berços de atracação – o cais da Ponta Sul, com 210 metros, e o cais de ligação, com 240 metros –o menor deles equipado com portêineres. Os portêineres são pequenos, limitados a navios panamax; a construção de um armazém do terminal junto ao cais de ligação não permite que este berço de atração seja utilizado para a movimentação de contêineres. Equívocos também teriam ocorridos na construção de prédio administrativo e oficinas na área do terminal próximos ao cais, com impactos na capacidade do terminal”.

Nota- navios panamax são tidos como de tamanho médio.
Medidas gerais do Porto de Salvador

Por esta razão muitos defendem a tese de que o Porto de Salvador poderia ter sido construído em outro local। Em Aratu, por exemplo। Hoje esse porto tem uma movimentação de produtos exportados maior que o de Salvador, na altura de 60%. Com isto teria sido preservado todo o conjunto de cais então existente e teria se mantido a comercialização de produtos advindos do recôncavo e das ilhas. Os saveiros ainda estariam navegando pela Baia de Todos os Santos. Cometeram um crime com inusitadas matizes de gravidade.

Mas não teríamos o bairro do Comércio como ele hoje é. E não se fariam as avenidas que lhe cruzam. E daí? O legado do Comércio é desastroso para Salvador. É uma área degradada e ainda por cima, essa degradação se estendeu por toda a Cidade Baixa até a península. É um caos geral. O projeto de revitalização do Comércio e demais áreas vai custar bilhões. Vai levar anos para sua concretização.

sábado, 28 de maio de 2011

RUA CHILE – 3 – ERA MUITO ESTREITA A “GRANDE” RUA!

Em 1902 a Rua Chile era assim, conforme se pode ver na foto acima: estreita, uma só paralela de trilhos e a iluminação sustentada por arcos que se prendiam nos prédios muito próximos uns dos outros.

Porque as ruas eram assim antigamente, tão estreitas? Não havia tanto espaço? Aí é que está. Não havia! Claro que estamos a nos referir ao espaço útil, seguro, próximo ao local de trabalho, o mais agradável, essas referências.

Devemos nos lembrar, por exemplo, no caso da segurança, que as cidades às vezes eram muradas contra as invasões de inimigos, sejam índios, sejam outros povos. Esse fator contribuía e muito para as limitações. De relação à proximidade do local de trabalho, naquela época não havia a facilidade de transporte que há hoje e de relação à agradabilidade, é uma constante sempre presente nas decisões humanas.

Mas não precisamos nos alongar em explicações tais, se ainda hoje, em pleno século XXI, vemos os aglomerados de favelas nas proximidades das partes centrais e nervosas das cidades e há espaço para todos os lados e há carros, ônibus, trens, ferries-boats, metrôs, helicópteros, etc.

Então, que se perdoem os nossos antepassados pela construção de suas cidades apertadas como era a Salvador de antigamente। Como era a Rua Chile, a primeira das ruas dessa cidade encantadora que é Salvador.




Salvador- Ainda mais aperto - E agora?
 

Rio de Janeiro - Tradicional!

RUA CHILE – 2 – ECO DAS FESTAS CHILENAS

Claro que a repercussão da passagem da esquadra chilena por Salvador foi imensa. Toda a imprensa comentou largamente os acontecimentos.

O Diário da Bahia, edição do dia 29 de julho, publicou:
Na manhã de ontem, conforme fizemos constar, zarpou do nosso porto a esquadra chilena rumo ao sul. Seria 6 e um quarto, quando a escola de aprendizes formou no pátio do arsenal da Marinha, do lado do mar e, em manifestação de simpatia, executou o hino chileno. A esquadrilha içou sinais semafóricos em que se liam: “agradeço-vos”. À 7 da manhã passavam à vista do Rio Vermelho”.
Já a imprensa chilena comentou:
Santiago, 20 – Causaram indizível satisfação os telegramas do capitão do navio Carrasco, comandante em chefe da esquadra chilena, relatando a recepção na Bahia, as festas realizadas e o entusiasmo da população. A oficialidade está reconhecidissima a tantas provas de afeto.
Santiago, 23 – Os jornais congratulam-se pela afetuosa recepção dispensada aos oficiais e marinheiros chilenos pela população da Bahia.


Cordilheira dos Andes


Palácio de la Moneda del presidente do Chile

Voltamos à imprensa local: Diário da Bahia :

“O adeus à esquadra foi tão apoteótico quanto sua chegada. Reuniu-se grande multidão na Praça do Conselho, nas amuradas do Elevador Lacerda, na Praça do Teatro, em toda a cidade baixa para ver a queima de fogos de artifício nas cores azul e vermelha e ouvir a banda do Primeiro Batalhão da Polícia. Diziam os presentes que nenhuma festa teria sido tão impressionante na cidade”.
Diário da Bahia – Edição de 29/07/1902:

“O nobre povo baiano, na hora dos derradeiros ablativos de viagem, não cansado das grandes festas em que todas as classes se acotevelaram na praça pública, nas recepções dos palácios do Estado e do Municipio, nos clubes, nas diversões campestres, cada qual ali afirmando mais alto seu entusiasmo, ainda se encontra nos seus desvelos e carinhos!


Diário da Bahia – Edição de 30 de julho de 1902
Recepção à esquadra chilena no Rio de Janeiro. Programação:
1º dia – Saida da esquadra brasileira ao encontro da esquadra chilena e visitas oficiais
2º dia – Retribuição das visitas
3º dia – Apresentação da oficialidade dos vasos chilenos ao Sr. Presidente da República, estando presente os ministros da Marinha e das Relações Exteriores. À noite, recepção no Club Naval.
4º dia – Às 2 horas da tarde, visita do Presidente à bordo dos navios chilenos
5º dia – Partida recreativa na Escola Naval (futebol)
6º dia – Almoço oferecido aos membros do governo do Brasil à bordo de um navio chileno pelo Sr. Ministro H. Riquelme.
7º dia – Jantar oferecido aos marinheiros chilenos
8º dia – Banquete oferecido às 8 horas da noite ao ministro chileno
9º dia – Matinée a bordo dos vasos chilenos
10º dia – Intervalo para preparar a câmara ardente a bordo de um dos vasos chilenos
11º dia – Transladação dos cadáveres;

Rio de Janeiro

Retornamos à Bahia -Diário da Bahia – 2 de agosto de 1902 – Editorial de Ambrósio Gomes:

“É preciso problematizar os motivos que levaram os soteropolitanos a fazer 14 dias de festa na passagem da esquadra de um outro país sul-americano que, em direção ao Rio de Janeiro, passa pela Bahia। Não é possível pensar que toda essa festança aconteceu somente por que Salvador viveu no marasmo social e econômico, ou porque aquela era a terceira mais importante armada do mundo, nem se pode atribuir simplesmente ao dito popular: “ isso é coisa de baiano

Completou:
(...) Vai minha alma transpondo a andina cordilheira
Tomada de ingenta fé, extranha e verdadeira.
Da pátria de O’Brien beijar as santas aras
Onde o civio amor do Chile excelso e avante
Sincero pontifica ...Ave Chile gigante!...
Ave Brasil – da paz heróica almenaras!

O próprio Diário da Bahia, justificando-se pelas palavras rudes dita acima, publicou na sua edição de 17 de julho de 1902:

"As demonstrações de gentileza e afeto que a operosa República Andina tributa a soberania da nossa nacionalidade, já dispensadas a patrícios nossos, já manifestas na magnaminidade fraternal das suas relações oficiais ou na comemoração das nossas datas e de nossos acontecimentos, justificam o entusiasmo com que se acentua em todas as camadas do povo o movimento para uma recepção carinhosa à esquadra chilena que esteve em Salvador".


Jornal O Popular, escreveu:
"Para dizermos o que fora
m as festas em homenagem à oficialidade da nação amiga, seria necessário um edição especial de muitas páginas. As festas foram espontâneas, vibrantes e patrióticas, verdadeira fraternização da alma baiana com a alma chilena (...)"

De resto, cabe aos nossos leitores julgar os prós e os contras desse extraordinário acontecimento em nossa cidade. A Rua Chile está ai. É a maior representação dessas homenagens. Teriam sido excessivas ou se justificam pelas nobres razões que as motivaram?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

COMENTARIOS DE NOSSOS LEITORES

Temos publicado ao final de cada mês a audiência desse blog. Ela gira em torno de dez mil consultas, às vezes um pouco mais ou um pouco menos. Parece que é boa. Gostaria que fosse maior, claro! Esforçamo-nos para tal. Na idade que possuimos, sair por aí, fotografando a cidade, não é para todo mundo e é perigoso. Ainda esta semana, estivemos no Sodré e já íamos descendo pela sua baixada e fomos alertados por um transeunte que seria melhor "voltarmos" pela Rua do Areal de Cima do que arriscar ser assaltado. Motivo: traficantes no local. Até na Carlos Gomes, num dia de domingo, fomos aconselhados a "tomar cuidado com a máquina".


Hoje, resolvemos postar alguns comentários feitos por nossos leitores. É preciso divulgá-los. É uma forma de agradecimento.

"Parabéns pelo post ! Estou sempre acompanhando o blog. Sempre muito interessante e mata um pouco da saudade que eu tenho de Salvador.
Por Lívia em IRMÃ DULCE – OU MELHOR SANTA IRMÃ em 22/05/11"



"Olá! Amei seu blog, gostei desse texto super interessante. Meu blog é voltado para educação e inteligência emocional. Vou visitar o seu sempre! Parabéns Sucesso...
Por Jonatan Kenny em BARRA-PRAIA DO PORTO em 30/04/11"


"Historia do Brasil pura! Maravilhoso!
Por beto soteropolitano em ABERTURA DA PORTA DE SANTA LUZIA – SETOR SUL -IGRE... em 29/04/11"


"Plain and simple! I like your work! generic nolvadex
Por levicold em VIZUALIZAÇÃO DESTE BLOG – 6.725 EM FEVEREIRO em 16/04/11"


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Por Maysa Dias em ILHA DE ITAPARICA – A EVOLUÇÃO DOS ACESSOS em 30/03/11"


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Por superstar racing em CORREDOR DA VITÓRIA em 27/03/11"


"É uma pena ver o plano desativado em 2011 ! Belo cartão postal da Cidade ! Parece até que a cidade não tem Secretário de turismo ou mesmo prefeito ! Triste ! Baiano indignado !
Por Ricardo Garrido TourGuide em PLANO INCLINADO GONÇALVES em 14/03/11"


"Linda demais essa praia! Só de imaginar que essa maravilha, assim como tantas outras, faz parte da nossa Bahia linda...dá um orgulho danado!! Que esse paraíso mantenha-se sempre preservado!!
Por Rafaela em SUBÚRBIO FERROVIÁRIO DE SALVADOR 17 - INEMA em 12/03/11"


"Excelente pesquisa! A história é assim! Viva, presente.
Por Naurelita Maia em FORTE DO BARBALHO- VERDADES HISTÓRICAS em 10/03/11"


"Parabéns!!! continuem assim! grande fonte de cultura
Por Claudio em VIZUALIZAÇÃO DESTE BLOG – 6.725 EM FEVEREIRO em 02/03/11"

Por fim um comentário inusitado, aliás, nem bem é isto: é um pedido de localização de uma pessoa atraves do nome de uma rua. Mandei-lhe um mapa do Google Earth.

"Desculpe professor, mais gostaria de saber se o senhor poderia enviar-me o nome das principais ruas do bairro Mares aí na cidade baixa. Pois muito tempo atrás eu tive um grande amor e sempre a visitava nos Mares. Sei que passava pela igreja do largo a onde tinha uma baiana que faziam um delicioso acarajé. O tempo já vai longe quando tive esta paixão aí na Bahia e hoje procuro no Google Earth lembranças deste tempo que me marcou. Só que não consigo achar a tal rua e nem o nome lembro-me mais... Porém tenho a certeza se eu bater o olho no nome da rua sei que me recordarei, pois foram várias às cartas que escrevi para o endereço deste meu amor nos Mares. Se não puderes me enviar gostaria de uma dica, um guia para que eu possa saber todas às ruas deste bairro que me deixou grata recordações. Desde já eu agradeço, Beto, Rio de Janeiro. Se for preciso envio o meu email. A data desta paixão que durou três anos começou em em 1973! Foi muito bom.
Por RFFS em FORTE DE SANTO ANTÔNIO em 27/02/11"

RUA CHILE - 1

A Rua Chile hoje é uma rua como que “esquecida ”. Pouca gente a freqüenta. Não fosse um terminal de ônibus que se fez num espaço de um edifício que incendiou-se e a freqüência seria ainda menor.

Até esse blog passou por ela e não a percebeu. Será? Ou foi apenas uma forma de destacá-la ao fim de uma determinada etapa desse trabalho e torná-la a apoteose de uma cidade? É possível! Verdade que acabamos de completar um "ciclo" tratando o Centro Histórico de Salvador quase que por completo: abrimos as portas de Santa Catharina e andamos pela Misericórdia, Praça da Sé, Terreiro de Jesus e Santo Antônio Além do Carmo. Depois foi a vez das Portas de Santa Luzia serem abertas e seguimos por São Bento e São Pedro; Piedade, Campo Grande, Vitória, Graça, Barra e finalizamos no Sodré e todo aquele complexo incrivel dessa área.

De qualquer forma, está na hora da remissão, não pelo que ela é hoje, mas pelo que foi no passado dessa cidade à começar pela circunstância de ser a primeira rua da Cidade Alta. Construiu-se a Casa do Governador na Praça Municipal e a lateral esquerda do prédio que se seguiu, dava o primeiro contorno de sua existência.


Casa do Governador – 1549/1623

Posteriormente já a estrutura do atual palácio - 1623/1890

Palácio Rio Branco - Atualmente
 

Rua Chile - Reparem como ainda  é bela
 
O povo foi em massa para as ruas



As bandeiras do Chile e do Brasil entrelaçadas।


Sobre este entrelaçamento comentou-se na época:

“Ao estampar na primeira página as bandeiras do Brasil e do Chile juntas e a flâmula da Bahia ao centro, a mensagem transmitida vai além da irmandade entre as nações vizinhas. Esse é um momento em que a República quer sobrepor à Federação e usa todos os seus símbolos para alcançar seus feitos. Porém, no caso baiano, ao mesmo tempo que a imagem enalterce o Chile, exalta o pavilhão, aguçando a altivez patriótica soteropolitana, visto que existem semelhanças de cor e de desenho da flâmula entre as bandeiras da Bahia e do Chile.”
Quando ao povo, foi intensa a mobilização popular. Foi às ruas como faz nas festas populares. Já de relação às autoridades, além dos membros das Forças Armadas, participaram das comemorações dirigentes das diversas instituições civis, estudantis e se realizaram sessões solenes em diversas delas.
Conta-se que numa dessas sessões um palco desabou ferindo o governador Severino Vieira."

A oficialização do nome Rua Chile foi feita em 17 de julho de 1902 pela Lei número 577. Eis sua redação:

Agora, vale perguntar o porquê da presença de uma esquadra chilena em Salvador, antes mesmo de ir ao Rio de Janeiro que era a capital do País?

É uma história meio complicada e talvez por isso pouco divulgada. Achamos que pouca gente sabe a razão.

Conta-se e é verdade que quatro integrantes do Ministério do Exterior do Chile morreram em Salvador, vítimas de uma epidemia que assolava a nossa capital. O fato repercutiu em todo o mundo ao ponto de a capital baiana ser chamada de “túmulo dos estrangeiros”.

Os navios chilenos vieram resgatar os corpos dos quatro embaixadores e levá-los para o Chile, um procedimento dos mais elogiáveis, respeitoso e patriota.

Toda a Bahia se sensibilizou com esse gesto da nação andina e a fim de mostrar respeito, homenageou a esquadra com grandes festas, mas não aquela “festa” que é só de alegria, mas uma festa de solidariedade, de fraternidade, de um povo que também sentiu e lamentou as mortes dos embaixadores.

Aqui vale citar o que escreveu a talentosa senhora Nivalda Freitas de Oliveira da Universidade Católica de São Paulo:

" Outra nuance pode ser observada – é o binômio morte e vida. Morte dos embaixadores chilenos, morte por falta de política de saúde pública, morte na cidade insalubre versus salubridade das cidades chilenas; vida nas diversas festas brasileiras.
A historiografia aponta para existência simbólica entre o mundo dos mortos e dos vivos. Ao festejar a morte se está tratando de vida, pois tais comemorações estão eivadas de características e comportamento culturais mais próximos da afirmação da existência coletiva”.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A OUTRA PRAÇA 2 DE JULHO

Salvador tem duas praças no centro da cidade com o mesmo nome: DOIS DE JULHO. A primeira delas é o nosso famoso Campo Grande, monumental e grandioso; a segunda é o Largo 2 de Julho ali nas proximidades do Sodré, construído com pedaços de quintal de uma mansão (Mansão Acioli e alargamento de uma rua (Rua do Fogo).



Praça 2 de Julho – Campo Grande – Bem definido


Largo 2 de Julho – Sodré, etc. – Foi se arranjando!

Inicialmente o largo chamava-se “Largo do Aciolí. Posteriormente, mudaram o seu nome para Largo 2 de Julho porque arranjaram um espaço para a colocação do “chafariz da cabocla” em homenagem à data magna da Bahia. Esse chafariz andou inicialmente pela antiga Praça do Teatro São João, hoje Praça Castro Alves; depois foi para a Praça da Piedade: em seguida para o Largo do Acioli e hoje se encontra no Largo dos Aflitos em frente ao quartel da Policia Militar.



Chafariz da Cabocla – Belíssimo! Resistiu às diversas mudanças. Agora está bem!

Enquanto se bulia de todos os lados com o Largo 2 de julho, a principal rua que lhe dá acesso – Rua do Cabeça, mantêm as características ambientais do século passado e até mesmo antes. Aliás, não só a Rua do Cabeça tem essa característica; também a Rua do Sodré, bem como as ruas Areal de Cima e de Baixo; a Rua Democrata e a Rua da Jaqueira sustentam uma forma de ser muito própria daquela época.


Rua do Cabeça – Apesar das modificações estruturais, o ambiente é o mesmo

Aqui vale lembrar o Bar Anjo Azul, inaugurado em 2 de julho de 1949. Era um local de encontro dos intelectuais da época: Carlos Bastos, Coqueijo, Jorge Amado, Caribé, Calazans, Mario Cravo e tantos outros.
Deu até música. Com autoria múltipla de J.B, Bulla, Helio Musquito, Wallace, Edson da Conceição, Klebinho, Dinho e De Minas, transcrevemos o enredo do samba “Anjo Azul”:

Foi nos anos 50
Cidade Alta em Salvador
O Anjo Azul surgiu
Na Rua do Cabeça
Num sobradão secular (secular)
Ponto de encontro
Dos artistas do lugar
O luxo e a riqueza
Misturavam-se com a simplicidade
Tudo se tornava natural
Sou Deus do Olimpo
Do barroco tropical
Canta, meu Engenho
Pisa forte nesse chão (bis)
A nossa bateria
Vem no pique da canção
Vem de lá emoção
Com suas crenças e seus costumes exaltados
E Alorixá deu a receita o drinque certo
Para ser feliz e ter sucesso
Na modernização (oi)
E na florescência cultural
Mário Cravo, Carlos Bastos e Caribé
Incentivo em cartão postal
Venham pra ver
A realidade
Obras de arte
Decorando a cidade
Na Bahia tem, meu bem, magia
Anjo azul, xixi de anjo (bis)
Muito axé e poesia

Areal de Baixo

Areal de Cima


Ninguém sabe informar porque Areal de Cima e de Baixo. No local nunca deve ter existido areia, de onde provêm a palavra areal - local de muita areia. Quando a ser de baixo e de cima, explica-se pela desnível das duas ruas, uma mais acima do largo; a outra mais abaixo.

Aventuramos em dizer que no caso teria acontecido um vicio de linguagem. O certo talvez seria dizer "Arraial de Cima e Arraial de Baixo" e não "Areal de Cima e de Baixo". Tem mais sentido e lógica.


Rua do Sodré

Jerônimo Sodré Pereira foi um português que veio para Salvador em 1661. Ele mandou construir na Rua do Sodré uma residência que passou a se chamar de Solar do Sodré. Após seu falecimento, o solar foi adquirido pelo senhor Francisco Lopes Guimarães. Com a morte desse senhor, sua viúva casou-se com o Dr. Antônio José Alves, pai do poeta Castro Alves. Assim sendo, o grande poeta viveu boa parte de seu tempo nesse prédio, justamente aquele relativo a sua fase romântica. Nele faleceu em 6 de julho de 1871.
Nesse prédio, funcionaram os colégios Alemão, Piedade, Antônio Vieira, Ipiranga do Professor Isaías Alves e atualmente funciona o Colégio Estadual Ypiranga.



Placas alusivas ao fato

Já na Rua Democrata, há que se destacar o Clube Fantoches da Euterpe e a Igreja de do Coração de Maria (década de 1940). Já foi convento denominado dos Cordimarianos.



Rua Democrata

O que são os Cordimarianos?

Este blog tem procurado esclarecer aos seus leitores o que são ou foram as inúmeras ordens católicas. Esta, por exemplo, origina-se do que se chama a “Cruzada Cordimariana”. Com a palavra os especialistas:
“O que é a Cruzada Cordimariana?

A resposta ao pedido que nos fez a Virgem Maria em Fátima. Um chamado urgente que quer despertar as almas da letargia, da indiferença à Vontade de Deus, manifestada em Fátima. Não se trata de uma nova devoção nem de acrescentar outra invocação, mas de identificar-nos com a Vontade de Deus como perfeitos cristãos através do Coração de Maria.

Finalidade da Cruzada
Estender e estabelecer por todos os meios a devoção ao Coração Doloroso e Imaculado de Maria. Que haja muitos filhos do Coração de Maria que instaurem esta devoção para que se salvem muitas almas, se estabeleça a paz e chegue o reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por que a chamamos Cruzada?
Porque Nossa Senhora, quando nos pediu em Fátima, utilizou as mesmas palavras com que os cruzados medievais se lançavam à luta: “Deus o quer!”. Hoje Deus nos pede outra Cruzada mais urgente, mais necessária, de muito maior transcendência, convocada pela mesma Rainha do Céu, que vem a nos manifestar a vontade do seu Filho.”




Igreja do Coração de Maria
 
Mudando como que da água para o vinho, destaque-se na mesma rua Democrata o Clube Fantoches da Euterpe, o grande clube dos grandes carnavais das décadas de 1940/1950.



Clube Fantoches da Euterpe

Rua Democrata- À esquerda o muro que esconde hoje o Fantoches



Imagem da área abordada- Google Earth

terça-feira, 24 de maio de 2011

FORMAÇÃO DA RUA CARLOS GOMES

A Rua Calos Gomes que hoje conhecemos com inicio na confluência da Av. 7 de setembro e ela própria e término na lateral da Casa da Itália, antigamente só chegava até as proximidades da Rua do Cabeça. A foto adiante mostra-nos uma casa ao fundo interrompendo o trajeto. Ela devia se curvar à esquerda em direção ao Largo de São Pedro e Piedade. Percebe-se essa inclinação na foto abaixo e a casa em frente.



Antiga Rua Carlos Gomes, ou melhor, Rua de São Bento de Baixo



Fim da atual Rua Carlos Gomes



E a Rua do Cabeça onde ficava dependurada a cabeça de um boi; bem como a Rua da Força onde os condenados à forca dobravam em direção à Piedade para execução?
Ao que tudo indica após a casa. A rua se inclinava à esquerda; depois à direita e seguia em frente quando se bifurcava, de um lado em direção ao Largo 2 de julho; do outro em direção à Praça da Piedade.
O desenho abaixo tenta esclarecer o que foi descrito acima:











REPRESENTAÇÃO





Após a Rua da Forca, certamente deveria haver mais casas e mais becos interligando os antigos quarteirões então existentes na hoje Av.7 de Setembro.



Uma das formas que adotamos para identificações e/ou descobertas de ruas antigas ou não, é verificando se numa determinada via as construções são atuais ou não. Se atuais, claro que a rua não existia antigamente. Por exemplo, na Rua Carlos Gomes do trecho que vai da Rua da Forca até esquina com a Casa da Itália, todas as construções são de “hoje”.
Já o trecho que vai do seu inicio na Praça Castro Alves até à rua da Forca, são diversas as construções antigas:




Esta, por exemplo, a Casa de Oração dos Jesuítas ,um antigo sobrado do século XVII, onde funcionaram os desaparecidos jornais Estado da Bahia e Diário de Noticiais, e a Rádio Sociedade (esta emissora permanece no ar) que pertenciam aos Diários e Emissoras Associados.



Ou esta ao lado



Bem como esta, magnífica!

domingo, 22 de maio de 2011

IRMÃ DULCE – OU MELHOR SANTA IRMÃ

Hoje é um dia histórico para Salvador, ou dizendo melhor, para a Bahia e para o Brasil। Surge a primeira santa brasileira: IRMÃ DULCE ou SANTA IRMÃ। E que Santa que está surgindo! Conheci essa mulher antes da construção do Hospital Santo Antônio, sua maior obra। Ainda não tinha a fama que veio a possuir posteriormente। Era uma freira vestida de branco e azul com uma pasta preta na mão। Entrava pelos bancos e pelas empresas do Comércio à cata de doações para seus doentes. Sim!Ela já cuidava de muitos doentes antes do hospital. Tratava-os pessoalmente nos diversos locais que invadia como, por exemplo, as cinco residências pertencentes a veranistas na Ilha do Rato, próximos à sua residência no conhecido largo; foi logo despejada. Em seguida no Largo da Biblioteca, onde hoje funciona uma biblioteca. Na época era um prédio com outra finalidade e estava inativo. Invadiu também. Foi igualmente despejada pela Justiça, certamente com a ajuda de policiais como é costume. Mas os seus doentes não podiam ficar na rua. Tinha que ter um lugar. Vislumbrou os arcos da Ladeira do Bonfim, os mesmos onde hoje funcionam diversas lojas de artesanato religioso. Foi um Deus nos acuda! Ai o governo percebeu que precisava tomar uma providência para resolver esse “problema social” que já tomava conta da imprensa e de diversos segmentos da sociedade. Resolveu, enfim, doar um pedaço da antiga Vila Militar dos Dendezeiros. No espaço funcionava a cavalariça da vila. Era um grande areal. Antigamente o mar chegava até ali vindo da Enseada dos Tainheiros. Nesse local, foi erguido o santo Hospital Santo Antônio de Irmã Dulce, da hoje Santa Irmã Dulce, da mulher destemida que sempre foi, possuidora de uma força incomum que só santos têm, porque não vem dos músculos e sim da mente que, quando prodigiosa e divina, realiza coisas e feitos que engrandece o ser humano e passa para a história.

Nesse dia maravilhoso, permita-me transcrever uma postagem de nossa autoria feita em 13 de outubro de 2009, denominada HISTÓRIA DE SALVADOR - IRMÃ DULCE




terça-feira, 13 de outubro de 2009



HISTÓRIA DE SALVADOR- CIDADE BAIXA - IRMÃ DULCE

Estávamos tratando dos destaques de cada acesso, relatados em postagens anteriores. Vimos os destaques do Caminho de Areia e seus bairros criados sobre um grande aterro. Vamos passar pela Rua Henrique Dias sem nada a destacar e, finalmente chegamos na Avenida Dendezeiros do Bonfim. Aqui, possivelmente, tenhamos o mais importante destaque desse trabalho: o Hospital Santo Antônio, a culminância de uma grande obra assistencial e a única responsável por esta extraordinária obra, chama-se Irmã Dulce. As Obras de Irmã Dulce são de uma imensa importância social para a cidade de Salvador.

Em reconhecimento a esse trabalho, o então presidente Sarney em 1988, indicou o seu nome ao Prêmio Nobel da Paz, com apoio da rainha Silvia da Suécia, que conhecia o seu trabalho. Não sabemos quem ganhou nesse ano o referido prêmio, mas para vencer a indicação de Irmã Dulce, o escolhido deve ter sido mais santo do que ela é.

Tivemos o privilégio de conhecê-la na sua labuta diária atrás de doações no Comércio, onde ficavam os bancos de Salvador. Sempre vestida num traje azul e branco, pasta de executivo na mão, preta, amealhava cruzeiro por cruzeiro das mãos de Ângelo Calmon de Sá do Banco Econômico; de Clemente Mariani do Banco da Bahia; de Pergentino Holanda do Banco do Nordeste, de Cid Meireles do Holandês, do seu Mamede no Paes Mendonça e tantos outros grandes dirigentes de bancos e empresas daquela época.




Irmã Dulce quando jovem – Muito Bonita!

Nasceu em 1914 no dia 24 de maio à Rua São José de Baixo, 36, no Barbalho e chamava-se Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes. Seus pais foram o Dr. Augusto Lopes Pontes e D. Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes. Foi aluna da Escola Normal da Bahia onde se formou em professora em 9 de dezembro de 1932. Em 1933 ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo em São Cristovão, Sergipe, recebendo o nome de Irmã Lúcia. Quando recebeu o hábito, em homenagem à mãe, passou a chamar-se Irmã Dulce. Foi professora de Geografia e História no Colégio Santa Bernadete, no Largo da Madragoa. Esse colégio pertencia à sua Congregação. Em 1936 fundou a União Operária São Francisco, mais tarde transformada no Círculo Operário da Bahia. Em 1937 ajudou a construir e instalar os cinemas Plataforma e São Caetano, com renda em prol do Círculo Operário. Anos depois, em 1948, inaugurou o cinema Roma, um dos maiores da cidade. Em 1939 foi a vez do Colégio Santo Antônio no bairro da Maçaranduba e nesse mesmo ano, num movimento comparável ao que hoje ocorre por motivos suspeitos, invadiu cinco casas na Ilha do Rato, ação que iria definir o futuro da ação social da grande religiosa a fim de abrigar dezenas de sem teto.

Objetivando sua ação futura e mais grandiosa, em 1941 formou-se em Oficial de Farmácia. Sim! Irmã Dulce apesar de tudo que fazia, ainda estudava! Em 1947 fundou o Convento Santo Antônio juntamente com as irmãs Plácida e Hilária do qual foi a sua 1ª Superiora. Em 1959, fundou a Associação Obras Sociais Irmã Dulce e já no ano seguinte inaugurou o Albergue Santo Antônio com 150 leitos em terreno cedido pelo governo do estado e antes pertencente à Vila Militar dos Dendezeiros. Em 1981 criou a Fundação Irmã Dulce. Estava concluída a sua grande obra. Morreu em 13 de março às 16,45 aos 77 anos. Em 15 de março foi sepultada no altar do Santo Cristo, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia. Hoje seu corpo se encontra no Memorial que tem o seu nome na Av. Dendezeiros do Bonfim. Uma mulher como esta só nasce de 100 em 100 anos. Chega predestinada para determinada ação e dela não se afasta um milímetro sequer, mesmo sendo uma mulher fisicamente frágil. Apesar de tudo isto, ainda há quem critique a pessoa de Irmã Dulce. Só mesmo uma humanidade aloprada.
MEMORIAL EM HOMENAGEM Á IRMÃ DULCE




Os dados da vida de Irmã Dulce foram extraídos de diversas fontes. Há muitas por ai, no entanto, nenhum delas faz referência a dois acontecimentos importantes de sua ação. Hoje se diria de seu "marketing". Primeiro deles foi a "ocupação" pela irmã e seus doentes de um imóvel localizado na esquina da Rua Visconde de Caravelas e o Largo da Biblioteca em Itapagipe. Neste imóvel hoje funciona a Biblioteca Municipal Reitor Edgar Santos. O segundo e o mais importante, que se tornou notícia em todos os jornais, foi a ocupação dos Arcos da Baixa do Bonfim, onde hoje funciona diversas lojas de artesanato religioso.
Estas ações corajosas e inusitadas, repercutiram em diversas esferas da sociedade e foi determinante nas pretensões da grande religiosa. Com a ocupação de espaços públicos, ela queria chamar a atenção da imprensa e, conseqüentemente, dos governantes, de toda a sociedade, para o problema social gravíssimo que parecia somente ela enchergava. Era uma mulher inteligente e de visão, uma visão divina, diga-se de passagem. Feito isto, logo o governo fez a doação do terreno nos Dendezeiros onde hoje funciona o seu hospital. Valeu, deveras!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

BAHIA ANTIGA ATRAVÉS DO SODRÉ

Enquanto o crescimento residencial no norte da cidade, dede o verdadeiro Pelourinho até Santo Antônio Além do Carmo, deu-se de uma forma mais ou menos ordenada, como que planejada, o mesmo não se pode dizer da expansão para o sul da cidade, principalmente nas transversais da Rua Carlos Gomes.

Haveria uma razão ou uma lógica para que tal ocorresse? Sim! Para os lados de Santo Antônio e desde o Pelourinho, foram construídas as residências das pessoas mais ricas, dos trapicheiros, dos senhores de engenho, dos comerciantes, dos nobres. De certa forma, procuravam obedecer a determinados padrões de qualidade e ordenamento urbano. Tinham recursos para tanto e obedeciam a uma ordem mais ou menos social.

Já do outro lado, os mais pobres construíam suas casas onde achasse um terreno à disposição e o faziam de qualquer jeito, muitas vezes ou quase sempre, aglomerando-se de forma difusa e desordenada.

Quase sempre, os terrenos inclinados das encostas lhe eram reservados que nem hoje.

Casas baixas, habitações de andar e pequenos imóveis de três ou quatro níveis, se apertam na maior desordem aparente e saturam o espaço construtível de um lado e do outro de uma longa crista de morros que bordeja a baía de Salvador”.
>Acima um comentário de um especialista a respeito desse problema que se mostra secular.

Mais por curiosidade do que mesmo por outra coisa, acessamos o Google Earth que nos proporciona o panorama de qualquer lugar do alto de um satélite e incrivelmente sente-se essa diferença ainda hoje.

Enquanto o bairro de Santo Antônio se nos apresenta mais ou menos organizado com as fileiras das casas bem definidas e ordenadas, a vista da área do Sodrè, Arraial de Cima, de Baixo, Largo 2 de julho, é um aglomerado amorfo



Santo Antônio - Uma certa organização


 


Sodré - etc. Aglomerado de casas sem qualquer ordenação urbana





Pelourinho – Fundação Jorge Amado

Aglomerado!

Casas de Santo Antônio Além do Carmo


O Santo Antônio Além do Carmo sofreu reformas nos últimos anos; já a área do Sodré ficou como era। De certo modo esta inércia contribuiu para manter as características da localidade como era no princípio do século XX e até mesmo no do XIX. A Bahia daqueles tempos está ali. Rua do Cabeça, Rua da Forca, Rua da Faísca, Areal de Cima e de Baixo, Rua Democrata, etc. e até mesmo o Largo 2 de julho, apesar de algumas reformas que lhe foram feitas.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

AVENIDA 7 – CONFLUÊNCIA COM A CARLOS GOMES

Tem certos pontos de uma cidade que a personaliza fortemente. Salvador, por exemplo, tem marcas inconfundíveis como sendo o Elevador Lacerda, o Farol da Barra, a Colina Sagrada do Senhor Bonfim e tantos outros. Entre esses “outros” tem um que marca com bastante força o centro nervoso da Cidade Alta nas proximidades da Praça Castro Alves.
Estamos nos referindo a confluência entre os princípios da Avenida 7 de Setembro e da Rua Carlos Gomes. Exatamente! Lá está o Edifício Sulacap.


Edifício Sulacap – Marcante!

Não estamos aqui a salientar a beleza do edifício, seu estilo, coisas tais. Queremos ressaltar a importância do local, dizendo melhor, a estratégia de sua localização.
Ali o tráfego de veículos é dividido em partes. Os que vêm da Cidade Baixa através da Ladeira da Montanha seguem à direita pela Rua Carlos Gomes. Aqueles que vêm da Piedade, São Pedro, etc., descem a Ladeira de São Bento.
Mas nem sempre foi assim, claro! Vejamos como era:

O mesmo trecho e destacamos as obras de construção do grande edifício por volta de 1938/39. Um bonde e alguns carros atrás descem a Ladeira de São Bento em direção à Praça Castro Alves. Reparem os dois pares de trilhos, inclusive os que sobem pela mesma ladeira.Dá para perceber o quanto era estreita a nossa Rua Carlos Gomes.

Agora o Edifício Sulacap já erguido em 1940 e aí vemos um bonde subindo a ladeira e um carro atrás. Na Rua Carlos Gomes, ao que tudo indica, homens e máquinas estão no processo de calçamento da rua. Sim, esta rua foi alargada. Vejamos como era:


Antiga Rua Carlos Gomes
Da mesma época- Existia um belíssimo prédio na grande esquina. (esquerda da foto). Foi ele que foi derrubado para dar lugar ao Edifício Sulacap.
Enquanto se pode justificar a demolição do prédio acima para alargamento da tradicional rua, não se pode aceitar a demolição de outros prédios na subida da Ladeira da Montanha. Todos destruídos sem dó nem piedade em prol de que? Repetimos a foto:


 
Referimo-nos aos quatro prédios à direita. Talvez o da esquina devesse ser demolido em razão do alargamento da rua.
E o que surgiu no local?
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Este estacionamento, recentemente fechado. Horrível! Deprecia o local. Pertence a uma repartição do governo federal, consequentemente, aqueles prédios que vimos na foto anterior foram desapropriados. Conclue-se também que a obra foi da responsabilidade lá de cima. A Prefeitura não tinha dinheiro para tanto!