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quinta-feira, 30 de junho de 2011

TORORÓ

A palavra Tororó significa, em tupi-guarani, enxurrada, jorro d'água, pequena cachoeira. Isso nos faz imaginar que, no Tororó, teria existido uma nascente ou aqüífero e do seu alto suas águas formavam uma cachoeira em direção ao dique.

Esse fato não é citado em nenhuma fonte, mas dando-se crédito às denominações indígenas para as coisas da natureza, há que se considerar essa possibilidade.

Nesse sentido, vejamos as palavras da Professora Maria Vicentina Dick (1990): “Os topônimos (1), mais que outras unidades do léxico, configuram-se como importantes testemunhos históricos da vida social de uma população”. Ainda, segundo ela:” os nomes carregam consigo um valor que vai muito além do próprio ato da nomeação e assegura que se a toponímia situa-se como a “crônica” de um povo, gravando o presente para o conhecimento das gerações futuras, o topônimo é o instrumento dessa projeção temporal.”

Complementa: “Assim é possível recuperar fatos históricos, geográfico-descritivo, etnológicos, sociais das regiões pesquisadas, uma vez que um estudo toponímico pode contribuir significativamente para verificação das idéias de um grupo, de sua cultura, de sua história, enfim, da realidade”.(1) Topônimo: nome próprio de lugar ou acidente geográfico

De resto, há de se pesquisar e buscar alguma prova material, quiçá um indício, que comprove a existência do topônimo citado.

À principio, há referências e fotos de uma fonte no Tororó. Ei-la:


“Devidamente” enterrada- Era ou é uma fonte, localizada em terreno “baldio” numa favela no Tororó. Não confundir com outras que se localizam às margens do Dique.


Foram construídas pelos engenheiros Antônio Lacerda e Augusto Frederico Lacerda em 1873.

De resto, julgava-se que o Tororó abrigasse em seus espaços construções antigas como se viu na Saúde e na Palma. Em absoluto! É um bairro construído no mínimo a partir de 1930/40. Sua igreja, por exemplo, foi construída em 1954 e abriga Nossa Senhora da Conceição do Amparo do Tororó. Devido a sua localização, bem acima do Dique, poder-se-ia construir um belvedere. Em qualquer parte do mundo, isso seria feito. Em Salvador, a Prefeitura nunca percebeu esसे detalhe. Fica a sugestão.

Abaixo as duas principais ruas do bairro atualmente:
 
 Rua José Duarte


Rua Amparo do Tororó

Um bairro eminentemente da classe média - Tem a vantagem de ser perto do centro da cidade.

domingo, 26 de junho de 2011

SAÚDE

De certo modo causou surpresa o quanto é antigo o conjunto do Largo da Palma, algo em torno de 1630, quando foi erguida uma pequena capela (edícula) no local, fruto de uma promessa do alferes Bernardo da Cruz Arrais.
Antes, contudo, em 1624 já há referencias da Palma feita por Afrânio Peixoto de que “um dos outeiros da Bahia era o Monte das Palmas, onde se fizeram, em 1624, trincheiras contra os holandeses invasores”.

Maior surpresa, contudo, tivemos com a Saúde em Nazaré com a constatação de prédios centenários em suas ruas, bem como a igreja ali localizada denominada “Igreja de Nossa Senhora da Saúde e Glória”.




A surpresa se configura maior porque a verdadeira Saúde, principalmente o seu largo, fica bem à dentro das ruas que lhe dão acesso, principalmente a Rua Jogo do Carneiro que tem inicio na parte de cima com a Avenida Joana Angélica e pela parte de baixo com a Avenida Presidente Castelo Branco que se aproxima do Dique do Tororó.


Tanto de um lado como do outro, não se imagina a existência de uma preciosidade arquitetônica do século XVI, ainda mal cuidada, desde que o governo tratou primeiro do Pelourinho, do outro lado da Avenida Dr. J. Seabra. (Não há ligação direta da Saúde com o Pelourinho).
A expansão da cidade via leste, no caso pela Saúde, tem a mesma origem nas atividades exercidas no antigo Rio das Tripas, hoje Baixa dos Sapateiros, atividades essas de hortas, pomares e pequeno pastoril. Em conseqüência, fizeram-se a Palma e Santana, em razão da necessidade de moradia para seus trabalhadores e senhores proprietários de terras, bem assim os padres, proprietários da alma com a construção de suas igrejas e conventos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

CRESCIMENTO PARA O LESTE

Em postagens anteriores tivemos ocasião de nos referir ao crescimento de Salvador para o leste. Dizíamos em 4/11/06 o seguinte : (Como vimos, a cidade cresceu inicialmente para o norte. Transpassou a Porta de Santa Catarina e chegou até Santo Antônio Além do Carmo, beirando o Barbalho. Em seguida, houve o crescimento para o sul, além da Porta de Santa Luzia, e foi em frente até Vila Pereira, hoje a nossa belíssima Barra.
Esgotadas as ampliações ou uma conseqüência delas próprias, a cidade começou a se expandir para o leste. Mas não o fez como as outras, ocupando seus espaços naturalmente e neles construindo suas residências e se fazendo as primeiras ruas.
Havia um impedimento “natural” à sua frente: um rio। Sim! Lá embaixo corria o Rio das Tripas, afluente do Camurugipe.)



As setas indicam o Rio das Tripas


Noutro mapa, mais atual, a seta amarela indica o Rio das Tripas em traço azul. Nas suas margens, já se notam residências que se aglomeram em maior quantidade à direita, possivelmente na subida da Barroquinha e da Palma.
Quando se fala em Nazaré que é o bairro onde se aglomera a maioria das localidades da parte leste da cidade, julga-se que os caminhos por onde começavam estes bairros fosse a atual Avenida Joana Angélica. Não foi. Escrevemos à respeito:
(Há de se pensar que a expansão da cidade para o leste deu-se, primeiramente, através da hoje Avenida Joana Angélica que tem inicio na Praça da Piedade, em razão de que, há cerca de 300 metros adiante, do lado direito, está o Convento da Lapa.
Acontece, porém que, esse magnífico monumento histórico só foi construído por volta de 1733, tendo sido inaugurado apenas em 1744.)
Acontece, porém, que, o Largo da Palma já existia desde os idos de 1600, 144 anos antes da construção do Convento da Lapa. Sua igreja foi inaugurada em 1630. A Mouraria também é antiga. Consequentemente, o acesso ao Convento da Lapa devia se dá por esses lados e não pelo principio da Joana Angélica no Largo da Piedade.




Largo da Palma – Igreja da Palma – Casarões – 1633





Esse intróito se fez necessário para que retomemos os caminhos efetivos do crescimento de Salvador via leste। Além da Palma e da Mouraria, falamos do Convento do Desterro, da Igreja de Nossa Senhora de Sant’Ana, do Campo da Pólvora, da Fonte Nova até do Dique do Tororó. Sim, a nossa bela lagoa fica nesse setor. Ela tem muito a haver com a história da cidade.
Mas, ainda falta muita coisa! Vejamos um mapa e uma foto de parte de Salvador, justamente a que nos interessa por agora:




Mapa com indicações (NORTE-SUL-LESTE-OESTE)




Foto aérea com indicações (NORTE-SUL-LESTE-OESTE)
Como se pode notar Nazaré fica a leste, bem como Brotas, este sempre pouco referido. De Nazaré falta referirmo-nos à Saúde e ao próprio Largo de Nazaré, este cheio de história.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

DIQUE DO TORORÓ – OS ORIXÁS


Dique do Tororó - Medidas: comprimento: 1.027 mts.
Larguras: de cima para baixo: 130-196-166-50 mts.



O Dique do Tororó é uma lagoa artificial hoje com os seguintes limites: à esquerda o bairro do Tororó; à direita, o bairro de Brotas e seus diversos distritos; ao norte pelo então Estádio Otávio Mangabeira (Fonte Nova) e ao sul pelo bairro do Garcia।


Dique do Tororó – sinalizado com a seta
Foto aérea – Ainda estava de pé o Estádio Otávio Mangabeira

Via satélite- quase do mesmo ângulo

Possui cerca de 25 mil metros quadrados com profundidade variavel entre 5.60 metros (máxima) e mínima de 2.60 metros. Já foi mais fundo, em torno de 7 metros. Nessa época tinha até jacaré e diversas variedades de peixe. Consequentemente, não era poluído. Boa parte da população vizinha ao local bebia de sua água. A sua márgem direita olhando-o à partir do estádio, era cheia de hortas onde a população se abastecia e muitos lavavam a roupa



Lavadeiras do Dique

Usina Geradora do Dique – 1926 – Vista na foto anterior na margem contrária
Diz-se que os governos da época tentaram por muitas vezes bombear sua água para abastecimento da cidade. Uma dessas estações, ficava no bairro de Nazaré.


1971 – como era nessa época।


Um pouco antes, em 1963, lamentavelmente, o dique passou a receber esgotos das residências que se construiam no alto de suas margens, principalmente de Nazaré e Brotas.

Acreditamos, contudo, que a poluição do dique é anterior a 1963. Acima temos uma foto datada de 1943. Um barco com pessoas desembarcando em uma de suas margens, possivelmente no lado do Tororó. Vê-se muitas baronesas, um dos sinais visíveis de poluição. Assim ficava o dique Baronesa – “O Vegetal – água”

Outras denominações tem a planta pelo Brasil afora, como, por exemplo, “orelha de jegue” – jacinto d”água e miriru.
Geralmente é uma praga, mas também tem seu lado bom. Vejamos por que: ela é quase água (95%). Apresenta-se suspensa e flutua livremente enroscada em obstáculos, presa ao solo em locais de água rasa e até pode se enraizar em locais secos.
Ela flutua por que possui pecíolos cheios de cavidade de ar. Serve de abrigo natural a organismos de vários tamanhos, servindo de habitat para uma fauna bastante rica, desde microorganismos, moluscos, insetos, peixes, anfíbios e répteis e até aves. Ela é também como que um filtro natural e tem a capacidade de incorporar em seus tecidos uma grande quantidade de nutrientes.
Assim, se um lago estiver poluído, suas raízes longas e finas com uma enorme quantidade de bactérias e fungos, atuam sobre as moléculas tóxicas, quebrando sua estrutura.
Por mais incrível que pareça e pouca gente sabe disto, as baronesas estiveram no dique para ajudá-lo, senão seria um mal cheiro insuportável para os milhares de pessoas que viviam ao seu lado ou trabalhavam nas suas margens.
Claro que elas não podiam continuar. Davam um aspecto de uma área abandonada, entregue a sua própria sorte, no caso, entregue às baronesas.
Foi preciso oxigenar sua água, daí os esguichos que hoje integram a paisagem do dique. Parece uma “decoração”, mas, em verdade estavam ali tentando oxigenar sua água.


Um dos esguichos do dique - longo
Hoje o dique tem pedalinho e barcos a remo para diversão da população, além dos “píeres” para a prática de pesca। Anteriormente e ainda hoje tem um serviço de transporte de passageiros via barco. Trajeto: margem direita à margem esquerda e vice versa. Distância: cerca de 50 metros. Utilidade: permite o acesso rápido ao centro da cidade, via Tororó de quem está na sua margem esquerda e vice-versa


Esguicho curto
Um pequeno percurso para uma grande economia de tempo

OS ORIXÁS: Iansã, Nanã, Ogum, Oxalá, Xangô, Iemanjá, Oxum e Oxossi


Estes estão dentro d’água: Iansã( deusa da guerra e das tempestades); Nanã (a mais velha das Orixás); Ogum (deus do ferro e da guerra); Oxalá (o pai de todos os Orixás); Xangô (deus dos raios e trovões); Iemanjá (deuza do mar e mãe dos Orixás); Oxum (deus dos rios, lagos e fontes) e Oxossi (deus das matas e da caça).














Rio Camurugipe

Como era o Dique antigamente

Há uma certa controvérsia de relação às origens do dique. A maioria atribui a sua contrução aos holandeses quando aqui estiveram entre 1624 e 1625. Numa estratégia das mais duvidosas, teriam represado o rio que ali passava e as águas contidas formaram a lagoa. A referida lagoa dificultaria a movimentação das forças portuguesas. Como? Ninguém explica.
A mais absurda das concepções é aquela de que o dique foi cavado à mão e pá por escravos. Se fossse verdade, estariam cavando até hoje. E onde colocaram a terra resultante da escavação?
A mais óbvia e coerente versão de sua formação é aquela de que no local corria efetivamente um rio, Lucaia, um braço do Rio Camurigipe. A região era um vale com elevações em todos os seus lados. Represou-se o rio e se formou a lagoa com determinada profundidade. Isso se deu entre o final do século XVII e o meado do século XVIII para defesa complementar dos limites de Salvador.
Claro que os limites da lagoa não eram os mesmos do que são hoje. Deviam chegar na altura das 7 Portas cobrindo a hoje Rua Djalma Dutra que liga a Fonte Nova àquele largo. Certamente se estendia até por todo o vale dos Barris e se encaminhava para os lados da Avenida Vasco da Gama. Em seguida vieram os aterros, o primeiro deles executado em 1810 até que em 1998 se definiu a sua atual estrutura.








Diversas e belas imagens do atual Dique do Tororó


No dique acontecem também eventos culturais e apresentações de espetáculos.

Retornando aos Orixás do Dique, salientamos que está havendo um problema! Os mesmos estão provocando ciúmes junto a outras comunidades que não o Candomblé. Os Evangélicos, por exemplo, querem que a prefeitura faça um monumento representando uma bíblia que seria instalada bem ao centro da lagoa. Argumentam questões de liberdade religiosa assegurada pela Constituição.
Pelo andar da carruagem, os Católicos também vão querer, por exemplo, implantar uma cruz que é um belíssimo símbolo. Por sua vez, os Budistas desejarão colocar um grande Buda em meio às suas águas. E para encerrar, a turma do Axê, turma forte, pensará em colocar um Trio Elétrico no centro da lagoa com som, neon, lazer e tudo mais que lhe aprover e ainda for inventado. Iria sair faisca! Ainda por cima o povo ficaria dançando nas margens.
Para resolver a questão, propomos que a Prefeitura importe da Amazônia algumas “Vitórias-Régia” e as plante em diversas partes do dique. Quem haverá de ser conta uma flor? E que flor?




Vitória Régia



Vejam as qualidades da grande flor: Planta exclusivamente aquática, deve ser cultivada sob sol pleno, em lagos ou tanques com mais de 90 cm de profundidade, com água em temperatura de 29 a 32ºC. Não tolera temperaturas abaixo de 15ºC. Não é muito exigente em fertilidade e manutenção, sendo que o replantio anual e adubações leves são suficientes para o seu pleno desenvolvimento. Multiplica-se por sementes e divisão do rizoma”.
“Tudo da planta é aproveitado, semente e rizoma são comestíveis, ricos em ferro e amido. E a folha é utilizada por grupos indígenas como laxante, e tem propriedades cicatrizantes. “Os índios a utilizam também para dar brilho e tingir o cabelo”.