quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 5

Mas se a Via Náutica por enquanto é inviável, pode-se pensar na Via Periférica. O que seria?
Seriam instalados periféricos no morro que circunda Salvador desde o Comércio até Pirajá, ou até mais adiante.


Periférico ligando o Comercio à diversos pontos da Cidade Baixa


A ideia  inicial desse projeto é do ex-deputado Pedro Irujo, quando candidato a Prefeito de Salvador. Ninguém deu importância! Estamos re-lançando sua ideia.

Mas, qual o benefício que isto traria, especificamente à Cidade Baixa? Muitos! Um deles seria a melhoria do trânsito, desde que dois milhões de pessoas ou mais, optariam por usá-lo em vez de ônibus e carro. Seria também uma atração turística e como tal provocando melhorias urbanas em todos os sentidos.

Outro projeto objetivando a melhoria da Cidade de Baixa, seria a construção de casas de espetáculos no seu espaço, principalmente na área do Comércio. Certissimo! Carlinhos Brown já construiu a sua. Já se fala, inclusive, que o antigo Trapiche Barnabé deverá se transformar num grande espaço cultural. Iniciativa de um francês. Tem outros nas redondezas que poderiam ter o mesmo destino, quando não casas de espetáculos especificamente, mas shoppings e outros equipamentos. Que tal um outlet, vendendo com preços 30% menos, como já acontece em São Paulo.(Exigência contratual de uso).

Há, contudo, um componente muito importante a ser pensado. Estacionamento! Onde estacionar carros na área, desde que é sabido das dificuldades que o Comércio tem nesse sentido?

A única solução é o espaço onde hoje se acha a antiga Base Baker, construída pelos amaricanos no tempo da guerra. Hoje funciona um quartel dos Fuzileiros Navais. Afora o hospital que alí existe, sempre de grande importância, no mais não enchergamos a necessidade de tanta área para outras atividades.

Esta Base nos lembra muito a antiga Vila Militar dos Dendezeiros. Ocupava praticamente toda a avenida do mesmo nome. Tinha até cavalariça! Em 1959 no governo de Antônio Balbino, este desapropriou uma boa parte da vila, inclusive o espaço onde funcionava a tal cavalariça e doou à Irmã Dulce, podendo ela construir seu magnífico Hospital Santo Antônio.

Antiga Base Baker 

No caso da antiga Base Baker, uma possível desapropriação não teria finalidade tão expressiva quanto foi a construção de um hospital, mas permitira o estacionamento de milhares de carros não somente vindos em função das casas de espetáculos e shoppings que se fariam nas proximidades, mas, principalmente, das centenas de escritórios que voltariam a se estabelecer no local, bem como, permitiria o aumento de pontos comerciais de todos os ramos, concedendo emprego à milhares de pessoas.

Outra área que poderia servir de estacionamento no Comércio é o atual prédio da Receita Federal que está se mudando. Vai virar um problema dentro de pouco tempo. Já se encontra em meio a uma área degradada que é o Pilar. Poderá se integrar a essa degradação. É uma tendência muito forte. 


Prédio da Receita Federal e Trapiche Barnabé à esquerda

Ou se parte para demolir o mesmo criando um bom estacionamento ou se faria dele um edifício-garagem.

REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 4

A título de curiosidade do que mesmo de esperança, reproduzimos adiante detalhes do projeto da Via Náutica:

Serão criadas seis estações: Barra – Gamboa (Solar do Unhão) – Porto de Salvador – Humaitá- Bonfim e Ribeira (Penha).

Está sendo prevista uma movimentação de um milhão de passageiros/ ano.

São grandes as opções de negócios: 1) operação da linha hidroviária. 2) exploração dos armazéns do Porto / complexo cultural e de lazer náutico. 3) exploração dos terminais e cruzeiros marítimos. 4) obras de urbanização e infra-estrutura das estações. 5) obras de concessão para exploração de centros gastronômicos integrados ao circuito.

Mas enquanto isto não vem, vamos analisar o que poderá ser feito, independente da Via Náutica.

Há um projeto magnífico de aproveitamento dos primeiros armazéns do Porto que seriam desativados. Vejamos o mesmo:


Projeto da Via Náutica
Em seguida, uma série de fotos de como poderá ficar a área:








Vamos torcer, não é verdade?




REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 3

Quando afirmamos que o Porto de Salvador poderia ter começado em outro lugar, não estávamos sendo levianos. Ainda agora, já se fala abertamente de sua ampliação a partir de São Joaquim e a desativação dos dois ou três primeiros armazéns do lado sul.

De São Joaquim, ele avançaria pelas praias do Canta Galo e da Boa Viagem, até proximidades de Monte Serrat.

Há uma coincidência de ações que poderiam estar ligadas a essa ampliação. Uma delas seria a desapropriação feita pela Prefeitura de toda a área acima citada, conforme mapa já do conhecimento público.
O traçado em vermelho indica a área que foi desapropriada- Tem início em São Joaquim e vai até proximidades do Forte de Monte Serrat.

A área desapropriada serviria para facilitar o acesso ao novo porto, procedimento semelhante ao que aconteceu na área do Comércio quando se fez o Porto de Salvador. No local, foram abertas as avenidas da França, Estados Unidos e Miguel Calmon.

Conta-se até que o governador da época, José Joaquim Seabra, no seu tradicional ímpeto de avançar sobre tudo, pretendeu botar abaixo o prédio da Associação Comercial da Bahia, situada entre as Praças Cayru e Riachuelo. Não o fez em razão das pressões exercidas por diversas entidades comerciais da época. Conformou-se, a muito custo, em fazer um contorno do obelisco que ali se acha em homenagem à Batalha do Riachuelo.

O belo obelisco - à direita, o prédio da Associação Comercial da Bahia

Na Cidade Alta, onde realizou grandes obras, sofreu imensas pressões, mas não teve jeito. Demoliu até a antiga Catedral e outras coisas mais, mas fez o que tinha que fazer, inclusive a atual Avenida 7 de setembro.

Em razão das grandes obras que estão por vir de ampliação do Porto de Salvador, o projeto da Via Náutica que tem seu trajeto em boa parte na área das modificações, teve que parar e vai ficar parado durante muito tempo. Talvez nunca se realize!

REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 2

Como vimos na postagem anterior, não será através da Via Náutica que se vai mudar o panorama da Cidade Baixa, infelizmente. Há, entretanto, no aspecto urbano, outros projetos que poderiam ser tocados. Neste trabalho, sugerimos alguns.

Por exemplo, a via Contorno do Bonfim. Teria começo na Ponta do Humaitá. Seguiria por toda a área da chamada Pedra Furada – Rua da Constelação - Estaleiro do Bonfim- Porto da Lenha- Porto do Bonfim, até alcançar a Avenida Beira Mar.

Dizia, naquela oportunidade: “Como se sabe, entre essas localidades há diversas interrupções e é um lugar muito bonito. Possivelmente, será a continuação da avenida que a Prefeitura está cogitando fazer na Luiz Tarquínio”- (Obras de ampliação do Porto).
Avenida do Contorno do Bonfim
Sugerimos também a Avenida Contorno dos Alagados. Faria o contorno da hoje Bacia do Uruguai até alcançar a Enseada do Cabrito em Plataforma. Ela evitaria a continuação do avanço das palafitas que ainda continuam tomando o mar em diversas partes da Enseada, principalmente nas chamadas Bacias do Uruguai e do Joanes.

Avenida Contorno dos Alagados ou, simplesmente Avenida dos Alagados

Aí sim, retomar-se-ia o grande projeto que foi a construção do cais que protege o Porto dos Tainheiros até o Porto da Lenha. Ele não foi perfeito porque, na época, omitiu-se a Avenida do Porto dos Mastros, ensejando a invasão dos Alagados de Itapagipe.

Também falhou quando não prosseguiu do lado do Porto da Lenha. Ai estancou. O morro à frente meteu medo. Está na hora de vencê-lo!

REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 1

Quando a Prefeitura anunciou em 1998 o projeto da Via Náutica, uma grande perspectiva se formou ao redor dela, desde que o empreendimento traria evidentes benefícios na área do turismo e outras para a Cidade Baixa.

Há muito tempo que não se fazia nada de peso nessa área. Nos idos de 1940, Itapagipe foi nomeada pólo industrial de Salvador. Um gigantesco fracasso! Não restou uma indústria para contar a história. Ficou apenas a lembrança dos prédios e dos galpões abandonados, hoje caindo aos pedaços e ajudando na degradação da área.

Em passado mais remoto, meados do século XVIII a princípio do século XIX, Salvador que era tida como o maior centro comercial do hemisfério sul, deixou de sê-lo quando se pôs a baixo toda uma estrutura de magníficos prédios, estilo pombalino, para se fazer as avenidas de apoio ao Porto que se instalaria em 1913.

Diz-se que foi necessário! Sem dúvida, fosse o local bem mais escolhido, o que não ocorreu. O Porto de Salvador jamais deveria ter começado onde começou, em frente ao Forte de São Marcelo, área de pouca profundidade e de manobra complicada, justamente pela presença do referido forte.

Comentamos vastamente o assunto em postagens anteriores. Estamos apenas reabilitando alguns detalhes de maior importância. O seu começo deveria ter sido após o então Cais do Ouro, até mesmo em Água de Meninos ou até em São Joaquim.

Levantamos até a hipótese de que o Porto de Salvador deveria ter sido construído em Aratu, que hoje tem melhor desempenho funcional que o da Capital. Os dados são oficiais!

Se os homens daquela época tivessem tido esta visão, o Comércio seria hoje um lugar maravilhoso com seu Cais das Amarras, com o mar batendo no cais da Associação Comercial e teria sido preservado o Cais Dourado, hoje Praça Marechal Deodoro das feiras de rolo e outras mazelas sociais.
Cais das Amarras

Essa simetria vê-se muito em algumas cidades da Europa


Como na Vila Nova de Gaia -Portugal



sábado, 19 de dezembro de 2009

PREGUIÇA

Em meados de dezembro em postagem sobre as primeiras ladeiras de Salvador, tivemos ocasião de transcrever a opinião de Gabriel Soares, cronista da época - 1587 - sobre as duas primeiras ladeiras de Salvador, feitas do lado sul da cidade, lado este onde hoje está a Praça Castro Alves.
A descrição deixa claro que essas ladeiras são as da Conceição da Praia e a da Preguiça e não a Ladeira da Misericórdia, próxima que fica da hoje Praça Thomé de Souza. Desta última não sai outra ladeira senão a atual Ladeira da Praça. Consubstanciando essa dedução, é preciso ser citado que a Ladeira da Misericórdia não alcança diretamente a Cidade Baixa, dependente que é da Ladeira da Montanha que, na época, não existia. Bastante claro!




Traço e ícone vermelhos referem-se à Ladeira da Misericórdia. Ela se estende até a Ladeira da Montanha. Esta sinalizada com traço azul.

Faltou dizer ainda que as ladeiras de Salvador, como em qualquer outro lugar, formaram-se em razão da necessidade de acesso de um determinado lugar para outro, logo, uma questão absolutamente racional. No caso da Ladeira da Conceição, os padres que construíram a primeira igreja da Conceição da Praia, precisavam de um acesso que ligasse a Cidade Alta com a Baixa, onde se construiria uma igreja a mando do então governador, Thomé de Souza. A Ladeira da Conceição começava nas proximidades da Porta Sul da Cidade (Praça Castro Alves) e alcançava exatamente o local onde a igreja passou a ser construída.

A Ladeira da Preguiça também foi construída dentro de uma determinada finalidade funcional. Por ela eram transportadas as mercadorias procedentes de diversas partes da Baia de Todos os Santos (Cidade Baixa) para abastecer as pessoas que moravam na Cidade Alta.

Os saveiros aportavam na Enseada da Preguiça e os escravos conduziam no lombo as diversas mercadorias trazidas.

Diz-se que o nome “preguiça” surgiu desse serviço. Os moradores das casas em torno da ladeira, em tom de chacota, gritavam: “sobe preguiça”. Ou então, os próprios escravos comentavam entre si que "essa ladeira dá uma preguiça". Seria algo parecido com o que originou o nome de Ladeira da Lenha: “essa ladeira é uma lenha”, comentavam eles.



Saveiros ancorados na Praia da Preguiça ou Enseada da Preguiça

Com o passar do tempo, no local se construíram depósitos destinados a guardar essas mercadorias quando não pudessem subir à noite, por exemplo, ou uma intempérie que a tornasse escorregadia. Daí para a comercialização das mercadorias, foi um passo natural.



Enquanto isto, as ladeiras que eram verdadeiros caminhos, foram se alargando, por vezes se calçando com pedras “cabeça de nego” e outros materiais, e aí chegaram as carroças com tração animal e a vida foi melhorando, principalmente para os escravos.



As carroças com tração animal ou o próprio animal em rua do centro


Hoje, ao se retratar o local, sente-se essa tendência. A grande maioria das casas comerciais existentes no local é de material de construção. Os moradores da Cidade Alta desciam a ladeira à procura dessas casas, ou desciam o Elevador Lacerda, antes conhecido como Elevador da Conceição. Há referências de que também chamavam-no Elevador do Parafuso. Já falamos sobre isto.


Rua da Preguiça

Quando o volume das compras se tornava grande ou pesado, era por essa ladeira ou pela da Conceição que subiam as carroças de tração animal. Não existia outra ligação com a Cidade Alta nas proximidades, senão pelas mesmas. O resto era puro rochedo e mar.

Essa ladeira tinha outra importância: dela partia duas ligações para o extremo sul da cidade. Uma, a hoje Ladeira Visconde de Mauá, com saída no Largo Dois de Julho e a outra pelo Sodré, uma transversal da Rua do Cabeça.





sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DA PRAIA - 2

O dia dedicado à Santa é 8 de dezembro. Todos os anos faz-se uma festa em torno, estendendo-se até a Praça Cairu. São montadas barracas de comidas e bebidas, hoje padronizadas. A freqüência já não é boa, tanto em qualidade quanto em quantidade. Nas proximidades funcionam bordéis que tomam conta da festa. Não era assim! Tanto na véspera quanto no dia, todo um povo descia para a Conceição. As barracas, centenas delas, tinham sua individualidade. Flor da Conceição! Felicidade! Iemanjá! 2 de Julho! Bar da Zeca! Bar Messias!

Em verdade, a festa começa 9 dias antes. São as novenas. Na manhã do dia 8 é realizada uma grande missa, geralmente celebrada pelo arcebispo. À tarde, é realizada uma procissão pelas ruas do Comércio. São os únicos atos de contrição, porque de resto é muito samba, muita capoeira, muita bebida e muita briga.

Uma das barracas de antigamente

Nossa Senhora da Conceição da Praia

Nossa Senhora da Conceição é padroeira de Portugal e de todos os países de língua portuguesa.



Todo o interior da igreja é rodeado de pequenos altares. Vejamos alguns deles:

São José


São Benedito



São Cristovão


Nossa Senhora do Rosário





Nossa Senhora de Santana


Um dos corredores



Pátio interno