sábado, 30 de janeiro de 2010

MARISQUEIRAS DE ITAPAGIPE

Sábado, 30/01/2010, dia de Lua Cheia. Consequentemente, maré totalmente vazia às 10 hóras de manhã. Marisqueiras nas imediações de Lobato e Plataforma, é o flagrante. São mais de mil. Nossa máquina focalizou apenas uma parte. Não tem a amplitude necessária. Amanhã, depois, todos os dias, de acordo com a hóra da maré vazante, elas estarão catando o papa-fumo de sempre. Nunca acaba, apesar da intensidade da pesca. Milagre da natureza! Dádiva de Deus. Tomara que seja sempre assim.




sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

RESPOSTA

Joselito disse...
quando chegou a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem? A sua festa qual era a data? Sabemos que a festa de 1º de janeiro vem bem depois.

(Comentário feito na postagem sobre a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, sua festa, data, etc.)

No Brasil este culto teve inicio em Salvador por volta de 1710 quando uma senhora de nome Lorença Maria de Negreiros doou uma fazenda à Ordem dos Franciscanos. Diz-se que, a única condição colocada pela referida senhora foi que a Órdem construísse no local uma igreja e quando pronta fosse celebrada cinco missas anuais em seu nome e o de sua filha de nome Ana Pereira de Negreiros.

Em 1712 a primitiva igreja foi concluída e missas foram rezadas em homenagem à D. Lorença e sua filha, mas isto por pouco tempo. Depois as esqueceram. Se alguém perguntar ao pároco de hoje quem foi D. Lorença, ele certamente não saberá responder. Em conseqüência, as missas já eram há muito tempo.

Se o culto à Nossa Senhora da Boa Viagem teve início no Brasil em Salvador por volta de 1710, não se compreende como haja citações de que em 1707 tenha sido erguida uma igreja sob a invocação de Nossa Senhora da Boa Viagem em Recife.

Vejam a contradição do texto publicado na internet: “No Brasil a tradição desse culto (Nossa Senhora da Boa Viagem) desembarcou primeiro em Salvador. Nessa capital existe a mais antiga igreja sobre a invocação à Nossa Senhora da Boa Viagem, construída junto à praia. Na capital pernambucana, além da igreja erguida em 1707, surgiu o bairro e a praia da Boa Viagem”.

Ora, se D. Lorença fez a doação do terreno em 1710 e a primitiva igreja fora erguida em 1712, e o próprio autor do texto acima diz que “No Brasil a tradição desse culto (Nossa Senhora da Boa Viagem) desembarcou primeiro em Salvador”, há uma evidente confusão de datas. A igreja de Recife não pode ter sido erguida em 1707 ou a de Salvador foi construído antes disso.


Outra contradição, diz respeito à vinda de uma imagem de N.S. da Boa Viagem desde 1709 ao interior de Minas Gerais. Esta imagem pertencia a uma nau portuguesa que chegou ao Brasil em 1709 (Não diz o porto nem a cidade) e seu comandante, Luiz de Figueredo Monterroio, acompanhado de vários marujos, resolveram abandonar a vida marítima e tentar a sorte na Capitania das Minas. E a nau como ficou? Sem comandante e vários marujos? Em que porto? Virou um navio fantasma?

Alguns estranham uma igreja dedicada a nossa Senhora da Boa Viagem em pleno interior de Minas Gerais e uma catedral em Belo Horizonte. A história da devoção a N.Sra. da Boa Viagem em Minas Gerais também está ligada aos homens do mar.

Já outro autor faz referência a um tal Francisco Homem del-Rei como realizador do feito. Teria sido em Congonhas.

Um ou outro deve ser o responsável, mas que a dualidade causa uma certa confusão, não há como negar. De qualquer sorte, Nossa Senhora da Boa Viagem é padroeira de Belo Horizonte onde se construiu uma catedral em sua homenagem. 15 de agosto é o seu dia.

Talvez esteja aí o necessário esclarecimento. Em Minas Gerais o dia da grande Santa é 15 de agosto e em Salvador é 1 de janeiro.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

BARÃO DE GEREMOABO

Apesar de termos feito o “encerramento” das postagens sobre a História da Cidade Baixa, deixamos claro que, a qualquer momento, poderíamos voltar para prestar qualquer esclarecimento ou dirimir uma dúvida.

É o presente caso!

Em 11/12/09 quando escrevíamos sobre o Elevador Lacerda, num determinado trecho referimo-nos ao Barão de Jeremoabo. Ele ia subir ou descer o Elevador com alguns amigos e, na época, era obrigatório a pesagem de todos os passageiros.

 
Barão de Geremoabo com "G"

Veja o delicioso registro:

“Estava acompanhado de alguns amigos: Em 16/3/1889 pesamo-nos dando o seguinte resultado: Pinho, 54 quilos; Cícero, 61 quilos: Guimarães, 65 quilos; Artur Rios, 73 quilos e Vaz Ferreira, 115 quilos”.

Elevador da Conceição - Depois Elevador Lacerda
 
Fomos indagados sobre se o Barão era de Jeremoabo com “j” ou de Geremoabo com “g”.

Como é sabido, Jeremoabo é uma cidade localizada ao norte da Bahia. Efetivamente, até 31/12/1943, Jeremoabo era Geremoabo.

Foi freguesia subordinada ao município de Itapicuru com a denominação de São João Batista de Geremoabo do Sertão de Cima. Isto em 1718. Em 1731 foi elevado à categoria de vila com a denominação de Geremoabo. Tornou-se cidade de Geremoabo em 1775. Somente em 1943 passou a chamar-se Jeremoabo com “j”.

À bem da verdade, em 1889, ano em se deu o lance da pesagem, Cícero Dantas Mastins, natural de Alagoinhas, era Barão de Geremoabo e não de Jeremoabo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 5

Mas se a Via Náutica por enquanto é inviável, pode-se pensar na Via Periférica. O que seria?
Seriam instalados periféricos no morro que circunda Salvador desde o Comércio até Pirajá, ou até mais adiante.


Periférico ligando o Comercio à diversos pontos da Cidade Baixa


A ideia  inicial desse projeto é do ex-deputado Pedro Irujo, quando candidato a Prefeito de Salvador. Ninguém deu importância! Estamos re-lançando sua ideia.

Mas, qual o benefício que isto traria, especificamente à Cidade Baixa? Muitos! Um deles seria a melhoria do trânsito, desde que dois milhões de pessoas ou mais, optariam por usá-lo em vez de ônibus e carro. Seria também uma atração turística e como tal provocando melhorias urbanas em todos os sentidos.

Outro projeto objetivando a melhoria da Cidade de Baixa, seria a construção de casas de espetáculos no seu espaço, principalmente na área do Comércio. Certissimo! Carlinhos Brown já construiu a sua. Já se fala, inclusive, que o antigo Trapiche Barnabé deverá se transformar num grande espaço cultural. Iniciativa de um francês. Tem outros nas redondezas que poderiam ter o mesmo destino, quando não casas de espetáculos especificamente, mas shoppings e outros equipamentos. Que tal um outlet, vendendo com preços 30% menos, como já acontece em São Paulo.(Exigência contratual de uso).

Há, contudo, um componente muito importante a ser pensado. Estacionamento! Onde estacionar carros na área, desde que é sabido das dificuldades que o Comércio tem nesse sentido?

A única solução é o espaço onde hoje se acha a antiga Base Baker, construída pelos amaricanos no tempo da guerra. Hoje funciona um quartel dos Fuzileiros Navais. Afora o hospital que alí existe, sempre de grande importância, no mais não enchergamos a necessidade de tanta área para outras atividades.

Esta Base nos lembra muito a antiga Vila Militar dos Dendezeiros. Ocupava praticamente toda a avenida do mesmo nome. Tinha até cavalariça! Em 1959 no governo de Antônio Balbino, este desapropriou uma boa parte da vila, inclusive o espaço onde funcionava a tal cavalariça e doou à Irmã Dulce, podendo ela construir seu magnífico Hospital Santo Antônio.

Antiga Base Baker 

No caso da antiga Base Baker, uma possível desapropriação não teria finalidade tão expressiva quanto foi a construção de um hospital, mas permitira o estacionamento de milhares de carros não somente vindos em função das casas de espetáculos e shoppings que se fariam nas proximidades, mas, principalmente, das centenas de escritórios que voltariam a se estabelecer no local, bem como, permitiria o aumento de pontos comerciais de todos os ramos, concedendo emprego à milhares de pessoas.

Outra área que poderia servir de estacionamento no Comércio é o atual prédio da Receita Federal que está se mudando. Vai virar um problema dentro de pouco tempo. Já se encontra em meio a uma área degradada que é o Pilar. Poderá se integrar a essa degradação. É uma tendência muito forte. 


Prédio da Receita Federal e Trapiche Barnabé à esquerda

Ou se parte para demolir o mesmo criando um bom estacionamento ou se faria dele um edifício-garagem.

REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 4

A título de curiosidade do que mesmo de esperança, reproduzimos adiante detalhes do projeto da Via Náutica:

Serão criadas seis estações: Barra – Gamboa (Solar do Unhão) – Porto de Salvador – Humaitá- Bonfim e Ribeira (Penha).

Está sendo prevista uma movimentação de um milhão de passageiros/ ano.

São grandes as opções de negócios: 1) operação da linha hidroviária. 2) exploração dos armazéns do Porto / complexo cultural e de lazer náutico. 3) exploração dos terminais e cruzeiros marítimos. 4) obras de urbanização e infra-estrutura das estações. 5) obras de concessão para exploração de centros gastronômicos integrados ao circuito.

Mas enquanto isto não vem, vamos analisar o que poderá ser feito, independente da Via Náutica.

Há um projeto magnífico de aproveitamento dos primeiros armazéns do Porto que seriam desativados. Vejamos o mesmo:


Projeto da Via Náutica
Em seguida, uma série de fotos de como poderá ficar a área:








Vamos torcer, não é verdade?




REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 3

Quando afirmamos que o Porto de Salvador poderia ter começado em outro lugar, não estávamos sendo levianos. Ainda agora, já se fala abertamente de sua ampliação a partir de São Joaquim e a desativação dos dois ou três primeiros armazéns do lado sul.

De São Joaquim, ele avançaria pelas praias do Canta Galo e da Boa Viagem, até proximidades de Monte Serrat.

Há uma coincidência de ações que poderiam estar ligadas a essa ampliação. Uma delas seria a desapropriação feita pela Prefeitura de toda a área acima citada, conforme mapa já do conhecimento público.
O traçado em vermelho indica a área que foi desapropriada- Tem início em São Joaquim e vai até proximidades do Forte de Monte Serrat.

A área desapropriada serviria para facilitar o acesso ao novo porto, procedimento semelhante ao que aconteceu na área do Comércio quando se fez o Porto de Salvador. No local, foram abertas as avenidas da França, Estados Unidos e Miguel Calmon.

Conta-se até que o governador da época, José Joaquim Seabra, no seu tradicional ímpeto de avançar sobre tudo, pretendeu botar abaixo o prédio da Associação Comercial da Bahia, situada entre as Praças Cayru e Riachuelo. Não o fez em razão das pressões exercidas por diversas entidades comerciais da época. Conformou-se, a muito custo, em fazer um contorno do obelisco que ali se acha em homenagem à Batalha do Riachuelo.

O belo obelisco - à direita, o prédio da Associação Comercial da Bahia

Na Cidade Alta, onde realizou grandes obras, sofreu imensas pressões, mas não teve jeito. Demoliu até a antiga Catedral e outras coisas mais, mas fez o que tinha que fazer, inclusive a atual Avenida 7 de setembro.

Em razão das grandes obras que estão por vir de ampliação do Porto de Salvador, o projeto da Via Náutica que tem seu trajeto em boa parte na área das modificações, teve que parar e vai ficar parado durante muito tempo. Talvez nunca se realize!

REVITALIZAÇÃO DA CIDADE BAIXA - 2

Como vimos na postagem anterior, não será através da Via Náutica que se vai mudar o panorama da Cidade Baixa, infelizmente. Há, entretanto, no aspecto urbano, outros projetos que poderiam ser tocados. Neste trabalho, sugerimos alguns.

Por exemplo, a via Contorno do Bonfim. Teria começo na Ponta do Humaitá. Seguiria por toda a área da chamada Pedra Furada – Rua da Constelação - Estaleiro do Bonfim- Porto da Lenha- Porto do Bonfim, até alcançar a Avenida Beira Mar.

Dizia, naquela oportunidade: “Como se sabe, entre essas localidades há diversas interrupções e é um lugar muito bonito. Possivelmente, será a continuação da avenida que a Prefeitura está cogitando fazer na Luiz Tarquínio”- (Obras de ampliação do Porto).
Avenida do Contorno do Bonfim
Sugerimos também a Avenida Contorno dos Alagados. Faria o contorno da hoje Bacia do Uruguai até alcançar a Enseada do Cabrito em Plataforma. Ela evitaria a continuação do avanço das palafitas que ainda continuam tomando o mar em diversas partes da Enseada, principalmente nas chamadas Bacias do Uruguai e do Joanes.

Avenida Contorno dos Alagados ou, simplesmente Avenida dos Alagados

Aí sim, retomar-se-ia o grande projeto que foi a construção do cais que protege o Porto dos Tainheiros até o Porto da Lenha. Ele não foi perfeito porque, na época, omitiu-se a Avenida do Porto dos Mastros, ensejando a invasão dos Alagados de Itapagipe.

Também falhou quando não prosseguiu do lado do Porto da Lenha. Ai estancou. O morro à frente meteu medo. Está na hora de vencê-lo!