sábado, 24 de abril de 2010

ATERROS DO COMÉRCIO – E COMO ERA ANTES

Em 1/12/09, tivemos ocasião de fazer uma postagem sobre os aterros do Comércio. Vamos rever seus principais tópicos:

terça-feira, 1 de dezembro de 2009
ATERROS DO COMÉRCIO
Quem conhece o Comércio nos dias de hoje, pode se surpreender ao saber que, antigamente, o mar chegava à porta onde é hoje, por exemplo, o Plano Gonçalves e imediações. Prova disso tivemos alguns anos atrás, quando uma tubulação de água ou esgoto estourou bem em frente ao referido elevador. Fizeram um buraco de cerca de 5 metros de profundidade. Logo após a camada de asfalto, só havia areia e entre seus grãos vestígios de conchas e mais conchas.

A partir de 1777 com extensão até 1801; desse último ano até 1860 e daí até 1894, iniciaram-se diversos aterros no Comércio, culminando com o da construção do porto de Salvador em 1912.


Um dos últimos aterros – Do Porto.

A melhor representação que fizemos de como era essa parte da cidade antes dos referidos aterros, foi feita da seguinte maneira:


O mar chegando às bordas do morro

É aquela velha história de “quem não tem cão caça com gato”. Que jeito? Mas agora, eis que nos chega às mãos através do amigo Sérgio Neto, uma representação de como era Salvador antes dos aterros. É magnífica! Não poderia deixar de registrá-la. A autoria é do Sr. Rubens Antônio, a quem parabenizo.




O referido senhor fotografou uma parte importante da Cidade Baixa. Ela alcança até Itapagipe. De posse desse panorama, foi feita a excepcional simulação. Salvador, ao tempo do descobrimento, devia ser mais ou menos assim!

À respeito, o Profesor Lamdim da Faculdade Federal da Bahia em seu blog geologiamarinha.blospot.com comentou o que segue:

"Estas modificações se intensificaram principalmente a partir do século 20, de modo que hoje a maior parte das paisagens costeiras que integram nossos cartões postais são na realidade, criadas pelo homem, ou seja nossas costas já não podem ser consideradas simplesmente como modificadas pelo Homem. O mais correto portanto é dizer que nossas costas foram criadas pelo homem, ou seja, são antropocostas, ou antrocostas."

É uma verdade!

domingo, 4 de abril de 2010

SIRI-BÓIA -PORTUNUS SPINIMANUS- EM EXTINÇÃO

Todo menino que viveu em Itapagipe nas décadas de 1940/1950 conheceu o siri-boia. Pescava-o. Através um jereré de grande envergadura, mais de meio metro, uma isca ao centro, arriava-se a armadilha na ponta da Penha, nas proximidades do boião que sinalizava o começo da descida dos hidroaviões Catalina e, de um a um, recolhia o grande siri na canoa.
Eram enormes. Quando abria as suas garras dianteiras, media até mais de meio metro. Um exemplar magnífico da nossa fauna aquática! Não era o maior do mundo, desde que se conhecem siris com até 4 metros de envergadura. Em baixo um com aproximados dois metros.




Exemplar asiático

Hoje em dia, os nossos siris-bóia não atingem 25 centímetros. Ficou pela metade. A pesca predatória e a qualidade da água contribuíram para a diminuição de seu tamanho. Parece uma outra espécie. Siri-bóia anão ou mini-siri boia! Diferentemente de outros siris, o Bóia se desenvolve em águas límpidas. Não há mais esse tipo de água na enseada e no seu canal. Isso deve ter influenciado no seu crescimento, além da pesca predatória.



Nosso siri-bóia- menos de 25 centímetros



Siris-bóia
Em menos de 1 metro de exposição, dezenas de siris-bóia.

Antigamente, o siri-bóia era o nosso maior siri. Hoje o cachangá e até mesmo o puã, são maiores.

Outra consideração importante é a pesca dos siris fêmeas como se constata na foto, expostos numa área de venda. Um crime! Para quem não sabe, uma formação prestes a desovar, contem um milhão de ovos. Na foto podemos ver seis exemplares. Serão 6 milhões de siris a menos. A continuação dessa prática ameaça severamente a espécie.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RAIA DE REMO DOS TAINHEIROS

Chega ao nosso conhecimento que os bastidores dos meios náuticos estão em pavorosa. Querem tirar as provas de remo da Enseada dos Tainheiros. No lugar, as marinas da Ribeira avançariam com seus flutuantes até o canal da enseada, propiciando maior espaço de atracação para os proprietários das embarcações que ali existem, em grande número.

Raia de remo dos Tainheiros
 
Sinceramente, não estamos acreditando nessa história. Seria a terceira grande agressão à Enseada dos Tainheiros. A primeira delas ocorreu em 1940 quando da invasão da Bacia do Uruguai. A segunda em 1953, durante da invasão dos Alagados no Porto dos Mastros.

Diz-se que os dois últimos acontecimentos tiveram um cunho social relevante. Os invasores eram pessoas pobres e sem teto. Precisavam de espaço para construir suas palafitas. Na oportunidade, foram subtraídos milhões de metros quadrados da ex-grande enseada.

Evidentemente que não concordamos com este argumento. Não enxergamos nenhuma relevância em tomar do mar seja o que for, principalmente um mar que era um paraíso de peixes e crustáceos.

Enquanto as duas últimas ocorrências partiram de gente pobre, sem recurso, a que se pretende agora deriva de setores de alto poder aquisitivo que estariam influenciando o governo, não sabemos se estadual ou municipal.

E pode isto ser feito? Não pode! A raia de remo dos Tainheiros ou de Itapagipe, como alguns chamam, está oficializada por decreto do Departamento Nacional de Portos e Navegação, órgão ligado ao Ministério dos Transportes e/ou ao Ministério da Marinha. Isto aconteceu em 1940, ou seja, 70 anos atrás e nunca foi revogado.

Logo, é uma raia oficial de relevância sócio-esportiva, reconhecida por órgãos federais. Além do mais, tem uma tradição de mais de 100 anos. Desde o principio do século passado, eram realizadas competições nesse espaço. Os clubes que nela competem são seculares. O Vitória é de 1899, O São Salvador e o Itapagipe são de 1902 e o Santa Cruz é de 1904.

E por que está acontecendo isto, justamente agora. Ao que tudo indica, sente-se alguma fraqueza por parte da Federação ou dos Clubes a ela filiados. O Itapagipe tem a sua sede leiloada. O Santa Cruz resiste bravamente, mas não é mais o que era. O São Salvador parece que nem sede tem mais. Somente o Vitória, mostra alguma força patrimonial.

A coisa ganha maior dimensão quando até sugerem uma nova raia para as provas de remo. Parque Pituaçu. Mas onde? A única reta mais ou menos viável tem apenas 1500 metros e em certos trechos a largura não passa dos 6 metros. É quase a envergadura de um só barco com os remos.



O traço amarelo indica o maior canal existente no parque. Ele mede cerca de 1500 metros. Sua largura em alguns trechos é de 6 metros. (traços vermelhos) Totalmente inviável para provas de remo.

Oportunamente, já que onde há fumaça há fogo, cabe à Federação e aos clubes a ela filiados, reverter esta situação. A raia lhes pertence. Aos poucos ela está sendo tomada. Pelas bordas! Que tal rever junto ao Ministério de Transporte e da Marinha os termos dessa concessão. A coisa pode pegar!

SISTEMA FERRY-BOAT


O Ivete Sagalo

Em postagem anterior, falamos da Baía de Todos os Santos, este maravilhoso acidente geográfico que a natureza ofereceu à Bahia e onde está inserida toda a Cidade Baixa. Vimos sua extensão, falamos de algumas de suas 56 ilhas, o fluxo e refluxo de maré próprio das baías, da diferença do que se pescava antes do que se pesca hoje; falamos até de uma ponte que “pretendem” fazer ligando Salvador à Ilha de Itaparica, um projeto megalomaníaco que só se pode compreender- nunca aceitar- em época de eleição.

E, diz-se que o processo de convencimento popular, estaria sendo feito de uma forma um tanto quanto insólita. Estariam colocando o sistema ferry-boat em banho-maria, com vistas ao crescimento do apoio geral à construção da ponte.

Chega a ser inacreditável! Vamos analisar a questão com acuidade. É sabido que em dias de grande acesso, nos feriados prolongados e nas datas tradicionais, a fila de acesso dos carros ao ferry-boat alcança o largo de Roma. O usuário chega a levar 5 horas na fila.

Isso não pode ser considerado normal em nenhum lugar do mundo e sob qualquer ângulo de análise. Também em qualquer parte do mundo, a solução para esse problema é uma só. Aumentar o número de ferry-boats em operação nesses dias.

Vamos citar um exemplo dentro do próprio sistema de transporte de massa. Em dias de feriados prolongados e similares, as Estações Rodoviárias de todo o País, dobram e redobram a oferta de ônibus e todos viajam sem mais espera.
O mesmo se aplica ao sistema de aviação. No final do ano, por exemplo, todas as companhias aumentam o número de vôos.

Já o sistema ferry-boat de Salvador, mantêm as mesmas cinco ou seis embarcações que operam em dias normais. Pode uma coisa desta? Daí a calamidade que se registra nos dias de grande procura.

Alegam os proprietários da concessão que uma embarcação custa caro. Um ônibus também custa caro. Um avião custa dez ferry-boats. A concessionária tinha que estar preparada para esta circunstância. Se não pode comprar, alugue, tome emprestado. Faça qualquer coisa de racional e objetivo. Deixar um usuário cinco horas numa fila de carros fere todos os princípios da racionalidade. Isto chama-se tortura. Só mesmo um povo como o nosso, aceita uma coisa desta.

Certa feita conversamos com uma pessoa que passou por esse problema nos feriados do último fim de ano. Eis o diálogo:

- Como é  que você agüentou uma coisa como esta?
- A gente curtiu.
- Mas, curtiu como?
- Compramos duas dúzias de cervejas. Tínhamos um isopor cheio de gelo. E tomamos todas.
- E não ficaram altos?
- Altos? Que nada! Dançamos. A chaparia do carro servia como percussão. Apareceu um pandeiro de um carro atrás. Aí a coisa ficou ainda mais gostosa. Sensacional!
- E a que horas vocês chegaram a Mar Grande?
- Por volta das 4 horas da manhã. Um barato!

Este é o povo baiano. Feliz em qualquer ocasião. Pacato! Divertido! Graças a Deus! Não há povo igual no mundo! Viva a Bahia!

quinta-feira, 25 de março de 2010

BAIA DE TODOS OS SANTOS = 3ª PARTE

Ao se falar da Baia de Todos os Santos, hoje em dia, não se pode deixar de falar sobre a ponte que querem construir ligando Salvador à Ilha de Itaparica.


Projeto de ponte datado de 1980

A coisa é antiga. Em 1980 já existia um projeto com detalhes de sua conformação (foto acima). Pelo que se vê, a ponte começaria ou terminaria exatamente em frente ao Elevador Lacerda, ao lado do atual Mercado Modelo. É um grande erro. Não levou em conta o sistema viário de apoio. Outro grande erro é a curvatura à direita, aproximando-se do cais norte do porto, o que já é um problema. Fecha uma das entradas ou saídas dos navios. Não é mesmo?

Ao nosso modo de ver, nas proximidades, o único lugar mais ou menos viável, ainda assim com seríssimas restrições, seria o inicio ou término dessa ponte em Água de Meninos, aproveitando a Via Portuária para escoamento do tráfego.

Mas não se iludam os que são favoráveis à construção da ponte, ela não será quase vista de Salvador. O real projeto de ligação Salvador-Itaparica será constituído por três pontes. A primeira ponte seria construída no trevo da estrada para a Base Naval de Aratu (BA 528), garantindo acesso ao Centro Industrial de Aratu. A ligação seguiria até Madre de Deus, onde uma segunda ponte garantiria conexão com a Ilha dos Frades. Em seguida, uma terceira ponte, com extensão de 11 quilômetros, faria a interligação com Itaparica, na localidade de Mocambo, permitindo acesso até a BR 101.

Em verdade, não se pensa apenas em ocupação imobiliária da ilha. Isto será uma conseqüência. O que realmente se pretende é permitir a continuação da Rodovia BR-101 pela costa brasileira, com grandes vantagens turísticas e econômicas, visto que seria grande a economia de tempo e consumo para se viajar e transportar cargas do Sul para o Norte do País. A economia estimada seria de 120 quilômetros de estrada, sendo que essa economia, por si só, justificaria e traria retorno rápido ao investimento.O resto é balela e sonho!

Mais um detalhe: imaginem se acontece com essa ponte o que vem ocorrendo com as obras do metrô de Salvador que se arrastam por longos 12 anos. Inicia-se a sua construção e, por falta de verba, que é muito comun em nossa terra, a ponte para no meio da Baía de Todos os Santos. Que espetáculo dandesco proporcionaria! Uma alfinetada de cimento e ferro no coração da bela baía. Viraria um terminal de pesca de anzol. Todo mundo pescando no canal. Uma beleza! Os gozadores de plantão dirão logo: "A Bahia conseguiu fazer uma ponte que tem começo e não tem fim". Já os pretensos arautos do progresso dirão que tudo se resolve. "Far-se-ia, por exemplo, um transbordo com ferries boats. Estes teriam diminuição de percurso. Isto é que é economia".

Apesar das vantagens que essa ponte suportamente traria, uns são contra. Um deles é o escritor João Ubaldo Ribeiro. Transcrevemos um trecho de seu pronunciamento à respeito:

“Como todos os anos, vim a Itaparica, para passar meu aniversário em minha terra na casa onde nasci. Casa de meu avô, coronel Ubaldo Osório, que fez pouco mais na vida que amar e defender a ilha e seu povo. De lá para cá, muito se tem perpetrado para destruí-los física ou culturalmente e há nova tentativa em curso. Trata-se da anunciada construção de uma ponte de Salvador para cá. Isso é qualificado, por seus idealizadores, de progresso. Conheço esse progresso. É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam cabotagem no Recôncavo; que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles. Conheço os argumentos farisaicos dos proponentes da ponte, ávidos sacerdotes de Mamon, autoungidos como empresários socialmente responsáveis”.

Finaliza: “Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente”

Esse cara escreve demais, contudo,  esquece que a ilha já tem uma ligação com o continente lá pelo sul  e não aconteceu nada (Ponte do Funil). A sugestão que se faz e é quase oficial, pelo menos, é federal, é a ligação lá pelos lados de Aratu e os veículos já sairiam no quilômetro 31 da Salvador-Feira, cerca de 70 quilômetros de Feira de Santana. 

A ponte em frente à Salvador é uma utopia e um mal senso. Parece mais ser uma propaganda de efeitos políticos. Vai ser até mais cara, devido a profundidade do canal que separa Salvador de Itaparica. Seriam colunas imensas de alto custo e são muitas. Se o metrô já levou 12 anos para ser construído, justamente por falta de verba, imagine essa ponte. Vai esvaziar os cofres da nação. 

BAIA DE TODOS OS SANTOS = 2ª PARTE

A Baía de Todos os Santos possui 56 ilhas. Muitas dessas ilhas são vistas de quem está em Salvador, inclusive de quem está na Cidade Baixa. Esta é uma vista, digamos,  a nível do mar. Vemos seus morros e alguma vegetação. De Mar Grande, chegamos a ver sua igrejinha.

A maior e a mais importante das ilhas é a de Itaparica. Outras ilhas importantes, que compõem roteiros turísticos, são Madre de Deus, Bom Jesus dos Passos, Matarandiba, Saraíba, Mutá, Olho Amarelo, Caraíbas, Malacaia, Porcos, Carapitubas, Canas, Ponta Grossa, Fontes, Pati, Santos, Coqueiros, Itapipuca, Grande, Pequena, Madeira, Chegado, Topete, Guarapira, Monte Cristo, Coroa Branca e Uruabo.

Vamos estender esta visão graças aos recursos do Google Earth. Naturalmente que não podemos mostrar suas 56 ilhas. Podemos nos contentar com algumas delas, as mais importantes ou as mais bonitas.


Ilha de Itaparica


Ilha Bom Jesús dos Passos


Ilha do Mêdo


Ilha de Madre de Deus


Ilha de Maré


Ilha dos Frades


Pontos de mergulho

Enquanto as atividadas da pesca vão se estinguindo, felizmente a atividade de mergulho continua firme. A poluição generalizada não deu ainda para prejudicar a visão dos restos dos diversos navios naufragados na Baía de Todos os Santos. O único prejuízo é a diminuição da visibilidade da água. A BTS ainda é um paraíso para os mergulhadores de todo o País. Acima, um mapa com os principais pontos de mergulho.

BAIA DE TODOS OS SANTOS = 1ª PARTE

Este blog já tem 172 postagens num período de cinco meses de existência. Dá mais de uma por dia. Falamos de muita coisa sobre a Cidade Baixa. Suas avenidas, suas ladeiras, seus largos, suas praias, suas igrejas, seus monumentos, suas festas e até sua gente. São centenas de citações. Tentamos esgotar o assunto, fosse ele possível de tal. Não falamos, entretanto, de algo básico sem o que a própria Cidade Baixa não existiria. Sim! Não falamos da Baía de Todos os Santos, este extraordinário acidente geográfico, considerado a maior baía do Brasil e a terceira do Mundo. Nela está inserida toda a Cidade Baixa, desde o seu Porto até a extremidade mais aguda de seu espaço, a Ponta da Penha.

 
Foi nominada por Gaspar Lemos e Américo Vespúcio em 1º de Novembro de 1501, dia dedicado a Todos os Santos, daí o seu nome. Alguns autores, dizem que ela tem 1.052 km2 e é a maior baia do Brasil. Outros afirmam que ela mede 1.223 km2 na maré alta e 919 km2 na maré baixa. Como se vê, após centenas de anos, ainda não se sabe a sua verdadeira extensão.

A segunda maior é a Baia da Guanabara no Rio de Janeiro com 380km2 e a terceira é a Baia de Camamu, ainda na Bahia.
 

Baia de Fundy - A maior baia do mundo
 
E como se formam as baías? Formam-se pela luta entre a força das ondas do mar e a resistência da costa. Quando o mar encontra um ponto menos resistente nas rochas, ele começa seu lento trabalho de erosão. A fenda vai se ampliando lentamente e forma a baía. Já as rochas de calcário fragmentadas formam a areia da praia.
Esta é a explicação mais simples, digamos popular, da formação das baías. Tem umas complicações teutônicas e cenozóicas por aí que, possivelmente, não caberiam num blog como este.




Baia de Todos os Santos

Em todas as baias há um fluxo e refluxo de maré muito forte. A maior variação de maré ocorre na Baía de Fundy, no Canadá. A cada 6 horas, 115 bilhões de água (115km2) entram e saem desta baía. Na história desse acidente geográfico, a maior variação de maré foi de 17 metros durante a Lua Cheia. Na Bahia de Todos os Santos essa variação deve atingir cerca de 6 metros também em dias de Lua Cheia.
 
Baia de Fundy- Canadá
 
Mas, temos uma novidade. Segundo estudiosos, a Baía de Todos os Santos, nunca foi invadida pelo mar. Mas como? Informam os especialistas: ”Durante o Cenozóico o planeta experimentou um progressivo resfriamento que pouco a pouco resultou na acumulação de gêlo em altas latitudes. Uma conseqüencia desta acumulação foi o progressivo abaixamento do nível do mar. Esta tendência de queda foi interrompida no Mioceno inferior/médio, quando uma elevação da temperatura resultou em degelo e portanto elevação do nível do mar. A altura máxima alcançada pelo nível do mar nesta época ainda não está bem estabelecida mas se situaria entre 25 e 150m acima do nível atual dependendo da metodologia utilizada”.

A Baía de todos os Santos possui um contorno litorâneo de aproximados 300 Km. sendo, na realidade, um pequeno golfo composto por três baías. A própria Baia de Todos os Santos, a Baia de Aratu e a Baia de Iguape. Possui dois portos, o de Salvador e o de Aratu. Tem uma refinaria de petróleo, a Landulfo Alves, fábrica de cimento, a Cimento Aratu e, nas proximidades, o Complexo Industrial de Aratu com inúmeras indústrias.

A borda leste da baía é marcada por uma retilínea e íngrime escarpa tectônica, a escarpa de Salvador, o mais belo exemplar de um antigo bordo cristalino de fossa tectônica costeira existente em toda a América do Sul. Por possuir muitas vistas panorâmicas do alto da escarpa, a cidade de Salvador é conhecida também como cidade-belvedere.

Era de se esperar que esse extraordinário bem que a natureza nos deu estivesse “tinindo”. Poucos países no mundo tem o que nós temos. Muito pelo contrário. A nossa baía vem sofrendo ao longo dos anos uma agressividade ambiental das mais sérias. A nossa Petrobrás, por exemplo, anda a derramar óleo de vez em quando em suas margens. O último deles (abril do ano passado) na órdem de 2.5 mil litros atingiu diversas praias e prejudicou os manguezais do Rio Mataripe e do Rio Caípe.

De Santo Amaro, através do Rio Subaé, os dejetos industriais da Companhia Brasileira de Chumbo atingiram a Baía de Todos os Santos. Cádmio (Cd) e chumbo (pb) foram derramados na Baía de Todos os Santos.

Os portos de Salvador e Aratu não possuem controle dos impactos causados pela navegação – transporte de poluentes e lavagem dos navios. Estão sendo descarregados na BTS, intoxicando fauna, flora, praias e os habitantes das localidades próximas, que se contaminam no contato com os resíduos industriais.

A presença do porto de Aratu, da Base Naval, dos terminais da Ford e do Moinho Dias Branco é um fator de risco para a baía. Além delas há mais de cem empresas dos ramos mecânico, têxtil, petroquímico, agrícola e siderúrgico que, nos últimos 60 anos, desenvolveram suas atividades às margens do mar, liberando metais como cobre, cromo, chumbo, zinco, manganês e mercúrio.

A pesca com bomba é outra agressão imperdoável. Desde o Solar do Unhão até a Enseada dos Tainheiros, pratica-se a pesca com dinamite. Isso destrói a flora e a fauna, compromete os corais e locas submarinas, além de causar danos aos monumentos. Que o digam o Solar do Unhão e o Abrigo D.Pedro II.



Abrigo D. Pedro II
 
Dolar do Unhão

O crescimento demográfico desodernado contribui de maneira muito significativa para o desencadeamento de problemas ambientais, principalmente em virtude dos esgotos lançados no mar. Os Alagados do Porto dos Mastros, Lobato e Uruguai são os maiores responsáveis. Chegaram a colocar uma rede para aparar as coisas de maior volume. Acho que já não existe mais. Os dejetos se dirigem ao canal que se inicia na Enseada dos Tainheiros, atravessa toda a baía e vão se depositar para os lados de Cabuçu e Saubara.

De relação aos mangues, eles se extinguem aos poucos. Não há mais caranguejo na Bahia. Os que os restaurantes servem, vêm do Pará e do Maranhão. Camarão seco que vemos em profusão nas feiras livres, vem de Sergipe.

Vermelhos de todas as espécies eram capturados no canal entre Salvador e Itaparica. Tainhas e agulhas davam em abundância na Enseada dos Tanheiros, inclusive o nome Tainheiros originou-se dos “tanheiros”, pescadores de tainhas. Robalos eram pescados na Ponta da Penha em extensões de pontes de madeiras que ali existiam. Em baixo do flutuante do Hidroporto da Ribeira, dava robalo. Caconetes e cações eram apreendidos com facilidade nos arredores da Ilha de Maré. Grandes budiões azuis eram vistos no cais sul do Porto e no madeirame que sustentava os trapiches na Preguiça e do Porto. Polvos e caramurus eram pescados nos recifes da Boa Viagem, Canta Galo e Monte Serrat. Pescava-se com facilidade lagostas nos recifes de toda Mar Grande. Hoje a atividade pesqueira está extremamente diminuída ou quase extinta. A única pesca que ainda se mantêm é a de papa-fumos e siris-boias, estes últimos em áreas cada vez mais profundas. E ainda pescam, sem piedade, os siris prestes a desovar. Na ponta da Penha, onde existe um ponto de venda de pescado, pode se constatar esse fato. Um crime! Mais tarde, eles próprios (vendedores/pescadores) vão se lamentar por não existir mais siri-boia na Baía de Todos os Santos.

Não se tem notícia de nenhum plano de recuperação efetiva das atividades pesqueiras na Baia de Todos os Santos. Não há um plano de descanso da pesca. Pesca-se 365 dias no ano. Não se sabe até quando os papa-fumos resistirão. Quando acabar, vai ser um desastre. Dezenas de milhares de famílias vivem desse molusco.