quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A IMPLOSÃO DA FONTE NOVA

O que tem a haver este blog com a implosão do Estádio da Fonte Nova? De princípio nada! Sua especificidade talvez não lhe desse esse direito, mas quem nessa terra não se interessou por este acontecimento “explosivo”. Todo o mundo. Nós inclusive e talvez tenhamos motivos suficientes para abordar o feito.
Primeiramente, o autor desse blog viu o espaço da Fonte Nova antes da construção do estádio. Tinha um pequeno campo de futebol naquela entrada do morro. Era todo de barro. Nele se fazia grandes peladas. Após o baba, dirigíamo-nos para a beirada do Dique do Tororó a fim de remover a lama que se prendia no corpo dos pés à cabeça. Éramos meninos de barro!

O dique a que estamos nos referindo não é o dique de hoje, arborizado, vias nos dois lados. Lindo! Não tinha ainda os Orixás de Tati Moreno e os guinchos de água para oxigená-lo. Só havia uma via de acesso, ao seu lado esquerdo de quem olha a partir do ex-estádio. À direita, só tinham hortas que abasteciam grande parte da cidade. Logo, o perigo que corríamos ao nos lavar nas suas águas poluídas era o mesmo da população que consumia os legumes dessas plantações. Não havia a consciência de hoje.



Depois se construiu naquele espaço um estádio com um só lance de arquibancada. Jogamos nele. Naquele tempo, antes das partidas oficiais pelo Campeonato Baiano de Futebol, se faziam jogos preliminares com clubes amadores. Éramos goleiro do Ipiranguinha de Weber. Depois jogamos na mesma posição pelo Fluminense de Arlindo Flac. Sabíamos que pessoas da família estavam nos assistindo nas arquibancadas.Caprichávamos nas apresentações. Os outros jovens também! Um privilégio.

Em seguida, fez-se o anel superior. Fomos assistir ao jogo de inauguração. Tínhamos cadeira cativa. Ajudamos de alguma forma á construir aquele monumento. Infelizmente, aconteceu aquela tragédia. O povo caindo de cima da arquibancada que se dizia ir ruir. Um falso alarme!
 
Outro motivo que nos faz ter o direito de falar do Estádio Otávio Mangabeira é a lembrança de alguns amigos de Itapagipe que nele jogaram como profissionais. Foram os casos de Rui, Reinaldo, Otoney e Ozanah. Jogamos juntos em diversas oportunidades tanto nos babas de praia, quanto nos campos de futebol amador que existiam na cidade: do Galícia no hoje Conjunto Clemente Mariani, do Tupi na Boa Viagem, do Papagaio no Largo do mesmo nome, do Periperi do Vereador Castelo Branco. Tempos incríveis de uma juventude sadia.
 
Por outro lado, fomos um dos responsáveis pela construção da piscina olímpica da Fonte Nova. Contamos essa história em nosso outro blog – origensnatacaobahia.blogspot.com – Foram mais de 10 anos treinando a equipe de natação do Esporte Clube Bahia. Fomos campeões em todos esses anos. Tínhamos uma convivência diária com a Fonte Nova.



Ex-piscinas da Fonte Nova

Por fim, coube-nos ver a sua implosão, encerrando um ciclo de vida. Não pensávmos que um dia tal poderia acontecer. Será construída no local uma arena que deve ser belíssima.


A nova Arena.

Eis a sequência da implosão, detalhe por detalhe. As imagens são impressionantes.





























segunda-feira, 30 de agosto de 2010

AS BARRACAS DE PRAIA DE ITAPAGIPE


O Bugari de hoje - sem as barracas

Está todo mundo falando e muito. "Tiraram as barracas de praia de Salvador". Na Cidade Baixa, no trecho entre a Penha e o Bugari, não ficou uma para contar história. História? Sim. As barracas de praia têm uma história. Pelo menos história comercial! Era um negócio que proporcionava rendimento a milhares de pessoas, tanto aos seus proprietários quanto aos funcionários. Por outro lado ainda, era um grande canal de consumo que proporcionava às indústrias de cerveja e refrigerantes, por exemplo, altos rendimentos, inclusive à Prefeitura através dos impostos.


Bugari como era antes - Imagem via satélite do Google Earth

Ainda mais, as barracas de praia de Salvador eram tradicionais. Surgiram nos meados do século passado. Caracterizavam de forma muito singular as nossas praias. O soteropolitano estava acostumado a elas. Formou-se um hábito. Quem ia à praia, passava na barraca. Tomava-se uma cerveja, acompanhado de um acarajé das Baianas que sempre estavam próximas e depois “acontecia” o banho de mar, quando acontecia, desde que muita gente, se restringia aos comes e bebes.

Hoje o soteropolitano não sabe nem como faz. Sente-se um "deslocamento". Poder-se-ia dizer, quase um mal estar. Nossa orla não estava preparada para uma outra alternativa como existe, por exemplo, no Rio de Janeiro, em Copacabana, com a série de barres no calçadão.

Falamos acima em nossas Baianas. Estas também estão sofrendo as conseqüências da extinção das barracas. Elas como que se integravam ao ambiente como um todo. Ficavam próximas.

Em consequência, e não era para se esperar outra coisa, os ex-barraqueiros e mesmo os ex-funcionários, estão improvisando aqueles horríveis isopores protegidos por um guarda-sol já usado, o que está tornando a paisagem de nossas praias um tanto quanto breguíssima.

Por outro lado, enquanto se tiram as barracas, deixam-se as mesas e cadeiras das empresas de bebidas onde sempre elas estiveram, isto é, ocupando o espaço dos banhistas que foi um dos motivos de sua retirada e com o passar do tempo, certamente, não diriamos que voltarão as barracas, mas sem dúvida, estabeleciará algo bem pior do que elas próprias. Aliás, já está acontecendo! É só olhar. Os isopores estão se juntando como que num aglomerado e se faz uma só cobertura.


Já deram um jeito!É próprio do brasileiro!

Sinceramente, não foi legal a forma como a coisa foi feita. Era necessário, quase obrigatório, antes da demolição, que se apresentasse uma alternativa de negócio aos barraqueiros. Vamos demolir as barracas, mas vocês poderão continuar desta ou daquela maneira. Qualquer maneira! No Rio estão se fazendo módulos de vidro em pleno calçadão. Estão substiduindo pequenos pontos de venda de côco e cachorro quente, que começavam a proliferar em Copacabana.

Se houve um rigor exagerado na demolição das barracas porque elas estavam à 33 metros da beirada do mar – terreno de marinha – faixa de 33 metros contados para o lado da terra a partir de onde chega a maré alta – o mesmo não ocorreu com os píeres dos edifícios do Corredor da Vitória. Eles estão dentro do mar e seus acessos nas encostas estão a 33 metros aonde chega a maré alta. A imprensa noticiou a intervenção federal. Todos foram multados, cada um em cem mil. Tiraram de letra. Deram-se prazos e tudo ficou na mesma. Ai, há de se pensar: Dois pesos e duas medidas! Não há outra maneira de raciocinar.

Ao longo do tempo e o que falar dos Alagados de Itapagipe? Tomaram milhões de metros quadrados da Enseada dos Tainheiros. Poluíram tudo, até a Baia de Todos os Santos. Isto começou a acontecer na década de 1940. Em 1953 completou-se o feito com a tomada de toda a frente de mar da Avenida Porto dos Mastros. Influenciou até no eco-sistema da península. Este lamentável acontecimento é do tempo das barracas. Dir-se-ia mais. Essa gente alí instalada deve ter incentivado, de alguma forma, o negócio das barracas, desde que, ao mesmo tempo, fecharam-se as 35 indústrias que existim nas proximidades. E agora? Vão demolir os Alagados que nem fizeram com as barracas? Não há como. Iria criar um gravíssimo problema social. Mas grave também é a extinção das barracas da forma como foi feita. É também um problema social! Precisa ser considerado.

E encerramos com a reprodução do art. 5º de nossa Constituição: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida...”

sábado, 28 de agosto de 2010

AGRADECIMENTO AOS MEUS SEGUIDORES

Quando iniciei meu blog sobre a Cidade Baixa de Salvador, não imaginava que havia tanto interesse sobre a mesma. Comecei a organizá-lo movido por uma constatação: não havia outra publicação com os detalhes que conhecíamos e poderíamos transmitir. Por outro lado, lamentavelmente, havia informações truncadas e até inverídicas que não nos cabe aqui citá-las por questões éticas.
E, à medida que íamos publicando cada postagem, foram surgindo os “Seguidores”, hoje em número registrado de 25 pessoas, afora, naturalmente, os que preferem não se identificar.
Acho que devo agradecer a esta “fidelidade” em uma postagem específica como esta.
Por outro lado, fica a promessa de revisão constante do que já foi escrito, de acompanhamento dos comentários, de aceitação permanente de sugestões.



Não acredito que tenha esgotado o que se pode escrever sobre a Cidade Baixa de Salvador. Por esta razão, continuamos pesquisando e à medida que tenhamos novos temas, as postagens serão feitas Agora mesmo, estamos com um deles em elaboração e se refere à pesca em Itapagipe. Entre muitas de suas modalidades uma aconteceu por acaso: pescaram uma baleia na Enseada dos Tainheiros. Mas uma baleia de dimensões avantajadas. Não foi qualquer cachalote por acaso perdido naquelas águas. Foi preciso chamar Valtinho Acarajé para arpoá-la, ele que era um exímio mergulhador e um destemido.
Também estamos pesquisando a culinária de Itapagipe. O modo de comer dos peninsulares. E aí nos perguntamos: teria importância esse tema? Acho que sim! Vejam o que dizem os especialistas sobre a alimentação:

A alimentação é uma preocupação constante na rotina das pessoas. Seja para obter um estilo de vida saudável, seja para perder peso, melhorar a saúde ou, simplesmente, satisfazer uma necessidade fisiológica, comer é sempre bom. Contudo, uma nutrição adequada se preocupa com algumas questões importantes: o que, quando, quanto e como consumir os alimentos.
O grande avanço da ciência na área da nutrição transformou
o simples ato de comer em uma ferramenta poderosa na promoção da saúde”.





Ainda mais e de uma importância extraordinária para todas as pessoas: comer bem e barato. O “papa-fumo” de nossos dias. Há diversas formas de fazê-lo. As nossas marisqueiras haverão de dizê-las. O carapicu, sensacional tira-gosto. Dá de pancada na Ponte de Plataforma. O siri-boia que está desaparecendo ou está diminuindo a cada dia em razão da pesca predatória. O que fazer para que isto não aconteça? Como preparar as diversas espécies de crustáceos? Tem uns duros que ninguém agüenta. É o caso, por exemplo, do rala-coco, o complicadíssimo “trachycardium muricatum.” Será que cozinhando-o com uma cebola dentro da panela, resolveria o problema? Com o polvo ela resolve.

Esta é uma pequena amostra do que poderá ser escrito.Há muita coisa!

Voltando à finalidade principal dessa postagem, aos meus amigos SEGUIDORES, muito obrigado!

sábado, 24 de abril de 2010

ATERROS DO COMÉRCIO – E COMO ERA ANTES

Em 1/12/09, tivemos ocasião de fazer uma postagem sobre os aterros do Comércio. Vamos rever seus principais tópicos:

terça-feira, 1 de dezembro de 2009
ATERROS DO COMÉRCIO
Quem conhece o Comércio nos dias de hoje, pode se surpreender ao saber que, antigamente, o mar chegava à porta onde é hoje, por exemplo, o Plano Gonçalves e imediações. Prova disso tivemos alguns anos atrás, quando uma tubulação de água ou esgoto estourou bem em frente ao referido elevador. Fizeram um buraco de cerca de 5 metros de profundidade. Logo após a camada de asfalto, só havia areia e entre seus grãos vestígios de conchas e mais conchas.

A partir de 1777 com extensão até 1801; desse último ano até 1860 e daí até 1894, iniciaram-se diversos aterros no Comércio, culminando com o da construção do porto de Salvador em 1912.


Um dos últimos aterros – Do Porto.

A melhor representação que fizemos de como era essa parte da cidade antes dos referidos aterros, foi feita da seguinte maneira:


O mar chegando às bordas do morro

É aquela velha história de “quem não tem cão caça com gato”. Que jeito? Mas agora, eis que nos chega às mãos através do amigo Sérgio Neto, uma representação de como era Salvador antes dos aterros. É magnífica! Não poderia deixar de registrá-la. A autoria é do Sr. Rubens Antônio, a quem parabenizo.




O referido senhor fotografou uma parte importante da Cidade Baixa. Ela alcança até Itapagipe. De posse desse panorama, foi feita a excepcional simulação. Salvador, ao tempo do descobrimento, devia ser mais ou menos assim!

À respeito, o Profesor Lamdim da Faculdade Federal da Bahia em seu blog geologiamarinha.blospot.com comentou o que segue:

"Estas modificações se intensificaram principalmente a partir do século 20, de modo que hoje a maior parte das paisagens costeiras que integram nossos cartões postais são na realidade, criadas pelo homem, ou seja nossas costas já não podem ser consideradas simplesmente como modificadas pelo Homem. O mais correto portanto é dizer que nossas costas foram criadas pelo homem, ou seja, são antropocostas, ou antrocostas."

É uma verdade!

domingo, 4 de abril de 2010

SIRI-BÓIA -PORTUNUS SPINIMANUS- EM EXTINÇÃO

Todo menino que viveu em Itapagipe nas décadas de 1940/1950 conheceu o siri-boia. Pescava-o. Através um jereré de grande envergadura, mais de meio metro, uma isca ao centro, arriava-se a armadilha na ponta da Penha, nas proximidades do boião que sinalizava o começo da descida dos hidroaviões Catalina e, de um a um, recolhia o grande siri na canoa.
Eram enormes. Quando abria as suas garras dianteiras, media até mais de meio metro. Um exemplar magnífico da nossa fauna aquática! Não era o maior do mundo, desde que se conhecem siris com até 4 metros de envergadura. Em baixo um com aproximados dois metros.




Exemplar asiático

Hoje em dia, os nossos siris-bóia não atingem 25 centímetros. Ficou pela metade. A pesca predatória e a qualidade da água contribuíram para a diminuição de seu tamanho. Parece uma outra espécie. Siri-bóia anão ou mini-siri boia! Diferentemente de outros siris, o Bóia se desenvolve em águas límpidas. Não há mais esse tipo de água na enseada e no seu canal. Isso deve ter influenciado no seu crescimento, além da pesca predatória.



Nosso siri-bóia- menos de 25 centímetros



Siris-bóia
Em menos de 1 metro de exposição, dezenas de siris-bóia.

Antigamente, o siri-bóia era o nosso maior siri. Hoje o cachangá e até mesmo o puã, são maiores.

Outra consideração importante é a pesca dos siris fêmeas como se constata na foto, expostos numa área de venda. Um crime! Para quem não sabe, uma formação prestes a desovar, contem um milhão de ovos. Na foto podemos ver seis exemplares. Serão 6 milhões de siris a menos. A continuação dessa prática ameaça severamente a espécie.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

RAIA DE REMO DOS TAINHEIROS

Chega ao nosso conhecimento que os bastidores dos meios náuticos estão em pavorosa. Querem tirar as provas de remo da Enseada dos Tainheiros. No lugar, as marinas da Ribeira avançariam com seus flutuantes até o canal da enseada, propiciando maior espaço de atracação para os proprietários das embarcações que ali existem, em grande número.

Raia de remo dos Tainheiros
 
Sinceramente, não estamos acreditando nessa história. Seria a terceira grande agressão à Enseada dos Tainheiros. A primeira delas ocorreu em 1940 quando da invasão da Bacia do Uruguai. A segunda em 1953, durante da invasão dos Alagados no Porto dos Mastros.

Diz-se que os dois últimos acontecimentos tiveram um cunho social relevante. Os invasores eram pessoas pobres e sem teto. Precisavam de espaço para construir suas palafitas. Na oportunidade, foram subtraídos milhões de metros quadrados da ex-grande enseada.

Evidentemente que não concordamos com este argumento. Não enxergamos nenhuma relevância em tomar do mar seja o que for, principalmente um mar que era um paraíso de peixes e crustáceos.

Enquanto as duas últimas ocorrências partiram de gente pobre, sem recurso, a que se pretende agora deriva de setores de alto poder aquisitivo que estariam influenciando o governo, não sabemos se estadual ou municipal.

E pode isto ser feito? Não pode! A raia de remo dos Tainheiros ou de Itapagipe, como alguns chamam, está oficializada por decreto do Departamento Nacional de Portos e Navegação, órgão ligado ao Ministério dos Transportes e/ou ao Ministério da Marinha. Isto aconteceu em 1940, ou seja, 70 anos atrás e nunca foi revogado.

Logo, é uma raia oficial de relevância sócio-esportiva, reconhecida por órgãos federais. Além do mais, tem uma tradição de mais de 100 anos. Desde o principio do século passado, eram realizadas competições nesse espaço. Os clubes que nela competem são seculares. O Vitória é de 1899, O São Salvador e o Itapagipe são de 1902 e o Santa Cruz é de 1904.

E por que está acontecendo isto, justamente agora. Ao que tudo indica, sente-se alguma fraqueza por parte da Federação ou dos Clubes a ela filiados. O Itapagipe tem a sua sede leiloada. O Santa Cruz resiste bravamente, mas não é mais o que era. O São Salvador parece que nem sede tem mais. Somente o Vitória, mostra alguma força patrimonial.

A coisa ganha maior dimensão quando até sugerem uma nova raia para as provas de remo. Parque Pituaçu. Mas onde? A única reta mais ou menos viável tem apenas 1500 metros e em certos trechos a largura não passa dos 6 metros. É quase a envergadura de um só barco com os remos.



O traço amarelo indica o maior canal existente no parque. Ele mede cerca de 1500 metros. Sua largura em alguns trechos é de 6 metros. (traços vermelhos) Totalmente inviável para provas de remo.

Oportunamente, já que onde há fumaça há fogo, cabe à Federação e aos clubes a ela filiados, reverter esta situação. A raia lhes pertence. Aos poucos ela está sendo tomada. Pelas bordas! Que tal rever junto ao Ministério de Transporte e da Marinha os termos dessa concessão. A coisa pode pegar!

SISTEMA FERRY-BOAT


O Ivete Sagalo

Em postagem anterior, falamos da Baía de Todos os Santos, este maravilhoso acidente geográfico que a natureza ofereceu à Bahia e onde está inserida toda a Cidade Baixa. Vimos sua extensão, falamos de algumas de suas 56 ilhas, o fluxo e refluxo de maré próprio das baías, da diferença do que se pescava antes do que se pesca hoje; falamos até de uma ponte que “pretendem” fazer ligando Salvador à Ilha de Itaparica, um projeto megalomaníaco que só se pode compreender- nunca aceitar- em época de eleição.

E, diz-se que o processo de convencimento popular, estaria sendo feito de uma forma um tanto quanto insólita. Estariam colocando o sistema ferry-boat em banho-maria, com vistas ao crescimento do apoio geral à construção da ponte.

Chega a ser inacreditável! Vamos analisar a questão com acuidade. É sabido que em dias de grande acesso, nos feriados prolongados e nas datas tradicionais, a fila de acesso dos carros ao ferry-boat alcança o largo de Roma. O usuário chega a levar 5 horas na fila.

Isso não pode ser considerado normal em nenhum lugar do mundo e sob qualquer ângulo de análise. Também em qualquer parte do mundo, a solução para esse problema é uma só. Aumentar o número de ferry-boats em operação nesses dias.

Vamos citar um exemplo dentro do próprio sistema de transporte de massa. Em dias de feriados prolongados e similares, as Estações Rodoviárias de todo o País, dobram e redobram a oferta de ônibus e todos viajam sem mais espera.
O mesmo se aplica ao sistema de aviação. No final do ano, por exemplo, todas as companhias aumentam o número de vôos.

Já o sistema ferry-boat de Salvador, mantêm as mesmas cinco ou seis embarcações que operam em dias normais. Pode uma coisa desta? Daí a calamidade que se registra nos dias de grande procura.

Alegam os proprietários da concessão que uma embarcação custa caro. Um ônibus também custa caro. Um avião custa dez ferry-boats. A concessionária tinha que estar preparada para esta circunstância. Se não pode comprar, alugue, tome emprestado. Faça qualquer coisa de racional e objetivo. Deixar um usuário cinco horas numa fila de carros fere todos os princípios da racionalidade. Isto chama-se tortura. Só mesmo um povo como o nosso, aceita uma coisa desta.

Certa feita conversamos com uma pessoa que passou por esse problema nos feriados do último fim de ano. Eis o diálogo:

- Como é  que você agüentou uma coisa como esta?
- A gente curtiu.
- Mas, curtiu como?
- Compramos duas dúzias de cervejas. Tínhamos um isopor cheio de gelo. E tomamos todas.
- E não ficaram altos?
- Altos? Que nada! Dançamos. A chaparia do carro servia como percussão. Apareceu um pandeiro de um carro atrás. Aí a coisa ficou ainda mais gostosa. Sensacional!
- E a que horas vocês chegaram a Mar Grande?
- Por volta das 4 horas da manhã. Um barato!

Este é o povo baiano. Feliz em qualquer ocasião. Pacato! Divertido! Graças a Deus! Não há povo igual no mundo! Viva a Bahia!