segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ILHA DE MARÉ – SUAS IGREJAS, PRAIAS E POESIA

A Ilha de Maré tem 16 km2 de extensão. Fica nas proximidades da Baía de Aratu. Diz-se até que ela faz parte desse acidente geográfico. Aí é demais para tanta beleza!
Proximidades
Localização

O mar de Maré

As rendas de Maré
 
Foi povoada desde muito cêdo. Há registros de que já em 1584 foi construída a Igreja de Nossa Senhora das Neves em seu espaço.
 
Nossa Senhora das Neves
 
Das Neves? Isto mesmo, apesar de toda a Mata Atlântica que Maré possuía e ainda possue com seu clima absolutamente tropical. O fato é justificado pela maior importância da representação do que mesmo do local. Por isso, vale a pena contar essa história.

Vivia em Roma um ilustre descendente de nobre família romana. Não possuía herdeiros e aí resolveu “consagrar” sua fortuna à glória de Deus. Em determinado dia, a Rainha do Céu apareceu-lhe em sonhos e disse-lhe: – “Edificar-me-eis uma basílica na colina de Roma que amanhã aparecerá coberta de neve”.
Apesar do calor que fazia naquele agosto, no dia seguinte o monte Esquilino estava coberto de Neve para espanto de toda a população e mesmo do Papa Libério que para lá se dirigiu.
O Monte Esquilino é uma das sete colinas de Roma. Era repleto de carvalho. Todos ficaram em meio à neve que se formou.
Construída a igreja a mesma foi denominada de Nossa Senhora das Neves em razão do fenômeno climático.
Além da Praia das Neves, Maré possue ainda a Praia de Itamoabo onde está situada outra tradicional igreja dedicada a Nossa Senhora de Santana daí a praia do mesmo nome, mais a praia do Botelho e Praia Grande.
 
Praia do Botelho
 
O nome Botelho é em homenagem ao poeta barroco brasileiro, Manoel Botelho de Oliveira. Foi o primeiro autor nascido no Brasil a ter um livro publicado.
Seu poema sobre Ilha de Maré é extraordinário। Eis um trecho do mesmo:

Jaz obliqua forma e prolongada
a terra de Maré toda cercada
de Netuno, que tendo o amor constante,
lhe dá muitos abraços por amante,
e botando-lhe os braços dentro dela
a pretende gozar, por ser mui bela.
Nesta assistência tanto a senhoreia,
e tanto a galanteia,
que, do mar, de Maré tem o apelido,
como quem preza o amor de seu querido:
e por gosto das preendas amorosas
fica maré de rosas.
e vivendo nas ânsias sucessivas,
são do amor marés vivas;
e se nas mortas menos a conhece,
maré de saudades lhe parece.
E por ai vai, em longos versos, o grande Botelho de Oliveira (1636/1711).

Agora só nos resta vê-la bem do alto


 

domingo, 7 de novembro de 2010

ILHA DE MARÉ – UMA HIPÓTESE PARA ORIGEM DO SEU NOME






Ilha de Maré em três aspectos

Botelho
Bananeiras

Esta é a segunda postagem sobre a Ilha de Maré. Pelo visto, estamos considerando que ela faz parte da Cidade Baixa de Salvador, desde que integrada no espaço da Baía de Todos os Santos que alcança todos os seus limites.

Na primeira, contamos a história de uma partida de futebol disputada na ilha com fim surpreendente e inusitado, mas verdadeiro। Na presente, fomos procurar o significado da expressão "Ilha de Maré", outro fato inusitado.

Buscamos por todos os lados saber o seu significado ou origem e nada encontramos. Não há nenhuma referência! Quando se pesquisa o assunto diz-se que é uma ilha existente na Baía de Todos os Santos. Claro que é! O que queremos saber é o porquê que ela é chamada de “Ilha de Maré”.

Em casos tais, há de se partir para conjecturas, ou seja, formar uma ideia baseada em suposições, aparências ou probabilidades, enfim, hipóteses.

A principal delas diz respeito ao fluxo e refluxo do mar em torno da ilha. Por longa extensão, as águas ficam rasas e surge uma coroa de areia que permanece ao sol por cerca de seis horas. São as chamadas marés baixas.

Este fenômeno facilita o trabalho das marisqueiras na pesca artesanal de papa-fumos e outros bivalves, por sinal, um dos sustentáculos alimentares de boa parte da população local.

Esse mesmo fenômeno é encontrado na península de Itapagipe e no subúrbio ferroviário, principalmente em frente à Plataforma.
Maré baixa em Maré

Acontece o mesmo na Ilha de Itaparica, por exemplo? Não acontece! A maré vaza efetivamente, mas não se formam corroas de areia.

Se formos classificar as duas ilhas por este motivo, poderíamos dizer que Itaparica é uma ilha sem maré baixa e a outra seria uma Ilha de Maré baixa.

Parece que faz sentido a comparação ou, pelo menos, encontrou-se uma hipótese de tentar explicar o significado do nome Ilha de Maré com as ressalvas necessárias que casos tais precisam ter.

Claro que estamos aceitando comentários e sugestões.

sábado, 6 de novembro de 2010

ILHA DE MARÉ – SEU ANTIGO CAMPO DE FUTEBOL E SUA MOQUECA DE CACONETE

Ilha de Maré

Os atrativos da Ilha de Maré começaram a ser percebidos pelos moradores de Itapagipe durante as décadas de 1940/50. Naquele tempo, ninguém tinha lancha ou escuna, mesmo catamarã. Esse tipo de embarcação só foi introduzido no Brasil nos anos 1960 quando o português chamado “Manelis” navegou até o Maranhão via Jericoacoara, Ceará e criou família na praia de Outeiro. Hoje São Luis do Maranhão é considerada a capital dos catamarãs pelo grande número de barcos dessa classe.

Desde aquele tempo - 1940/1950- já era famosa a moqueca de caçonete de Maré.


Por causa dela, quase aconteceu uma tragédia shakespeariana. Veja a sua história:

Era muito comum naquela época cada bairro ter seu time de futebol, inicialmente formado na praia e quando se sentia forte, aventurava-se pelos campos de Salvador e da Várzea, como Papagaio em Itapagipe; Tupi na Boa Viagem, Galícia na Barra e Periperi na várzea, entre outros.

Em Itapagipe formou-se o Esporte Clube 2 de Julho, camisas verde e amarela, naturalmente. Apesar de merecer, o time tinha esse nome não em homenagem à data magna da Bahia, mas pelo fato de que a maioria dos seus integrantes moravam na antiga Rua 2 de Julho,hoje Visconde de Caravelas, paralela da Avenida Beira-Mar à esquerda e do Porto dos Mastros, à direita.

Pois bem! O "grande clube" foi convidado a jogar em Ilha de Maré contra a seleção local. Os organizadores estavam garantindo uma belíssima moqueca de caçonete.

Num domingo pela manhã os atletas embarcaram num saveiro de dois panos pertencente ao pai de um dos jogadores. Viagem maravilhosa com vento apopado. Chegaram por volta das 10 horas sob uma chuva de foguetes de flechas. A ilha estava em festas por causa do grande jogo.

Após a viagem, seria prudente que os jogadores descansassem. Não foi o que aconteceu. Botaram suas sungas e foram se deliciar com ás águas maravilhosas da ilha. Naturalmente tomaram uma cervejinha e comeram seu abará. Paqueraram as nativas da ilha e só saíram da praia na hora da moqueca. Realmente, algo excepcional, feita pela mais famosa cozinheira da ilha.

Às 15 horas teria inicio o encontro futebolístico. Teria que ser assim cedo, por causa da volta dos jogadores visitantes. Senão teriam que viajar à noite, o que não era muito aconselhável.

Garboso o 2 de Julho entrou em campo, campo este que era puro barro. Só tinha verde, fora das quatro linhas. Do outro lado, entrava a seleção local, saudada por uma bateria de foguetes. De logo, o juiz que era da Federação Bahiana de Desportos Terrestres, a FBDT, vindo de Salvador, notou que havia algo de errado. Enquanto os jogadores do 2 de Julho estavam de chuteiras os do time local estavam descalços.



Chamou ao centro do campo os dois capitães e lhes fez ver que, para que o jogo se iniciasse, haveria de ter uma uniformidade de equipamento. Ou os jogadores do 2 de Julho tiravam suas chuteiras ou os jogadores da seleção local colocariam as suas.

De logo, o capital da seleção explicou que eles não tinham chuteiras, nunca jogaram de chuteiras e que isto era coisa de “profissionais”. Já o capitão do 2 de julho explicava que num campo como aquele, de barro, era impossível jogar sem chuteiras. Iriam estourar totalmente os pés.

Criado o impasse, o Dois de Julho começou a se retirar de campo. Não haveria jogo. Embarcariam de volta para Salvador.

Nesse momento entrava em campo o Presidente da liga local. O cara tinha quase dois metros de altura. Portava na cintura um facão. Brilhava ao sol! Chamou o capitão da equipe visitante ao lado e lhe disse baixinho e pausadamente : “vocês vieram aqui; foram recebidos com fogos; comeram a minha moqueca e agora estão dizendo que não jogam? Ou vocês jogam ou ninguém vai sair (vivo) dessa ilha”. O “vivo” foi dito no ouvido, bem baixinho, mas com ar de verdadeiro. O grupo amarelo e verde, agrupado ao lado do campo, ouviu do capitão o recado do presidente da liga. Confabularam. Ou jogamos ou vai haver uma tragédia. Tiraram as chuteiras. Jogaram. Perderam de 7x0. Ganharam imensas e doloridas bolhas de sangue nos pés. Retornaram a Salvador. Vez em quando colocavam os pés n’água procurando aliviar a dor.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

BAIA DE ARATU

Costuma-se dizer que a Baia de Aratu é uma “baía dentro de uma baia”. Acho pouco e até por vezes injusto e/ou depreciativo. Em nosso entender a Baia de Aratu é a apoteose mais btilhante que a Baia de Todos os Santos poderia ter. O espetáculo dela própria – Baia de Todos os Santos – Já foi maravilhoso quando tratamos sua parte oeste aonde se situa o Subúrbio Ferroviário. Se após isto, incluirmos as 56 ilhas que dela fazem parte, será necessário muito fôlego, muita cor e brilho e, principalmente, inspiração.
Mapa da Baía de Todos os Santos

Em postagem bem anterior, o geólogo Sérgio Netto explicou que as baias se formam pela força das águas penetrando terra à dentro. Isto é, elas não se formam por si mesmo, dentro dela por qualquer manancial de água próprio, como são os casos dos lagos que se originam dessa maneira. A coisa vem de fora com uma fúria imensa que só os mares conseguem ter.

No caso específico, talvez não tenha sido necessária muita força. O espaço deveria ser todo ele uma floresta de mangues e as águas foram penetrando por entre as árvores, maciamente, desenhando seus caprichosos caminhos e lagunas internas. Eis o resultado:



A bela Baía de Aratu

A nome Aratu origina-se de um caranguejo desse mesmo nome, o Goniopsis cruentata, uma espécie de porte médio, coloração vermelha com pequenas manchas ora brancas, ora escuras, em seu casco cor de cinza ou talvez cor de chumbo.

O belo caranguejo vermelho
Aratu circulando

A espécie é também conhecida como aratu-da-pedra, aratu-marinheiro, aratupeba, aratupinima, carapinha e marinheiro। Vive em mangues. Tem hábitos noturnos. Como não constrói buracos, invade os buracos dos caranguejos de outras espécies. É também chamado de Espia-moça, Túnica ou Artu. Esperto o bichinho! Às vezes pega alguém desprevenido.

A Baia de Aratu abriga em seu interior a Base Naval de Aratu, o Porto de Aratu, um estaleiro e duas marinas (Aratu Iate Clube e Marina Aratu);

Porto de Aratu

A Base Naval de Aratu está localizada na Baia de Aratu.. Começou a operar em 1º de janeiro de 1970. Portanto, tem 40 anos. Possui dois cais, um dique seco, oficinas, heliporto e alojamentos.
A base possui um moderno Complexo de Magnetologia que desenvolve pesquisas e análises na área e o controle magnético das embarcações da Marinha do Brasil।

À seguir transcrevemos um trabalho organizado pelo Ministério da Defesa do Governo Brasileiro:

“As terras onde hoje se instala a Base Naval de Aratu pertenciam a Antonio Torres, um rico comerciante portugues e proprietário de diverwsos navios que comercializavam especiárias. A idéia de construção de uma base naval na área correspondente as antigas fazendas da Ponta da Areia, Pombal e Boca do Rio remonta ao ano de 1883, quando o Primeiro-Tenente Antônio Alves Câmara, então comandante da canhoeira “Traripe” foi incumbido com a missão de realizar o levantamento de um local apropriado para a mudança do Arsenal de Marinha da provincia da Bahia.
Mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, a Marinha dos Estados Unidos construiu bases navais ao longo de todo o litoral brasileiro. Na cidade de Salvador foram criadas duas bases navais: uma base aeronaval em Aratu e outra destinada a prestar apoio logístico a “destroyeres” (denominada Base “Baker) localizada em frente ao porto de Salvador na área onde hoje funciona o Grupamento de Fuzileiros Navais. Após a guerra, estas bases foram entregues ao Brasil, ficando inicialmente a Marinha com a base aeronaval de Aratu.
Assim, no ano de 1949 surgiu a idéiam de construir uma base naval em Aratu. Entretanto, devido a vários motivos, somente em 1959 foi aprovado o ante´projeto de construção pelo então Ministro da Marinha, Almirante de Esquadra Sylvio de Noronha. A Base Naval foi criada pelo Decreto 64.630 de 03 de junho de 1969, entrando em funcionamento em 1º de janeiro de 1970".

Área Verde- Belíssima
Base Naval de Aratu


O Porto de Aratu é um porto brasileiro localizado no estado da Bahia, na baía de Todos os Santos, no município de Candeias, na baía de Aratú, próximo à entrada do canal de Cotegipe, em frente à costa leste da ilha de Maré.
O porto é responsável por 60% de toda a carga movimentada em modal marítimo na Bahia, portanto possui grande importância para a economia da Bahia, pois serve como meio de escoamento da produção e da entrada de produtos para o Pólo Petroquímico de Camaçari, o Centro Industrial de Aratu (CIA) e o Complexo da Ford de Camaçari.
Em 11 de abril de 1966, foi criado o Centro Industrial de Aratu e, em 17 de dezembro de 1968, o governo federal autorizou à Usina Siderúrgica da Bahia S.A. (Usiba) a construção de um terminal de uso privativo na Ponta da Sapoca, na Baía de Todos os Santos. Decorridos cerca de três anos, foi aprovado, em 1 de outubro de 1971, pelo Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis do Ministério dos Transportes, o projeto de implantação do Porto de Aratu e foram iniciadas, na mesma data, as obras a cargo do governo estadual. A inauguração das primeiras instalações de acostagem e depósitos ocorreu em 26 de fevereiro de 1975, com a atracação do navio Guanabara.


Porto de Aratu
Porto de Aratu

Por fim, o Aratu Iate Clube. Belíssimo. Muito bem localizado. Talvez o clube de iate mais vibrante da Bahia. Suas regatas são constantes e bem disputadas.
Ancoradouro

Uma das concorridas regatas do Aratu Iate Clube

SUBÚRBIO FERROVIÁRIO DE SALVADOR TAMBÉM É CIÊNCIA

TRABALHO ORGANIZADO PELO GEÓLOGO SÉRGIO NETTO


Dr. Sérgio Netto- de camisa azul

Imagem de radar tomada obliquamente sobre a Baia de Todos os Santos. A tomada obliqua ressalta as feições alinhadas. Observe o alinhamento que passa pelo elevador Lacerda, continua pela Ribeira e Lobato, e segue pela Av.Suburbana. Este alinhamento é o traço da ‘Falha de Salvador’, uma descontinuidade geológica que limita a Bacia do Recôncavo a leste. A bacia é uma depressão na crosta continental, com cerca de 50 km de largura, cuja borda oeste é também visível na imagem, passando em Maragogipe. A depressão afundou durante 50 milhões de anos e dentro dela se acumularam 5 km de rochas sedimentares  (uma mixaria, em média 1m a cada 10 mil anos!).

Ao longo da borda leste da Bacia do Recôncavo, no bloco baixo da zona de falha, acumularam-se os conglomerados da Formação Salvador, que afloram entre o forte do Monte Serrat e a igreja da Ponta. Estes conglomerados estão representados em mapa e em seções geológicas na figura abaixo, e são eles que constituem os reservatórios de petróleo em Lobato. Como a área de Lobato está bem na borda da bacia, geólogos desavisados acharam que a ocorrência dita de petróleo nos anos 30 não era possível porque entenderam que o oil-seep estava no embasamento.




terça-feira, 2 de novembro de 2010

SUBÚRBIO FERROVIÁRIO DE SALVADOR 17 - INEMA

A Praia de Inema é uma das mais belas praias do Brasil, quiçá do mundo. Areias brancas, mar sempre com um azul muito bonito e um entorno magnificio ainda de mata atlântica e coqueirais.

Praia dos Presidentes. Tanto Fernando Henrique Cardoso como Lula passaram férias nessa praia que tem a proteção da Marinha do Brasil.

Extranhamente, contudo, o significado da palavra “Inema” em tupi guarani nada condiz com o que está se dizendo. Surpreende até: “água apodrecida”.

Diante da surpresa que nos assalta, fomos pesquisar nomes parecidos com o de Inema e o mais próximo que encontramos foi “Ipanema” onde, em vez do “i” de Inema, temos o “ipa” de Ipanema. E fomos ver o que significava Ipanema: coincidentemente, significa “água suja”.

Diante dos fatos, nos preocupamos em saber se realmente Inema e Ipanema eram palavras tupi-guarani. Poderia ser originária de outro idioma. Mas parece que não, desde que o tupi-guarani era falado desde o Maranhão até o Rio Grande do Sul, indistintamente.

Vejam o que dizem os estudiosos do assunto:


Praia de Inema em dois flagrantes

A língua nativa, oficializada pelo uso, até fins do século XVII, era a tupi। A fala importada do colonizador como a dos visitantes, tinha ficado reduzida aos documentos oficiais e aos livros administrativos civis e eclesiásticos.

"O idioma tupi, também conhecido por língua geral, composto e interligado por dialetos tribais diversos (tupiniquim, tupinambá, tupinaé, tabajara, etc।) formava um único linguajar autóctone, de norte a sul da colônia portuguesa. Era falado por todos, nas casas e nas ruas, nas escolas e nas igrejas. Usavam-no o índio como o branco, o mulato e o negro recém-chegado. Foi chamado por eminentes gramáticos da época, "a língua mais falada na costa do Brasil", e classificado por doutos lingüistas (Anchieta, Figueira, Montoya) como "fácil, suave, elegante e copiosa". Era a língua geral, a língua do Brasil”.

Daí partimos para o porquê do significado। O mais provável seria pela localização geográfica da praia e as consequências desse fato. Olhando Inema do alto, percebe-se que ela é praticamente a última praia do contorno litorâneo do subúrbio.

Será que os dejetos de toda a faixa litorânea do subúrbio iam se depositar em Inema nas marés de enchente, tornando-a suja?

Atualmente, temos um exemplo muito sgnificativo desse fenômeno. São os casos de Cabucú, Bom Jesus e Saubara. Ficam no fundo da Baía de Todos os Santos. Grande parte do lixo de Salvador, inclusive o provocado pelos Alagados dos Tainheiros, vão se depositar em suas praias.

Nota: recomendamos nossa postagem datada de 30/3/2010 com o título “Baia de Todos os Santos – 1ª parte.

Poderia ser algo assim de relação à Inema. E porque não é mais, haverão de perguntar muitos? A praia é toda limpa, alvíssima. Efetivamente, contudo há de se registrar que suas águas não são tão limpas assim. Não são, por exemplo, como as do Morro de São Paulo, de águas abertas.

Falando em águas limpas os indígenas chamavam esses locais de Ipatinga. Já as águas avermelhadas por detritos de mangue vermelho, chamavam de Ipitanga. Já as águas turvas que deviam ser às de Inema, chamavam de água suja, sem serem necessariamente poluídas.

A praia de Inema fica à 40 quilômetros de Salvador por estrada rodoviária. Já por linha ferroviária, essa distância cai para menos da metade. Por exemplo, os trens que saem da Calçada chegam à Paripe após percorrerem 15, 5 quilômetros. Daí apara Inema é um pulo.

Esse fato, torna a ferrovia Calçada-Paripe, extremamente estratégia em termos militares. Além de ser mais curto o percurso, é uma segunda opção de saida ou de entrada.

Isto não quer dizer que quando a ferrovia foi construída pensou-se nesse detalhe técnico-militar. Aquele tempo, 1860, ainda não existia a Base Naval de Aratu e ela própria devia ser um ainda intocável pararioso ecológico.

Águas de Morro de São Paulo




A Enseada Inema



A extraordinária praia de hoje- Areia muito alva.



Vista do mar



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

SUBÚRBIO FERROVIÁRIO DE SALVADOR – 16 - PARIPE

Paripe e São Thomé de Paripe se confundem em si mesmos. O primeiro seria o centro comercial e residencial; o outro seria a sua praia.

Vamos unificar a coisa chamando tudo apenas Paripe. Embora atualmente faça parte da cidade de Salvador, no século 18 era apenas um “julgado”, ou seja, um povoado de administração independente.

No século passado até meados de 1970, o bairro era local de veraneio de muitas famílias de Salvador que construíram diversas chácaras, algumas ainda hoje existentes. Foi mais ou menos a mesma coisa que aconteceu em Itapagipe, só que na península foram construídas verdadeiras mansões.

Outra coisa que Paripe se assemelha a Itapagipe refere-se à poluição industrial. Nesta última foram montadas 35 indústrias de diversos ramos. Em Paripe foi montada apenas uma, mas uma que valia por todas de Itapagipe. Trata-se da Indústria de Cimento Aratu. Um monstro! Procuraram o lugar mais bonito de Paripe, seu penedo que o separa da Praia de Inema, e instalaram o monstrengo:



Fábrica de Cimento Aratú

Além da localização, prejudicando o visual do morro, essa industria retirava do mar a sua matéria prima. Foram milhões de metros cúbicos de calcário marinho. Consequentemente, esta operação prejudicou para sempre uma das áreas mais piscosas de Salvador, tanto é que sua principal praia chama-se Tubarão. Certamente havia abundância dessa espécie na área. Até há pouco tempo uma das atrações culinárias do subúrbio eram as moquecas de caçonete de Ilha de Maré, ali próxima.

Outra marca de Paripe como uma área de suma importância ambiental, é o próprio significado de seu nome. Quer dizer ou significar curral de peixes.

Em nosso busca para determinar o verdadeiro significado do nome Paripe, deparamo-nos com informações deturpadas ou apenas aproximadas.: “viveiro de peixes” e “coisa de pesca”.

Claro que o mar é um viveiro de peixes e estando numa praia, Paripe podia ser uma coisa de pesca.

Definamos, portanto, de uma vez por todas, o seu significado. Simplesmente curral de peixes e para que não fique nenhuma dúvida sobre o mesmo, vejamos algumas fotos de currais de peixes pelo Brasil afora:


Currais de peixes

Como funciona? Como se vê nas fotos, faz-se um espaço de paus e redes durante o período da maré baixa. Uma espécie de curral. Há uma entrada, naturalmente, fácil de penetrar, mas complicado para sair. Digamos que até impossível. Dentro são colocados objetos brilhantes e mesmo pedaços de frutas como abóbora e outras. Quando a maré enche, os peixes entram no curral e não conseguem sair. Na maré baixa, são recolhidos.

Nota: as marés enchem e vazam num período de cada 6 horas, aproximadamente.

Na parte comercial, há que se destacar em Paripe o seu Centro de Abastecimento. Foi inaugurado em novembro de 1994 pelo então governador Antônio Carlos Magalhães. A proposta da criação do mercado, foi a retirada dos ambulantes das ruas do local e até das marginais da via férrea.
Mas não adiantou. Hoje, vê-se em Paripe centenas de pequenos negociantes por todos os lados da pequena cidade. Tem até uma indústria na rua. Os caras constroem armações de ferro para lajes e coluna. São diversas.
Na parte espiritual, digamos assim, há duas igrejas em Paripe. Uma em louvor a Nossa Senhora do Ó e a outra a São Thomé, esta última construída pelos jesuítas no século XVI. É uma das mais antigas igrejas de Salvador.


Igreja de São Thomé

Como se vê na foto, está abandonada. O mato toma até suas paredes. Coisas de nossa Bahia.
Já que falamos em São Tomé, vamos ver quem foi o homem de Deus.
A origem de seu nome: os teólogos discordas a respeito da verdadeira identidade de São Tomé, - sem o h – Dizem eles: “Tomé não é propriamente um prenome, mas sim a palavra equivalente a gêmeo, vindo do aramaico Tau’ma, e posteriormente traduzida para o grego Didymus.

Complementam:
“Muito se discute de quem esse Judas Tomé seria irmão gêmeo. Outros, inclusive, acreditam se tratar de Judas Tadeu, irmão de Tiago Menor, tendo-se confundido-o com uma terceira pessoa apenas porque seu nome teria aparecido com a alcunha Gêmeo algumas vezes em vez de Tadeu. “

Vejam mais sobre São Thomé:

“Quando, em 1624, os padres Montoga e Mendonza fundaram a vila de Encarnación, importante missão jesuítica posteriomente destruída, tiveram curiosidade em saber o que pensavam os selvícolas a respeito do mate, bebida que já constituía um hábito característico do Paraguai. Tiveram por resposta que a erva-mate lhes servia de alimento e remédio desde o dia em que Pai-Zumé, um estranho personagem que há muito tempo estivera naquelas tabas, lhes ensinara como aproveitar as folhas da caá (que até então julgavam venenosas), e como lhes usufruir os efeitos medicinais. Contavam também os indígenas que Zumé era um homem poderoso: as selvas brutas conservavam intacto o caminho por onde ele passara, desde o Tibagi até o Piquiri; e às margens deste rio, Zumé havia deixado, numa pedra, o sinal de seus pés - testemunho eterno de sua passagem por aquelas terras.Os dois jesuítas logo aliaram a figura de Zumé à pessoa de São Tomé, o apóstolo que provavelmente teria visitado o continente americano pregando a doutrina de Cristo. A versão cristianizada da lenda logo se espalhou entre as populações brancas, e em breve era voz corrente que a erva-mate havia sido descoberta e benzida pelas mãos de São Tomé”

São Thomé



Nossa Senhora do Ó


Também vamos recorrer aos entendidos para falar sobre ela. É claro!

“Após o pecado original, Deus prometeu a Adão que viria um Redentor. A humanidade ficou séculos esperando o nascimento d'Aquele que nos abriria as portas do Céu. Especialmente no povo eleito, havia os que aguardavam o nascimento desse Salvador, o Messias. E sobretudo esperava-O ardentemente uma donzela pertencente ao povo judeu: Maria Santíssima.

Para celebrar essa expectativa de Nossa Senhora, o anseio e a alegria com que Ela aguardava o nascimento de seu divino Filho, determinou a Igreja que a última semana antes do Natal fosse denominada “da expectação” ou “da esperança”. E que esses desejos estivessem refletidos nas antífonas do Ofício ou Breviário que devem rezar sacerdotes e religiosos.

Por coincidência, nessa mesma semana elas começavam todas por Ó!. Assim eram lidas as antífonas Ó! Sabedoria, Ó! Emmanuel, Ó! Rex Gentium, Ó! Adonai, Ó! Radix Jesse, Ó! Clavis David etc. Antífonas que terminavam todas com a invocação “Veni”, vinde.”

Só acrescentaríamos que Nossa Senhora do Ó é uma devoção mariana surgida em Toledo na Espanha.

Por fim, resta-nos falar de sua bela praia– Tubarão. Uma praia tranquila, limpa de uma beleza extraordinária. Todos os dias, principalmente nos fim de semana, milhares de pessoas se dirigem a ela.

Melhor do que palavras, desfilaremos uma série de fotos, através das quais o leitor poderá melor avaliar o que dela se fala em todo o mundo.