quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ILHA DE MADRE DE DEUS

Madre de Deus também já pertenceu à Salvador até 13 de junho de 1989. Nessa data, foi desmembrada de acordo com Lei Estadual.

Foi colonizada pelos jesuítas desde o século XVI qundo era chamada pelos índios de Cururupebas, significando na lingua deles sapo miúdo: sapo (kururu) miúdo (peba). Também foi chamada de Madre de Deus do Boqueirão. Ainda hoje, há quem a chame de Boqueirão. Os pescadores, principalmente.

Até a década de 1950 quando a Petrobrás se instalou na ilha, Madre de Deus era um verdadeiro paraiso. Nela veraneavam dezenas de famílias residentes em Salvador. Tivemos um amigo, Dr. Gaminha, professor da Faculdade de Medicina que tinha casa em Madre de Deus. Falava dela com orgulho. Um dia encontramos com o médico e perguntamos sobre a casa. Respondeu – o petróleo acabou com ela.

Não sabemos se foi devidamente indenizado. O certo é que o doutor Gaminha nunca mais foi à Madre de Deus. Deve ter tido prejuízo financeiro, afora aquele de órdem emocional que lhe deve ter apressado a morte.

O mesmo aconteceu com a população local, a maioria constituída por pescadores. Suas casas foram demolidas para dar lugar aos oleodutos, tanques e demais apretechos que se faziam necessários à indústria.

Contudo, este não foi o maior prejuizo dessa gente. Todo o ecosistema da região foi modificado. A produção pesqueira, mariscos principalmente, caiu a níveis impressionantes. Praticamente acabou com a atividade.

Do outro lado, setores favoráveis à atividade petrolífera na área, devem alegar que a empresa paga mensalmente royalties à Prefeitura e houve uma melhoria do mercado de trabalho.

Há muitas restrições e dúvidas sobre esses benefícios. Diz-se que a população no seu conjunto não se beneficia à altura dos lucros da empresa e do município. Ainda mais: a sede municipal é totalmente desfigurada pelos oleodutos que são visíveis na paisagem, desde Candeias”.

E há um detalhe importante sobre o salário médio mensal dos trabalhadores de Madre de Deus. Pensa-se que ganham muito bem, desde que estão no centro das atividades petrolíferas da Bahia. Ledo engano! Enquanto na microrregião de Salvador esse salário está na órdem de R$834.32 em Madre Deus ele se acha em R$517.29! Isto mesmo e sabem porquê?
A absorção da mão de obra local se limita à vagas de baixa qualificação. A esses homens são destinadas as tarefas mais árduas e braçais, pouco remuneradas e de alta precariedade social.

Em verdade, à luz dos fatos, não se esperava outra coisa. A cidade abrigava extrativistas na pesca e na mariscagem. Dominavam essa técnica. Já aquela outra de petróleo, só com treinamento muito caro, além da precariedade de tempo.

Ainda um pouco de lazer
Terminal Marítimo
Madre de Deus - Vista do Mar
Ilha de Madre de Deus - Vista do alto por Google

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ARATU IATE CLUBE – UM GRANDE CLUBE SÓ DE IATES

Nesse périplo que estamos fazendo pela Baía de Todos os Santos que inunda de beleza toda a Cidade Baixa de Salvador, estivemos em Aratú e falamos da importância estratégica da Base Militar que ali existe; da importância econômica do seu Porto e de passagem, referimo-nos ao Aratu Iate Clube. Dissemos, na oportunidade, que era o clube de iate mais “vibrante” da Bahia em razão do seu calendário de regatas sempre muito intenso e concorrido. Não sabíamos, entretanto, que era um clube eminentemente técnico.

O que se quer dizer com isto? “Eminentemente técnico”. Passamos a esclarecer:

Qualquer pessoa que queira se filiar a este clube não pode fazê-lo simplesmente comprando uma ação, como é costume geral. É necessário também que ele possua um iate. Os dois têm que ser registrados para começar a valer a freqüência.

E tem que ser um iate, mesmo sendo ele pequeno? Não pode ser uma lanchona de grande potência e luxo extraordinário por dentro? Não pode, nem de falar. É um palavrão para o verdadeiro iatista.

Lembramo-nos de nosso pai. Era pertencente a este tipo de gente. Aos 80 anos ainda dirigia sozinho um catamarã parecido com este da foto.



Navegava com ele quase todos os dias nas águas internas de Cabuçu e Saubara। Certo dia, competindo com um amigo em outro catamarã de Itaparica para Saubara, teve um enfarte. Fez sinal para o parceiro, mas este não entendeu devido a distância que se encontravam. Deitou-se no iate com os pés segurando o leme e após longo percurso, “bicou” na praia de Cabuçú. Levantou-se e caiu de novo. Felizmente ainda não foi desta vez. Pegaram-no tonto e o levaram para Feira de Santana onde se recuperou. Disse-nos ele que preferia ter morrido naquela oportunidade. Morto se sentiu quando o médico o proibiu de voltar a velejar.



Pois bem, esse iatista de nome Manoel Gantois, era como são os iatistas do Aratu Iate Clube da Bahia। Não querem nem ouvir falar de lancha. Passam ao largo. Não querem sua presença junto aos seus iates. Tapam os ouvidos quando elas se aproximam aí pelos mares.




Pelo que se sente, precisamos falar mais do Aratu Iate Clube, um clube que poderia ser de nosso pai. Estava mais de acordo com seu perfil do que mesmo o belíssimo e extraordinário Yacht Clube da Bahia, do qual foi seu diretor de vela na gestão de Manços Chastinet.

Informa-nos o amigo Sérgio Netto, dono do Pinauna, um belíssimo catamarã do Aratu Iate Clube o que segue:

"É um clube de serviço, com 300 sócios, todos proprietários de embarcações. Nas origens aceitava lancha, hoje está restrito a veleiros, resguardados os direitos daqueles que tinham lancha quando da edição dos novos estatutos, em 2000. Sócio novo só com barco a vela. Do que conheço é o maior do Brasil em numero de veleiros, e se faz representar em eventos esportivos nacionais. Este ano mesmo os associados conquistaram o primeiro lugar em três classes na regata internacional Recife-Noronha; participamos da semana de vela de Ilhabela, em São Paulo; um sócio está no momento num cruzeiro de volta ao mundo, e um grupo de velejadores de cruzeiro costuma sair toda semana na quinta-feira retornando no domingo. Os casais jovens usam o veleiro como um meio de educar os filhos numa atividade saudável e competitiva. Os casais mais idosos usam o clube e o seu barco como um estilo de vida, no ambiente de confraternização de uma grande família. Ao invés de salão de festas o clube tem uma oficina equipada com ferramental (torno, prensa hidráulica, bigorna, compressor, furadeira profissional, esmeril) para uso dos associados, e conta com prestadores de serviço e lojas de material náutico nas instalações do clube. Tem um grande pátio de serviço onde os veleiros podem ser docados para serviço em seco, com acesso por uma rampa de concreto. A gestão do clube é feita por um conselho deliberativo eleito em assembléia geral, o qual define a filosofia e as prioridades, e escolhe a cada dois anos uma diretoria executiva e um comodoro que representa a entidade. Recebemos visitantes de todo o mundo e temos convenio de reciprocidade por todo o continente.
Para quem chega ao clube pelo mar as instalações oferecem tudo o que o velejador precisa: banheiro limpo com água quente, restaurante de boa qualidade, acesso a terra com serviço de secretaria para desembaraço, acesso a internet wireless, telefone publico, lojas para reabastecimento, água e combustível, serviço de segurança e vigilância 24 horas por dia. Durante a semana o restaurante é aberto ao publico para almoço. É um ambiente agradável e de paz, num porto de aguas quentes protegido para todos os ventos".




Fundado em 5 de outubro de 1961
Rodovia Paripe Cia, Km 2,5 Ilha de São João
Simões Filho - Bahia
CEP - 43700-000


ILHA DOS FRADES - 2

Como dissemos na postagem anterior, a Ilha dos Frades pertence a Salvador e está próxima à Ilha de Maré. Possui 6 km de extensão, aproximados 1335 hectares. Pequena, mas extremamente bela. Já é uma reserva ecológica, fato homologado em 1982. Tem belíssimas praias, montanhas, cachoeiras e lagos. Sua Mata Atlântica está bem conservada. Ainda pode ser encontrado o pau-brasil entre as espécies

Suas belas praias, morros, enseadas e tudo!




Vista do alto, percebe-se que tem o formato de uma estrela de muitas pontas. Fala-se que são 15 pontas! Esta característica proporciona a formação de pequenas enseadas em todo o seu entorno. Fica a 20 quilômetros de Salvador, medindo a partir do Cais do Porto.

Possui um riquíssimo patrimônio arquitetônico como sejam a Igreja de Nossa Senhora do Loreto do século XVIII, a de Nossa Senhora de Guadalupe do mesmo ano e a de Nosssa Senhora do Bom Parto da mesma época, bem como as ruínas de um lazareto e de um armazém de quarentena de escravos.


SENSACIONAL!
O mar em frente e a mata como fundo


Nossa Senhora do Gaudalupe

Cais caprichado
Cais da Ponta de Nossa Senhora
Mora muita gente
Inclusive, gente mais sofistificada

Paraíso dos Turistas
Mais paraíso
Vegetação irretocável
Ruínas de uma antiga igreja - Tinha que ter

Acesso ao ancoradouro
Ancoradouro

A ilha como um todo - Próxima ao Temadre

Temadre

Já falávamos em ruínas na postagem anterior sobre a ilha. Naquela oportunidade, referíamos à Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, caindo aos pedaços. Agora, deparamo-nos com novos destroços quais sejam um lazareto que foi construído no local e o tal do armazém de quarentena de escravos.
Consideramos que há um grande descaso em relação às coisas patrimoniais e históricas de nossa terra. Não dissemos, entretanto, o porquê desse abandono. Fazemo-lo agora: há noticia de que existe na ilha uma pequena vila conhecida como “Vilarejo de Ponta de Nossa Senhora” onde seus moradores não passam de 50 almas.
Consequentemente, numa extensão de cálculos demográficos, a população da ilha não deve ser superior a 400 pessoas, talvez 500.
Pronto! Está explicado o porquê do descaso dos poderes públicos de relação à Ilha dos Frades. Não é um lugar forte de votos. Excluindo as pessoas que não votam – idosos e crianças, o quadro eleitoral não deve ultrapassar a uma centena de eleitores. Logo, não tem político que se interesse por um lugar deste.
Interesse tem os baianos e turistas que gostam de lindas praias, quase virgens, como a de Ponta de Nossa Senhora, Paramana, Tobar e Viração. Essas, felizmente, não sofreram a ação do tempo.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

ILHA DOS FRADES

Da mesma forma que Ilha de Maré pertence a Salvador, Ilha dos Frades também lhe faz parte. Ambas são antigas em termos de posse de seus espaços pelos membros da Igreja Católica: Maré em 1584 com a construção da Igreja de Nossa Senhora da Neves e dos Frades em 1640 com a elevação da Igreja dedicada a Nossa Senhora de Guadalupe.

Igreja Nossa Senhora do Gaudalupe

Sensacional localização
Um cais sofisticado
Paraíso dos turistas
E como!

Ancoradouro

Cais da Ponta de Nossa Senhora


Mora muita gente
Veranistas também


A Ilha como um todo- Próximo do Tremadre
TREMADRE
Ruinas de antiga igreja
Nossa Senhora das Neves

Mais não é só de beleza que a ilha existe. Conta-se que houve uma grande tragédia em seu espaço: dois frades que chegaram à ilha para catequizar os índios que a habitavam, foram devorados pelos mesmos. Isto mesmo. Comidos! Diz-se, então que esta igreja onde os padres moravam, fora abandonada. Seria uma forma de esquecer a tragédia. Ninguém dela se aproximava. Foi abandonada.

Porque os índios agiam assim naqueles tempos? Simplesmente porque eles entendiam que devorando as pessoas mais inteligentes ou com variáveis que eles não possuíam, absorveriam para si essas qualidades.



segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ILHA DE MARÉ – SUAS IGREJAS, PRAIAS E POESIA

A Ilha de Maré tem 16 km2 de extensão. Fica nas proximidades da Baía de Aratu. Diz-se até que ela faz parte desse acidente geográfico. Aí é demais para tanta beleza!
Proximidades
Localização

O mar de Maré

As rendas de Maré
 
Foi povoada desde muito cêdo. Há registros de que já em 1584 foi construída a Igreja de Nossa Senhora das Neves em seu espaço.
 
Nossa Senhora das Neves
 
Das Neves? Isto mesmo, apesar de toda a Mata Atlântica que Maré possuía e ainda possue com seu clima absolutamente tropical. O fato é justificado pela maior importância da representação do que mesmo do local. Por isso, vale a pena contar essa história.

Vivia em Roma um ilustre descendente de nobre família romana. Não possuía herdeiros e aí resolveu “consagrar” sua fortuna à glória de Deus. Em determinado dia, a Rainha do Céu apareceu-lhe em sonhos e disse-lhe: – “Edificar-me-eis uma basílica na colina de Roma que amanhã aparecerá coberta de neve”.
Apesar do calor que fazia naquele agosto, no dia seguinte o monte Esquilino estava coberto de Neve para espanto de toda a população e mesmo do Papa Libério que para lá se dirigiu.
O Monte Esquilino é uma das sete colinas de Roma. Era repleto de carvalho. Todos ficaram em meio à neve que se formou.
Construída a igreja a mesma foi denominada de Nossa Senhora das Neves em razão do fenômeno climático.
Além da Praia das Neves, Maré possue ainda a Praia de Itamoabo onde está situada outra tradicional igreja dedicada a Nossa Senhora de Santana daí a praia do mesmo nome, mais a praia do Botelho e Praia Grande.
 
Praia do Botelho
 
O nome Botelho é em homenagem ao poeta barroco brasileiro, Manoel Botelho de Oliveira. Foi o primeiro autor nascido no Brasil a ter um livro publicado.
Seu poema sobre Ilha de Maré é extraordinário। Eis um trecho do mesmo:

Jaz obliqua forma e prolongada
a terra de Maré toda cercada
de Netuno, que tendo o amor constante,
lhe dá muitos abraços por amante,
e botando-lhe os braços dentro dela
a pretende gozar, por ser mui bela.
Nesta assistência tanto a senhoreia,
e tanto a galanteia,
que, do mar, de Maré tem o apelido,
como quem preza o amor de seu querido:
e por gosto das preendas amorosas
fica maré de rosas.
e vivendo nas ânsias sucessivas,
são do amor marés vivas;
e se nas mortas menos a conhece,
maré de saudades lhe parece.
E por ai vai, em longos versos, o grande Botelho de Oliveira (1636/1711).

Agora só nos resta vê-la bem do alto


 

domingo, 7 de novembro de 2010

ILHA DE MARÉ – UMA HIPÓTESE PARA ORIGEM DO SEU NOME






Ilha de Maré em três aspectos

Botelho
Bananeiras

Esta é a segunda postagem sobre a Ilha de Maré. Pelo visto, estamos considerando que ela faz parte da Cidade Baixa de Salvador, desde que integrada no espaço da Baía de Todos os Santos que alcança todos os seus limites.

Na primeira, contamos a história de uma partida de futebol disputada na ilha com fim surpreendente e inusitado, mas verdadeiro। Na presente, fomos procurar o significado da expressão "Ilha de Maré", outro fato inusitado.

Buscamos por todos os lados saber o seu significado ou origem e nada encontramos. Não há nenhuma referência! Quando se pesquisa o assunto diz-se que é uma ilha existente na Baía de Todos os Santos. Claro que é! O que queremos saber é o porquê que ela é chamada de “Ilha de Maré”.

Em casos tais, há de se partir para conjecturas, ou seja, formar uma ideia baseada em suposições, aparências ou probabilidades, enfim, hipóteses.

A principal delas diz respeito ao fluxo e refluxo do mar em torno da ilha. Por longa extensão, as águas ficam rasas e surge uma coroa de areia que permanece ao sol por cerca de seis horas. São as chamadas marés baixas.

Este fenômeno facilita o trabalho das marisqueiras na pesca artesanal de papa-fumos e outros bivalves, por sinal, um dos sustentáculos alimentares de boa parte da população local.

Esse mesmo fenômeno é encontrado na península de Itapagipe e no subúrbio ferroviário, principalmente em frente à Plataforma.
Maré baixa em Maré

Acontece o mesmo na Ilha de Itaparica, por exemplo? Não acontece! A maré vaza efetivamente, mas não se formam corroas de areia.

Se formos classificar as duas ilhas por este motivo, poderíamos dizer que Itaparica é uma ilha sem maré baixa e a outra seria uma Ilha de Maré baixa.

Parece que faz sentido a comparação ou, pelo menos, encontrou-se uma hipótese de tentar explicar o significado do nome Ilha de Maré com as ressalvas necessárias que casos tais precisam ter.

Claro que estamos aceitando comentários e sugestões.