quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – SUA ÁGUA FAZ VELHA VIRAR MENINA

Não se pode falar em Itaparica sem que haja uma referência à sua água mineral proveniente da Fonte da Bica. Vamos começar com o painel ostentado no local e a foto da mesma:


Placa
Fonte da Bica

Segundo o rótulo das garrafas de água mineral, durante o período de sua comercialização, trata-se de águas bi carbonatadas e sulfatadas com teores de ácido carbônico, teor de radioatividade na fonte, a 20 graus centígrados de 0.82 meches.

A crença popular também indica que estas águas possuem um excepcional poder digestivo e diurético sendo recomendada especialmente para pacientes com problemas no fígado e baço.

"Água fina que faz velha virar menina". Era a sua maior propaganda. Afrodisiaca! Segundo análises de laboratórios, a água de Itaparica é semelhante à de Evian, na França, e age não pelo que leva ao organismo e sim pelo que dele tira.

Água mineral Evian - Francesa


A fonte dessa água foi descoberta durante a Revolução Francesa em 1789, na pequena cidade de Evian-des-Bains, próxima ao lago Léman (batizado de Lago de Genebra pelos vizinhos suíços). Tem sua origem na chuva e na neve que caem nos altos dos montes Chablais nos Alpes Franceses.

A de Itaparica tem origem no Morro de Santo Antônio. Mais simples!

sábado, 20 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – SISTEMA FERRY-BOAT

Fala-se muito hoje na ponte que ligará Salvador a Ilha de Itaparica. 70% da população são favoráveis pela sua construção. É um número expressivo! Seria menor se o Sistema Ferry-Boat fosse melhor. Desse percentual, certamente, a grande maioria já viveu as agruras de esperar na fila às vezes 12 horas ou mais. Para se ter uma idéia “espacial” do problema, num desses últimos feriadões, a fila de carros alcançou a Avenida Luís Tarquínio e a de pessoas, ficou perto do Largo de Roma. Só mesmo as belezas da ilha podem levar às pessoas a suportar este vexame.

Sempre foi assim? Não! Havia menos carros e menos gente। À medida que a população foi aumentando e, consequentemente, o número de carros foi crescendo, o sistema não acompanhou essa evolução.

Alegam seus arrendatários que é absolutamente anti-econômico manter um número elevado de ferries-boat além do necessário usado em dias normais। Os feriadões acontecem de vez em quando. Por exemplo, seriam necessários pelo menos mais cinco ferries.

Poderíamos até concordar com a tese, mas é justamente por isto que a ponte se faz necessária. (uma das razões sócio-econômicas de sua construção). É a tal da necessidade social. Até um determinado tempo não havia necessidade de mais ferries-boat, mas depois se fez necessário e muito e como esse aumento é por demais oneroso e insuportável (mais dias parados do que em movimento), a ponte terá que vir.
Terminal de São Joaquim

Terminal de Bom Despacho

Antigo Ferry-Boat

Novo Ferry-Boat

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA EM VERSO E PROSA

Ilha de Itaparica


Ao longo do tempo, Itaparica foi cantada em verso e prosa por diversos autores. É natural que isto acontecesse. Seus encantos enchem os olhos e o coração com cores e textura maravilhosas. Vejam, por exemplo, a descrição de sua fauna:

“Aqui se acha o marisco saboroso,
Em grande cópia e de casta vária,
Que para saciar ao apetitoso,
Não se duvida é coisa necessária:
Também se cria o lagostim gostoso,
Junto co'a ostra, que por ordinária
Não é muito estimada, porém antes
Em tudo cede aos polvos radiantes.
Os camarões não fiquem esquecidos,
Que tendo crus a cor pouco vistosa,
Logo vestem depois que são cozidos
A cor do nácar, ou da Tíria rosa:
Os c'ranguejos nos mangues escondidos
Se mariscam sem arte industriosa,
Búzios também se vêem, de musgos sujos,
Cernambis, mexilhões e caramujos.”


Ou a descrição de rios ou fontes e montes:


"Claras as águas são e transparentes,
Que de si manam copiosas fontes,
Umas regam os vales adjacentes,
Outras descendo vêm dos altos montes;
E quando com seus raios refulgentes,
As doura Febo abrindo os Horizontes,
Tão cristalinas são, que aqui difusa
Parece nasce a fonte da Aretusa.11
Amenos campos, amenas flores:
Aqui o campo florido se semeia
De brancas açucenas e boninas,
Ali no prado a rosa mais franqueia
Olorizando as horas matutinas:
E quando Clóris mais se galanteia,
Dando da face exalações divinas,
Dos ramos no regaço vai colhendo
O Clavel e o jasmim, que está pendendo".


Ou a descrição de suas frutas:

"Inumeráveis são os cajus belos,
Que estão dando prazer por rubicundos,
Na cor também há muitos amarelos,
E uns e outros ao gosto são jucundos;
E só bastava para apetecê-los
Serem além de doces tão fecundos,
Que em si têm a Brasílica castanha
Mais saborosa que a que cria Espanha"

Ou a descrição de sua força:

"Em um extremo desta mesma Terra
Está um forte soberbo fabricado,
Cuja bombarda, ou máquina de guerra,
Abala a Ilha de um e outro lado:
Tão grande fortaleza em si encerra
De artilharia e esforço tão sobrado,
Que retumbando o bronze furibundo
Faz ameaço á terra, ao mar, ao Mundo".


Ou a pesca da baleia:

"Corre o monstro com tal ferocidade,
Que vai partindo o úmido Elemento,
E lá do pego na concavidade
Leva a lancha com tal velocidade,
E com tão apressado movimento,
Que cá de longe apenas aparece,
Sem que em alguma parte se escondesse.28
Ou:
De golpe sai de sangue uma espadana,
Que vai tingindo o Oceano ambiente,
Com o qual se quebranta a fúria insana
Daquele horrível peixe, ou besta ingente;
E sem que pela plaga Americana
Passado tenha de Israel a gente,
A experiência e vista certifica
Que é o mar vermelho o mar de Itaparica".

Ou o burlesco irreverente de um Gregório de Matos
"Forte de São LorIlha de Itaparica, alvas areias,
Alegres praias, frescas, deleitosas,
Ricos polvos, lagostas deliciosas,
Farta de Putas, rica de baleias.
As Putas tais, ou quais não são más preias,
Pícaras, ledas, brandas, carinhosas,
Para o jantar as carnes saborosas,
O pescado excelente para as ceias.
O melão de ouro, a fresca melancia,
Que vem no tempo, em que aos mortais abrasa
O sol inquisidor de tanto oiteiro."
A costa, que o imita na ardentia,
E sobretudo a rica, e nobre casa
Do nosso capitão Luís Carneiro.



"

ILHA DE ITAPARICA – PARTE DE SUA HISTÓRIA

Os índios tupinambás foram os primeiros habitantes da Ilha de Itaparica. Em 1552 a ilha foi doada ao primeiro Conde de Castanheira, D. Antônio de Ataíde, Vedor da Fazenda de D. João III. Daí até 1763 a ilha teve vários donatários quando o governo da metrópole incorporou-a aos bens da Coroa. Houve protestos de herdeiros e em 1788 foi entregue à Marquesa de Niza, D. Eugênia Maria Josefa Xavier Teles de Castro da Gama, 7ª marquesa de Niza.

O primeiro povoamento foi criado pelos jesuítas já em 1560, oportunidade em que foi erguida a Igreja do Senhor de Vera Cruz, daí o nome da localidade.

A origem de seu nome tem alguma controvérsia. Normalmente, diz-se que é de origem tupi, significando “cerca feita de pedra”. Tem sentido. Efetivamente, a maior parte de sua costa é protegida por recifes, belíssimos por sinal. Prolonga-se desde Bom Despacho até a Ponta de Aratuba.

Há quem diga, entretanto que, Itaparica é uma corruptela da palavra “Caparica”, povoação às margens do Rio Tejo.

Ainda outros afirmam que o nome Itaparica deriva-se de “Taparica”, pai da índia Paraguaçu, esposa de Diogo Álvares Correia, o Caramuru. Essa é forte!

Enquanto hoje a ilha é essencialmente um pólo turístico, antigamente foi um centro de produção agrícola e de pecuária. As primeiras plantações de cana de açúcar e trigo foram feitas no seu espaço, bem como a criação de gado bovino. Também foram construídas destilarias de aguardente (cinco) e caieiras (nove) que fabricavam a cal utilizada na sua maior parte na construção de Salvador. Se não bastasse, a ilha era um empório de construções navais da colônia. Tem mais: durante os séculos XVII e XVIII a maior atividade econômica da ilha foi a pesca da baleia. Seu óleo iluminava as ruas e praças de Salvador.

Por este fato, antes de chamar-se Itaparica era conhecida como Arraial da Ponta das Baleias.

Pesca de baleias

A Ilha tem também seu lado guerreiro. Foi palco de grandes combates com corsários ingleses já em 1587. Depois, enfrentou as incursões holandesas entre 1600 e 1624. Estes últimos invadiram a ilha e construíram a Fortaleza de São Lorenço.

Muitos pensam que o este forte fora construído pelos portugueses como parte do sistema de proteção de Salvador. Não foi como acabamos de ver. Por outro lado, voltado que é para o oeste, não teria nenhuma validade estratégica nessa defesa.


Forte de São Lorenço -
Construído pelos holandeses



Rota das naus invasoras ao entrar em Salvador - encostadinhas em Mar Grande


Falando em defesa, os fortes construídos em Salvador para a proteção da cidade contra as invasões inimigas não tinham suficiente força de fogo (ou de bala) para impedir que essas invasões acontecessem. As naus inglesas, francesas e holandesas, entravam pela Baía de Todos os Santos, beirando Itaparica, longe do alcance dos canhões de Salvador. Foi por esta razão que muitas dessas naus chegaram a ilhas da Baia de Todos os Santos, como, por exemplo, a Ilha de Maré, invadida que foi nesses idos anos. Estavam à procura de viveres, principalmente água. Não podiam fazer a aproximação em Mar Grande devido a proteção natural dos recifes. Procuraram e acharam outras ilhas. Fácil! Tinha tantas!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – QUANTO DISTA DE SALVADOR?

A Ilha de Itaparica pertenceu a Salvador até 8 de agosto de 1833 quando foi emancipada e sua elevação como cidade se deu em 30 de julho de 1962 quando se emancipou de Vera Cruz, formando dois municípios distintos.

Ela tem 36 km de comprimento e 146km2 de superfície, sendo que 85.54km2 pertencem à Vera Cruz e 14.46km2 pertencem à Itaparica.

Esses números assustam e nos levam a pensar o porquê da separação. Afinal de contas 146 km2 para um município não é grande coisa. Poderia ter ficado como era, apenas Município de Itaparica. Mas não! Desmembraram em dois e na divisão, Itaparica que era o município original, talvez então com mais direitos, ficou limitado a reduzidos 14.46km2.

Ninguém até hoje entendeu os critérios. Conta-se, por exemplo, um diálogo havido em um passeio turístico:

“ Depois do almoço fomos fazer um passeio pela ilha de Itaparica junto com um pequeno grupo de turistas. O guia local, um baiano cheio de ginga, animou a turma durante a visita aos pontos turísticos. Assim que iniciamos o passeio pela ilha, aconteceu algo muito constrangedor, principalmente para os turistas brasileiros que estavam no microônibus. O guia falava da separação da Ilha em duas comunidades: a de Itaparica e de Vera Cruz. Ao terminar a explicação, um turista estrangeiro muito atento ao que falava o guia, perguntou:

- E qual foi o motivo da separação?

Não sei! Quem sabe morre! – respondeu o guia baiano, sem pestanejar”.
A partir daí o turista fechou a boca e não perguntou mais nada. Não queria arriscar.

Nós também não precisamos arriscar. Não tem mais jeito. É fato consumado. Vamos tratar de outras coisas mais amenas sobre a ilha. Mais técnicas. Por exemplo, qual a verdadeira distância que a separa de Salvador?

A maioria das publicações falam que a distância entre os locais mais próximos é de 13 km. Não é! Já ouvimos falar nessa medida de relação ao percurso que um nadador da Travessia Mar Grande-Salvador percorre entre a Praia do Duro e a Praia do Porto da Barra, tendo ele que fazer uma inclinação para dentro da baía em virtude das correntezas.

Rigorosamente, medindo os dois pontos mais próximos – Praia do Duro-Barra – essa distância se situa em 9.171 metros – linha laranja. A linha amarela, Terminal de Bom Despacho – Terminal de São Joaquim, mede 10.008 metros. Praia do Duro-Ponta do Humaitá – 10.199 – Praia do Duro – Baia de Aratu – 19,996 e Ponta do Garcez – Farol da Barrra – 29,294 mts.




Essas medidas foram tomadas via satélite. É um sistema que o Google possui, dos mais confiáveis. Antigamente não se tinha esse recurso!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

ILHA DE ITAPARICA – A GRANDE PONTE

O grande assunto do momento para os soteropolitanos é a construção da ponte Salvador-Ilha de Itaparica. O governo anuncia a sua construção, inclusive na campanha eleitoral que se findou recentemente, o Governador apresentou na televisão um desenho de como seria a mesma. Ei-lo:
Ponte Salvador-Ilha de Itaparica

De logo, uma determinada leitora se pronunciou assim: “ Uma ponte ligando Itaparica a Salvador pode ser uma boa iniciativa. Porém deve ser estudada com muito cuidado, começando pela localização (o desenho mostrado na reportagem empunhado pelo governador assusta !!!).

Realmente assusta, repetimos nós. Como se percebe o começo da ponte em Salvado é na Praça Cayru. No máximo em cima da Escola de Aprendizes de Marinheiro como que aproveitando a Avenida do Contorno. Não dá para se pensar de outra maneira, pelo menos para as pessoas que conhecem Salvador e a sua Cidade Baixa.

Imaginem o tráfego de 8 pistas descarregando veículos nesse local. Seria o caos! Não há como aceitar a apresentação.

Mais um detalhe que assusta. Como se vê na foto, a ponte contorna o Forte de São Marcelo e se aproxima do Cais Norte que não aparece, mas ele existe e está localizado na extremidade direita ao alto, onde a ponte se curva. O Cais Sul está detalhado à esquerda do forte.

Sem a ponte, essa área já se constitui um problema técnico dos mais graves em se tratando de porto. Por quê? O Forte de São Marcelo foi construído séculos atrás em cima de uma coroa de areia e pedras ali existente. Portanto, o seu contorno também é raso para as necessidades de um porto, aonde chegam grandes navios. Consequentemente, a manobra entre o Forte de São Marcelo e o inicio do Cais Norte é das mais perigosas. Os grandes navios a evitam. Vão pela outra extremidade e também saem por lá.

Tanto isso é verdade que os dois ou três primeiros armazéns do Porto de Salvador estão praticamente inativos.

Se a ponte for construída dessa maneira, irá piorar ainda mais a situação que é caótica.

E o que fazer? Se faz necessário muito estudo. Um dos poucos lugares relativamente aceitável para a “saída” da ponte é na altura da Água de Meninos com saída pela Via Portuária, conforme se pode observar na foto e demonstração a seguir:

Saída em Água de Meninos - Via Portuária
Na Cidade Baixa, este é o único lugar possivelmente viável. Há umas complicações nessa área, quais sejam, principalmente, a ampliação do Porto. Alguém vai ter que ceder.

Vista a parte técnica de localização da saída da ponte, uma coisa preocupa todo mundo. A verba para a sua construção. Temos em nossa capital um exemplo significativo. Há 12 anos tenta-se concluir o mini-metrô de Salvador. Originalmente eram 15 km. Hoje está reduzido a menos de 7. Suas colunas conseguiram resistir a ação do tempo.

Tal não pode acontecer com uma ponte atravessando um canal de mar de cerca de 13 quilômetros com as curvas, saídas e entradas. (Na verdade, a distância entre Salvador e a ilha é de cerca de 10 quilômetros, em linha reta).

Se a ponte parar no meio, vai ser o caos. O salitre vai comê-la todinha. É impressionante a sua ação sobre as coisas que lhe estão próximas. Imaginem, dentro dela?

É preciso pensar muito sobre esta questão. Apenas um aviso!.

ILHA DE ITAPARICA – A EVOLUÇÃO DOS ACESSOS

A posição geográfica da Ilha de Itaparica em relação a Salvador sempre foi uma atração para que os moradores de ambos os lados procurassem atravessar o canal que separa as duas localidades. Os residentes em Salvador ávidos para veranear nas diversas localidades paradisíacas da ilha e os desta, para trabalho ou serviços outros que uma capital oferece.

Registre-se que só a partir de 1993 com a inauguração da Linha Verde, incrementou-se o veraneio nesse lado de nosso litoral. Verdade que já havia algum interesse em determinada localidades, principalmente Arembepe. De resto o veraneio das pessoas que moravam na Cidade Alta era em Itapagipe. (1920/1960)
E como se atravessava para o outro lado e vice-versa? De saveiro de vela de içar como este da foto adiante:

Saveiro

E como eram levados os utensílios da casa geralmente alugada a um morador local? Também de saveiro. Tinha saveiros enormes e se não bastassem, far-se-iam diversas viagens.

Esses saveiros geralmente saíam da rampa do Mercado Modelo, mas também tinham aqueles que aportavam no Cais do Ouro onde ficavam os trapiches e, diga-se de passagem, os trapicheiros eram, na sua maioria, pessoas ricas e com toda certeza veraneavam na ilha. Não se diga, entretanto que ele, trapicheiro, ficasse lá o tempo todo, principalmente numa época de festas em Salvador quando as vendas deveriam estar super aquecidas, mas, sem dúvida a sua família permanecia veraneando todo o tempo desde dezembro até fevereiro. O “sacrificado”, em termos, pegava seu saveiro no meio da tarde de cada sábado e se juntava aos seus, desde que ninguém é de ferro. Segunda, aí pelas 8 da manhã já estava de novo no batente. Acordava por volta das cinco horas, tomava o mingau da baiana e pegava o saveiro que saía às 6 de Mar Grande.

Essa rotina acabou aí por volta do ano de 1962 quando passou a circular o primeiro navio da linha Salvador-Itaparica-Maragogipe. Chamava-se justamente “Maragogipe”. As pessoas e os utensílios passaram a ser transportados por ele. Desembarcava-se em Itaparica e ficava mais fácil chegar a Mar Grande.
Navio Maragogipe

Tinha capacidade para 600 pessoas. Possuía 45,15 m. de comprimento, dos quais 42.50 de linha de água, calado de 2,35 e deslocamento de 364.7 toneladas.

10 anos mais tarde, em 1972 foi implantado o sistema ferry-boat, dando nova dinâmica ao transporte de pessoas, utilidades e até de veículos.

Um dos primeiros ferries-boat
O mais luxuoso - o de Ivete

A velocidade média da viagem de 15 nós (27.8 km/h) e a rapidez da viagem é resultado da diferença de peso do ferry boat, 300 toneladas com carga total, contra 900 toneladas dos outros ferries vazios.

Possui classe executiva, com capacidade para 110 dos 640 passageiros, com mesas, poltronas e ar-condicionado, além de uma lanchonete. Todo climatizado.
Ferry-boat aí pelo Mundo
Tem também catamarã

Como se vê, houve uma progressão de sistema de transporte entre as duas localidades, fato absolutamente natural à medida que as necessidades foram aumentando.
´
Agora, fala-se na construção de uma ponte. Tinha que ser! É uma consequencia das melhorias que foram se sucedendo ao longo dos anos, como acabamos de ver.

Claro que existem as pessoas que são contra e aquelas outras que se dizem a favor. Por exemplo, o escritor João Ubaldo Ribeiro é contra. Diz ele:
“É o progresso que acabou com o comércio local; que extinguiu os saveiros que faziam a cabotagem no Recôncavo, que ao fim dos saveiros juntou o desaparecimento dos marinheiros, dos carpinas, dos fabricantes de velas e toda a economia em torno deles; que vem transformando as cidades brasileiras, inclusive e marcadamente Salvador, em agregados modernos, em condomínios e shoppings acuados pela violência criminosa que se alastra por onde quer que estejamos enfurnados, ilhas das quais só se sai de automóvel, entre avenidas áridas e desertas de gente”, escreveu, classificando os “proponentes” da ponte, de “ávidos sacerdotes de Mamon”.
(Mamon era o diabo que representava a avareza e o dinheiro, segundo demonólogos da Idade Média).

Outros intelectuais juntam-se ao grande escritor para protestar contra a construção da referida ponte.

Pessoas outras também, como a do senhor José. Diz ele:

“eu entendo a boa intenção das pessoas que querem uma ponte entre Salvador e Itaparica, mas penso que uma obra dessas vai destruir definitivamente a ilha como lugar de moradia para seus habitantes e destruir o paraíso que é hoje para os turistas.... A Ilha, seus moradores e seus visitantes não precisam dessa obra, não quer se tornar apenas um lugar de passagem para caminhões de carga e turismo predatório”.

Esta é uma opinião contrária. Vejamos uma favorável:

“Com certeza esta ponte irá desenvolver o Estado num todo, principalmente aquela parte do estado que se encontra do outro lado da Capital, parte do recôncavo, baixo sul e sul; estes estariam a uma distância mais curta da capital baiana cerca de 150 Km a menos. Salvador teria outra saída para estes pontos e teria também um encurtamento de distância até para os estados do Sudeste, além da Bahia-Brasília que também ficará mais curta, haverá desenvolvimento regional proporcionando emprego renda e inclusão social daquela parte, por se encontrar atualmente meio isolada naquele canto da Bahia.” Osmário Rios

Uma opinião ajuizada a que segue:

"Uma ponte ligando Itaparica a Salvador pode ser uma boa iniciativa. Porém deve ser estudada com muito cuidado, começando pela localização (o desenho mostrado na reportagem empunhado pelo governador assusta !!!). Há que se tomar muito cuidado igualmente com o impacto ambiental e humano que tal ligação acarretaria para a Ilha de Itaparica. O estado atual de abandono e de terra-sem-lei já está causando danos irreversíveis, como invasões de terrenos e orla, construções desordenadas, entulho e lixo por todos os lados, falta de segurança, bares e restaurantes sem alvarás de funcionamento e controle sanitário. Imaginem então com uma ponte e a Ilha ao Deus dará" Márcia Ruskstuhl

Uma outra muito boa:

“Com todo respeito aos intelectuais, só que ele não vivem na Ilha de Itaparica, não conheçem a realidade das pessoas nativas, não conhecem a péssima infra estrutura urbanística da Ilha, talvez apesar de suas intelectualidades, não tem a visão de perceber que além da Itaparica e Vera Cruz, todas as outras cidades a exemplo de Salinas, Maragogipe, Nazaré, Muniz Ferreira, e nossa Santo Antonio de Jesus, que deverá ter o principal papel nesta ligação das BRs 242 À 101 para escoamento da produção do estado com destino ao porto de Salvador”. José Ailton

Vistas as opiniões contrárias e a favor, podemos colocar na balança das conclusões finais que, a maioria da população de ambos os lados, quer a ponte. As pesquisas apontam nesse sentido (70% a favor e 30% contra). São números expressivos e esmagadores.

É de se destacar que, em verdade, essa ponte tem fundamentalmente mais uma razão econômica do que mesmo turística. Não é d'agora que se pensa nela. Desde a construção da BR 101 ligando o sul do País ao Norte, inclusive com a construção da Ponte do Funil, que se aventa a construção da ponte ligando a Ilha a Salvador.

Não se sente isto! Talvez porque tenha sido revivida em época de eleições. Focaram mais os traços turísticos de seu perfil. Talvez os paisagísticos que encantam os olhos e influenciam as mentes.

Aqui vale um parêntese importante. Não se viu na época da construção da Ponte do Funil que liga o continente ao sul da Ilha de Itaparica, nenhuma reação popular contra a mesma, muito pelo contrário, todos foram a favor. No entanto, esta ponte tirou o isolamento geográfico da ilha em relação ao continente. É como se tenha sido quebrada uma virgindade.

Porque então esta celeuma de relação à continuidade de uma via de fundamental importância econômica para o País como é a BR101? São 150 quilômetros a menos de distância.

Que ela vai transformar a Ilha, não há menor dúvida. Primeiramente, vai haver uma super valorização do seu espaço físico. Seus moradores terão o valor dos seus imóveis dobrados e triplicados muitas vezes. Mas há quem diga que são poucos os imóveis. Ledo engano. Veremos o número de habitações em fotos posteriores.

Ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros
O que não se vê nessa celeuma sobre a ponte Salvador-Itaparica são as vantagens e desvantagens de pontes de igual natureza feitas em outras partes do País. Aí, sim, um ponto de referência importante. Por exemplo: temos recentemente o caso da Ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros em Sergipe. O que resultou? O que aconteceu? Acabou com Barra dos Coqueiros? Não acabou! Muito pelo contrário. Vejam o seguinte comentário publicado na internet:
“Cidades como Aracaju, Barra dos Coqueiros, Pirambu, Santo Amaro das Brotas e Japaratuba foram beneficiadas diretamente pela ponte. O fluxo de pessoas e mercadorias entre essas cidades foi ampliado extraordinariamente, sem mencionar a possibilidade de aquecimento da economia, uma vez que o acesso ao porto estará ampliado. Pelo lado aracajuano a ponte pode ser acessada tanto a partir do centro, como a partir do município vizinho de Nossa Senhora do Socorro – cidade dormitório da Grande Aracaju –, o qual possui um pequeno Distrito Industrial, e diversos conjuntos habitacionais, como Marcos Freire I, II, e III. Todos ligados a BR-101 por uma rodovia estadual.
O município de Barra dos Coqueiros, maior beneficiário, já aprovou até um novo Plano Diretor para a cidade, prevendo um aumento de sua população para 50.000 habitantes em dez anos.
Outro benefício inusitado é o interesse dos locais pela arte da fotografia, muitos sergipanos têm usado a ponte como tema dessa arte. Já há até livros de fotografias sendo feitos sobre a ponte”.

Mar Grande/Vera Cruz-Ocupação habitacional
Itaparica

Já tem muita gente.
As pontes de Vitória
E o que dizer de Vitória, no Espírito Santo, sem as suas pontes? Não teria a beleza que tem e não teria crescido como cresceu em todos os aspectos que se possa abordar.