quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

FORTE DE SÃO BENTO ANTES DO MOSTEIRO

Mapa de Salvador
Dissemos anteriormente que Tomé de Souza havia doado aos padres jesuítas um terreno ao lado de fora da Porta de Santa Luzia para que eles construíssem uma igreja no Alto de São Bento, onde hoje está localizada a Igreja de São Sebastião da Bahia e o Convento de São Bento। Postamos o feito dias atrás, dessa forma:

“Uma das razões da demora do crescimento de Salvador rumo ao sul, deve-se ao fato de que logo ali em cima, nas proximidades da porta de Santa Luzia, mais ou menos entre São Bento e São Pedro, existia uma aldeia indígena. É compreensível essa ocupação. Na região havia a nascente do Rio das Tripas, este com inicio na Barroquinha. Também o local era próximo ao mar que se alcançava descendo as encostas da Preguiça.
Foi preciso muito escambo para convencer os índios a deixar o local, afastando-se um pouco. Corria o ano de 1553. Diz-se que Diogo Álvares Correia, o Caramuru, teria cedido as terras aos beneditinos. Não confere com a sequência dos fatos. As terras já estavam ocupadas pelos jesuítas quando os beneditinos chegaram ao Brasil. Esses, sim, teriam cedido o espaço aos mesmos, já que tinham preferências mais significativas no lado norte da cidade. Antes, construíram uma pequena capela onde hoje se acha a igreja.
Como única alternativa, os beneditinos começaram a construir uma igreja maior e ainda idealizaram um mosteiro. Infelizmente, esse trabalho inicial foi quase todo destruído quando das invasões holandesas em 1624.”

Essa é a versão corrente na maioria dos livros consultados, dos sites a respeito, quase um consenso. Mas quando se pesquisa assiduadamente, muitas “evidências” podem cair por terra. principalmente em história. É bastante surgir um documento, um mapa, a percepção de um detalhe, e tudo pode mudar. É o caso presente.

Antes da construção da igreja, fora construído no local um belíssimo forte com domínio visual de grande parte do mar, lá embaixo. Altíssimo poder de fogo, ou de bala. É o que nos mostra o mapa acima, possivelmente do século XVI. O forte é visto à direita do documento.

Consequentemente, o alardeado bombardeio que a Igreja de São Sebastião teria sofrido durante as invasões holandesas, em verdade, foi o forte que foi alvo. Claro! Ela estava rechaçando o ataque que vinha das caravelas flamengas. Vomitava fogo. Recebeu de volta.

Mais um alvo dos holandeses na ocasião foi o Palácio do Governo. No caso, ali estava o comando da cidade.

Outra evidencia histórica que esse mapa nos oferece é a presença em traços marcantes do Quartel do Carmo. Está à esquerda do lado da Porta de Santa Catharina, norte da cidade. Também cheio de canhões. Mas, Quartel do Carmo? Sim, não é outro senão o atual Forte de Santo Antônio Além do Carmo. Já existia naquele tempo, contrariamente às citações de que ele fora construído no século XVII. Pode ter sido no atual estilo e molde. Efetivamente, contudo, já fazia parte do sistema de segurança da cidade, mui justamente. Da mesma forma que em São Bento, o alto de Santo Antônio oferecia um panorama extraordinário da parte baixa de Salvador por onde chegavam as caravelas inimigas.

Forte Santo Antõnio Além do Carmo- Forte do Carmo


Tinha mais um detalhe: lá em baixo, na Bacia da Água de Meninos, estava o altivo Forte Santo Alberto. Trabalhavam juntos, coordenando forças.

Se não bastasse tanto, ainda esse mapa nos mostra outro forte, no alto à esquerda: o Forte das Palmas, também um lugar alto e estratégico.

Muito possivelmente, hoje no local temos a nossa extraordinária Igreja das Palmas. Acabava o forte e a sua função de segurança, chegavam os padres com outros desígnios, espirituais sem dúvida.

Vista essa parte de segurança que o mapa sugeriu divinamente, há de se reparar no alto do mesmo, o nosso conhecido Rio das Tripas,afluente do Rio Camurugipe, onde hoje se acha a Avenida J.J. Seabra। À direita, onde se inicia, desde que suas fontes estão localizadas entre São Bento e São Pedro, vê-se um espaço mais largo, quase um lago, onde hoje se situa a Barroquinha। Depois ele segue seu caminho, grande parte em baixo da terra, desde que foi quase todo tubulado, e vai desembocar na Boca do Rio।

Av. J.J. Seabra

Sem dúvida, uma área importante da cidade. Fornecia a água para a sua população, além de verduras e até peixe. No local ficavam as hortas que são citadas no mapa como sendo “ortas”. No final, é a mesma coisa

AINDA A IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO=SÃO BENTO

Sebastião ou São Bento? Muitos estranharam que a conhecida Igreja de São Bento como a maioria a denomina, em verdade, no oficial, chama-se pomposamente “BASÍLICA ARQUIBACIAL DE SÃO SEBASTIÃO DA BAHIA” e, para não restar nenhuma dúvida fotografamos e estamos postando o tapete existente na sua entrada.



Tapete






Uma das entradas


 A grande Igreja de São Sebastião

  Um dos altares laterais

Visão interior




quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ABERTURA DA PORTA DE SANTA LUZIA – SETOR SUL -IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO E MOSTEIRO DE SÃO BENTO

Uma das razões da demora do crescimento de Salvador rumo ao sul, deve-se ao fato de que logo ali em cima, nas proximidades da porta de Santa Luzia, mais ou menos entre São Bento e São Pedro, existia uma aldeia indígena. É compreensível essa ocupação. Na região havia a nascente do Rio das Tripas, localizado na Barroquinha. Também o local era próximo ao mar que se alcançava descendo as encostas da Preguiça.

Foi preciso muito escambo para convencer os índios a deixar o local, afastando-se um pouco. Corria o ano de 1553. Diz-se que Diogo Álvares Correia, o Caramuru, teria cedido as terras aos beneditinos. Não confere com a sequência dos fatos. As terras já estavam ocupadas pelos jesuítas quando os beneditinos chegaram ao Brasil. Esses, sim, teriam cedido o espaço aos mesmos, já que tinham preferências mais significativas no lado norte da cidade. Antes, construíram uma pequena capela onde hoje se acha a igreja.
Como única alternativa, os beneditinos começaram a construir uma igreja maior e ainda idealizaram um mosteiro. Infelizmente, esse trabalho inicial foi quase todo destruído quando das invasões holandesas em 1624.

A partir daí, começou a construção da grande igreja que hoje conhecemos. Essa etapa durou 200 anos, consequentemente, a sua construção foi influenciada por diversas tendências arquitetônicas de acordo com a época de sua construção e a responsabilidade de quem dirigia a obra. Foram muitos! O primeiro deles, o monge arquiteto Frei Macário de São João.

É de pouco conhecimento das pessoas que a igreja tem uma denominação e o mosteiro ao lado, outra. O templo, digamos assim, chama-se Basílica Arqueiabacial (1) de São Sebastião. Já o mosteiro chama-se São Bento. Para os baianos, contudo, é tão somente Igreja de São Bento.

(1) um espaço sagrado, propício à oração.

A título de ilustração, São Bento nasceu em Benedetto da Norcia, na Italia. Ele foi o fundador da Ordem dos Beneditinos, uma das mais poderosas e respeitadas de todo o mundo.

São Bento




São Sebastião

Complementando, São Sebastião era francês – 256 DC . O seu nome deriva do grego sebastós e significa divino, venerável.


Vejamos o extraordinário conjunto arquitetônico do alto, via satélite do Google Earth:



Destaque para as duas torres e a abóbada



Uma visão à partir da Av. 7 de setembro



Mais de perto - Todo o esplendor!



O extraordinário imóvel fica localizado na hoje Praça São Bento. Acima uma foto da mesma. Vê-se ao fundo, quase em ruína, um antigo hotel de viajantes. Ao lado, um casarão que ainda se sustenta da forma como foi construído certamente no principio do século XX. Nele funcionava a Escola Mariana Pereira da Silva Viana. Posteriormente, funcionou no local a Associação Baiana de Esperanto.

Casarão na esquina entre o Largo de São Bento e a Ladeira de São Bento

Nunca se deu importância ao "esperanto". Sinceramente, jamais conheci uma pessoa que tivesse tomado esse curso. Deve ter havido. Por essa razão, aumenta a curiosidade sobre a mesma. Vamos saciar a nossa sede. Seu inventor foi o polonês chamado, L.L. Zamenhof em 1887 quando publicou um livro sobre o assunto.
Zamenhof

E como é o esperanto ou seja como é escritto? Vejamo-lo

(Flávio Fonseca)

Literaturo ne estas nur litera turo...
Babili babele...
Kvazau babela turego
kie neniu komprenas
ech sian propran parolon,
char la konfuzo festenas
plene.
Chies mensoj vershajnas venene diri:

Je suis fou savant.
Ich möchte dahin fahren.
Hey, how do you do, okay?
Sento il carnevale entrare.
Deite aqui nesse divã.
Iti, ni, san, si, go, roku.
Et caetera, Agnus Dei.
Gracias que te hablo un poco.

Haleja!
Helpu nin
char la amo nun estas for.
Kisu nin
per la suna kor'
kaj faru el ni
ilojn de via paco
kiu ajn estas vi...

Literaturo ne estas nur litera turo...
Babili babele...

Como se pode notar são palavras ou mesmo expressões tiradas de diversas línguas. Façamos alguns destaques: Je suis = você é em francês; how do you do = como vai você em inglês; Deite aqui nesse divã = em português; estas= ainda em português

Com o advento da internet e o uso de muitas expressões em inglês, esta língua deverá se tornar o esperanto de todos. É a esperança.




Ladeira de São Bento


Lá em baixo, a Praça Castro Alves, onde ficava a porta Santa Luzia.

Praça Castro Alves

PORTA DE SANTA CATHARINA- NORTE DA CIDADE

Vimos que a porta de Santa Catharina, lado norte da antiga Salvador, foi aberta em 1551 para dá passagem aos jesuítas que construíram fora dos muros da cidade a Igreja da Sé e um colégio. A da Barroquinha certamente já teria sido aberta muitas vezes para que transitasse os animais que carregavam as barricas de água para abastecimento da cidade. E a porta de Santa Luzia, quando se abriu?
Não demorou muito! Acredita-se que em 1549 o governador Tomé de Souza mandou erigir uma ermida na Enseada da Preguiça, onde hoje se acha a Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Foram feitas as primeiras descidas por caminhos estreitos. A coisa melhorou por volta de 1623, mas somente em 1765 foi iniciada a construção dessa igreja no seu atual aspecto.



Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia


Em 17 de dezembro de 2009 em postagem feita em nosso blog sobre a Cidade Baixa, escrevíamos: “O projeto é atribuído a Manoel Cardoso Saldanha। Na época foi contratado o mestre-pedreiro, Eugênio da Mota que em Portugal acompanhou a modelagem das pedras de Lioz que compõem a sua fachada। Viajou com elas. Deve ter acompanhado o transporte das mesmas da nau que as trouxe até a Enseada da Preguiça e fez questão de supervisionar sua montagem. Verdadeiro “quebra-cabeça! As peças eram todas numeradas. Conta-se que algumas delas se perderam num naufrágio. Foi necessário encomendar outras. Imagine o trabalho que deu para saber a numeração das mesmas.”

Mas, enquanto já se descia em direção à Preguiça, não se subia em direção a São Bento e São Pedro.

Ainda havia muito receio dos índios tupinambás.

EVOLUÇÃO DE SALVADOR ATRAVÉS DOS MAPAS

Planta de Salvador datada de 1549


Planta de Salvador de 1616
Planta de Salvador de 1764
Acima, temos três plantas de Salvador, a primeira datada de 1549; a segunda de 1616 e a terceira de 1764
Através delas, poder-se-á sentir o progresso da cidade em direção ao norte। A do ano de 1616 apresenta um ligeiro avanço em relação a anterior। Deve ter sido em razão da construção da primeira igreja fora dos portões da cidade, bem como do colégio.
Já a datada de 1764, tem uma dimensão maior. Cresceu para os lados de Santo Antônio Além do Carmo e Barbalho. Percebe-se, por exemplo, ao lado esquerdo um traço vertical. Ele indica a Ladeira da Jequitaia ligando-se com a cidade Baixa. Foi a primeira iniciativa urbana ligando as duas partes da cidade. Na postagem anterior está explicado por que.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O CRESCIMENTO DEVIDO ÀS NECESSIDADES DE ABASTECIMENTO

O crescimento inicial de Salvador para o norte em parte atribuído aos padres jesuítas com a construção de suas igrejas desse lado da cidade deve-se, em verdade, ser creditado principalmente às necessidades de abastecimento da cidade. Ela precisava de víveres de toda a espécie que estavam chegando dos lados do Porto da Lenha na península de Itapagipe. Vinham das ilhas e do recôncavo.
Em nosso blog sobre a Cidade Baixa, tivemos ocasião de tratar da questão com alguma minúcia. Não faríamos melhor agora. Reproduzamos então:

"Na postagem anterior falamos do Forte Santo Alberto. Muito interessante a sua história! Na oportunidade, foi dito que o referido forte fora construído com a finalidade de proteger o único acesso então existente à Cidade Alta de Salvador.


Planta de Salvador de 1549


Planta de Salvador de 1616

Com o passar do tempo, a cidade começou a se expandir e o fez com mais força em direção a Santo Antônio Além do Carmo, tanto no que diz respeito ao segmento residencial, quanto de referência ao segmento comercial। Este crescimento se estendeu até o Barbalho, onde já se tinha construído um forte com as mesmas finalidades das do Forte Santo Alberto (proteção ao único acesso à Cidade Alta) e se espraiou na parte baixa da cidade na altura da Água de Meninos que antes se chamava Praia da Jequitaia


Se, por esse lado, havia facilidade de expansão da cidade, do outro caminhando em direção a São Pedro, Campo Grande e Vitória, existiam sérias dificuldades। Primeiramente, a segurança era precária। As fortificações então existentes nessa direção se encontravam na Barra longínqua e tinham finalidades muito específicas de contenção das invasões de holandeses e franceses, ávidos por esta terra.
O segundo impasse residia na verticalização acentuada do morro de Salvador entre o Campo Grande e a Barra. Não havia como construir nada lá em baixo. Hoje, só os periféricos alcançam esta área.
Posteriormente, a cidade se estendeu para os lados da Lapinha e se fez um segundo acesso, verdade que por demais íngreme, só usado por pessoas, nunca por veículos de tração animal, aliás, como acontece até hoje de relação a veículos a motor.




Ladeira da Lapinha vista da Jequitaia



Ladeira da Lapinha vista da própria

A CIDADE CRESCEU PARA O NORTE

Após a construção da Igreja da Sé e do colégio no lado norte da cidade, ultrapassando os limites da fortaleza, a população começou a construir residências nas proximidades. Data dessa época, as primeiras residências da Praça da Sé e ruas internas à sua direita







Mapa da área

O processo continuou até o Pelourinho onde foram construídas grandes residências. Seguiu em frente, ou melhor, subiu a ladeira e chegou a Santo Antônio Além do Carmo.

A essa altura, a porta norte de Salvador fora transferida para esta última localidade. Saliente-se, por exemplo, que, certos autores, limitam a antiga Salvador considerando como Porta Norte o próprio Santo Antônio, chamando-a de Porta do Carmo.



Forte de Santo Antônio

Enquanto isto acontecia, tratou o governo da segurança do local, agora não mais contra os índios, mas, sobretudo, contra os invasores de outras nações que aqui vinham, não somente com o intuído de se apossar das terras, como se aproveitar de suas riquezas.

Construiu-se, então, o Forte de Santo Antônio além do Carmo por volta de 1624. Perto dele fez-se a construção de outro: o Forte do Barbalho com o mesmo intuito. Foi erguido em 1638

Entrada principal do Forte do Barbalho
Forte Nossa Senhora do Monte Carmo (Forte do Barbalho)

Nossa Senhora do Carmo ou Nossa Senhora do Monte Carmo-Originária de Garabandal a 40 quilômetros a oeste de Lourdes, França, nos montes Cantábricos – Fica numa altitude de 600 metros।


O forte por entre grandes árvores


Já não vigia nada-quase no meio da rua

Entre muros

Grande muro esconde o forte

Por entre muros foi possível fotografar uma vigia

Achamos que já era hora desse muro ser demolido afim de que se possa ver o forte em toda a sua beleza. Ele, praticamente, está escondido. Pelo menos, tratá-lo melhor. Que tal dar-lhe uma mão de cal? (Estamos falando do muro).