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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O PALÁCIO RIO BRANCO POR DENTRO

Enquanto a fachada do Palácio Rio Branco na Praça Tomé de Souza é visto de todos os ângulos e formas, seu interior é pouco divulgado.
Infelizmente, o público só tem acesso à parte de baixo. O andar superior encontra-se fechado.
O luxo é visto de todos os lados, desde o piso até o teto. Não há lugar que se olhe e não se veja algo extremamente belo. Espelho de uma época de fausto.
















ÍÍNDICE DE ACESSOS AO NOSSO BLOG

As pessoas precisam sabeer agradecer tudo que lhe é concedido. É o que estamos fazendo agora. Concederam-me a frequencia de visita ao nosso site no nível destacado abaixo – dados coletados na estatística oficial do Google.
Isto nos enche de orgulho, claro! Ao mesmo tempo, contudo, aumenta nossa responsabilidade perante os leitores de manter o nível de informação que este blog oferece.
Agora mesmo, estamos começando uma série de postagens sobre a Cidade Alta. Entendemos que as duas partes da cidade se completam. As ladeiras e os elevadores ligam as duas partes da cidade e as pessoas ajudam transitando por eles. Esta foi a nossa justificativa inclusa na abertura de cada postagem.
Muitíssimo obrigado!
O autor


4.607 acessos realizado em novembro de 2010 – antes das férias escolares

PRAÇA TOMÉ DE SOUZA – 6 – ELEVADOR LACERDA

Ao longo de sua história, o Elevador Lacerda passou por quatro grandes reformas e revisões: em julho de 1906 para a sua eletrificação; em 1930 para adicionamento de mais dois elevadores e uma nova torre; no inicio da década de 1980 para uma revisão na estrutura de concreto.

Na reforma de 1930 conferiu-lhe a atual arquetetura em estilo Art Déco. As duas cabines originais foram ampliadas para quatro, cada uma com a capacidade de transportar até 27 passageiros. Foi inaugurado em 1º de janeiro de 1930.

Uma curiosidade: Na estrutura inicial os passageiros tinham de ser pesados individualmente, e o peso total dos passageiros a serem transportados era calculado, somando-os até atingir o limite máximo de segurança. Veja delicioso registro feito pelo Barão de Jeremoabo (Cícero Dantas) sobre o elevador. Estava acompanhado de alguns amigos.

“Em 16 de março de 1889 pesamo-nos no elevador, dando o seguinte resultado: Pinho, 54 quilos; Cícero 61 quilos; Guimarães, 65 quilos; Artur Rios 73 quilos e Vaz Ferreira, 115 quilos”.
Havia tempo para tudo!


Interior do Elevador Lacerda



"Sic illa ad arcam reversa est" Assim ela (a pomba) retornou à arca". é uma referência à pomba branca, primeiro animal a sair da Arca de Noé e que retornou de seu vôo sobre a terra inundada pelo dilúvio com um ramo de oliveira no bico, sinalizando que o terreno era fértil.


(Vê-se a sombra do autor fotografando o simbolo de Salvador no museu do Paço Municipal.)



Na fachada da entrada superior do Elevador Lacerda vê-se o símbolo da cidade. Em baixo o nome LACERDA, em justa homenagem ao construtor do Elevador da Conceição ou do Parafuso.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

PRAÇA TOMÉ DE SOUZA – 5– ELEVADOR LACERDA

Permita-nos reproduzir o que escrevemos em 2009 sobre o grande equipamento da Praça Tomé de Souza na Cidade Alta e da Praça Cairu na Cidade Baixa.


Elevador Lacerda


Ele nem sempre foi assim।Inicialmente era um plano inclinado। Pouca gente sabe disso! A primeira referência, talvez a única, que se tem desse fato é uma gravura holandesa existente em Haia. Sua função era transportar mercadorias do porto. Chamava-se Guindaste da Fazenda. Na época havia outros guindastes. Os jesuítas construíram alguns para facilitar a construção ou ampliação de seus conventos. Por exemplo, o Guindaste dos Padres, depois transformado no Plano Gonçalves. A Santa Casa da Misericórdia também teve seu guindaste entre 1630 e 1690. O Convento de São Bento também teve o seu por volta de 1813. Em Santa Tereza existia um guindaste com o nome do convento. Existia também o Guindaste do Pilar. Isso durou até 1860, quando os guindastes foram desativados.

Em 8 de dezembro de 1872, dia de Nossa Senhora da Conceição da Praia, foi entregue à população o primeiro ascensor da cidade. Era uma torre de 58 metros de altura. Foi feita uma perfuração na rocha na base da Ladeira da Montanha e surgiu o então Elevador da Conceição, também conhecido como Elevador do Parafuso.

Elevador da Conceição

Posteriormente, na sua fachada, a Fratelli Vita anunciava: "CAZOSAS? SÓ DE FRATELLI VITA”. Com “Z” mesmo. Pura verdade da época! Gramatical? Talvez. Gosto da época? Com certeza! Hoje, não se escreve gasosa com "z" e os sabores são outros. Alguns até duvidosos!

PRAÇA TOMÉ DE SOUZA – 4– ELEVADOR LACERDA

Do lado oeste da Praça Tomé de Souza, ao lado do mar de Salvador, fica o Elevador Lacerda. Ele não é o único elevador público no mundo, contudo, talvez seja o mais significativo em considerando a importância que tem no transporte de pessoas de uma parte mais baixa de uma cidade para a sua parte alta.
Para se ter uma melhor idéia, ele transporta uma média de 35 mil pessoas dia, o que representa um milhão de viventes mês, a um custo ínfimo de 0.05 centavos por pessoa.
Além disso, a sua localização é extremamente estratégica para a cidade. Sua parte baixa fica localizada praticamente ao término dessa área da cidade e a sua parte alta, por coincidência, na parte que se considera como o inicio da sua parte alta.
Desculpem o jogo de palavras, mas é isto mesmo. É simplesmente o Elevador Lacerda. Agora imaginem os senhores que esse equipamento foi idealizado e construído em 1873, uma época que ninguém tinha carro e mesmo o transporte coletivo era precário.
Ainda como fato inédito na história das “urbis” de todo o mundo – Urbi Et Orbi” – talvez seja o único que possui uma passarela sobre uma ladeira também de grande importância urbana, que não é outra senão a nossa Ladeira da Montanha, oficialmente, Ladeira Barão Homem de Melo.



Ladeira da Montanha nos dois sentidos e o nosso extrordinário Elevador Lacerda encimando-a.
A seguir, alguns elevadores públicos pelo mundo:


No Canadá


Na Suiça


Em Portugal


Na China

PRAÇA TOMÉ DE SOUZA- 3

No setor leste da Praça Tomé de Souza, isto é, contrário ao lado do mar, fica situado o Paço Municipal de Salvador ou Câmara de Vereadores de Salvador. Trata-se de um prédio cujas primeiras instalações datam de 1549, isto é, do mesmo tempo do Palácio Rio Branco ao seu lado.


Maquete do antigo Paço Municipal do acervo da Câmara


O Paço da Câmara Municipal é dos mais importantes exemplares da arquitetura civil colonial brasileira. A primeira construção de 1549 foi de taipa e palha. Em 1551, construiu-se nova Casa de Câmara feita com pedra, cal, barro, coberta com telhas e com cadeia e açougues embaixo.

No ano de 1660, o governador Francisco Barreto de Menezes deu início a uma reforma que concedeu à Câmara a imponência que deveria ter um edifício público da sua importância. Alguns anos depois, em 1696, foi construída uma torre e instalado nela um sino. É dessa data a atual estrutura arquitetônica do prédio.

Em fins do século XIX, mais precisamente no ano de 1885, atendendo ao estilo artístico vigente, a fachada original foi profundamente alterada, ganhando aspecto neo-renascentista. O velho sino cedeu lugar a um relógio elétrico.

Com relógio elétrico





Nos dias atuais

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

PRAÇA TOMÉ DE SOUZA – 2

Na postagem anterior, tivemos oportunidade de acompanhar a evolução arquitetônica de um imóvel desde quando era uma simples casa de taipa de pilão até hoje, quando se transformou num verdadeiro palácio na acepção da palavra. Estamos nos referindo ao Palácio Rio Branco na Praça Tomé de Souza.
Do lado contrário dessa mesma praça, aconteceu o contrário. Isto é, tivemos uma involução arquitetônica, isto é, um movimento regressivo. Tínhamos desse lado o prédio da Biblioteca Pública de linhas harmoniosas e distintas que “enfrentava” de frente a imponência do grande palácio do outro lado, sem nenhuma vergonha de existir, isto é, sem nenhum desdouro.


Biblioteca Pública


Posteriormente, ao seu lado esquerdo, foi construído um prédio onde funcionava a Imprensa Oficial do Estado। Aí começou a “bagaceira no caminho da feira” como se diz popularmente। (Não encontramos melhor termo para expressar a situação) Algo parecido aconteceu na Praça Castro Alves. Lá foi uma substituição. O Teatro São João havia sido destruído por um incêndio e, no local, construíram o prédio onde hoje funciona o chamado “Palácio dos Esportes” que de palácio não tem nada. Aqui foi um acréscimo. Do lado esquerdo da biblioteca, construíram um prédio onde funcionava a Imprensa Oficial do Estado.

Se não temos uma foto do mesmo é bastante olhar para o “palácio dos esportes” para configurar sua presença na Praça Tomé de Souza. Simplesmente horrível, como dizíamos de relação ao da praça do poeta.
Mas, para não passar batido, em brancas nuvens, vamos nos valer de uma foto panorâmica da Cidade de Salvador, onde o referido edifício aparece por acaso. Ei-la:

Palácio dos Esportes

A praça ficou assim. Tão feia que o povo começou a chamá-la de Cemitério de Sucupira. Do lado direito, já não mais havia a Pastelaria Triunfo. No local foi instalada a agencia de um banco, como é até hoje:


Haja insensibilidade! Arquitetônica, é claro!


Este caso tem as mesmas feições e características de relação a construção de um prédio por uma emissora de rádio na Praça da Sé. Parece que agora, estão tentando corrigir.
Acho que o Bradesco, uma empresa extraordinária, também poderia fazer o mesmo. Mandaria eclodir esse caixão (após tirar todo o dinheiro de dentro) e construir um prédio a altura do local, parecido com aquele onde funcionou a Pastelaria Triunfo.
E para completar a festa, em 1986, a Prefeitura resolveu se mudar do Engenho Velho de Brotas para o Cemitério de Sucupira. Encomendou um caixão de vidro e metal a um famoso arquiteto, afirmando ser apenas por seis meses, enquanto alugava um imóvel no centro da cidade. Está lá até hoje, após decorridos 25 anos.
Sobre o assunto, tínhamos feito a seguinte postagem em outra oportunidade:

A SEDE DA PREFEITURA DE SALVADOR – UM CASO POLÊMICO

Na abertura desse blog, em suas justificativas de instalação, tivemos a ocasião de nos referir ao imóvel onde hoje está instalada a Prefeitura de Salvador. Uma obra futurista, isto é, ela quebra toda uma concepção do antigo e do tradicional.
Ela substituiu a antiga Biblioteca Pública que existia no local. O imóvel, juntamente com o da Imprensa Oficial, foram demolidos na década de 1970.


Antiga Biblioteca Pública



Prefeitura de Salvador


O que pouca gente sabe é que o projeto da nova Prefeitura de Salvador foi providenciado em caráter provisório para atender a uma emergência. Depois, seria substituido. Decorria o ano de 1986. O prefeito era o senhor Mario Kertz. O projetista o arquiteto João Filgueira Lima.

Era desejo da prefeitura transferir a sede do poder municipal do Engenho Velho de Brotas para um prédio próximo aos prédios que sediavam os demais poderes públicos. Enquanto não se encontrasse um imóvel adequado, seria construido, provisoriamente, um prédio na praça Municipal onde havia funcionado a Biblioteca Pública e a Imprensa Oficial. A empreitada foi entregue ao arquiteto João Filgueiras Lima que projetou um edifício de caráter provisório. E tão provisório era que o mesmo foi erguido em apenas 12 dias, menos de duas semanas. Foi inaugurado em 16 de maio de 1986. Este edificio provisório deveria permanecer no local, até o municipio decidir em qual casarão instalaria a Prefeitura em termos definitivos.

Neste contexto, o arquiteto propunha um prédio de volumetria simples, pós-moderno, de gabarito baixo, mas que permita que o passante admirasse tanto sua obra quanto continuasse admirando a paisagem da Baía de Todos os Santos. Seria apenas por seis meses, tempo suficiente para que a Prefeitura escolhesse o casarão para a sua instalação definitiva. Por causa de seu carater temporário, toda a sua estrutura é metálica e quase toda aparafusada, o que permitiria a sua montagem em qualquer outro lugar com a mesma finalidade pela qual foi encomendada ou para qualquer outra, uma escola, por exemplo.

Feita a mudança o imóvel continuou no local até o fim do seu mandato, bem como nos demais prefeitos que o sucederam. A promessa já dura 24 anos e deve se eternizar, apesar dos protestos de vários segmentos da sociedade.
Virou uma celeuma. Vale a pena registrar a defesa do arquiteto de sua obra em entrevista concedida a um dos jornais da cidade:
“Minha intenção era a de respeitar a volumetria e que de certa forma estabelecesse um diálogo com o Palácio do Rio Branco e valorizasse a Câmara. […] Apesar de ser um prédio transitório, ele respeita todas as questões urbanísticas que ainda defendo hoje. […] Hoje acho que o prédio não tem nada de errado. E se chegar a uma conclusão que está completamente errado, prejudicando todo o Centro da Cidade aí tem que tirar. Mas essa não pode ser uma avaliação feita por um juiz. Ou você acha que agora é um juiz que avalia toda a questão de urbanismo?”

As palavras acima merecem uma reflexão, principalmente quando o grande arquiteto diz que a sua obra “estabelece um diálogo com o Palácio Rio Branco”. Em nosso entendimento não respeita; já numa visão “futurista” isto pode ser verdadeiro.

De relação a citação de um que um determinado juiz fez uma intenvenção jurídica sobre a obra, vejamos um comentário sobre a entrevista concedida pelo juiz João Batista de Castro ao jornal A Tarde:

“Nesta mesma matéria, o jornal A Tarde (3) entrevistou o juiz João Batista de Castro autor de uma sentença que determina a retirada do prédio de Lelé da praça Municipal num prazo máximo de 6 meses, prazo este que venceria em março de 2005. Nesta entrevista, o juiz substituto da 7ª vara Federal da Bahia, explica os motivos de sua sentença, que foi baseada no Artigo 216 da Constituição Federal (Lei de proteção ao patrimônio histórico nacional) e no parecer de uma perícia realizada por profissionais das áreas de desenho industrial, arquitetura de interiores, arquitetura e programação visual, que atesta o carater provisório da obra e detecta que a volumetria do prédio é conflitante e concorrente com seu entorno”.

Briga de cachorro grande...