ATÉ HOJE JÁ TIVEMOS MAIS DE 400 MIL CONTATOS

sábado, 5 de março de 2011

FORTE DO BARBALHO OU FORTE NOSSA SENHORA DO CARMO

Forte do Barbalho ou Forte Nossa Senhora do Carmo

Diz-se que os Carmelitas teriam cedido um terreno para a construção do Forte do Barbalho e que, por esta razão o mesmo chamava-se, inicialmente, Fortaleza de Nossa Senhora do Monte Carmelo ou Nossa Senhora do Carmo.
Absolutamente não! O Forte do Barbalho, bem como o Forte de Santo Antônio, faziam parte àquela época, de um plano de defesa - básico- da Cidade de Salvador. Alguns autores, inclusive, incluem nesse plano o Forte Santo Alberto localizado na antiga praia da Jequitaia, onde funcionou a Feira de Água de Meninos.


Forte Santo Alberto hoje


Forte Santo Alberto antes do aterro da Avenida Jequitaia


Não é admissível que tenha sido dado aos padres carmelitas o direito de cessão de posse de uma área que lhe fora cedida pelo governo para uma obra desse mesmo governo. Não é verdade?
Ah! Mas, o forte chamava-se inicialmente Forte de Nossa Senhora do Carmo ou de Monte Carmelo? Nada haver e explicamos por quê.

Àquela época todos os fortes tinham um santo como padroeiro. Por exemplo, o Forte da Barra, onde se acha o nosso famoso Farol da Barra era chamado e ainda o é, de Forte de Santo Antônio da Barra.

Vejam o que escrevemos em nosso outro blog – CIRCUITO BARRA- DE VILA PEREIRA Á VILA CATHARINO – que será integrado a História das Cidades Baixa e Alta proximamente:
Porquê Forte Santo Antônio? Na época era a tradição que todas as praças de guerra fossem dedicadas a um santo, que protegeria o local do alcance da artilharia inimiga.O primeiro registro oficial de que Santo Antônio foi o eleito para abençoar o forte da Barra data de 1705, quando o governador Dom Rodrigues da Costa expediu ordem dirigida ao provedor-mor da Fazenda Real do Estado para que assentasse praça de capitão ao Santo Antônio da Barra com direito a soldo que seria pago ao Convento de São Francisco. Em 1810 o santo foi promovido a major e em 1814 a tenente-coronel com respectivos soldos aumentados, claro!

Tenente-Coronel Santo Antônio(começou como capitão)
O mesmo deve ter acontecido com Nossa Senhora do Carmo, não se sabendo se ela teve patente, mas é provável que tenha recebido soldo transferido à irmandade respectiva. Mais do que merecido!

AS ESCADARIAS DA IGREJA DO SANTISSIMO SACRAMENTO

Não sabemos se foi de propósito ou uma falha mesmo, a não inclusão na postagem anterior da Igreja do Santíssimo Sacramento. O fato é que desde o principio, quando projetamos o trabalho anterior, queríamos dar um destaque a esse templo. Ele tem uma característica muito interessante: tem a frente voltada para duas ruas que lhe são transversais. Vamos vê-lo e a originalidade da coisa

As escadarias

O templo


O templo e sua sugestiva escadaria. O equipamento começa na Rua do Passo e desce até a Ladeira do Passo que lhe é transversal. Abriu-se o espaço de uma maneira mui sugestiva.

Ela foi fundada em 26 de julho de 1760 e teria sido construída com materiais e tecnologia 100% nacionais, desde que, até então quase tudo vinha de Portugal.

O local foi palco das filmagens do filme brasileiro "O pagador de promessas" que correu o mundo.

sexta-feira, 4 de março de 2011

O PLANALTO DE SANTO ANTÔNIO E BARBALHO

Os padres das diversas Ordens foram muito importantes no crescimento da cidade de Salvador, à medida que objetivando a construção de suas igrejas, conventos e colégios foram abrindo caminho fora dos limites da cidade.
A coisa começou cedo. Logo nos dois primeiros anos de Tomé de Souza como Governador Geral, os jesuítas solicitaram-no um terreno fora dos muros da cidade e o governante concedeu um espaço onde é hoje a Praça da Sé. (Vejam nossa postagem de 21/02/11). Aí construíram em taipa de pilão seu colégio e uma pequena igreja. A população veio atrás. Em torno construíram suas casas Fez-se o bairro da Sé que se estendia até as baixadas do Rio da Vala ou das Tripas na hoje Avenida J.J. Seabra, devidamente tubulado.

Rio das Tripas – Rua da Vala ou ainda das Hortas
(Já fizemos referência sobre este assunto em postagem anterior। A ilustração acima mostra como era o que chamam atualmente de Baixa dos Sapateiros. Era um rio, o Rio das Tripas, afluente do Rio Camurugipe. Os traços verdes seriam as hortas: azuis o rio)
30 anos depois, mais ou menos, em 1581 conseguiram erguer uma grande igreja, denominada Igreja da Sé. Inauguram-na com grande pompa. Na época o Brasil estava sob domínio espanhol.
Uma das poucas fotos da Igreja da Sé. É vista ao fundo da Rua da Misericórdia. Os destaques à frente são a Praça Municipal, a antiga Biblioteca Pública e o prédio da Confeitaria Triunfo.
Nos anos seguintes, esta igreja foi se deteriorando, inclusive uma de suas torres veio abaixo, crendo-se então que os jesuítas não mais a usavam.
Por volta de 1640/1642, os jesuítas conseguiram um novo espaço, um pouco mais adiante, no atual Terreiro de Jesus e ai construíram primeiramente o seu grande colégio e em seguida a igreja (atual Catedral Basílica de Salvador) concluída em 1752. Teria levado 100 anos para ser erguida

Pintura (reprodução) de autoria do pintor Diógenes Rebouças – Igreja da Sé – Passadiço e Arcebispado


A hoje Catedral e o Colégio dos Jesuitas ao lado direito

Tempos atuais
Diferentemente do que aconteceu na Praça da Sé, não se permitiu a construção de residências no seu entorno. Não se sabe ao certo de quem partiu a determinação, se dos próprios padres que queriam que sua igreja tivesse uma frente livre para um largo ou dos governantes de então. Só foram permitidas construções nas laterais e que fossem residências de bom gabarito, bem como foram feitas outras igrejas. Esse último detalhe nos inclina a pensar que havia algo como que um “plano diretor” da parte do governo, desde que não é crível pensar que os jesuítas quisessem ter “concorrências” na sua vizinhança.
Nesses termos, os Franciscanos construíram no lado contrário à igreja dos jesuítas o seu templo, a famosa Igreja de São Francisco, bem como seu convento. Decorria o ano de 1708 quando foi erguido primeiro o convento. A igreja foi concluída em 1723, mas ainda levou muitos anos para ficar totalmente pronta. Só em 1782, deu-se como definitivamente erguida.
Na frente da igreja também nada foi construído, a não ser o famoso Cruzeiro por volta de 1807, Contudo, toda a sua parte de traz a laterais foi ocupada por residências de menor gabarito do que aquelas do largo. Algumas, entretanto, merecem respeito.

Igreja de São Francisco e seu Cruzeiro


São Pedro dos Clérigos

São Domingos
No ano de 1731 foi erguida a igreja da Ordem de São Domingos dos Padres Pregadores। Já a Igreja de São Pedro dos Clérigos foi concluída em 1741. Estava completada a série de quatro igrejas em um mesmo largo.
Não havendo mais espaço no Terreiro de Jesus, partiu-se para construir na baixada adiante que não era outra senão o atual Largo Pelourinho। Sim! Ele fica numa baixada em direção à antiga Baixa dos Sapateiros, atual Rua do Taboão. Mais adiante o Pilar com seus trapiches. Era o centro comercial de Salvador. E foi neste Pelourinho que também os escravos construíram a sua igreja . Também ela foi preservada de construções à sua frente. Fez-se o Largo do Pelourinho.


Igreja do Rosário dos Homens Pretos

Ai, foi a vez de subir a ladeira em direção à Santo Antônio Além do Carmo

Subida

Os padres Carmelitas fizeram a empreitada ainda muito cedo em torno de 1586। Não se contentaram com as restrições de espaço então existentes na Praça da Sé e posteriormente no Terreiro de Jesus। Foram mais adiante। Lá em cima existia um planalto que se estendia desde o Santo Antônio até o Barbalho.
Primeiramente deram inicio a construção do convento, construção esta que se estendeu até os anos 1620/1630. Após isto, começaram a erguer a igreja, concluída no inicio do século XVII.


Convento do Carmo


Igreja Nossa Senhora do Carmo


Hoje o convento está desativado, dando oportunidade para que a Rede de Hotéis Pestana instalasse no local um extraordinário hotel acima de cinco estrelas.


Salão de refeições


quarta-feira, 2 de março de 2011

CARNAVAL DE SALVADOR – TUDO PRONTO BRASILLLLLLLLL...

Na semana passada tivemos ocasião de postar uma matéria sobre os preparativos do Carnaval de Salvador. Quis representar nossa contribuição para o sucesso dessa festa maravilhosa que representa um ganho extraordinário para a economia de nosso estado, via turismo.
Na oportunidade, fotografamos os camarotes sendo montados no Circuito Barra Ondina e nos impressionou a estrutura de muitos deles.
Hoje, podemos mostrá-los por inteiro desde que o Carnaval de Salvador está pronto. A folia começa amanhã (quinta-feira).
Antes, contudo, vamos apresentar alguns números desse Carnaval que é considerado o maior do mundo´ segundo o Guiness Book.


Mais de 200 milhões de euros é quanto os organizadores do carnaval de Salvador da Bahía calculam estar sendo injetado na economia da cidade em consequência da grande festa.
São 3oo Trios Elétricos.
Serão cerca de 500 mil turistas.
13 quilômetros de circuitos
Cerca de 1.2 milhão de pessoas nesses circuitos
Consumo de 2,5 milhões de litros de cerveja
Consumo de 1.2 milhão de refrigerante
800 mil litros de água mineral
130 mil empregos temporários
20 milhões de euros é o investimento da Prefeitura.
20 mil policiais
2600 médicos e enfermeiros








Atrás do Trio Elétrico so não vai quem já morreu.... (Caetano Velozo)

terça-feira, 1 de março de 2011

VIZUALIZAÇÃO DESTE BLOG – 6.725 EM FEVEREIRO


Quadro da curva de audiência - Oficial

Estamos encerrando o mês de fevereiro de 2011. Aliás, quando escrevíamos essa postagem já estávamos em março. Eram duas horas da manhã.
E da mesma forma como fizemos no mês anterior, estamos publicando o nível de visualizações de nosso blog em fevereiro: 6.725 contatos.
Parece bom! Estamos nos esforçando para aumentar ainda mais, principalmente agora que estamos falando sobre a Cidade Alta. É de uma complexidade imensa.
No mais, nosso muito obrigado. Não sabemos se os outros blogs fazem isto. Nós sempre o faremos.

CRUZ DO PASCOAL

Num pequeno largo no bairro de Santo Antonio, fica localizada a chamada Cruz do Pascoal. É um monumento que teria sido erguido por um cidadão português chamado Pascoal Marques de Almeida em 1743. Pouco se sabe sobre o mesmo. Existem apenas referências, mas nada de concreto. Cita-se, por exemplo, que o referido cidadão teria trazido de Portugal para o Brasil o culto a Nossa Senhora da Porta do Céu, culto este iniciado no Bahia na Igreja do Carmo em Salvador.










Cruz do Pascoal em diversos ângulos

Nossa Senhora da Porta do Céu

Conta-se que este culto teve inicio com D. João de Cândia, o chamado Príncipe Negro, nascido em 1578 na Ilha de Ceilão – atual Sri Lanka – Foi batizado em Goa sendo nomeado em 1591 herdeiro do reino (Cândia). Em 1610 vem para Portugal a seu pedido e por ordem de Felipe II fica instalado no convento de São Francisco em Lisboa. Em 1625 adquire um pedaço de terra em Telheiras que será conhecido como “Quinta do Príncipe”. Nesse terreno manda erigir uma igreja, e depois um convento, sob a invocação de Nossa Senhora da Porta do Céu, que entrega aos franciscanos, destinando-o à convalescença dos religiosos, devido ao clima ameno do local. Depois doa ao convento grande número de alfaias preciosas destinadas ao culto litúrgico. Em 1632, ele próprio habita uma das casas contíguas à clausura, com a qual tinha comunicação interior, a fim de fazer vida com os religiosos.Já havia renunciado ao título de príncipe de Cândia.
Morre em 1642, na casa da Mouraria, tendo sido, a seu pedido, sepultado "na sua hermida de Telheiras".

Convento de Telheiras - Portugal

Devido a proximidade com a Igreja/ Convento do Carmo e a razão de ser do monumento, há de se pensar que Pascoal Marques de Almeida tenha sido um sacerdote ou monge desse mesmo convento. Poderia ter dirigido uma campanha de arrecadação de recursos junto à comunidade e ao próprio governo da época.

Não é muito crível que um simples cidadão pudesse levantar ou mandado construir um monumento no Centro Histórico de Salvador.

Agora, vamos analisar o monumento em si, seu estilo, o que representa. Uns dizem: “é uma coluna toscana e um nicho inspirado nas torres das igrejas do século XVIII”. Outros que: “trata-se de um oratório público de sete metros de altura! Ainda outros que: “era um ponto de reza antes mesmo da construção do marco. Com a sua edificação o local virou um ponto de peregrinação para onde levas de pessoas se deslocavam apenas para rezar.

Gregório de Matos assim se expressou sobre a Cruz do Pascoal: É um dos monumentos mais expressivos e pitorescos da Bahia. A este recanto pacífico da Bahia se visita para ver este monumento de fé ingênua e pitoresca expressão. É um símbolo dessa fé que, no meio da vida nos interrompe constantemente, no caminho, lembrando dever e destino, numa mudez pacífica que não deixa de acordar memórias e obrigações. A gente se benze, mas não esquece a Cruz do Pascoal”.

Vamos trocar em miúdo como se diz popularmente a questão da coluna: é uma coluna toscana; não apresenta base e dispõe de sete módulos de altura, o fuste (1)é liso, sem caneluras (2), e o capitel (3) simples, com aneletes (4) (toros).

1) Fuste: O corpo da coluna, entre a base e o capitel.
2) Caneluras: são estrias ou sulcos verticais de secção semicircular ao longo do fuste das colunas ou pilares antigos. Na coluna dórica, são separadas por arestas vivas; na coluna jônica e na coríntia, por nervuras. A ordem toscana nunca apresenta caneluras, as quais são opcionais para as outras ordens.
3) capitel é a extremidade superior de uma coluna, de um pilar ou de uma pilastra, cuja função mecânica é transmitir os esforços para o fuste.


Coluna Toscana
Base Cruz do Pascoal
Base Toscana

Modelos de colunas

Parece que esclarecemos a matéria, desde que ninguém é obrigado a conhecer tudo sobre arquitetura।
Outra coisa que nos intriga desde que conhecemos a Cruz do Pascoal é o porque da própria coluna. Ninguém denomina o monumento de Coluna do Pascoal. Sempre é Cruz do Pascoal e efetivamente a peça tem uma cruz na sua extremidade. Pequena, mas tem.





A pequena cruz

Em relação à coluna a cruz é quase imperceptivel. Destacados, mesmo, são a coluna e o nicho onde deveria abrigar uma imagem de Nossa Senhora do Pilar. Estamos assim dizendo – deveria abrigar – porque não se vê a presença da santa neste nicho. Certamente para que não a roube.

Nossa Senhora do Pilar

Há uma corrente de opinião de que a Coluna do Pascoal – permita-nos assim denominá-la- teria a pretenção de representar o Círio Pascal que no sincretismo da religião católica simboliza a Luz de Cristo que ilumina o munto material e espiritual, possibilitando a volta do reino da morte ao reino da vida, ou seja, uma nova e renovada esperança na fé cristã.

Vejam a descrição do Cirio Pascal de pessoas que entendem do assunto:

“O Círio Pascal é uma vela grande, adornada geralmente com uma cruz, grãos de incenso, o ano atual e as letras gregas “alfa” e “ômega” que são a primeira e última letra do alfabeto grego, correspondentes à letra A e Z de nosso alfabeto. Elas significam que “Deus é o princípio e o fim de todas as coisas”.




Alfa e Ômega



Círio Pascoal - Velas

CRISTOVÃO DE AGUIAR DALTRO

É atribuída à Cristovão de Aguiar Daltro a construção de uma pequena igreja no Largo de Santo Antônio por volta do ano de 1592.

Existe um grande mistério sobre quem era este senhor. Disseram que era “senhor de engenho” e o envolveram até na origem do nome “Água de Meninos”. Contaram uma história mirabolante – que ele teria canalizado as águas que desciam pela Ladeira da Água Brusca, antes chamada Ladeira da Jequitaia , afim de movimentar com sua “força motora” as máquinas do seu engenho de açúcar. Complementaram, informando que a posse daquelas terras onde se encontrava o seu engenho fora uma doação de Tomé de Souza em 1549.
Este blog entrou nessa “briga” de informações e localizou o homem em 1553 como sendo, oficialmente, Almoxarife dos Armazéns e Manufaturas de Salvador. Era gente próxima do primeiro governador do Brasil e como tal certamente recebeu generosos beneplácitos de Tomé de Souza e como era de costume na época esses beneplácitos eram terras desocupadas em diversas partes da cidade, todas fora dos limites das cercanias da cidade. (Dentro estava tudo ocupado e destinado a alguma coisa).

Primeiramente, estranhamos que o nosso amigo Cristovão não fora a pessoa que em 1592 possuía um engenho de açúcar ali na Água de Meninos. Nesse ano, ele já estaria com 73 anos, idade quase inalcançável àquela época, quando a expectativa de vida não passava de 35 anos.

Nesse particular publicamos uma tabela de expectativa de vida no mundo, um pouco devassada, mas que esclarecia a dúvida.

Mas eis que, por pura sorte, consultando um blog americano, sim americano, viemos, a saber, que o senhor Cristovão Aguiar Daltro era um reverendo e que ele tinha feito realmente uma doação naquela área para onde a cidade estava crescendo. Qual foi essa área e a quem doou?
Nem mais nem menos, o espaço onde hoje está construído o Convento e a Igreja do Carmo no Santo Antônio. A doação fora feita aos Carmelitas que assim puderam construir o grande conjunto arquitetônico do Carmo.

Pode ter sido ele próprio o construtor da pequena ermida no Largo de Santo Antônio não como Senhor de Engenho e sim como sacerdote que era a sua “praia”.