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segunda-feira, 4 de abril de 2011

IGREJA SANTO ANTÕNIO DA BARRA

O morro de Santo Antônio tem inicio ao meio da Ladeira da Barra। É um maciço montanhoso que caracteriza muito bem essa região। Mais uma vez o espaço foi bem aproveitado pelos padres que construíram no seu alto a Igreja de Santo Antônio da Barra. Lá de cima ela reina soberana desde 1595. A foto ou gravura a seguir, já aproveitada em outra postagem para designar a porta da antiga fábrica de xales Victória onde é hoje o Yacth Clube, bem expressa o que acabamos de dizer.


Datada de 1890 Nos tempos atuais

Este Santo Antônio é de Arguim, nas Ilhas Mauritânias na África
Forte de Arguim na Mauritânea A área de Arguim, foi explorada pelos portugueses entre os anos 1442 e 1445। Há uma corrente, entretanto, que afirma que o Santo Antônio da Barra teria se originado de Porto Príncipe, cuja capital é Santo Antônio.

As escadarias que levam à igreja

Monumental!

O conjunto da obra

Morro de Santo Antônio da Barra - à direita Praia do Porto

Ao lado da igreja, mas fazendo parte de um conjunto belíssimo, vemos uma simulação de uma gruta com a imagem de N.S. de Lourdes no seu interior. Ao seu lado esquerdo, uma maquete da tradicional igreja da França


Maquete Nossa Senhora de Lourdes

ORAÇÃO À NOSSA SENHORA DE LOURDES


Dóceis ao convite de vossa via maternal, ó Virgem Imaculada de Lourdes, acorremos a vossos pés junto da humilde gruta onde vos dignastes aparecer para indicar aos que se extraviam o caminho da oração e da penitência e para dispensar aos que sofrem as graças e os pródigos da vossa soberana bondade।Recebei, Rainha compassiva, os louvores e as súplicas quer os povos e as nações oprimidos pela amargura e pela angústia dos espíritos – pela luz da fé as trevas do erro।Ó místico rosário com o cleste perfume da esperança aliviai as almas abatidas।Ó fonte inesgotável de água salutar com as ondas da divina caridade reanimai os corações áridos.Fazei que todos nós, que somos vossos filhos, por vós confortados em nossas penas, protegidos nos perigos, sustentados nas lutas, nos amemos uns aos outros e sirvamos tão bem ao vosso doce Jesus, que mereçamos as alegrias eternas junto a vosso trono no céu. Amém.


A fundação da igreja de Santo Antônio da Barra se deu entre os anos de 1595/1600. Em estilo neo-clássico, muito próximo do barroco, a igreja foi construída em alvenaria de pedra e cal. É considerada um “edifício de notável mérito arquitetônico”. Tem uma nave única e um falso corredor no lado esquerdo. A fachada apresenta alto frontão triangular e duas torres terminadas em pirâmide revestidas de azulejos. Nas paredes laterais estão seis quadros à óleo com referência a Santo Antônio. A pintura do teto é maravilhosa e não se conhece o seu autor. Teria sido feita em 1844. Na sala dos milagres encontra-se uma imagem de Santo Antônio em tamanho natural com a faixa de oficial de exército e era mesmo. O do Forte do Farol chegou a ser tenente-coronel. O da Barra deve ter sido pelo menos capitão.

CEMITÉRIO DOS INGLESES

Bem próximo da elevação onde se encontra a Igreja de Santo Antônio da Barra, à direita da Ladeira da Barra, acha-se o Cemitério dos Ingleses, construído numa área absolutamente privilegiada, formando juntamente com o Forte de São Diogo, a Igreja de Santônio da Barra e os antigos casarões da Vitória, um espaço de singular apelo histórico e cultural।


Cemitério dos ingleses

Detalhe muito curioso e que merece registro é o fato de que o Cemitério dos Ingleses foi instalado duas décadas antes da abertura do Cemitério do Campo Santo। Antes disso, com poucas exceções, os baianos católicos eram enterrados nas igrejas ou nas suas proximidades। Aos estrangeiros protestantes só cabia a opção de construir seus próprios cemitérios ao ar livre como era feito com os escravos e marginais. O fluxo de ingleses para a Bahia se deu ainda no tempo de D. João. Foram navios ingleses que deram cobertura ao príncipe regente e sua corte durante a travessia Portugal-Brasil quando da transferência do reino para o Brasil e dois anos após a Inglaterra e Portugal assinaram tratados que dava a Grã-Bretanha o domínio mercantil sobre o Brasil. Dessa maneira, muitos ingleses vieram para o Brasil e especialmente para a Bahia, uns aqui de passagem e outros em definitivo. Os que aqui permaneceram constituíram a comunidade inglesa formada em sua maioria por comerciantes, mas também tinha médicos, professores, engenheiros e tantas outras profissões.O atual cemitério da Ladeira da Barra data de 1830. Antes disso, os ingleses eram sepultados na Maçaranduba, em Itapagipe. (1) (1) - Diz-se também "Massaranduba"

Nos dias atuais, quando a Prefeitura anuncia uma série de obras na Ladeira da Barra, inclusive já tendo desapropriado a Vila Brandão e cerca de 1.029 m2 da encosta em cima do Yacth Clube, a comunidade inglesa está receiosa de relação ao Cemitério dos Ingleses. Temem também uma desapropriação.

Acreditamos que tal não se efetue. Há uma envolvência muito grande desse cemitério com a história da cidade. O que poderá acontecer é uma intervenção no muro que o protege, muro este que, efetivamente, tira toda uma visão de parte da Baía de Todos os Santos.

Um senhor muro



Cemitério dos Ingleses por dentro (fotos 1 e 2)

Por este ângulo vê-se melhor a dimensão do muro

 Por outro lado, é uma construção sem a menor estética, sem nenhuma decoração, sem nada, simplesmente um muro. Poder-se-ia, por exemplo, terem sido colocadas algumas estátuas sobre ele; também poderia ter sido intercalado com colunas parte embutidas em sua estrutura. Mas não! Ele se alonga por grande parte da ladeira e aumenta ainda mais quando se aproxima do elevado da Igreja de Santo Antônio. Várias pessoas ilustres foram sepultadas no Cemitério dos Ingleses, entre eles John Ligertwood Paterson e Edward Pellew Wilson. O primeiro tem seu busto instalado no chamado Largo da Graça, local que também se denomina Praça Dr. Paterson. A época da homenagem é 1886, mais precisamente em 13 de dezembro daquele ano. Acrescente-se ainda que o monumento veio da Alemanha, mais precisamente da cidade de Edimburgo naquele País. Mais informações sobre o até então misterioso Dr. Patenson: era escocês nasceu em 11 de setembro de 1820 e faleceu em Salvador em 18 de março de 1867, só tendo vivido 47 anos. Era membro do Real Colégio de Londres. Era conhecido como o “Doutor Inglês” e atendia a numerosa clientela em Salvador. Foi fundador da Escola de Medicina Tropicalista e notabilizou-se no combate à febre amarela e cólera-morbo.


Dr. Paterson

O segundo, Edward Pellew Wilson foi o fundador da empresa de navegação Wilson, Sons, e um dos primeiros moradores – talvez o primeiro – do casarão no Campo Grande que se tornou a morada dos Cardeais e Arcebispos Primazes do Brasil.

MORRO DO CLEMENTE

Em frente ao Yacth e ao Cemitério dos Ingleses, portanto à direita de quem sobe a Ladeira da Barra, vamos encontrar a segunda maior reserva de Mata Atlântica dentro da cidade. Há diversas denominações para o local e uma delas é “Mansão Clemente Mariani”. Mas entre a importância de uma mansão que quase não é percebida e o enorme espaço verdejante onde ela se encontra, seria necessário um nome mais apropriado à reserva. Podemos chamá-lo de Morro do Clemente

Entrada principal

Acesso

Mansão e piscina

O Morro do Clemente por inteiro


Morro do Clemente - Detalhe
 
Já temos o Morro do Cristo, Morro do Gato, Morro do Gavazza, orro de Santo Antônio da Barra e agora temos o Morro do Clemente em alusão ao senhor Clemente Mariani. Nasceu em Salvador no dia 28/9/1908 e morreu em 13/8/1981. Foi advogado, professor, jornalista, banqueiro e político dos bons. Como político foi deputado estadual e federal e ministro da Educação no governo Dutra em 1950 e da Fazenda no governo Janio Quadros em 1955, além de ter presidido o Banco do Brasil. Como banqueiro foi presidente dos Bancos Comercial da Bahia e Bahia, este último vendido ao Bradesco em 1972. Era governador da Bahia o Sr. Antônio Carlos Magalhães e este quando soube que o Banco da Bahia tinha sido vendido ao Bradesco, desapropriou a mansão onde morava o então banqueiro, justamente o nosso Morro do Clemente. Isso aconteceu em pleno 2 de julho. ACM saiu do desfile e se dirigiu ao palácio. Lá assinou o decreto de desapropriação, confirmado pela justiça após recurso impetrado “a bem do interesse público”. 

Talvez tenha sido uma boa medida. Não fosse isto, hoje teríamos no lugar um condomínio de grandes edifícios de apartamentos. Não há a menor dúvida! A área tem cerca de 100.000 metros quadrados ou mais. Bem ao centro da reserva, vê-se o azul de uma piscina. Nas décadas de 1940-1950, essa área se estendia por todo o espaço onde é hoje o Conjunto Clemente Mariani, abranjendo às ruas Dr. João Pondé, Raul Drumond, Oliveira Salazar e Av. Pres. Kennedy. Do outro lado, alcançava a área do Porto. Era uma área imensa. Na baixada do morro tinha um campo de futebol que se chamava Campo do Galícia, desde que aí treinava esse time. Os clubes amadores também o usavam com frequência.

domingo, 3 de abril de 2011

YACTH CLUBE DA BAHIA - 2

Sem nenhuma dúvida, o Yacth Clube da Bahia é, atualmente, o melhor clube náutico do Brasil. É perfeito! Este blog rende suas homenagens a esse extraordinário clube através uma sucessão de fotos de suas instalações:

O novo elevador

Visto da balaustrada da Ladeira da Barra


De outro ângulo


A piscina à noite - Belíssima

Pier
Espaços maravilhosos e super agradáveis


Bom gosto

Pátio monumental

YACTH CLUBE DA BAHIA

A Ladeira da Barra possui elementos urbanos, isto é, de cidade, extremamente interessantes। Por exemplo, o Yacth Clube da Bahia, a Mansão Clemente Mariani, o Cemitério dos Ingleses e a Igreja de Santo Antônio da Barra. Vamos conversar sobre cada um deles nas postagens seguintes pela ordem apresentada. O Yacth tem uma linda história. Diz-se que o local onde hoje ele está instalado, funcionava uma antiga fábrica de xales. Chamava-se Fábrica de Xales Victória.


Fachada das casas decorada com belos xales

A peça era usada tanto para “cobrir” os ombros das mulheres como para colorir as festas cívicas। Eram abertos nas sacadas das casas. Nas comemorações do 2 de julho, ainda se vê algumas casas ornamentadas com estas peças. Mas, antes da fábrica de xales, muito antes mesmo, o local chamava-se Praia dos Índios. Praticamente aí começou a Vila Pereira quando Francisco Pereira Coutinho, 1º donatário, chegou à Bahia. Corria o ano de 1536. Logo, onde hoje se acha o grande clube, teve inicio a Cidade de Salvador. Verdade que todos os historiadores dão como tendo inicio a cidade em 1549 com a chegada de Tomé de Souza a Bahia e ele, junto com o jesuíta/arquiteto Luiz Dias, escolheram o platô da atual Praça Municipal como sendo a sede do governo. Rigorosamente, contudo, Salvador já tinha 13 anos de existência nas encostas da Barra, do Unhão até o Morro do Padrão, que não é outro senão o nosso tradicional Farol da Barra. Se quisermos caprichar ainda mais nessa questão, a Graça já se formava com a presença de Diogo Álvares Correia e sua mulher Catharina desde 1510. Não devia ser apenas uma aldeia de índios. Já havia caracteres outros. Mas, foi onde era a antiga Praia dos Índios, depois Fábrica de Xales Victória que se formou o Yacth.

Colado ao Cemitério dos Ingleses, começa o grande clube. Aliás, quem desce pelo seu pequeno elevador inclinado ou tem acesso pelo seu novo elevador quem tem o formato do Lacerda, vê à sua esquerda o cemitério que há pouco falávamos como que incrustado no morro.

Entrada pela Ladeira da Barra

Esta devia ser a entrada da Fábrica de xales

Vejamos a história desse extraordinário clube com base em informações colhidas em seus órgãos de divulgação:

“Corria o ano de 1934. Onde é hoje o Hotel da Barra, existia uma pensão que só hospedava estrangeiros. Pertencia a uma senhora conhecida como Madame Striger. Nela residia um casal russo e um filho pequeno. Era a família Taube, ele Walter e teria sido Czar. A mulher de Taube, sempre acompanhada pelo filho, costumava tomar banho de mar na praia em frente. Ela foi uma das primeiras mulheres em Salvador a usar maiô de duas peças, fato que, naturalmente causava certo tremor naquela época. Quando aparecia, a balaustrada ficava repleta de observadores. Um deles, Alfredo Santas Souza, então com 19 anos, resolveu se aproximar e constatou que a moça era estrangeira e morava na pensão em frente. Foi uma abordagem mais de curiosidade do que de outra coisa qualquer, pelo amor de Deus! De imediato a bela jovem diz ser casada e convidou aquele desconhecido a conhecer seu marido. Era alto e mal falava o português, mas dava para entender alguma coisa. Era russo que nem a esposa. Chamava-se Walter Taube. Conversaram sobre barcos e as dificuldades de manutenção e segurança então existentes em Salvador para os proprietários de embarcações. Alfredo era um deles. Possuía um pequeno barco construído em Bom Jesus e vivia ancorado ali no Porto, ao léu. O próprio Taube começava a construir um de 5 metros de comprimento na própria Praia do Porto. Começaram a pensar num local que abrigasse as embarcações e principalmente onde construí-las, uma espécie de estaleiro. Pensaram na antiga Fábrica de Xales Vitória que se localizava na Praia dos Índios, entre a Praia do Porto e imediações do Corredor da Vitória. Foram dá uma olhada no local. Lá estava a antiga fábrica e como sempre acontecia naqueles tempos, era uma mansão como residência e uma extensão ao lado onde era propriamente a fábrica.
Antiga fábrica de xales Victória- tinha que ter uma igreja


Precisavam de recursos. Procuraram os amigos. Na própria pensão tinha um já bem integrado, desde que vinha acompanhando a construção do barco de Taube. Chamava-se Jean Charles Henry Fischer e era holandês. Pronta a embarcação de Taube, programou-se a viagem inaugural para Itaparica onde Alfredo possuía uma casa. Este foi antes de navio para esperar os dois amigos. Depois dos “comes e bebes” os três “visionários” retornaram no barco de Taube. Estavam entusiasmados. Tinham que concretizar o sonho de um estaleiro, aonde, ao mesmo tempo, podessem guardar suas embarcações e jogar conversa ao vento. E bem à frente deles estava a tal casa de uma torre que mais parecia uma igreja do que mesmo uma fábrica. Precisava de mais gente para o empreendimento que estavam sonhando. Procuraram os amigos Theodoro Selling Júnior e Alexandre Robato Filho, também desportistas. Antes já tinha obtido a adesão de Hermano Porto Fernandes, do Banco Alemão, gente de peso. E, exatamente no dia 26 de abril de 1935, o grupo após sucessivas reuniões, resolveu visitar a firma A. Pereira & Cia, proprietária da ex-fábrica Vitória, conseguindo nessa oportunidade, uma opção de compra do imóvel por cinqüenta contos, opção esta assinada pelos senhores Alberto Alves Pereira e Alfredo Joaquim de Carvalho, sócios da empresa. Nessa opção, não se incluía a residência de uma torre, mas, tão somente, as “marinhas” e os galpões ao lado dela, onde efetivamente a fábrica funcionava. Incluía-se também na opção de compra um plano inclinado elétrico com todos os seus pertences, que ligava à fábrica ao resto do mundo, isto é, à Ladeira da Barra. Aí o grupo pensou: quem iria comprar uma casa, apenas ligada ao mar, desde que seu único acesso a terra tinha sido cedido? Retornaram à empresa proprietária e fecharam nova opção, já aí incluindo a referida residência. Nessa altura o grupo já estava reforçado por novos membros: Olivero Henry, Leonardo Carl Aune, Mário Sá e José da Costa Dórea. A partir dai começou a venda de ações que custavam 500.000 réis (um por cento do que o clube precisava para a compra definitiva), jóia de 50.000 reis e mensalidade de 15.000 réis. Nesse ponto, começaram as reuniões preparatórias da Assembléia Geral de fundação do Yacht Clube da Bahia, nome escolhido para o clube. Essas reuniões foram realizadas na sede do Clube Baiano de Tênis. Em 10 de maio de 1935 fazia-se uma primeira sessão preparatória da Assembléia Geral de fundação presidida pelo Comandante Tandredo Tillemont Fontes, Capitão dos Portos, especialmente convidado para presidir a sessão. O prefeito de Salvador foi representado pelo Bel. Eduardo Prisco Paraiso. Na oportunidade foram constituídas as seguintes comissões: Técnica:( W. Taube/ T. Selling Jr. e F.T Browne); Orçamentária: (Carl Aune/ Frederico Espinheira); Escriturária: (A. Robato Filho/ Oscar Luz/ Olivero H.Leonardo/Mario Espinheira de Sá). Em 14 de maio desse mesmo ano foi solicitada a prorrogação da opção de compra por impossibilidade de atender as formalidades legais no prazo concedido e em 19 de maio foram iniciadas as obras: reparo da entrada e do ascensor, montagem, limpeza e preparo geral, inclusive móveis. “Por fim, em 23 de maio de 1935, o Yacht Clube da Bahia era fundado em reunião solene ainda na sede do Clube Baiano de Tênis” (Este foi o relato feito por Alfredo Santos Souza, irmão de Vital Santos Souza, distinto amigo).

sábado, 2 de abril de 2011

VILA BRANDÃO

Em determinada ocasião li num blog que a Vila Pereira começou ou era na Vila Brandão na Ladeira da Barra. Não é verdade! A origem das duas é de uma diversividade estratosférica. A Vila Pereira é de 1536 quando Francisco Pereira Coutinho chegou à Bahia como 1º Donatário dessa região. Nas imediações onde é hoje a Ladeira da Barra, fundou e desenvolveu a chamada Vila Pereira. Mais tarde, quando da fundação da Cidade de Salvador, foi denominada de Vila Velha, apenas por diferenciação com a nova cidade. Já a Vila Brandão é de 1950 aproximadamente, “iniciada” pelo senhor Antônio Florentino da Silva cuja foto publicamos abaixo: O senhor Florentino era de Santo Antônio de Jesus। Foi ele quem construiu a primeira casa nos paredões do Largo da Vitória। Achou ótima! Construiu mais algumas e as alugou। Costumava dizer que “comeu muita farinha para construir aquelas casas"। Era uma justificativa! Nascia assim a Vila Brandão.
Mas por que Vila Brandão e não Vila Florentino ou outro nome ligado a sua pessoa? Ninguém, mas ninguém mesmo sabe informar. Admite-se que tenha residido no local algum morador com o nome Brandão, talvez até com mais influência junto à comunidade do que o próprio Florentino. Não importa muito! O que vale dizer é que o senhor Florentino viveu 100 anos e morreu em 2007. Foi Pai de Santo, jardineiro, dono de bar, feirante e, claro, construtor. Construiu esta vila que hoje é uma dor de cabeça para muita gente. Primeiramente, para o Yacth Clube da Bahia que fica logo ali embaixo O clube se preocupa com o avanço da vila. Um dos últimos confrontos foi por esta razão. Parece que queriam construir um campinho de futebol no morro, campinho este que mais tarde seria cedido para novas casas e assim por diante. O clube reagiu e conseguiu parar a obra. Certa feita escrevemos sobre o assunto nos seguintes termos: “O Yacth convive com a Vila Brandão desde há muito tempo. Não diríamos que seja um convívio pacífico. Tem havido confrontos! O clube defende o seu direito de preservar a encosta que fica exatamente no alto de sua sede. Se ele abrir mão desse direito, a expansão da vila se fará até quase a laje de suas instalações. Ninguém se iluda disto! O Clube perderia toda a privacidade.”
Mas o grande interessado nessa história é o setor imobiliário. A área é extraordinária. Compara-se ao da encosta do Corredor da Vitória. Vale milhões. Em 28 de janeiro de 2007 uma determinada construtora demoliu a Mansão Wildberger, a fim de construir no local um edifício de 35 andares. Publicou a seguinte nota veiculada na internet:
" A população de Salvador, que perdeu boa parte do visual para a baía de Todos os Santos com algumas edificações desordenadas ao longo do tradicional Corredor da Vitória, terá de volta a paisagem do mar e das ilhas descortinadas de um mirante público a ser aberto ao lado da Igreja, com vista de 180 graus trazendo aos olhos um cartão postal que se descortina da Igreja de Santo Antonio da Barra à Basílica do Senhor do Bonfim. Desde a sua entrada o Largo receberá uma intervenção paisagística que engalanará a antiga pracinha, dotando-a de bancos, jardins, lixeiras, iluminação noturna especial, espelho d'água e fontanário, além de gradil com desenho artístico e um calçamento com belo e multicor pavimento.O prédio será implantado nos fundos da Igreja da Vitória em terreno ao lado da antiga residência da família Wildberger, que alterou a arquitetura mexicana do imóvel com um modernoso cimento aparente e apertados cômodos, descaracterizando o projeto inicial. (malho nos proprietário da mansão) Será substituído por uma construção marcada pela elegância refletida em sua volumetria e fachadas no mais alto nível alcançado na Bahia.”
Ai é que reside o perigo, principalmente para o Yacth Clube da Bahia. Enquanto a Vila Brandão está mais ou menos “contida”, ninguém haverá de evitar a expansão dos grandes edifícios. Fizeram isto no Corredor da Vitória. Vão fazer no Santo Antônio Além do Carmo e já estão pensando na Cidade Baixa. Vale lembrar, nesse último particular, o processo de desapropriação de grande área nessa parte da cidade, desde a Água de Meninos até Monte-Serrat. Parece que não se sustentou, por enquanto. Desapropriada já foi também a Vila Brandão pela Prefeitura. Querem fazer no local um Complexo Cultural. O título nos parece absolutamente estranho e inapropriado. Faz-nos lembrar tudo menos uma real intervenção na grande encosta com elementos essencialmente urbanos. O mesmo aconteceu na encosta do Bonfim com resultados desastrosos



Complexo Cultural (!)

Yacth Clube da Bahia – o excepcional clube baiano- Um dos melhores do Brasil


Vila Brandão




Entrada pelo Largo da Vitória

Sobre o assunto, é do conhecimento público a nota que abaixo transcrevemos:
A nota tem boas e más notícias. Uma boa é que a Prefeitura não vai mais “bulir” na Vila Brandão. Vai integrá-la ao projeto. A má é a demolição de uma área de 1.029 m2, possivelmente na encosta em cima do Iate, possivelmente atingindo as construções que o clube fez nesse elevado. Naturalmente, o clube está recorrendo e o processo deve durar anos. O interessante nessa questão, perfeitamente percebível, é que esse plano não fala no Cemitério dos Ingleses, ao lado do Iate. Como se sabe, há um enorme muro de 4 a 5 metros de altura, empatando toda uma vista da Baia de Todos os Santos.


Cemitério dos ingleses Os ingleses se defendem: “aquele muro é histórico. Está em todas as fotos e aquarelas”. Um tanto quanto duvidoso o argumento, mas entende-se perfeitamente a preocupação. Bulir em sentimentos fica difícil. Talvez um gradil, resolvesse a questão.
A pópria balaustrtada não ficaria de toda má.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

AUDIENCIA DO MÊS DE MARÇO DE 2011


Da mesma forma como fizemos no mês anterior –fevereiro – estamos reproduzindo a estatística de nosso blog “História de Salvador – Cidades Baixa e Alta – blogspot. Com. São 10.897 visualizações da página feitas pelo público durante o mês de março, sem dúvida que um número bem expressivo, em considerando as características do mesmo. Como dissemos da vez anterior, achamos necessário divulgar esses números. Eles nos dão a certeza de que estamos no caminho certo e nos incentiva a melhorar cada vez mais. Por outro lado, na praticidade das coisas, se não fizermos a nossa propaganda, quem haverá de fazê-lo? Não é Primeiro de Abril, não, é verdade mesmo.
o autor.