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segunda-feira, 18 de abril de 2011

BARRA-VILA PEREIRA-PRAIA DO FAROL- CRISTO DA BARRA

Como vimos na postagem anterior, a Vila Pereira tem inicio na Praia do Farol e se estende além da Gamboa, possivelmente chegando ao Unhão. São mais de cinco quilômetros de costa litorânea. Nesse espaço se encontram duas belas e tradicionais praias de Salvador: a do Farol e a do Porto, intermediadas por uma faixa intermitente de recifes, ora cheia ora vazia.


Faixa intermitente de recifes na maré vazía

Mapa da área – A enseada é a Praia do Farol – À direita a formação do Morro do Cristo e à esquerda a formação do Morro do Farol

Foto do Google Earth da mesma área
Logo, a Praia do Farol tem a sua direita o Morro do Cristo e à sua esquerda o Morro do Farol, conhecido também como a Ponta do Padrão, desde que ali foi colocado o padrão de posse pelos portugueses da Baía de Todos os Santos. Vamos por parte.Nessa postagem abordaremos o Morro do Cristo. Vejamos o que escrevemos em nosso outro blog “ Circuito Barra – De Vila Pereira a Vila Cartharino” sobre o mesmo:


SALVADOR - CIRCUITO BARRA TERÇA-FEIRA, 13 DE ABRIL DE 2010 MORRO DO CRISTO DE VILA PEREIRA Á VILA CATHARINO Alguém uma vez disse: “se a Bahia começou em Santa Cruz de Cabrália, Salvador começou na Barra.”Quem o disse foi assaz modesto. Deveria ter dito: se o Brasil começou em Santa Cruz de Cabrália, Salvador começou na Barra. Em nosso caso, quando nos propomos a falar sobre esse grande bairro, estamos começando com a imagem de Cristo Redentor da Barra, encimada no alto do morro que leva o seu nome: “Morro do Cristo”. Achamos que também não poderíamos ter melhor começo.


Cristo Redentor da Barra Morro do Cristo

  Visto Através do coqueiral

Cristo e Farol
Cristo visto da Av. Oceânica

Pouca gente sabe, entretanto que, nem sempre a imagem do Cristo esteve neste morro. Ela antes ficava situada no morro onde é hoje a Prefeitura da Aeronáutica. Chamavam esse morro de “Morro de Jesus”, em alusão, claro, a estátua de Cristo ali então existente. Hoje, simplesmente, “Morro da Aeronáutica”. Aconteceu que, numa determinada época, acharam por bem conceder a uma empresa o direito de exploração de uma pedreira que dinamitava esse morro, exatamente aos pés de Jesus. Quando a escavação chegou perto da estátua que ameaçava ser detonada, retiram-na e colocaram-na em um morro adiante que passou a chamar-se Morro do Cristo.



No alto, bem ao centro da foto, a escavação feita pela pedreira A título de curiosidade, vejamos uma foto do hoje Morro do Cristo, antes da colocação da estátua. A foto é preciosa! Mostra-nos o morro ainda sem a estátua e parte da Avenida Oceânica. Há de se reparar ainda os postes de iluminação ao meio da pista

Cristo no Morro da Aeronáutica ou Morro de Jesus,  como era chamado.- Preciosa foto - 1920
´

Em 1924 o herdeiro do trono italiano, o príncipe Umberto di Savoia, visitou o monumento, 
ao lado do governador Gões Calmon. A estatua ficou em Ondina até meados da década de 60 quando foi  transferida em definitivo para o Morro do Cristo, na Barra, menos exposto às detonações de dinamite que justificaram o seu deslocamento.




Uma foto atual. Pedaço da Praia da Barra no ponto onde os surfistas fazem suas manobras

Av. Oceânica - Hoje

Praia do Farol - Vista panorâmica


E como era antigamente este mesmo pedaço-  1860

sábado, 16 de abril de 2011

VILA PEREIRA

VILA PEREIRA

Praticamente, estamos em Vila Pereira. Caminhamos pelas margens do Rio dos Seixos. Suas águas correm na direção sul onde deve estar o mar. Vila Pereira está ali. Aliás, esse rio é um dos limites da sede das terras de Francisco Pereira Coutinho.

Rio dos Seixos
 
Vai desde a desembocadura do rio nas proximidades do Morro do Cristo até a Gamboa, esta inclusa। Grande parte da Praia do Farol, Ponta do Padrão, Praia do Porto, o de mais fino, está nessas terras. Todas as naus que chegam à Bahia param aqui no chamado Porto da Vila Velha. Vem se abastecer de água e víveres. Muitas estão a caminho das índias. Claro que trazem muita mercadoria do exterior. As trilhas e os caminhos percorridos até então pelo nosso amigo andarilho têm haver com este fato. Através deles, essas mercadorias irão chegar até a Cidade Nova; por estão razão, ele evitou escalar os morros que surgiram à sua frente. Mesmo para animais, seria quase impossível. Mas quem foi esse donatário que recebeu de presente terras tão belas? Chamava-se Francisco Pereira Coutinho. Dizem ter sido comido pelos índios! Por que seria? Contam-se muitas histórias, uma delas dizia que era muito cruel e arrogante no trato com os índios, o que gerou diversas revoltas dos selvícolas. Era filho de Afonso Pereira, caçador-mor de D. Afonso V. e de sua segunda mulher, D. Catarina Coutinho, filha dos segundos condes de Marialva. Foi capitão de Goa e do Conselho de D. João III entre 1521 a 1531. Como prêmio pelos seu serviços à nação portuguesa recebeu de presente a capitania da Baía de Todos os Santos. Dizem que, quando chegou ao Brasil já tinha bastante idade. Quando morreu, seu filho quis ocupar o seu lugar mas a Coroa Portuguesa não concordou. Isto gerou um grande conflito de herança por fim resolvido quando o”morgadio” foi entregue a D. Ana Felícia Coutinho Pereira de Sousa Tavares da Horta Amado e Cerqueira.

Francisco Pereira Coutinho

Costuma-se pensar a até a se dizer que as terras cedidas à Francisco Pereira Coutinho se restringiam apenas à Vila Pereira.Em absoluto! A concessão ia da Foz do Rio São Francisco (AL-SE) à Itaparica, alcançando toda a Baía de Todos os Santos e Salvador. A Vila Pereira era como que a séde da Capitania da Baía de Todos os Santos. A história das Capitanias Hereditárias ( tem este nome porque estes territórios seriam transmitidos de forma hereditária de pai para filho, daí o conflito gerado na sucessão – citação acima). Após o descobrimento, o Brasil era assediado por corsários e piratas ingleses, franceses e holandeses que viam até aqui em busca de riquezas que a terra possuía. Portugal concluiu ser necessário colonizar o Brasil e administrá-lo de forma eficiente. Em 1534 D. João III dividiu as terras brasileiras em faixas que partiam do litoral até a linha imaginária do Tratado de Tordesilhas, as chamadas Capitanias Hereditárias. Essas faixas de terra foram doadas para nobres e pessoas outras de confiança do rei. Caberia a eles administrar, colonizar, proteger e desenvolver a região, mas o rei foi muito pródigo ou faltou gente de mais confiança. As capitanias eram enormes, o que gerou grandes dificuldades na administração das mesmas. Praticamente quase todas fracassaram a exceção das de Pernambuco e São Vicente. Por esta razão, em 1549 o rei de Portugal criou um novo sistema administrativo chamado Governo-Geral. Caberia a um governador, chamado Governador-Geral as funções antes atribuídas aos donatários.
 


Mapa das Capitanias Hereditárias
 
Com mais outros detalhes
 
Essa postagem ficaria incompleta se não transcrevessemos os deliciosos escritos de Gabriel Soares, cronista da época ou mais próximo dela (1587) sobre Francisco Pereira Coutinho। A maioria dos historiadores se baseia em seus escritos para falar sobre a Bahia। “Quem quiser saber quem foi Francisco Pereira Coutinho, leia os livros da Índia, e sabe-lo-á; e verão seu grande valor e heróicos feitos, dignos de diferente descanso do que teve na conquista do Brasil, onde lhe coube por sorte a capitania da Bahia de Todos os Santos, de que lhe foz mercê el-rei D. João III, de gloriosa memória, pela primeira vez, da terra que há da ponta do Padrão até o rio de São Francisco, ao longo do mar; e, para o sertão, de toda a terra que couber na demarcação deste Estado, e lhe fez mercê da terra da Bahia com seus recôncavos. E como este esforçado capitão tinha ânimo incansável, não receou de ir povoar a sua capitania em pessoa, e fez-se prestes com muitos moradores casados e outros solteiros, que embarcou em uma armada, que fez à sua custa, com a qual partiu do porto de Lisboa. E com bom vento fez a sua viagem até entrar na Bahia e desembarcou na ponta do Padrão dela para dentro, e fortificou-se, onde agora chamam a Vila Velha, no qual sítio fez uma povoação e fortaleza sobre o mar, onde esteve de paz com o gentio os primeiros anos, no qual tempo os moradores fizeram suas roças e lavouras. Desta povoação para dentro fizeram uns homens poderosos, que com ele foram, dois engenhos de açúcar, que depois foram queimados pelo gentio, que se alevantou, e destruiu todas as roças e fazendas, pelas quais mataram muitos homens, e nos engenhos, quando deram neles. Pôs este alevantamento a Francisco Pereira em grande aperto; porque lhe cercaram a vila e fortaleza, tomando-lhe a água e mais mantimentos, os quais neste tempo lhe vinham por mar da capitania dos Ilhéus, os quais iam buscar da vila as embarcações, com grande risco dos cercados, que estiveram nestes trabalhos, ora cercados, ora com tréguas, sete ou oito anos, nos quais passaram grandes fomes, doenças e mil infortúnios, a quem este gentio tupinambá matava gente cada dia, com o que se ia apouquentando muito; onde mataram um seu filho bastardo e alguns parentes e outros homens de nome, com o que a gente, que estava com Francisco Pereira, desesperadas de poder resistir tantos anos a tamanha e tão apertada guerra, se determinou com ele apertando-o que ordenasse de os pôr em salvo, antes que se acabasse de consumir em poder de inimigos tão cruéis, que ainda não acabavam de matar um homem, quando o espedaçavam e comiam. E vendo este capitão sua gente, que já era mui pouca, tão determinada, ordenou de a pôr em salvo e passou-se por mar com ela nuns caravelões que tinha, para a capitania dos Ilhéus; do que se espantou o gentio muito, e arrependido da ruim vizinhança que lhe tinha feito, movido também de seu interesse, vendo que como se foram os portugueses, lhe ia faltando os resgates que êles lhes davam a troco de mantimentos, ordenaram de mandar chamar Francisco Pereira, mandando-lhes prometer toda a paz e boa amizade, o qual recado foi dele festejado, e embarcou-se logo com alguma gente em um caravelão que tinha, e outro em que vinha Diogo Álvares, de alcunha “o Caramuru”, grande língua do gentio, e partiu-se para a Bahia, e querendo entrar pela barra adentro, lhe sobreveio muito vento e tormentoso, que o lançou sobre os baixos da ilha de Taparica, onde deu à costa; salvou-se a gente tôda deste naufrágio, mas não das mãos dos tupinambás, que viviam nesta ilha, os quais se ajuntaram, e à traição mataram a Francisco Pereira e à gente do seu caravelão, do que escapou Diogo Álvares com os seus com boa linguagem. Desta maneira acabou às mãos dos tupinambás o esforçado cavaleiro Francisco Pereira Coutinho, cujo esforço não puderam render os rumes e malabares da Índia, e foi rendido destes bárbaros, o qual não somente gastou a vida nesta pretensão, mas quanto em muitos anos ganhou na índia com tantas lançadas e espingardadas, e o que tinha em Portugal, com o que deixou sua mulher e filhos postos no hospital".





sexta-feira, 15 de abril de 2011

DESTAQUES DO CHAME-CHAME – ROÇA DA SABINA E CALABAR

Mas nem tudo são flores no maior jardim da cidade, o Jardim do Chame-Chame। Ao seu lado direito, sentido Barra-Centro da Cidade, começam duas grandes favelas de Salvador: a Roça da Sabina e o Calabar. A origem do nome Sabina surgiu em razão da existência no seu atual espaço de uma roça de bananas pertencente a uma senhora chamada Sabina. Daí “Roça da Sabina”. Já Calabar se origina da cidade de Calabar na Nigéria, tendo sido a primeira capital daquele país.



Chame-Chame e as favelas da Sabina e Calabar

Entrada da Roça da Sabina no Chame-Chame

Entrada do Calabar ainda no Chame-Chame

Rua do Calabar - Primeira Travessa

A favelação de Salvador tomou impulso incontrolável na década de 1950. Em 1953, por exemplo, aconteceu a chamada “invasão dos alagados “ em Itapagipe com a tomada de grande parte da Enseada dos Tanheiros pelas palafitas. Esta foi no mar e os poderes públicos nada fizeram para impedi-la ou limita-la. Era como se fosse uma força irresistível. Em terra foram se sucecendo outras onde houvesse um terreno supostamente abandonado e disponível. E também ninguém fez nada! Mas qual foi a razão dessa favelação que tomou conta da cidade, ao ponto de Salvador possuir hoje mais favela do que áreas residenciais normais, na falta de um melhor termo? Fala-se que a grande razão foi o crescimento populacional. Mas que crescimento? O ordenado ou o desordenado? O ordenado é aquele baseado na taxa de crescimento vegetativo normal da população a cada ano. Por este, Salvador não poderia ter hoje quase três milhões de habitantes, a partir de uma base de 400.000 habitantes na década de 1950. Seria um recorde de procriação! O desordenado é aquele que soma o crescimento vegetativo normal com a emigração de gente de outras localidades. Foi o que aconteceu! Atraídos pelas “vantagens” da cidade grande, centenas de milhares de pessoas oriundas do recôncavo e de outras cidades, vieram para Salvador. Suas terras não lhes ofereciam a menor chance de progresso e até mesmo de sobrevivência, em alguns casos. Salvador era a esperança e a seguridade. E esse pessoal quando chega a um ponto de abandonar a sua terra, seus familiares, seu passado, vem com tudo, mas sem nada a oferecer de recursos tidos humanos e materiais. Vêm “sem lenço, nem documento” como diz a letra de famosa música. O primeiro impacto com a nova realidade, após a sede e a fome, é a moradia. Aquelas eram resolvidas com a mendicância. Esta foi solucionada pelas invasões de terremos baldios e do mar, como aconteceu em Itapagipe. E os poderes públicos nada puderam fazer. Só conhecemos uma reação que se notabilizou na época quando ACM em cima de um trator derrubou uma dezena de casebres que se instalou na orla de Ondina. No mais, os poderes constituídos foram impotentes para conter a avalanche humana em busca de um lugar para morar. Outro aspécto que se pode ainda salientar nessa “invasão” desordenada, acontecida nos meados do século passado, foi a procura por locais mais nobres, de preferência próximo ao mar. É o caso das invasões que há pouco falávamos da Roça da Sabrina e do Calabar, mas se poderia citar uma dezenas delas em outros bairros praianos, principalmente Itapoan. Ninguém tentou fazer suas casas no quilômetro 20 da Salvador-Feira onde havia terreno à bessa e ninguém sabia de quem era. Em termos socio-econômicos as favelas são um grande problema. Não há pagamento de impostos prediais, de água e de luz, o que significa dizer que, em vez da cidade enriquecer com a imigração de tanta gente, ela emprobece per-capita. E há uma solução para esse grande problema que atinge a nossa cidade e tantas outras do país?. Deve haver! O primeiro passo rumo a uma equação favorável é reconhecer a irreversalidade das favelas. Elas estão aí para sempre, fazendo parte do panorama das cidades brasileiras, desde que o problema não é somente nosso. No Rio e em São Paulo a situação é caótica. Posta assim a questão da irreversalidade, cabe ao Poder Público “transformar” a favela em algo aceitável, físicamente e socialmente. Tem sido feito alguma coisa. Agora mesmo, no Rio de Janeiro, começa um plano de ocupação das favelas pelas forças policiais de cima para baixo, visando acabar com o tráfico de drogas e a criminalidade. Também estão sendo limitadas as atuais favelas dos morros cariocas com a construção de muros nos seus limites, evitando a expansão. O exemplo partiu da Colombia onde foram feitas modificações estruturais nas suas favelas com até a instalação de periféricos entre um morro e outro. Essas transformações no país vizinho refletiu no social das comunidades de forma até surpreendente. Mais estudantes nas ruas, mais transparência, mais confiança e nesse quadro estão surgindo novas oportunidades de trabalho num novo comércio que aos poucos vai se instalando no local: são mercadinhos, clínicas, farmácias e até agencias bancárias, todas dando preferência aos moradores locais, por força de lei. Salvador é uma cidade rodeada de um maciço rochoso que a contorna de vários lados. Ondina, Morro do Gato, do Ipiranga, Alto das Pombas, Brotas, Federação, Santo Antônio, Barbalho, Liberdade, Lobato, Plataforma, Paripe, etc., tudo enfim está no alto. A gente passa em certos lugares e vê as casinhas como que despencando pelos morros, mais parece um presépio à noite. Porquê não pintá-las? Nas Ilhas Gregas todas são caiadas de brancas e são uma atração turística. Mais o branco é muito branco já dizia o outro. Então que se pinte de diversas cores, A Prefeitura daria o passo inicial e quem viesse a construir novos barracos, teria que pintá-los ou de branco caiado ou com alguma cor, menos deixar em tijolo exposto, o que é um descaso. O cara constrói um quase prédio de três andares com laje e tudo e não tem dinheiro para rebocar e pintar a parte externa? É inaceitável!



Como ficaria a Roça da Sabina



Mas isto é mascarar uma realidade! Sem dúvida que, isolamente, o é. Foi feito na encosta do Unhão, junto ao museu que alí existe. Os casebres foram todos pintados e melhorada a sua estrutura. Ficou lindo o conjunto! Junto a esse caiamento geral ou pintura, seriam feitas obras de sustentação de encostas, asfaltamento, postos médicos, postos policiais bem lá em cima com vistas a dominar a situação de todo o morro como está se fazendo no Rio e se fez na Colombia. . É duro lutar de baixo para cima como se está vendo nas favelas cariocas. Os bandidos em situação privilegiada são uma força quase imbatível, em razão de sua situção estratégica Os pobres dos policiais cariocas já devem estar sofrente de torcicolo e não tem como vencê-los desse jeito. A posição de combate bandido-policial carioca precisa ser invertida. Finalizando, a título de curiosidade e até de espanto, a primeira favela brasileira nasceu há mais de 100 anos com o aparecimento do Morro da Favela no Rio de Janeiro. No local se instalaram casas provisórias que foram entregues aos soldados que regressaram ao Rio após a Guerra dos Canundos em 1897. Praticamente, foi um começo oficial, isto é, iniciativa do próprio governo. O povo deu a devida sequência. (Descobre-se é coisa!)

DESTAQIES DO CHAME-CHAME – SHOPPING BARRA

(Estamos transcrevendo quase que por completo a postagem desse shopping do nosso blog – Circuito Barra- De Vila Pereira à Vila Catharino – publicada em 19 de maio de 2010- Não havia meios de fazê-lo melhor)
Fica no Chame-Chame um dos melhores shoppings-centers de Salvador, o Barra। Foi inaugurado em 16 de setembro de 1987, logo há vinte quatro anos atrás. No local existia um morro e a área pertencia à família Luz de Euvaldo Luz. Aliás, também era morro, o local onde foram construídos os três prédios ao final da Avenida Princeza Leopoldina, bem como a baixada que hoje dá para a Rua Frederico Smith, onde hoje funciona o super-mercado do Chame-Chame. Toda essa área também pertencia a essa família. Antes da demolição onde é hoje o shopping aconteceu um fato inusitado. Uma onça do zoológico conseguiu fugir lá de Ondina e veio se refugiar exatamente no Morro do Chame-Chame poderíamos assim chamá-lo. Foi um Deus nos acuda! Ninguém passava por perto. Aí se lembraram do advogado e radialista esportivo Luiz Sampaio, que era caçador experiente. A intenção era matar o animal. Poderiam ter pensado noutra solução. Uma dopagem, por aí! Orientados por Luiz Sampaio, pessoal do Corpo de Bombeiro amarrou um pequeno bode numa das árvores do morro e, quando chegou a noite, a onça faminta se aproximou para devorar o indefeso animal. Luiz se encontrava na espreita com um fuzíl de alto calibre apontado para o local. Não deu outra, o animal foi sumariamente abatido. Livre da onça e cumpridas todas as formalidades necessárias, o morro foi aos poucos sendo demolido para dar lugar ao belíssimo shopping.


Interior do Shopping em época de Natal
Antes dos shoppings a população baiana ficava restrita ao comércio da Rua Chile, São Bento, São Pedro, Praça da Sé, Comércio, Baixa dos Sapateiros, Calçada e Liberdade।Tudo à céu aberto. Era o chamado shopping center à ceu aberto. Tudo era difícil; não havia sanitários e a segurança era precária. Quando chovia, praticamente o comércio parava. O faturamento caia das alturas. Na Rua Chile ficavam as melhores lojas, inclusive magazines como a famosa Duas Américas, a Sloper, a Casa Alberto, o Adamator, a grande farmácia Chile. Também existiam os cinemas que eram a grande diversão da época. Na Praça da Sé o Excelsior; na Rua Guedes de Brito, o Cinema Liceu; na Rua Ruy Barbosa o Cinema Glória e na Praça Castro Alves, o cinema Guarani, depois denominado Glauber Rocha. A Rua Chile era também o local do desfile de nossas beldades e também onde se exibiam artistas e políticos. A Assembléia Estadual funcionou por algum tempo nas proximidades da Praça da Sé e quem quisesse conhecer político era só circular pela Rua Chile. Eles ficavam parados no passeio ao lado do Palácio do Governo. Os vereadores também, desde que a Câmara Municipal era alí perto. Mas quando dava 6 horas, a rua era um deserto. Os mais retardatários ainda arriscavam um sorvete na Cubana, ao lado do Elevador Lacerda ou iam fazer compras na Confeitaria Triunfo que depois incendiou-se. A maioria, contudo, já estava nas filas dos ônibus na Praça da Sé em direção aos seus bairros. Em tempos mais passados eram usados os bondes que circulavam a partir do Largo da Sé, passava pela Rua Chile, Praça Castro Alves e seguia pela Ladeira de São Bento, São Pedro, Campo Grande, Corredor da Vitória; descia a Ladeira da Barra e ia até Rio Vermelho e depois Amaralina, ponto final. Tinha “pontos” a cada 200 a 300 metros. Após a Sé o primeiro ponto era na Praça Municipal para só ter outro na Praça Castro Alves. Na rua Chile os bondes passavam direto. O pessoal que morava na cidade baixa, descia o Elevador Lacerda de preferência; mas também tinha a opção do Plano Gonçalves. Bem frente ao Elevador Lacerda existia um abrigo que era chamado “Abrigo de Passageiros”. A esquerda ficava o antigo e original Mercado Modelo que também pegou fogo; à direita a Praça Cairu sem o estacionamento que existe hoje. Onde hoje funciona o Mercado Modelo, funcionava a Alfândega. Aqui era o começo da linha dos bondes que seguiam pela Rua Portugal, Jequitaia,Frederico Pontes em direção à península itapagipana, passando pela Calçada, Mares, Roma e ai trifurcando pela Avenida Luiz Tarquinio em direção à Boa Viagem à esquerda; ao centro em direção ao Bonfim e à direita pelo Caminho de Areia em direção ao Papagaio, seguindo pela Visconde de Caravelas e indo até a Ribeira, onde era o ponto final dessa linha.

Também tinha um terminal de ônibus em baixo do viaduto da Sé à direita. Os veículos desciam pela chamada Ladeira do Corpo de Bombeiros, como era mais conhecida, pegava a esquerda pela Baixa dos Sapateiros e seguia em direção aos bairros do Barbalho, Lapinha e Liberdade. Subiam numa rua estreita que ainda hoje existe, em frente ao antigo cinema Jandaia. Era uma rua enladeirada e dava nas proximidades da Quintandinha do Capim, depois Rua Siqueira Campos, Santo Antônio à direita e Barbalho em frente. Do Barbalho o bonde seguia em direção à Liberdade. Santo Antônio e Barbalho também eram alcançados pelo antiquíssimo Elevador do Pilar que fica na Rua do Pilar.Caminhava-se pela Praça Marechal Deodoro em meio aos oitizeiros, subia as escadas onde é hoje a receita Federal e se estava às portas do antigo elevador. Aqui, antigamente, era o paraiso dos grandes trapiches. Vez em quando, desde que quase sempre estava quebrado, funcionava o Elevador do Taboão que ligava à Baixa dos Sapateiros ao Comércio, nas proximidades da Praça Conde dos Arcos. Esse era o fluxo do transporte e das pessoas de antigamente até por volta de 1974, mais ou menos. Aí a Assembéia foi transferida para o Campo Grande e em seguida para a Pararela. A Rua Chile perdia uma de suas atrações! Em 1975 o Shopping Iguatemi é inaugurado onde é hoje o bairro Iguatemi nome oriundo do próprio shopping. O centro da cidade esvaziou de vez. As Lojas Duas Américas, Sloper, Alberto e posteriormente o Adamastor, fecharam as portas.Os hoteis da área se esvaziaram. Pálace, Meriodional, etc. já não eram a opção preferida dos viajantes. Estava encerrado um ciclo. (Esta foi uma grande oportunidade para retratar fatos e costumes de uma época) Com todo o sucesso do mundo, o Iguatemi foi o propulsor de novos empreendimentos nesse setor e em 1988, 13 anos depois, inaugurou-se o Shopping Barra. Já que estamos falando em shoppings e dada a sua importância hoje em dia, vale destacar que os shoppings centers dentro da concepção que hoje se conhece, surgiram nos Estados Unidos na década de 1950. Antes do atual estágio falava-se no “Grande Bazaar de Isfahan”, atual Irá. É uma estrutura de dez quilômetros de estensão com grande parte desse espaço coberta. Cita-se também a Inglaterra como tendo sido pioneira em grandes “estruturas cobertas”. É o caso do Oxford Covered Market (Mercado Coberto de Osford) inaugurado em 1 de novembro de 1974. Se é assim, considerando estruturas cobertas como sendo shoppings, deveremos citar que nosso antigo Mercado Modelo teria sido o nosso primeiro shopping. Não tem nada haver os do Irã, Oxford e o nosso querido Mercado Modelo com os magnificos shoppings de hoje, que enriquecem todas as cidades do mundo e dão às gerações que os desfrutam todo o conforto que se possa imaginar. Como curiosidade, informe-se que o maior shopping center do mundo se acha na China, em Dongguan, norte de Hong Kong. Chama-se South Chia Mall. Ele superou em área construída e número de lojas ao antigo recordista, O West Edmonton Mall da cidade de Edmonton no Canadá. O templo de consumo chinês tem mais de 1500 lojas e foi inaugurado em 1995. Emprega mais de 35.000 pessoas. Para variar, hoje, o segundo maior também está na China e chama-se Golden Resources, localizado em Beijing. Jogou o West Edmonton para terceiro.



South Chia Mall


West Edmonton Mail – Sensacional! – Parque Aquático
 
No Brasil, o primeiro shopping center foi o Iguatemi de São Paulo inaugurado na década de 1960. Hoje o Brasil conta com cerca de 500 shoppings contra a enormidade de 30.000 desses estabelecimentos nos Estados Unidos. Não se poderia encerrar essa postagem, sem que nos referíssimos à diversas citações encontradas principalmente na internet, sobre o formato do Shopping Barra. Acham muitos que ele tem semelhança com a cruz suástica nazista. Pode ser! Talvez uma coincidência! O que é lamentável é a conatação negativa que se pretende fazer com esta semelhança. E daí? A cruz suástica não foi uma invenção da Alemanha-Nazista. Ela é um símbolo místico encontrado em muitas civilizações, dos índios Hopi aos Astecas, dos Celtas aos Budistas e dos Gregos aos Hindus. Na China tem suástica. No Japão também e neste país ela representa templos e santuários. Na India é tida como “boa marca”. A palavra "suástica" deriva do sânscrito svastika (no script Devanagari, significando um amuleto da sorte, e uma marca particular de pessoas ou coisas que trazem boa sorte. Viu como se pode ver uma determinada coisa que parece negativa de outra maneira? Pelo lado positivo que se escondia no desconhecimento e na ignorância.

A cruz suástica de muitos povos. Infelizmente os nazistas a usaram muito mal! O Shopping Center Barra visto do alto

Interior

quinta-feira, 14 de abril de 2011

RIO DOS SEIXOS – CHAME-CHAME

Na postagem anterior, vimos que o andarilho que tenta alcançar a Vila Pereira na Barra estancou na esquina entre as avenidas Princesa Leopoldina e Princesa Izabel. Não pôde seguir pela Av. Princesa Izabel porquê àquela época (1549/50) ainda não existia siquer um trilha que o conduzisse até à Vila. Por outro lado, havia um morro à frente, impedindo a passagem. O caminho mais viável para alcançar a praia onde estava a Vila Pereira, seria descer até o Chame-Chame e seguindo o Rio dos Seixos, alcançar o mar. Não tinha erro. O rio corria na direção do oceano onde iria desembolcar. Tinha diversas opções de descida: pela Manoel Barreto; pela Dr. José Serafim e até pelo Vale do Canela. Praticamente, todas as trasversais da Graça ou dão no Vale do Canela do outro lado ou alcançam o Vale do Chame-Chame onde corre o rio.
Mapas da região da Graça

O Rio dos Seixos é um afluente do Rio Camurugipe

A Bacia Hidrográfica que atinge toda a Centenário chama-se Bacia do Lucaia.O Rio Lucaia é um braço do Rio Camurujepe a partir do Iguatemi. Recebe água de corregos de Brotas e vai desaguar no Largo da Mariquita no Rio Vermelho. Já o Rio Camurigipe do qual resulta o Lucaia, nasce na Boa Vista de São Caetano e chega a ter 20 metros de largura próximo ao Iguatemi

Rio Camurugipe Bacia Hidográfica de Salvador

Quando se construiu a Av. Centenário por volta de 1959/60 no governo do Gal. Juracy Magalhães, já se fez o estreitamento do Rio dos Seixos para dar espaço às pistas de rolamentos nos dois sentidos.

Era assim Pintura do local- Vê-se o canal

Praticamente, não havia mais rio. Era apenas um canal e um canal fétido, desde que recebia dejetos das residências nas proximidades. Por outro lado, em razão de seu estreitamento, quando chovia, toda a Centenário ficava inundada. Portanto não procedem as críticas de que o prefeito que fez a Nova Centenário (João Henrique) acabou com Rio dos Seixos. Praticamente, ela já não existia e não havia como alargá-lo em razão das pistas de rolamento.

Adiante, fotos do Chame-Chame: