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terça-feira, 17 de maio de 2011

AV. 7 DE SETEMBRO – ROSÁRIO E MERCÊS

É super interessante e curioso saber que o trecho da atual Avenida 7 de Setembro que vai da Praça da Piedade até a Igreja do Rosário era antigamente uma rua chamada Rua Conselheiro Pedro Luiz e como toda a rua tinha suas limitações. Esta, então, era interrompida cerca de 100 metros à frente pela Igreja do Rosário.

Mas, como assim? Verdade! A Igreja do Rosário interrompia o trajeto da rua com suas paredes monumentais. Desviava-a para a esquerda ou para a direita e prosseguia adiante, possivelmente com outro nome.

Esse tipo de interrupção já aconteceu em São Pedro, quando a Igreja do mesmo nome se situava de frente para a Praça Castro Alves, obrigando os acessos se desviarem para os lados.
Vejamos como era a coisa:





A segunda foto foi tirada no momento de uma procissão no local. Na primeira foto temos um bonde circulando no local. Não se sabe se esse bonde prossegue pela rua à direita ou faz a volta em frente à igreja.


Um pouco mais atrás, no princípio da atual Avenida 7 de setembro, na famosa Ladeira de São Bento, algo semelhante aconteceu. O efetivo trajeto da avenida era em linha reta e não em curva poupando o Convento de São Bento, como realmente aconteceu.


Projeto em linha reta – Consequência: demolição do convento. Ai aconteceu uma revolta popular envolvendo o povo de um modo geral, entidades diversas, os padres, lógico, contra a demolição da grande igreja.

E, pela primeira e única vez, o Governador JJ.. Seabra cedeu. Resolveu contornar o templo, provocando uma curva na grande avenida que se pretendia toda reta. Ficou assim:



Projeto em curva – O Monumento foi preservado

Extraordinária foto da Ladeira de São Bento (acervo do Instituto Histórico da Bahia). Ainda não havia sido construído o Edifício Sulacap na esquina com a Rua Carlos Gomes.O prédio pintado de amarelo ocre foi demolido para a construção daquele. Será que compensou?


Daí em diante o governante foi implacável. Botrou abaixo a Igreja de São Pedro e o mesmo fêz com a Igreja do Rosário, ainda que parcialmente. Seguindo em frente, no caso do Convento das Mercês também fez intervenções, afim de permitir o prosseguimento de sua avenida.
O resultado geral foi mais ou menos este:
Figura azul o Mosteiro de São Bento –MANTIDO; Figura roxa a Igreja de São Pedro – DEMOLIDA; Figura vermelha a igreja do Rosário- PARTE DEMOLIDA e por fim a figura rosa, o Convento das Mercês – PARTE DEMOLIDA/PARTE CONSERVADA. A entrada ao centro, representa a Praça da Piedade.

Elementos em fotos dos componentes acima:


Mosteiro de São Bento

Convento Nossa Senhora das Mercês

Convento das Mercês do alto - Enorme!

Convento das Mercês - Como era - 1870
Sendo demolido


Santa Úrsula

Foi fundado em 1735 pela baiana Úrsula Luisa Monteserrate। Inicialmente funcionou como internato até o ano de 1745. Posteriormente como externado -1897. A ordem de Santa Úrsula foi criada na Itália no ano de 1535. A autoria é da camponesa Angela Merici, com o objetivo de "lutar contra as heresiase o espírito pagão e pela expansão do reino de Deus, através da caridade e da educação do sexo".


Igreja do Rosário

No ano de 1689, foi criada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, erigindo capela fora dos muros da Cidade em 1746. Chamada de capela de Nossa Senhora do Rosário de João Pereira, obtendo o breve de Confraria concedido pelo papa Pio VI no ano de 1779.


Magnífica porta de entrada

Placa comemorativa de "inauguração" da igreja

Nossa Senhora do Rosário

Igreja do Rosário no contexto da Avenida (ao fundo)

sábado, 14 de maio de 2011

PRAÇA DA PIEDADE – DESTAQUES

Praça da Piedade de antigamente possuía componentes arquitetônicos maravilhosos, todos eles extraordinariamente belos। O mesmo não se pode dizer da mesma praça hoje em dia। Enquanto ainda vemos duas belas igrejas – Nossa Senhora da Piedade e São Pedro - e dois outros prédios maravilhosos – Gabinete Português de Leitura e o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia- conta com mais duas estruturas que destoam completamente das referências acima citadas – antigas sedes da Secretaria de Segurança Pública e da Escola Politécnica da Bahia।



Igreja Nossa Senhora da Piedade
Foi construída em 1664 por iniciativa de D।Afonso VI। Antes, no local, funcionava um hospício।

Igreja de São Pedro


Na primeira metade do século XVII, já existia uma primitiva capela sob a invocação de São Pedro, no local onde hoje se encontra o Forte de São Pedro, pertencente a particulares.
Em 1679, foi criada a "Freguesia de São Pedro" (antigo nome de Paróquia), pelo primeiro arcebispo de Salvador.Data de 1691 a construção da primeira igreja de São Pedro. Em dezembro de 1692, uma carta-régia ordenava que fosse cedido ao rei de Portugal, D. Pedro II, "o padroado e direito livre da igreja" e se providenciasse a construção de uma nova igreja, a cargo da Fazenda Real, que serviria de matriz para recém-criada Freguesia de São Pedro. A capela foi demolida e reconstruída, no início do século XVIII, próxima ao Mosteiro de São Bento, no largo que passa a se chamar de São Pedro, (Calçadão do Relógio de São Pedro. Em 1912, o governador José Joaquim Seabra desapropriou a igreja para, em seu lugar, construir a Praça Barão do Rio Branco e abrir a Avenida Sete de Setembro. Sob protestos dos paroquianos e devotos, a igreja começou a ser demolida em maio de 1913. A construção do novo templo começou em junho de 1916, num terreno situado na esquina da Praça da Piedade com a Avenida Sete, com inauguração em 2 de dezembro de 1917.
Gabinete Português de Leitura


Foi inaugurado em 2 de julho de 1923, por ocasião das comemorações do centenário da Independência da Bahia. Abriga preciosidades como uma biblioteca de 15 mil volumes, pinacoteca com 168 telas, comendas e condecorações significativas da história da Bahia e do Brasil.

O Gabinete Português de Leitura de Salvador foi criado em 02 de março de 1863, na sala de sessões da Real Sociedade Portuguesa de Beneficência Dezesseis de Setembro, por iniciativa de um grupo de portugueses, que tinha por finalidade a aquisição de um maior número de obras de "reconhecida utilidade", escritas em português e francês, para utilização de todos. Seu fundador e primeiro Presidente foi o português Comendador Manoel Joaquim Rodrigues, acompanhado de seu irmão, Francisco José Rodrigues Pedreira. Ambos portugueses, idealistas, nascidos em Soutelo, Município de Vila Pouca de Aguiar, Portugal. No mesmo ano, em 09 de junho, foi instalada a sua primeira sede, na Rua Direita do Comércio, n° 44, 2° andar, onde tiveram início as suas atividades.

Devido à sua crescente procura, o Gabinete foi transferido três vezes, sendo a última instalação em 27 de junho de 1896, a da Rua do Palácio n° 40 (originalmente era chamada Rua Direita do Palácio e, depois, Rua Chile).

Ficou pouco tempo na Rua Chile, pois a reestruturação urbana indicava vários edifícios para serem demolidos. O edifício do Gabinete de Leitura encontrava-se nessa lista das demolições que permitiria a realização das obras de alargamento da Rua Chile. Para isso, o Presidente, Sr. Augusto Pinho, levou ao conhecimento da Diretoria a proposta do Intendente Municipal para a sua desapropriação, recebendo por indenização a quantia de oitenta contos de réis.

O novo edifício do Gabinete Português de Leitura, construído na Praça 13 de Maio, atual Praça Piedade, foi inaugurado em 03 de fevereiro de 1918.
 
Instituto Histórico e Geográfico da Bahia
Foi inaugurado em 2 de julho de 1923, por ocasião das comemorações do centenário da Independência da Bahia. Abriga preciosidades como uma biblioteca de 15 mil volumes, pinacoteca com 168 telas, comendas e condecorações significativas da história da Bahia e do Brasil.


Antiga Secretaria da Segurança Pública em frente e ao lado a também antiga Escola Politécnica da Bahia – Os dois prédios destoam completamente do resto do conjunto.
Para não se pensar que estaríamos exagerando, vamos reproduzir uma imagem de como era esse lado da praça antigamente:

Palácio do Senado
Existia uma rua onde até passava bondes e o largo (cercado) começava à direita

terça-feira, 10 de maio de 2011

PRAÇA DA PIEDADE

Pelourinho, Rua da Forca e Piedade, três localidades que tem certa similaridade em razão de acontecimentos havidos no passado. No Pelourinho os criminosos eram torturados e expostos a execração pública; a Rua da Forca tem esse nome em razão de que os criminosos condenados à forca, passavam por essa rua em direção à Piedade. Com grande acompanhamento popular, caminhavam pela Rua Carlos e na altura da Rua da Forca, dobravam à esquerda em direção à Piedade: nesta praça era feita a execução dos ditos cujos.


Antiga Rua Carlos Gomes
 
Rua Carlos Gomes hoje
 

Placa da Rua da Forca

Rua da Forca

É sobre essa praça que essa postagem vai tratar. È uma grande praça! Uma das melhores de nossa cidade! Seu acervo é impressionante: tem duas grandes igrejas; o Instituto Histórico e Geográfico da Bahia; o Gabinete Português de Leitura e de sobra, a antiga sede da Secretaria da Segurança Pública.
Fica ao longo da Avenida 7 de setembro, logo após São Pedro.
Avenida 7 de setembro – Ao fundo vê-se a torre da Igreja de São Pedro na Praça da Piedade


A mesma avenida século XIX
 


Praça da Piedade – Igreja de N.S da Piedade


Praça da Piedade – Instituto Histórico


No século XVIII era a principal praça da cidade। Um dos fatos mais marcantes de sua história foi a execução dos condenados da Conjuração Baiana em 8 de novembro de 1799। Seu principal figurante, Luiz Gonzaga das Virgens teve a cabeça e as mãos decapitadas, ficando as mesmas expostas na tradicional praça। Tenha piedade! Inicialmente foi chamada de Praça do Hospício em razão da construção do Hospício de Nossa Senhora da Piedade onde está localizada a Igreja e o Convento da Piedade. E como se originou o nome “Praça da Piedade”? Conta-se que ao tempo de 1895 a população tinha costume de depredá-la sem dó e sem piedade!


Ou “tenham piedade da praça”, conforme excelente manifesto do médico José Jorge Almeida Pimenta retratando os dias atuais da grande praça.

“Excesso de liberalidade e de acolhimento, esta é a nossa tese que busca explicar a razão para o estado deplorável e de total imundice pelo qual passa a nossa Praça da Piedade.
Praticamente o "jardim" da Secretaria de Segurança Pública (SSP), área que deveria ser de segurança máxima no Estado da Bahia, com policiamento exemplar, podem-se ver famílias inteiras e delinqüentes a alojarem-se com colchões e utensílios domésticos no espaço público, onde a população se depara com fezes e urina humanas, restos de alimentos e todo o tipo de lixo. A exploração de crianças por adultos que as forçam a pedir esmolas, o uso inadequado da fonte luminosa para banhos, lavagem de roupas, depredando, assim, o patrimônio público (já serraram até o braço de uma das estátuas,) constituem crimes flagrados corriqueiramente pelo poder público que os ignora. Daí o excesso de liberalidade.

No nosso entendimento, ainda que nutramos o sentimento de humanidade e caridade com nossos semelhantes menos favorecidos, poderíamos (mesmo porque merecemos) ter a nossa Praça da Piedade, no mínimo, limpa e bem conservada, afinal pagamos caríssimo pela colocação dos bancos de granito, pelo gradil fantástico, pela restauração da fonte luminosa e das estátuas, isso sem falar do belo jardim com gramado e bordas antes impecáveis.”
 


Igreja Nossa Senhora da Piedade vista através dos gradis de Caribé


Igreja de São Pedro ainda através dos mesmos gradís


Destaque maior para os maravilhosos gradis do grande artista


Chafariz



Com outros elementos

 


Ainda o Chafariz


Belíssima decoração

sexta-feira, 6 de maio de 2011

DESTAQUES DA AVENIDA SETE – RELÓGIO DE SÃO PEDRO

Quem passa por São Pedro na Avenida 7 de Setembro, não imagina que no local onde hoje se acha o tradicional relógio – Relógio de São Pedro – existia uma grande igreja। Aconteceu o seguinte: em 1913 quando da ampliação da avenida, a mesma foi demolida। Para compensar a perda, o governo colocou o tal do relógio no local. Foi uma forma de compensar a grande perda arquitetônica e religiosa. Na época foi um “Deus nos acuda”. Devotos e paroquianos protestaram contra a fúria demolidora de J.J. Seabra, já salientada em postagem anterior. Mas o homem só pensava na avenida. O que tivesse à frente de seu trajeto seria sumariamente demolido.





É brincadeira – Demolir um templo deste?!

Sua frente ficava na direção norte, rumo a Praça Castro Alves – Mais ou menos na mesma posição do Mosteiro de São Bento.
Realmente uma posição bastante impeditiva ao trajeto mais ou menos reto da avenida, contudo, há de se observar que no caso do Mosteiro de São Bento se fez uma curva. O mesmo poderia ser feito com a Igreja de São Pedro, preservando-a ou que se demolissem os casarões à direita do templo, vistos na foto acima.

Também foi demolido o convento de Nossa Senhora das Mercês (séc. XVIII), a igreja de Nossa Senhora do Rosário (séc. XVIII), o antigo prédio do Senado (séc. XIX) e o mosteiro de São Bento (séc. XVI), onde seria construído o palácio do governo. O convento de Nossa Senhora das Mercês sofreu demolição da fachada colonial e foi remodelado em 1914; a igreja de Nossa Senhora do Rosário e o prédio do Senado foram demolidos em parte e remodelados em 1915 e 1919 respectivamente; o mosteiro de São Bento resistiu ao decreto governamental nº 159 de 24 de agosto de 1912 e permaneceu intacto. Os beneditinos botaram pé firme.

Vejamos as críticas publicadas pela imprensa da época:

Jornal A Tarde (julho de 1913) “Não passe por São Pedro que a sua vida corre perigo. Ali, com um desprezo mais ou menos irreverente pela matéria prima sagrada do templo que, por tanto tempo, abrigou o Milagroso Patriarca, jogam-se tijolos e vigotas pelas janelas afora sem a menor”.

Jornal A Tarde (agosto de 1913): "A demolição da igreja de São Pedro carece ser feita com mais habilidade. Os moradores de São Pedro, Portão da Piedade, Duarte e Cabeça de há muito reclamam contra a maneira que está sendo demolida a igreja de São Pedro". Reclamam das nuvens de poeira que sujam suas casas e do perigo dos blocos de pedra que despencam das torres, ameaçando a vida de quem passa pelo local”.

E como já se disse, no lugar da bela igreja, colocaram o nosso Relógio de São Pedro.






 Relógio de São Pedro em rua (av) movimentada
 
Foi importado da França। É um relógio “Henry Le Paute। A coluna é de autoria de Pasquale De Chirico (1). O material é constituído por ferro fundido e granito e mede 6.50 m. de altura. Na parte superior possui quatro relógios, apoiados por quatro figuras de Atlantes (2).


(I) Pasquale De Chirico

(2) O termo atlante, em arquitectura, refere-se a um tipo de coluna antropomorfa onde, no lugar do fuste, se apresenta a forma esculpida de um homem. (no caso, mulheres).

Foi inaugurado em 15 de novembro de 1916।

Encimando o conjunto de relógios, encontra-se lampião adornado, também em ferro fundido, com função primitiva de iluminação.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

AVENIDA SETE DE SETEMBRO


Ladeira de São Bento – Na esquina está sendo levantado o Edifício Sulacap
Governador José Joaquim Seabra

A Avenida 7 de setembro tem começo na Ladeira de São Bento e termina na Barra, território da Vila Pereira। Tem 4.6 mil metros e é uma avenida sui-generis. Por quê? Diferente da maioria das avenidas, apresenta diversas interrupções no seu trajeto e perde a denominação oficial em muitos trechos.

A primeira interrupção ocorre no Campo Grande, a famosa Praça da Bahia. Depois continua pelo Corredor da Vitória, passando assim a ser chamada. Logo em seguida, ocorre outra interrupção, desde que temos à direita o Largo da Vitória. Desce a Ladeira da Barra e ganha essa denominação. Ao final, outra interrupção, desde que estamos no Largo do Porto da Barra. Continua em frente como sendo Porto e termina nas proximidades do Largo do Farol.

Não tem esse morador da grande avenida que diga: “eu moro na Avenida 7 de Setembro, 2631” (Esse número se acha no Corredor da Vitória). Com toda a certeza, ele dirá: “moro no Corredor da Vitória, numero tal”. Aliás, quando ele comprou o apartamento nesse local, a locadora o vendeu como sendo “Corredor da Vitória – Edifício tal”. Se fosse dito, Av. 7 de setembro, certamente que o preço cairia.
O mesmo acontece com o morador, por exemplo, do número 3490 na Ladeira da Barra। “Moro na Ladeira da Barra”. Aqueles que moram mais adiante, no Porto, por exemplo, dirá: ” Moro no Porto, 4200”.

Seria uma degeneração do nome oficial ou o status de seus diversos trechos? As duas coisas, sem dúvida।

Mas por quais razões se fez uma avenida desse jeito, provocando indefinição de endereços? Por que não se respeitou os trechos existentes antes mesmo da definição de seu trajeto?

Esta é uma obra do Governador J.J. Seabra. Dizem que foi a sua maior realização. Certos trechos entre São Bento e o Campo Grande, foram feitos na base da derrubada de quarteirões de prédios, inclusive de igrejas. Com o homem não tinha conversa. A sanha reformista de que foi possuído era enorme. Conta-se que na abertura da Rua Miguel Calmon no Comércio - outra obra de sua autoria - o homem queria botar a baixo o prédio centenário da Associação Comercial da Bahia. Não conseguiu seu intento, por que os trapicheiros do local, (eram mais de 400) que haviam custeado a obra, fizeram um movimento de manutenção do palacete.

Concluída a obra, decidiu-se que todo o trecho demolido, mais os que já se encontravam prontos, cada qual com sua denominação tradicional, seria denominado apenas Avenida 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil। Teria sido melhor Avenida 2 de Julho, dia da Independência da Bahia, inclusive porque em determinados trechos de seu trajeto, ocorreram fatos importantes de nossa independência. Por exemplo, pelo Corredor da Vitória, desfilaram as tropas vencedoras.

E como reagiu a imprensa na época? Não muito bem. Transcrevemos uma opinião:

"A Bahia material que guarda ainda todos os característicos de uma cidade colonial de três séculos atrás, vai desaparecer para ceder lugar à uma cidade moderna construída sob os preceitos rigorosos do progresso."
—Jornal Gazeta do Povo, Apud Perez, 1974, p.36.

Abaixo, um comentário a respeito:


“Aproveitando-se do momento favorável, J.J Seabra reúne as condições econômicas, financeiras e a força política para executá-las, contando com o apoio do prefeito Júlio Brandão, do Arcebispo Thomé da Silva e do engenheiro Arlindo Coelho Fragoso, designado como seu secretário e coordenador da ação executiva que realizará as obras propostas.
O projeto é bancado em parte pelos governos estadual e municipal, e pelo capital financeiro nacional e internacional, apoiado em uma lei que permitia empréstimos estrangeiros para obras de infra-estrutura e estradas.
Em 1910, é idealizado por Jerônimo Teixeira de Alencar Lima o chamado “Plano geral de melhoramentos em parte da cidade de Salvador” baseando-se na reforma urbana do Rio de Janeiro, e pretendendo realizar novas intervenções na cidade através do saneamento, da estética e do tráfego aberto nas ruas insalubres. Houve três versões desse plano, sendo a segunda de 1912 a mais ousada, apesar de não ter sido executado”.

Buscando uma "modernização" da antiga estrutura colonial de Salvador e conectando o centro antigo aos bairros novos que surgiam com a expansão sul da cidade (Vitória, Graça, Canela e o Balneário da Barra) a abertura dessa avenida e o alargamento das ruas provocou a perda irreparável de monumentos importantes dos séculos XVIII e XIX, como a antiga Igreja de São Pedro Velho e o Convento das Mercês, ambos destruidos, assim como o prédio do Senado estadual, que teve sua ala esquerda demolida para a abertura de uma rua, sendo posteriormente doado ao Instituto Histórico e Geográfico da Bahia e a Igreja de Rosário de João Pereira (ou dos brancos). Também são derrubadas muitas residências, gerando um problema habitacional na época.
Até mesmo o Mosteiro de São Bento teria sido demolido para dar lugar a novos prédios do serviço público, mas graças aos esforços do Abade Don Maiolo de Cagny, que através de um manifesto chamado “Aviso ao povo baiano” conquistou o apoio da população, pressionou para que os reformadores, felizmente, desistirem de destruí-lo।”


Vale a pena citar o principal argumento de defesa do governo para a realização dessa obra e consequente demolição de peças importantes de nossa cidade:

Era uma cidade suja; sem ventilação. Em razão disso, ocorreram diversas epidemias.”

Evidentemente que essa justificativa não satisfaz em nenhum sentido. Se ocorreram epidemias, foi por falta de saneamento básico que a cidade não possuia. Saliente-se, inclusive que, a exceção do trecho da Barra, toda a avenida fica no alto da cidade, onde a ventilação é sempre muito boa. O argumento apresentado não tem nenhuma consistência.

Consubstanciando a nossa indignação sobre essa febre de modernização de nossa cidade, vale a pena transcrevermos parte da entrevida concedida à imprensa pelo escritor Fernando Rocha Peres (1), onde ele aborda inclusive a construção da Avenida 7 de setembro:

(1)Professor emérito da Universidade Federal da Bahia e ex-diretor do Iphan.

Escritor Fernando Rocha Peres

Há paralelos entre a mentalidade da Bahia dos anos 30, quando houve a demolição da Igreja da Sé, e a atual? Como o homem médio encara a preservação do patrimônio? Qual foi o legado desse crime histórico?

Gregório de Mattos, no século XVII, já dizia que a Cidade da Bahia era habitada por uma "canalha infernal". Em 1933, não melhorou nada. A "canalha infernal" esteve presente. Hoje, há uma classe média em ascensão que faz parte também dessa "canalha infernal", que gostaria de ver a cidade histórica totalmente destruída, para nela construir edifícios de 30 ou 40 andares. Porque essa nova classe média quer morar olhando o mar, para curar as suas depressões, as suas insatisfações, as suas expectativas irrealizadas”.


Em algum momento, após a demolição da Sé, houve uma conscientização dessa classe média infernal e da classe média intelectualizada?

Sim, é evidente, uma classe média intelectualizada é de doutores. Mas os doutores, como você sabe, hoje estão sendo execrados, não é necessário o indivíduo ser doutor para atingir determinados lugares. Naquela oportunidade, havia uma classe média de intelectuais esclarecidos, que atuaram contra a reforma urbana de Salvador e, consequentemente, contra a demolição de monumentos religiosos, do casario, para a construção da Avenida Sete de Setembro (avenida central e comercial de Salvador). Acontece que, hoje em dia, esses intelectuais perderam aquele fio polêmico, aquela vontade de defender a cidade. Eles querem aproveitar os espaços ainda não habitados para destrui-los, como está ocorrendo com a Paralela (avenida com resquícios de Mata Atlântica em processo de devastação), com o Litoral Norte, que a cada dia se integra mais à cidade, transformando Salvador numa cidade grande e tortuosa. Por isso mesmo eu a denomino de "Salvadolores".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

BARRA- FUNDAÇÃO DA CIDADE DE SALVADOR

Convencionou-se historicamente que a data de fundação da Cidade de Salvador seria 25 de março de 1549, dia da chegada de Tomé de Souza à Bahia.
Outras datas poderiam ser escolhidas para tão importante acontecimento, dentre elas 30/05/1549, dia da Ascensão do Senhor ou 13/06/1549, quando se realizou uma procissão do Corpo de Deus.
Também não poderia deixar de ser considerada a data de 1º de novembro de 1501 quando Américo Vespúcio deu nome à Baia de Todos os Santos e se colocou o marco de posse na Ponta do Padrão, o nosso extraordinário Farol da Barra।


Esta última data seria mais consentânea com os acontecimentos havidos antes da chegada de Tomé de Souza, como, por exemplo, o naufrágio de Diogo Álvares Correia ocorrido em 1509 e a chegada de Francisco Pereira Coutinho em 1536 tomando posse da capitania da Bahia.

Diogo Álvares Correia

Por quê? No caso de Caramuru, vale a pena transcrevermos a carta pessoal enviada por D. João III à Diogo Álvares Correia a fim de entendermos a importância do mesmo no processo de fundação da cidade de Salvador.

"Diogo Alvares।

Eu el-rei vos envio muito saudar. Eu ora mando Tomé de Souza, fidalgo da minha casa, a essa Bahia de Todos os Santos por capitão governador dela, e para na dita capitania e mais outras desse estado do Brasil prover de justiça dela, e do mais que ao meu serviço cumprir e mando, que na dita Bahia faça uma povoação, e assento grande e outras coisas de meu serviço. E porque sou informado pela muita prática e experiência, que tendes dessas terras, e da gente, e costumes delas, e sabereis bem ajudar e conciliar, vos mando, que o dito Tomé de Souza lá chegar, vos vade para ele e o ajudeis no que lhe deveis cumprir, e vos ele encarregar, porque fareis nisso muito serviço; e porque o cumprimento, e tempo de sua chegada a ela abastada de mantimentos da terra para provimento da gente, que com ele vai, escrevo sobre isso a Paulo Dias, vosso genro, procure por se haverem, e os vá buscar pelos portos dessa capitania de Jorge de Figueiredo. Sendo necessária vossa companhia e ajuda, encomendo-vos, que o ajudeis no que virdes que cumpre, que o fareis. Bartolomeu Fernandes a fez em Lisboa a 19 de novembro de 1548.
- Rei Sobrescrito
- Por El-Rei a Diogo Alvares, cavaleiro de minha casa na Bahia de Todos os Santos."


Tomé de Souza teria todo o apoio e orientação necessários e possíveis de quem já vivia na terra longos anos. Por exemplo, não deve ter sido fácil “acomodar” cerca de 1000 pessoas num lugar onde talvez não tivesse esse número de habitantes, excluindo naturalmente os índios.

Por outro lado, seria totalmente impossível Caramuru ter sucesso nessa empreitada, se não contasse com uma estrutura mínima de quase uma cidade como já era a Vila Pereira ou o Povoado de Vila Pereira na Barra. Os padres, por exemplo, em grande número, foram alojados na igreja e casas próximas dela.

Vejamos o que se escreveu a respeito: “uma maneira de igreja, junto da qual logo aposentamos os Padres e Irmãos em umas casas a par dela .... E ao terceiro dia, naquele local, celebrou Nóbrega uma missa solene, a primeira festa religiosa da Comitiva Oficial."
A coisa foi tão bem organizada que já no terceiro dia da comitiva nas novas terras, tiveram “cabeça” para celebrar uma missa solene, tida como uma “festa religiosa”.

Pois bem, esse pedaço de terra “abençoada” que foi Vila Pereira, apesar de ser mais antigo que o atual Centro Histórico de Salvador, não é lembrado como tal. Verdade que em seu lugar surgiram maravilhas que o homem construiu ou a própria natureza se incumbiu de tornar célebres.

Pelas mãos dos homens, surgiram o Farol da Barra, o Forte de Santa Maria, o Forte São Diogo, a Igreja de Santo Antônio da Barra, o Yacht Clube da Bahia.

Já pela natureza, a Praia do Farol e a Praia do Porto.

A igrejinha de Vila Pereira

A bacia que estamos vendo acima é onde hoje se acha o Yacth Clube da Bahia. A igrejinha se destaca à direita da foto.


Mapa da Povoação do Pereira ou Vila Pereira
Reprodução de uma tela do pintor Henrique Passos. Local: onde é hoje o Yacth Dois prédios na parte de baixo. Um deles é uma fábrica (vê-se a chaminé). No alto do morro a Igreja de Santo Antônio da Barra. Nada a haver com a igrejinha mostrada na foto anterior. Ela se encontra atrás do morro na parte de baixo, à direita.
Foto da área – A mesma serviu de modelo para a pintura acima- Foram acrescentados os saveiros e melhorado o aspecto dos prédios.

Outra reprodução do mesmo pintor e do mesmo local só que mais atual. Já podemos ver o acesso que liga o local ao Porto. Cortaram o morro para construí-lo.
Vejam a maravilha que é hoje – O grande clube baiano em todo o seu esplendor e magnificência.
Adiante do Yacth, onde era a Praia dos Índios, temos outro local bastante antigo e pouco mencionado: é o Porto das Vacas ou Gamboa de Baixo:




Gamboa de Baixo
Ruínas do Forte da Gamboa - Possivelmente, projetava-se mar a dentro. Não há vestígios de alguma ruina no morro.

Ainda fazendo parte da Vila Pereira, destacamos a Enseada da Preguiça, próxima da Gamboa. Os habitantes da vila com toda a certeza deveriam usá-la com freqüência.

Coincidentemente, após Tomé de Souza se instalar da nova cidade, ordenou que se construísse uma igreja próxima à bela enseada. Deve ter sido uma sugestão de Caramuru. É anterior a Pereira Coutinho.


Enseada da Preguiça