terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENÍNSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 7

A última parte da península que será focalizada hoje esbanja beleza. Vai da Penha até o Bairro do Uruguai. Mais do que palavras, as fotos via satélite diz tudo. Um grande canal se imiscui por todos os lados, fazendo enseadas, ilhas , estreitos e até penínsulas. Penínsulas? Sim, da Peninsula de Itapagipe como que brota outra península: a do Joanes. Rigorosamente, é o mesmo fenômeno da própria Península de Itapagipe que se projeta da grande Península que é Salvador.
 





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENÍNSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 6

O trecho que será focalizado hoje tem uma singular particularidade: antigamente – 1960\1980 só possuía uma praia permanente, a praia do Bugari. De resto, em toda a área, cerca de 1.5 km. o mar chegava a alcançar três metros de altura no cais de contenção da Avenida Beira que a protege e as casas ao longo dela.

O que aconteceu? Fizeram uma dragagem de areia na altura da Penha para aterrar os Alagados do Porto dos Mastros e Lobato. Foram milhões de metros cúbicos de areia retirados daquele local. Em conseqüência, o mar recuou algo em torno de 3 metros, fazendo surgir as praias que hoje estamos divisando na foto-satélite do Google Earth.

Este procedimento – retirada de areia de um determinado lugar para aumentar a largura da praia, foi feito no Rio de Janeiro com a praia de Copacabana. O chamado aterro hidráulico foi realizado na década de 1970 e ampliou a largura da praia em cerca de 70 metros. A obra foi realizada pelos engenheiros portugueses Fernando Maria Manzanares Abecais e Veiga da Cunha e o engenheiro brasileiro Jorge Paes Rios. Todo o projeto foi elaborado em Lisboa pelo Laboratório Nacional de Engenharia de Portugal.
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E a nossa dragagem na ponta da Penha teria previsto a formação de praias ao longo da Av. Beira Mar? Estamos crendo que não. Não há notícias a respeito. Se o objetivo paralelo fosse este, teria sido divulgado e bem divulgado. Nada se comentou. À medida que se aterrava os Alagados, as praias foram se formando. Nem perceberam. Aliás, sejamos mais diretos. Pouca gente comentou o ocorrido. Este blog, cujo autor morou na Av. Beira Mar por muitos anos, talvez tenha sido o primeiro a tocar no assunto. Costumava pescar siri em horas de maré alta na beira do cais com o mar quase molhando seus pés. Aliás, por vezes, se molhava quando vinha uma onda mais forte. Em dias de ressaca, a batida dessas ondas no cais, molhava a frente das casas, a sua inclusive que era uma delas.

Também esse blog comentou a formação de uma pequena praia em frente às garagens de remo do Vitória e São Salvador nos Tainheiros. Alguém já reparou este fenômeno? Ali o mar chegava permanentemente na borda da balaustrada. Hoje é uma praia que os meninos do local costumam armar um baba. Antes só se podia nadar ou remar.

Estamos enfatizando o fenômeno da formação das praias na Av. Beira Mar, justamente porque não fora previsto. Ai que residiu o perigo, aliás, o grande perigo. Buliram com o eco-sistema do local. Querem mais uma prova? Nas proximidades da Praia do Bugari, cerca de 100 metros antes, existe um lugar chamado Poço. Porque Poço? Na área existe um poço onde os donos de embarcações de pesca as atracam. Porque são fundeadas ali? Porque nas marés grandes vazias, o local permanece sempre cheio. Os barcos não têm contato com a areia do que resultaria no prejuízo de sua madeira. É o único lugar na península que acontece isto. Pois bem! Até antes da dragagem da Ponta da Penha, a profundidade desse poço na maré totalmente vazia era de 3 a 4 metros. Hoje, sabem quanto é? 50 centímetros. A quilha dos barcos maiores já está tocando a areia e começam a se inclinar. Isto significa dizer que o mar recuou cerca de 3 metros, que é a altura do cais de grande parte da avenida. É mole? 3 metros de recuo é uma catástrofe para qualquer sistema.

Vamos às provas: primeiramente, temos adiante uma foto da chamada Ponte da Crush que, aliás, não foi feita por essa empresa e sim por uma fábrica de beneficiamento de chocolate. Quando esta fábrica fechou, a Crush se instalou no local e a ponte recebeu o seu nome, de graça.
Antigamente, a ponte tinha inicio no cais em frente à fábrica e se projetava sobre o mar por cerca de 70 metros. Hoje, quase toda a ponte se acha sobre a praia. Fez-se uma praia em baixo da “famosa” ponte.

Praia em frente à Av. Beira Mar. Na casa em frente morava o autor. E ele  pescava siri diretamente do cais. O mar chegava junto. Hoje está a quase 70 metros de distância. Nem com vara de arremesso.

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 5

A península tem seqüência já do outro lado, ou seja, o lado dos portos: da Lenha e do Bonfim. Nesses locais, desembarcava toda a lenha carbonizada ou não que vinha das ilhas para “aquecimento” de Salvador.

Nesse sentido, há de se lembrar que, antigamente, não existiam os modernos fogões, ferro de engomar e tudo mais que usa aquecimento elétrico. A coisa era feita mesmo na “lenha”.

Daí o nome da ladeira que dá acesso ao alto do Bonfim – Ladeira da Lenha. No ombro dos escravos subia a lenha; em seguida, em carroças tomava o rumo de Monte Serrat, Boa Viagem, Canta –Galo até Água de Meninos (antes da feira). Ali perto, na borda da montanha, subia pela Ladeira da Água Brusca até Santo Antônio Além do Carmo. Caminhava mais um pouco e alcançava a Porta de Santa Catharina que protegia Salvador desse lado. A cidade era cercada de muros altos e fortes.


Ladeira da Jequitaia hoje
 



Após o Estaleiro se construiu uma marina – Marina do Bonfim. Ao lado, fica o Porto da Lenha e em seguida o Porto do Bonfim.

Como se viu anteriormente, a lenha trazida das ilhas era descarregada inicialmente no Porto da Lenha e a mercadoria subia até o alto do Bonfim no ombro dos escravos. Era realmente uma “lenha”. Esta ladeira é super inclinada.

Posteriormente se construiu a Ladeira do Bonfim, bem menos inclinada, permitindo até que as carroças descessem até o Porto do Bonfim.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 4




Após a Ponta do Humaitá vista acima, a península se desdobra numa área difícil, chamada Pedra Furada:

Quase não tem praia no local; somente uma estreita faixa de areia. Quando cheia a maré bate direta num cais imenso, que protege velhas casas como que incrustadas na rocha. Quando vazia, descobre um imenso espaço de argaço e pedras.

Na ponta da formação acha-se o Estaleiro do Bonfim. É muito antigo. Nos primórdios da formação da cidade, esta área já servia para conserto de naus.



O nome Pedra Furada se originou de um minadouro de água doce potável, existente na localidade.

A foto é incrível! Lembra muito um ser humano fazendo uma de suas necessidades fisiológicas. O entorno parece as cochas desse homem de pedra.

Sua água vem de um aqüífero localizado pouco acima. Diz-se que esse minadouro teria sido beneficiado pelo pecuarista Amado Bahia que tinha uma unidade de abate de carne na Pedra Furada. Havia necessidade de muita água. O abatedouro não existe mais, mas o aqüífero ainda está lá, bem como o famoso e inusitado minadouro. Ainda servem à comunidade.

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE – 3


Em frente à Igreja da Boa Viagem já há uma melhoria da praia nessa parte da cidade। A foto abaixo indica isto, pela presença de maior público.
Em seguida, como que emendando uma na outra, já estamos na Praia de Monte Serrat. Muio agradável. Tem o Forte de Monte Serrat como sua marca principal.

Esta é a última praia desse lado da península, desde que, na Ponta do Humaitá não existe praia nem na Pedra Furada, logo adiante.


A Ponta do Humaitá é um local belíssimo, tanto em si própria quanto pela vista que se descortina de toda Salvador quando se lá está.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 2

Antigamente, esta praia chamava-se Praia do Santa Cruz. Tinha esse nome, porquê ali funcionava a sede social do Clube de Regatas Santa Cruz. Faziam-se festas em sua sede – pela Rua Barão de Cotegipe - e no mar em frente e suas bacias, praticava-se natação e pólo-aquático. Numa delas, uma nadadora ( Detinha Campos) teve a perna dilacerada por um tubarão que ficou preso após a maré vazar.

Hoje também é chamada Praia do Canta Galo. A sede do Santa Cruz virou uma das empresas da Barão de Cotegipe e hoje tanto a praia com saída pela Rua do Canta Galo, quanto aquela com saída pela Rua Agrário de Menezes, ambas são Praia do Canta Galo, apesar da separação que as ruínas da Fratelli Vita impõe.
Se já falávamos do avanço sobre a praia da antiga fábrica da Fratelli Vita, e o que dizer da que estamos vendo adiante– além da praia, também o mar foi invadido. É um depósito enorme. Teria sido um frigorífico. Encontra-se desativado.

Após o paredão que vimos há pouco, já estamos na Praia de Roma. O Largo de Roma, ou Praça da Bandeira e hoje Praça Irmã Dulce é visto um pouco atrás (redondo).



Esta praia era ou é uma das mais poluídas desse espaço. Ainda podem ser notadas as terminações de esgoto ao longo de todo o seu percurso, inclusive, de dejetos hospitalares. Não temos certeza se ainda o é. Contudo, em razão desse problema era uma das praias menos freqüentadas da área. Ainda hoje.Tornou-se um antro de traficantes e usuários de drogas. Alguma das ruas que lhe dão acesso, são fechadas por grades de ferro. Todas as casas são protegidas, igualmente por grades. Bobeou- dançou.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 1



As duas fotos acima via Google Earth, mostram nitidamente onde começa e acaba a Peninsula de Itapagipe. Não nos referimos especificamente à Itapagipe (bairro), mas de modo geral, ao acidente geográfico “Península de Itapagipe”. Diferentemente de uma ilha, uma península é uma parte de terras continentais que avançam sobre o mar, envolvidas por águas marinhas, a exceção apenas da parte que se liga ao continente.

É o que vemos acima, nitidamente: à partir do bairro da Calçada, exatamente na Praia do Canta Galo, o mar envolve quase todo o seu contorno e o faz de forma caprichosa.

Vamos “sobrevoar” este espaço. De avião ou helicóptero? Melhor, de satélite que os tempos modernos nos permite. É o chamado Google Earth da Google. Nas fotos acima, por exemplo, o satélite estava a cerca de 3 quilômetros.

E o primeiro destaque é a Praia do Canta Galo que tem esse nome graças ao aniversário de um galo pertencente a um senhor chamado Oscar. Este cidadão costumava fazer prezépios. Tinha muita habilidade no manejo da madeira. Próximo ao aniversário de um galo de estimação, ele fazia uma espécie de armação no formato de uma pirâmide. Montava-a na praia em frente e tocava fogo graças a uma fogueira que era armada no interior da formação piramidal, toda decorada com papel celofane de muitas cores. Naturalmente, os moradores do local, principalmente crianças, aplaudiam o “espetáculo”. Ao final, eram distribuidos confeitos. Não extranhem: hoje as pessoas não fazem festas para seus cachorros e gatos de estimação?! Naquela época - 1940 –o senhor Oscar fazia a festa para um galo. Do seu jeito.

Este blog já fez uma postagem sobre a origem do nome Canta Galo. Na oportunidade, se contrapôs a uma informação prestada em outro blog de que o nome dessa rua foi dado porque ali tinha existido uma rinha de galos. Categoricamente, não existiu. O autor morou no Canta Galo e era uma dos meninos que apreciava os confeitos do Sr. Oscar após a queimação, independentemente do estranho procedimento.

Ao final da Praia do Canta Gamo destacava-se a fábrica Fratelli Vita de refrigerantes e cristais, nessa ordem. Primeiro os irmãos Vita, Giuseppe e Francesco iniciaram seu negócio com refrigerantes, após rápido período fabricando vinho e licor, principio do século XX (1902). Seus refrigerantes tornaram-se um sucesso a partir dos anos de 1940, principalmente as gasosas de maçã e limão. Chegou a patrocinar boa parte do Carnaval baiano – por exemplo, o Trio Elétrico de Dodô e Osmar. Também patrocinou a participação de Martha Rocha no Concurso Miss Universo.Da mesma forma como é hoje com certas marcas, a cidade era impregnada de “propaganda” alusiva aos seus produtos. A mais famosa é esta colocada no antigo Elevador do Parafuso, também conhecido como Elevador da Conceição, hoje Elevador Laceerda.
E os cristais? Ora, os cristais! Um dos mais famosos do mundo. Teve inicio por um acaso ou, digamos, uma necessidade. Naquele tempo os refrigerantes eram vendidos em garrafas de vidro que eram importadas. Aqui não se fabricava nada. Era proibido! Quando estourou a 1ª guerra mundial (1914), a fábrica parou por falta de garrafas. Aí os dois italianos resolveram fazer uma fábrica de vidro para produzir suas próprias garrafas. No andar da carruagem, passaram a fabricar cristais – os famosos cristais Fratelli Vita. Abaixo fotos de alguns deles:




Acima, as ruínas da antiga fábrica de refrigerantes e cristais Fratelli Vita. Hoje, ao lado, funciona uma faculdade. Campus Fratelli Vita. – Estácio.
Há de se notar o avanço do edifício da fábrica sobre grande parte da praia. No momento dessa foto, a maré estava vazia. Quando cheia, ninguém passava andando ou ainda não passa. Uma evidente transgressão imobiliária, aliás, muito comum na época. Veremos outras nas proximidades.

Enquanto isto, RUÍNAS:

“As ruínas como alegorias da metamorfose e da mística abrigam embaixo de suas pedras o segredo da história; nos convidam a meditar; nos evocam sua força destruidora e nos provocam o desejo de controlar a morte.” – Marcos Serrano
“As ruínas são como uma mistura de natureza e cultura que surge sob nosso olhar crítico das lembranças e esperanças na linha do tempo” – Marcos Serrano


“O universo das ruínas representa um ponto de encontro entre as variadas civilizações, nas dimensões de tempo e de espaço। As ruínas estão associadas ao ato criador, à construção que lhe antecede, seja física ou conceptual, a um conjunto sujeito a interpretações verbais, pictórias, musicais ou de outra forma artística” – Nelson Cerqueira.






Esta estátua de mármore foi trazida da Italia por Giuseppe Vita. Na sua mão esquerda as frutas do guaraná e a sua direita uma roda dentada embaixo das pedras sílicas, ícones, em estado primário, do processo industrial de refrigerantes e cristais.
 
A mesma estátua em foto de hoje. Deu tudo errado! A grande fábrica foi vendida à Brahma e se pensava que essa indústria desse continuidade à fabricação dos refrigerantes da Fratelli. Não foi isto que aconteceu! Foi uma absorção para retirada dos produtos da praça. A marca Fratelli Vita, para cristais continua em poder da família. Vez em quando surge a notícia do retorno de sua fabricação, mas está muito difícil. Todos os artífices de sua fabricação devem ter morrido. Vai ser muito difícil encontrar iguais. Eram maravilhosos. Grandes profissionais.