segunda-feira, 5 de março de 2012

NOVAS PRAIAS PARA SALVADOR

Da autoria do professor Gilberto W. Almeida da Universidade Federal da Bahia, o jornal A Tarde publicou excelente comentário sobre as praias de Salvador, desde as de Itapagipe até as da Barra.
 
No referido trabalho o professor sugere a necessidade de termos mais praias como, por exemplo, uma nova praia ao norte da Ponta do Humaitá, ou seja, na Pedra Furada e outra entre o Forte de Santa Maria e o Farol da Barra.
 
Naturalmente, sendo apenas um comentário e não uma reportagem, não foram acrescentadas fotos desses locais, ilustrando melhor a grande idéia que ele lamenta, ao final de seu trabalho, que ninguém tenha tido antes.
 
Vamos pegar o “bonde andando” para, inicialmente, ilustrá-lo com fotos dos locais referidos.
 
Primeiramente, vamos ver a Pedra Furada. Fizemos uma postagem tratando deste extraordinário lugar ao lado da Ponta do Humaitá.



Em seguida, vamos ver a possível praia da Barra nos dois estágios da maré:





NA MARÉ BAIXA

Nosso professor sugere transportar areia de partes fundas do mar para formar praias nos locais há pouco vistos.

Em verdade este não é o processo correto. Não foi assim que se fez em Copacabana conforme ele cita. No Rio de Janeiro foi feito o recuo do mar através um processo de engenharia náutica, o chamado aterro náutico. (Alô Belov - Alô Dortas). Foi realizado na década de 1970 e ampliou a largura da praia em cerca de 70 metros. A obra foi realizada pelos engenheiros portugueses Fernando Maria Manzanares Abecais e Veiga da Cunha e o engenheiro brasileiro Jorge Paes Rios. Todo o projeto foi elaborado em Lisboa pelo Laboratório Nacional de Engenharia de Portugal.
 
De forma ocasional, o fenômeno ocorreu em Itapagipe quando se dragou areia da Ponta da Penha para os Alagados. Em conseqüência, formaram-se praias permanentes em diversas partes da Avenida Beira Mar.

 Vejam o que escrevemos à respeito: “O trecho que será focalizado hoje tem uma singular particularidade: antigamente – 1960\1980 só possuía uma praia permanente, a praia do Bugari. De resto, em toda a área, cerca de 1.5 km. o mar chegava a alcançar três metros de altura no cais de contenção da Avenida Beira que a protege e as casas ao longo dela.

O que aconteceu? Fizeram uma dragagem de areia na altura da Penha para aterrar os Alagados do Porto dos Mastros e Lobato. Foram milhões de metros cúbicos de areia retirados daquele local. Em conseqüência, o mar recuou algo em torno de 3 metros, fazendo surgir as praias que hoje estamos divisando na foto-satélite do Google Earth..



Vistos e analisados os casos conhecidos, a única maneira de formar uma praia onde, na maré cheia, o local é inundado pelo mar, é o recuo desse mar e nos dois casos citados pelo professor, o mar avança até o cais de contenção.
 
Entre a Pedra Furada e a Barra, parece mais viável a primeira. Já ocorreu a experiência “natural” da dragagem da ponta da Penha, mas na Barra, quem haverá de arriscar qualquer intervenção na natureza? Recuar o mar ali torna-se-ia perigoso. A Baia de Todos os Santos tem dois portos. Já imaginaram se acontecer algo errado?
 
Em substituição ou como alternativa, existem projetos que se podem fazer em cima das pedras. Vejamos um deles feito com base na chamada Praia das Pedras, ou Praia do Morro do Gato, ou seja, aquela que vai do Morro do Cristo até o antigo Clube Espanhol. Aproveita o espaço natural, inclusive pequenos trechos de praia e faz-se algo em cima. Os Emirados Árabes fizeram um hotel em forma de vela. Há outros exemplos pelo mundo afora.



Projeto do arquiteto Alexandre Prisco Paraiso Barreto, publicado na Internet. Aproveita os contornos do morro e se estende sobre as pedras.

CASARÃO DOS GONÇALVES NA CONTORNO

Continuamos focando a Avenida do Contorno. Estivemos na sua encosta e abordamos o Convento de Santa Tereza, ali incrustado. Só há um acesso: pela Rua Democrata, saindo na Av. Visconde de Mauá ou em sentido contrário, pela Ladeira da Preguiça. Na mesma área, existe uma casarão tradicional que chama a atenção por quem passa pela Contorno: é a Casa dos Gonçalves.




Visto do alto


Pertence à família Gonçalves de Walter Gonçalves, industrial paulista que veio se instalar na Bahia nos anos 40\50 com uma fábrica de saltos de madeira para calçados femininos. O estabelecimento ficava há poucos metros de sua residência na Preguiça.
 
Primeiramente, veio só à procura de um lugar para morar com sua família. Sua filha, Mary Gonçalves nadava em São Paulo pelo Tietê Esporte Clube e se tornou campeã sul-americana. Em Salvador procurou pessoas ligadas à natação. Encontrou Otávio Dantas, o Tavinho que lhe indicou o referido casarão, então pertencente à família Maia. Walter gostou e o comprou. Posteriormente, ali perto instalou a sua indústria.
 
Quando Walter Gonçalves morreu, sua filha Mary continuou morando no casarão até o ano passado e foi com muita relutância que mudou-se para a Graça.


Possivelmente, o lugar irá se transformar num hotel ou no grande conjunto residencial, desde que o local é super privilegiado. Irá acontecer o mesmo que nem o local onde funcionava a Boite Clok. Estão fazendo ali belíssimos apartamentos com frente para o mar.

sábado, 3 de março de 2012

INFORMAÇÕES SOBRE ITAPAGIPE

Vez em quando o autor desse blog vai a Itapagipe onde morou por muitos anos. Chega a ser um vício. Bendito vício, desde que essa parte da cidade é uma das mais belas de toda ela. Dessa maneira, acompanha o seu estado geral, seja a estagnação de determinadas áreas, seja a realização de obras que mudam ou sustentam a sua paisagem.
Nesse último aspecto, a Prefeitura está alargando os passeios dos Tainheiros, como gosto de chamar, desde a frente das garagens de remo do Vitória e São Salvador até principio da Penha, onde já está chegando. São passeios de uns quatro metros de largura, decorados com placas de granito rosa.



Na área do Poço, o mar na sua fúria em momentos de maré alta, pôs abaixo boa parte do cais de proteção desse local. Julguei que a Prefeitura iria aproveitar a oportunidade para alargar o restante da Avenida a partir do ponto onde aconteceu o problema. Até este ponto a avenida tem duas pistas; em seguida, encolhe-se numa só . É o trecho que vai do Colégio Santa Bernadete até a chamada praia do Bonfim, próximo onde era a Fábrica de Chocolate Barreto de Araújo.
Tivesse sido feito o alargamento, seria possível até construir um passeio do lado do mar, bem como já serviria para uma futura Avenida de Contorno da Orla de Itapagipe, como havíamos sugerido em antiga postagem.



As fotos acima mostram como a avenida se estreita à altura do Colégio Santa Bernadete. Ali se afunila bruscamente. Porque teria sido? Há uma hipótese, Antigamente nesta parte da via a maré alcançava níveis bastante altos, acima dos três metros de altura. Se o cais que vinha sendo construído mantivesse a rota que vinha seguindo, precisaria ter quase o dobro da altura. Qual seria o problema? Maior custo? Sem dúvida. Mas o benefício era grande. Compensava!Achamos que foi por ai que resolveram afunlilar a avenida, procedimento técnico que se, por um lado, poupava gastos, por outro, era um erro técnico gravíssimo.Ficou uma avenida acanhada aonde dois carros em sentido contrário passam com certa dificuldade e não se tem passeio do lado do mar. Ai chega a oportunidade de corrigir a falha e nada se faz. Um grande pecado!



Via Contorno da Península

Em outras postagens, tivemos a oportunidade de sugerir a construConção de uma avenida que ligasse o Monte Serrat à Avenida Beira Mar, passando pela Pedra Furada, Estaleiro do Bonfim, Porto da Lenha e Porto do Bonfim e por fim juntando-se à Avenida Beira Mar. A foto acima mostra-nos a sua trajetória, mas estamos a muitos anos-luz dessa realidade,

Outro assunto que precisamos tratar na postagem de hoje, diz respeito a chamada Ponte da Crush. Incrível Ponte da Crush! Dinheiro bom jogado no mar. Nunca funcionou.


Em postagem feita há dois anos atrás, afirmamos que, apesar de efetivamente essa ponte ser chamada pela população de “Ponte da Crush”, não foi essa empresa de refrigerante que a construiu. Ela foi feita pelos proprietários de uma fábrica de chocolate – Kaufmann – que funcionava próximo a ela. Adiante transcrevemos a matéria:

“Vamos esclarecer de uma vez por todas a questão. Não foi a Crush quem construiu a referida ponte. Quem a construiu foi a Fábrica Mosanto. As instalações ali existentes foram construídas por essa indústria antes de 1950. Quando a Kaufmann fechou, a Crush se instalou em suas dependências por volta de 1960-1965. No Rio de Janeiro, o refrigerante foi lançado em 1954. Abaixo uma propaganda da época:



Aliás, a história dessa ponte é intrigante. Nunca se soube de sua real finalidade. Ela tem exatos 130.69 m de comprimento. Nas marés vazias, fica sobre a areia. Se havia alguma função, esta só existia nas marés cheias. A grande verdade é que nunca se viu um saveiro ou qualquer outro tipo de embarcação descarregando ou recebendo mercadorias na referida ponte.
Para nossa surpresa, ainda há pessoas em Itapagipe que afirmam que a tão falada ponte foi feita efetivamente pela Crush. É inacreditável!
A ponte já existia desde antes de 1950. Como a Crush poderia ter construído a mesma se nem no Brasil havia sido lançada? O foi no Rio de Janeiro em 1954. Na Bahia, possivelmente nos anos de 1960.
Perguntamos a uma dessas pessoas por que a Crush iria fabricar uma ponte em frente às suas instalações? Afinal de contas uma ponte é uma ponte. É algo muito caro! Ai o amigo respondeu: “ ela foi destinada a receber laranja para fabrico do refrigerante.”

Mas que laranja? Segundo consta, as Ilhas e o Recôncavo não têm laranja. Àquele tempo a Bahia tinha um pouco de laranja em Alagoinhas (Recôncavo Sêco) e era mais fácil vir pela estrada do que pelo mar.

O nome pode ter advindo de referências como esta: “a ponte perto da Crush”, algo mais ou menos por ai.

Outro assunto que precisamos tratar é a nova Praça do Bonfim. As obras continuam em andamento. Já dá para reparar que construíram uma quadra de esportes do lado que dá para o mar à direita –vista para a Penha.

Está errado! Este é o lado mais privilegiado do pedaço e já colocam a tal quadra deste lado. Somente os jogadores que irão freqüentá-la terão o direito de ver a paisagem. Tinha que ser localizada do lado da rua. Não tem mesmo jeito! Os caras não pensam no mar, em suas belezas e em sendo assim, não sabem aproveitá-lo.Toda a Cidade Baixa é um exemplo de que Salvador voltou às costas para o mar. Desde os armazéns das Docas, continuando pela Rua Barão de Cotegipe e seguindo pela Av. Luiz Tarquinio, Salvador está de costas para o mar. É um grande pecado!


Por fim, estão pintando a Igreja dos Mares. De verde! Nunca vimos uma igreja pintada de verde. Vamos ver o resultado. Tomara que fique bem! A idéia teria advindo de "verdes mares"?

quinta-feira, 1 de março de 2012

CONVENTO SANTA TEREZA –NAS ENCOSTAS DA CONTORNO

A Avenida do Contorno, lado do mar, se tem maravilhas que nem o Solar do Unhão e mesmo o hoje Porto Trapiche que foi Trapiche Porto antigamente, lendário; do lado contrário, ou seja, na encosta do morro, não fica nada a desejar desde que o Convento de Santa Tereza ali encrustrado, é algo realmente extraordinário em diversos sentidos.

Primeiro deles, a forma como foi construido. Dizem que os padres carmelitas construíram um guindaste no local, afim de transportar material vindo das Ilhas e do Recôncavo, principalmente tijolo.

Segundo se sabe, só na Ilha de Itaparica existiam na época 15 olarias destinadas a fabricar tijolo e este material chegava em Salvador pelos saveiros que, no caso, aportavam na Enseada da Preguiça.

Também é inusitada a decisão de construir este convento. Foi ocasional! Conta-se que no século XVII, seis religiosos da Ordem dos Carmelitas Descalços chegaram à Bahia com destino à Angola para construir nesse País um convento por ordem do Rei de Portugal. Daqui embarcariam para a África. Ficaram retidos em Salvador durante 8 meses. Com a demora, resolveram construir o convento em Salvador, do que resultou o nosso Convento de Sta. Tereza.

O porquê da denominação? São duas as hipóteses. Primeira delas conta que já existia no local uma igrejinha dedicada a Santa Tereza, consequentemente...; a outra diz respeito ao fato que Santa Tereza era uma carmelita, e os nossos padres retidos em Salvador por falta de transporte para a África, eram camelitas. Logo...

Faz-se uma certa confusão – alias, sublime confusão – entre Santa Tereza de Ávila e Santa Terezinha do Menino de Jesús. No caso do Convento de Santa Tereza, trata-se efetivamente de Santa Tereza de Ávila. Porquê? A primeira (Sta. Tereza de Ávila) nasceu em 1515 na Espanha e a segunda (Sta. Terezinha do Menino de Jesus) nasceu na França em 1873, e os fatos que estamos tratando deram-se no século XVII, mais precisamente a partir do ano de 1665 quando os padres obtiveram a órdem do rei para construir o tal convento na África até 1697 quando a igreja foi inaugurada em Salvador por força do destino.





Em verdade, uma ou outra, são maravilhosas e as enaltecemos.
Vejamos Santa Terezinha do Menino Jesús:

Francesinha, que nasceu em Aliçon 1873, e morreu no ano de 1897. Santa Terezinha não só descobriu no coração da Igreja que sua vocação era o amor, mas sabia que o seu coração - e o de todos nós - foi feito para amar.

Linda imagem

Os seis religiosos retidos em Salvador foram: Frei José do Espírito Santo, prior, e seus conventuais Frei Manoel de Santo Alberto, Frei Jerônimo de Santo Alberto, Frei João das Chagas, e os irmãos leigos Frei Francisco da Trindade e Frei Antônio da Apresentação.

Cada um deles deveria ser especialista em determinada área de trabalho, desde que sabiam de antemão que não encontrariam tanto na África como no Brasil, ninguém capacitado para as obras a que se destinavam.

E sob a tutela de um desses freires, o convento foi erguido de forma maravilhosa, à ponto de ser comparado com o Convento doa Remédio de Évora da mesma ordem.
 













 
Agora, vamos ver seu interior:
 


 


 




 


 

Mas, infelizmente os Caremelitas Descalços não tiverem um fim agradável em Salvador. A òrdem foi expulsa do País em 2 de junho de 1840. Motivo: deram guarida nas dependências do convento às tropas portuguesas comandadas pelo General Madeira ao tempo das guerras pela indenpendência da Bahia.

É como se diz no popular – misturaram as coisas – e quando isto acontece tudo vem abaixo.

Hoje, no local funciona o Museu de Arte Sacra da Bahia

ACESSO AO NOSSO BLOG EM FEVEREIRO 2012

Diz-se que a alma do negócio é a propaganda. Seria o mesmo para um blog? Possivelmente! Se nós próprios não divulgarmos seu desempenho, quem o faria? E há necessidade dessa divulgação? Não temos dúvida que há. Temos certeza que os nossos leitores deverão ficar satisfeitos de acompanharem algo que é seguido por milhares de pessoas, inclusive de outros países. Modéstia à parte, isto sinaliza que estamos caminhando bem pelos caminhos da informação e da pesquisa.