segunda-feira, 10 de setembro de 2012

MANOEL IGNÁCIO- O DESCOBRIDOR DO PETRÉLEO BRASILEIRO


EM 10/10/2010 tivemos ocasião de fazer uma postagem onde escrevíamos sobre a descoberta do petróleo no Brasil, justamente na Bahia, Lobato, subúrbio ferroviário de Salvador. Passamos a transcrevê-la:

Foi no Lobato que se descobriu o primeiro poço de petróleo do Brasil. Em 1930, o engenheiro agrônomo Manoel Ignácio de Bastos, com base no relato de populares de que usavam uma lama preta como combustível de suas lamparinas e fifós, coletou uma amostra e constatou que se tratava de petróleo. Conseguiu uma audiência com o Presidente Getúlio Vargas a quem entregou um laudo técnico de seu achado. Ficou esperando o resultado. Não tendo sucesso, procurou o então Presidente da Bolsa de Valores da Bahia, Oscar Cordeiro, a fim de que fosse dado uma força. (1933). A força foi demasiada! Ele próprio assumiu a descoberta do petróleo e ganhou todas as homenagens pelo feito. Em 1940, por exemplo, quando Getúlio Vargas esteve na Bahia, de hidroavião, dirigiu-se de lancha até o Lobato. Ao seu lado estava o senhor Oscar Cordeiro. Diz-se que, na época, o verdadeiro descobridor agonizava num leito de um hospital. 

Mas a Petrobrás agiu de maneira decente e digna. 15 anos após, a empresa reconheceu a verdadeira autoria da descoberta, após analisar extensa análise documental apresentada pela viúva de Bastos.


É impressionante a entrevista da referida senhora que se chamava Diva concedida ao Jornal da Bahia na década de 1950. Num determinado trecho ela em carta dirigida à filha diz: “ Minha filha, eu agora tomei um choque. Passei no Lobato e vi lá uma placa – “Mina de Petróleo de Oscar Cordeiro”. E eu retruquei. Não disse a você, Maneca, que não convidasse ninguém e esperasse ajuda do governo? E Maneca, sempre incisivo nas respostas: “mas minha filha, Cordeiro como presidente da Bolsa de Mercadorias, pode levar avante a parte comercial da sociedade”.
Maneca- apelido de Manoel Ignácio Bastos.




Poucos anos depois, o Poço Manoel Ignácio Bastos foi fechado pela Petrobrás. Para que tal ocorresse, aconteceu uma verdadeira operação de guerra. Todos os moradores da região foram avisados de que não poderiam acender fogão durante uma semana. A Petrobrás garantiria o fornecimento de marmitas durante esse período. Foi o que aconteceu. D. Maria, moradora do local sendo entrevistada revelou: “Foi uma semana de mordomia. Nunca passamos tão bem”.


Pois bem! Estamos voltando ao assunto pela seguinte razão: recebemos de Jorge Luiz Deiró Menezes,  parente do engenheiro Manoel Ignácio Bastos, um trabalho da senhora Petronilha Pimentel, jornalista do Rio de Janeiro, sobre a referida descoberta.

Muitos esclarecimentos são feitos nesse trabalho, aos quais não poderíamos deixar de reproduzir para nossos leitores. É uma complementação importante que esclarece de vez a polêmica sobre a verdadeira autoria do descobrimento de nosso petróleo.
Como se sabe, ensina-se nas escolas e divulga-se por toda a parte, que o descobridor do petróleo brasileiro teria sido o senhor Oscar Cordeiro, então Presidente da Bolsa de Mercadorias da Bahia à época (1933).

Na pesquisa da jornalista carioca, fica claro que o verdadeiro descobridor foi o engenheiro agrônomo e civil, Manoel Ignácio Bastos, nascido em Salvador em 20 de março de 1891 e falecido em 1940, aos 40 anos de idade.

E como o senhor Oscar Cordeiro entrou na história?  Simplesmente à convite do próprio Manoel Ignácio. O engenheiro já havia descoberto o petróleo do Lobato e não foi por acaso a descoberta como se julga e até nós relatamos que o engenheiro teria escutado  o relato de populares (moradores do Lobato) de que usavam uma lama preta como combustível de suas lamparinas e fifós, coletou uma amostra e constatou que se tratava de petróleo.
Simples, não é verdade? Mas por trás dessa simplicidade, diríamos mesmo sorte, há uma base que precisa ser divulgada. Nosso “amigo” engenheiro já era um pesquisador ferrenho de garimpos de ouro e diamantes, pois lhe interessava tudo quanto cheirasse a matéria mineral, como afloramentos, amostragens e dados os mais diversos que iluminassem o roteiro para os tesouros enceleirados na terra” (...) au. Pedro Moura.

Continua esse autor: “Toda a história do óleo do Lobato oscila entre um “buraquinho ridículo de aratu (espécie de caranguejo) de onde, depois de escarunfunchar, o curioso Manoel Ignácio Bastos em 1930, viu verter um líquido, oleoso, escuro, com aparência de petróleo, e o poço número 163 que o DNPM perfurou no local em 1938/1939 para extirpar um tumor (....).

Logo em seguida, outro escritor, Ilmar Penna Marinho Jr. Endossando as afirmações de Pedro Moura sobre Ignácio Bastos, disse:

O engenheiro Paulo de Moura, com sua incontestável autoridade, tomando a defesa de Manoel Ignácio Bastos, um auto-ditada em Geologia, e que mantinha correspondência com técnicos no exterior, presta seu depoimento no sentido de considerar Bastos como quem primeiro começou a pesquisar petróleo na região de Lobato, quando tomou conhecimento de que moradores usavam “uma pasta oleosa” para acender suas lamparinas, seus fifós (como são denominados na Bahia). Até que um dia conseguiu o comparecimento do presidente da Bolsa de Mercadorias (Oscar Cordeiro) no local.
Como se vê, o senhor Oscar Cordeiro fora convidado para ver “in-loco” o pequeno buraco de aratu e deu no que deu. De imediato o homem foi no cartório e tacou o registro do invento nos seguintes termos (oficiais):
Certifico que às fls. 174 do livro 4 foi inscrito hoje, sob o número 225 em nome de Oscar Cordeiro e Manoel Ignácio Bastos, residentes nesta Capital, a Mina de Petróleo descoberta pelos mesmos senhores, cita no lugar denominado Lobato, na feeguesia de Pirajá, em terreno pertencente à Marinha, à União,parte afora à Société de Construction Du Port da Bahia e parte à Companhia Progresso Industrial, cuja transição teve lugar em virtude de despacho do Exmo. Sr. Dr. Juiz da Vara Cível, em petição de 22 de maio dse 1933, e nos termos do artigo número 173 do Decreto número 18.542 de 24 de Dezembro de 1928 (assinado) Franklin Roigues Pompa – Segundo Oficial de Justiça.”
Reparem que o nome do senhor Oscar Cordeiro vem em primeiro; secundariamente, vem o nome do engenheiro. Não está certo. É nossa opinião.
Certo dia, a viuva de Manoel Inagcio foi até o Lobato vê o pôco de seu marido. Tomou um susto! Deparou-se com uma placa dizendo: " POÇO DE PETROLEO OSCAR CORDEIRO -O PRIMEIRO POÇO BRASILEIRO"- Tomou um susto, mas correu atrás. Procurou a Petrobrás. Mostrou as provas e a grande empresa brasileira, DIGNAMENTE, lhe concedeu uma pensão vitalícia. Por uma dessas ironias da vida Manoel Inagcio morrera pobre, aliás, bastante pobre.

LEITURA OPCIONAL

ALAGADOS
3
Às 6 horas da manhã, já os três amigos estavam viajando na canoa “Ilha de Maré” com bujarrona e tudo. Iam apopados com ventos de leste para oeste. Chegariam a menos de uma hora. Bicaram na praia. Era uma proeza que Cal gostava sempre de fazer. Buscava colocar toda a canoa na areia. Os amigos que já tinham visto a proeza outras vezes, sempre torciam pelo sucesso da manobra. O recorde era de 8 metros. A canoa tinha 10 metros. Daquela feita, tinham igualado a melhor marca. Estava bom.
Foi recebê-los o Mestre Ju- Juvenal Aparecido de Jesus com todas as letras e mais uma dúzia de velhos pescadores.
- Já vi que trouxe um amigo para conhecer Maré, apontando Firmino.
- Amigo e vizinho lá no Uruguai.
Abraçaram-se.
- O senhor vai gostar de nossa ilha. Temos a melhor moqueca de caçonete da Bahia. Vou mandar preparar uma para hoje ou vocês preferem peguari?








sábado, 8 de setembro de 2012

RUA DAS PRINCEZAS – HOJE RUA PORTUGAL


Certa feita fizemos uma postagem sobre o bairro do Comércio na Cidade Baixa. Titulamo-na  “O COMERCIO SEMPRE NOS SURPREENDE”. Em verdade, buscávamos traços de como fora este bairro no século XIX e principio do século XX. Infelizmente só encontramos pedaços do extraordinário conjunto. Renovo esses pedaços nas fotos abaixo:



Extraordinário conjunto? Sem dúvida que era. Diz-se que “se Salvador tivesse mantido  o que tinha antes, mas o que tem hoje, seria uma das maiores cidades do mundo”.
Hoje e agora, podemos tirar a prova dessa afirmação com a publicação de fotos da antiga Rua das Princezas (com z) – que não é outra senão a nossa conhecida Rua Portugal dos tempos atuais:
Rua das Princezas- Bela e Aristocrática – Reparem que muitas bandeiras estão hasteadas. Só não tinha árvores como é hoje, mas para que? Não se veria os belos prédios na sua magnífica composição urbana; também esconderiam as bandeiras.

LEITURA OPCIONAL


ALAGADOS
2
A moqueca estava uma delícia. Cal e Bel levaram umas cervejas e o jantar se estendeu  até quase 9 horas. Em seguida, os três homens desceram até uma espécie de píer que a  palafita do senhor Firmino possuía.
- Interessante esse píer, senhor Firmino.
É senhor Cal, ajuda a mudar de ambiente. Em vez de ficar socado todo o tempo no barraco, desço até aqui e me espreguiço numa cadeira de lona. Às vezes, durmo e só acordo de manhã, principalmente em dias muito quentes. Vamos conversar um pouco. Ainda é muito cedo. Por favor, pegue duas cadeiras lá em cima. Em me recosto na minha de lona.
- Senhor Firmino, como o senhor veio parar aqui, perguntou Cal?
- É uma longa história. Nasci no Maranhão, Aos 25 anos fui para São Paulo onde fiquei por 15 anos. Trabalhei em diversas indústrias Em 1940 soube que estava sendo implantado um polo industrial em Salvador, dos mais promissores, principalmente no setor de chocolate. Bahia era a terra do cacau. Fui admitido na Chadler aqui no Uruguai. Aluguei um quarto nas proximidades, mas soube que estavam invadindo o mar com a construção de palafitas. Resolvi também fazer a minha. Estaria livre do aluguel. Já havia uma meia dúzia construída. Aos poucos fui melhorando o seu aspecto, até que resolvi fazer esse píer.  Aposentei-me antes que a Chadler fechasse suas portas, mudando-se para os Estados Unidos. Quando a Chadler fechou, com o dinheiro da indenização comprei esta canoa. Comecei a pescar. Praticamente sem despesas, sem pagar luz nem água e o peixe e o siri como alimentos, consegui fazer até uma poupança. Penso em sair daqui e passar meus últimos dias numa dessas ilhas da Baía. 
- E o senhor nunca se casou?
- Não Bel. Conheci muitas mulheres em São Paulo, mas não me casei. Sempre fui sozinho. Já era difícil me sustentar sozinho, quanto mais com mulher.
E vocês, parecem que são casados. Vejo crianças tomando banho de mar em frente às suas palafitas.
- Somos. Minha mulher chama-se Ana Maria e tenho três filhos, Alex, Mauro e Maria, dizia Bel. Já Cal tem um casal. Carlos e Milena. Sua mulher chama-se Angélica. Nossas casas foram feitas na mesma época. Morávamos em Maré e víamos pescar aqui na Enseada. Um dia, vimos um grupo de pessoas levantando palafitas que nem o senhor. Aproximamo-nos e perguntamos como se fazia para obter a licença para construir ali.
- Não precisa de licença. É só possuir umas tábuas e uns troncos por aí e em pouco tempo você tem a sua palafita levantada.
Naquela mesma semana, trouxemos tábuas e troncos de Maré e levantamos as nossas palafitas. Na outra semana trouxemos as mobílias e as famílias vieram de barco até aqui. Em Maré morávamos em casas melhores que as palafitas daqui, mas os filhos estavam crescendo e precisavam estudar.
- Nossas palafitas são conjugadas. Somos vizinhos de tábua. O que se fala numa casa, ouve-se na outra. Além do som, passa a luz, não é Bel?
- Por essa razão nenhum fala mal do outro e vice-versa. Nossas mulheres se entendem muito bem. Ajudamo-nos mutuamente. (Risos);.
- O que mais o senhor quer saber?
- Nada. Perguntei por perguntar. É normal no principio de um relacionamento. Mas, mudando de assunto, vocês estão satisfeitos com o que pescam?
- Satisfeitíssimos. Dá para todo mundo comer e ainda damos peixes aos pescadores mais idosos aqui do Uruguai que não têm mais condição de pescar. Também ajudamos à Associação dos Moradores do Uruguai, uma entidade presidida pelo senhor Maneca. Por sua vez, ele redistribui o peixe que lhe damos.
-Mesmo assim, acho que vocês ostariam de pescar uma maior quantidade, não é verdade?
- Claro! Quanto mais melhor até certo ponto. Não temos como guardar o peixe. Não possuímos geladeira. Aliás, ninguém aqui do Uruguai possui uma.
- Pois bem. Tenho uma forma de aumentar a pescaria de vocês, forma esta que pensei colocar em prática, mas já não tenho mais idade e seria uma pena que a ideia se perdesse quando eu morrer. Querem saber como?
- Como aumentar a pescaria! Somos considerados os tainheiros mais bem sucedidos dessa região. Temos uma boa canoa e boas tarrafas. Também temos redes para pescar camarão.
- Não quero subestimar a capacidade de vocês. Mas a forma de pescaria que eu pensava fazer aqui, não tem igual. A maioria dos pescadores de minha terra pesca assim. Aliás, até os índios usam esse sistema.
Cal e Bel se olharam um tanto quanto descrentes, mas Bel  resolveu falar: - pode-nos mostrar sua fórmula mágica?
- Vou subir e já trago um desenho que eu fiz. Na volta colocou uma folha de papel em cima da pequena mesinha entre as três cadeiras. Está aí.
- Vou lhes explicar. Chama-se “curral”. É uma rede de espera. Os pontos sinalizam o seu formato. Há uma abertura na parte superior esquerda para entrada dos peixes numa maré cheia; em seguida um labirinto para que eles não possam retornar. Aliás, eles não sabem como retornar. No centro, em vermelho são quatro tanques de água de amianto, enterrados na lama até a boca. São chamados de coração do pesqueiro.  Quando a maré esvazia, os peixes não têm ou não sabem como sair. Alguns pulam, mas a maioria se dirige aos tanques que se mantêm com água, afim de não morrerem.  Aí é só catá-los. Simples! Vocês poderão  fazer diversas armações desta ao longo da enseada. É um mar de peixe. Vocês vão ver.
- Mas lá em sua terra pode funcionar e aqui não.
- Vejo aqui as mesmas características de mar que nem na Barra do Maranhão. O mar se descobre centenas de metros. Vira tudo lama, como aqui. Igualzinho!
É, podemos tentar, mas de cara vejo um problema, aliás, um problemão. Não temos dinheiro para comprar redes, paus e tanques. O senhor parece que também não tem.
- Cal e Bel. Não vai ser necessário dinheiro algum. Só trabalho de procurar por ai os elementos dessa armadilha.  As redes, por exemplo, o que é o mais caro poderá ser encontradas aí pelas ilhas. Redes usadas, imprestáveis, jogadas na areia. Já não servem para pescaria de grandes peixes. As malhas já não aguentam, mas para nós elas funcionarão. Os paus, temos o mangue à nossa disposição. É só cortá-los e os tanques, possivelmente, podemos achá-los velhos, jogados fora por moradores ou abandonados nas velhas casas. 
A convicção daquele homem impressionava os dois rapazes. O projeto tinha alguma lógica. Resolveram aceitar. Começaremos amanhã. Vamos todos à Ilha de Maré, é um bom começo, eu, Bel e o senhor. Se nada encontrarmos, pelo menos comeremos uma boa moqueca de caçonete ou peguari.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

LADEIRA DA MONTANHA- MATO Á VONTADE


Faz alguns dias que focalizamos a Ladeira da Montanha – oficialmente Ladeira Barão Homem de Melo- na série de “SUGESTÕES E IDÉIAS AO NOVO PREFEITO”.
Concentramo-nos nos futuros projetos para a socialização da área, mas antes disso, para hoje, agora, se faz necessário cortar o mato que cresce nas suas encostas.
Esta mataria que estaremos mostrando adiante, além do péssimo aspecto que causa, deve representar algum perigo às paredes de contenção da grande via, provavelmente, uma das mais importantes de Salvador. Afinal de contas, mesmo mato, seus galhos e raízes devem engrossar perigosamente e, quando chove, o peso da água pode ajudar na queda de parte da encosta.




No mais, o aspecto geral é horrível. As casas estão desmoronadas. Não existe mais passeio. Lamentável que se chegue a esse ponto. Há que se tomar uma medida urgentte, não do prefeito que será empossado em 2013, mas do atual, sob pena de vir a ser culpado por uma tragédia.

Não pensem que as encostas são de aço. Elas podem desmoronar, como já aconteceu no passado.

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LEITURA OPCIONAL DOS LIVROS DO AUTOR
Estamos criando esta seção absolutamente opcional. Temos alguns livros escritos, mas está difícil publicá-los. É muito caro! Certa feita, tentamos fazer a inscrição de um deles num desses concursos patrocinados pela Secretaria de Educação. Era destinado a novos autores. Somos um deles. Contudo, a burocracia da inscrição foi maior que a nossa vontade de participar. Sempre faltava um documento.  Desisti na véspera da data de encerramento. Mais tarde, conversando com um amigo, gente ligada ao governo, o mesmo nos alertou que esses concursos são feitos com cartas marcadas. Inscrevem-se e ganham quem eles protegem. Coisas de nosso país.
Quase no mesmo contexto, sabe-se de autores protegidos por “livreiros”. Nem sempre se consegue ler os seus livros até o fim. Não dizem nem acrescentam nada, mas vendem, graças à força promocional que age por trás dos seus lançamentos.
Em não podendo participar de um concurso e não tendo amigos livreiros, só nos resta o espaço desse blog que é bastante lido. Mas antes de começar, tivemos o cuidado de selecionar assuntos ligados à nossa cidade como, por exemplo, os alagados de Itapagipe, tanto o do Uruguai como o do Porto dos Mastros. O primeiro deles se denomina “Alagados”. Parece uma história interessante, mas quem vai confirmar isto serão os meus leitores. Pedimos licença. Estaremos sendo julgados. Boa leitura, mas não se sintam obrigados.
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ALAGADOS
1
Bel e Cal eram tainheiros da Ribeira. Moravam no antigo Uruguai, bem junto ao mar que ali chegava. Nas horas de maré cheia pequenas ondas chegavam até as suas palafitas. Quando a maré vazava recuava centenas de metros, quase não mais se vendo onde começava. O mangue do outro lado o escondia entre os galhos. Em razão do recuo da maré, apoitavam, a canoa com a qual pescavam, ora no canal em frente às  suas casas se a maré da manhã no dia seguinte estivesse vazia: se estivesse cheia, usavam a poita próximo as suas palafitas ou mesmo amaravam-na num dos paus que as sustentavam.  Agindo assim, evitavam o contratempo de rebocá-la por longos metros pela lama. Era muito grande e quase  impossivel.  Sabiam dos ciclos da maré pela lua. Quando ela estava em quarto crescente ou minguante, na manhã seguinte, estava recuada; se era Cheia ou Nova, quando amanhecia, as ondas batiam nas pilastras das palafitas.
A canoa dos dois pescadores fora comprada em parceria. Ela fazia a travessia Ribeira-Plataforma, transportando passageiros. Era uma canoa de bom porte. Devia ter seus 10 metros de comprimento e boa largura. Antes, os dois amigos, tinham uma canoa cada um. Pequenas e instáveis. Qualquer vacilo ou movimento brusco e elas viravam e se perdia os peixes pescados. A canoa d‘agora era diferente. Permitia o arremesso das tarrafas de um na proa e do outro na popa. Ao mesmo instante! Ela se mantinha como que presa ao mar, absolutamente estável. Além do mais, possuía uma guarnição de velas que incluía até uma bujarrona. Usavam-na quando iam pescar em lugares mais longes, como em Freguesia ou mesmo Maré.
Próximo de suas palafitas morava um senhor de nome Firmino. Dizia-se que era do norte do País e teria sido um dos primeiros moradores do local.  Morava sozinho. Também pescava com uma pequena canoa. Diferentemente dos dois amigos, a sua canoa vivia amarrada num dos paus de sua palafita. Ele só saia para pescar na maré cheia, fosse que hora fosse.
Certo dia, Cal e Bel voltando de uma incursão em Ilha de Maré com todas as velas ao vento, depararam-se com a canoa do senhor Firmino virada no Canal da Ribeira e o homem seguro a ela. A correnteza de vazante era forte e ele se distanciava da terra rapidamente.
Aproximaram-se do náufrago e prestaram o devido socorro. Colocaram-no dentro da canoa e após desvirar a pequena canoa do velho pescador, amarram-na na popa e seguiram em direção ao Uruguai.
- Como aconteceu isto, senhor Firmino, perguntou Cal?
- Então, vocês sabem meu nome?
- Quem não conhece o senhor no Uruguai. Dizem que o senhor foi um dos primeiros moradores.
- É. Parece que sim, mas depois eu explico isto. No momento, estou precisando tomar uma bebida quente. Vocês devem ter algo. Estou morrendo de frio. Tem mais de uma hora que a canoa virou. Perdi a tarrafa.
Deram-lhe aguardente. – Essa é das boas, é Jacaré, falou Bel, passando a garrafa para o velho pescador.
Ao chegarem em terra, amarraram a canoa de Firmino na sua palafita. Ajudaram-no a subir na palafita e quando se preparavam para ir embora, Firmino os convidou para jantar com eles no dia seguinte. Pescaria alguma coisa pela manhã. A maré estaria vazia e ele era um especialista em siri mole.
- Vocês gostam de siri mole? Vocês foram tão gentis. Poderia ter morrido.
- Claro senhor Firmino, mas não se preocupe com isto. Não fizemos mais do que nossa obrigação. São leis do mar.
- Não, faço questão.
- Está bem, a que horas?
- Às  7 da noite: está bem para vocês?
- Está ótimo, estaremos aqui como sem falta. Eu me chamo Cal e o meu amigo Bel.


UMA PONTE- TÚNEL ENTRE SALVADOR E ITAPARICA


Muito se tem discutido sobre a ponte que ligaria Salvador à Itaparica e um dos maiores inconvenientes dessa obra é o canal por onde passam os grandes navios que chegam à nossa capital, bem como os navios de guerra que circulam entrando ou saindo da Base Naval de Aratu e as grandes plataformas marítimas da Petrobras.
Por essa razão, ela terá que ter uma parte móvel no canal ao centro da travessia para permitir a circulação dos referidos navios.
Justamente por esta razão o custo da obra encarece sobremaneira.
Mas existe uma solução absolutamente viável e estranhamos que ninguém – as construtoras principalmente – tenham pensado nisto.
O que seja?
Uma ponte-túnel. Isto mesmo. Parte ponte e parte túnel. Ponte nas extremidades, tanto em Salvador quanto em Itaparica e túnel na extensão do canal que existe entre as duas localidades.

Além de suprimir a parte móvel da ponte (caríssima), evita os embaraços que este sistema possa causar ao longo do tempo (o mar está aí com sua maresia destruidora), provoca uma diminuição acentuadíssima do seu custo, desde que se poderá fazer uma ponte bem mais baixa (não é verdade?).
Mas isto não existe. É uma idéia estapafúrdia, haverão de dizer alguns “interessados”. Existe e mostramos acima:  a Ponte-Túnel Rio James, além de outras ao redor do mundo.
O leitor deve estar se perguntando: existe um exemplo brasileiro? Sim. Um túnel passando por baixo da baía de Vitória, ligando a capital a Vila Velha, que está sendo planejado pelo governo do Espírito Santo (ES). Dependendo das dimensões, um túnel pode custar entre R$ 98 mil e R$ 117 mil o metro.

 Vejam a opinião de um técnico sobre ponte-tunel:

"O túnel submerso, ou pré-moldado, tem vantagens relevantes frente à ponte. A primeira delas é a facilidade de ir e vir que o túnel traz. A ponte teria de ter cerca de 80 metros de altura para permitir a circulação dos navios. Isso sem contar a base da Petrobras que está sendo montada por conta do pré-sal, o que exigiria uma ponte ainda mais alta”, conta Hugo Rocha. “Para que um veículo acesse uma ponte desta altura, é necessária a construção de alças de acesso de pelo menos cerca de um quilometro e meio de cada lado. Seria um minhocão em cada uma das cidades”. Já no túnel submerso, a alça de acesso, além de ser menor, é subterrânea. “Depois da construção, a rampa é aterrada e urbanizada”, explica Tarcísio Celestino. “Ou seja, a rampa fica embutida e ninguém vê, não havendo qualquer impacto na paisagem urbana”.
Por último, vejamos quanto os nossos técnicos estão "imaginando" o custo de nossa ponte (só ponte):
Ficha Técnica
Investimentos: R$ 7 bilhões
Previsão de entrega: 2018
Responsáveis pela Obra: A definir
Situação atual: Foi publicado apenas no Diário Oficial do Estado o resultado do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), feito pela Planos Engenharia (Queiroz Galvão e Carlos Suarez Participações) e pelo consórcio das empresas OAS, Camargo Corrêa e Odebrecht Transport.
Só tem um jeito: chamar os chineses para a construção de nossa ponte que poderia ser "ponte-tunel", ainda mais barata.



terça-feira, 4 de setembro de 2012

500ª POSTAGEM DESSE BLOG


Estou começando a escrever a 500ª postagem desse blog – SALVADOR HISTÓRIA DAS CIDADES BAIXA E ALTA.  A primeira postagem ocorreu em 1º de Outubro de 2009, logo, quase três anos atrás. Na abertura do blog dízimos que iríamos caminhar pelos espaços de Salvador olhando o presente, buscando o passado e às vezes, projetando o futuro. Parece que foi isto que fizemos ou tentamos fazer. Corremos a cidade de uma ponta a outra,  desde São Tomé de Paripe até Itapuã, inclusive passando pelas ilhas de nossa extraordinária Baia de Todos os Santos e fizemos isto acompanhado por 148 seguidores que se registraram e mais aqueles que de uma forma ou de outra, acessaram este blog por todo o mundo. São mais de dez mil acessos por mês com picos de quinze mil visualizações/mês.

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Evidentemente que são números que nos deixam orgulhosos e cada vez mais comprometidos com a qualidade da informação.  Muito Obrigado da cidade se completam

SAUDADE DE NOSSAS BARRACAS DE PRAIA


Estávamos pensando que estivéssemos sozinhos na convicção de que a retirada total das barracas de praia da orla de Salvador trouxe  muitos prejuízos à cidade, prejuízos de trabalho, de lazer, de violência, entre outros.
Até de violência, poder-se-á até estranhar? Sim. A medida, drasticamente tomada pelo Poder Público e não a Prefeitura, provocou um desemprego em massa de mais de dois mil trabalhadores, gente sem qualquer qualificação profissional, apenas disponível para serviços  de atendimento aos banhistas, no fornecimento de refrigerantes e cervejas proveniente das barracas.
E o que estão fazendo esses trabalhadores, hoje em dia? Alguns, mais desembaraçados compraram um isopor e estão vendendo refrigerantes e cervejas por conta própria. Com isto as nossas praias ficaram mais feias e desogarnizadas.
A maioria, contudo, está vagando por aí nas beiras do crime de rua ou já nele engajados, tornando Salvador uma das cidades mais perigosas do País. Disso não temos a menor dúvida.

Enquanto isto, em Fortaleza, Ceará:

Dizíamos então que pensávamos que esta convicção era apenas nossa, mas nesses dias, lemos uma matéria sobre a queda do turismo em Salvador e entre as causas apontadas está, justamente, a retirada das barracas de nossa orla. Elas eram um atrativo interessante de nossas praias. Como prova disso, em outros Estados do Nordeste, o próprio governo faz a propaganda de suas cidades, incluindo as barracas como um grande atrativo, casos do Ceará e Sergipe.
Se a retirada das barracas foi um enorme erro, pior ou igual foi a não criação de uma alternativa. Por exemplo, nesse ínterim, foram feitas diversas praças em Salvador (Pituba-Ondina-Itapagipe) e, em nenhuma delas tiveram a idéia de criar espaços gastronômicos para fixação das pessoas nessas praças; até as baianas de acarajé, delas se afastam porque não há público suficiente para bons negócios.
E não se vê na campanha dos candidatos à Prefeito, (nenhum deles) uma referência ao caso. Parece que todos têm medo do Poder Público que tomou a medida, mas mesmo ele pode ser contestado através órgãos superiores de justiça e não se viu ninguém reclamar, Prefeitura, Governo Estadual, Sindicatos de Trabalhadores, etc. Estamos sem nenhuma iniciativa. Lerdos e leigos!
No particular, abaixo estamos transcrevendo uma nota do senhor Armando Mota em seu blog:

"O sonho de uma cervejinha gelada à beira-mar, um caranguejo feito na hora, uma casquinha de siri ou outro petisco qualquer de boa culinária baiana é coisa do passado. Uma decisão judicial sepultou uma das mais antigas tradições desta terra e reservou para Fortaleza o privilégio de receber com conforto e higiene os que lhe visitam". ARMANDO MOTA

É assim que se perde mercado. Para recuperá-lo, leva um século.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

NOVOS RECURSOS OFERECIDOS PELO GOOGLE


A Google acaba de oferecer ao mundo cibernético mais uma ferramenta sem igual: imagens de todo o mundo com uma qualidade absolutamente extraordinária. Claro que Salvador está toda retratada.

Melhor do que qualquer palavra  vamos ver a nossa belíssima Praça da Sé:
 
 

Naturalmente, isso nos leva a usar esse recurso na maioria das postagens feitas até então, melhorando sua qualidade  e informando melhor.