sexta-feira, 26 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - DENDEZEIROS DO BONFIM


Faz-se necessário lembrar aos nossos amigos leitores que esta série “MEU BAIRRO QUERIDO” está sendo retratada via internet, através um recurso técnico recentemente lançado pelo Google.
Claro que, anteriormente, já tínhamos feito “pessoalmente”, isto é, com a máquina em punho e para tanto, levamos três anos para concluir. Hoje, podemos levar no máximo três meses.
Mas o recurso atual não deve ser a mesma coisa! Emocionalmente não é, mas tecnicamente supera o trabalho pessoal, desde que se pode ir a todos os lugares de um bairro, por exemplo, por vezes naqueles recantos que só seus moradores conhecem.
Mas não se pode entrar nos solares e nos templos! Aí é verdade. Peca nesse sentido. Não tem a alma do lugar, a célula viva de qualquer lugar que são os imóveis onde vivem e rezam  as pessoas. É como se estivéssemos num deserto.
Hoje vamos focalizar a Av. Dendezeiros do Bonfim. De todos os acessos ao Bonfim esse é o mais significativo, poderíamos assim dizer. Não há como desassociar este caminho da Colina Sagrada. Desde o principio, ainda em Roma, (Praça Irmã Dulce) vê-se ao longe a grande igreja. É uma reta majestosa e à medida que se caminha por ela a colina vai crescendo aos nossos olhos. Mas claro que fisicamente isto acontece em qualquer lugar, mas no caso presente é diferente, por que junto a essa evidência, cresce a nossa esperança de dias melhores para nós todos. Isto no geral, desde que em certos casos mais específicos, de uma doença ou de uma graça alcançada, renova-se a nossa fé no grande Santo da Bahia.

 Praça Irmã Dulce - Largo de Roma
Av. Dendezeiros do Bonfim - a Igreja ao longe
Ainda mais próxima
Chegamos!
A Igreja do Bonfim

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - BONFIM


Bem recentemente, tivemos ocasião de publicar uma postagem  onde os estudos feitos por biólogos determinam que a Colina do Senhor do Bonfim, juntamente com todo o Monte Serrat, teria sido uma ilha.
Dizíamos, mais ou menos, nessas palavras que:  agora chega ao nosso conhecimento uma reportagem feita pelo jornal A Tarde, em comemoração ao Dia do Geólogo, 30 de maio, na qual o geólogo Alex D.G.Pereira escreve que, efetivamente, Itapagipe teria sido uma ilha e dá até o nome e a localiza no mapa
Esta ilha tinha como espaço a atual colina do Senhor do Bonfim e todo o alto do Monte Serrat.
Abaixo os mapas do estudo:
Mapa de como era a Baia de Todos os Santois
Sem dúvida, que este fato realça ainda mais o local aos olhos de todos, em razão de sua antiguidade. Quando ainda se formava a Baía de Todos os Santos, a colina já estava fazendo parte de seus destaques a “século-suculorem”.
Certamente que o Capitão Teodósio Rodrigues de Farias, o homem que trouxe a imagem do Senhor do Bonfim de Setubal,  Portugal, não sabia desse detalhe geológico, mas sem dúvida que teve o discernimento absolutamente correto de escolher a colina como local onde ela deveria ficar.
Em inúmeras postagens desse blog – salvadorhistóriacidadesbaixaealta.blospot.com – os amigos leitores vão encontrar toda a história desse fato.
Uma, entretanto, não nos furtamos em reproduzir: trata-se do nome Bonfim. No mais puro português, Bonfim escreve-se com “n” antes de “f”. É a regra gramatical. Contudo, o senhor Teodósio Rodrigues de Farias quando foi registrar em cartório a entidade que havia formado para trabalhar na obtenção de recursos visando a construção da igreja, o fez como sendo Bomfim com “m”.

Porquê?
Porque em Setubal, de onde veio a imagem, o Bomfim de lá é com m – Nosso Senhor do Bomfim, ou seja o “bom fim de todas as coisas”; “o bom fim para todos”.  Sem dúvida, excepcional e extraordinária mensagem.
Mas estamos no Brasil, especialmente na Bahia e Bonfim se escreve com “n” ante do “f”.
Nem sempre! A própria Prefeitura espalhou pela Península, inúmeras placas indicativas de trânsito onde se lê Bomfim com “m”. Acolheu o registro de nosso grande capitão Teodósio com todas as letras.
Placa ao fim da Rua da Imperatriz
Ladeira do Bonfim

Plac existente ao lado da Praça Divina

Placa na Av. Dendezeiros

Baixa do Bonfim


Largo do Bonfim
Ladeira dos Romeiros







 Casas dos romeiros
Casas antigas


Agreja vista de trás



Ladeira do Bonfim - A principal

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - URUGUAI


Muitos julgam ter sido no Porto dos Mastros a primeira invasão do mar pelo povo ávido por um lugar para morar, nem que fosse numa simples e rústica palafita. Não foi!
O primeiro movimento nesse sentido foi feito em 1940 no hoje bairro do Uruguai, enquanto o do Porto dos Mastros aconteceu em 1953.
Poder-se-ia apontar uma razão  para que este movimento popular acontecesse?
Sem dúvida! 
Itapagipe tinha sido nomeada pela Prefeitura como aterro sanitário de salvador. Isto mesmo: aterro sanitário e o local escolhido foi justamente o espaço onde hoje se encontra o bairro.
Explicando melhor, o mar da Enseada dos Tainheiros chegava às proximidade do Largo dos Mares, daí o próprio nome.
O mar chegava nos Mares

O traço azul indica mais ou menos, até onde chegava o mar proveniente da Enseada dos Tainheiros.
Este espaço, então, foi sendo aterrado com lixo, naturalmente com a ajuda técnica da Prefeitura.
Praticamente, ao mesmo tempo, Itapagipe fora designada como sendo o primeiro Polo Industrial de Salvador. Não bastasse a indicação de “lixeira”, tornava-se também um centro industrial, mas um centro industrial da pesada com industrias altamente poluentes como sendo as de cacau e até a temida Tibras, que nenhum país aceitou.
Mas Itapagipe não era também uma espécie de balneário que enchia de veranistas nos meses de verão?
Era. E daí?
Em verdade, essa “mistura” demonstra a falta de um plano diretor da cidade àquela época. Cada governo fazia o que queria. O exemplo acima é marcante.
A criação do Pólo Industrial de Itapagipe, claro que atraiu milhares de trabalhadores residentes nas Ilhas e no Recôncavo e este pessoal, ávido por um lugar onde morar, invadiu o mar com suas palafitas como que completando um clico de desordem.
Destaque comercial

Av. Uruguai
Rua do Uruguai´Área mais residencial
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terça-feira, 23 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO -MAÇARANDUBA


A Avenida Caminho de Areia tem esse nome devido ao fato de que até os anos 50 do século passado, não tinha calçamento. Era todo de areia.
E porque era assim? Por que o mar proveniente da Enseada dos Tainheiros chegava até ali. Aliás, ia até mais adiante, alcançando também a Avenida Dendezeiros do Bonfim, haja vista, as grandes extensões de uma areia muito branca ainda existente nas dependências da Vila Militar dos Dendezeiros. No local funcionava a cavalariça da corporação.
Ai  vieram os aterros feitos inicialmente com lixo. Isto mesmo! Itapagipe tinha sido nomeada Aterro Sanitário da Cidade de Salvador e toda sujeira era depositada no seu espaço, desde os Mares, Uruguai, até hoje Maçaranduba. Em cima disso, formaram-se os bairros do Uruguai, Jardim Cruzeiro, Machado e Maçaranduba.(1).
(1) Há quem escreva Maçaranduba como sendo Massaranduba com dois “s”. A Prefeitura considera certo o nome com dois “ss”. Os biólogos como sendo com “ç”. Tanto faz.

Tronco de Malaranduba


Rua Lopes Trovão


Av. São João


O mar da Maçaranduba- Verdade!
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - ALAGADOS


Em postagens anteriores percorremos boa parte da Peninsula de Itapagipe desde a Ribeira até o Porto da Lenha, exclusivamente pela sua orla marítima.

Fosse anteriormente, aí pelos idos de 1950, teríamos que acrescentar nesse trajeto a Av. Porto dos Mastros, àquela época simplesmente chamada  Rua Domingos Rabelo. Estreita e toda em barro batido, margeava o chamado Porto dos Mastros.
O local que era um porto de saveiros com seus mastros à mostra, mesmo daqueles que não mais navegavam.
Temos lembrança que as águas da Enseada dos Tainheiros que chegavam até suas margens, balançavam os galhos de mangue nascidos ao seu redor.
Por essa razão, o local era um viveiro de caranguejos e siris de várias espécies, bem como se tornava um paraíso para as tainhas e as curimãs.
Mais anteriormente, aí pelos idos de 1920/30, a Prefeitura resolveu construir um cais de contenção na orla de Itapagipe.  Sem uma razão plausível, excluíram o Porto dos Mastros, dando inicio apenas a partir do Porto dos Tainheiros.
Deixaram-no vulnerável  e em 1953, sem dó nem piedade, suas margens foram invadidas por centenas de palafitas, dando inicio ao hoje chamado bairro dos Alagados.
Na sequência, o local foi aterrado com areia proveniente da Ponta da Penha  e o que era orla virou becos e travessas de muitas casas, sem nenhum saneamento, do que resultou na contaminação de toda a Enseada dos Tainheiros e liquidação da vida marinha.
Hoje dizem que a coisa está mais ou menos resolvida, mas não deve ser assim. Por exemplo, a Praia da Penha que fica na boca de saída da Enseada, é uma praia absolutamente contaminada. Está lá uma placa da Prefeitura indicando a inconveniência.
Dizem também que  muitos detritos vão parar no outro lado da Baia de Todos os Santos, lá pelos lados de Cabuçu e Saubara.  São um vinte quilômetros, mas mesmo assim, a sujeira chega lá.

Praças


Primeira Travessa da Rua Domingos Rabelo
Segunda Travessa da Rua Domingos Rabelo
Ediicio de 4 andares - Quem diria?
Av. do Porto dos Mastros






domingo, 21 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO

Ainda de relação à parte interna da peninsula, isto é, setores que não tem o mar como referência, à sua frente, destacamos nessa oportunidade aqueles paralelos à Rua Lélis Piedade. O primeiro deles é a rua Marquês de Santo Amaro que, antigamente, era conhecido como "Areal".

Rua Marquês de Santo Amaro
 
Vejamos no mapa a localização dessa rua:

Mapa de parte da peninsula

Como se vê, a rua Marques de Santo Amaro corre paralela à Rua Lélis Piedade. Tem começo na Rua Álvaro Cova e termina no Largo da Madragoa.

Rua Álvaro Cova 
É super interessante o detalhe dessa rua com a Igreja do Rosário como seu cenário maior. Tem-se a impressão que o templo fecha-a.  Só impressão, desde que.  anteriormente, corre a Rua Lélis Piedade.

Praça da Rua Álvaro Cova

Nessa praça nasceu Irmã Dulce. Também foi nessa praça que a Santa da Bahia invadiu 5 casas de veranistas que estavam fechadas para abrigar seus doentes. A irmã não era de brincadeira! Quando queria alguma coisa, derrubava até paredes. Foi assim que ela fez o Hospital Santo Antônio para atendimento dos mais pobres. É uma obra social absolutamente extraordinária.  

sábado, 20 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - RUA DO FOGO E PEREIRA REBOUÇAS


Desde então, circulamos a Peninsula de Itapagipe pela sua orla, desde o Porto dos Tainheiros até extremidade do Porto da Lenha.
Contudo, a Península não se restringe somente a isto. Tem a sua parte interna, seu interior, formados por muitas travessas, becos, caminhos que, por vezes, parece um labirinto!
Claro que os veranistas dos anos do século XX ao se deslocarem para Itapagipe na época do veraneio, preferiam sempre se localizar na orla com o mar a sua frente e muitos deles chegaram a construir grandes residências nesse trecho.
Restou aos locais, a parte interna do pedaço ao qual agora estaremos nos reportando.
Por exemplo, à partir da Rua Júlio David que dá acesso ao Porto dos Tainheiros, bem ao seu meio, começa a Rua do Fogo que após serpentear interiormente, desemboca na Ribeira. Uma outra, a Pereira Rebouças, termina no Próprio Porto dos Tainheiros.

Rua Pereira Rebouças
E não se diga que esses locais só tem casa de pequeno porto. Há de se reparar que muitas delas têm dois andares.  
Rua do Fogo