terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A ORLA ESTÁ MAIS LIVRE

Faz tempo que Salvador vem ganhando rótulos indesejáveis. Tornou-se uma das mais sujas do País e ainda se diz que ela virou as costas para o mar - desde o século passado quando se construiu o porto e foram tomados uns três mil metros de sua orla central. Diz-se que se fez necessário, mas este blog tem mostrado que não. Verdadeiramente o porto deveria ter sido construído para os lados de Água de Meninos, como agóra se faz com sua ampliação.

Mas nem só o porto tomou a frente do mar. Temos terríveis exemplos em todas as partes da cidade.  Ondina,  Amaralina e o próprio Rio Vermelho,  são casos complicados.  Após o Cristo, pouco se vê o mar. Nos meados do século passado o governo deu até incentivo para quem construísse do lado do mar. Surgiram os hotéis e os clubes. Os quartéis completaram o serviço.
Por essa razão, só temos que aplaudir a decisão de proibir o estacionamento de veículos do lado do mar deste a Ladeira da Barra até depois do Cristo.  Ficou outra coisa. Vejam:


Nova orla


Como era

BANHO DE ÁGUA PERFUMADA E PIPOCA NA LAVAGEM DO BONFIM – DETALHE 6


Uma das marcas da Lavagem do Bonfim, se não a maior, é a presença das “baianas” no grande cortejo. Vestidas de branco, esvoaçantes, belíssimas, vindas dos candomblés de toda a Bahia, todas elas carregam um vazo de barro com água perfumada e flores, geralmente brancas. São destinadas à lavagem dos degraus da Igreja do Bonfim. Verdade que uma lavagem simbólica, mas com um teor muito maior do que se pode pensar. Em verdade as diversas proibições que a Igreja Católica fez e faz contra a Lavagem do Bonfim, tem muito a haver com o sincretismo religioso que se vê na lavagem, ou seja, uma fusão de preceitos Católicos e Ubandistas.



Baianas levando seus potes com água pergumada e flores
Mas, não adianta. Faz parte da tradição dessa terra; está nas suas raízes e numa festa como esta, ela se manifesta com muita força.
Tem destaque as vestimentas das baianas, caprichosamente de branco, muitas com colares e pulseiras de ouro e prata. Nos ombros carregam um pote de barro com água perfumada e flores brancas emergindo de seu interior. Simples água? Não, água preparada nos terreiros 7 dias antes da festa. O perfume vem de folhas e ervas cheirosas, como laranjeira, manjericão, macaçá e alfazema preparadas em água de levante. A mistura fica em repouso em uma sala sagrada de culto para a materialização da força do orixá até o dia da festa. Além desta água ser usada para lavar os degraus da igreja, é usada também para ungir pelo caminho os participantes da festa que buscam proteção espiritual.
 LEVANTE

FLOR DE LARANJEIRA

MAÇAPÁ


De relação ao banho de pipocas que muitos tomam, destina-se para pedir ou agradecer coisas boas ao santo protetor e também para “limpar o corpo” de olho-gordo e de todo tipo de problema.

Pipocas

domingo, 6 de janeiro de 2013

VILA DOS ROMEIROS - DETALHE 5



A gravura acima, datada de 1890, mostra-nos a colina onde se acha a Igreja do Bonfim apenas com um acesso à direita. Ainda não havia sido feita a principal ladeira que hoje conhecemos. À esquerda, vê-se duas casas de madeira, possivelmente pertencentes à trabalhadores de sítios e pequenas fazendas na localidade. À direita, notam-se algumas casas acompanhando a estrutura do terreno. Foi o princípio da Ladeira dos Romeiros. Por ela subiam os romeiros que vinham das Ilhas e do Recôncavo para participar das festas dedicadas ao Senhor do Bonfim.
Ladeira dos Romeiros

Inicialmente, esses romeiros ficavam acampados no largo em frente, até que a entidade que dirigia as atividades da igreja resolveu construir a Vila dos Romeiros à direita e à frente do templo com a finalidade de abrigar esse pessoal durante os dias de festejo. Diz-se que nada era cobrado. Só muito posteriormente, essas casas foram alugadas e até vendidas.

Casas dos Romeiros
É do conhecimento de pouca gente que no espaço onde foram construidas as casas dos Romeiros, exitia anteriormente velhos casarões. Não se sabe se foram desapropriados pela Prefeitura ou foram comprados pela Devoção. Também fica a hipótgese de que foram os proprietários dessas casas que custearam a construção das Casas dos Romeiros e lucravam com o aluguel das mesmas. A hipótese de que eram cedidas gratuitamente pela Devoção é um tanto duvidosa.

Muito provavelmente, os romeiros chegavam a Salvador nos saveiros que traziam lenha noutros dias para a capital. Como é sabido, eles aportavam no Porto da Lenha e em seguida no Porto do Bonfim, hoje Praça Divina. Em seguida, subiam a Ladeira do Bonfim, recém construída, e alcançavam o alto da colina pela Ladeira dos Romeiros, já citada. Só os mais jovens aventuravam-se subir pela Ladeira da Lenha, demasiadamente íngreme. Tinha como vantagem o acesso junto à igreja.


Ladeira da Lenha

A Igreja hoje

sábado, 5 de janeiro de 2013

MAIS ENFEITADO QUE JEGUE NA LAVAGEM DO BONFIM- DETALHE 3


Em todas as Lavagens do Bonfim é quase obrigatória a presença de carroças puxadas a jegues. Elas apareceram pela primeira vez quando a Lavagem foi programada para sair do Largo de Roma; em seguida do Largo dos Mares e por fim da Conceição da Praia.
Teriam aparecido para transportar pessoas idosas que não podiam mais andar? Senhoras grávidas? Crianças? Mais ou menos por aí. Não! Em verdade, as carroças são peças importantes da história da cidade, inclusive da história da Igreja do Senhor do Bonfim. Há de se lembrar que antes do surgimento dos atuais fogões a gás e elétricos, a preparação dos alimentos se fazia por fogões à lenha ou carvão e esse combustível chegava em Salvador pelo Porto da Lenha nas proximidades do Bonfim, na sua baixada. Vinha das Ilhas e do recôncavo no bojo de grandes saveiros à vela de içar.

Saveiros
Desembarcado, subia até o alto do Bonfim no lombo dos escravos. Daí era levado ao centro da cidade (Santo Antônio – Taboão – Pelourinho- Sé) praticamente pela praia em lombos de jegues e, posteriormente em carroças puxadas por esses mesmos jegues. Quando se construiu a Ladeira do Bonfim ligando a Praça do Bonfim (hoje Praça Divina), menos íngreme do que a Ladeira da Lenha, o serviço de carroças puxadas a jegues aumentou ainda mais. Por outro lado, já havia sido feita a Rua Barão de Cotegipe e parte da Av. Jequitaia, sentido Calçada -Água de Meninos. Logo, a presença das carroças e seus jegues na Lavagem do Bonfim em termos, procura lembrar aquele tempo. Naturalmente, sendo uma festa, enfeitam devidamente o animal. Claro que as entidades de proteção dos animais protestam constantemente, mas até hoje não conseguiram impedir a presença desse animal na maior festa da Bahia.



LAVAGEM DO BONFIM - DETALHES 2


Faz-se necessário dizer que as Lavagens do Bonfim nem sempre foram da forma como se conhece hoje em dia. Antes de 1950, não se fazia a passeata que hoje percorre grande parte da Cidade Baixa. As pessoas se dirigiam diretamente ao templo que ficava aberto ao público.
Escravas e Baianas fazendo a lavagem do Bonfim

Geralmente muniam-se de vassouras e rodos e com auxílio de uma água perfumada preparada em casa, levada em baldes, davam uma geral no adro e no corredor central do templo. Era mais um simbolismo do que mesmo uma limpeza e, como não podia deixar de ser, cantavam os cânticos referenciados ao Santo e aos Orixás correspondentes. Como as lavadeiras nas beiradas dos rios e dos lagos. Um velho costume da Bahia. Em determinado ano após 1950, nas proximidades, os organizadores da festa resolveram fazer uma concentração de “baianas” ao pé da Ladeira do Bonfim. Passaram uma corda entre o Solar Marback e o obelisco no principio da balaustrada da ladeira. Ai Juntou-se uma dúzia de “baianas”, alguns curiosos e a Banda de Música da Polícia Militar dos Dendezeiros, e precisamente, às 10 horas após descer a corda, o pequeno séquito subiu a ladeira em direção à igreja. Cantavam o hino ao Senhor do Bonfim de autoria de Arthur de Sales e João Antônio Wanderley.

Ladeira do Bonfim
Passava-se uma corda entre o Solar e o pequeno obelisco da balaustrada da ladeira

LAVAGEM DO BONFIM - DETALHES


Como já se sabe, no próximo dia 17 desse mês, realiza-se mais uma Lavagem do Bonfim. Diferentemente de outras festas populares que se faz propaganda nos meios de comunicação a fim de despertar o máximo do interesse popular, esta comemoração se faz como que em segredo, desde que condenada pela própria igreja. É que os católicos são diferentes,  por exemplo, dos protestantes. As ordens emanadas da cúpula desses últimos são obedecidas rigorosamente. Já os católicos não se importam daquelas advindas dos mentores de sua igreja.  Se não lhes toca a alma, de nada adianta. É chover no molhado, segundo conhecido ditado.
Isto vem a propósito em razão das sucessivas manifestações da Igreja Católica contra a realização da Lavagem do Bonfim. A coisa vem de longe, desde 1889 quando Dom Antônio Luiz dos Santos, principal mentor da igreja na Bahia àquela época, emitiu um mandamento determinando, “que a Igreja do Bonfim ficasse fechada durante todo o dia de quinta-feira, só permitindo a abertura da porta à noite para a realização da novena”. Acrescentava:  que o asseio fosse feito muito particularmente em outro qualquer dia, de portas fechadas, sem o menor sinal de festa ou cantoria e com a decência compatível com a casa de Deus”. Se não bastasse, para fazer valer a Portaria, publicou-a na imprensa e enviou oficio ao governador do estado, Manoel Vitorino, “pedindo proteção, pois tinha receio que houvesse movimento de desobediência pelo ajuntamento de pessoas da ínfima classe e por interesses comerciais”.
Pelo que se vê, a coisa era braba. Sente-se um forte preconceito nesse “mando”. O povo é tido como uma “ínfima classe” que deveria ser reprimido e naqueles tempos a repressão significava chibatadas e coisas tais, pelourinho, por exemplo.
Vejamos outras manifestações de autoridades e pessoas proeminentes da sociedade a respeito da Lavagem
“Louca bacanal”, “blasfêmia” e “resquício de paganismo”, assim Maximiliano de Habsburgo (naturalista austríaco que visitou a Bahia em 1860) se referiu a  Lavagem do Bonfim.
“Bacanal” também foi o adjetivo utilizado por José Eduardo de Carvalho Filho (1852-1934), médico, intendente municipal, presidente do Centro Catholico Bahiano, irmão e tesoureiro da Devoção do Senhor do Bonfim e cronista..

 Sob a mira eclesiástica, era uma mistura de “irreverência e superstição” nas palavras de dom Romualdo de Seixas.

Mas de nada adiantou. Naquele ano de 1889 o povo foi a sua igreja, lavou-a e perfumou-a com suas águas mágicas.  Não se sabe se encontrou as portas fechadas conforme a recomendação, mas se aproximou delas e certamente molhou a sua madeira jogando baldes de água perfumada. A umidade deve ter chegado ao interior do templo.
Levou muitos anos até que a igreja voltasse a se manifestar contrária à Lavagem. A última delas aconteceu em 28 de janeiro de 1948 nos seguintes termos de acordo com o Mandamento Número 3:” Fica proibida qualquer espécie de lavagem nos templos eclesiásticos, mesmo que simbólicas, antecipadas de cortejos carnavalescos, às vésperas de qualquer festividade religiosa nas paróquias, igrejas, reitorias e capelas. Salvador, 28 de janeiro de 1948"
Ante tamanha carga “oficial” era de se esperar uma diminuição das manifestações populares, ou até mesmo sua extinção.
Nada aconteceu;  muito pelo contrário, a Lavagem foi crescendo pelos anos afora ao ponto de hoje reunir milhões de pessoas de todo o mundo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

MUTILAÇÃO DE ÁRVORES NA VASCO DA GAMA

Árvores mutiladas

A imagem acima é estarrecedora. Está na intertet.  Três grandes árvores existentes na Av. Vasco da Gama tiveram suas copas decepadas. Dizem serem paineiras. Motivo: as obras que estão sendo executadas na Av. Vasco da Gama de relação à tubulação do Rio Lucaia.
Essas árvores caracterizam-se pela espessura de seus troncos.  Teria sido por essa  razão o corte de sua copa? Estariam impedindo a construção do corredor para ônibus após tubulação do Rio Lucaia?
A resposta é não e tanto isso é verdade que os troncos continuam no mesmo lugar. O sacrifício se deu nas copas das árvores por razões que se desconhece.  Referidas copas nada tem a haver com a obra em si. Foi precipitação mesmo. Foi erro. Foi crime contra a natureza.
Felizmente ou infelizmente, possuímos em nossos arquivos uma foto dessas árvores ainda frondosas, ainda belas. Marcou!

Ainda frondosas e belas