domingo, 13 de janeiro de 2013

NAVIO DIQUE OU NAVIO ESTALEIRO- ARAUJO PINHO



Por muitos anos este blog tem procurado uma foto do Dique Araujo Pinho  que ficava ancorado na Penha. Era um navio estaleiro. Ele baixava o  casco para que outros navios pudessem entrar no seu bojo. Aí eram consertados. Os antigos navios da chamada Navegação Baiana, eram os fregueses mais constantes. O Rio Paraguassu, visto adiante era seu freguês.

 


Navio Rio Paragussu 
Finalmente encontramos uma foto do famoso navio dique. Deve ter sido usado até os anos de 1940/1960:


Navio-Dique Araujo Pinho
Em determinado dia, Salvador foi sacudida por uma tempestade conhecida como “Noroeste". O fenômeno aconteceia no verão. Formava-se uma nuvem ali pelos lados de Candeias e num crescendo de força de vento,  derrubava até tamarindeiros e arracava as telhas das casas da Avenida Beira-Mar. Saveiros que não tivessem uma boa poita arrebentavam-se no cais.
Numa dessas ocasiões, as amarrações do navio-dique se soltaram e ele ficou à deriva. Deslocou-se de onde ficava, mais ou menos onde hoje se localiza a Marina da Penha, e encalhou em frente à Igreja da Penha. Não deram muita importância e em poucos dias, o navio foi saqueado; aliás, pior do que isto, levaram até o seu casco. Só restou a quilha que ainda se vê enterrada em frente à igreja. Algo realmente impressionante, tanto pelo ato de vandalismo quanto pela falta de fiscalização. Devia valer milhões hoje. afora o valor histórico.



Restos do Araujo Pinho enficados em frente à Igreja da Penha
 
Igreja da Penha
Ponta da Penha

ITAPAGIPE EM MARÉ DE VAZANTE


Vez em quando o autor desse blog vai à Ribeira. Aliás, ele morou em Itapagige longos anos. Nunca a esquece. Sempre vai conferir como ela anda,  principalmente o mar que contorna a península. Desta feita ele estava recuado em completa vazante. Eram mais ou menos 10 horas da manhã. O fenômeno  é extraordinário. Forma-se como que uma praia com 200 a 300 metros de extensão. O povo aproveita para catar papa-fumo e outros mariscos. Tem gente que faz por necessidade; outros por deleite.

Vazante
 
 
Deleite - Um bom exercício
 

Para completar o espetáculo, do outro lado está Plataforma, uma joia de nosso subúrbio ferroviário. Caracteriza-se pelos seus morros. Um já habitado com muitas casas subindo a ladeira; o outro, absolutamente preservado. Mata Atlântica. Diz-se que  a Marinha  é a responsável pelo local. Pertenceria a ela. Fosse de uma pessoa comum, já teriam acabado com seu magnífico verde.
 

 

Subindo a ladeira em Plataforma
 
Morro preservado- Mata Atlântica

sábado, 12 de janeiro de 2013

LAVAGEM DO BONFIM COM NOVA ORDEM


Como é de todos sabido, a Igreja é contra a Lavagem do Bonfim. Diz tratar-se de uma manifestação de outra religião: o Candomblé. Não seria, portanto, uma festa da Igreja Católica.
Dentro dessa concepção, ficamos sem entender, primeiramente, o nome oficial da Lavagem: Lavagem do Senhor do Bonfim. Segundo, o destino da mesma, ou seja: a Igreja do Senhor do Bonfim. Terceiro: a lavagem dos degraus da própria igreja, salientando-se que antigamente toda a igreja era lavada. Pelos anos, foram diminuindo o espaço dessa lavagem.
Poder-se-á ainda citar outras afinidades com a igreja, como sejam, por exemplo, a venda de fitas alusivas ao Bonfim e imagens e terços, igualmente agregados. Um comércio que gera emprego, o que significa menos miséria.
E há que citar obrigatoriamente o encanto da música e letra do Hino ao Senhor do Bonfim. Quando o povo começa a subida da ladeira do Bonfim, milhares de vozes entoam a grande música num espetáculo deveras impressionante.
Em 2010, o Cônego Edson Meneses, responsável pela grande igreja, comovido, abriu uma das janelas do templo e de posse de uma réplica da imagem do grande Santo como que saudou o povo e ainda estendeu um veludo vermelho na sacada da janela.


Cônego Edson Menezes
Vejam o que a imprensa escreveu sobre a ação desse sacerdote:

“A ação do padre Edson pode ser entendida mais como exemplo de alguém que entende o princípio de respeitar quem pensa diferente. Isso porque ao abrir a igreja e acolher uma manifestação católica no nome, mas com um forte parentesco com a devoção a Oxalá, o orixá do candomblé que veste branco e é distribuidor de dons, como a chuva, padre Edson dá um tapa de luva nos que acham que religião é terreno de disputa. O sacerdote católico mostra que é possível conviver no mesmo espaço entendimentos religiosos diferentes, sem proselitismos ou queda de braço para arrastar fiéis. O padre deixa também margem para a interpretação de que a Igreja Católica está disposta a não cometer, em determinadas situações, os mesmos erros do passado.O simples ato de abrir uma janela e dar as boas vindas ao cortejo é simbologia do que vem ocorrendo na prática entre as religiões de matrizes africanas e o catolicismo. Os dois segmentos estão praticando o diálogo, que é muito diferente da tentativa de um convencer o outro da sua Verdade ou fazer uma mistura dos princípios da fé de cada um. A questão ultrapassa a ideia de abrir a igreja para a visitação após a chegada do cortejo, ação proibida pela Arquidiocese de São Salvador em 1890. A ação do padre Edson pode ser entendida mais como exemplo de alguém que entende o princípio de respeitar quem pensa diferente”.

“Respeitar quem pensa diferente”. Esta é a ordem que deveria ser o lema de todos. Ai o mundo seria muito melhor.  

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

ARENA FONTE NOVA - PRIMEIRO LANCE DA COBERTURA


Este blog vem acompanhando a construção da Arena Fonte Nova com muito interesse. É uma obra monumental. Irá enriquecer o patrimônio arquitetônico da cidade. Se o dique já era uma atração turística das mais interessantes, principalmente em razão dos seus Orixás  “flutuantes”, suas belas árvores, tornar-se-á ainda mais forte com a Arena da Fonte Nova.




Em razão dessa importância, estamos acompanhando o andamento das obras, desde a implosão do antigo estádio e o fincar das primeiras pilastras.
Hoje registramos o primeiro lance da cobertura do estádio, cobertura esta das mais avançadas. Deverá alcançar todos os setores das arquibancadas.  Ninguém deverá tomar mais chuva e sol. É uma exigência da FIFA.  Ela também exige que ninguém pode mais sentar no cimento cru. Tem que ter cadeiras para todo mundo.

Primeiro lance da cobertura
 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

AS BAIANAS DA LAVAGEM DO BONFIM - DETALHE 9


Propositalmente, deixamos o último DETALHE sobre a Lavagem do Bonfim para às Baianas. Elas foram as precursoras da grande festa. Inicialmente como escravas, eram forçadas a lavar o templo antes dos festejos em louvor ao Senhor do Bonfim. Quando livres, continuaram a lavá-lo da mesma forma. Só que para tanto, vestiam-se à caracter, todas de branco e a água de seus potes era perfumada, preparada com antecedência nos terreiros. Virou uma festa inclusive de cânticos referenciados a Oxalá que, no sincretismo religioso, é o próprio Senhor do Bonfim. O povo gostou. Fazia o coro das belas músicas. Enchia a igreja. Tornou-se um incômodo material. Noutros anos fecharam as portas do templo e só permitiram que a lavagem fosse feito apenas no adro. As baianas não se importaram. Lavaram-no da mesma forma. Certamente, o aroma de seus perfumes e o som de seus cantos, penetrariam pelas fendas das portas e das janelas e chegariam até Ele, o Grande Senhor do Bonfim. Noutro ano, também foi proibido lavar o adro. Só seria permitida a lavagem das escadarias. Apenas dez degraus. E, mais uma vez, as baianas não se importaram. Afinal de contas, os degraus são importantes. Sem eles não se poderia alçar à igreja. Por eles se sobe a muitos lugares. O serviço foi feito com o mesmo empenho e fé. É assim até hoje, só que o cântico das baianas é acompanhado por milhares de pessoas aos pés da igreja. Ela como que treme. Seus sinos quase batem. Não foram feitos para o silêncio. Lá dentro Senhor do Bonfim está sabendo o que está se passando. Não deve estar gostando!

Os degraus da igreja

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

FITINHAS DO SENHOR DO BONFIM- DETALHE 8


Em novembro de 2009 escrevemos uma postagem sobre as fitinhas do Senhor do Bonfim. Diziamos: É um talismã muito significativo e prático no seu uso.


 
Deve ter inspirado a moda dessas pulseiras que procuram significar alguma coisa, pelo menos é precedente a qualquer uma delas.

A fitinha do Senhor do Bonfim tem uma significação importante desde que veiculada à devoção de um santo que todo baiano acredita ser milagroso. Veicula fé e esperança, ou seja, algo que se deseja e quem não deseja alguma coisa? Diz-se que ela foi criada em 1809 e era conhecida como “medida do Senhor do Bonfim” pelo fato de que media 47 centímetros de comprimento, que é exatamente a medida do braço direito da estátua do santo que se encontra no altar-mor da igreja.
 
Nesse tempo usavam-na no pescoço e nelas eram colocadas medalhas, e figas alusivas ao santo. Eram de seda e o nome do santo era bordado à mão por beatas que se postavam ao lado da igreja. De resto davam um acabamento com tinta dourada ou prateada. Comenta-se que a Irmandade quer reviver essa tradição.




Como dissemos, este foi o texto escrito naquela oportunidade. Em nosso entender, diz muito, principalmente o significado do tradicional amuleto. Faltou dizer as representações das cores. Sim! Cada cor refere-se a uma entidade do Candomblé. Fica mais exigente o ato da compra.


 
 














Verde(escuro ou claro): Oxossi
Azul claro: Iemanjá
Amarelo: Oxum
Azul escuro: Ogum
Colorido ou rosa: Ibeji(erê)e Oxumaré
Branco: Oxalá
Roxo: Nanã
Preta com letras vermelhas: Exu e Pomba gira
Preta com letras brancas: Omulu e Obaluaê
Vermelha: Iansã
Vermelha com letras brancas: Xangô
                         Verde com letras brancas: Ossain













terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A ORLA ESTÁ MAIS LIVRE

Faz tempo que Salvador vem ganhando rótulos indesejáveis. Tornou-se uma das mais sujas do País e ainda se diz que ela virou as costas para o mar - desde o século passado quando se construiu o porto e foram tomados uns três mil metros de sua orla central. Diz-se que se fez necessário, mas este blog tem mostrado que não. Verdadeiramente o porto deveria ter sido construído para os lados de Água de Meninos, como agóra se faz com sua ampliação.

Mas nem só o porto tomou a frente do mar. Temos terríveis exemplos em todas as partes da cidade.  Ondina,  Amaralina e o próprio Rio Vermelho,  são casos complicados.  Após o Cristo, pouco se vê o mar. Nos meados do século passado o governo deu até incentivo para quem construísse do lado do mar. Surgiram os hotéis e os clubes. Os quartéis completaram o serviço.
Por essa razão, só temos que aplaudir a decisão de proibir o estacionamento de veículos do lado do mar deste a Ladeira da Barra até depois do Cristo.  Ficou outra coisa. Vejam:


Nova orla


Como era