quinta-feira, 12 de setembro de 2013

AS PRIMEIRAS INDÚSTRIAS DE ITAPAGIPE E A RELAÇÃO DE TODAS ELAS

Quase no mesmo tempo que Tomé de Souza construía a cidade de Salvador em 1549, Garcia D’Avila tido como seu filho, de posse de um casal de bovinos, construía o primeiro curral que se tem noticia na Bahia em Itapagipe. Naturalmente que, para tanto, se armou de inúmeros soldados cedidos pelo seu pai para dominar os índios que viviam no local. Posteriormente, armado da mesma forma, dominava as costas de Itapuã e daí em diante ninguém mais segurou o homem: foi até as costas do Maranhão construindo o maior latifúndio que se tem notícia em todo o mundo
Castelo da Torre
Isso vem a propósito para destacar que Itapagipe foi ao mesmo tempo que Tomé de Souza e Luiz Dias construiam a cidade de Salvador na encosta do morro, Itapagipe já era um lugar habitado por colonos vindos anteriormente com Francisco Pereira Coutinho, primeiro donatário da Bahia.

Isso contraria certas informações que só depois da cidade ter crescido para os lados de Santo Antônio Além do Carmo, Taboão, Pilar, etc. o homem branco veio a explorar a nossa península de Itapagipe.

Vejam o que escreveu Gabriel Soares, cronista da época: (...) nesta porta de Tapagipe estão umas olarias de Garcia de Avila e um curral de vaccas do mesmo, a qual ponta em chegada ao cabo d’ella em uma aberta pelos arrecifes, por onde entram caravelões, que com tempo recolhem aqui, e de boca da barra para dentro tem uma calheta onde estes caravelões e barcos estão seguros.

Conta a professora Aline de Carvalho Luther em uma tese extraordinária de sua autoria:  

Dr. Mello Moraes, médico e historiador, relatou sobre a presença destas olarias e curral em 1950 e que este curral existiu na Península até a morte do Visconde da Torre de Garcia D’Ávila, pois ocorriam diversos protestos por parte de habitantes da região devido à presença do curral (Moraes, 1879 e Carvalho 1915). Os olarias utilizavam a argila dos manguezais da costa leste que era abundante e de boa qualidade, os engenhos também utilizavam dela para purificar o açúcar (Valverde 2002).. Ainda em em 1540 ali foi construída a Empresa de Conserto e Fabricação de Embarcações, a mando de Tomé de Souza”
Também foi em Itapagipe que se iniciou a industrialização do País. Julgava-se que as indústrias que se instalaram na península datam de 1930 a 1940, quando na verdade, desde o século XIX já se instalava no local as primeiras indústrias que se tem notícia"

Continua a brilhante professora: 

"Pode-se observar que em meados do século XVI diversas atividades já eram desenvolvidas na península, mesmo esta se localizando fora da muralha da cidade de Salvador.
Os engenhos se iniciaram cedo na península. Em 1551 foram edificados o Engenho de Itapagipe de Cima, também chamado de Christo e a Capela de Nossa Senhora da Conceição do mesmo engenho, obras de Francisco Medeiros e Antônio Cardoso de Barros (CARVALHO 1915). Os engenhos que se faziam na cidade dos quais foram os primeiros construídos em 1537
a 1540 por colonos, à margem do Dique do Tororó que foram incendiados pelos índios Tupinambás, também iam-se construindo em Itapagipe (Carvalho 1915) A península possuía canaviais e, além da produção de açúcar, existia a produção de cachaça por alambiques da região, tanto com o açúcar produzido na península quanto com das terras de suas propriedades".

De relação às indústrias especificamente, relata a professora:
"Por volta de 1811 a 1818 foram encontradas referências sobre a instalação de uma fábrica de vidro no Porto de Bonfim, pertencente a Francisco Inácio de Sequeira. Essa fábrica funcionou até o ano de 1825. Esta foi, provavelmente, a primeira fábrica instalada na península."
Em todo o pais as indústrias buscaram se instalar próximas aos locais de recebimento e escoamento, sendo a ferrovia e os portos extremamente importantes neste sistema. A península de Itapagipe foi privilegiada com estes dois maios de transporte tornando-se um ponto ponto estratégico desses dois sistemas com os bondes urbanos.

A seguir uma listagem de todas as indústrias instaladas em Itapagipe:








A seguir um mapa indicativo da localização dessas indústrias de acordo com a cor de cada citação:









GALPÕES DAS ANTIGAS FÁBRICAS DE ITAPAGIPE

As Associações de Bairros de Itapagipe e a Prefeitura estão sem saber o que fazer com os galpões das antigas fábricas que se instalaram em Itapagipe no principio do século passado até meados desse mesmo século. A maioria está em ruína interna, digamos assim, desde que a parte externa está relativamente intacta.

Um desses galpões já foi como que “modificado”, poderíamos assim dizer: trata-se daquele onde funcionou a Fábrica de Chocolate Barreto de Araújo. Após o fechamento da indústria, todo ele foi ocupado por pessoas pobres e “montaram” por assim dizer, uma favela dentro do mesmo. Água e Luz obtiveram de gatos da rede pública e os dejetos eram jogados no mar num dos lados e no fundo. Nesse último aspecto, comentamos certa feita que esta situação não era pior ou melhor do que ao tempo da fábrica que jogava ao mar as borras de cacau e o local ficava marrom e cheirava a chocolate. 

A antiga favela e à esquerda a Praça Divina - juntas!

 
Como é sabido, a Prefeitura conseguiu transferir os moradores para outro local; botou abaixo as paredes do antigo galpão e construiu no local a Praça Dodô e Osmar, infelizmente de um tremendo e absoluto mau gosto. Poderiam ter feito no local um espaço maravilhoso, desde que ao lado existia a Praça Divina e justava-se as duas num projeto extraordinário. Mas não! As duas, apesar de pegadas, continuam separadas e no local fizeram como que  um areal para o pessoal jogar baba. É a mais feia praça da Bahia, quiçá do Brasil. Uma pena!
E o que fazer com os demais galpões? Temos uma sugestão. Poderão ser transformados em espaços culturais, em escolas, bibliotecas, teatros e num deles ou dois deles, fazer um ou dois  ginásios de esportes para substituir àquele que foi destruído na implosão da antiga Fonte Nova. Também num deles, construir a piscina pública em substituidão igualmente à da Fonte Nova que foi enterrada. E mais uma porção de coisas. Não é uma boa ideia?

E não será necessário colocar abaixo cada uma dessas estruturas. Bastante entregá-las aos arquitetos e artistas outros que darão as cores e as luzes necessárias para o seu brilho e destaque. Não tenham pejo.  O principal e mais importante estádio do mundo é uma ruína: chama-se Coliseu. Fica em Roma.



Não temos dúvida, se o atual Prefeito “comprar” essa sugestão estará consagrado para toda a vida. Ele já é bom, mas precisa se consagrar desde que é o sonho de qualquer político. Jacques Wagner o ajudará, tenho certeza disso. Está se tornando um grande governador para Salvador e dizem para toda a Bahia.

Esta seria uma obra que o mundo inteiro irá admirar. É só fazê-la.Não querem recuperar a Cidade Baixa? Está aí a grande oportunidade.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

FRESCOBOL PRATICAMENTE NO MAR - SÓ EM ITAPAGIPE

Frescobol praticamente no mar
A foto acima pode parecer estranha a muita gente que não conhece Itapagipe. Um casal, joga frescobol no meio do mar, ou seja, rodeado pelo mar por todos os lados. Praticamente, joga numa espécie de ilha, desde que rodeada de água por todos os lados.
Nada disto, contudo. É o recuo do mar neste local que ainda vai baixar mais até despraiar todo este pedaço.
Mas não é sensacional? Ninguém para incomodar ou ser incomodado, diferente de  quando o frescobol é jogado na praia comum; a bolinha às vezes bate na cabeça de alguém, numa criança, por exemplo, e sempre há uma reação dos pais. Afora a raquete que na sua movimentação pode bater na cara de alguém que passe perto. Aliás, por essa razão, sua prática é proibida em muitas praias.
Mas que tal sabermos como surgiu essa prática? Não é que foi  no Brasil entre 1945 e 1946 na praia de Copacabana no Rio de Janeiro! Foi seu idealizador o senhor Lian Pontes de Carvalho que residia no edifício número 1496 da Avenida Atlântica naquela cidade. Teve sequência em 1950 com o arquiteto Caio Rubens Romero Lyra, também morador de Copacabana à Rua Bulhões de Carvalho.  Ele costumava jogar tênis com amigos na areia da praia entre os postos 4 e 5. Como as raquetes estragavam com a ação da areia e da água do mar, ele desenhou raquetes de madeira e mandou fazê-las numa carpintaria.


Av. Atlântica - Rio de Janeiro

Rua Bulhões de Carvalho - Rio de Janeiro

Frescobol em Copacabana

Também é interessante sabermos a opinião do povo em geral sobre essa prática e nada como consultar as rêdes sociais. Encontramos verdadeiras pérolas. Vamos ver algumas delas:

    ""Pensou bobagem né? Eu também.
Mas acho que é um jogo inventado pra quem não quer tomar bico nas canelas, nem correr feito maluco numa quadra de tênis,
Só na boa na beira da praia, bolinha pra lá, bolinha pra cá".
  "O nome do frescobol vem da tendência do carioca de debochar de tudo. No inicio, achavam que era um jogo para frescos. Depois foi incorporado aos esportes de praia, por ser um jogo em que só se visa desenvolver a habilidade de manter a bola no ar, batendo nela o mais forte possível na direção do outro, para que possa rebatê-la. Não há pontuação nem vencedor.
"O fato interessante e positivo do Frescobol é que não existe rivalidade; não há vencidos ou vencedores por se jogar cooperando um com o outro."

"É um esporte entre amigos. Nunca daria certo um amigo jogar contra um inimigo. A bolinha não se sustentaria por um segundo"
"O lado interessante e positivo do Frescobol é que não existe rivalidade, não há vencidos ou vencedores por se jogar cooperando um com o outro, ou seja, nada de adversários, é um jogo amistoso com comprometimento nas jogadas.

"Porque o invento era fresco. KKK. Tô brincando"





ESPIONAGEM CONTRA O BRASIL

O mundo está em polvorosa. O Brasil está em polvorosa. Os Estados Unidos vêm bisbilhotando até os Presidentes dos países, independentemente de ser amigo, inimigo ou neutro. Também está penetrando nos segredos das empresas desses países e em nosso caso, notadamente a Petrobrás. Ela que julgava ser a única detentora ou principal detentora da técnica de perfuração de petróleo na camada do pré-sal, já não é mais. O País norte americano já tem as informações que precisa para também ele perfurar o pré-sal aonde quiser desde que existem pelo mundo outras camadas de pré-sal, claro.

Plataforma

Mas, e daí, dirão alguns. Chegaria um dia que todos haveriam de saber como fazer esse serviço, mas existe um detalhe, aliás, um grave detalhe: o Brasil gastou bilhões de dólares para chegar no ponto onde se encontra e em poucos segundos os Estados Unidos tomam conhecimento de tudo, de graça, sem gastar sequer um dólar. Sensacional! Para eles.

Assim pensando, não vemos na reação do governo brasileiro algo que se fale em ressarcimento, indenização, multa ou algo parecido que obrigue aos Estados Unidos pagar ao nosso País. Por enquanto, estão pedindo uma “explicação” e até o momento os Estados Unidos estão dizendo que “isto” trata-se de uma rotina. É brincadeira!

Agora, vamos admitir o inverso da moeda, ou seja, fosse o Brasil o País bisbilhoteiro e os Estados o País bisbilhotado. Aí, sem dúvida, que a reação seria bem outra. De cara faria intervenções nas importações de produtos brasileiros; convocaria urgente a Assembléia na ONU para discutir o assunto; retiraria seu embaixador do Brasil e demais membros, etc. etc.


Teria alguém dúvida disto? Achamos que não. É uma questão de princípios, no caso, princípios diplomáticos. Os Estados Unidos agem assim como a grande potência que é. O Brasil e demais países, caminham até com medo de ofender a grande nação. Vão tateando, agachados e tudo vai ficar em nada. Alguém tem alguma dúvida?


sábado, 7 de setembro de 2013

QUINTAS DA BARRA OU SIMPLESMENTE FAROL DA BARRA


Temos visto várias fotos de como era a Barra antigamente na altura do Farol. A maioria focaliza o lado do mar, notadamente a Ponta do Padrão.  E como era a parte de trás da Barra? Pouco ou quase nada se sabia, até que localizamos a foto acima que é um postal enviado pelo “Brother Joseph" para  a sua irmã Kisses  em 1908. (Arquivo de J.Mello).

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

PRAÇA DA SÉ E LADEIRA DE SÃO BENTO ONTEM E HOJE

Vamos reparar através fotos dois casos de parte de nossa cidade anos atrás e hoje em dia. Além de curioso, não deixa de ser importante observar as mudanças arquitetônicas ocorridas.

O primeiro deles é a Praça da Sé fotografada  a partir da Catedral:


Esta foto deve ter sido obtida entre 1934/1935. Ainda circulavam os antigos bondes. Dois deles se dirigem para a Rua da Misericórdia. Há que se destacar também os prédios em frente, cinco no total, bem como as oito luminárias ao centro da praça. Belíssimas!


 Hoje é assim a Praça da Sé, vista do mesmo ângulo.  Foram retiradas as luminárias centrais e se construiu uma fonte luminosa que raramente funciona. Os bondes não mais circulam, mas a grande modificação havida no local é o prédio em frente. Ele substituiu os cinco imóveis então existentes. Teria sido para melhor ou para pior? Sem dúvida que para pior. É uma construção moderninha, constatando com as demais existentes na praça. Guardadas as devidas proporções, o mesmo aconteceu na Praça Municipal com a transparente Prefeitura de Salvador, bem em frente ao magnifico Palácio Rio Branco.

O segundo caso é a tradicional Ladeira de São Bento e no seu alto o belíssimo Convento de São Bento e a Basílica anexa dedicada à São Sebastião. 


Há de notar nesta foto a movimentação de terra à esquerda  em frente aos edifícios.Merece também registro as luminárias na extremidade dos passeios dos dois lados. Reparem a última luminária à direita. Ela se acha ao fim do passeio junto à igreja. Esse detalhe é importante porquê mostra que a igreja e o convento delimitavam a ladeira, ou seja, ela terminava exatamente ai ou no máximo, havia um corredor mais do que estreito à direita. Foi por essa razão que J.J. Seabra quando partiu para construir a Avenida 7 de setembro, quis demolir tanto a igreja quanto o convento. Não conseguiu .Os frades fizeram um movimento em contrário que envolveu toda a sociedade e a imprensa. E como a avenida prosseguiu à direita? É o que veremos na foto seguinte:



Simplesmente derrubando os prédios à direita como se vê na foto acima, preservando a igreja e o convento.. As setas indicam o que foi feito.

Há de se notar ainda nessa foto, as extensões gradeadas à esquerda em frente às casas. Na foto anterior, essa área estava sendo removida. Todas são sustentadas por grossas pilastras. Reparem a uniformidade. Só não combina toalhas e afins enxugando ao sol. Bem provinciano!

Outro detalhe: há de se reparar que as luminares existentes no local foram todas removidas. Também pode se destacar a tentativa de arborizar a área  de ambos os lados (proteções de madeira). Reparem também que as futuras árvores estão dispostas na rua e não nos passeios como é de costume.

Por fim, vamos ver como está o local hoje em dia:


Parece outro local. Primeiramente, à direita o Ed. Sulacap. Algumas árvores, principalmente à esquerda. Deve ter sido aquelas protegidas pelas armações de madeira. Ao final a Igreja e o Convento. Anteriormente, o local era residencial. Agora é só comercio, pelo menos na parte térrea.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

RIBEIRA SEM O AEROPORTO

É sempre muito agradável o encontro de uma foto antiga de um determinado lugar, principalmente se você viveu nele. É o caso presente. Parte da infância e toda a juventude moramos nas proximidades.

Acreditamos que a maioria das pessoas tem esse sentimento. É como se fosse o encontro com o passado.
É o caso da presente foto encontrada por acaso: os Tainheiros sem o seu "aero-idro-porto".

Há muitos anos, desde o tempo da guerra, quando os americanos o construíram, estávamos acostumados a ele, vivemos com ele e sempre em horas agradáveis. Por exemplo, quando os aviões Catalina pousavam na Ponta da Penha e como que acariciando as águas da grande enseada, deslizavam por ela até chegar ao belo aeroporto, ou então nas grandes festas do São Salvador em dias de regata ou ainda quando corríamos através dele para acompanhar o páreo que se decidia naquela altura. 

Visto de terra

Visto do alto

Pousando nas águas tranquilas da Penha

E a foto? Ei-la: