segunda-feira, 21 de outubro de 2013

COMO ERA A NOSSA AVENIDA OCEÂNICA NOS VELHOS TEMPOS- 1

A nova Barra é o grande assunto do momento em Salvador. Ainda no domingo passado o jornal  A Tarde publicou uma excelente reportagem sobre as obras que estão começando e o fez de forma sumamente interessante: publicou fotos de antes, agora e depois dos espaços onde serão feitas as obras.

 Reportagem de autoria de Anderson Sotero

Isto nos levou a pensar na organização de um compacto sobre o que este blog já postou sobre o bairro nesses quatros anos de sua existência, desde que, para qualquer pessoa seria muito difícil conhecer tudo que foi publicado.

Ante essa impossibilidade, a partir d’agora estaremos fazendo “flashes” de uma Barra ainda mais antiga do que aquela apresentada pelas fotos do jornal.  Acreditamos que facilitará ainda mais o entendimento da formação do bairro.


Representação da Fortaleza da Barra, possivelmente datada de 1540

Magnifica e extraordinária foto da Praia do Porto, do seu casario, do Forte Santa Maria à direita e do Forte Santo Antônio da Barra no alto, à esquerda, além de outras detalhes que passaremos a comentar.

Ainda não tinham sido construídas as balaustradas, melhoramento realizado no princípio do século XX (1910/1916). Essa constatação tem como base a construção das  balaustradas na Avenida Oceânica. Foi mais ou menos na mesma época.

Um detalhe importante desta foto é o gramado que se vê sob as árvores que ornam a praia até hoje. Uma rua do lado contrário à praia. Uma outra rua atrás das casas. Seria a nossa hoje Rua Barão de Sergy?

Esta foto mostra-nos o Forte de Santa Maria e a sua direita as formações rochosas em forma de "V". Na época, ainda não se tinha feito o atual cais que se projeta sobre o mar. Diz-se que essa proteção natural teria sido a primeira "marina" de Salvador.

Navio inglês Maraldi naufragado entre o Farol da Barra e o Forte de Santa Maria. Ele vinha de Buenos Aires com uma carga de couro e lá com destino à Antuérpia. O naufrágio se deu por volta das 9 horas da noite. Fortes correntezas existentes na área impeliram-no contra os recifes da área.
Quem mergulha na área vê cenas como esta.


Mais do que sensacional esta foto. Mostra-nos o espaço onde seria construída a atual Av. Oceânica, onde vão ser feitas as principais obras da nova Barra. Em verdade, nem rua tinha. As casas estão próximas ao mar. Plantas em frente, absolutamente agreste.

Curiosíssima e importante foto que nos mostra um detalhe interessante: a Avenida Oceânica começou vindo de Ondina para a Barra e não ao contrário como se possa pensar. A obra deve ter parado ai por muito tempo, desde que em frente havia todo um casario a ser demolido e respectivos acertos de conta. Como isto foi no tempo de J.J. Seabra, estamos crendo que ele passou por cima de tudo como era seu jeito.

Resolvida a questão, a foto acima já nos mostra a Avenida sendo calçada, bem como estão sendo instalados postes de iluminação no meio da rua. Na época, isto era comum. Vê-se também a balaustrada já construída até o Farol.

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Aí está a Av. Oceânica sem ainda o discutido Edificio Oceania. Reparem o obelisco no principio dela (belíssimo). Banhistas? Muito poucos. Não se costumava tomar banho de mar como hoje. Motivo: a poluição das praias por esgotos Há um detalhe também interessante nesta apresentação: um "matinho" logo abaixo da balaustrada. Talvez baronesas que sempre gostam de áreas poluídas. Não as culpemos. Elas até melhoram a situação poluente.

O Cristo no Morro de Jesus.Morro de Jesus? Sim! Onde é hoje a Aeronáutica chamava-se Morro de Jesus e era lá que ficava o nosso Cristo da Barra. A foto é raríssima. Deve ter sido tirada por volta do ano de 1940. Logo abaixo "funcionava" uma pedreira dinamitando as pedras do mar em torno. Parece até mentira, contudo, adiante os leitores irão ver o buraco feito no morro com as explosões. O Cristo tremia!

Autoridades visitando o Morro de Jesus. Havia um acesso até o local onde estava a estátua sobre uma formação de pedras. Devia ser um local bonito, principalmente pela vista que descortinava por todos os lados. Aliás, ainda descortina, porem reservadamente. 
O Morro do Cristo ainda sem o Cristo.Para este local foi trazido o Cristo do Morro de Jesús por volta do ano de 1960.

Aqui, algumas pessoas estão sentadas à beira do mar da Barra de hoje. Reparem que estão ao nível do mar. Ainda não existia a nossa grande avenida que agora vai ser reformada. Como se nota, ela foi construída num elevado de quase 5 metros de altura e se colocaram balaustradas protetoras e se fizeram escadas para seu acesso.





COMPLEMENTOS PARA A NOVA BARRA

Sem dúvida que o projeto da nova Barra está merecendo 100% de aprovação popular e de setores especializados. É muito bonito! O que se teme apenas é o andamento  das obras, ou seja, o cumprimento das diversas etapas no tempo que estão previstas, haja vista, o caso do metrô que já se alonga por longos 12 ou 13 anos e ainda não se sabe quando vai ser inaugurado.

Mas, agora temos novo Prefeito e se estabeleceu outra mentalidade. Tudo bem! Voltei no “baixinho” segundo a nossa Presidente, que a ele se referiu dessa forma mal educada e estamos crendo  que tudo ocorrerá dentro dos prazos previstos.

Às vezes, contudo, não é falta de vontade. É falta de verba vinda da área Federal e nesse sentido esperamos que haja um fluxo natural e contínuo, apesar das “impressões dimensionais”  da "Presidenta”, como ela gosta de ser denominada.

Mas o que nos traz de volta aos comentários sobre a nova orla é sobre outro projeto que este blog tratou faz dois anos atrás, de relação às faixas de areia e pedra, principalmente dessa última, do trecho que vai do Morro do Farol – "Ponta do Padrão" segundo os portugueses que colocaram nele o padrão de posse ao principio do Brasil e especificamente da Baia de Todos os Santos e ninguém sabe onde ele foi implantado. Deve estar em baixo do Forte. Enterraram-no. Felizmente, o mesmo não aconteceu em Porto Seguro onde o marco de fundação do Brasil foi preservado e se encontra à vista do público numa redoma de vidro..
Marco de fundação do Brasil em Porto Seguro

O referido trecho é horrível sob todos os aspectos. Poderá até ser considerado curioso, mas sem dúvida que é pelo menos estrambólico, ou seja, esquisito, chegando às raias do excêntrico. É um amontoado de pedras e não se diga que sejam formações com alguma beleza, mesmo rude. Não é!
Farol da Barra-Forte de Santa Maria

Detalhe para que ninguém tenha dúvida

Pois bem, sobre essa área tem um antigo projeto de autoria do arquiteto Alexandre Prisco Paraiso Barreto,  que torna o lugar extraordinariamente belo. É o que está se fazendo em várias partes do mundo como, por exemplo, nos Emirados Árabes quando avançaram sobre o mar e fizeram o hotel em forma de vela ou de iate.

Projeto 

Do mesmo arquiteto existe um projeto para o outro lado, ou seja, do trecho que vai do Cristo para Ondina:

Trecho em frente ao Morro do Ipiranga

O Morro do Cristo é envolvido por estruturas modernas que nem o projeto da Nova Barra

Vamos ver agora o que está se fazendo pelo mundo com o mesmo motivo de embelezamento de orlas marítimas:
Dubai

Barcelona
Claro que os mesmos não se enquadrariam em nossa Barra. Já temos no local expressões elevadas naturais quais sejam o nosso Farol da Barra e o Forte de Santa Maria e de quebra, mais adiante, o Forte de São Diogo no morro de Santo Antônio.

Mas vamos admitir que também não se enquadre no local o projeto do arquiteto Prisco Paraiso. Tem algumas elevações que poderiam ser corrigidas. Foi citado como uma ideia do que pode ser feito na área. 

Então, nesse caso, poder-se-ia fazer uma praia entre o Farol e o Forte de Santa Maria. Mas como? Praia? Sim praia mesmo. Tem uma forma de fazê-la como que artificialmente. Foi feito no Rio de Janeiro. A praia de Copacabana era estreita e acanhada. Hoje é uma praia larga. Engenheiros portugueses foram os autores da proeza.

Copacabana - 1950 - O mar em certos dias chegava na Avenida e em dias de ressaca a água penetrava nas garagens dos prédios em frente.

Copacabana de hoje - Bem mais larga

Talvez não fosse preciso ir até o sul do País para exemplificar o que está se dizendo. Aqui em Salvador há um caso inusitado de formação de praia, ou melhor, de praias. Porquê "inusitado"? Por quê não houve planejamento para que tal ocorresse. Através de uma draga instalada no mar da Avenida Beira Mar, transferiram areia para aterrar os Alagados do Porto dos Mastros. Eram tubos flutuantes de quase um metro de diâmetro. Durante mais de um ano foram removidas grandes quantidades de areia a ponto de se formar um canal ainda hoje existente nas proximidades dos corais da Lixa, uma formação em frente à Praia do Poço. Naturalmente, a água teve que tomar esse espaço provocando o recuo do mar tanto na Avenida Beira Mar, quanto nos Tainheiros. Vejam as praias que se formaram:

Quase 50 metros de praia, mesmo nas marés de enchente. (AV. Beira Mar). Antigamente, o mar batia no cais e em dias de ressaca as ondas estouravam no cais e molhavam as fachadas das casas em frente. Que nem em Copacabana como foi citado acima.

Praia dos Tainheiros. Joga-se até futebol na mesma. Dia de Domingo arma-se travessões com rede dos dois lados. Incrível para quem conheceu o local no idos de 1940/60, mesmo mais adiante.

Aterro dos Alagados de Itapagipe - 2009


sábado, 19 de outubro de 2013

ANTIGOS E NOVOS CONCEITOS DE POLICIA

Praticamente todos os dias o País está assistindo pela TV os protestos de rua que estão acontecendo principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, protestos estes das mais diversas reivindicações.

Tudo bem! Dizem que é um direito do povo: estaria na Constituição.

Acontece, porém, que, em  meio aos manifestantes, estão se infiltrando centenas de pessoas outras que nada tem a haver com a razão da manifestação, para saquear os locais onde se realizam as referidas passeatas.  

Destroem tudo, desde as lojas e bancos ao redor, os semáforos, as lixeiras, as jardineiras, as luminárias,  os passeios de pedras portuguesas e até as pobres das bancas de revistas. Não fica nada.

- Será que a Constituição também protege este tipo de manifestação? Claro que não! Daí a reprimenda oferecida pelas polícias civil e militar de cada uma dessas cidades.

- Mas está surtindo efeito?

- Não está!

No dia seguinte, novos baderneiros ou os mesmos, presos que foram e logo soltos, voltam a quebrar o que ainda não quebraram.


Estas imagens estão indo para o mundo inteiro e este mundo deve estar a se perguntar se o nosso País está realmente preparado para sediar uma Copa do Mundo e, principalmente, as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro? Não se trata de bater na mesma tecla. É fato mesmo! O Brasil está sendo visto quanto observado e avaliado por todo o mundo por causa desses dois excepcionais acontecimentos esportivos.Grandes responsabilidades estão em jogo.

Verdadeiramente não está. Agora mesmo, está sendo veiculada na imprensa uma noticia terrível: estão prometendo fazer uma “Copa do Terror”. É o máximo que se pode imaginar.

Parece que não se deu  muita importância a esse notícia aqui no Brasil, mas lá fora deve ter aumentado a preocupação.

Porque isto? É a pergunta que muita gente deve estar se fazendo.

O sistema policial brasileiro não está funcionando? É fraco? É mole?Não se atualizou enquanto do outro lado o crime cresceu? Essas coisas que devem vir à cabeça do brasileiro a toda hora.

Verdadeiramente, não temos a resposta certa, mas poderíamos seguir uma linha de raciocínio que talvez responda a essas dúvidas.

No passado e ai estamos nos referindo aos anos 60 a 80 do século anterior, era comum vermos dois policiais defronte das sedes de bancos armados de metralhadoras das 9 até às 16 horas, quando os estabelecimentos fechavam. Isso era feito em todos os bancos, da Liberdade até a Graça.

Quem mora na Barra deve estar lembrado que  quase todos os dias, policiais armados como que tomavam o Farol da Barra, na busca de assaltantes e viciados em drogas. Iam buscá-los atrás da fortaleza ou na praia numa amendoeira que existia ali perto.  A limpeza começava nas balaustradas desde o Porto até o Cristo. Os suspeitos eram presos e conduzidos aos Dendezeiros. Não tinha conversa. Esse negócio de deixar assaltar para depois prender, já era naquele tempo.Em verdade, os caras ficam sentados na balaustrada esperando uma oportunidade. É evidente!

Outro exemplo que muita gente não acredita que acontecia. As casas noturnas do Centro da Cidade onde a maioria se concentrava, eram patrulhadas por formações de militares de todas as forças militares.

Verdade: dois a quatro soldados da Policia Militar, mais um marinheiro, um militar do exercito e um terceiro da aeronáutica, afora um comandante, geralmente de uma das armas. Entravam em todas as casas noturnas altas horas da noite. Impunham respeito! Ninguém se atrevia.

Estes exemplos estão sendo citados para mostrar que não houve uma evolução sobre esse sistema. Algo ainda maior que acompanhasse a evolução do crime e da cidade. Aquele cresceu e o sistema de repressão diminuiu ou estagnou.  Hoje as Forças Armadas são proibidas de sair às ruas, só em caso de muita gravidade.(!?) Dizem que quando as Forças Armadas saem às ruas não é para brincadeira... é pra valer.

Parece-nos que é o caso presente. A população está assustada. O povo está evitando sair às ruas sem uma forte razão. As viaturas do 190 não resolvem o problema. Se faz necessário rever certos conceitos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

AS BARBÁRIES CONTINUAM ATRAVÉS DOS TEMPOS

Há muitos anos atrás quando a Avenida Tiradentes, que não outra senão o atual Caminho de Areia na Cidade Baixa era efetivamente todo de areia desde o Largo de Roma até o Largo do Papagaio,  existia apenas uma linha de bonde, ou seja, o “elétrico” vinha da  Rua Barão de Cotegipe e se dirigia para a Ribeira pelo par de trilhos do Caminho de Areia. Depois retornava pela Avenida dos Dendezeiros ou tomava a Rua da Imperatriz rumo à Boa Viagem.

Logo, não havia circulação de carros. Se tentassem certamente que atolariam, desde que a areia era muito fofa.

Certo dia, entretanto, um determinado senhor resolveu andar de carro pelo Caminho de Areia, sentido Largo do Papagaio-Largo de Roma, usando o par de trilhos, isto é, posicionou as rodas do seu veículo sobre eles e começou a caminhada, sob os olhares curiosos de muitas pessoas.

Coincidentemente, na mesma hora,  outro cidadão, fazia a mesma coisa sentido Largo de Roma- Largo de Papagaio, igualmente acompanhado por muita gente.

Era inevitável o encontro dos dois veículos em determinado momento.  Quando isto aconteceu, os dois senhores saíram dos seus carros e começaram a discutir. Cada qual se achava no direito de continuar, ou seja, um dos veículos teria que ser retirado dos trilhos para que o outro pudesse passar.

Mas não houve acordo. Um dos motoristas sacou de um revólver e matou o outro sob os olhos das duas torcidas atônitas.

Claro que o assassino foi logo preso e  quando levado a julgamento meses após, foi condenado a 30 anos de prisão. Acusação: morte por motivo fútil.

Essa história absolutamente verdadeira vem a propósito em razão do lamentável acontecimento ocorrido em nossa cidade na semana passada quando uma médica, após discutir com um casal em cima de uma moto, foi atrás da mesma e a atropelou, provocando a morte de dois jovens, irmãos que eram.

Isto nos leva a pensar que não houve evolução dos bons  instintos e costumes de quase 100 anos atrás para os dias de hoje;  bem como, no caso dos dois carros, igualmente prova que as barbáries que marcaram o século XIX,  refletiram fortemente no comportamento dos dois equilibristas de quatro rodas.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

NADA DE AVENIDAS E ESTACIONAMENTOS

Acompanhamos com vívido interesse as crônicas do arquiteto Paulo Ormindo de Azevedo todos os domingos no jornal "A Tarde". Neste último ele comentou uma palestra proferida pelo então Prefeito de Bogotã, Enrique Penãlosa sobre a movimentação de veículos nas  cidades do mundo.

 O mestre é uma das pessoas mais do contra ás autopistas, viadutos e passarelas que “priorizam os carros, corta e segregam o espaço urbano”. Acrescenta: “elas devem ser transformadas em avenidas com árvores, passeios de 15 m de largura e algumas faixas de BRT (bus rapid transport)”.  

Vai mais adiante o ilustre professor  quando se torna contra os estacionamentos no centro da cidade, estimulando o tráfego de veículos”. Seu discurso em linhas gerais é antagônico a Via Expressa, a Paralela, a Linha Viva, à ponte Salvador-Itaparica e o metrô cercado.

Isso vem muito a propósito quando se iniciam as obras da Barra, absolutamente dentro dos conceitos do professor colombiano e já adiantamos que, efetivamente na  Av. Oceânica no trecho entre o Farol e o Barra Center não vai mais circular veículos. Todo o tráfico ficará restrito às ruas e avenidas internas.

Em toda essa história uma dúvida persiste. E o Carnaval? Será que vão permitir os Trios Elétricos com suas dezenas de tonelagens circularem pelo chamado Circuito Barra Ondina, aí incluso o trecho que será modificado?

Está difícil não somente pelo peso desses veículos, mas também pelo fato de que o novo espaço terá dezenas de jardineiras por todos os lados e mesmo coqueiros plantados do lado das casas. Teriam que ser retirados, possivelmente prejudicando o piso e, sem dúvida alguma, sacrificando as plantas.


Nova Barra

E, então, onde se faria o Carnaval da Barra? Temos a impressão que não se fará, pelo menos no trecho entre o Farol e o Barra Center que é um dos principais. Noutra postagem sobre esse assunto "carnavalesco", dizíamos que talvez agora tenha chegado a vez do Comércio, Avenida da França, por exemplo, como havia sido sugerido por Carlinhos Brown em certa ocasião.


Av. da França

Mas Ondina não tem nada com isto? Nesse caso, o Circuito Barra-Ondina teria inicio no Cristo, mas aí surge um grande problema: onde os Trios irão se posicionar para o desfile? Na Centenário? Difícil!.  Poderia ser na Visconde de Caravelas, Afonso Celso, por ai.

 Ai voltamos mais uma vez ao Comércio. Existe espaço para tudo. A Avenida da França é enorme, tanto na sua extensão quanto na largura. É o espaço mais conselhável.

E, aproveitando a oportunidade, não se esqueçam dos blocos afros. Sugerimos em outra oportunidade que se fizesse o desfile na Rua Chile, recuperando o Carnaval dessa rua. Teria começo na Praça da Sé onde seria a concentração e caminhava grandioso pela Misericórdia e Rua Chile com desmanche na Praça Castro Alves ou até mesmo aproveitando esta praça para uma grande apoteose.

Ria Chile
 Far-se-ia uma grande arena como acontece em Manaus. Essa arena começaria nas proximidades da Estátua de Castro Alves até o Cinema Gláuber Rocha. Parece  viável!
No espaço azul se construiria uma arena que seria paga por camarotes em torno. Naturalmente que também haveria arquibancadas à preços camaradas.

DESCASOS E CUIDADOS COM O PORTO DOS TAINHEIROS

A Prefeitura está tentando transformar o Porto dos Tainheiros num lugar melhor do que efetivamente é, ou seja, uma Enseada no conjunto da Baía de Todos os Santos e dentro dela própria, pequenas ilhas e ainda algum mangue lá pelos lados de Lobato e Santa Luzia.

Não é todo lugar que tem o privilégio de ter uma enseada desse porte, ou seja, um recorte na linha costeira, o qual forma uma pequena baia, ou seja, a Enseada dos Tainheiros é uma baia dentro de uma baia.

Antigamente, para os gregos enseadas significavam ótimos locais para desembarque de tropas em períodos de guerra Alguns chamam as enseadas de conchas em razão de seu formato ovalado.
O termo “enseada” deriva da palavra “seio” ou “seno


Enseada dos Tainheiros

A bela Ilha dos Ratos dentro da Enseada dos Tainheiros

Contudo, apesar dos esforços, tem muita gente que não se enquadra em  certas normas de organização, digamos urbana – fazem o que querem e bem entendem . É o caso adiante. Determinado cidadão conserta saveiros, iates e companhia em plena rua. Outros encalham velhas escunas nas proximidades do cais para recuperação de algumas peças. Um caos!

Em plena rua e passeio


Enquanto isto, um cidadão pinta a sua casa de uma cor berrante e chamativa, mas pinta, o que demonstra um cuidado com a mesma. Essas cores, bem como o amarelo carregado, eram muito usadas antigamente.

O casarão do lado poderia ser reformado e também pintado, de amarelo, por exemplo.


domingo, 13 de outubro de 2013

SALVADOR ERA ASSIM - 2

Continuando na análise do livro do senhor Jafé - Salvador era Assim -  sobre a Salvador de antigamente, vale destacar os depoimentos de antigos moradores da península de relação aos costumes da época – principio a meados do século XX.  São inusitados dentro dos parâmetros de hoje. Inexeqüível  poder-se-á dizer nos tempos atuais, mas que naquela época funcionava muito bem, sim senhor.

Comprar verdura, pão, peixe, leite e até carne na porta de casa todos os dias é quase inacreditável, contudo, não devemos esquecer que naquele tempo não existia ainda a geladeira para conservação dos alimentos. A dona de casa comprava um tomate, um pimentão, um limão, um molho de tempero. Tão somente! No dia seguinte era a mesma coisa.

Isto é contado por diversos moradores daquele tempo no livro acima referido” e por isso se torna uma leitura interessante e até curiosa.

Noutra referência, determinada senhora conta que às sestas feiras, quando tinha inicio a feira da Praça Divina, as moças faziam um “footing” em plena feira. Fazia-se um cordão de rapazes e elas desfilavam no espaço, braços dados, de uma ponta a outra do isolamento.  Não é incrível? Imagine fazer isto hoje em dia nas feiras da cidade, numa São Joaquim, por exemplo. Correriam perigo de vida e outras mazelas destruidoras da própria vida.


E as conversas na porta de casa no principio das noites? Os homens de pijama e as mulheres nos seus vestidos bem caseiros. Geralmente os vizinhos participavam. Tudo muito coloquial, brejeiro até.

Em seguida, o livro faz referência à pesca em Itapagipe. Determinado senhor exclama: “qual era o garoto ou a garota que não pescava em Itapagipe?

Verdade que as características do mar de Itapagipe facilitava a prática da pescaria. Em determinados horários, o mar recua e se formam centenas de coroas de areia. Era só cavar um pouco com uma colher e catar papa-fumo, lambreta, sururu e mais uma dezenas de bivalves. Os siris puãs e cachangás se viam rodados. Tainhas e agulhas também e tinha menina ou menino que puxava rede para pescar camarão.



Será que faziam por necessidade? Nada! Verdade que existiam os profissionais da pesca, homens e mulheres. Era um trabalho. Já os veranistas faziam como divertimento e se tornava uma experiência de vida que iria se refletir de alguma forma no futuro. Uma questão talvez de mentalidade. Hoje em dia a diversão tem outros moldes, nem sempre aconselháveis.