quarta-feira, 13 de novembro de 2013

AINDA A MARINA DO COMÉRCIO

Dias atrás fizemos uma postagem sobre o avanço de um cais que se está construindo a partir do Restaurante Amado na Preguiça. O mesmo como que isola o resto de praia que ainda existe naquele local.  

    Aliás, “isolar” é muito pouco. Em verdade, vão acabar com o que resta de areia, aliás, como foi feito ao tempo da construção da Marina do Comércio de relação à enseada como um todo.   

Sim. Onde hoje se encontra este equipamento, era parte da grande Enseada da Preguiça onde Tomé de Souza fundeou suas naus, após verificar que no Porto da Barra, além de não estarem muito seguras, ficava longe de onde seria construída a Cidade de Salvador.

E não se diga que a praia continua em baixo das instalações da grande marina. Em verdade, ela foi soterrada para se construir estacionamentos e área de lazer.

Mas estamos voltando ao assunto por duas razões: primeira, de que efetivamente a obra está embargada, desde que parou até onde conseguiu ir. Segundo, deixamos de nos referir ao avanço do cais de fora com vistas ao fechamento do cerco.


Talvez este seja mais prejudicial ao eco-sistema do local, desde que  impede a progressão das correntezas e dos ventos.



Marina do Comércio

terça-feira, 12 de novembro de 2013

PARA O BEM DE SALVADOR!

Este blog por diversas vezes teceu elogios ao ex-prefeito, João Henrique, de relação a duas obras realizadas em sua gestão: as tubulações dos canais do Chame-Chame e da Vasco da Gama.

Atual Avenida Centenário

Referidos elogios foram contra diversos setores da imprensa que consideraram as referidas obras até um crime à natureza de nossa cidade. Um desses setores chegou a afirmar que o referido político “teria sepultado os dois últimos rios de Salvador”.

Mas que rios? O Rio dos Seixos no Chame e o Rio Lucaia na Vasco da Gama?


Esses rios já “eram” há muito tempo. Por exemplo, o Rio dos Seixos foi canalizado em 1951 pelo então governador Juracy Magalhães, quando fez o túnel que dá acesso à Avenida Centenário de quem vem do Dique do Touro. Não foi o ex-prefeito que o canalizou. Na época, a maioria dos edifícios construídos no seu entorno despejava seus detritos no referido canal. Os “restos mortais” desse canal eram despejados na Praia do Farol, em frente ao atual Hotel Pascoal, causando uma depressão na praia em frente de quase um metro de profundidade. Por vezes, até, as águas fétidas faziam um canal que se dirigia até próximo ao Farol. Uma lástima! Vez em quando ainda despejam:



Praia do Farol ao tempo do Canal do Chame-Chame - Uma vergonha!

Outro grande problema do Chame-Chame ao tempo do canal eram as inundações ocorridas em dias de chuva. Formava-se um lago, cobrindo inclusive as duas pistas. O fato ocorria em razão do despejo das águas provenientes da Graça e da Barra Avenida pelas diversas ladeiras existentes no local, todas desembocando no Chame-Chame.

Após a inauguração da nova avenida, determinado jornal publicou uma matéria criticando a obra e num determinado trecho previa que na “próxima chuva que a cidade tivesse, aquela tubulação não resistiria e ter-se-ia uma tragédia de conseqüências inimagináveis”.

Confessamos que ficamos apreensivos, desde que moramos nas proximidades e no dia que caiu um temporal na cidade, ficamos atentos aos acontecimentos chuvosos. Nada aconteceu! A água fluiu mansamente como que num passe de mágica.

Mas, enquanto fazíamos esses elogios por razões que achávamos justas, hoje temos a lamentar o descaso que o ex-prefeito tratou a questão dos elevadores e planos inclinados da cidade. O Plano Gonçalves parou faz dois anos; o da Liberdade também deixou de funcionar; o do Taboão já era e até o Elevador Lacerda funcionou por diversas vezes, apenas com uma cabine. O Pilar ainda funciona, mas sem nenhuma melhoria. Um descaso total.


Elevador Lacerda
Plano Inclinado Gonçalves
Plano Inclinado da Liberdade


Estação do Elevador do Pilar

Com isto grande parte da população ficou prejudicada, desde que esses equipamentos são fundamentais para o deslocamento das pessoas entre os dois níveis de nossa cidade. O problema atingiu seriamente o comércio existente na Cidade Baixa, bem como trouxe embaraços aos estudantes das diversas faculdades que se instalaram na área do Comércio.

Em verdade, nossos governantes ainda não enxergaram a importância econômica, turística, etc. etc. de nossos elevadores e planos inclinados. Eles deveriam ser tratados de forma muito especial. O Elevador Lacerda, por exemplo, é o único no mundo através do qual passa uma ladeira de grande movimento (Ladeira da Montanha). Suas cabinas deveriam ser as melhores de toda a indústria mundial do setor. Deveria ter a melhor iluminação que se possa fazer. Os carabineiros e outros funcionários deveriam se vestir diferenciadamente. Poderiam ser contratadas recepcionistas billingues para orientação aos turistas estrangeiros, pelo menos nas épocas de maior fluxo.

Para que tanto? Para o bem de Salvador e da Bahia!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

AS NAUS DE TOMÉ DE SOUZA FICARAM ANCORADAS NA PREGUIÇA


Como se sabe, a Bahia teve um cronista que viveu bem próximo à fundação da Cidade de Salvador em 1549, desde que aqui chegou por volta do ano de 1567, proveniente de Portugal, ou seja, apenas 18 anos após aquele evento.  Referimo-nos a Gabriel Soares de Souza e sua famosa obra denominada “Tratado Descritivo do Brasil”. Antes dele, um seu irmão, já vivia na Bahia lidando com engenho de açúcar. Logo, o referido cronista esteve bem próximo dos acontecimentos da fundação da Cidade de Salvador, inclusive com a possibilidade de ter tido contato com pessoas que viveram naquela época. Daí a credibilidade de sua obra.
No referido tratado há uma especial referência à vinda de Tomé de Souza à Bahia em 29 de março de 1549 com suas três naus, três fragatas e uma bergamina, tendo aportado na Vila Velha que não é outra senão a nossa Barra atual, mais precisamente a Praia do Porto. No bojo dessas embarcações vieram nada mais, nada menos, do que 1000 pessoas das mais diversas profissões, homens e mulheres, famílias inteiras.
Julgava-se que toda essa gente teria se hospedado na Vila Velha ou Vila Pereira e talvez parte na Vila da Graça de Diogo Álvares Correia, mas tal não ocorreu pelo fato que passamos a descrever. 

Servimos-nos mais uma vez dos escritos de Gabriel Soares de Souza: ele conta que Tomé de Souza não achou segura a permanência de suas naus no atual Porto da Barra e pediu aos seus comandantes que procurassem, dentro da Baia de Todos os Santos, um lugar mais seguro. Feita a busca, foi indicada a Enseada da Preguiça como sendo o local ideal.
Enseada da Preguiça- Principio do século XX

À respeito, não se sabe ao certo se esta escolha teria sido proposital ou acidental.

Porquê?

Coincidentemente ou não o novo local onde aportariam as naus portuguesas ficava próximo onde seria construída a Cidade de Salvador. Aliás, muito próximo.

Duas linhas de raciocínio surgem dessa escolha: a primeira delas que teria sido uma indicação de Diogo Álvares Correia, pessoa que já vivia na Bahia desde 1509/1510 e como tal devia conhecer a referida enseada e a indicou como sendo, além de um lugar seguro, bem próximo onde seria a cidade, também fruto de sua indicação. 

A segunda hipótese é aquela de que Tomé de Souza quando viu o local, não teve dúvida em indicar como sendo aquele onde se construiria a cidade.

Enseada da Preguiça sinalizada com traços azuis.  Diversos aterros
Esta informação muda muita coisa na história de Salvador.  Primeiramente, de relação à acomodação das pessoas que vieram na expedição. A acomodação das mesmas não teria sido feita na Vila Velha ou Vila da Graça. Absolutamente claro!

 Devido a deslocação das naus para a Enseada da Preguiça, é mais provável e lógico que a acomodação das pessoas que vieram de Portugal, teria  sido feita nos arredores da referida enseada, bem como há de se admitir que muitas delas teriam permanecidas alojadas nas próprias embarcações, junto aos seus pertences. Naturalmente, à medida que se ia construindo as casas em cima do morro, foram sendo transferidas. Por outro lado é justo imaginar que elas próprias ajudaram a edificar suas próprias residências. 

Esta situação muda também uma indicação histórica de que Tomé de Souza tão logo iniciou a construção da cidade, desceu a montanha e ajudou na construção de uma ermida nas proximidades da enseada da Preguiça.

Parece que não! Pelo que se viu e se descreveu foi o inverso. Ele construiu a ermida próximo de onde estava e depois subiu a ladeira. Nesses termos, obedeceu a uma inclinação bem própria dos portugueses em suas colonizações: segurança e religiosidade.  

Diante dos fatos agora revelados, provavelmente muita gente teve ter permanecido nas próprias naus e caravelas até que se construíssem as residências no alto do morro, inclusive o próprio Tomé de Souza que devia ter uma cabine mais ou menos luxuosa.  
Ante essas novas evidências, outra citação histórica terá que ser mudada: referimos-nos à primeira ladeira construída pelos brancos em Salvador. Até então, a Ladeira da Água Brusca era tida como a pioneira. Hoje ela desaba para segundo lugar, dando lugar a Ladeira da Conceição da Praia ou a Ladeira da Preguiça. Uma das duas tem o privilégio.



Ladeira da Conceição da Praia - Principio do século passado








segunda-feira, 4 de novembro de 2013

NOVAS FOTOS DA BARRA

Vivemos um momento de euforia de relação à possibilidade de fotografar a cidade de todas as formas e jeitos. À nossa disposição temos uma série de aplicativos de excelente qualidade.  Nessa postagem, focalizamos a área da Barra. Faremos o mesmo com outras áreas da cidade.



 Morro da Aeronáutica - até 1960 era conhecido como Morro de Jesus, desde que, ficava na sua parte mais alta a estátua de Cristo que hoje  se encontra  no morro do mesmo nome. Saiu desse local em razão de uma pedreira que dinamitava as rochas em torno do morro, inclusive causando prejuízo à sua estrutura.

Morro do Cristo ao lado do Morro de Jesús

Praia do Farol na sequência do Morro do Cristo - Também conhecida como Praia da Barra

Sensacional foto do Farol da Barra - Forte Santo Antônio da Barra

Forte de Santa Maria
Praia do Porto

sábado, 2 de novembro de 2013

A BARRA EM FOTOS DE HOJE - AMANHÃ SERÁ DIFERENTE

Noutro dia, fizemos uma postagem sobre o Dique do Tororó na qual expomos três dezenas de fotos de todo ele.  Dissemos, na oportunidade, que essas fotos foram tiradas através um aplicativo disponibilizado na Internet.

Qual a importância disso? No momento talvez seja limitada. O dique está aí para todo mundo ver, a exceção, naturalmente, das pessoas que não conhecem a Bahia.

No entanto, a coisa muda de aspecto de relação às gerações futuras quando, por qualquer razão, histórica, por exemplo, precisar saber como era esse acidente geográfico em pleno centro da capital baiana.

É o mesmo caso quando  buscamos informações hoje sobre essa laguna tempos atrás, no principio do século passado e até mesmo antes. O material é escasso, sumamente escasso. Verdade que, aquele tempo, o ato de fotografar era muito limitado. Poucas pessoas possuíam máquinas fotográficas e a própria técnica era deficiente. Encontra-se alguma coisa em postais da época, feitos por profissionais.

Em conseqüência, têm-se informações imprecisas, quase suposições de como era, de como não era, sua extensão; as vias de acesso, enfim uma série de informações básicas para seu melhor entendimento.

Tudo isso vem a propósito em razão das obras urbanísticas que se iniciam na Barra que, praticamente, irão mudar o seu aspecto. Quem quiser ver e saber da Barra de hoje, terá que retratá-la agora. Daqui a pouco tempo não haverá  mais condições.

Mas essas obras terão alguma influência nos elementos arquitetônicos e históricos do local? Estamos crendo que sim em considerando o conjunto ( local + elemento).

Temos uma prova disso ainda em nossa cidade e muito recentemente. Referimo-nos à Praça Cairu no Comércio. Ela foi invadida por uma feira de hipiers. Vejam como era:

Praça ainda com a Feira dos Hipiers

A praça vista do alto

Mesmo com o monumento em obras a praça tem outro aspecto
A maior visibilidade do passeio da praça melhora todo o conjunto

Vamos, então, a nossa Barra de hoje. Dentro de pouco tempo terá outro visual.

Largo do Porto
Rua do Porto (Praia do Porto à direita)
Ainda a Rua do Porto
À direita o Forte de Santa Maria
Forte de Santa Maria em meio aos carros- É outra coisa que prejudica muito o visual do local
Depois do forte
Idem
Hospital Espanhol
Ainda o hospital
Caminho do Farol
O Farol ainda de longe
Mais de perto
Farol da Barra
Mais de perto
Ed. Oceania
Avenida Oceânica
Continuação da avenida
Mais na frente
Ainda mais
Hotel Pascoal
Á direita o Morro do Cristo
Mais de perto
O Cristo em meio ao coqueiral
Passando o Cristo - Barra ao fundo

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

QUE SE CONSERVEM AS BALAUSTRADAS DA BARRA

Grande parte da Barra de hoje vai desaparecer. Não se trata evidentemente de “sumir do mapa”, como se costuma dizer. Queremos nos referir a uma transformação do seu visual urbanístico, de suas avenidas, desde o Porto até quase o Cristo. Lembramo-nos que há pouco tempo atrás quando retiraram os passeios de pedra portuguesa substituindo-os por cimento e granito, foi um "Deus nos Acuda". Fez-se até enquete com a população votando contra ou a favor. Até o Instituto Geográfico e Histórico teve que opinar da mesma forma que opinaram artistas e colunistas diversos. E era apenas um passeio. Um simples passeio!
Agora a proposta é absolutamente radical – Além do passeio, vão bulir no asfalto, no talude do Forte de Santa Maria; não vai passar mais carro nem ônibus por algumas partes, e na seqüência, quando a “coisa” ficar pronta, novos intervenções irão acontecer, mas pelo amor do Senhor do Bonfim, não bulam na velha balaustrada que adorna o local desde o Porto até quase o Cristo. Ela é tradicional e é um diferencial de relação a todas as demais praias existentes em Salvador e até no mundo.

Falando em Senhor do Bonfim, desde a ladeira ao adro, são protegidos pelo mesmo tipo de balaustrada que temos na Barra.


Balaustrada da Ladeira do Bonfim
Balaustrada do Adro do Bonfim


Foto de 1916- Já existia a balaustrada

Balaustrada do Porto- Ainda era uma praia usada pelos saveiros do recôncavo e das ilhas
Não se vê um banhista, mas a balaustrada já estava lá.