sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O EDIFÍCIO OCEANIA QUEBROU O GABARITO DA AV. OCEÂNICA.

Na postagem anterior referimos-nos  ao disparate que existe entre a altura do Edifício Oceania  e os demais prédios da Av. Oceânica, principalmente o Edifício Portela que lhe fica junto, pegado.

Afirmamos, na oportunidade, que a irregularidade de relação ao gabarito da Av. Oceânica é do edifício Oceania. O prédio ao lado – Portela Lima-  bem como os demais, obedecem ao gabarito estabelecido para o local. Ele é baixo afim de não provocar sombra na praia em frente. 

Mas como o edifício Oceania conseguiu se livrar dessa limitação e hoje destaca-se pela altura logo no principio da Avenida Oceânica?


Como prédio faz esquina com a Av. Marques de Leão, possivelmente ou quase certamente, o Alvará de Construção foi dado  como sendo Av. Alm. Marques de Leão, 36. Não se referia  que parte dele, aliás uma grande parte, alcançaria a Av. Oceânica como se vê na foto adiante


Rua Almirante Marques de Leão, 36 - Endereço oficial do Ed. Oceania

Ainda a Rua Alm.  Marques de Leão - sentido inverno

E a título de curiosidade vamos ver a foto do local onde foi construído o Ed. Oceania:

Local onde foi construído o Ed. Oceania - Reparem a avenida. Tinha um obelisco no seu começo e os postes de iluminação ficavam no meio da rua. Pouca gente na praia. Àquela época a Praia do Farol era contaminada, bem como muitas outras. Reparem ainda o hoje Morro do Cristo ao alto à direita: ainda sem o Cristo. Este ficava no Morro de Jesus, hoje Morro da Aeronáutica. Os morros do Ipiranga e do Gato ainda eram virgens. Muitos coqueiros. Esta foto deve ter sido tirada por volta de 1930. O Ed. Oceania foi construído em 1942.Tem, portanto, 72 anos. Já ganhou estabilidade. Há de se notar também um lance de balaustrada no principio do morro do Farol.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

PRONTO O PASSEIÃO DA BARRA E OS PROBLEMAS DO SEU ENTORNO

A caminho de casa todos os dias passamos pela orla da Barra e estamos acompanhando o andamento das obras do que estão chamando  de “Revitalização da Barra”. Já  fizeram muita coisa!  Vai ficar pronto para o Carnaval. Este era o receio de foliões, artistas e empresários, tanto que, houve um retardamento na montagem dos camarotes. Esperaram até o último instante.

De relação à avenida no trecho entre o Farol e Barra Center não haverá mais asfalto, ou seja, não haverá mais o tráfego de veículos, exceção apenas para os Trios Elétricos no período carnavalesco. Temos a impressão que haverá estragos em razão do peso dos veículos.

Fizeram um “passeião” podemos assim chamar entre a balaustrada e o inicio dos prédios do outro lado da rua.  

Ficou bonito!

Mas tem um problema difícil de resolver: os prédios do outro lado da balaustrada. A maioria é excêntrica. Se já não combinava com a antiga estrutura, agora a coisa pegou. Começa  com o próprio Ed. Oceania. 


 Sobre o assunto certa feita nesse blog escrevemos o seguinte:


Segundo diversos urbanistas, este é o pedaço mais feio de nossa orla marítima. Começa bem com o Ed. Oceania, imponente que só ele, mas ironicamente, causador dos grandes disparates arquitetônicos que ocorrem na área, principalmente, porque ele próprio gera uma comparação. Logo junto dele, bem pegado, o prédio Portela Lima, em linhas já modernas, mas com apenas três minúsculos andares forma um conjunto simplesmente horrível. Aliás sobre o assunto, diga-se de logo que o Portela está dentro do gabarito estabelecido para a área. O edifício Oceania é que está errado. Deixaram fazer. Já contamos esta história noutra postagem. 


Logo adiante encontramos uma ruína de um antigo prédio. O proprietário foi demolindo e parou no meio do caminho. Parece que aproveita o período de Carnaval para fazer um camarote.  Não deve poder fazer isto. 

Uma ruína proveitosa

Mais para frente, junto ao Barra Center, funciona um estacionamento. No Carnaval se transforma num grande camarote (Era de Daniele Mercury) – este ano é de outro artista.

Um proveitoso estacionamento. No Carnaval vira um grande camarote!

O Shopping ao lado bem que poderia comprar ou para ampliação ou mesmo estacionamento de clientes. Não é uma boa ideia. A Barra agradece.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O CAMARÃO SECO DE SALVADOR VEM DE ARACAJU

 Certamente que as pessoas que frequentam a Feira de São Joaquim, a nossa grande feira, ( a qual Sr. Mamede Paes Mendonça se referia como seu grande concorrente), ficam impressionadas com a quantidade de camarão seco que existe em suas barracas. São milhares de quilos e haja mais outros milhares para atender a demanda de consumo de nosso acarajé e abará, acompanhados de camarão seco, absolutamente imprescindível.

Camarão seco na Feira de São Joaquim

E também haverá de pensar como a Bahia produz tanto camarão!
Ledo engano!

90% do camarão seco consumido em Salvador provêm de Aracaju. Aqui não tem mais camarão, apesar de contarmos com a maior baia do Brasil – Baía de Todos os Santos e  suas 56 ilhas.

(A Baía de Todos os Santos é a segunda maior baía do mundo com seus 1.233km2. Só é superada pelo Golfo de Bengala que possui 2.510 km2 de extensão).

Baía de Todos os Santos
Golfo de Bengaala

Destacamos esta extensão por que, geralmente, haveria de ter muito mangue nesse espaço, ambiente propício para camarões e caranguejos. (estes também não mais existem; os que aqui consumimos vêm do Maranhão ou Pará de avião). Um luxo!

A coisa começou a demandar por volta de 1940/60 quando perdemos mais da metade da Enseada dos Tainheiros para os Alagados de Itapagipe. A enseada era toda envolta em mangues, tanto do lado do Porto dos Mastros quanto do lado de Lobato.

Em traços amarelos área invadida pelos Alagados de Itapagipe - Tudo era mar!

Depois disso permitiram a construção de uma fábrica de Cimento em São Tomé de Paripe. Contaminou grande parte da baía.
Fábrica de cimento Aratu - Destruiu muita coisa!

Em seguida permitiram a implantação da indústria mais poluente do planeta em Arembepe. O pó amarelo de seu principal produto é encontrado nas praias de Itapuã, Pituba e Amaralina.

Polo industrial de Camaçari


Na sequência foram implantados os terminais de petróleo de Madre de Deus e Candeias. Necessário, mas...

Candeias
Madre de Deus

E em Aracaju não aconteceu o mesmo? Não aconteceu! A cidade cresceu horrores e ainda hoje se vê mangue até no centro da cidade.

Praticamente centro de Aracaju e se preservou o seu mangue

Um exemplo


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

UM CARNAVAL DE UMA PASSARELA DE SEIS QUILÔMETROS

Certa feita um turista acostumado a vir a Salvador, comentou a incrível força que a cidade tem de se transformar no período carnavalesco, principalmente entre a Barra e Ondina, onde costuma se hospedar.

Começou a mudança

Faz parte...

Ele tem absoluta razão! Em pouco mais de 15 dias a Avenida Oceânica onde se realiza o Circuito Dodô e Osmar se modifica quase totalmente: de todos os lados surgem estruturas gigantescas que se transformam em camarotes para os que querem apreciar a folia.
Farol

É realmente impressionante o que acontece. Cerca de 6 quilômetros de avenida viram uma gigantesca passarela carnavalesca. É muita coisa que precisa ser enaltecida, desde que a modéstia do povo baiano talvez não lhe dê uma ideia dessa grandeza.

Carnaval e praia - Fica assim até Ondina

Já as pessoas de fora, o mundo todo, o turista a que acabamos de nos referir, percebem o espetacular desse Carnaval  já considerado por especialistas como o “maior do mundo”.

E o Carnaval do Rio onde fica com a espetaculosidade do desfile das suas Escolas de Samba? Sem dúvida que fica para a televisão do mundo inteiro que quer assistir um desfile realmente maravilhoso. Mas não se trata de qualidade de espetáculo e sim de “monumentalidade” de espetáculo, de povo se divertindo aos milhões. Essa é a intenção.

Extensão da Marquês de Sapucai : 800 metros

Sapucai

Extensão do Sambródomo do Anhembi: 630 metros.



Anhembí

A VERDADEIRA BAIXA DOS SAPATEIROS- RESIDÊNCIA TAMBÉM DOS TRAPICHEIROS

Dizíamos em postagem anterior que a maioria dos trapicheiros tinha sua moradia no próprio Pilar em razão de que àquela época, fins do século XIX e principio do Século XX, o transporte público era muito precário e as pessoas procuravam residir próximo ao local de trabalho, de estudo e até de religião (junto às igrejas).

Mostramos algumas das antigas residências, hoje caindo aos pedaços e, na sua maioria eram boas residências, algumas até de quatro andares, desde que além do dono moravam parentes e aderentes.

Em razão de que a Ladeira do Taboão era bem próximo, também ai residiam muitos dos trapicheiros. Tinha também belas residências.Praticamente era uma sequência das residências do Pelourinho, as mais ricas.


1930
À esquerda, prédios no estilo pombalino


Ladeira do Taboão - A Verdadeira Baixa dos Sapateiros

Ladeira do Pelourinho- À esquerda prédios ao estilo pombalino que nem no Taboão

Falando em Taboão, a grande verdade é que essa rua foi ou é a verdadeira Baixa dos Sapateiros.  Sobre o fato escrevemos certa feita:

Outro detalhe importante sobre a Ladeira do Taboão ou Rua do Taboão: era aqui a verdadeira Baixa dos Sapateiros! A versão de que a Av. J.J. Seabra ganhou o nome de Baixa dos Sapateiros em razão da instalação de uma fábrica de sapatos por imigrantes italianos, não se sustenta. Por outro lado, eram muitos os sapateiros instalados no Taboão. Ainda existem alguns, inclusive o comércio ainda hoje é muito inclinado para artigos de couro e suas variantes modernas de plástico caracterizando suas origens.

Por outro lado, àquele tempo a Av, J.J. Seabra não existia. No local passava o Rio das Tripas, afluente do Rio Camaragipe.  Somente no final do século XIX foi feita uma drenagem e o rio foi tubulado a uma profundidade de 7 metros.

Há noticias que no século XVIII o local reunia inúmeras hortas, sendo então conhecida também como Rua das Hortas. Também foi conhecida como Rua da Vala por abrigar uma grande vala por onde desaguava o Rio das Tripas. Nada de Baixa dos Sapateiros. A verdadeira fervilhava há muito tempo numa transversal da Rua da Vala, em direção aos bairros do Comércio e Pilar. Nossa hoje Ladeira ou Rua do Taboão.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

OS TRAPICHES E OS SHOPPINGS COMO ORGANIZADORES DO ESPAÇO URBANO

Há pouco fizemos uma postagem sobre o escoramento que está sendo feito em centenas de prédios que foram abandonados pelos seus proprietários  em Salvador  e uma das áreas onde maior foi a incidência desse descaso foi  no chamado Pilar, ali por trás da hoje Praça Marechal Deodoro, antigo  Cais do Ouro, aliás magnífico Cais do Ouro. 
Praça Marechal Deodoro


Antigamente o Pilar era uma área bem cuidada. No seu espaço, morava a maioria dos trapicheiros e os trapiches daquela época eram como são os shoppings de hoje: um centro de compra de tudo que se possa imaginar ou quase tudo.

Mas comparar um shopping dos tempos atuais com os trapiches de antigamente não seria uma aberração ou mesmo uma contradição?

Não é. Se parecem muito. Não na estrutura arquitetônica ou mesmo no conforto, mas na finalidade precípua pela qual foram criados: vendas de produtos de todas as naturezas, inclusive alimentos.

Se hoje os shoppings têm seus bares e restaurantes vendendo alimentos, os trapiches também vendiam seus alimentos a grosso , como se dizia. Semelhança atroz, mas é verdade.

Semelhança também no que diz respeito às moradias em torno. Perto deles nascem bairros e mais bairros. Foi o que aconteceu com a construção do Shopping Iguatemi. Aquela área era mato puro (no caso mata atlântica, por favor)  e hoje temos além de outros o belíssimo Caminho das Árvores.  Por essa razão, diz-se que os shoppings são como que organizadores do espaço urbano.

Tal fenômeno aconteceu mais ou menos no Pilar, verdade que sobre novas regras e condições. Àquele tempo o transporte era difícil. No máximo carroça ou mesmo o magnífico cavalo. As liteiras eram para poucos e não eram simpáticas, desde que era uma cadeirinha coberta sustentada por dois varais compridos e conduzida por homens ou animais. É coisa de mais antigamente.



Nessas condições procurava-se morar próximo ao local de trabalho, das escolas e até das igrejas.
Isso aconteceu no Pilar e não se diga que eram moradias comuns: a maioria dos prédios era de dois andares, mas existiam muitos de três e até de quatro andares.

Prédios de quatro andar no principio da Ladeira do Pilar

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

SALVADOR PERDE BELEZA GRADUALMENTE

Está se sabendo através da imprensa que a Prefeitura está de olho nos prédios que estão sendo abandonados pelos seus proprietários em diversos locais de Salvador. Seus proprietários em vez de consertá-los, simplesmente abandonam-nos e, em consequência, os mesmos tendem a ruir.

E para que isto não aconteça o Instituto Histórico está  sustentando as paredes dos mesmos com uma estrutura gigantesca de barras de ferro que impressiona o observador menos incauto. 

Pilar das barras de ferro

Enquanto apenas se montava essa estrutura em ruas do Pilar aonde praticamente ninguém vai, menos mal. Quando, entretanto, essas armações monumentais chegam à Rua da Conceição, junto à Igreja da Conceição da Praia, a poucos metros do Elevador Lacerda e quase em frente ao Mercado Modelo, três ícones de nosso turismo, a coisa se complica. 

Rua da Conceição da Praia

Sabem por quê? É um dos setores mais visitados pelos turistas que nos visitam e Salvador depende muito do turismo. É uma cidade eminentemente turística. A visita de pessoas de todo o mundo  traz riqueza, dólares, sempre necessários a qualquer economia.  A continuar o processo, menos turistas a nossa cidade irá receber no futuro.  Ela está perdendo sua beleza arquitetônica gradualmente.