domingo, 23 de fevereiro de 2014

ESTÃO DERRETENDO BRONZE DE NOSSAS ESTÁTUAS E COBRE DE NOSSOS FIOS ELÉTRICOS

Outro dia li uma postagem da autoria do excelente senhor Bartolo Sarnelli, lamentando o sumiço da estátua do Almirante Tamandaré no antigo Largo do Farol, hoje reformado.

Aliás, quando as obras se iniciaram, já o busto não se achava mais no lugar. Restava apenas o pedestal. Logo, as empresas contratadas pela Prefeitura para a reforma, nada tem a haver com o desaparecimento do mesmo. 

Pedestal já sem o busto

Pedestal ainda com o busto

1.    E por qual  razão o busto foi roubado? Simplesmente para ser derretido e se transformar em sucata, ou seja, passível de reciclagem na indústria que trabalha com bronze:
Medalhas, por exemplo

Ou lustres...

Nesse sentido há de se lembrar da estátua em bronze do Rei Pelé na entrada da antiga Fonte Nova. Roubaram os braços e com ele também foi a réplica da Taça Julis Rimet .
 O Rei
Sem os braços e a taça
Isso nos faz lembrar dos antigos gradis com terminais em ponta de lança que eram feitos em chumbo. Todos foram danificados (roubados), inclusive os do adro da Igreja do Senhor do Bonfim.
Antigo gradil
Hoje a coisa é assim:
Com arame farpado e eletrificado

Mas hoje eles querem um metal mais nobre. Partiram para o cobre e estão se servindo da fiação elétrica das cidades e campos.

Cobre

E sabem eles estão derretendo o metal em Itapagipe? No mar em pleno dia para não chamar a atenção. Em lata de gaz vazia acendem uma fogueira com gravetos e derretem o metal. O local: Coroa do Poço a 300 metros da praia.

Coroa do Poço




C





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sábado, 22 de fevereiro de 2014

EDIFÍCIO OCEANIA O MAIS BELO "ART DECO" DO MUNDO - CONFIRAM




Ainda esta semana fizemos uma postagem sobre a nova Barra e em meio ao assunto abordamos o Edifício Oceania. Falamos que o mesmo quando construído desrespeitou o gabarito da Avenida Oceânica, possivelmente usando um artifício para obtenção do Alvará de Construção, ou seja, deram como endereço do mesmo a Rua Alm. Marques de Leão, 36, onde não havia gabarito estabelecido.
 Como foi construído numa esquina, grande parte de sua estrutura alcançou a Avenida Oceânica, onde o gabarito estabelecido pela Prefeitura era da altura de um prédio de 3  a 4 andares.  Quase todos obedeceram esse padrão mesmo após a construção do dito cujo, inclusive o Edifício Portela, pegado ao Oceania, formando uma deselegância arquitetônica que choca aos olhos. Porque isto? Só o Oceania tinha esse direito? Deveras estranho!

Pois bem! Apesar da visível desobediência pública, o IPAC – Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia tombou o referido prédio, praticamente encerrando o assunto. Ficará assim para sempre; ninguém poderá demoli-lo ou modificá-lo.

Mas com este feito, não teria o IPAC estabelecido um padrão, ou melhor, um gabarito, para o restante dos prédios ao longo da Avenida Oceânica, pelo menos até o Cristo? 

Com a palavra os advogados dos senhores proprietários dos prédios em causa.


Oceania e Portela - Haja!

Há de se aproveitar a oportunidade para confirmar que o Edifício Oceania é um dos mais significativos representantes do estilo "art deco" de Salvador. Outros são citados como, por exemplo, o Elevador Lacerda com características "deco" bem pronunciadas. O edifício do Jornal A Tarde na Praça Castro Alves também utiliza recursos "deco". Os antigos cinemas, Jandaia, Excelsior e Roma tinham acentuada tendência "deco".  O edifício Sulacap não pode ficar fora dessa relação. Os edifícios Dourado, Bráulio Xavier e o edifício Maiza se incluem. Também o Hidroporto da Ribeira, o Instituto de Cacau no Comércio, o prédio dos Correios no Comércio e a Secretária da Segurança na Piedade completam esta relação. Deve ter mais, a maioria construída entre 1924- 1950.


Elevador Lacerda
A Tarde
Cinema Jandaia

Cinema Excelsior

Cinema Roma

Ed. Sulacap
Edifício Dourado na Graça
Aeroporto ou Hidroporto da Ribeira
Prédio dos Correios no Comércio
Instituto de Cacau da Bahia


Secretaria de Segurança de Salvador

Pelo mundo, podemos destacar o prédio da Prefeitura de Asheville na Carolina do Norte nos Estados Unidos e o Teatro Carlos Gomes no Rio de Janeiro:
Prefeitura de Asheville na Carolina do Note - EUA



Teatro Carlos Gomes no Rio de Janeiro

O mais belo de todos

Bota belo nisto!

Pelo que foi mostrado acima, todos os prédios tem uma certa semelhança estrutural própria do estilo "deco". 

O edifício Oceania já foi quase de tudo: foi cassino, boate, bingo, sorveteria, sauna, teatro, galeria de arte e até o senhor Mamede Paes Mendonça fez um super-mercado no local. Seus primeiros moradores foram grandes empresários do ramo de cacau e entre os atuais estão artistas e famílias influentes de nossa sociedade.

Algumas figuras ilustres passaram por lá como o vocalista Bono da Banda U2; o músico Quiney Jones, Pelé e muitos outros. Os artistas baianos Gilberto Gil, Wagner Moura e Láxaro Ramos têm apartamento próprio no Oceania.

Então o condomínio deve ser uma nota? Não é! É o mais barato da cidade. Está em torno de R$150.00. Isto mesmo, graças ao aluguel do seu terraço para diversas empresas de telefonia.


Terraço do Oceania com suas antenas e a claraboia 

E quanto custa um apartamento no belo edifício? Ai a coisa muda. Primeiro ninguém vende e se for vender vai querer no mínimo dois milhões. Não é só o valor do apartamento em si; é preciso acrescentar a vista da Baía de Todos os Santos, do Cristo e do por do sol atrás da Ilha de Itaparica.

Isto não tem preço!

 Ao longo de sua história foi cenário de fatos engraçados e até trágicos. Quando Virginia Lane esteve em seu teatro, despertou os desejos de jovens moradores do prédio que tentaram assediá-la. Conta-se também que um grupo de rapazes deu gim a um jegue e o colocaram no elevador do prédio. Foi um Deus nos acuda quando a porta  se abriu numa chamada.


Um jegue

Do lado trágico, cita-se o assassinato indecifrável até hoje de um empresário, senhor Eric Loeff.



Virgina Lane
Por fim, vamos a um lado mais sério, qual seja o significado da expressão “Art Deco”. Trata-se de uma expressão francesa, abreviação de arts décoratifs (arte decorativa).
Características principais:
- Linhas circulares ou retas estilizadas;
- Uso de formas geométricas;
- Design abstrato;
- Formas femininas e animais são as mais trabalhadas;
- Influências do construtivismo, futurismo e cubismo;
- Presença marcante na Arquitetura.









sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O EDIFÍCIO OCEANIA QUEBROU O GABARITO DA AV. OCEÂNICA.

Na postagem anterior referimos-nos  ao disparate que existe entre a altura do Edifício Oceania  e os demais prédios da Av. Oceânica, principalmente o Edifício Portela que lhe fica junto, pegado.

Afirmamos, na oportunidade, que a irregularidade de relação ao gabarito da Av. Oceânica é do edifício Oceania. O prédio ao lado – Portela Lima-  bem como os demais, obedecem ao gabarito estabelecido para o local. Ele é baixo afim de não provocar sombra na praia em frente. 

Mas como o edifício Oceania conseguiu se livrar dessa limitação e hoje destaca-se pela altura logo no principio da Avenida Oceânica?


Como prédio faz esquina com a Av. Marques de Leão, possivelmente ou quase certamente, o Alvará de Construção foi dado  como sendo Av. Alm. Marques de Leão, 36. Não se referia  que parte dele, aliás uma grande parte, alcançaria a Av. Oceânica como se vê na foto adiante


Rua Almirante Marques de Leão, 36 - Endereço oficial do Ed. Oceania

Ainda a Rua Alm.  Marques de Leão - sentido inverno

E a título de curiosidade vamos ver a foto do local onde foi construído o Ed. Oceania:

Local onde foi construído o Ed. Oceania - Reparem a avenida. Tinha um obelisco no seu começo e os postes de iluminação ficavam no meio da rua. Pouca gente na praia. Àquela época a Praia do Farol era contaminada, bem como muitas outras. Reparem ainda o hoje Morro do Cristo ao alto à direita: ainda sem o Cristo. Este ficava no Morro de Jesus, hoje Morro da Aeronáutica. Os morros do Ipiranga e do Gato ainda eram virgens. Muitos coqueiros. Esta foto deve ter sido tirada por volta de 1930. O Ed. Oceania foi construído em 1942.Tem, portanto, 72 anos. Já ganhou estabilidade. Há de se notar também um lance de balaustrada no principio do morro do Farol.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

PRONTO O PASSEIÃO DA BARRA E OS PROBLEMAS DO SEU ENTORNO

A caminho de casa todos os dias passamos pela orla da Barra e estamos acompanhando o andamento das obras do que estão chamando  de “Revitalização da Barra”. Já  fizeram muita coisa!  Vai ficar pronto para o Carnaval. Este era o receio de foliões, artistas e empresários, tanto que, houve um retardamento na montagem dos camarotes. Esperaram até o último instante.

De relação à avenida no trecho entre o Farol e Barra Center não haverá mais asfalto, ou seja, não haverá mais o tráfego de veículos, exceção apenas para os Trios Elétricos no período carnavalesco. Temos a impressão que haverá estragos em razão do peso dos veículos.

Fizeram um “passeião” podemos assim chamar entre a balaustrada e o inicio dos prédios do outro lado da rua.  

Ficou bonito!

Mas tem um problema difícil de resolver: os prédios do outro lado da balaustrada. A maioria é excêntrica. Se já não combinava com a antiga estrutura, agora a coisa pegou. Começa  com o próprio Ed. Oceania. 


 Sobre o assunto certa feita nesse blog escrevemos o seguinte:


Segundo diversos urbanistas, este é o pedaço mais feio de nossa orla marítima. Começa bem com o Ed. Oceania, imponente que só ele, mas ironicamente, causador dos grandes disparates arquitetônicos que ocorrem na área, principalmente, porque ele próprio gera uma comparação. Logo junto dele, bem pegado, o prédio Portela Lima, em linhas já modernas, mas com apenas três minúsculos andares forma um conjunto simplesmente horrível. Aliás sobre o assunto, diga-se de logo que o Portela está dentro do gabarito estabelecido para a área. O edifício Oceania é que está errado. Deixaram fazer. Já contamos esta história noutra postagem. 


Logo adiante encontramos uma ruína de um antigo prédio. O proprietário foi demolindo e parou no meio do caminho. Parece que aproveita o período de Carnaval para fazer um camarote.  Não deve poder fazer isto. 

Uma ruína proveitosa

Mais para frente, junto ao Barra Center, funciona um estacionamento. No Carnaval se transforma num grande camarote (Era de Daniele Mercury) – este ano é de outro artista.

Um proveitoso estacionamento. No Carnaval vira um grande camarote!

O Shopping ao lado bem que poderia comprar ou para ampliação ou mesmo estacionamento de clientes. Não é uma boa ideia. A Barra agradece.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O CAMARÃO SECO DE SALVADOR VEM DE ARACAJU

 Certamente que as pessoas que frequentam a Feira de São Joaquim, a nossa grande feira, ( a qual Sr. Mamede Paes Mendonça se referia como seu grande concorrente), ficam impressionadas com a quantidade de camarão seco que existe em suas barracas. São milhares de quilos e haja mais outros milhares para atender a demanda de consumo de nosso acarajé e abará, acompanhados de camarão seco, absolutamente imprescindível.

Camarão seco na Feira de São Joaquim

E também haverá de pensar como a Bahia produz tanto camarão!
Ledo engano!

90% do camarão seco consumido em Salvador provêm de Aracaju. Aqui não tem mais camarão, apesar de contarmos com a maior baia do Brasil – Baía de Todos os Santos e  suas 56 ilhas.

(A Baía de Todos os Santos é a segunda maior baía do mundo com seus 1.233km2. Só é superada pelo Golfo de Bengala que possui 2.510 km2 de extensão).

Baía de Todos os Santos
Golfo de Bengaala

Destacamos esta extensão por que, geralmente, haveria de ter muito mangue nesse espaço, ambiente propício para camarões e caranguejos. (estes também não mais existem; os que aqui consumimos vêm do Maranhão ou Pará de avião). Um luxo!

A coisa começou a demandar por volta de 1940/60 quando perdemos mais da metade da Enseada dos Tainheiros para os Alagados de Itapagipe. A enseada era toda envolta em mangues, tanto do lado do Porto dos Mastros quanto do lado de Lobato.

Em traços amarelos área invadida pelos Alagados de Itapagipe - Tudo era mar!

Depois disso permitiram a construção de uma fábrica de Cimento em São Tomé de Paripe. Contaminou grande parte da baía.
Fábrica de cimento Aratu - Destruiu muita coisa!

Em seguida permitiram a implantação da indústria mais poluente do planeta em Arembepe. O pó amarelo de seu principal produto é encontrado nas praias de Itapuã, Pituba e Amaralina.

Polo industrial de Camaçari


Na sequência foram implantados os terminais de petróleo de Madre de Deus e Candeias. Necessário, mas...

Candeias
Madre de Deus

E em Aracaju não aconteceu o mesmo? Não aconteceu! A cidade cresceu horrores e ainda hoje se vê mangue até no centro da cidade.

Praticamente centro de Aracaju e se preservou o seu mangue

Um exemplo


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

UM CARNAVAL DE UMA PASSARELA DE SEIS QUILÔMETROS

Certa feita um turista acostumado a vir a Salvador, comentou a incrível força que a cidade tem de se transformar no período carnavalesco, principalmente entre a Barra e Ondina, onde costuma se hospedar.

Começou a mudança

Faz parte...

Ele tem absoluta razão! Em pouco mais de 15 dias a Avenida Oceânica onde se realiza o Circuito Dodô e Osmar se modifica quase totalmente: de todos os lados surgem estruturas gigantescas que se transformam em camarotes para os que querem apreciar a folia.
Farol

É realmente impressionante o que acontece. Cerca de 6 quilômetros de avenida viram uma gigantesca passarela carnavalesca. É muita coisa que precisa ser enaltecida, desde que a modéstia do povo baiano talvez não lhe dê uma ideia dessa grandeza.

Carnaval e praia - Fica assim até Ondina

Já as pessoas de fora, o mundo todo, o turista a que acabamos de nos referir, percebem o espetacular desse Carnaval  já considerado por especialistas como o “maior do mundo”.

E o Carnaval do Rio onde fica com a espetaculosidade do desfile das suas Escolas de Samba? Sem dúvida que fica para a televisão do mundo inteiro que quer assistir um desfile realmente maravilhoso. Mas não se trata de qualidade de espetáculo e sim de “monumentalidade” de espetáculo, de povo se divertindo aos milhões. Essa é a intenção.

Extensão da Marquês de Sapucai : 800 metros

Sapucai

Extensão do Sambródomo do Anhembi: 630 metros.



Anhembí

A VERDADEIRA BAIXA DOS SAPATEIROS- RESIDÊNCIA TAMBÉM DOS TRAPICHEIROS

Dizíamos em postagem anterior que a maioria dos trapicheiros tinha sua moradia no próprio Pilar em razão de que àquela época, fins do século XIX e principio do Século XX, o transporte público era muito precário e as pessoas procuravam residir próximo ao local de trabalho, de estudo e até de religião (junto às igrejas).

Mostramos algumas das antigas residências, hoje caindo aos pedaços e, na sua maioria eram boas residências, algumas até de quatro andares, desde que além do dono moravam parentes e aderentes.

Em razão de que a Ladeira do Taboão era bem próximo, também ai residiam muitos dos trapicheiros. Tinha também belas residências.Praticamente era uma sequência das residências do Pelourinho, as mais ricas.


1930
À esquerda, prédios no estilo pombalino


Ladeira do Taboão - A Verdadeira Baixa dos Sapateiros

Ladeira do Pelourinho- À esquerda prédios ao estilo pombalino que nem no Taboão

Falando em Taboão, a grande verdade é que essa rua foi ou é a verdadeira Baixa dos Sapateiros.  Sobre o fato escrevemos certa feita:

Outro detalhe importante sobre a Ladeira do Taboão ou Rua do Taboão: era aqui a verdadeira Baixa dos Sapateiros! A versão de que a Av. J.J. Seabra ganhou o nome de Baixa dos Sapateiros em razão da instalação de uma fábrica de sapatos por imigrantes italianos, não se sustenta. Por outro lado, eram muitos os sapateiros instalados no Taboão. Ainda existem alguns, inclusive o comércio ainda hoje é muito inclinado para artigos de couro e suas variantes modernas de plástico caracterizando suas origens.

Por outro lado, àquele tempo a Av, J.J. Seabra não existia. No local passava o Rio das Tripas, afluente do Rio Camaragipe.  Somente no final do século XIX foi feita uma drenagem e o rio foi tubulado a uma profundidade de 7 metros.

Há noticias que no século XVIII o local reunia inúmeras hortas, sendo então conhecida também como Rua das Hortas. Também foi conhecida como Rua da Vala por abrigar uma grande vala por onde desaguava o Rio das Tripas. Nada de Baixa dos Sapateiros. A verdadeira fervilhava há muito tempo numa transversal da Rua da Vala, em direção aos bairros do Comércio e Pilar. Nossa hoje Ladeira ou Rua do Taboão.