sexta-feira, 28 de março de 2014

465 ANOS DA CIDADE DO SALVADOR

Verdadeiramente a Cidade de Salvador deveria se chamar Cidade do Salvador, desde que, a invocação original partida de D. João – Rei de Portugal determinava que fosse assim. O nome São Salvador da Bahia foi dado pelo papa Julio III à diocese fundada em 1551. Também se diverge e muito sobre  qual seria a data de fundação da cidade.
 Papa Julio III

Oficialmente até a Prefeitura de Salvador já havia determinado que a data de fundação fosse comemorada em 1º de maio. Foi o que fez o então Prefeito Elisio Lisboa em 1945.

Posteriormente, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia nomeou uma comissão para debater o assunto e elaborar um parecer final. Desse encontro se estabeleceu como sendo 29 de março a data da fundação da cidade. Essa data foi oficializada pela portaria número 299 de 11 de março de 1952 da autoria do Prefeito Osvaldo Veloso Gordilho.

A comissão foi composta por Braz do Amaral, Wanderley Pinho, Conceição Menezes, Altamirando Requião e Frederico Edelweiss, este como relator.
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Vamos ver quais outras datas foram sugeridas por diversos historiadores e suas razões:

30 de maio defendida  por Damasceno Vieira; 13 de junho defenida por Silio Bocannera Júnior e Teodoro Sampaio; 6 de agosto por Accioli e 1º de Junho por endosso de Braz do Amaral.

Após  intensos debates no meio acadêmico e nos jornais, três dessas propostas foram escolhidas para o exame final da questão: 1º e maio defendida por Pedro Calmon e Edgar de Cerqueira Falcão, baseada na argumentação de Rodolfo Garcia de supostamente terem começado nessa ata a construção da cidade; 13 de junho, baseada na obra de Teodoro Sampaio de que nessa data foi realizada a procissão de Corpus Christi, de alguma maneira festiva e 29 de março dia que aportou no Porto da Barra a esquadra de Tomé e Souza.


Historiador Pedro Calmon

Sobre o assunto o escritor Frederico Edelweiss produziu um relatório onde ele, após divagações de toda ordem, profere o seguinte: “ainda hoje não é possível fixar definitivamente o assunto”, mas ele próprio sugere que a fundação da cidade fosse considerada como sendo abril, provavelmente na sua primeira quinzena.

Em nosso entendimento o 29 de março é a data mais equivocada de todas elas. Explicamos: efetivamente nesse dia chegava a Salvador Tomé de Souza no Porto da Barra e o que encontrou: uma cidade possivelmente com centenas de casas, engenhos, etc.etc. desde que em 1536 aqui chegou o primeiro donatário da Capitania da Bahia, Francisco Pereira Coutinho, ou seja, a Barra já existia com o nome de Vila Pereira e/ou Vila Velha. Enfim, já era Salvador.

Pereira Coutinho

Se formos mais rigorosos, poderíamos citar que, até antes de Pereira Coutinho,  por volta de 1908/1910, Diogo Álvares Correia, já se estabelecia na Graça com igreja e tudo.

Outro detalhe importante que não foi considerado: dias após Tomé de Souza ter chegado ao Porto da Barra e em não achando seguro o local, transferiu sua frota para a então Enseada da Preguiça, em frente aonde seria construída no caso a segunda cidade.


Claro que Tomé de Souza e Luiz Dias fizeram sondagens para determinar o melhor lugar, etc.etc.  Isto demandou algum tempo: uma semana, 15 dias, já estamos em abril.

Logo qualquer dia de abril seria melhor data que 29 de março, mas ainda assim, a cidade ainda não tinha sido fundada ou inaugurada, não sabemos qual o melhor termo para o caso. O grande Pedro Calmon que o conhecemos certa feita no Aeroporto de Salvador, sendo recebido pelo seu irmão Jorge Calmon do Jornal A Tarde, vai mais longe e aponta 1º de maio como a melhor data. Muito mais lógica e consentânea com a série de providências para a construção da cidade e sua inauguração. Teria que ser em data festiva e ai ficamos com a opinião de Teodoro Sampaio que aponta 13 de junho, dia da realização em Salvador da grande procissão de Corpus Christi, dia festivo, magnífica data para a fundação de uma cidade com forte inclinação católica, abençoada pelo papa Júlio III.



De uma forma ou de outra já que está oficializada a data de 29 de março como sendo a da fundação da Cidade de Salvador, só nos resta desejar tudo de bom que uma cidade possa ter, social e economicamente com as bençãos do Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Conceição da Praia, sua padroeira.

Nossa Senhora da Conceição da Praia

quarta-feira, 19 de março de 2014

EDIFICAÇÕES E ATERROS NO COMÉRCIO DE SALVADOR PELOS TEMPOS

Sempre é muita curiosa a formação da área onde hoje é o chamado bairro do Comércio em Salvador. Este blog tem procurado esclarecer o assunto por diversas maneiras e formas. Fizemos, por exemplo, em 5 de setembro do ano passado, uma postagem que denominados de “O ATERRO DO PORTO DE SALVADOR COMO MAIS DE 100 METROS MAR À DENTRO, o que deve ter proporcionado uma melhor noção de como foram feitos este e outros aterros.


Nesse sentido, publicamos três fotos muito interessantes e esclarecedoras sobre o tema que voltamos a reproduzir abaixo:


Antiga Praça Riachuelo - junto ao mar

Atual Praça Riachuelo - longe do mar

Mapa das modificações em razão do aterro do porto de Salvador

Fotos publicadas. A primeira mostra o monumento a Riachuelo bem próximo do mar. A segunda, esse mesmo monumento está em frente à Rua Miguel Calmon e, por fim  na terceira o seu posicionamento em relação aos aterros feitos na área, ou seja, ele (monumento) não saiu do lugar que estava; fez-se um aterro avançando sobre o mar ficando  a 163 metros dele.


Em outras oportunidades, mostramos o mar junto à encosta ou apenas uma rua à sua frente como esta da Enseada da Preguiça: 

Enseada da Preguiça - Os barcos estão ancorados próximos às casas

Hoje o local onde estavam  ancorados os barcos dista de 203 metros das mesmas residências que resistiram até os dias atuais. Foi feito um aterro nesse grande espaço.

203 metros separam onde era a enseada e as casas acima citadas que ainda hoje existem

Mas eis que nos chega ao conhecimento pela internet  uma tese de pós graduação em Arquitetura e Urbanismo da doutora  Maria Metting Rocha junto a Universidade Federal da Bahia, sobre os diversos aterros que formaram o chamado Bairro do Comércio. É sensacional! Sumamente esclarecedor de todo o processo de aterros que foram feitos no Comércio em diversos tempos.

Como era o Comércio entre 1549 a 1638
LEGENDA DE EDIFICAÇÕES E ATERROS:


COMERCIO EM 1779

LEGENDA DAS EDIFICAÇÕES E ATERROS
COMERCIO EM 1894
LEGENDAS DAS EDIFICAÇÕES E ATERROS



COMERCIO EM 1956

EDIFICAÇÕES E ATERROS

COMÉRCIO EM 2002

EDIFICAÇÕES E ATERROS:


sábado, 8 de março de 2014

TRAPICHE JEQUITAIA E SEU TREM DE CARGA

Certa feita,  escrevemos que o trem que passava em meio à antiga Feira de Água de Meninos ia buscar madeira carbonizada ou não que chegava do recôncavo à bordo de saveiros que ali aportavam. Essa madeira era utilizada nas caldeiras dos antigos trens que saiam da Estação da Calçada rumo ao subúrbio e até mesmo Aracaju, via Alagoinhas, etc.etc.

Essa operação durou até os anos 80 do século passado quando as locomotivas se modernizaram.

Mas eis que nos chega ao conhecimento uma foto ou gravura datada de 1870 da autoria de Pedro C. Vasquez do Trapiche Jequitaia, localizado onde é hoje a Estação Ferroviária da Calçada.
Trapiche Jequitaia

Nessa foto, vê-se um trem saindo do interior do monumental trapiche. Curiosíssimo! Seria esse trem propriedade do Trapiche? Parece que sim! As evidências são muito fortes.
Mesmo assim, muita gente escreveu que esse trapiche teria sido a primeira estação ferroviária de Salvador, depois reformada, etc. etc.


Ao que tudo indica, entretanto, o referido trem era mesmo propriedade do trapiche e servia para buscar mercadorias chegadas do exterior e outras vindas do recôncavo e das ilhas na Enseada da Água de Meninos e Cais do Ouro. Como o trapiche era afastado do eixo tradicional do Pilar, onde se concentrava a maioria dos trapiches daquela época, o recurso do trem permitia o funcionamento de um trapiche tão afastado daquele eixo. 

Para tanto ele saia da Calçada, cruzava o espaço onde hoje correm duas avenidas e alcançava o espaço onde viria a funcionar muitos anos depois a Feira de Água de Meninos.  Aproximava-se então da Enseada de Água de Meninos e do Cais do Ouro.

Trilhos em meio a Feira - Ao fundo vê-se o Moinho Salvador

Posteriormente, esse trapiche foi demolido e no seu espaço surgiu a Estação da Calçada. Ai sim, funcionou a primeira ferrovia partindo de Salvador.


Inicialmente assim...

Hoje...


terça-feira, 4 de março de 2014

CARNAVAL DE CLUBE E DE CAMAROTE - UMA CERTA SEMELHANÇA

Dois anos atrás escrevemos que o Carnaval baiano está passando por uma transformação digna de nota. Está parecendo o Carnaval de antigamente quando os foliões após brincarem na rua, iam para os clubes e lá encerravam a noite.

Carnaval de clube

Referimo-nos aos camarotes que se multiplicam a cada ano. A avenida está cheia deles.

Mas os camarotes têm uma categoria que os clubes não tinham. Verdade! Mas não estamos nos referindo ao conforto de uns e de outros. Estamos focalizando ao hábito, ao costume, a seqüencia da “brincadeira que é o Carnaval.

Anteriormente, o folião ia para a avenida por volta das 9 horas da manhã; brincava até as 14 ou 15 horas. Almoçava em casa e dormia até as 19 horas. Em seguida,  colocava a fantasia e ia para o clube onde ficava até às 4 horas da manhã seguinte.

Hoje, o folião dorme a manhã toda. Almoça e vai para a avenida entre 14 e 15 horas. Procura o seu bloco; sai com ele e ao final do percurso se dirige para um camarote e lá fica até as 4 horas da manhã seguinte.
Como se nota, há grande semelhança de comportamento entre um e outro.


Camarotes

Nesse contexto há uma grande ironia: se o Carnaval de rua deu fim ao Carnaval de clube entre quatro paredes, dando fim a um processo, esse mesmo “Carnaval de rua” está ressuscitando antigos hábitos de brincar inicialmente na rua e depois se recolher num camarote até 4 ou 5 horas da manhã seguinte.

Rigorosamente, os dois sistemas são bem parecidos. É praticamente a mesma sequência.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ENTENDA O CARNAVAL QUE VOCÊ ESTÁ BRINCANDO



Carnaval é uma festa que se originou na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C.. Através dessa festa os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção.”

Esta é a citação mais antiga da origem do Carnaval ou seria esta:

Na antiga Babilônia, duas festas possivelmente originaram o que conhecemos como carnaval. As Saceias eram uma festa em que um prisioneiro assumia durante alguns dias a figura do rei, vestindo-se como ele, alimentando-se da mesma forma e dormindo com suas esposas. Ao final, o prisioneiro era chicoteado e depois enforcado ou empalado.

Na antiga Roma

Ainda antigamente


O outro rito era realizado pelo rei nos dias que antecediam o equinócio da primavera, período de comemoração do ano novo na região. O ritual ocorria no templo de Marduk, um dos primeiros deuses mesopotâmicos, onde o rei perdia seus emblemas de poder e era surrado na frente da estátua de Marduk. Essa humilhação servia para demonstrar a submissão do rei à divindade. Em seguida, ele novamente assumia o trono.

 Outra citação de relação à antiguidade do Carnaval é esta:  “O carnaval é originário da Roma Antiga, e incorporado pelas tradições do cristianismo, passou a caracterizar um período de comemorações que ocorriam entre o Dia de Reis e a quarta-feira que antecedente a quaresma.

Ainda em Roma as Saturnálias e as Lupercálias. As primeiras ocorriam no solstício de inverno, em dezembro, e as segundas, em fevereiro, que seria o mês das divindades infernais, mas também das purificações. Tais festas duravam dias com comidas, bebidas e danças. Os papeis sociais também eram invertidos temporariamente, com os escravos colocando-se nos locais de seus senhores, e estes colocando-se no papel de escravos.

Na Idade Média, a Igreja decidiu agregar as antigas festividades ao seu calendário. O carnaval começou a corresponder aos últimos dias antes do período da Quaresma, tido como a última oportunidade de comer carne antes do "jejum" e privações até a sexta-feira santa.


Mas a invenção do carnaval como o conhecemos hoje, com bailes e desfiles de fantasiados, aconteceu na Paris do séc XIX, mais precisamente em 1830. “Os donos do poder parisiense rapidamente perceberam os prazeres e as lucrativas negociações que poderiam resultar das festas carnavalescas” escreveu Felipe Ferreira.

A burguesia parisiense passou a patrocinar os maiores bailes a fantasia da temporada e surgiu a noção de mistura entre as classes sociais. Foi esse modelo de carnaval que mais tarde seria adotado no Brasil. Mas a invenção do carnaval como o conhecemos hoje, com bailes e desfiles de fantasiados, aconteceu na Paris do séc XIX, mais precisamente em 1830. 


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O Carnaval de Paris

ORIGEM DO NOME

Há quem defenda que a palavra Carnaval deriva de carne vale (adeus carne!) ou de carne levamen (supressão da carne). Esta interpretação da origem etimológica da palavra leva-nos, indubitavelmente, para o início do período da Quaresma, uma pausa de 40 dias nos excessos cometidos durante o ano, excessos esses que incluem, segundo a religião católica, a alimentação. Assim, a Quaresma era, na sua origem, não apenas um período de reflexão espiritual como também uma época de privação de certos alimentos como a carne.
Outra interpretação para a etimologia da palavra é a de que esta derive de currus navalis, expressão anterior ao Cristianismo e que significa carro naval. Esta interpretação baseia-se nas diversões próprias do começo da Primavera, com cortejos marítimos ou carros alegóricos em forma de barco, tanto na Grécia como em Roma e, posteriormente, entre os Teutões.6
Segundo outra corrente, o termo “carnaval” significa o “adeus à carne” ou “a carne nada vale” e, por isso mesmo, traz em sua significação a celebração dos prazeres terrenos. Em outras pesquisas, alguns especialistas tentam relacionar as festas carnavalescas com os rituais de adoração aos deuses egípcios Ísis e Osíris.

 No Brasil o Carnaval começou com o entrudo aí por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países como Itália e França, o carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao carnaval brasileiro, embora sejam de origem europeia.


O entrudo
No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais.


Corso de diversos carros

Caminhões dentro do contexto dos corsos - Estes percorriam os bairros
No século XX, o carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas deixavam o carnaval cada vez mais animado.



Você pensa que cachaça é água?

Cachaça não é água não
Cachaça vem do alambique
E água vem do ribeirão



Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor ô ô ô ô ô ô

Atravessamos o deserto do Saara

O sol estava quente
Queimou a nossa cara


Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô

Mas que calor ô ô ô ô ô ô

Hoje as marchas deviam ser proibidas para crianças. Para adultos só os de boa cabeça.


Vou te pegar de jeito/ Te levar pro meu apê/ Te fazer o enfinca/ Até o dia amanhecer”, diz a letra, sugerindo o que muitos amantes de Carnaval adoram curtir. “E enfinca, enfinca, enfinca”

A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá. 



A partir dai o carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada



A Bahia também teve suas escolas de samba.Vejam a relação:


·         Bafo da Onçanaodesfila 1
·         Calouros do Samba2 naodesfila 1
·         Diplomatas da Amaralinanaodesfila 1
·         ES Unidos do Politeamanaodesfila 1
·         Filhos da Feira de São Joaquim
·         Filhos do Tororónaodesfila 1
·         Juventude do Garcianaodesfila 1
·         Liga Independente do Samba
·         Lira Imperial
·         Ritmistas do Sambanaodesfila 1
·         Ritmos da Liberdadenaodesfila 1
·         Unidos do Vale do Canelanaodesfila 1
·         Verde e Rosa3

·         De Hoje a 8


Filhos do Tororó

Filhos do Tororó

Vale registrar que, muito antes dos carros alegóricos do Carnaval do Rio de Janeiro, Salvador assistia ao desfile dos carros alegóricos do Cruz Vermelho, Fantoches e Inocentes em Progresso


Carro alegórico do Cruz Vermelha
B Abram alas para um ritmo carioca
As marchinhas carnavalescas deram o tom da festa entre as décadas de 1930 e 1950. Mas o ritmo surgiu ainda no final do século 19. "Ó Abre Alas" é considerada a primeira canção escrita especialmente para um bloco de Carnaval. A "música para dançar" foi composta pela maestrina Chiquinha Gonzaga, em 1899, para o bloco carnavalesco Rosa de Ouro, do Andaraí, no Rio de Janeiro
Com o bloco na rua (do Rio)
Os blocos carnavalescos surgiram em meados do século 19. O primeiro de que se tem notícia é creditado ao sapateiro português José Nogueira de Azevedo Prates, o Zé Pereira. Em 1846, ele saiu pelas ruas do Rio de Janeiro tocando um bumbo. A balbúrdia atraiu a atenção de outros foliões, que foram se juntando ao músico solitário.


Zé Pereira
Eletricidade baiana
O trio-elétrico é a "criação" mais nova do Carnaval brasileiro. Ele surgiu em 1950, quando os músicos baianos Dodô e Osmar, conhecidos como "dupla elétrica", equiparam um capenga Ford 29 com dois alto-falantes e saíram tocando pelas ruas de Salvador. Foi um sucesso. No ano seguinte, o Ford foi trocado por uma picape e a dupla convidou Themístocles Aragão para compor, agora sim, um "trio elétrico"
A "fubica" de Dodô e Osmar - O primeiro com seus filhos

Um dos primeiros "Trio Elétrico"
Por fim, há de se registrar que a guitarra elétrica praticamente é uma invenção baiana de autoria de Osmar Macedo. Ela teve inicio com o chamado Pau Elétrico:


Pau Elétrico

Infelizmente Osmar não registrou o invento até que poucos anos depois alguém nos Estados Unidos registrou a Guitarra Elétrica. Uma pena! O pau elétrico foi a base técnica.




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

MAIS UM CARNAVAL... JÁ DIZIA EDSON CONCEIÇÃO

Não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar”. Com estes versos, Edson Conceição, o extraordinário compositor baiano, conclamava o Brasil todo a enfrentar esta situação de perigo que ele sentia de relação ao nosso samba. Alcione gravou a música e a mesma se tornou um ícone do nosso cancioneiro.

Edson

“Mais um carnaval” dizia ainda Edson. Sim!  Está começando hoje mais um carnaval brasileiro com toda a sua beleza e força e o samba estará presente (vivo) como queria o grande compositor, principalmente na Marquês de Sapucaí e Anhembi, onde desfilam as grandes escolas de samba do Brasil.

Alcione

Na Bahia, na verdade não há samba no Carnaval. Os Trios Elétricos foram feitos para outro tipo de música: marchas e frevos, cada vez mais apressados ao gosto do povo, mesmo na época de Edson.

Parece que era isto que ele temia quando desfilava pelas Muquiranas, longe dos Trios Elétricos. 

As Muquiranas

Certa feita o bloco descia a Ladeira de São Bento e Edson quando nos viu saiu correndo para nos dá um abraço. Ele tinha sido nosso nadador ao tempo de garoto em Itapagipe.  Sim, isto mesmo, fomos professor de natação e Edson foi um de nossos nadadores, aliás, um grande nadador. Fez diversas travessias, inclusive a Mar Grande-Salvador.

Foi nesse contexto que Edson entrou na música. Quando viajou para São Paulo foi ser professor de natação dos filhos de Moacir Franco. Praticamente, estava entrando no seio da música. Daí surgiu a preocupação de não deixar o “samba morrer”.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O DIREITO DE IR E VIR ESTÁ SENDO PREJUDICADO NO CARNAVAL DA BARRA


Sem dúvida alguma, não tem um morador que more no “distrito” da Barra que esteja satisfeito com as medidas da Prefeitura ao estabelecer credenciais para os carros  desses moradores circularem pelo bairro. Pelo bairro? Sim! Não são apenas as ruas do circuito em si, ou seja, a avenida Oceânica e parte do Porto onde se concentram os trios. É o bairro como um todo. Vejam o mapa:

Mapa da interdição

Nessas condições, ninguém poderá ir ao supermercado, à farmácia, mesmo a um hospital, se não tiver uma credencial devidamente colada no para-brisa  do seu veículo, afora uma dezena de outras situações que só o uso do carro resolve. Por exemplo: é por demais sabido que muita gente de fora vem a Salvador de carro e se por acaso esse visitante for um convidado de um morador da Barra, não poderá chegar ao seu destino. Será preso antes, desde que é uma medida muito autoritária que ninguém irá aceitar tranquilamente. O mesmo se aplica ao turista de carro que queira se dirigir a um hotel da região. Terá que deixá-lo num dos estacionamentos que estão sendo criados e pegar um taxi ou ir a pé. (?!!)

Nessa ordem, teríamos uma dezena de situações que a Prefeitura não previu, todas absolutamente intragáveis e até fora da lei do direito das pessoas de ir e vir.

Para agravar a situação os Correios por onde chegariam as credenciais dos moradores atrasaram a entrega das mesmas e, praticamente, 80 a 90% dos moradores do bairro não receberam as credenciais para dois carros. Em conseqüência, as filas em postos de entrega estão quilométricas, o que significa dizer absolutamente imprópria para idosos e deficientes físicos (ou a Barra não os tem?).

Mas por que a Prefeitura adotou essa medida? Segundo ela devido ao sucesso na Copa das Confederações quando às ruas próximas à Fonte Nova foram interditadas, até para táxis. 

Mas, pelo amor de Deus! São duas situações completamente diferentes. Na Copa as pessoas sairam às ruas visando chegar ao estádio e assistir aos jogos. Foi um  prazer! No caso da Barra, pelo menos a metade de seus moradores não aprova o Carnaval nas ruas e avenidas do bairro. Só lhes trazem problemas como o que agora está sendo vivenciado.