quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A BARRA ONDE SALVADOR COMEÇOU

Como se sabe, a Barra é o mais antigo bairro de Salvador. Em verdade, ele é anterior à própria Salvador. Quando aqui aportou Tomé de Souza em 1549 o fez na Vila do Pereira ou Vila Velha, atual Porto da Barra.  Vinha com ordens do de D.João III, Rei de Portugal, para fundar nessas plagas uma cidade que viria a ser chamada de Salvador.

Vila Pereira ou Vila Velha era a sede da Capitania Hereditária da Bahia e seu primeiro donatário, Francisco Pereira Coutinho, aqui chegou em 1536 com cerca de 40 a 50 colonos, a maioria portuguesa. 

Com ajuda de Diogo Álvares Correia que vivia com os índios, esses colonos aos poucos foram se estabelecendo com pequenos sítios entre a Praia dos Índios, atual Iate Clube da Bahia e a Ponta do Padrão que não é outro senão o nosso atual Farol da Barra.

Paralelamente Francisco Pereira Coutinho fez construir um engenho de açúcar e, possivelmente, uma olaria. Neles trabalhavam os índios mediante oferta de utilidades domésticas, como espelhos, facas e utensílios de metal.

Como se sabe deu tudo errado. Em razão dos maus tratos dos colonos com os índios com o beneplácito de Pereira Coutinho, num dado momento eles se revoltaram e queimaram todos os sítios, o que obrigou  a retirada dos  colonos em navio providenciado por Diogo Álvares que os acompanhou até a Capitania de Porto Seguro. Após um ano, retornaram ,  mas infelizmente o navio encalhou nos corais de Itaparica e toda a tripulação, menos Diogo Álvares Correia, foi devorada pelos índios que habitavam a ilha sob o comando do cacique Taparica.

É essa Barra que não se reconhece como sendo Salvador àquele tempo que estaremos focalizando através fotos, gravuras e pinturas das mais antigas que se conhece em duas postagens. Na primeira (atual) veremos o Porto. 


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

UMA BARRA SEM ESTACIONAMENTO

Nem tudo é perfeito! Esta é uma máxima tradicional, quase uma verdade. A revitalização da Barra foi extraordinária, mas não perfeita. Provocou determinados problemas de acesso aos trechos reformados. Não há como estacionar nem nas proximidades.

 Estacionar?! Sim, infelizmente vivemos atualmente numa sociedade que depende de circulação de veículos para nos aproximarmos dos locais aos quais desejamos ir. Irrefutável!

Antigamente não era assim. A Salvador dos anos 1550/1600 não havia essa necessidade. Praticamente se ia a pé para todos os lugares que se queria ou se fazia necessário: o local de trabalho, a escola, a igreja, desde que tudo era perto. Mesmos as liteiras usadas geralmente por personalidades eram conduzidas por gente a pé.


Com o passar do tempo, as liteiras ficaram mais rápidas com o uso de cavalos e burros para se mover de um lugar para outro, mas quase sempre alguém vinha a pé dirigindo a peça.



Ai as cidades cresceram e as distâncias entre os diversos lugares ficaram enormes, gigantescas às vezes, que não dá para se ir a pé.

A exceção dos moradores das ruas beneficiadas, os demais, toda a cidade, necessita de um transporte para se aproximar da Barra e não se diga ou não se queira que todo mundo vá de ônibus. Acabou esse tempo. Usa-se mesmo o carro de todos os dias que vai ao trabalho, a escola, à igreja e a Barra, que ninguém é de ferro. Está muito bonita.

Engrossando esse caldo, há os que têm pranchas para surfar; caiaques para remar; Jet-skis para dar piruetas e tantas outras coisas que um lugar como a Barra pede que se use. Como fazer? Não tem como se aproximar do mar.


Há ainda um lado mais sério. As casas comerciais, os restaurantes, os mini-shoppings, os salões de beleza, todo o pequeno negócio que as ruas da Barra possuem antes mesmo de as obras começarem, estão sendo prejudicados pela diminuição da circulação de carros e estacionamento dos mesmos.

E não se enxerga uma solução imediata para o problema. Poder-se-ia fazer algo como aconteceu na Copa. O uso de estacionamentos periféricos e ônibus para transportar os ocupantes de cada carro. E as pranchas, os caiaques , os Jet-skis? Para esses não tem jeito. Terão que ir para a Ribeira.




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

PRAÇA "RECUO DA BARRA" EM VEZ DE CAMAROTE DE CARNAVAL

Muitos haverão de lembrar-se do imóvel que existia na Avenida Oceânica.. Começaram a demoli-lo e quando faltava  a parte térrea a  obra parou, ficando a carcaça que estamos vendo adiante:


Por quê? Não tem outra resposta senão a intenção de seu aproveitamento no Carnaval como camarote, ou seja, construiriam sobre a estrutura que restou, uma arquibancada feita de tubos.

Em verdade, não sabemos se obtiveram a devida licença junto à Prefeitura para tal.

De qualquer sorte, passadas as festas momescas e desde que se completaram as obras de revitalização da avenida, a estranha ruína era como que uma mancha terrível no quadro da nova Barra.

Mas eis que de uma hora para outra a Prefeitura conseguiu botar abaixo as paredes da ruína e no lugar implantar uma espécie de jardim recuado que, talvez, seja o único existente na Bahia nesse formato.

As paredes que dão os limites do jardim poderiam ser melhor aproveitadas. Que tal painéis da Barra Antiga ou não se deva lembrar de tal?
- E já lhe deram nome?

Não temos ainda conhecimento.


Poderia ser: “Praça recuada” – “Recuo da Barra” – “Praça do recuo”

.Aceita-se sugestões.


domingo, 31 de agosto de 2014

RODA GIGANTE DA NOVA BARRA

Quando se instalou a “Roda Gigante” da Barra ao tempo da inauguração da sua revitalização, muitos pensaram que ela permaneceria ali no largo de forma definitiva tornando-o  ainda mais festivo. Sim! A Barra hoje é uma festa em todos os sentidos, desde o “Cooper” de todos os dias; do banho de mar das manhãs de sol; das manobras dos surfistas nas ondas vindas da ponta do Morro do Cristo ou do baba ainda nessas proximidades.

Não é ainda um centro “gourmet” como é o Rio Vermelho e a Pituba, mas com o tempo tende a se tornar. (O antigo Barra Vento está fazendo falta.)

Mas uma Roda Gigante permanente não seria um contra-senso?  Não estaria prejudicando o visual como um todo do local, especialmente a visão do Farol da Barra e seu forte ou efetivamente invadindo a privacidade dos moradores do Edifício Oceania?

Roda Gigante da Barra de dia e de noite

Em parte sim, mas este contraste vem ocorrendo em diversas partes do mundo, com resultados maravilhosos em temos turísticos que é sempre um dos objetivos da melhoria dos espaços urbanos, afora o bem estar da população como um todo.


Vejamos alguns exemplos:

Roda Gigante de Londres
A London Eye é a terceira maior roda-gigante do mundo e um dos pontos turísticos mais disputados de Londres. Possui 135 metros de altura. Foi construída para celebração da virada do milênio e tinha um tempo de existência pré-programado de cinco anos. Com o tempo ela se tornou um marco que nem a Torre Effel em Paris, que também seria desmontada após uma feira internacional.



Torre Elfel. Construída em 1889 por Gustavo Eifel.. Tem 324 metros de altura.


Pirâmide de Vidro do Louvre. Foi feita pelo arqujiteto Leooh Ming Pai e fez parte da revitalização da praça do Museu do Louvre. 

E no Brasil qual é a maior roda gigante que se conhece?


Denomina-se "Mirage" e se acha em Belo Horizonte

Mas qual é a maior roda gigante do mundo?
É a High Roller, recém inaugurada em Las Vegas. Tem 167 metros de altura.

Farol visto da Roda Gigante

Não poderíamos deixar passar a oportunidade de registrar algumas fotos da Barra tirada diretamente da Roda Gigante ali instalada (Fotos de Lilian - minha filha):


Av. 7 de setembro chegando no Farol - Visão da Roda Gigante

Rua Marques de Leão - Também visão da Roda Gigante

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

BARRA COM NOVOS E IRRETOCÁVEIS CONCEITOS

Sem dúvida alguma a revitalização da Barra foi de muita felicidade. O bairro estava aos “pandarecos”, ou seja, caindo aos pedaços, nos cacos. A última reforma mais ou menos significativa foi feita em 2008 quando se mudou os antigos passeios construídos com pedras portuguesas por cimento e granito.


Foi um “Deus nos acuda”. Houve até plebiscito entre os moradores. 69% se manifestaram pela mudança. Até o Instituto Histórico teve que se manifestar afirmando que a mudança dos passeios não tinha nada a haver com a história do local. Caetano Veloso também se manifestou contrário à mudança.

Já agora, entre final de 2013 e os sete ou oito primeiro meses de 2014, a Prefeitura corajosamente transformou tudo por tudo, mantendo apenas o formato das balaustradas e ninguém se manifestou contra o projeto.

O que teria havido? O povo teria se desinteressado pelo seu bairro? Porque não se fez um plebiscito? Porque nenhum artista se manifestou contra?

A resposta é simples. O projeto é irretocável. Moderno em todos os sentidos. Não só de relação aos passeios, mas também de relação aos trechos de circulação de veículos.


Mais uma coisa: ao contrário do que se imaginava em 2008 com a intervenção num simples passeio, os grandes ícones da Barra, o Farol da Barra, o Forte Santa Maria e o Forte São Diogo, ficaram mais bonitos, desde que realçados pelo seu entorno. 

Os três grandes ícones da nossa Barra

terça-feira, 26 de agosto de 2014

FALTA MELHOR CONVIVÊNCIA NA NOVA BARRA

Sem dúvida nenhuma a Barra está uma beleza! É uma nova Barra, absolutamente diferente da anterior. O Prefeito foi muito feliz!

 Mas (tinha que haver um porem), está faltando uma coisa muito importante no contexto : faltou o incentivo à convivência. O que seria isto? Convivência? Vejamos o seu significado bem amplo: “Ação ou efeito de conviver”- “Modo de vida em que se pode partilhar; “vida em comum; convívio diário”; “ação de coexistir (num mesmo local) de maneira harmoniosa”.

Ou seja, não há em toda a nova Barra um local onde as pessoas possam conversar, trocar idéias, tomar uma cerveja ou uma guaraná como se fazia antigamente ao tempo das barracas de praia.

Queiram ou não as pessoas, o Poder Público, ou quem quer que seja, as antigas barracas de praia na sua simplicidade em todos os sentidos, proporcionavam uma enorme convivência das pessoas. As pessoas paravam e conversavam nas suas dependências. (No Ceará não tem disso não). Era gostoso.  No “Cooper” praticamente cada qual está consigo próprio. Passa um pelo outro e nem se cumprimentam. Vagueiam. Os olhos fixos no horizonte das distâncias a alcançar. Autônomos, quase biônicos.

Por outro lado, a Barra não tem e nunca teve uma estrutura de bares e afins como tem, por exemplo, Copacabana no Rio de Janeiro onde as pessoas parram para tomar o excelente shop carioca. (Do lado dos Prédios). E se não bastassem, agora instalaram belos bares no próprio calçadão como mostram as fotos adiante:


Bares em Copacabana do lado da praia - Cadeiras de vime

Verdade que perto do Cristo funcionam duas casas que servem caranguejos, mas só abrem à partir das 11 horas, praticamente para almoço. Para completar a coisa, o Barravento, o melhor bar-restaurante do local, fechou as portas e arriou os panos ao vento. Felizmente o antigo "Bar Oceania", localizado nas proximidades do Farol, permaneceu funcionando. No Porto a situação não é melhor.

Enquanto isto, em Nova York, uma das maiores cidade mundo, permite-se a colocação de mesas em passeios, naturalmente dentro de um determinado espaço.


Restaurante em bairro italiano (Nova York)

 Em Nova York, uma das maiores cidades do mundo (maior em tudo), faz-se isso. Em Paris também.

Paris também

Mas vão acabar tomando todo o passeio. Não é bem assim! É só estabelecer os limites. Por outro lado, no caso do trecho entre o Edifício Oceania e o Barra Center, o pedestre tem toda a rua para andar, independentemente dos passeios. (Só não tem onde ficar).

Como prova de que não se pensou nesse detalhe, apontamos um espaço ao lado do Farol que poderia servir admiravelmente para que as pessoas curtissem melhor a nova Barra. Trata-se da área ao lado esquerdo do Forte. Antigamente, nesse espaço funcionavam quatro  barracas de coco.





Bem ao lado do Farol  uma excelente área para uma praça de "convivência".

Enquanto isto!

sábado, 23 de agosto de 2014

PRONTA A NOVA BARRA

Finalmente, ficou pronta a nova Barra, ou seja, o setor entre o Farol da Barra até o Largo do Porto, desde que, parte da Avenida Oceânica já havia sido entregue para a realização do Carnaval.




Sem dúvida alguma é uma nova concepção de rua ou avenida, principalmente no que se refere ao aumento da faixa destinada aos pedrestes (o dobro da anterior) sem elevação desse espaço (o chamado passeio).

Não gostamos, entretanto, dos piquetes de alumínio ou material parecido, como que disciplinando os espaços de circulação de pessoas e veículos. Poluiu o ambiente como um todo. São muitos! Muita gente vai se atropelar neles.



Piquetes por todos os lados

Foi feita a recuperação da rampa destinada  aos que se dirigem à praia. Anteriormente essa rampa também servia aos saveiros que se pintavam ou se recuperavam nesse espaço. Parece que não será mais permitido, bem como a descida de Jet-skis que necessitam de um veículo para seu transporte. Não vimos espaço para esta operação. Ainda de relação aos pescadores, ao que nos parece, funcionava ali uma "colônia" de pesca, haja vista, o grande número de embarcações de pesca fundeadas nas proximidades.



Chamou também nossa atenção a não recuperação do promontório que caracteriza a bela praia do Porto. Existe um buraco provocado pela força das marés e das ondas. A tendência é aumentar e provocar uma queda da bela proteção. Sua origem é secular.


Antigamente. Era uma formação natural. Um ancoradouro. A foto acima mostra o espaço fechado em V.


A rampa de hoje e o promontório não recuperado. Também não vimos a recuperação da escada que dá acesso ao mesmo.

Forte de Santa Maria - Antigamente no espaço anterior funcionava um estacionamento. 

Ainda o belo forte - A direita, dois postes de iluminação quebram a harmonia do local.