sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

ONDE ANTES ERA MAR EM ITAPAGIPE





 Enseada de Itapagipe - Avenida Beira Mar


Esta é a enseada de Itapagipe, ou seja, a parte que vai da Ponta da Penha (Praia do Bugari) até proximidades da subida do Bonfim (Praça Divina).Não confundir com Enseada dos Tainheiros, com inicio na Porta da Penha até às "profundezas" do Uruguai

Até os anos 60 do século passado, na maré cheia, o mar alcançava o cais até uma altura de 3 a 4 metros onde é hoje, por exemplo, a Ponte da Crush, para efeito de uma boa referência. Pescava-se siri e tainha de cima do cais com o arremesso de grandes jererés e belíssimas tarrafas. Dependia da hora: quando a maré estava cheia em determinado momento, o mar alcançava o cais até uma altura de 3 a 4 metros. Dava-se “mergulhos” de cima dele;Barcos eram ancorados junto a ele.

O autor desse blog pesquisou de todos os lados uma foto que tivesse registrado a “inusitada” (para os dias de hoje) pescaria, mas quem haveria de fazê-lo? Era coisa muito comum na época e não se tinha máquinas fotográficas com a profusão de hoje. 

E então não teremos a imagem das referidas pescarias? Rigorosamente, não teremos, mas faremos deduções, pelo menos provando que o mar efetivamente chegava junto, ao ponto de molhar a frente das casas em dias de tempestade.

Mas eis que nos chega às mãos duas fotos da Ponte da Crush que hoje está em cima da areia ainda com suas pilastras dentro do mar,M barcos se aproximando e muita gente aproveitando a inusitada ponte para suas caídas. Uma prova inconteste de que o mar chegava no cais:



E hoje como é? O mar recuou cerca de 50 a 70 metros e se formou uma praia perene que, certamente, valorizou a área, pela sua importância recreativa e até mesmo proteção contra os “noroestes” que abalavam Itapagipe, arrancando até as telhas das casas 


 Praia perene


 Hoje é mais uma passarela! Mais próximo do cais não há como passar por baixo. Tona-se uma exclusividade!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

CHAME-CHAME DE ONTEM E DE HOJE




Há dias atrás demos inicio a uma série de postagens sobre Salvador em dois tempos, ou seja, como era e como é agora. Sem dúvida alguma uma excelente oportunidade de se mensurar o andamento da cidade para frente ou para trás, desde que as duas situações são freqüentes. Não deveria sê-lo. As coisas só deveriam andar para frente, para o alto, mas infelizmente não é assim. No caso presente, em nosso ponto de vista, andou bem para a frente. O Chame-Chame, em dias de chuva, era um caos: virava um lago por inteiro. Normalmente, o canal que ali passa desde o Dique de Tororó até a Avenida Oceânica, exalava um mau cheiro inaceitável em qualquer lugar. De qualquer sorte sempre foi um lugar bonito. Vejamos algumas fotos daquela época:




No que se refere ao canal que ali passa e hoje se encontra sob tubos, alguns setores condenam esse procedimento. Que nunca deveria ser feito! Que o prefeito que fez a obra (Fernando Henrique) errou feio.  A oportunidade é excelente para se fazer as correções devidas e a principal delas é a verdadeira autoria desse canal. O mesmo foi feito pelo Governador Juracy Magalhães, quando da construção do túnel que liga o Dique do Tororó ao Chame Chame entre 1959 e 1960. O córrego corria solto, ai este governador cimentou suas bordas. Não pode ser considerado como tendo sido um erro. O Rio dos Seixos já era na época. A obra precisava ser feita. 



Túnel ligando o Dique do Tororó ao Chame-Chame
O que se sabe, efetivamente é que essa região fez parte do espaço pertencente ao primeiro donatário da Bahia, Francisco Pereira Coutinho e como era próxima da Vila da Graça dos Tupinambás, deveria ser uma área muito visitada, própria para pesca, possivelmente até de camarão.
 






O rio que estamos vendo acima, sua largura, etc. pode ser datado do principio do século XX. Note-se que ao redor só tem mato, possivelmente pertencente a, pequenos sítios. Nessa época, sim, poderia ter sido alargado, beneficiado e aí o Chame-Chame de hoje seria bem diferente, com reflexo em toda a Barra.Ela foi inaugurada  em 2008 (projeto de Diógenes Rebouças).

Vejamos foi ela é hoje:



Já que estamos falando do Chame-Chame-, vale registrar “tudo” que se sabe sobre o mesmo, inclusive uma referência a uma residência que passou a se chamar a “Casa do Chame-Chame”. Dir-se-ia em verdade que nada tem a haver com a história do bairro, contudo, agrega-se ao mesmo pelo inusitado do fato.

Ficava localizada na rua Plinio Moscoso no coração do bairro. Tinha o número 294.

Essa cada foi a única residência projetada pela grande arquiteta Lina Bo Bardi. Já foi demolida em 1984 e seu lugar levantaram um prédio qualquer..Qualquer pessoa que passar hoje pela rua Plínio Moscoso, no Chame-Chame, dificilmente pode imaginar que o número 294 abrigava a única residência projetada por Lina Bo Bardi em Salvador. A casa foi demolida em 1984  para dar lugar a um prédio  banal, pois seu muro baixo e a ausência de grades eram insuficientes diante das  mudanças pelas quais a cidade passou.

Por 20 anos, a família do professor universitário, procurador-geral de Justiça na Bahia e deputado Rubem Nogueira viveu no  endereço, apelidado de "casa de pedra".


Hoje quem passa pela rua Plínio Moscoso, no Chame-Chame, dificilmente pode imaginar que o número 294 abrigava a única residência projetada por Lina Bo Bardi em Salvador. A casa foi demolida em 1984  para dar lugar a um prédio  banal, pois seu muro baixo e a ausência de grades eram insuficientes diante das  mudanças pelas quais a cidade passou.
Por 20 anos, a família do professor universitário, procurador-geral de Justiça na Bahia e deputado Rubem Nogueira viveu no  endereço, apelidado de "casa de pedra".. Há de se detalhar que ao meio da casa existia um tronco de uma mangueira.