domingo, 3 de janeiro de 2016

PROCISSÃO DO SENHOR DOS NAVEGANTES

Um impedimento de ordem física impediu-me de ir assistir a passagem da procissão do Senhor dos Navegantes na Barra. Ficava sentado na balaustrada desde muito cedo. As 10 da manhã, os primeiros barcos apontavam pelos lados do Iacht Clube. As lanchas, mais velozes, chegavam na frente. Depois vinham os outros barcos. Geralmente um ferry-boat com música a bordo animava ainda mais o mar.Todos os anos a Marinha dispunha uma fragatata para acompanhar de longe a grande procissão. Sempre reparei essa atenção.  Foguetes de flechas subiam ao céu e caiam no meio do povo ou no mar. Tirava minhas fotos, sempre à procura da galeota que conduzia Senhor dos Navegantes. O indicativo infalível era procurar um rebocador. Ele puxava a galeota com o Santo.

Porto d Barra


A galeota em meio a outras embarcaações
Sob a proteção da Marinha do Brasil

 Aquele aglomerado atravessava todo o Porto da Barra; passava em frente ao Forte de Santa Maria e ali fazia a volta. Bom Jesus voltava para a casa. Claro que não via a sua chegada. Quando menino, morador de Itapagipe, caia n’água e tentava me aproximar da galeota. A ideia era pegar uma flor branca entre muitas ao pé do Santo, beijava-a e jogava no mar  onde me encontrava. Devia fazer algum pedido. Já adulto, na véspera do primeiro dia do ano, eu e minha esposa acompanhavam a chegada do Santo no cais do Porto até sua chegada à igreja da Conceição da Praia. Claro Nossa Senhora  ia até o cais aonde ele chegava e o acompanhava até  igreja. Era um momento de muita emoção. Colocávamos uma braçada de flores brancas aos pés do Santo. Fizemos isso por muitos anos, até que a idade chegou.

Nossa Senhora da Conceição da Praia


Chegando na praia

Contudo, nem tudo são flores. Tinha que lamentar a grande ausência dos nossos saveiros do recôncavo. Poucos, mas muito poucos saem das ilhas para acompanhar a procissão. Sempre reparei esta ausência, da mesma forma que sempre reparei a ausência das centenas de lanchas que ficam ancoradas na Marina do Comércio, onde passa a procissão na vinda e na volta. A Prefeitura deveria exigir o mínimo de consideração ao Santo que é de todos, ricos e pobres. Não se esqueçam, o espaço é uma concessão da Prefeitura. Comentamos outro dia esta celeuma.


 Resultado de imagem para fotos do senhor dos navegantes

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

ITAPAGIPE E RIO VERMELHO DOIS GRANDES VERANEIOS DO SÉCULO PASSADO

Itapagipe e Rio Vermelho são, possivelmente, os bairros de praia mais antigos de salvador. No principio e meio do século passado os moradores da Cidade Alta resolveram veranear nesses bairros. Verdade que já o fazia principalmente em Mar Grande, mas havia os transtornos de transporte.

Não se sabe ao certo se foi Itapagipe ou Rio Vermelho o primeiro a ser escolhido. Talvez os dois ao mesmo tempo. com muito pouca diferença.
Inicialmente, as casas eram alugadas, mas em seguida, os veranistas construíram as suas próprias casas de descanso.
São através dessas casas que hoje se pode observar a arquitetura daquela época, desde que ninguém fez casa de sapé. Foram construídas lindas casas.

Nos anos de 1960 os hippies escolherem Arembepe como local de moradia. Fizeram uma “aldeia”. Muita gente ia lá ver como viviam. Certamente, esse pessoal foi descobrindo as delícias do local e de outras nas proximidades.

Isso pode ter sido o inicio do veraneio nessas localidades e mesmo a ideia da construção da Linha Verde que vai até Aracajú. Uma maravilha!

Levou tempo entre sua concepção e construção definitivas, mas sem dúvida que foi fundamental para o decréscimo dos tradicionais veraneios de Itapagipe e Rio Vermelho e até de Mar Grande.

Mas ficaram algumas dessas casas para a posteridade. Posteridade?! Até quando, desde que não há nenhum plano de conservação dessas casas, que deveriam ter suas fachadas tombadas. Com isto, evitar-se-iam as horríveis construções que se espalham por todos os velhos bairros de Salvador.

Como estas´em Itapagipe!

Agora, vejamos algumas construções do século passado nos dois citados bairros que ainda dá para admirar.

Rio Vermelho no principio do século passado

Ou esta.

Itapagipe era a mesma coisa. Grandes casas, grandes mansões\;



Mansão Amado Bahia

Mansão dos Catharinos

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

PRAIAS DA PITUBA E AMARALINA AS MAIS POLUÍDAS DE SALVADOR - NÃO É DE ESTANHAR?

Como é sabido, as praias da Pituba e Amaralina são altamente poluídas. Pouca gente a frequenta apesar de erem situadas em frente a dois grandes bairros de nossa cidade, bairros classe A. Aliás esse problema não é de hoje. Faz muito tempo.

Há pouco o jornal A Tarde fez contato com a Embasa e esta empresa informou em nota que “a água suja lançada na praia é decorrente de obra de rebaixamento do lençol freático realizada pela empresa Pablo Engenharia, que está lançando a água da obra na rede de drenagem pluvial.


Essa empresa por sua vez informou que os problemas de esgoto são da alçada da Prefeitura, responsável pelo ordenamento do uso do solo. Mais ainda sobre o assunto: estes lançamentos são indevidos, pois são provenientes de imóveis cujas ruas já contam com rede pública de esgotamento sanitário. A obrigação de ligar o imóvel à rede da Embasa é do morador ou do proprietário de acordo com a Lei Estadual 7.307/1908.

Volto a repetir:  este problema não é de hoje. Há muito anos as praias da Pituba e Amaralina são interditadas pela Prefeitura em notas publicadas na imprensa local.Todo mundo sabe disso, por isso só vivem vazias, apenas o pessoal do baba de Amaralina arriscam frequentá-la.

Costumava mergulhar em Amaralina, mas tomando certo cuidado de não engolir água e ficar pouco tempo nágua Sinceramente, não sabia a verdadeira razão do impedimento. Hoje, entretanto, vim a sabê-lo. Existe uma grande boca de lobo, como se costuma chamar em plena praia da Pituba.

Enorme!

No século passado era muito comum vermos essas chamadas "boca de lobo", principalmente na cidade baixa, como esta na Praia da Boa Viagem\;

Sinalizado na Praia da Boa Viagem, mas já desativado

No caso específico das praias da \Pituba e Amaralina são nada menos do que três a quatro quilômetros de boas praias, Sem dúvida que os proprietários dos imóveis desses dois bairros estão perdendo muito dinheiro e os baianos de um modo geral impedidos de frequentá-las. Com a palavra o Prefeito, aliás, o bom Prefeito de Salvador, segundo última pesquisa de opinião 


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

MARTHA ROCHA TÃO BELA QUANTO OS CRISTAIS DA FRATELLI VITA

A Crush foi concebida por Clayton J. Powel em 1911, quando fechou uma parceria para a criação da empresa Orange Crush Company nos Estados Unidos..

Vamos esclarecer de uma vez por todas a questão. Não foi  a Crush quem construiu a ponte na Av. Beira Mar em I|tapagipe Quem a construiu foi a Fábrica Monsanto de fertilizantes, antes de 1950. Quando essa indústria fechou, a Crush se instalou em suas dependências por volta de 1960. No Rio de Janeiro o refrigerante foi lançado em 1954;

Lançamento na Bahia

Por que a Monsanto fez a ponte, Ela recebia todo o material para seus fertilizantes pelo Porto de Salvador. Achou por bem trazê-los para Itapagipe via mar através de grandes barcos. Construiu então a ponte para facilitar seu descarrego bem em frente à sua fábrica na Av. Beira Mar.

As instalações da Monsanto na Av. Beira Mar em Itspagipe

A Crush laranja vendia muito, como também vendia de igual forma a Gasosa de Maçã da Fratelli 
Vita. Dominavam o mercado. Isto foi um alerta à Coca Cola. Prejudicava a sua venda ou, pelo menos, a diminuía E nesta seara a coisa é complicada. A ganância vence tudo. É guerra de cachorro grande como dizia o meu amigo França Teixeira. 

Ai a Coca-Cola comprou o direito de distribuir com exclusividade os dois grandes refrigerantes. A Fratelli ficou apenas com a fábrica de cristais. 

A história dessa fábrica é por demais interessante e rica na sua expressividade. Durante as guerras que assolavam a Europa. As garrafas de vidro que vinham da Europa começaram a faltar. O que foi que fez esses extraordinários irmãos Vita?. Construíram às pressas uma fábrica de vidro para fazer eles próprios suas garrafas. Foi essa fábrica que, mais tarde, se transformou numa das maiores fábricas de cristais do mundo.

Cristal Fratelli Vita

Quando Martha Rocha foi eleita Miss Brasil e havia retornado dos Estados Unidos com um honroso segundo lugar, foi recebida por Miguel Vita, filho  de Giuseppe.. Visitou a fábrica e deve ter sido agraciada com uma bela peça. A seguir uma das poucas fotos onde ele aparece.

A seta indica a pessoa de Miguel Vita

A excepcional Martha Rocha

Miguel Vita casou com uma moça de Itapagipe da família Barreto; remou no Santa Cruz junto com meu pai, Conheci pessoalmente, Grande figura!

Sede Náutica do Santa Cruz

AS DÚVIDAS SOBRE A PONTE DA CRUSH- 0 MAR ALCANÇA O CAIS

Seja qual for o turista que esteja se deliciando com as belezas de Itapagipe e se depara com a Ponte da Crush na Avenida Beira Mar, haverá de estranhar profundamente: como se constrói uma ponte sobre a areia de uma praia?

Ponte da Crush - Quase toda sobre a areia

Mas não é nada disto! A ponte foi construída sobre o mar, a partir do cais onde se inicia. A responsável foi uma indústria americana denominada Monsanto, basicamente fabricante de fertilizantes. Corria o ano de 1948. Ela precisava pegar no Porto de Salvador o produto que fabricava no exterior. Achou melhor fazê-lo pelo mar em grandes barcaças.

Pouco tempo depois a Monsanto encerrou suas atividades no local. Não viu sua ponte ser tomada pela areia do mar.Ocupou o espaço a Crush. O que aconteceu? Simplesmente em 1953 a Prefeitura resolveu aterrar com areia os Alagados de Itapagipe. Retirou toneladas de areia e a natureza logo reagiu: tomou todos os buracos feitos com seu material, a água, distribuída em toda região. Com isto o mar encolheu em terra e foram surgindo novas praias onde antes era só mar. Foi assim que surgiu a inusitada ponte de hoje, talvez única no mundo sobre a areia.
Navegação tranquila

Onda evoluindo sob a ponte


Caídas e Saltos ornamentais

Um domingo de sol e mar= Não se vê praia


Não resta a menor dúvida - o mar alcança o cais

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

UMA HISTÓRIA DE AMOR DE UM ESPANHOL DE ITAPAGIPE.

Vou contar uma história quase inacreditável, mas que aconteceu. Foi no tempo do espanhóis quando vieram para o Brasil, especialmente para Salvador. A Europa estava em guerra, ou saía de uma guerra ou ia entrar n’outra. Que povo beligerante! Tão diferente de nós que só pensamos em Carnaval. Agora quietaram, mas nem tanto. Há ainda guerrinhas lá para os lados do Oriente, mas que a Europa está envolvida em razão dos atentados de Paris. É uma guerra de novidades: estão testando novos armamentos e outras coisas, inclusive um Drôni que começou entregando pizza, mas que agora carrega bombas, dizem que apenas de efeito moral. Resultado: entre 1912 e 1945 a economia de diversos países virou um caos, que nem o Brasil por outras razões que não é bom nem falar.
Em consequência, naquela época, o povo procurou se mandar. Muitos foram para os Estados Unidos e tantos outros para o Brasil. Para aqui vieram principalmente os espanhóis, a grande maioria para a Bahia. Trabalhadores, em pouco tempo dominavam os armazéns, padarias, confeitarias, sorveterias e até empresas de ônibus. Tudo!  A lista é grande. Dormiam no fundo dos armazéns. Trabalhavam de tamanco.  Era feito de madeira com uma tira de couro simples na parte superior. Não tinha salto. Era reto. Só tinha uma qualidade: era resistente à umidade do chão dos armazéns. Então não tinham sapatos? Tinha um par, aquele que calçou quando veio para o Brasil. Aqui só usavam uma vez por ano: no dia 31 de outubro, dia do Cacheiro. Iam para Itapuã. Nadavam na lagoa. Sempre morria algum.


Mas uma grande parte dele não morava perto do mar, como em Itapagipe. Moravam! Mas nunca vimos um espanhol tomar banho de mar naquelas plagas. Nem jogavam bola. Nem iam as festas da Bahia. Nem no Carnaval. Ao Bonfim.  Sempre trabalhando. Mas um dia aconteceu algo inusitado.

 Um jovem espanhol se apaixonou por uma baiana, lindíssima, filha de gente rica, bem de vida. Começou a namorar firme. Já ficava na porta dela. Ai os pais, gente de posse, souberam do tal namoro. Sabe o que fizeram? Doparam o rapaz e o meteram dentro de um navio que partia para a Espanha. Quando o rapaz acordou tiveram que segurá-lo. Quiz nadar de volta.



Novo Clube Espanhol da Bahia

Hoje os espanhóis estão totalmente integrados à Bahia e contribuem de todas formas para o crescimento de Salvador e de todo o Estado.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O QUE É QUE A BAIANA TEM? UM POVO QUE SE TOCA!

Este blog foi imaginado e criado para contar a história de Salvador e suas duas cidades, a Baixa e a Alta. Sem nenhum cabotinismo, talvez no mundo não se encontre uma cidade com partes tão desiguais e únicas. Caimi foi o artista que melhor soube dizer dessas diferenças, como também soube dizer que não tem outra mulher no mundo igual à baiana.

O senhor Paulo Cezar Miguez de Oliveira, confirmou o que Caimi cantou em sua brilhantíssima tese “Organização da Cultura na Cidade da Bahia”. Foi muito mais adiante: descreveu o baiano como ele é.

Paulo Cezar Migues de Oliveira

Transcrevemos em parte o brilhante trabalho sobre como é o baiano em si:

“Cremos que não será preciso qualquer esforço para situarmo-nos, os baianos, e confortavelmente, entre aqueles que mais se tocam. E como nos  tocamos ! Dois beijinhos aqui, um cheiro ali, um tapinha nas costas acolá, é assim o cotidiano dos baianos que se conhecem – e, incontáveis vezes, também daqueles que, por acaso, mal se conheceram. Conversamos na fila do banco, do caixa do supermercado ou com o motorista de táxi. Se o ônibus está cheio e estamos sentados, oferecemo-nos para segurar o embrulho ou tomar uma criança ao colo. Abrimos caminho com um sonoro dá licença e, claro, com as mãos, com os braços ou ainda, se for Carnaval e a conselho da canção, a gente mete o cotovelo . Compomos as multidões que fazem as festas de rua da cidade, momento e lugar onde tocar e ser tocado/pegar e ser pegado é quase uma regra e, às vezes, um convite.

Em seguida Paulo Cezar faz um comentário sobre uma tese de um amigo seu: Milton Moura dentro do mesmo tema, a baianidade.

"Uma senhora da classe média deixa de frequentar uma praia próxima por considerá-la poluída. Diz: É um horror aquela multidão, a gente não pode nem respirar. Há de se perceber que o motivo do horror não é simplesmente  multidão, mas uma multidão de pessoas mais pobres, escuras e barulhentas. Resolve ir para uma praia mai distante e quase deserta, na qual não faltam os personagens negros e pobres. Estou indo agora para Aleluia, que é um paraíso. No local, tem uma baiana ótima, adoro ela. Quando eu vou chegando ela já sabe o que eu quero, é outra qualidade de serviço. Verdadeiramente, não é necessariamente uma posição falsa ds senhora branca: ela ama este tipo de relação com a senhora negra que lhe vende acarajé, contanto que isto não aconteça em meio a aglomeração e ao barulho, estando bem demarcados na praia os espaços sociais, inclusive o seu nicho de dondoca.Em contrapartida, a baiana também ama sua cliente; gosta de sua presença e da féria que lhe proporciona, o que não a exime de comentar com alguém de sua extração, quando a freguesa se vai: barona de merda; essa mulher é muito tirada, parece que é melhor do que as outras, pega no acarajé com nojo do azeite, mas quer comer.

E por ai segue Paulo Moura em magnífico trabalho que aqui reproduzo modestamente e distribuo entre meus seguidores, Tem muito mais coisa, mas o espaço não nos permite navegar entre suas palavras de um grande mestre da vida, baiano que é.