quinta-feira, 8 de setembro de 2011

AMARALINA – RETOQUES NECESSÁRIOS

Ao tempo da construção do quartel de Amaralina, não resta a menor que ele se fazia necessário. Nele foi instalado um centro de observação aérea, obra atribuída aos norte-americanos ao tempo da 2ª guerra mundial.

Quando o conflito se encerrou, a Aeronáutica assumiu o controle do equipamento, ampliando suas funções, inclusive construindo à frente da avenida um conjunto de grandes garagens que abrigava caminhões e até veículos providos de canhão, possivelmente tanques.

Essa construção e mais outras que se fizeram, tomou totalmente a frente do mar que ali é de uma beleza extraordinária, desde que se compõe divinamente com as elevações do terreno , as mesmas que se observam tanto no Morro do Cristo quanto no Morro do Farol da Barra.

Por muito tempo não se percebeu essas virtudes que a natureza proporcionou a nossa cidade, muito pelo contrário, a Prefeitura por volta do ano de 1960, permitiu e até incentivou a construção de clubes e hotéis do lado do mar. Foram os casos do Centro Espanhol, do Clube Português e do Esporte Clube Bahia e dos hotéis Othon, Ondina Residência, Salvador e Meridien. 

Atualmente, quando se constata que a nossa orla perde em beleza para muitas outras existentes no nordeste brasileiro, sem dúvida que uma das razões dessa inferioridade talvez esteja nesses casos, senão vejamos: o Porto da Barra, onde se inicia a nossa orla atlântica, digamos assim, não tem no País nada que se iguale. Um jornal inglês classificou a praia do Porto como a 3ª mais bela praia do planeta. Ela está balizada por dois fortes: o de São Diogo e o de Santa Maria. Uma dádiva!






Em seguida, após o Forte de Santa Maria, vindo para a esquerda da orla, temos um espaço problemático – é a chamada praia da B. Tanto na maré cheia quanto na maré vazia, ela não satisfaz.


Para compensar a falta de beleza desse pedaço, temos o espetáculo do Farol da Barra encimado na Ponta do Padrão, um dos pontos da consolidação de posse da terra brasiliense
À sua esquerda, a bela praia do Farol com a variedade de seus atrativos, desde as bacias que se formam nas marés de vazante, até as ondas que se evoluem na extremidade oposta, o que a torna um paraíso para os surfistas

Bem ao lado, o Morro do Cristo, outro lugar belíssimo: Até aqui, estamos vencendo de qualquer lugar que se queira comparar. Logo após, começam os problemas de nossa orla, tanto os da própria natureza quanto e principalmente os criados pela iniciativa humana. Da mesma maneira e forma da Praia da B. o espaço entre o Morro do Cristo e o Morro de Ondina, é todo pedregoso. Nesta foto até que está bem. A maré está cheia. Quando a maré vaza, é uma pedreira.

Mas teria uma solução? Claro, é só querer. Há, por exemplo, um projeto de autoria do arquiteto baiano Alexandre Prisco Paraiso Barreto que se enquadra em todos os sentidos nesse espaço. Ei-lo:

Vendo essa foto, ficamos a imaginar quando um projeto dessa natureza seria aprovado e concluído. Conhecendo a nossa terra como conhecemos, pela longa vivência com ela, diríamos que a depender dos poderes públicos, as esperanças são remotíssimas. Já a iniciativa privada poderia topar essa parada como vem fazendo em diversas partes do mundo. Vejamos alguns exemplos:


Obras como essas é que atraem turistas como aconteceu também em Bibau na Espanha com seu Museu Guggenheim ou em Sidney na Austrália.

O projeto do arquiteto baiano tem a mesma qualidade dos que nos lembramos e acabamos de nos referir.
Em vez disso, estranhamente, a Prefeitura aprovou a construção de um hotel na base do morro de Ondina em substituição ao Clube Espanhol. Suas obras já estão bem adiantadas como se pode ver na foto adiante.

Como compensação ao espaço cedido pelo clube, estão construindo um novo clube ao nível do asfalto.Teme-se que após concluído levante-se um muro de isolamento como faziam nas ocasiões de shows que aconteciam no local.

Aliás, numa das fotos acima, já poderemos ter uma idéia da “coisa” pela divisão de arame que já está levantada no lugar. O muro seria por aí.

Mas, como dizíamos, é muito difícil a concretização de obras monumentais numa cidade que só há poucos anos percebeu a sua imensa inclinação turística ou falta recursos para concretizá-la.Veja-se, por exemplo, o caso do Oceanário que se pretendia instalar na praça que substituiu o Clube Português. Ficou em nada!

Há uma visível falta de imaginação dos governantes para um embelezamento maior da nossa orla em muitos sentidos. A maioria está centrada numa máxima que não se coaduna com nada. Chega ser patético: “a nossa orla já é bela de natureza e só precisa de certos cuidados”. Com base nesse pensamento, nada se faz para melhorá-la em termos de estrutura arquitetônica e urbana. Percebe-se a falta de um plano diretor. Aliás, nesse sentido, vejamos o que disse o presidente do IAB-Ba, Sr. Paulo Ormindo de Azevedo:

Não vejo nenhum projeto consistente, seja do Governo Estadual, seja dos municípios da Região Metropolitana de Salvador sobre a orla atlântica. As ações que estão sendo implementadas ou anunciadas – melhorias de calçadas e novas barracas – são puramente cosméticas. Os verdadeiros problemas da orla atlântica estão relacionados com o uso do solo e falta de infra-estrutura. Não há nenhuma política definida com relação à orla ou miolo, que lhe fica atrás como um todo. Desde a década de 70 a cidade não tem nenhum plano. Estas ações paliativas resultam, a meu ver, da falta de um plano de prioridades”.

São absolutamente contundentes as palavras acima e não é necessário acrescentar mais nada.

Aliás, esse morro – Morro de Ondina – é um eterno sofredor. Poucos sabem que em 1920 (24/12/1920), a estátua de Cristo que hoje se encontra no chamado Morro do Cristo se achava instalada no Morro de Jesus. Morro do Jesus?! Sim, todo o morro chamava-se assim, em razão da estátua de Cristo que ali estava instalada.

(O Cristo da Barra tem origem italiana. Foi esculpido em Gênova pelo escultor Pasquale de Chirico a pedido do desembargador José Botelho Benjamin e foi trazido para a Bahia a bordo do navio Cervino entre 1905/1910. Ainda por curiosidade, o referido desembargador era judeu e teria se convertido ao catolicismo).

Por volta de 1960, a estátua foi transferida para onde ela hoje se encontra. Motivo: concederam uma licença para que em baixo do morro funcionasse uma pedreira. Os caras começaram a dinamitá-lo. A estátua estava sendo abalada.


Há de se reparar o “buraco” feito na rocha pela referida pedreira. Estava se estendendo.

Após a transferência a Aeronáutica construiu no local a chamada Prefeitura da Aeronáutica, isolando o morro. Para tanto, fez-se um muro de mais de 200 metros de extensão ao longo da avenida. Esse muro alcança uma das extremidades dos hotéis. Falando neles, todos são maravilhosos. Apenas discordamos da concessão de suas construções nos locais onde foram levantados, em frente a uma grande faixa do mar. Poderia ter sido construído do outro lado, por exemplo, num pedaçinho do grande terreno pertencente à Universidade da Bahia.

Nós mesmos e a geração atual desconhecemos como é o Morro de Ondina. Devia ser bonito. Abrigava a Estátua de Jesus. Devia ter um belo acesso. Certamente era um espetacular “belvedere" tanto quanto são o Morro do Padrão e o Morro do Cristo.

Como dizíamos, o muro da aeronáutica alcança uma das extremidades do Salvador Pálace Hotel, atualmente fechado e em seguida começa o Othon e por fim o Apart-Hotel Residência Ondina.




O problema da posse de áreas do lado do mar tem a sua culminância quando após o Rio Vermelho em direção à Amaralina, começa um quartel que hoje não é mais quartel na acepção da palavra: tornou-se casa de eventos e hotel de passagem. Nada contra! Poderão funcionar eternamente, contudo, não se justifica mais as garagens que antes abrigavam veículos militares de grande porte em grande parte da avenida. Tem um aspecto nada agradável. Precisa ser retirado com urgência. Vejam na foto adiante o absurdo:















































terça-feira, 6 de setembro de 2011

AMARALINA – PESCA DO XAREU

Até a década de 1940 a cidade se estendia apenas até Amaralina. Daí em diante era apenas mata e algumas poucas fazendas. Quem quisesse ir em frente, o melhor caminho era pela praia. O autor é testemunha dessa “dificuldade”. A familia França Machado, seus parentes, possuia uma dessas fazendas na hoje Pituba. Comemorava-se o aniversário de um dos seus membros. Tomou o bonde no Barracão das Hortas, onde é hoje o viaduto da Praça da Sé; desceu a Ladeira da Praça e lá embaixo, onde se acha o quartel do Corpo de Bombeiros, virou à esquerda; estava na Av. J.J. Seabra, atual Baixa dos Sapateiros; passou em frente à Ladeira do Aquidabã e alcançou 7 Portas; na esquina do Palacete das 7 Portas que deu nome a este bairro (pertencia à Augusto Machado) dobrou à esquerda pela Rua Djalma Dutra e alcançou a Fonte Nova (ainda não existia o estádio); à sua frente a Ladeira da Fonte das Pedras que dá em Nazaré e a esquerda o Dique do Tororó; contornou- o pelo hoje sentido do tráfego(ainda não havia o acesso pela direita onde só tinha hortas) e alcançou a Av. Vasco da Gama; percorreu toda ela até alcançar o Rio Vermelho e daí até Amaralina foi um pulo. Duração da “viagem”: 2 horas. Era a chamada linha 14.

Também se podia alcançar o Rio Vermelho por cima. Era a linha 15 – Rio Vermelho de Cima. Saía de um largo onde é hoje o Colégio Antônio Vieira (Curva Grande); passava por baixo do Primeiro Arco e atingia uma via denominada Rua do Trilho, depois Rua Gomes Brandão; ai alcançava a atual Av. Garibaldi; em seguida, passava pelo Segundo Arco, nas proximidades do viaduto da TV Itapoã e se alcançava a Rua da Paciência, já no Rio Vermelho.

Diz-se que anteriormente existia um trem que fazia esse percurso, trem este à serviço de um engenho de açúcar existente em Amaralina.

O nome Amaralina advém de uma antiga fazenda pertencente ao senhor José Alves Amaral que seria neto do Visconde do Rio Vermelho, Manuel Inácio da Cunha e Meneses, militar, comerciante e politico (foi vereador, vice-presidente de provincia e senador do Império do Brasil de 1829 a 1850). Acumulou grande riqueza, inclusive as terras de Amaralina até Itapuã.

Amaralina possui um morro que não é percebido por quem passa pela avenida. À frente dele encontra-se um quartel militar, tomando-lhe a vista.

Nesse morro foi construída uma igrejinha com frente para o mar, construção esta atribuida aos pescadores daquela época em agradecimento às boas pescarias de xaréu que o local proporcionava. Vamos nos ater um pouco sobre essa atividade.








A praia de Amaralina era conhecida como “A Lagoa” e a pesca do xareu se fazia entre os meses de outubro e dezembro com muita fartura. Para se ter uma idéia da sua extensão, a pesca de xaréu era considerada uma das maiores de toda América no que diz respeito a quantidade e peso dos peixes pescados,

Além dessa importância econômica, a “puxada da rêde de xaréu” era tida.como uma manifestação folclórica das mais impressionantes, um misto de trabalho e festa, mas de uma festa onde se ouviam antigas canções para divindades africanas, especialmente Iemanjá, a Rainha do Mar,

“Dá-me licença aí
Dá-me licença aí
Alô dê Yemanja i
Alô dê Yemanja i
Dá-me licença aí
Dá-me licença a a
Dá-me licença aí
E dá-me licença a a
Por Maria Zombi areia
Sereia a-a-aa”

Transcrevemos abaixo um artigo de um cronista da época (Batisti) sobre essa pesca. Explica tudo: (Damos muita importância a descrições desse tipo; de gente que conviveu com o assunto):

“Nesta região já não mais existe a armação da Amaralina, a armação lagoa, uma das mais antigas de que se tem noticia, mas que ainda é lembrada pelos velhos pescadores que afirmam ter sido aquela armação uma das mais organizadas, onde muito se pescou o xaréu em época não muito distante. No primeiro dia os pescadores se dirigem piedosamente à Igreja de Sant'Ana do Rio Vermelho para pedir a proteção da santa. De tarde, na praia noturna, dançam sambas, bebem, conversam e cantam alegremente. Antigamente, e ainda hoje, em certos recantos do litoral, na primeira puxada, um pai ou mãe-de-santo vinha com suas filhas, para cantar e dançar sobre a praia enluarada, girando na sombra mística e fazendo sortilégios para acalmar a tempestade. Em Amaralina, limitam-se a ter candomblés para rir; ao redor de pequenos tambores sonoros, os pescadores formamuma roda e entoam, para passar o tempo, as toadas de Xangô ou dos caboclos". E prossegue Batisti "Mas essa transformação do candomblé em divertimento não impede que a fé continue viva no fundo do coração dos homens de cor; todos os quinze dias, durante a tarde, porque de manhã têm muito que fazer, as jangadas dirigem-se a alto-mar para levar a Iemanjá, a D. Janaína como a chamam, objetos de toillete, fitas de todas as cores (excetuando-se as negras e vermelhas,que são cores de Exu), humildes presentes comprados nas vendas locais, agradecimentos pela boa pesca, esperança de uma amanhã melhor. Iemanjá é uma boa pessoa, não recusa nunca, oculta
os presentes e preces recebidas em seus esconderijos. E assim passamos dias, o tempo desliza, com as visitas das mulheres, as horas de ócio nas vendas, breves estadias no Rio Vermelho, a noite roncando em cabanas de palmeiras entrelaçadas, dois ou três indivíduos em cada uma. E como no primeiro dia o período de pesca termina com uma festa”.

Hoje não tem mais xareu em Amaralina. A poluição do mar afastou os peixes. O barulho dos carros e o povoamento deram a sua contribuição. A Amaralina de hoje cheira a acarajé e a abará, não há mais xareu – nem frito. O pequeno largo se tornou um centro gastronômico. Somente isto! Podia se fazer uma coisa melhor.
 











sexta-feira, 12 de agosto de 2011

RIO VERMELHO 4 – BANDO ANUNCIADOR E FESTA DE IEMANJÁ

É interessante observar que tanto em Itapagipe quanto no Rio Vermelho se faziam festas por iniciativa dos veranistas.
Ambos os locais eram estações de veraneio de muitas famílias daquela época, principalmente as mais abastadas do que resultou a fixação de muitas delas com a construção de belas casas que hoje chamaríamos de “casas de praia”.
Como se viu na postagem anterior, as chamadas “águas milagrosas” do Rio Vermelho contribuíram para a fama do local e a conseqüente valorização de suas terras do que se aproveitaram as pessoas de posse para ganhos imobiliários.
E o veranista daquela época sem muito que fazer durante os três meses que duravam o veraneio, uma espécie de férias, buscavam as mais diversas formas de divertimento e lazer, desde os banhos de mar diários, dos babas de praia, dos jogos de cartas e gamão e principalmente das diversas formas e maneiras de pescar que ia do uso de redes e tarrafas até as linhas de fundo na busca de peixe de primeira qualidade (vermelho) no médio alto-mar.
Nesse último caso, meses antes do inicio do veraneio, preparavam os chamados “pesqueiros” (armações de pau de mangue, latas velhas, folhas de zinco, etc.etc) e com auxílio de pedras muitos pesadas, fundeavam esse conjunto em determinados pontos do mar para que ali se aglomerassem os peixes. Em seguida faziam a chamada “marcação triangular”, tendo como pontos de referência torres de igrejas e outras referências que se destacassem no horizonte.


O almoço não saia antes das duas horas da tarde. Os vermelhos, as tainhas, os siris e os camarões pescados pelos novos “heróis” do mar, precisavam ser preparados com certo cuidado e tempo. Nesse ínterim, rodadas de cervejas eram servidas entre parentes e aderentes, desde que toda a “comunidade” vizinha sempre participava em grande número.
 
O almoço era servido no gramado em frente de uma das casas, geralmente em baixo de uma árvore de fruta pão ou jaqueira, abundantes naquela época.
 
Após os “comes e bebes” começava o carteado que se estendia até o principio da noite. Nesse tempo, era a vez das famílias aderentes gastarem um pouco. Eram servidos petiscos de toda a natureza: camarões empanados, coração de frango, agulhas fritas, petitingas, siris e caudas de lagostas. Depois vinham os doces de todos os tipos desde a famosa ambrosia de leite de cabra até as sofisticadas tortas de chocolate.
 
Essa era a rotina do dia a dia dos veranistas das duas localidades e se não bastasse andavam inventando festas de todas as maneiras e uma delas envolvia toda a gente do local. Era o “Bando Anunciador do Rio Vermelho”.
 
Desfilava 15 dias antes do Carnaval “anunciando” a grande festa de Momo. Na verdade, contudo, era como que uma despedida do veraneio que se encerrava poucos dias adiante. Em suma, uma forma sutil de driblar a saudade que já tomava o coração dos dias extraordinários, belos e divertidos que viveram.
Carros alegóricos, mascarados, confetes e serpentinhas compunham a festa. Músicos profissionais eram contratados para as orquestas que puxavam o bando, apenas com um detalhe: a percussão era executada pelos próprios veranistas que treinavam noites seguidas para não desafinar.
Outro detalhe: os tamborins e os tambores eram fabricados pelos próprios veranistas, esses últimos com aproveitamento de barricas de bacalhau. O couro de cobra jibóia era comprado no antigo Mercado Modelo.
 


Carro Alegórico do Bando Anunciador do Rio Vermelho
 
De relação à festa de Iemanjá, não se pode dizer que tenha sido uma criação dos veranistas, mas sem dúvida que eles tiveram grande influência na feliz idéia. Porque assim pensamos?
 
Antigamente a festa de Iemanjá era realizada em Itapagipe com grande pompa sempre no terceiro domingo de dezembro em frente ao antigo Forte de São Bartolomeu – Século XIX com participação efetiva dos veranistas do local.
 
O mesmo veio acontecer no Rio Vermelho quando se intensificou o veraneio nessa localidade. Decorria o ano de 1923 quando se realizou a primeira festa de Iemanjá no Rio Vermelho.
Inicialmente apenas um pequeno publico se fez presente:





Há de se reparar que a atual igreja do bairro ainda não tinha sido construída o que só veio acontecer em 1967. Consequentemente, essa foto é anterior a essa data.
Hoje a festa de Iemanjá é tudo isto:






 

A LENDA DE IEMANJÁ

Conta a tradição dos povos iorubás (atual Nigéria), que Iemanjá era a filha de Olokum, deus do mar। Em Ifé, tornou-se a esposa de Olofin-Odudua, com o qual teve dez filhos, todos orixás. De tanto amamentar seus filhos, os seios de Iemanjá tornaram-se imensos. Cansada da sua estadia em Ifé, Iemanjá fugiu na direção do “entardecer-da-terra”, como os iorubas designam o Oeste, chegando a Abeokutá. Iemanjá continuava muito bonita. Okerê propôs-lhe casamento. Ela aceitou com a condição que ele jamais ridicularizasse a imensidão dos seus seios. Um dia, Okerê voltou para casa bêbado. Tropeçou em Iemanjá, que lhe chamou de bêbado imprestável. Okerê então gritou: "Você, com esses peitos compridos e balançantes!" Ofendida, Iemanjá fugiu. Okerê colocou seus guerreiros em perseguição e Iemanjá, vendo-se cercada, lembrou que tinha recebido de Olokum uma garrafa, com a recomendação que só abrisse em caso de necessidade. Iemanjá tropeçou e esta quebrou-se, nascendo um rio de águas tumultuadas, que levaram Iemanjá em direção ao oceano, residência de Olokum. Okerê tentou impedir a fuga de sua mulher e se transformou numa colina. Iemanjá, vendo bloqueado seu caminho, chamou Xangô, o mais poderoso dos seus filhos, que lançou um raio sobre a colina Okerê, que abriu-se em duas, dando passagem para Iemanjá, que foi para o mar, ao encontro de Olokum. Iemanjá usa roupas cobertas de pérola, tem filhos no mundo inteiro e está em todo lugar onde chega o mar. Seus filhos fazem oferendas para acalmá-la e agradá-la. Iemanjá, Odô Ijá (rainha das águas), nunca mais voltou para a terra. Ainda existe, na Nigéria, uma colina dividida em duas, de nome Okerê, que dá passagem ao rio Ogun, que corre para o oceano. (http://www.portalriovermelho.com.br/yemanja_lenda.htm) "


Síntese de tudo numa só poesia:

IEMANJÁ RAINHA DO MAR
Composição: Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro
Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?

Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá.

Onde ela vive?
Onde ela mora?

Nas águas,
Na loca de pedra,
Num palácio encantado,
No fundo do mar.

O que ela gosta?
O que ela adora?

Perfume,
Flor, espelho e pente
Toda sorte de presente
Pra ela se enfeitar.

Como se saúda a Rainha do Mar?
Como se saúda a Rainha do Mar?

Alodê, Odofiaba,
Minha-mãe, Mãe-d´água,
Odoyá!

Qual é seu dia,
Nossa Senhora?

É dia dois de fevereiro
Quando na beira da praia
Eu vou me abençoar.

O que ela canta?
Por que ela chora?

Só canta cantiga bonita
Chora quando fica aflita
Se você chorar.

Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Quem é que já viu a Rainha do Mar?

Pescador e marinheiro
que escuta a sereia cantar
é com o povo que é praiero
que dona Iemanjá quer se casar.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

RIO VERMELJHO 3- ÁGUAS MILAGROSAS

Hoje, a principal ligação da Barra com o Rio Vermelho se faz através da av. Oceânica numa distância aproximada de 3 quilômetros diferentemente do principio da colonização de Salvador onde uma mata fechada instalada em muitos morros separava os dois locais.
Ate mesmo o acesso pela praia era muito difícil, todo ele crivado de muitos paredões de pedras, quando não dificultado ainda mais pela aproximação do mar que se unia em muitas partes do seu trajeto às íngremes encostas do trajeto.
Essas circunstâncias sumamente adversas dificultaram em muito as ligações entre Vila Pereira e Rio Vermelho, de modo que os progressos que a velha vila ia adquirindo ao longo dos seus primeiros anos, não se transferiram para o arrabalde vizinho.
Para não dizer que não havia nenhum contato, apenas Diogo Álvares Correia, o Caramuru, freqüentava os dois lugares, mas quando ia à Vila o fazia pelos caminho, da Graça e Barra Avenida.
Essa situação praticamente persistiu até 1800, quando começaram a se instalar na área pequenos sítios e núcleos de pescadores, principalmente na Mariquita e em Santana.












Esses pescadores, além do mar, pescavam também no Rio Lucaia, braço do Camurugipe que ali desembocava. ( O Rio Camurugipe também é chamado de Camarajipe, Camarugipe, etc.)
O Rio Lucaia era muito piscoso, notadamente de camarões, tainhas, sardinhas e pititingas, o que atraia tubarões e baleias para próximo da sua foz.
E eis que acontece um fato curiosíssimo no Rio Vermelho: o antigo aldeamento dos índios e pescadores, ganha fama de possuir “águas milagrosas”. Essas águas estavam curando a beribéri.
Àquele tempo Salvador vivia uma síndrome de epidemias de várias doenças, inclusive a beribéri. E ao surgir uma notícia como esta, é de se imaginar a corrida da população para o local, já agora com um acesso pela Avenida Vasco da Gama.
Este fato haveria de gerar uma super valorização dos terrenos nas proximidades do que se aproveitou a classe mais favorecida da população para construções de belas casas, muitas delas verdadeiras mansões e palacetes.
Em pouco tempo, o Rio Vermelho se transformou numa grande estação de veraneio com uma estrutura invejável e até sofisticada. Até hipódromo foi construído no local, bem como campo de futebol, de críquete e de tênis.
De relação ao futebol, o Campeonato Baiano desse esporte foi disputado nesse campo durante 13 anos entre os anos de 1907 e 1920, quando se construiu o Estádio Artur Morais na Graça.





O hipódromo ficava localizado onde é hoje o Parque Cruz Aguiar e o Campo de Futebol na atual Fonte do Boi.
Mas na “correria” do escrever, esquecemos de nos aprofundarmos mais na questão das águas milagrosas do Rio Vermelho e se realmente elas curavam a tal do beribéri.
Curavam! Não é que curavam por algo existente na composição da água. Apenas por que a população tomava mais sol, respirava o ar fresco de suas praias, fazia exercícios, o que não acontecia na inóspita Salvador daqueles tempos com esgotos para todos os lados e a céu aberto.


Os tempos caminharam e em 1922 foi inaugurada a ligação Barra-Ondina-Rio Vermelho pelo então governador J.J. Seabra.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

RIO VERMELHO 2 – SUAS IGREJAS

A Igreja dedicada a Nossa Senhora de Santana é o primeiro destaque do local apesar de absolutamente modesta para os padrões das igejas  de Salvador. Ela é o mais antigo monumento arquitetônico do Rio Vermelho, tendo sido construída na primeira metade do século XIX.
 
Inicialmente fora uma ermida de taipa coberta com palha. Era o ano de 1580. A sua frente era voltada para o mar onde hoje se acha a Colônia de Pescadores do Rio Vermelho.
 
Devido a sua pequena capacidade de espaço para as concorridas missas dos domingos, a Arquiodoseje resolveu construir uma maior e o local escolhido foi o espaço onde existia um forte chamado Reduto do Rio Vermelho ou Forte de São Gonçalo do Rio Vermelho




Esse forte tem uma história interessante: Conta-se que 1604 os holandeses tentaram desembarcar no Rio Vermelho. Não conseguiram seu intento. O mar sempre revolto prejudicava a aproximação de suas naus sob o comando de Paul Wan Caardem. Também havia muitos recifes que se cobriam ligeiramente apenas na maré alta.

Esse fato preocupou o Governo da Bahia que resolveu construir uma fortaleza no Rio Vermelho. Era o ano de 1711 e os primeiros trabalhos se estenderam até 1722. Mesmo decorridos 11 anos, as obras não ficaram concluídas. Numa segunda etapa de construção entre 1722 e 1756, a estrutura do forte foi concluída, mas mesmo assim, fora pouco equipado. Recebeu apenas algumas peças de artilharia. Somente em 1822, quando eclodiu a Guerra de Independência recebeu melhor aparato bélico. Temia o governo que o baluarte fosse tomado e transformado num reduto das forças patrióticas que se estabeleceram na Casa da Torre no litoral norte.

Dois registros históricos dão conta deste forte:

Do imperador D. Pedro II em 2 de novembro de 1859: "fui ao Rio Vermelho. O caminho é muito lindo, atravessando-se diversas chácaras, ainda que, pela maior parte, mal tratadas, e a praia de onde se descobre o forte de Santo Antônio da Barra, de um pitoresco majestoso. Estive perto das ruínas de um forte, achando-se ainda uma peça, aliás muito estragada, deixada no chão."

Do Relatório do Estado das Fortalezas da Bahia" ao Presidente da Provincia, datado de 3 de agosto de 1863, dá-o como nunca tendo sido concluído, citando:

No lugar da costa assim denominado, distante duas mil braças da Fortaleza de Santo Antônio da Barra, existem sete lances de muralhas com o desenvolvimento de seiscentos e doze palmos, ligados e formando entre si cinco [ângulos] salientes e um reentrante, de alvenaria forte e bem conservada, que pareciam destinadas a formar um Reduto naquele ponto, cuja construção julgo ter sido sustada de modo que apresenta o perímetro incompleto para o lado do mar.
À exceção das referidas muralhas que podem ser aproveitadas, tudo o mais há por fazer


Pois bem, foi no espaço deixado pelo forte em ruínas que em 1967 veio a se construir a nova igreja do Rio Vermelho dedicada a Nossa Senhora de Santana.
 
Esperava-se que se construísse uma bela e extraordinária igreja do tamanho da fé de seus devotos, no entanto, quando ela ficou pronta, poucos foram os que a admiraram pelos seus aspectos arquitetônicos, muito pelo contrário, a maioria achou que poderia (deveria) ser muito, mas muito melhor.
 
O espaço era privilegiado, em frente ao mar e tendo na sua lateral direita a belíssima Praia da Paciência, a Casa do Peso dos pescadores do Rio Vermelho, Iemanjá, tudo enfim.







Vamos olhar inicialmente para a lateral da igreja. É o que se pode chamar de “lateral privilegiada”.E não se aproveitou esse detalhe. Fez-se um caixão. A Igreja tinha que ter sua frente voltada para esse lado.

E o que dizer da torre? Pelo menos se fosse decorada com pastilhas azuis iguais a da frente da igreja, poderia ficar melhor, apenas melhor, desde que, no geral é uma torre muito feia। Deve ter faltado inspiração. Pelo menos que se fizesse uma pesquisa de velhas torres pelo mundo afora e talvez saísse uma coisa melhor. Mas, se não fizeram, façamos nós:





Já que estamos falando dessa torre, não poderíamos deixar de nos referir ao sino da mesma. Não é que a igreja foi multada pela Prefeitura pelos decibéis do seu som?! É um caso insólito, isto é, incrível, desusado, desacostumado, segundo os dicionários. Não se tem notícia de algo parecido pelo mundo.
O fato gerou notas de protestos publicadas nos jornais da cidade, entre as quais pinçamos as que segue:
"A polêmica causada pela interdição do sino da Igreja de Santana, no mês passado, extrapolou os limites do bairro e foi parar na grande imprensa, mesmo depois da medida revogada pela Prefeitura. O fato demonstra a divergência das entidades com a postura do dirigente de uma delas,. Segue abaixo carta encaminhada aos moradores explicando o ocorrido e nota de desagravo a Dona Arilda, arquiteta responsável pela manutenção do Centro Social Amilcar Marques, que funciona na Igrejinha , publicada no Jornal A Tarde de ontem(19).


“Aos moradores e amigos do Rio Vermelho


Recentemente saiu uma matéria no jornal A Tarde sobre o problema do sino da igreja do Rio Vermelho, onde o Hotel Catarina Paraguaçu através de seus proprietários procuraram a IGREJA solicitando a diminuição do som, mais não foi atendida depois de duas correspondências. Buscando solução a mesma solicitou a SUCOM uma perícia para medir a potencia que chegava ao Hotel.Quando a perícia constatou o volume acima, foi até a igreja e limitou o volume ao nível permitido e para surpresa dos proprietários a SUCOM autuou a instituição, fato que não permite a legislação.Nós que conhecemos o trabalho que essa senhora vem desenvolvendo no bairro em busca de soluções para toda comunidade, e sendo uma pessoa reconhecida na sua atividade de Arquiteta e como empresaria dona do Hotel Catarina Paraguaçu e a Academia Vila Forma, tendo também em consignação a antiga Igreja de Santana onde através do Centro Social Monsenhor Amílcar Marques,desenvolve trabalho social e mantém as instalações com recursos próprios, ficamos indignados com o ataque que sofreu por parte do Sr Ubaldo Marques Porto Filho.
A Nota de Desagravo foi publicada pelo Jornal A Tarde , no domingo dia 19 . Veja abaixo o teor.


RICARDO BARRETTO
Presidente AMARV
LAURO ALVES DA MATTA
Vice Presidente
MANOEL SOBRINHO
Diretor

Nota de Desagravo
A AMARV – Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho, a Colônia de Pesca Z1, o Conselho de Segurança do Rio Vermelho, além de ex-presidentes da AMARV e empresários do bairro, fundamentados na publicação no ESPAÇO DO LEITOR, desse Jornal, edição do dia 18 de novembro passado, titulada Igreja do Rio Vermelho, o grupo acima identificado, reunido no dia 01/12, decidiu hipotecar sua solidariedade a mencionada proprietária do Hotel Catharina Paraguaçu.

Repudiamos a pretensão do Sr. Ubaldo Marques Porto Filho, na tentativa de levianamente atingir a referida e conceituada senhora, atribuindo-lhe o TRAFICO ATIVO DE INFLUENCIA junto a SUCOM, aproveitando-se de uma reportagem da ATARDE do dia 13/11, para seus ataques pessoais e contumazes.

Tal comportamento tem gerado um ambiente hostil no bairro, com atitudes deselegantes, ausência de cavalheirismo, sobriedade, equilíbrio e sensatez, qualidades que dignificam o homem ao longo da sua jornada, para que seja respeitado pela sociedade e reverenciado com alegria pelos amigos que conquistou. Uma personalidade assim semeia desafetos, adversários e desagrada sua própria história, já tão marcada pela discórdia. Lamentamos!

Haja, dizemos nós.

Amenizemos a coisa com a belíssima imagem de Nossa Senhora Sant’Ana, mãe de Maria:


 

Sant'Ana, cujo nome em hebraico significa graça, pertencia à família do sacerdote Aarão e seu marido, São Joaquim, pertencia à família real de Davi.
Seu marido, São Joaquim, homem pio fora censurado pelo sacerdote Rúben por não ter filhos. Mas Sant’Ana já era idosa e estéril. Confiando no poder divino, São Joaquim retirou-se ao deserto para rezar e fazer penitência. Ali um anjo do Senhor lhe apareceu, dizendo que Deus havia ouvido suas preces. Tendo voltado ao lar, algum tempo depois Sant’Ana ficou grávida. A paciência e a resignação com que sofriam a esterilidade levaram-lhes ao prêmio de ter por filha aquela que havia de ser a Mãe de Jesus.”

sábado, 6 de agosto de 2011

RIO VERMELH0 – CRESCIMENTO DE SALVADOR PELO LITORAL

Não resta a menor dúvida que Salvador teve começo na Barra onde em 1536 desembarcou Francisco Pereira Coutinho, nomeado donatário dessas terras pelo rei D. João III, com vistas ao povoamento do local, posse efetiva, segurança contra invasores, desenvolvimento enfim.

Já a esse tempo andava pelo local Diogo Álvares Correia, o Caramuru, que em 1510 naufragou nas costas do Rio Vermelho e foi acolhido pelos índios Tupinambás por obra e graça divinas, desde que os demais companheiros de viagem teriam sido devorados pelos silvícolas Essa história é contada séculos depois (1781) em versos camonianos pelo padre agostiniano José de Santa Rita Durão . Daí para frente virou “verdade histórica” e tem-se a impressão ao longo dos anos que tudo é realmente verdadeiro. Não é!



Contudo, na realidade não passa de uma epopéia medíocre, conforme o escritor Sergius Gonzaga que escreveu o que segue:

“Uma Epopéia Medíocre
Caramuru é o elogio do trabalho de colonização e de catequese do europeu, especialmente da ação civilizadora do português. Mesmo não sendo padre, Diogo Álvares está interessado em conduzir o índio ao caminho do cristianismo. Este é o seu principal objetivo. Inexiste em Santa Rita Durão aquela fascinante ambigüidade com que Basílio da Gama trata o relacionamento entre brancos e nativos. Seu poema, além de monótono, é banal.

Trata-se de uma epopéia anacrônica, escrita por alguém que, vivendo longe do Brasil desde a infância, armazena toda a bibliografia existente a respeito de sua terra. Ele quer conferir ao Caramuru uma atmosfera fidedigna e objetiva, o que infelizmente não consegue.

E mesmo que os seus índios sejam retratados de forma um pouco mais realista que os de Basílio da Gama, há ainda na sua visão um pesado tributo aos preconceitos da época. A descrição da "doce Paraguaçu", por exemplo, contraria todo o princípio da realidade fisionômica e da cor dos indígenas. Ela é sem dúvida uma moça branca:

Paraguaçu gentil (tal nome teve),
Bem diversa de gente tão nojosa,
De cor tão alva como a branca neve,
E donde não é neve, era de rosa;
O nariz natural, boca mui breve,
Olhos de bela luz, testa espaçosa.”

Tudo isto veio à tona para desmistificar outra “verdade histórica” de que Salvador teria tido começo no Rio Vermelho onde já havia um aglomerado humano, um povoado, sintetizando, através do qual a cidade se desenvolveu, inclusive a Vila Pereira. Tudo porque Diogo Álvares Correia teria chegado primeiro do que Pereira Coutinho.


Dentro desse raciocínio, haveria de se creditar o feito a Gaspar de Lemos, por exemplo, que aqui esteve entre 1501/1502 juntamente com Américo Vespucio; de Gonçalo Coelho entre 1503/1504; do francês Binot Paulmier de Gonneville em 1505 negociando pau-brasil com os indígenas; pelo consórcio formado por Fernando de Noronha, Bartolomeu Marchionni, Benedito Moreli e Francisco Martins em 1511, também em missão comercial; de Fernão de Magalhães em 1514 numa viagem de circum-navegação a serviço da Coroa Espanhola; de Cristovão Jaques entre 1526/1528 quando surpreendeu os franceses carregando pau-brasil.

Todos eles desembarcaram na Praia do Porto, antes Porto da Vila Velha.

Decididamente, Rio Vermelho é o segundo povoado de Salvador e o crescimento da cidade via litoral se deu através dele.

Nota: Sobre Vila Pereira ou Povoação do Pereira e ainda Vila Velha, sugerimos acessarem a postagem desse blog datada de 30 de abril de 2010, titulada BARRA-PRAIA DO PORTO.

Como que dirimidas as dúvidas, o Rio Vermelho tem esse nome em razão de que antes de ser poluido, as suas águas eram avermelhadas, graças ao tipo de arenoso que formava grande parte do seu percurso. 

Rigorosamente, contudo, o Rio Vermelho é o Rio Lucaia, um dos braços do Rio Camurugipe que nasce no bairro Boa Vista de São Caetano.


Há uma versão de que o nome Rio Vermelho é devido a um tipo de flor que dava em suas margens, chamada “cambará”. Sua coloração vai do amarelo até o vermelho. Esse se destaca mais.

Também conhecido como: Cambará-miúdo; Cambará-de-cheiro; Cambarazinho; Cambará-verdadeiro; Camarazinho, Camará de cheiro, Camará verdadeiro e por ai vai.
 
Logo, portanto, estão certos os nomes camará e cambará.

A flor de Camará - Lindona!