domingo, 30 de outubro de 2011

O VELHO CASARÃO DA PONTA DO HUMAITÁ

Em 26 e 28 de outubro de 2009, tivemos ocasião de nos referir à Ponta do Humaitá, esse extraordinário local de Salvador, localizado na Península de Itapagipe, mais precisamente no Bairro de Monte Serrat. Além da sua igrejinha onde abriga Nossa Senhora de Monte Serrat, tratamos especialmente de uma residência próxima dela que é uma das mais antigas de nossa capital, ainda em bom estado de conservação. Ela foi construída em 1619.




Dizíamos naquela oportunidade que, nessa residência teria morado o Padre Antônio Vieira. Somente morado, desde que o grande sacerdote de nacionalidade portuguesa, só chegou ao Brasil em 1614, ainda menino. Logo, ele não patrocinou a construção do imóvel como às vezes é citado. Residia no centro de Salvador com seus pais. Presume-se que a construção tenha sido realizada por quem herdou esse pedaço de terra do Conde Garcia D’Avila ou o próprio, ele que era proprietário de todo esse espaço e tantos outros. O difícil é saber qual dos Dias d’Ávila foi realmente o responsável pelo feito. O primeiro deles chamava-se Garcia de Souza d’Ávila e era filho de Thomé de Souza. Faleceu em 1609, dez anos antes do ano que a placa aponta (1619). Não pode ter sido ele. Em seguida vieram: Francisco Dias d’Ávila, Garcia d’Ávila II, Cel. Francisco Dias d’Ávila, Francisco Dias d’Ávila Pereira e Cel. Garcia d’Ávila Pereira III. Esse último nasceu em 1680 e faleceu em 1734. Está fora de cogitação. Deve ter sido o penúltimo deles, o Francisco Dias d’Ávila Pereira.


Completávamos, ela foi construída na parte mais bem protegida da ponta. Originalmente, tinha quatro lados avarandados a fim de aproveitar a amplitude do local. Hoje possui apenas três lados, desde que a parte anterior ao mar foi terrivelmente sacrificada.

Como isto aconteceu? Naquela oportunidade dos blogs de 2009, juntamos as duas fotos seguintes:.

Em lugar da varanda com as seis colunas, construíram um paredão divisório na casa ao lado. A seta indica-o.


Já na foto acima, vê-se uma coluna embutida na parede. Mais cinco dessas colunas faziam parte desse lado onde se encontra hoje a referida parede. Foram todas demolidas. A casa que tinha quatro lados avarandados hoje só possui três.  


Não temos a menor dúvida desse detalhe. E para comprovar o que se está dizendo, eis que nos chega às mãos uma pintura do artista baiano Diógenes Rebouças, justamente desse pedaço da Bahia.

Mostra a igreja em destaque e ao seu lado esquerdo o casarão de 1619, ainda livre das casas ao lado, principalmente aquela que lhe é junto. Vê-se, apenas, após o casarão, uma construção de dois andares relativamente bem afastada.

A verdade tarda, mas não falha.



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A GRANDE PONTE

SALVADOR – ITAPARICA - SALVADOR


Tivemos acesso via internet ao projeto da ponte Salvador-Itaparica-Salvador. No momento a chamaremos assim, desde que ainda não se sabe como o povo vai chamá-la costumeiramente, se “Ponte Salvador Itaparica” ou “Ponte Itaparica-Salvador”. Questão de sonorização. Fizemos um teste conosco próprio e a segunda opção – Itaparica-Salvador soou melhor aos nossos ouvidos.

Não se pode descartar a possibilidade dela ser chamada também e apenas “A PONTE” ou a “PONTE DA ILHA”;  já a denominação  “PONTE DE SALVADOR”, continua soando mal. Não sabemos por que. Talvez porque traga mais benefícios a Itaparica do que a própria Salvador. No entanto, as opiniões se divergem e muito.

João Ubaldo Ribeiro, o grande escritor baiano, disse que Itaparica vai se transformar num “subúrbio” de Salvador. Segundo o romancista, se a obra for levada adiante, sua terra natal correrá o risco de ser "favelizada":

O impacto ambiental é brutal (...) Isso ia transformar Itaparica num subúrbio, ia acabar com a Ilha, esgotar a fonte de dinheiro turístico, porque ela não ia valer mais nada como atração turística. E agora ela pode ser trabalhada”.

Um dos escritores solidários a Ubaldo, o amazonense Milton Hatoum (autor de "Dois Irmãos" e "Cinzas do Norte") critica:- Mais um crime contra uma das belas cidades brasileiras. A voracidade desses empreiteiros não tem limite. Hatoum lembra também a construção da ponte sobre o rio Negro, de Manaus a Iranduba, orçada inicialmente em R$ 574 milhões, com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).- Enquanto isso, Manaus cresce que nem um favelão, e nisso não é diferente de Salvador - completa o romancista.

Nas anotações de "turista aprendiz", a bordo do navio Manaus, o escritor Mario de Andrade descreveu perplexidades ao avistar a encosta de Salvador, em dezembro de 1928: "Da vista de S. Salvador que a gente enxerga de bordo tem um pedaço bem no centro em que as casas se amontoam num estardalhaço de janelas, andares, telhados, parece mentira... não é mentira não, é estardalhaço". Se um viajante refizesse a trajetória do polígrafo Mario de Andrade, e na Baía de Todos-os-Santos existisse uma hipotética ponte de 13 km, entre a primeira capital do Brasil e a Ilha de Itaparica, o "estardalhaço" do casario certamente seria substituído pela visão de uma serpente de concreto".

Cravo Albin, um dos maiores conhecedores da história da Música Popular Brasileira, deixou uma mensagem no momento em que apoiou o romancista:

- A indignação de Ubaldo não é só legítima e necessária. Vai além, muito além. É um grito - talvez uma prece até canônica - contra o farisaísmo dessa canalha que usurpa todo um País em nome - meu Deus! - do progresso. Eu nunca me acostumei a aceitar tamanha impostura e vilania. Empreendi, recordo agora, uma campanha para salvar a cidade colonial de Penedo, terra de minha mãe, de uma ponte medonha que ligaria Alagoas a Sergipe. E tive que lutar inclusive contra meus parentes. Itaparica: ainda não é. Adeus

Abaixo-assinado sobre a construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica

"Adeus, Itaparica do meu coração, adeus, raízes que restarão somente num muro despencado ou outro, no gorgeio aflito de um sabiá sobrevivente, no adro de uma igrejinha venerável por milagre preservada"

(João Ubaldo Ribeiro)

Os abaixo-assinados, cidadãos brasileiros, encontraram no emocionante e esclarecedor artigo "Adeus, Itaparica" (Jornal A Tarde, 22/01/2010), de autoria do escritor João Ubaldo Ribeiro, argumentos consistentes e equilibrados para inaugurar um debate amplo sobre o anteprojeto de construção da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica, anunciado pelo governo do Estado da Bahia. O itaparicano João Ubaldo, cujos romances puseram a Ilha na geografia literária brasileira e universal, é uma voz qualificada para questionar elementos sombrios e outros mais claros do empreendimento, previsto como bilionário para os cofres públicos e incerto para o destino ecológico e econômico da maior ilha marítima do Brasil. O autor de "Viva o povo brasileiro" não está sozinho em seus questionamentos e nos incorporamos a eles nos seguintes pontos:

1. É dever do governo do Estado da Bahia abrir um abrangente debate público sobre o projeto da Ponte Salvador-Itaparica, cujo edital de parâmetros para a construção foi anunciado pelo secretário de Planejamento, Walter Pinheiro. Entendemos que uma obra dessa dimensão deve ser discutida previamente com o povo baiano em audiências públicas (sobretudo nos municípios de Salvador, Itaparica e Vera Cruz), e não imposta por decisão unilateral do Estado.

2. Lamentamos o anúncio do anteprojeto de uma ponte de 13km sem a realização prévia de um estudo aprofundado de impacto ambiental, histórico e econômico. Representantes da administração estadual alegam vantagens de naturezas diversas, numa polifonia oficial ruidosa e nebulosa quanto às metas do governo. Será a ponte a via tecnicamente mais adequada para melhorar a logística da economia estadual e ao mesmo tempo revigorar a Ilha sem prejudicar suas características?

3. O precário serviço terceirizado de transporte marítimo (ferry-boat) Salvador-Itaparica não é um argumento sólido para justificar a construção de uma ponte faraônica e abracadabrante. Os cidadãos têm direito a um serviço público razoável e eficiente. Cabe ao governo oferecê-lo, como oferecem vários governos ao redor do mundo.

4. Não é clara a prioridade do projeto para o desenvolvimento econômico da Bahia, nem mesmo para o turismo regional. Na capital baiana, há prioridades infra-estruturais gigantescas ainda não atendidas pelo Estado (municipal, estadual e federal), a exemplo da construção do Metrô de Salvador, cujas obras se arrastam, penosamente, há uma década, sem perspectiva de conclusão. Há ainda dezenas de intervenções mais prioritárias, a exemplo da urbanização de áreas periféricas e recuperação de vias de acesso à capital baiana, além de investimentos básicos na própria Ilha e na preservação da Baía.

5. João Ubaldo é irrespondível quando lembra o risco de a intervenção estatal estimular o turismo predatório na Ilha de Itaparica e no entorno da Baía de Todos-os-Santos, com megaempreendimentos agressivos ao meio ambiente e descaracterizadores da singularidade histórica da Bahia. Como enfatiza o escritor, os argumentos governamentais e empresariais apresentados até esse momento prenunciam um "atraso que transmutará Itaparica num ponto de autopista, entre resorts, campos de golfe e condomínios de veranistas, uma patética Miami de pobre. E que, em lugar de valorizar o nosso turismo, padroniza-o e esteriliza-o, matando ao mesmo tempo, por economicamente inviável, toda a riqueza de nossa cultura e nossa História".

6. Anteprojetos e desenhos da estrutura da Ponte Salvador-Itaparica, divulgados pela mídia baiana, apontam para uma agressão à paisagem da Baía de Todos-os-Santos, um patrimônio ambiental inalienável do povo baiano, talvez o último a salvo da sanha empresarial que avança sobre o meio ambiente de Salvador e do Estado. Em sua visita à Bahia, em 1949, o escritor Albert Camus anotou em seu diário de viagem: "Prefiro essa baía à do Rio, muito espetacular para o meu gosto. Esta, pelo menos, tem uma medida e uma poesia". A ponte atingirá a medida e a poesia evocada por Camus, já incorporadas à alma dos baianos e dos turistas; sobre as águas calmas e azuladas de Yemanjá vai se erguer um monumento ao empreendedorismo desalmado?

7. Desejamos uma resposta formal do governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner, ao artigo do romancista João Ubaldo Ribeiro e aos baianos. Seria um gesto de delicadeza e compromisso com os princípios democráticos fundadores do seu programa de governo.

As opiniões contrárias também são muito fortes. Vejamos algumas delas:

É muito facil para o senhor Joao Ubaldo Ribeiro ficar do seu apartamento no Leblon (metro quadrado mais caro do Brasil) durante 350 dias no ano criticar a construção da ponte que segundo o proprio, ira acabar com a tranquilidade na ilha onde ele passa no maximo 15 dias para descansar. Temos que pensar na população que realmente aqui reside, que ira desfrutar de medicos de qualidade na capital, lazer, esporte, educação, temos que pensar na alavancagem que sera dada em todo reconcavo baiano. Mas tenho que confessar que nao me surpreendo com as criticas do sr Joao Ubaldo que assim como o senhor Diogo Mainardi critica TUDO que tem origem no PT.” Jose Ailton

Com todo respeito aos intelectuais, só que ele não vivem na Ilha de Itaparica, não conheçe a realidade das pessoas nativas, não conhece a péssima infra estrutura urbanística da Ilha. Talvez apesar de suas intelectualidades, não tem a visão de perceber que além da Itaparica e Vera Cruz, todas as outras cidades, a exemplo de Salinas, Maragogipe, Nazaré, Muniz Ferreira, e nossa Santo Antonio de Jesus, que deverá ter o principal papel nesta ligação das BRs 242 à 101 para escoamento da produção do estado com destino ao porto de Salvador. Os intelectuais deveriam pensar no progresso, nos empregos e na melhoria de renda da população, o que é bem melhor que os atuais, porque eles não criticaram outros governos que nada fizeram pela Ilha ???

Terra Magazine;” Eu também nasci em Itaparica, numa localidade chamada de Jeribatuba, que corresponde ao antigo distrito de Santo Amaro do Catu. Tive que me mudar para Barra do Gil porque trabalho em Salvador. Quase todos os dias, vou para Salvador de Ferry, ou nas precárias embarcações que partem de Mar Grande. Vocês sabem o que é isso?

Quem vive na ilha sobrevive e reza para não ter que ir a Salvador em uma emergência. O isolamento só traz problemas para quem vive aqui.

Ninguém faz nada pela Ilha e nem por nós. Todos nos fazem, de tempos em tempos, um rosário de promessas. Passada a eleição, nada de novo. Continuamos sem escolas e nem hospitais decentes. Nossas ruas sequer são cadastradas para que seja feita alguma melhoria.

Tenho acompanhado toda essa discussão sobre a construção da ponte com grande tristeza.

Vejo ambos os lados nos tratando como um bando de ineptos, ou ainda como se fôssemos um estorvo, ou mesmo intrusos em nossa própria casa.

De um lado aqueles que querem a Ilha parada no tempo, à margem do progresso, como se a gente estivesse fora do mundo e da realidade, só para ter um lugar tranqüilo para veranear.

Do outro lado, empreiteiros e outros velhacos que querem expulsar a gente daqui e fazer da Ilha um "resort" ou condomínio fechado. Em ambos os lados, eu vejo o mesmo desprezo, o mesmo egoísmo e a mesma arrogância, ainda que lastreada em razões diferentes”. Cláudio Leal

Um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto da bilionária ponte Salvador-Itaparica, o secretário de Infraestrutura do governo da Bahia, João Leão (PP), divide a Arena: "Os escritores estão de um lado e o povo está de outro".
Defensor leonino do projeto, João Leão opõe o desejo do povo de Itaparica à opinião dos intelectuais brasileiros.
- ...Nós fizemos uma pesquisa, na própria Ilha de Itaparica, e 95% da população aprova a ponte - sustenta o secretário, para completar: - Rapaz, se a população não tem concepção de urbanismo, só quem tem são os escritores?

Agora, a nossa opinião. É evidente que a ponte trará sérias e várias modificações à Ilha de Itaparica. Primeiro não terá mais o isolamento geográfico que o mar lhe proporciona. Por exemplo, se efetivamente a ponte for construída, qualquer pessoa que decida tomar um banho de mar na ilha será muito fácil. É só pegar o carro e em 15 minutos estará se banhando numa das suas belas praias. Outro, um casal, por exemplo, resolve jantar no outro lado de Salvador. Sem maiores luxos, ele de bermuda; ela com um simples vestido, pegam o carro e, igualmente, em pouquíssimo tempo, estarão jantando em Barra do Gil.

O inverso também é verdadeiro. Um morador da ilha lembra-se das águas tranqüilas do Ponto da Barra, quando ele morava em Salvador.Vou até lá, diz ele - e é agora. Em menos de meia hora estará na Barra. Vai perder mais tempo dentro de Salvador do que aquele para atravessar a ponte.

Vamos mudar o cenário drasticamente. Um morador da ilha passa mal. Seus parentes de imediato o conduzem através da ponte a um hospital de confiança em Salvador. E uma vida foi salva pela ponte. (è bom pensar muito nisto).É muito forte!

Outra cena. A juventude da ilha pode freqüentar as boas escolas da capital por causa da rapidez que uma ponte proporciona na sua deslocação. No atual ferry-boat os jovens chegam cansados. Tiveram que acordar muito cedo. O macete da viagem, essas coisas. Também é preciso pensar nisto.

Municípios próximos da ilha, Nazaré, Santo Antônio de Jesus e toda a sua micro-região, terão sua produção escoada mais rapidamente para Salvador e esta também se beneficiará pela diminuição dos custos operacionais de transporte. A inflação vai cair e o emprego vai aumentar da parte de lá. É preciso pensar nisto.
A não ser que, quando a ponte estiver funcionando, venha qualquer politicozinho elaborar uma lei, proibindo a circulação de caminhões na ponte. Segundo ele, somente carros de luxo, o dele principalmente, poderá circular por ela. Isto é muito comum na Bahia.

Claro que os “amigos de Itaparica” terão que tomar cuidado com o patrimônio artístico- cultural de suas localidades. Tombá-los, todos. De acordo com a lei, além, por exemplo, do imóvel tombado, tudo que o cerca também estará tombado e nada poderá ser construído numa área em torno de 300 metros. Isso tem que ser feito. Não bobeei. As “feras” estão ai de olho nos melhores espaços da ilha. E o tombamento tem que ser feito muito direito, porque senão “eles” quebram as barreiras da justiça e constroem um espigão junto de uma igreja tombada. Foi o que aconteceu aqui em Salvador, com a construção de um prédio de 35 andaras ao fundo da Igreja da Vitória, distante apenas 50 a 70 metros do novo e belo edifício.

Imaginem se algo parecido ocorrer em Itaparica. Um espigão junto ao seu belo forte? Vai ficar difícil.

Por último, não podemos deixar de estranhar duas coisas, aliás, estranhamento que não é somente nosso. É de muita gente. É de órgãos de imprensa e pessoas ilustres e bem informadas:

1º - O preço dessa ponte - 7 bilhões de reais. Na China, fizeram não faz muito tempo, uma ponte ligando Xangai à cidade portuária de Ningbo. Levou cinco anos para ser construída e custou o equivalente a R$3 bilhões. Em baixo, à sua foto. Vê-se apenas o seu principio, extraordinariamente belo; seu fim se perde no horizonte.

2º - Pode ser que os tempos estejam mudados, mas não é comum um governo programar o inicio da construção dessa obra, após esse governo (2014). Muito provavelmente um novo governador, principalmente se for da oposição, quererá rever o projeto. É o mínimo que o bom senso indica. Veta-o e se faz nova "licitação". Mais três ou quatros anos. Nunca será construída. É até melhor do que iniciá-la e ficar parada no meio do mar e não se engane com o mar. Ele corroe muito. Se o metrô tivesse um mar por perto e já teria se acabado. Talvez fosse até melhor do que se tornar como um símbolo da incopetência de nossos governantes. Enquanto isto, São Paulo nesses 12 anos de paralização das obras, já construiu três ou quatros vezes mais metrô que o nosso "brotinho".











terça-feira, 25 de outubro de 2011

RIO CAMARAJIPE

O Rio CamaruJipe é o principal rio de Salvador. Tem 14 quilômetros de extensão. Nasce na Boa Vista de São de Caetano e desemboca na Praia do Costa Azul. Praticamente corta a cidade de ponta a ponta. Deve ter sido um rio maravilhoso antes da ocupação habitacional da cidade. Percebe-se isto ao final dele, quando se alarga como deveria ter sido quase todo o seu percurso.

Abaixo, todo o trajeto do Rio Camarajipe. Quando se aproxima da sua embocadura, forma um afluente, o Rio Lucaia, que desemboca no Rio Vermelho.

Infelizmente, o “grande rio” para uma cidade como Salvador, está completamente poluído. A maioria das construções feita em torno, canalizou seus dejetos para ele. É a antiga mentalidade que ainda perdura nos tempos atuais. Fica fácil! É mais barato! Coisas dessa natureza.

Essa turma devia pagar por isto. O crime já prescreveu, dirão os advogados. Ledo engano. O crime está sendo constatado agora mesmo, quando já se tem uma melhor consciência dos fatos. Seria viável a cobrança de uma taxa extra por residência ou fábrica que tenha ou esteja poluindo o rio no seu trajeto. O dinheiro arrecadado seria aplicado na sua recuperação. Dizem os técnicos que ainda está em tempo.





Há uma tendência quase geral, inclusive nós, de chamar esse rio de CAMARUGIPE. Em verdade, contudo, seu nome verdadeiro é CAMARAJIPE, nome associado à existência em suas margens de uma planta chamada Camará - Lantana Camará, Lantana aculeata ou ainda Lantana Brasilensis, arbusto de folhs aromáticas e frutos vermelhos, abundantes nas imediações desse rio.
 
Aprofundando o estudo sobre esse rio, podemos dizer que suas nascentes encontram-se pr´xoimas à Pirajá, nos bairros de Marechal Rondon, Boa Vista de São caetano, Calabetão e Mata Escura. Seu leito sinuoso passa nas imediações dos bairros de Pero Vaz, IAPI, Caia D'Água, Pau Miudo e Saramandaia.

A título de curiosidade e maior conheciento desse rio, o Rio das Tripas, é um dos principais afluentes do Rio Camarajipe. Nasce na Barroquinha e atualmente segue seu curso em galerias subterrâneas, recebendo a partir dessa área contribuições da Ladeira do Funil, Largo das 7 Portas, Av. Barros Reis, Cidade Nova, Matatu, Vila Laura e adjacências, até encontrar o Rio Camarajipe na altura da Rótula do Abacaxi.

O nome do Rio das Tripas deve-se ao fato de sua nascente ficar próxima ao primeiro matadouro da cidade que lançava no cjurso d'água seus restos.
Ouro afluente do Canarajupe é o Rio Campinas, também chamado Bonocô. Hoje, encontra-se todo canalizado.
 
 
 

 

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

COSTA AZUL

É de se pensar que o nome da localidade de praia denominada Costa Azul adveio da beleza incontestável dessa parte de nosso litoral. Uma costa azul, de um mar azul, essas elogiosas referências.

Em verdade, contudo, o nome adveio da construção de um clube na beira do Rio Camurujipe que ali se curva antes de desembocar no mar.



Certamente que a construção desse clube foi precedida pela melhor das boas intenções, no entanto os seus responsáveis não atentaram pelas péssimas condições das águas do rio que ali corre, bem próximo, exalando um cheiro insuportável. E os sócios foram se afastando e o clube teve que fechar. Foi abandonado e em seguida saqueado pela população pobre das proximidades. Levaram até as janelas. Restou uma estrutura carcomida que marcou durante muito tempo o local.

Diz-se que a consolidação do nome Costa Azul deu-se no ano de 1974 quando um condomínio nas proximidades, de nome Pedra de Allhá I, (com dois L) resolveu adotar o nome de Condomínio Costa Azul.

Há quem afirme que, anteriormente, a praia em frente era denominada de Chega Nego por que ali desembarcavam os escravos que vinham da África e os mesmos ficavam alojados numa senzala próxima, onde hoje funciona o Restaurante Yemanjá.

Em verdade, contudo, a Praia do Chega Nego é a atual Praia de Armação que tem esse nome por que ali se “armavam” as redes para serem puxadas a partir da praia. Para tanto, eram necessários mais de 100 homens, 40 deles no mar e o restante em terra. Geralmente as redes possuíam mais de 1000 metros.













Costa Azul - Visto do alto

A seguir apresentamos a sequência de um grande plágio, desde o de origem baiana no Parque Costa Azul até os das Olimpíadas do Rio de Janeiro. A obra do francês Henri Matisse, marca da entidade filantrópica norte-americana Telluride Foundation, foi desfarçada com algumas modificações que não convenceram a ninguém.

No caso das Olimpiadas do Rio, o Brasil tem tanta coisa que as pessoas poderiam se inspirar e foram logo escolher uma obra tão conhecida. É de se lamentar. Mas, ainda está em tempo de anular o concurso de escolha e abrir um outro para o bem da legalidade das coisas. (Parece que já foi anulado- inserção feita posteriormente)



Pelo que se nota acima, o símbolo das Olimpiadas do Rio mais parece um plágio do "plágio" do Carnaval baiano. Tabelou de um lado para outro.















quinta-feira, 15 de setembro de 2011

BARRACAS DE PRAIA DE SALVADOR


A cidade ganhou recentemente mais duas praças, uma na Pituba denominada Wilson Lins e  outra em Ondina, com denominação desconhecida।


A praça da Pituba ficou muito a desejar. Essa é a opinião de muitos. Um espaço enorme onde poderia ter sido feito muita coisa e a sensação que se tem é de um enorme vazio, algo como que oco. Até mesmo o estacionamento é precário!


Falaram tanto num oceanário e a peça não saiu. Seria uma grande atração. No Brasil só existem três, um deles na Aracaju vizinha que vem atraindo turistas, principalmente baianos.
 
Aliás, diga-se de passagem, o baiano quando quer curtir uma orla de verdade, pega a Linha Verde e vai almoçar em Aracaju num dos seus bons e baratos restaurantes, inclusive naqueles estabelecidos na própria praia. Uma muqueca de camarão sai por R$25.00. Aqui é R$80.00.
 
È um programa bem melhor que ir até a Pituba, por exemplo. Não tem nada! Só a baiana de acarajé. Antigamente, existiam as barracas de praia, onde se tomava uma cerveja e se comia um tira-gosto legal. Batia-se um papo livre de um sol causticante, apreciando as belezas.

-Então, o senhor é a favor das barracas de praia que foram demolidas?
 
-Vamos por parte.
 
Em verdade, deixaram a coisa correr “a la vonté”. Surgiram centenas e mais centenas de barracas de todos os tipos e tamanhos. Por sua vez, os órgãos fiscalizadores não ordenaram seu funcionamento; não estabeleceram normas de instalação, principalmente aquelas ligadas à higiene e ocupação da faixa de praia. A barraca que já ocupava grande parte da praia, estendia essa posse até proximidades do mar com mesas, cadeiras e sombreiros das empresas de bebida.
 
A impressão que se tinha é que essas empresas pagavam aos barraqueiros por essa formidável propaganda – milhares de peças com o nome dos produtos - nas cadeiras, nas mesas, nos sombreiros
.
 E se não bastasse, ainda exigiam a exclusividade de consumo.
 
Fosse ao contrário, certamente que as barracas seriam bem estruturadas que nem as de Aracaju, ao ponto de serem enaltecidas na maioria dos sites de turismo daquele estado, inclusive os de órgãos do governo.
 
Enquanto isto as barracas daqui são demolidas à bem do interesse. público. Sim! O Ministério Público mandou demolir as barracas porque elas estavam "enfeiando" as nossas praias, prejudicando a população, poluindo o ambiente.
 
É um posicionamento contrário ao que se vê em Aracaju e muitas partes do mundo.
 
Vejamos, por exemplo, um anúncio publicado na internet de uma barraca em Fortateza:
 
“Descubra a América do Sol. A barraca que é o verdadeiro paraíso da sua família.

Fortaleza é conhecida no mundo inteiro por seu clima agradável, belas praias e sol o ano inteiro.
E como não podia faltar, aquela cerveja super gelada. Sem falar que na Barraca América do Sol você desfruta de toda a comodidade de wi-fi, duchas deliciosas, seguranças, guarda vidas e acessibilidade para os portadores de necessidade especiais. E como se não bastasse tudo isso, ela ainda oferece o melhor atendimento da praia.”


 
Enquanto as barracas são retiradas de nossa orla, os ambulantes infestam as praias com seus horrorosos isopores e sombreiros re-aproveitados, o que tornou a situação muito pior, um verdadeiro caos.
 
Mas caótica mesmo ficou a situação dos antigos proprietários de barracas e, por extensão, todas as pessoas que trabalhavam nesse setor. De um dia para a noite, milhares de famílias ficaram em dificuldades financeiras.

É estranho que não tenha se atentado para isto, criando alternativas, como por exemplo: nas duas praças recentemente inauguradas se fazia necessário um centro gastronômico, algo como pequenos bares como se vê em muitas cidades do mundo. Em meio a isto, um centro de artesanato. Que tal uma imitação de uma vila. Há tantas idéias. Pelo menos acabaria com o “vazio” e “a coisa ôca” que a praça da Pituba transfere às pessoas.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

PITUBA – CLUBE PORTUGUÊS

Entre os clubes que aproveitaram a concessão da Prefeitura de Salvador para construir sua sede do lado do mar, destacou-se o Clube Português da Bahia. Foi quem obteve o espaço mais privilegiado, ou seja, nada mais, nada menos, que o pedaço da Praia da Pituba onde a natureza se manifesta com maior beleza. Vejam só


Nas marés vazias, formam-se dezenas de bacias entre rochas umedecidas e até limosas. Acima, começo da vazante.

Era de se esperar que na construção da sua sede, fosse aproveitado este bem natural como mais um atrativo ou, melhor dizendo, como principal atrativo. Mas não! Fez-se a sede com frente para a avenida, cobrindo toda a beleza do mar naquele local. O fundo poderia se abrir para a natureza com um restaurante panorâmico.


Algo assim seria pedir demais:


A sede de praia do Clube Português da Bahia, com 2.500 m2 de área, foi inaugurada em 1963 e suas atividades se enceraram em 2001. Foi fundado no Gabinete Português de Leitura Seu primeiro presidente chamava-se Narciso Alves da Cunha. O último, não sabemos dizer.





Aliás, nesse sentido, só recentemente os nossos arquitetos e urbanistas, os fazedores das cidades, deram-se conta da força do mar da Bahia. É o caso dos edifícios do Corredor da Vitória, a maioria voltada para o mar, para o sol de poente. Também é o caso dos compradores dos prédios da Rua Direita de Santo Antônio, apostando no futuro. É o caso até da Prefeitura tentando desapropriar, ou já tendo desapropriado, todas as construções feitas entre a Rua Barão de Cotegipe e Boa Viagem na Cidade Baixa.


Em todos os três casos acima citados, o que se via e ainda se vê? Residências diversas voltadas para as ruas e avenidas e os quintais do lado do mar, como que o desprezando. Pior! Era o esgoto de todas elas.


Apesar de tudo, não era para o Clube Português da Bahia falir como faliu. Dos três clubes beneficiados com a concessão da Prefeitura ( E.C. Bahia- Espanhol e Português) foi o único que chegou ao estágio máximo de insolvência.


Dizem que este fato tem muito a haver com a decadência financeira dessa colônia em Salvador, antes riquíssima, proprietária de grande parte do comércio e que, de uma hora para outra, ou melhor dizendo, na mudança de uma geração para outra, deixou a “peteca” cair em várias áreas.

Mas vejam como se deu a falência que poderia ter sido evitada. Existia uma lei ou ainda existe que estabelece que os clubes sociais-esportivos (caso do Clube Português )formadores de atletas, eram isentos de IPTU (altíssimo, cobrado da mesma maneira que um shopping).

O Clube Português formava atletas principalmente de natação de Sandra Sampaio e de hóquei sobre patins de Fernando Jardim. Não pagava essa taxa.


A Prefeitura que já estava de olho naquele espaço recebeu de bandeja o velho Clube Português da Bahia. Velho de tradições e histórias sem fim.
Uma delas vale á pena contar e se prende a esta situação vexatória desse ex-maravilhoso clube.
Conta-se que, mesmo o clube fechado, alguns aficionados do snooker “penetravam” por uma falsa porta e no antigo salão de jogos (ainda existia uma mesa) passavam tardes inteiras jogando. Rigorosamente o jogo só ia até as 17 horas. A luz já havia sido cortada! O vigia era conivente, aliás, uma santa conivência.



E no local a Prefeitura fez uma praça horrorosa, sem graça, sem nada. Qualquer cidade do mundo “amaria” possuir uma área como esta. Pensou-se num Oceanário e nada. Seria um grande atrativo, super diferenciado. Existem poucos no País, apesar de sua extensão litorânea.


A única coisa que se salva é o monumento Caravela de autoria de Chico Liberato. Muito bonito!

A obra, com mais de 7 metros de altura, visa representar a "revolucionária saga dos navegadores portugueses e ressalta a importância do desbravador Vasco da Gama". Nas "velas" da "caravela" estão gravadas a Cruz de Cristo, bem como o símbolo da religião de origem africana praticada localmente (candomblé), Opaxoró de Oxalá, simbolizando - também - a diáspora africana.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PITUBA – MARCO DE UMA NOVA CIDADE

Em postagem anterior contávamos que fomos a um aniversário de um parente na Pituba, mas não a Pituba de hoje, mas tão somente uma Pituba que “ainda não existia” em termos. Pegamos o bonde de Rio Vermelho de Baixo e saltamos ao final da linha (AMARALINA).

Daí até alcançarmos a fazenda de nossos parentes que ficava adiante, tivemos que ir pela praia. Era menino e meus pais eram jovens. Poderíamos agüentar o esforço de caminhar por ela cerca de 1 ou 2 quilômetros.

Em que ano aconteceu isto? Por volta de 1937/38. A cidade só ia até Amaralina. Daí em diante era mata virgem. A fazenda do nosso tio era uma das primeiras que se formava naquelas terras desconhecidas.

Somente em 1942 deu-se inicio a construção da avenida que liga Amaralina à Itapoã, concluída em 1949।

Logo, não havia outro jeito senão a caminhada à beira-mar. Devia ter sido interessante. As ondas batendo na canela das pernas. As calças suspensas; os respigos daquela água virgem.

Aconteceu um fato interessante nessa visita. Conhecemos a fabricação de sorvete, mas não o sorvete que hoje vemos sair das máquinas mágicas nos shoppings da cidade. Este era fabricado numa barrica de 60/70 centímetros de altura e 30 de envergadura. Internamente possuía uma divisão onde se colocava gelo. Em seguida um espaço maior onde ficava o suco que ia virar sorvete. Completando o estranho equipamento, uma manivela com um cabo que penetrava pelas paredes externa e interna da barrica e terminava em formato de pá em meio ao suco. À medida que este suco ia congelando, a manivela rodava sem cessar até a formação do sorvete. Uma maravilha de um novo mundo.

No local dessa fazenda e de outras (devia haver) começou o bairro da Pituba, um marco de uma nova cidade.

Sim! A Pituba representa, verdadeiramente, um marco da nova cidade de Salvador, moderna, vibrante, sofisticada, elegante, bastante diferente da Salvador do lado norte com seus casarões centenários e de suas ruas estreitas.

Vamos nos aprofundar sobre ela, a origem de seu nome, sua construção e como ela se acha hoje em dia.

Seu nome tem origem indígena e significa, maresia, vento forte, por ai. No século XX um mineiro Joventino Pereira da Silva e o "baiano" Manoel Dias da Silva, donos da fazenda Pituba tiveram a idéia de urbanizar o local planejando-o. Para tanto dividiram o espaço em quadras e entre elas ruas largas. Em verdade, era um loteamento. Registraram na Prefeitura e em 1919 foi publicado o projeto assinado pelo engenheiro civil Teodoro Sampaio, tendo sido aprovado em 1932. Foram previstas a abertura de 10 vias longitudinais paralelas à linha da costa e 15 transversais perpendiculares as primeiras. Ficou estabelecido que o eixo principal do arruamento então conhecido como Estrada da Pituba, chamar-se-ia Avenida Manoel Dias da Silva, oficializada pela Lei Municipal nº 1.664, de 2 de dezembro de 1964.



Só na década de 1960, Nélson Oliveira, prefeito de Salvador, asfaltou as ruas da Pituba, obra que só foi terminada na década seguinte.

Há quem diga que a Pituba não se resume à Avenida Manoel Dias da Silva e suas transversais com os nomes dos diversos estados brasileiros. Segundo alguns, Iguatemi é Pituba; a Avenida Tancredo Neves e seus prédios empresarias também seria Pituba, bem como o Caminho das Árvores.

Contudo, o crescimento desses locais deram-lhe caracteristicas muito fortes e já podem ser considerados bairros próprios. Vamos deixar a Pituba como era na época de Manoel Dias da Silva.

Por sua vez, a Prefeitura classifica a região que chama de 8ª Região Administrativa Pituba/Amaralina, como sendo a seguinte:

• Boulevard
• Caminho das Árvores
• Condomínio Iguatemi
• Iguatemi
• Itaigara
• Jardim América
• Lot. Aquárius
• Lot. Vela Branca
• Parque dos Flamboyans
• Parque Julio César
• Parque Nossa Senhora da Luz
• Parque São Vicente


Sem dúvida que um dos destaques do bairro Pituba é a Igreja de Nossa Senhora da Luz. Simples e bonita, de muito bom gosto.

A origem da devoção à Senhora da Luz tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora ("Candelária"), quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro).

A Virgem da Candelária ou Luz apareceu em uma praia na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha) em 1400.

Nossa Senhora da Luz era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o Padre António Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: «Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Luz [...]»), e tornou-se particularmente cultuada em Portugal a partir do início do século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que descobriu uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí se fundou de imediato um convento e igreja a ela dedicada, que conheceu grande incremento devido à acção mecenática da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I e sua terceira esposa, D. Leonor de Áustria.

A partir daí, a devoção à Senhora da Luz cresceu, e com a expansão do Império Português, também se dilatou pelas regiões colonizadas, com especial destaque para o Brasil, onde é a santa padroeira da cidade de Curitiba, capital do Paraná (Guarabira/PB, Pinheiro Machado/RS, Itu/SP, ou ainda Corumbá/MS. Em Juazeiro do Norte, Ceará, ocorre todos os anos uma grande romaria em sua homenagem



Em trabalho de pesquisa, pinçamos a seguinte história da origem da imagem de Nossa Senhora da Luz da Pituba.

Pelos anos de 1580, uma menina de uns doze anos de idade, andando para apanhar gravetos para cozinhar, sentindo sede, viu (ou imaginou ver) surgir entre a mata e a areia, uma figura de uma mulher linda, com um menino sentado no braço esquerdo e na mão direita uma vela acesa; atrás da figura, percebeu um manancial de água, e todo o quadro como iluminado com uma luz azul. - Saciou a sede, correu para casa e comunicou aos seus pais o ocorrido...
Passados anos, a menina de então, já adulta, avistou em casa do capitão Felipe Correa uma Imagem de Nossa Senhora da Luz, trazida de Portugal, reconhecendo ser a mesma que tinha visto ou imaginado na fonte.

Pelos anos de 1600, o latifundiário e capitão Felipe Correa, proprietário da Fazenda Pituba, fez construir em terreno de sua propriedade uma capela de taipa, no lugar que hoje seria entre as ruas Minas Gerais e Otávio Mangabeira, colocando na mesma a Imagem trazida de Portugal, de talha de madeira, medindo 53 centímetros, com o pedestal, conservada na sua Igreja da Pituba.

Durante os anos de 1610 a 1642, sendo atendente espiritual do litoral baiano, compreendido entre o Rio Vermelho e a Vila de Abrantes, o artista e religioso do Mosteiro de São Bento, Frei Agostinho da Piedade, o grande escultor e ceramista, fez para a capela da Pituba uma Imagem de Nossa Senhora da Luz, de barro cozido, e policromado, que é uma relíquia preciosa de quando o Brasil amanhecia, a qual no ano de 1949 foi restaurada, sendo reencarnada.

Os herdeiros do capitão Felipe Correa, capitão Manoel Gonçalves Saraiva e sua esposa Francisca Ferreira e o irmão desta, Francisco Ferreira, restauraram a capela pelos anos de 1663.

Em 1955, o casal Sr. Joventino Pereira da Silva e Dona Alcina Guimarães da Silva, concluíram a igreja existente, iniciada em 1949, em terreno de sua propriedade, o que realizaram para perpetuar a devoção a Nossa Senhora, sob a invocação da Luz, em reconhecimento aos inumeráveis benefícios obtidos mercê da sua intercessão.

No mesmo ano de 1955 o Sr. Cardeal Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Augusto Álvaro da Silva, inaugurou a Igreja, fazendo-a matriz da futura paróquia a ser criada, benzendo-a e sagrando o altar-mor.

Por decreto de 09 de julho de 1960, o Sr. Cardeal da Silva, criou a Paróquia de Nossa Senhora da Luz da Pituba, entregando-a na mesma data, aos cuidados espirituais da Ordem Mercedária de Nossa Senhora das Mercês, sendo nomeado primeiro vigário, o Reverendíssimo Padre Samuel Martinez Perez, que exerceu seu ministério até 15 de março de 1965.”