quarta-feira, 17 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - BUGARI E PÕÇO


Até 1960, talvez 1970, a única praia permanente na Av. Beira Mar era a do Bugari. De resto, o mar chegava na altura máxima do cais de 3 metros que protege a referida via. Pescava-se siri à partir desse cais com arremesso de grandes gererés sem cabo. A criançada dava saltos mortais a partir dele com absoluta segurança de profundidade.  Melhor ainda, mergulhava-se à partir dos Tamarindeiros 1 e 2 que decoravam esse espaço. Sobre os mesmos, restou apenas aquele que fica em frente ao Colégio Santa Bernadete. ( 2). O outro, 200 metros adiante em direção ao Bonfim, (1) foi colocado abaixo por um  noroeste brabo da silva. Arrancou o bicho pela raiz e ele se inclinou sobre as casas próximas . A propósito, quando dava esses noroeste, as ondas que se formavam no impacto com o cais, molhava a frente de todas as casas. O vento às vezes destelhava alguma delas. Também havia estragos  aos saveiros e catraias ancoradas por toda avenida. Muitos deles após estouradas suas amarras, despedaçavam-se nesse mesmo cais. Viam na crista das ondas como se fosse uma prancha de surf, hoje tão disseminada.

Praia do Bugari

Clube dos Tenente e Sub-oficias da Marinha



Inicio da Av. Beira Mar


Casa de shows e baladas
Muitas barracas
Segundo Tamarindeiro
Ancoradouro do Segundo Tamarindeiro


Belos Tamarindeiros

terça-feira, 16 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - PENHA

A Penha é um lugar sensacional! Fica na extremidade da península itapagipana. No seu espaço está localizada a Igreja de Nossa Senhora da Penha que, entre outros méritos acolheu a imagem do Senhor do Bonfim quando veio de Portugal. A igreja do Bonfim ainda não estava pronta e a solução mágica e divina foi hospedá-la na Penha. Na época, praticamente, só havia a igreja e os tamarindeiros. Silêncio total. Na década de 40 do século passado acharam por bem "atracar"  na sua extremidade o navio-estaleiro Araújo Pinho. Destinava-se a reparar os navios da Navegação Baiana. Quando tinha navio quebrado mandava-se para a Penha, desculpe, para o Araújo Pinho.
Araújo Pinho
Esqueleto

 Um dia, após uma noroeste daqueles que costumava dar na península, o Araújo Pinho sai de suas amarras e encalha justamente em frente à igreja. Aí a população deu em cima e só ficou o esqueleto do navio-estaleiro. Ele  (esqueleto) é visto quando a maré está em baixa. Hoje quase no local onde ficava o Araújo Pinho, construiu-se uma marina, muito pior esteticamente do que o pobre do Araújo Pinho. Tomou grande parte da vista que se descortinava da Penha, por exemplo a vista do Lobato e outras tantas localidades do subúrbio ferroviário. Restou, pelo menos, a vista da belíssima Plataforma e seu morro à direita,  que ainda ninguém buliu. Não sabemos se os leitores sabem que nesse morro, lá em cima, havia um cruzeiro de madeira. Quando da invasão dos Alagados do Porto dos Mastros, o cruzeiro sumiu. Dizem que foi destinado a uma ou mais estacas de determinada palafita. Pelo menos serviu para abrigar alguém  muito pobre.

Hoje a Penha não tem a mais a tranquilidade de antes quando era apenas Igreja e Tamarindeiros, ou Igreja e Natureza. Em todo o seu espaço levantaram-se toldos de lona onde funciona uma dezena de bares. As casas em frente, tornaram-se "base" para esses bares, inclusive uma delas que é um primor de construção. Pintada de azul e branco. Ainda hoje é assim.







 .














segunda-feira, 15 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERID0 - RIBEIRA

 A partir dessa postagem, estaremos “retratando” cada bairro de Salvador, seja na Cidade Baixa como na Alta, independentemente de sua categoria.

Denominamos esta série de “Meu Bairro Querido”, desde que, seja ele habitado por gente pobre, média ou rica é sempre querido. Nele conhecemos as pessoas; sabemos onde se compra as coisas do dia a dia, como nos transportamos; enfim, nele moramos, nele vivemos.
Vamos retratá-lo nos seus mínimo detalhes. Essa tarefa está sendo possível graças ao mais recente recurso do Google que mapeou toda a cidade de Salvador, como nunca tinha sido feito antes. Serão vistas suas ruas, avenidas, praças, praias, casas, como se estivéssemos andando por elas.

Fosse isto possível no passado e hoje teríamos a história das cidades mais bem contadas e para que tal não aconteça no futuro, tratemos de fazer a nossa parte.
Começaremos  por uma das pontas da cidade – a Península de Itapagipe, hoje a famosa Ribeira.
Andaremos por  toda ela e haveremos de descobrir “coisas” que só palavras seriam incapazes  de fazê-lo.

Av. dos Tainheiros

 Sedes do Vitória e São Salvador - Clubes de Remo




domingo, 14 de outubro de 2012

FOTOS DO COMÉRCIO - NOVO SISTEMA GOOGLE


Como é sabido o bairro do Comércio sofreu várias intervenções para que se construíssem  o porto e avenidas mais largas como a Miguel Calmon, Estados Unidos e da França.
Felizmente, deixaram uma pequena parte da antiga Salvador do século XX e até mesmo XIX.
Verdade também que esse “resto” está se deteriorando a cada dia e não se sente uma reação de recuperação efetiva. Estão apenas ancorando os prédios que estão a cair com armações de ferro. Um horror! Pensa-se que estão ancorando para se iniciar sua recuperação, mas que nada. Já tem armações de dois a três anos ou mais.
Mas, antes que tudo se acabe, não custa nada fazermos um périplo pelas suas antigas ruas fotografando o que ainda resta.
E como foram feitas estas fotografias? In loco? Com nossa presença? Não. Nessa postagem estamos usando um novo recurso do Google, através do qual você, nós, qualquer pessoa, pode retratar qualquer rua, prédio, praça, via internet.
Antes disso, tínhamos apenas a foto via satélite que também é muito boa, mas não detalha da forma que os senhores passarão a ver a partir d’agora:

 NOTA: O acompanhante desse blog que quiser um "panorama" de sua rua ou bairro é só fazer a solicitação indicando o nome da rua, cidade e estado. A resposta "fotográfica" será dada nas próximas postagens. Não precisa indicar o nome. Apenas as primeira letras ou apelido.





terça-feira, 9 de outubro de 2012

PÉROLAS DE KLANG - UM NOVO LIVRO





No dia 7 p.p., anexo a nossa postagem, tivemos a ocasião de escrever o epílogo de nosso primeiro livro dado ao conhecimento público, via internet. (ALAGADOS). Conforme explicado, não tivemos condições de publicá-lo de outra forma. È muito caro para um retorno duvidoso. Não somos profissionais da palavra. Resta-nos a leitura dos amigos.
Hoje começamos a publicação de um segundo livro denominado PÉROLAS DE KLANG. Escrevemos sobre dois mergulhadores baianos, gente de Itapagipe, que foi conectada para mergulhar na Malásia, KLANG, na busca de pérolas.
Então, desenrola-se uma trama internacional com ares de James Bond que talvez agrade.

PÉROLAS DE KLANG
1


Serbentinho (Manoel) era o melhor jogador de futebol de praia de Itapagipe. Não tinha outro! Quando a bola chegava aos seus pés, saía a driblar todo mundo e geralmente fazia o gol. Logo após dava um mergulho no mar ao lado, absolutamente exausto. Faltava-lhe resistência. Havia uma razão – Serbentinho estava se tornando um alcoólatra. Bebia todos os dias. Muitas vezes o irmão mais velho ia buscá-lo em algum lugar onde deitava para dormir. Uma pena! Poderia ter tido outro destino, desde que era muito inteligente.
Quando ainda estudava, era um dos melhores alunos do colégio, que nem o irmão, Serbento (Raimundo)  mas este prosseguiu nos estudos e já estava para se formar em Biologia. Falava inglês fluentemente, resultado da convivência com mergulhadores estrangeiros em plataformas submarinas.  Já dava aulas particulares nas residências dos alunos e era com esse ganho que sustentava a mãe e  Serbentinho.
A mãe dos Serbentos era uma batalhadora incansável. Mariscava todos os dias, tanto fazia ser na Ponta da Penha como nos baixios de Plataforma.  Apesar dos filhos serem relativamente altos, ela era baixinha, ao ponto de ser mais conhecida como Dona Pequenina em vez de Maria da Glória, que era seu nome. Tostada pelo sol que tomava diariamente, tinha a pele morena e cabelos lisos e quando moça eram pretos que nem os de uma índia. As pernas eram fortes e arredondadas sob quadrís generosos. Era o tipo da mulher bem feita.
Foi nesse contexto de mulher bonita que resultou nos dois filhos que têve, cada qual de um pai diferente. O pai de Raimundo chamava-se Serbento, mais conhecido como Senhor Serbento da padaria. Era espanhol. Numa certa manhã, ainda muito cedo, Maria da Glória foi comprar pão que a mãe lhe pedira e, em vez de aguardar que a padaria abrisse de vez – estava apenas com uma das portas meio levantada – adentrou por baixo dela e não deu outra. O gringo que já estava de olho naquela baixinha; só fez arriar a porta e consumar o ato. Verdade que já havia por parte de Pequenina certa cumplicidade com aquele espanhol que era solteiro e morava sozinho num quarto, ao fundo do estabelecimento. Nos dias seguintes, Maria da Glória chegava cada vez mais cedo, até que um dia sua família se mudou e ela não pôde mais ver o amante.
Aí, Maria da Glória ficou grávida. Teve que confessar à mãe quem fora o autor daquele feito. Dona Felícia pegou o ônibus e se dirigiu até o antigo bairro onde morava. Foi até a padaria em hora de movimento. O espanhol não a conhecia, mas logo percebeu de quem se tratava. Parecia com Maria da Glória. Negou peremptoriamente. A mãe fez um escândalo. As pessoas se afastaram do local, aos risos.
-- Dou-lhe 24 horas para você decidir, seu galego descarado. Você vai ter que assumir esse filho. Casar eu sei que você nunca casará, mas as despesas com esse filho, o parto, o hospital, uma mesada, você haverá de pagar. Vou estimar o quanto isso vai ser e venho aqui buscar o dinheiro junto com a policia.
Duas  semanas depois, a mãe de Maria da Glória voltou à padaria. Encontrou-a fechada. Consultou os vizinhos. Informam que fazia dois dias que ela não abria. Desesperada, dirigiu-se à Delegacia de Polícia. Contou o ocorrido ao delegado. Esse mandou um investigador ao local do “crime”, sendo informado do endereço de uma irmã do galego - no mesmo bairro. Os dois caminharam até lá.
- Meu irmão viajou para a Espanha no dia de ontem. Ele não comentou nada conosco. Só sei que a padaria já estava para ser fechada, desde que ele tem casamento marcado ainda para este mês em Valença. Eu e meu marido deveremos ir. Somos os padrinhos. Sinto muito! Nada posso fazer.
Sem a pretendida remuneração, nasceu Raimundo que dona Felicia fez questão de registrar como sendo filho legítimo de Manuel Serbento e Maria da Glória dos Santos, aquele nascido em Valença, Espanha.
E como foi o feito do segundo filho, Manuel? Este nasceu de pai desconhecido, mas Dona Felícia fez questão de registrar com o mesmo nome do pai do primeiro filho de Maria da Glória, ou seja, Manuel de Serbento Filho. O miserável teria que pagar em dobro.
Fez mais ainda: não chamava os netos pelos primeiros nomes. Chamava-os por Serbento e Serbentinho. Disseminaria por todos os lados o nome daquele espanhol da peste. Quem conhecia o caso, haveria de se lembrar para sempre do ocorrido. Aos que não sabiam, contaria a história na primeira oportunidade.
Pequenina morava numa vila de pequenas casas entre a Avenida Beira Mar e o Porto dos Mastros.  A casa que foi de sua falecida mãe, tinha dois quartos – um dela e o outro para os dois filhos, mais sala, cozinha e banheiro. Possuía um pequeno quintal, onde plantava algumas verduras, mas tinha especial carinho com um pé de limão e outro de pimenta. Eram os principais ingredientes de suas moquecas de papa-fumos e de siris moles que costumava pescar. Esses  últimos à noite. De quando em vez, Serbento, seu filho mais velho, trazia um peixe, resultado dos mergulhos que dava nas Docas da Bahia. Mais ocasionalmente o caçula pescava uns chicharros olho de boi na Pedra da Lixa.
Certo dia, Serbento comunicou à mãe que havia sido contratado por uma empresa estrangeira para mergulhar na Malásia. Merú, seu amigo da mesma labuta, iria também.
- Mas na Malásio, filho?
- Sim mãe, na pesca de pérolas. A região tem muita ostra.
 


 
 
 
Falava inglês fluentemente, resultado da convivência com mergulhadores estrangeiros em plataformas submarinas. Era um exímio mergulhador. Vivia desse trabalho e mais de aulas particulares de inglês. Com isto sustentava a mãe e o irmão. 

A mãe dos Serbentos era uma batalhadora. Mariscava todos os dias, tanto fazia ser na Ponta da Penha como nos baixios de Plataforma.  Apesar dos filhos serem relativamente altos, ela era baixa, ao ponto de ser mais conhecida como Dona Pequenina em vez de Maria da Glória, que era seu nome. Tostada pelo sol que tomava diariamente tinha a pele morena e seus cabelos eram lisos e quando moça eram pretos que nem os de uma índia. As pernas eram fortes e arredondadas sob quadris generosos. Era o tipo da mulher bem feita.

Foi nesse contexto de mulher bonita que resultou nos dois filhos que têve, cada qual de um pai diferente. O pai de Raimundo chamava-se Serbento, mais conhecido como Senhor Serbento da padaria. Era espanhol. Numa certa manhã, ainda muito cedo, Maria da Glória foi comprar pão que a mãe lhe pedira e, em vez de aguardar que a padaria abrisse de vez – estava apenas com uma das portas meio levantada – adentrou por baixo dela e não deu outra. O gringo que já estava de olho naquela baixinha; só fez arriar a porta e consumar o ato. Verdade que já havia por parte de Pequenina certa cumplicidade com aquele espanhol que era solteiro e morava sozinho num quarto, ao fundo do estabelecimento. Nos dias seguintes, Maria da Glória chegava cada vez mais cedo, até que um dia sua família se mudou e ela não pôde mais ver o amante.

Aí, Maria da Glória ficou grávida. Teve que confessar à mãe quem fora o autor daquele feito. Dona Felícia pegou o ônibus e se dirigiu até o antigo bairro onde morava. Foi até a padaria em hora de movimento. O espanhol não a conhecia, mas logo percebeu de quem se tratava. Parecia com Maria da Glória. Negou peremptoriamente. A mãe fez um escândalo. As pessoas se afastaram do local, aos risos.

-- Dou-lhe 24 horas para você decidir, seu galego descarado. Você vai ter que assumir esse filho. Casar eu sei que você nunca casará, mas as despesas com esse filho, o parto, o hospital, uma mesada, você haverá de pagar. Vou estimar o quanto isso vai ser e venho aqui buscar o dinheiro junto com a policia.

Duas  semanas depois, a mãe de Maria da Glória voltou à padaria. Encontrou-a fechada. Consultou os vizinhos. Informam que fazia dois dias que ela não abria. Desesperada, dirigiu-se à Delegacia de Polícia. Contou o ocorrido ao delegado. Esse mandou um investigador ao local do “crime”, sendo informado do endereço de uma irmã do galego - no mesmo bairro. Os dois caminharam até lá.

- Meu irmão viajou para a Espanha no dia de ontem. Ele não comentou nada conosco. Só sei que a padaria já estava para ser fechada, desde que ele tem casamento marcado ainda para este mês em Valença. Eu e meu marido deveremos ir. Somos os padrinhos. Sinto muito! Nada posso fazer.

Sem a pretendida remuneração, nasceu Raimundo que dona Felicia fez questão de registrar como sendo filho legítimo de Manuel Serbento e Maria da Glória dos Santos, aquele nascido em Valença, Espanha.

E como foi o feito do segundo filho, Manuel? Este nasceu de pai desconhecido, mas Dona Felícia fez questão de registrar com o mesmo nome do pai do primeiro filho de Maria da Glória, ou seja, Manuel de Serbento Filho. O miserável teria que pagar em dobro.

Fez mais ainda: não chamava os netos pelos primeiros nomes. Chamava-os por Serbento e Serbentinho. Disseminaria por todos os lados o nome daquele espanhol da peste. Quem conhecia o caso, haveria de se lembrar para sempre do ocorrido. Aos que não sabiam, contaria a história na primeira oportunidade.

Pequenina morava numa vila de pequenas casas entre a Avenida Beira Mar e o Porto dos Mastros.  A casa tinha dois quartos – um dela e o outro para os dois filhos, mais sala, cozinha e banheiro. Possuía um pequeno quintal, onde plantava algumas verduras, mas tinha especial carinho com um pé de limão e outro de pimenta. Eram os principais ingredientes de suas moquecas de papa-fumos e de siris moles que costumava pescar. Esses  últimos à noite. De quando em vez, Serbento, seu filho mais velho, trazia um peixe, resultado dos mergulhos que dava nas Docas da Bahia. Mais ocasionalmente o caçula pescava uns chicharros olho de boi na Pedra da Lixa.

Certo dia, Serbento comunicou à mãe que havia sido contratado por uma empresa estrangeira para mergulhar na Malásia. Merú, seu amigo da mesma labuta, iria também.

- Mas na Malásio, filho?

- Sim mãe, na pesca de pérolas. A região tem muita ostra.