terça-feira, 23 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO -MAÇARANDUBA


A Avenida Caminho de Areia tem esse nome devido ao fato de que até os anos 50 do século passado, não tinha calçamento. Era todo de areia.
E porque era assim? Por que o mar proveniente da Enseada dos Tainheiros chegava até ali. Aliás, ia até mais adiante, alcançando também a Avenida Dendezeiros do Bonfim, haja vista, as grandes extensões de uma areia muito branca ainda existente nas dependências da Vila Militar dos Dendezeiros. No local funcionava a cavalariça da corporação.
Ai  vieram os aterros feitos inicialmente com lixo. Isto mesmo! Itapagipe tinha sido nomeada Aterro Sanitário da Cidade de Salvador e toda sujeira era depositada no seu espaço, desde os Mares, Uruguai, até hoje Maçaranduba. Em cima disso, formaram-se os bairros do Uruguai, Jardim Cruzeiro, Machado e Maçaranduba.(1).
(1) Há quem escreva Maçaranduba como sendo Massaranduba com dois “s”. A Prefeitura considera certo o nome com dois “ss”. Os biólogos como sendo com “ç”. Tanto faz.

Tronco de Malaranduba


Rua Lopes Trovão


Av. São João


O mar da Maçaranduba- Verdade!
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - ALAGADOS


Em postagens anteriores percorremos boa parte da Peninsula de Itapagipe desde a Ribeira até o Porto da Lenha, exclusivamente pela sua orla marítima.

Fosse anteriormente, aí pelos idos de 1950, teríamos que acrescentar nesse trajeto a Av. Porto dos Mastros, àquela época simplesmente chamada  Rua Domingos Rabelo. Estreita e toda em barro batido, margeava o chamado Porto dos Mastros.
O local que era um porto de saveiros com seus mastros à mostra, mesmo daqueles que não mais navegavam.
Temos lembrança que as águas da Enseada dos Tainheiros que chegavam até suas margens, balançavam os galhos de mangue nascidos ao seu redor.
Por essa razão, o local era um viveiro de caranguejos e siris de várias espécies, bem como se tornava um paraíso para as tainhas e as curimãs.
Mais anteriormente, aí pelos idos de 1920/30, a Prefeitura resolveu construir um cais de contenção na orla de Itapagipe.  Sem uma razão plausível, excluíram o Porto dos Mastros, dando inicio apenas a partir do Porto dos Tainheiros.
Deixaram-no vulnerável  e em 1953, sem dó nem piedade, suas margens foram invadidas por centenas de palafitas, dando inicio ao hoje chamado bairro dos Alagados.
Na sequência, o local foi aterrado com areia proveniente da Ponta da Penha  e o que era orla virou becos e travessas de muitas casas, sem nenhum saneamento, do que resultou na contaminação de toda a Enseada dos Tainheiros e liquidação da vida marinha.
Hoje dizem que a coisa está mais ou menos resolvida, mas não deve ser assim. Por exemplo, a Praia da Penha que fica na boca de saída da Enseada, é uma praia absolutamente contaminada. Está lá uma placa da Prefeitura indicando a inconveniência.
Dizem também que  muitos detritos vão parar no outro lado da Baia de Todos os Santos, lá pelos lados de Cabuçu e Saubara.  São um vinte quilômetros, mas mesmo assim, a sujeira chega lá.

Praças


Primeira Travessa da Rua Domingos Rabelo
Segunda Travessa da Rua Domingos Rabelo
Ediicio de 4 andares - Quem diria?
Av. do Porto dos Mastros






domingo, 21 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO

Ainda de relação à parte interna da peninsula, isto é, setores que não tem o mar como referência, à sua frente, destacamos nessa oportunidade aqueles paralelos à Rua Lélis Piedade. O primeiro deles é a rua Marquês de Santo Amaro que, antigamente, era conhecido como "Areal".

Rua Marquês de Santo Amaro
 
Vejamos no mapa a localização dessa rua:

Mapa de parte da peninsula

Como se vê, a rua Marques de Santo Amaro corre paralela à Rua Lélis Piedade. Tem começo na Rua Álvaro Cova e termina no Largo da Madragoa.

Rua Álvaro Cova 
É super interessante o detalhe dessa rua com a Igreja do Rosário como seu cenário maior. Tem-se a impressão que o templo fecha-a.  Só impressão, desde que.  anteriormente, corre a Rua Lélis Piedade.

Praça da Rua Álvaro Cova

Nessa praça nasceu Irmã Dulce. Também foi nessa praça que a Santa da Bahia invadiu 5 casas de veranistas que estavam fechadas para abrigar seus doentes. A irmã não era de brincadeira! Quando queria alguma coisa, derrubava até paredes. Foi assim que ela fez o Hospital Santo Antônio para atendimento dos mais pobres. É uma obra social absolutamente extraordinária.  

sábado, 20 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO - RUA DO FOGO E PEREIRA REBOUÇAS


Desde então, circulamos a Peninsula de Itapagipe pela sua orla, desde o Porto dos Tainheiros até extremidade do Porto da Lenha.
Contudo, a Península não se restringe somente a isto. Tem a sua parte interna, seu interior, formados por muitas travessas, becos, caminhos que, por vezes, parece um labirinto!
Claro que os veranistas dos anos do século XX ao se deslocarem para Itapagipe na época do veraneio, preferiam sempre se localizar na orla com o mar a sua frente e muitos deles chegaram a construir grandes residências nesse trecho.
Restou aos locais, a parte interna do pedaço ao qual agora estaremos nos reportando.
Por exemplo, à partir da Rua Júlio David que dá acesso ao Porto dos Tainheiros, bem ao seu meio, começa a Rua do Fogo que após serpentear interiormente, desemboca na Ribeira. Uma outra, a Pereira Rebouças, termina no Próprio Porto dos Tainheiros.

Rua Pereira Rebouças
E não se diga que esses locais só tem casa de pequeno porto. Há de se reparar que muitas delas têm dois andares.  
Rua do Fogo


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO- PAPAGAIO E MADRAGOA


Até então andamos pela orla da península desde o Porto dos Tainheiros, Ribeira, Penha, Bugari, Poço, Av. Beira Mar, Praças Divna e Dôdo e Osmar e o tradicional Porto da Lenha.
Claro que a península tem a sua parte interna com suas transversais, grandes largos e mesmo movimentadas avenidas onde corre o tráfego pesado hoje de ônibus e carros e ontem de bondes.
Somos das duas épocas. Talvez seja um privilégio. Não queremos fazer nossas próprias loas, mas é a verdade.
Estávamos rondando a Praça Divina e tocando o pau na sua péssima estrutura, na sua feiura hoje aumentada com a Praça Dodô e Osmar, ainda mais feia, pecaminosamente feia, desde que é um pecado mesmo, não terem aproveitado este espaço para fazer uma coisa belíssima.
Inicialmente, subimos a Ladeira do Custódio.
Ladeira do Custódio

Quem foi Custódio? Temos a impressão que Custódio foi um cabeleireiro que tinha o seu salão na base da ladeira, à direita. Ainda menino, cortávamos o cabelo com ele.
A Ladeira do Custódio desemboca na Travessa de Dentro, perto da Baixada do Bonfim. Porque de Dentro? Porque tem outra que se chama Travessa de Fora. Coisas de antigamente, bem provincianas.
Travessa de Dentro
Essa Travessa de Dentro termina na confluência da Rua Visconde de Caravelas – a do tráfego pesado e o Largo do Papagaio.
Largo do Papagaio

Outro nome curioso. Papagaio. Há diversas versões sobre a origem desse nome, algumas estapafúrdias. Em postagem específica sobre o mesmo, declinamos todas elas, mas só uma tem consistência: quando esse local ainda era um charco, os papagaios faziam a festa.
Na continuação a Rua Visconde de Caravelas chegamos  ao  Largo da Madragoa:
Largo da Madragoa
Madragoa em tupi-guarani significa “viveiros de caranguejos”, sinal que o mangue do Porto dos Mastros chegava até ali. Há, entretanto, quem afirme que o nome Madragoa surgiu da existência no local de um caranguejo chamado “madragol”
Como se vê, ambas as referências estão ligadas ao saboroso crustáceo que, infelizmente, não existe mais em Salvador. Os que as casas especializadas fornecem ao público, estão vindo do Pará, de avião, desde que, até mesmo os provenientes de Aracaju estão escassos. Se os sergipanos deixarem, acaba também os de lá. Aqui tem mais consumidores.
Da Madragoa seguimos pela Rua Lélis Piedade.
Rua Lélis Piedade
A rua Lélis Piedade liga a Madragoa à rua Júlio David que, por sua vez desemboca no Porto dos Tainheiros. Na esquina entre essas duas ruas acha-se a bela Igreja do Rosário em estilo neo-gótico, pelo menos sua fachada.
Igreja do Rosário

Rua Júlio David

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

MEU BAIRRO QUERIDO- PORTO DO BONFIM E DA LENHA

Como se viu nas fotos anteriores, a Avenida Beira Mar termina na hoje denominada Praça Divina. Anteriormente, aí pelos idos de 1940/50 era conhecida como Porto do Bonfim.  Era Porto de saveiros que vinham do recôncavo para abastecer a feira que funcionava no local nos fins de semana e era Bonfim, desde que próximo à Igreja do Senhor do Bonfim.  
Nos dias de hoje o local é denominado Praça Divina, que de divina não tem nada. (apenas a proximidade com o Santo da Bahia) Tiveram uma grande oportunidade de fazer algo belo quando conseguiram demolir a fábrica Barreto de Araujo ao lado e iniciaram a construção da hoje Praça Dodô e Osmar.

PRAÇA DIVINA
É aquela chance de gol perdida do atacante,  em baixo das traves – apenas ele, a bola e as traves.  Chuta para fora. Como é que conseguiu?!
Sob nenhuma hipótese, ao construírem a Praça Dodô e Osmar, não poderiam esquecer da outra ao lado. Teria que haver uma integração das duas. Certamente que o arquiteto que a projetou nunca jogou um baba numa praia, principalmente numa praia de Itapagipe com o sol no pico das 11 horas, quase meio dia. Mesmo assim  a areia não esquenta, desde que sempre úmida e quando o “ praeiro” se cansa atira-se no mar ao lado.
No caso dos fictícios campos da referida praça, a areia que ali está,  deve pelar  os pés dos jogadores e não tem o mar para mergulhar, enquanto descansa da perseguição à bola ou ao adversário.

Praça Dodô e Osmar
Outra coisa que o referido arquiteto se esqueceu,  foi de relação à permanência  das pessoas na referida praça. Praticamente, não tem onde se sentar e como as poucas árvores plantadas ainda estão pequenas, a permanência, diríamos a fixação do homem, da mulher e da criança nessa praça fica difícil. Não tem bar; não tem cadeira; não tem mesa, não tem nada. A Praça Divina também é carente. Não tem para ninguém.
Possivelmente irão argumentar que esta é a filosofia do malandro de itapagipe. Parece que sim! É um lugar para descontrair e não para se torrar ao sol.

Ladeira do Porto do Bonfim

Mudaram o nome da praça de Porto do Bonfim para Divina, mas a ladeira continua a se chamar Ladeira do Porto do Bonfim. Mais do que uma prova.

RUA SANTA FÉ

Rua Santa Fé. Pelo amor de Deus. Como mudaram o nome da praça de Porto do Bonfim para Praça Divina, acharam por bem mudar o nome dessa rua que era conhecida como Rua do Porto da Lenha, para Rua Santa Fé. Não diria horrível para não cometer um pecado, mas convenhamos que é  de muito mal gosto.
Para todos os efeitos porém, estamos no Porto da Lenha mesmo. Aqui aportavam os saveiros vindos das ilhas e do Recôncavo, trazendo a lenha para aquecimento dos lares de Salvador. Isto nos tempos do fogão à lenha, do ferro de gomar à carvão, etc.etc. "Velhos tempos, belos dias..." (Roberto Carlos).

Bares do Porto da Lenha
Se lá na Praça Divina, junto com a Praça Dodô e Osmar não tem bar, aqui tem muitos. Só que o acesso é difícil e praticamente não tem estacionamento.
Ainda Porto da Lenha

MIOLO DO PORTO DA LENHA




Ladeira da Lenha


Conta-se que ao tempo dos escravos, quando os mesmos subiam essa ladeira carregando lenha nos ombros, eles comentavam entre si: "essa ladeira é uma lenha".
Efetivamente, é uma ladeira bastante íngreme. Só é superada pela Ladeira da Lapinha.
Casario do Porto da Lenha
SOLAR DOS RAVAZANOS



Hoje está totalmente desfiguerado. Era uma casa enorme e tinha uma garagem para as lanchas da família. Naquela época quando ninguém tinha lancha em Salvador, os Ravazanos desfilavam com as importadas. Não sabemos como traziam.

Há de se reparar que a porta à esquerda está a um metro do asfalto. Não era para ninguém entrar. Tinha essa altura para facilitar a entrada das lanchas sobre carretas.

MEU BAIRRO QUERIDO - AV. BEIRA MAR

Enquanto o Bugari e o Poço (setores da Av. Beira Mar) são assim conhecidos por quem quer que seja, desde os meados do século XX, já a parte dessa mesma avenida a partir do 2º Tamarindeiro não ganhou uma denominação diferenciada. Seus moradores ou quem quer que seja, referem-se a esse setor da via como tão somente “AV. BEIRA MAR”, e quando precisam apurar a informação, acrescentam por exemplo –“ PRÓXIMO À PONTE DA CRUSH” ou ” PRÓXIMO AO BONFIM”. Fala-se que esta quase indefinição é proveniente da inexistência de uma referencia forte no local, como por exemplo, uma simples e pequena praia permanente. Efetivamente, até os anos 60 a 70 do século passado, não existia nenhuma praia permanente nesse pedaço da avenida, desde que o mar chegava até o cais, às vezes ultrapassando-o nas grandes marés de março. Aí, por volta de 1970, talvez ainda em 1960, o governo resolveu aterrar os Alagados do Porto dos Mastros e o fez com areia proveniente de uma dragagem montada na altura da Penha. Estenderam um tubo flutuante até às palafitas e através dele extraíram milhões de metros quadrados de areia. Será que os responsáveis por essa obra sabiam das consequências advindas dessa extração? Achamos que não! Uma delas, sem querer, podemos assim dizer, provocou o recuo do mar justamente na parte que essa postagem está se referindo. Pior: segundo alguns moradores do local que estão lá olhando o mar todos os dias, esse recuo continua e não se sabe aonde irá parar. Duvido d ou dó, que os órgãos do governo saibam do que está ocorrendo, caso contrário estamos aqui para retificar.


Hoje praia permanente
Trechos da Av. Beira Mar
A ponte chamada "da Crush"
A bem da verdade, não foi a Crush que fez essa ponte. Frente a ela, funcionava uma indústria de chocolate, possivelmente a Kalfmann. Foi esta indústria que construiu a inoperante ponte. Hoje ela está mais inoperante: encontra-se sobre a praia que se formou no local.
Aluguel de Iates

Tranquilidade!

Final da Avenida