segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O TESOURO DA CASA AMARELA

Uma determinada pessoa nos consultou recentemente sobre a chamada Casa Amarela que pertenceria à cantora baiana Maria Bethania. Queria saber de sua história. Até então ela sabia que esta casa teria sido construída pelos padres do Convento de Santa Tereza, conhecidos como padres Teresius e que, por esta razão admite-se ou julga-se que havia ligações subterrâneas entre o convento e a referida casa. Acrescentou ainda mais a referida pessoa: nessas ligações (túneis) existiria um tesouro que não pôde ser ainda explorado por falta de ventilações nesses caminhos misteriosos.



Naturalmente, usamos de todos os meios possíveis para encontrar uma referência sobre a dita cuja. Nada conseguimos, por enquanto.

Aí nos lembramos de Noemário Cardoso e Mary Gonçalves, esta campeã sul-americana de natação, que moraram perto na mesma Avenida Visconde Mauá, naquela que chamamos de  Mansão dos Gonçalves, já demolida.
Mansão dos Gonçalves

Sempre gentil, Noemário  nos informou que esta Casa Amarela pertenceu à duas senhoras de nome Almira e Urânia que, por sua vez venderam-na  para o Deputado Augusto Viana na mão de quem Maria Bethania comprou a residência.
Casa Amarela sinalizada


A Casa Amarela e seu entorno arborizado- Sensacional!

Casa Amarela - Ainda mais próxima


Claro que focamos inicialmente nos nomes das senhoras, mas não saímos deles. O sobrenome, seria importante, mas nada conseguimos.

Mais recentemente, localizamos o “facebook” de Maria Bethanis e consultamo-la sobre a história dessa casa, mas ainda não recebemos resposta.

Como se vê, ainda estamos bem no principio do mistério e agora estamos recorrendo às pessoas que nos leem, pedindo às mesmas que nos informe a respeito. Prometemos que se acharmos o tal do tesouro, dividiremos os achados. Antes, precisaríamos do consentimento da proprietária, segundo a lei. 



domingo, 8 de dezembro de 2013

ACESSO FÁCIL ÁS RUAS DO SHOPPING OU SORTEIO DE CARROS - EIS A QUESTÃO!

Estamos crendo que as ruas internas do Shopping Barra se não lhe pertencem por força de lei de posse das áreas em torno, pelo menos são administradas por ele, até mesmo por questões de segurança.

Isto vem a propósito do aumento do seu uso por proprietários de veículos que moram na Barra ou mesmo em outros bairros que circulam no bairro.

Em razão das obras da Avenida Oceânica, trecho  da Praia do Farol, os carros precisam dar uma volta “imensa” pela Visconde de Caravelas, alcançar o Porto da Barra, passar por um trecho já em obras nas imediações do Hospital Espanhol, alcançar a Marques de Leão (ou é Marquês de Leão?); dobrar a Miguel Burnier (Rua da Perini da Barra) e alcançar a Rua Airosa Galvão que desemboca no Cristo e daí prosseguir viagem, por exemplo, para Ondina , Rio Vermelho, etc.
É uma “volta” de quase dois quilômetros

 (RUA MARQUES DE LEÃO) Bem a propósito, todo mundo confunde o nome dessa rua. Em verdade, a grande maioria chama-a de Rua Marquês de Leão. Este marquês nunca existiu. Em verdade a rua é uma homenagem ao Almirante Joaquim Marques Batista de Leão que foi Ministro da Marinha nos anos de 1904 a 1905.

Almirante Marques de Leão

Mas voltando ao nosso périplo da Barra, tudo isto poderia  ser evitado se os carros vindos pela Frederico Shimdit subissem o acesso ao Shopping Barra e contornando o mesmo sairiam na Av. Centenário e por ai alcançando rapidamente a Airosa Galvão.


Em traço amarelo, o cidadão sai do Super-Mercado do Chame-Chame e alcança a Rua B. de Shimidt obrigatoriamente. Logo a seguir, cerca de 100 metros está uma das entradas do Shopping  Barra. Sobre a mesma e após contorná-lo alcança fácil a Av. Centenário.Rapidinho! Coisa de um quilômetro se muito. 

Já em traço vermelho, um outro cidadão segue em frente, passa pelo Jardim Brasil, vira à esquerda na Rua Belo Horizonte e alcança obrigatoriamente à Rua Marquês de Caravelas. Segue pela mesma e desemboca na Av. 7 de setembro do Porto através a Rua Barão de Itapuã onde está a Associação Atlética da Bahia; vira a esquerda obrigatoriamente, passa pelo Hospital Espanhol, Cabana da Barra e alcança a Rua Alm. Marques de Leão; vai até o seu final e no Posto Alameda, vira a direita (Rua Miguel Burnier) até alcançar a Centenário ou a praia pela Rua Airosa Galvão. São dois a três quilômetros, ou seja, 200% a 300% a mais.  

Mas o que faz a direção do Shopping. Afora os horários de funcionamento do mesmo, fecha esse acesso com barreiras impeditivas como que dizendo: . “Ninguém passa por aqui”. “Se querem moleza, procure outro lugar”; “isto aqui é particular”.

Aqui ninguém passa

De principio, não é tão particular assim;  as nossas leis dão oportunidade para várias interpretações. Fala até das origens do terreno, no caso, como o shopping começou:  era um morro, onde até numa certa ocasião uma onça se escondeu. Demoliram  o dito cujo  e surgiu um enorme descampado. Tinha as dimensões de um campo de futebol. No intermeio, a criançada andou fazendo uns babas  Neste espaço foi construído o shopping, depois aumentado em anos recentes.

Após as últimas modificações surgiram as tais das ruas que lhe dão acesso às suas garagens e lojas, mas também oferece opções de tráfego de veículos para alcance de determinadas ruas e avenidas como vimos.

Como se disse acima, é duvidosa a restrição que o shopping impõe e determina, mas independentemente de ser legal ou não, é sobretudo, antipática.

Sem dúvida nenhuma, as pessoas que tentam acessar esses caminhos que diminuem as distâncias, na sua grande maioria, são clientes do shopping. Sem eles não ter-se-iam as lojas e demais atrativos que o shopping possuem. Não é mesmo senhora ou senhor de marketing da organização?

Em nosso entendimento, aprofundando um pouco mais a questão, ele marqueteiro(a) está perdendo uma grande oportunidade para ganhar uns pontos de simpatia dos clientes em referência. Exemplo:" O Shopping Barra ajuda na circulação de pessoas na Barra". Uma boa propaganda melhor que a de oferta de carros que só uma pessoa será ganhadora. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

AS OLARIAS DE GARCIA DÁVILA E OS VELHOS BARREIROS DE MONTE SERRAT

“Os fatos históricos jamais falam por si, e sim, são sempre interpretados. Nem mesmo existem fatos consensualmente tidos como importantes: um historiador pode selecionar um evento para estudo que passe totalmente despercebido por outro, ou seja, não apenas a interpretação é pessoal, mas a própria escolha dos fatos”.

Essa é uma das teses do historiador inglês Edgar Hallet Carr que também foi jornalista e teórico de relações internacionais e um adversário ferrenho do empirismo na historiografia.

Isso vem a propósito de uma interpretação histórica de que  as primeiras casas e até prédios do governo da Salvador de Tomé de Souza, eram exclusivamente cobertas de palhas, desde que na época ainda não havia tijolos e telhas.

Não acreditamos como tal. Inicialmente argumentamos que muito antes de Tomé de Souza chegar à Bahia, essa terra já era habitada por brancos vindos da própria Portugal, como foi o caso de Francisco Pereira Coutinho aqui chegado em 1536, isto sem falar em Diogo Álvares Correia naufragado nas costas do Rio Vermelho entre 1509 e 1510.

Claro que desde aquela época, Salvador já contava com olarias que certamente fabricavam tijolos e telhas aos milhares, segundo a necessidade.

Consubstanciando o que agora se pretende provar, lembramos que a expedição de Tomé de Souza foi preparada com muito esmero. Não houve improvisações. Vejamos o que já se escreveu sobre esses preparativos:

"O inicio do povoamento do Brasil teve como modelo o dos arquipélagos atlânticos, com a divisão do vasto espaço de costa por pararelos, entregues à capitães donatário e com regimentos onde são referidas as anteriores doações insulares."
.
"Com vista à criação de um novo modelo de desenvolvimento do Brasil, já por 1529 e 1530, D. João III teria pedido pareceres vários aos seus conselheiros, inclusive ao doutor Diogo de Gouveia, então em Paris onde dirigia o Colégio Santa Bárbara, no seio de cujos alunos veio a surgir a Companhia de Jesus"

Pessoas outras se ofereceram para realizar a empreitada. Foi o caso de Cristóvão Jacques, prontificando-se a seguir com mil colonos para o Brasil e também João de Melo da Câmara, com dois mil açorianos. Tudo gente bem preparada e com larga experiência em outras plagas.

"João de Melo Câmara, filho do segundo capitão da Ilha de São Miguel resumia de uma forma direta o protagonismo insular no povoamento Era a colonização do espaço atlântico em carta datável de 1529. Segundo ele, a família Câmara era portadora de uma longa e vasta experiência nesta área, "porque a ilha de Madeira, meu bisavô a povoou (João Gonçalves Zarco), e meu avô a de São Miguel (nos Açores); Rui Gonçalves. meu tio, a de São Tomé com muito trabalho e todas do feito que vê...
Toda essa experiência acumulada dava-lhe o alento necessário e abria-lhe perspetivas para uma futura iniciativa no Brasil. O neto de João Gonçalves Zarco reclamava o protagonismo do avô, primeiro capitão donatário de Funchal, no povoamento da Ilha de Madeira e do pai, Rui Gonçalves da Câmara, que em 1474 comprara a ilha de São Miguel, dando inicio ao seu verdadeiro povoamento"

Mas D. João III preferiu entre tantas ofertas contar com a competência de Luiz Dias, grande mestre de obras com experiência em diversas obras do reino em lugares além das Índias.

Não seria um homem desse quilate profissional que iria esquecer de trazer mestres de obras de todas as categorias, inclusive de olarias e similares. Talvez tenha até pensado em trazer de Portugal tijolos e telhas, mas isto requereria mais duas ou três naus, o que se tornava bem mais caro do que a simples construção de uma olaria logo nos primeiros dias após a chegada.

Mas essa última ideia  é um absurdo! Não é não! Quando se construiu a Igreja da Conceição da Praia vieram de Portugal as pedras de sua fachada. Uma se perdeu! Mandaram outra. 


Funchal antigo
Sé de Funchal

Claro que não se descarta a possibilidade da construção de algumas casas de taipa que nem a dos índios da Graça. Contudo, os prédios onde iria funcionar o governo, sem dúvida que mereceram um tratamento diferenciado, se é que tijolos e telas sejam assim considerados.

Até que foi! Bem no principio da construção da cidade, Garcia D'Ávila, tido como filho de Tomé de Souza, foi despachado para os lados de Itapagipe com vacas para seu sustento mas com a finalidade precípua de construir olarias. Es\se material era buscado nas imediações de Monte Serrat pelas próprias naus e outros barcos já existentes na VilaVelha de Pereira Courinho. Nesse sentido fizemos uma postagem onde mostramos como era feito o transporte.


As embarcações saiam da Enseada da Preguiça onde estava ancoradas e iam buscar  material na península, mais propriamente na Praia da Boa Viagem. Existe uma abertura entre dois blocos de recifes que permitia a passagem. 

Nota: Esta citação é feita por Gabriel Soares de Souza em seu Tratado Descritivo do Brasil. 



Que material? A madeira carbonizada do Porto da Lenha? Ainda não era tempo do famoso porto. Já existiam as carvoarias  na Vila Velha da Barra, bem mais perto. Desconfia-se então que iriam buscar tijolos e telhas das olarias já existentes no local, inclusive algumas anteriores às do próprio Garcia D'Avila, possivelmente gente de Pereira Coutinho, estabelecido aqui cerca de 15 anos atrás. 

E porque Monte Serrat, Boa Viagem, essa redondeza? Ariscamos em afirmar que o morro de Monte Serrat, atual Rua Rio São Francisco, existem  duas falhas provocadas pela extração de barro no local.  São conhecidos como "BARREIROS" - VELHO E NOVO BARREIROS
Sabe-se que muito barro foi tirado no local para a construção do cais da Avenida Beira Mar, mas não o suficiente para causar duas enormes fendas no referido morro. Só mesmo o o uso constante e interminável de olarias poderia causar a profundidade e extensão dos mesmos. 




Barreiros 1 e 2 - As construções são dos tempos atuais (1940/50)


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

A BRAZUCA E SUAS ANTECESSORAS

Nos tempos medievais, as bolas de futebol eram feitas de qualquer coisa que pudesse ser chutada. É o caso desse porta-vinho de couro antigo: 


Na falta dele, mesmo uma lata de ervilha ou algo parecido, também servia para se fazer um "baba". As traves eram dois tijolos virados mais para altura. Ai pelos anos 30/40 do século passado, nas praias de Itapagipe, fazia-se uma bola de razoável qualidade a partir de uma bexiga de galinha que após cheia era envolta em barbante. Era bastante razoável. Podia molhar e ela resistia bem. Quando começava a desfiar, parava-se o jogo e recompunha-se o alinhamento. Ficava nova de novo. Sensacional!

Infelizmente não temos uma foto de uma bola daquele tempo, mas uma foto de uma luminária feita através bexigas de galinha, mostra-nos como eram perfeitas as bolas de nossa juventude:

Eram assim, sem naturalmente a abertura para iluminação
Luminárias feitas de bexiga de galinha- Perfeitas como as nossas bolas

Àquele tempo já jogávamos também em campo de grama. As bolas eram de couro com uma costura ao centro. Pretendiam ser redondas, mas, em verdade, tinha um formato bastante irregular, mais para o oval, principalmente quando molhava. Mesmo assim, jogava-se bem. 

De couro com costura

Hoje as bolas de futebol são uma perfeição. Foram se aperfeiçoando ao longo dos anos. Os craques atuais são uns felizardos. Deveriam jogar muito mais do que os de antigamente. Temos as nossas dúvidas. 

As bolas das diversas copas

Por fim, a bola da copa no Brasil: a Brazuca:



Lindona!



COPA DO MUNDO TEM O SORTEIO NUM PARAISO CHAMADO SAUIPE

Não temos certeza de quem foi a ideia de fazer o sorteio dos jogos da Copa do Mudo de 2014 na Costa do Sauípe, distrito de Mata de São João, no litoral norte de nosso Estado, praticamente dando começo ao grande evento futebolistico.

No Brasil de hoje os grandes eventos são realizados no eixo Rio-São Paulo-Brasilia. Dificilmente o norte e o nordeste são indicados.

Por essa razão, estamos crendo que a indicação da Costa de Sauípe para o “ponta-pé” da Copa de Mundo de 2014 não teria sido uma indicação de dirigentes brasileiros. Estamos crendo mais que a escolha partiu dos dirigentes do futebol mundial, a FIFA.

Esse pessoal nas constantes visitas ao nosso estado para o acompanhamento das obras da Fonte Nova, deve ter se hospedado num dos hotéis da Costa do Sauípe e teria percebido a beleza que rodeia todos os cantos dessa localidade.

Hotéis e que hoteis!

É de cair o queixo, segundo conhecido ditado.



´Sem palavras!


Vamos ajudar mais um pouco. Além da extraordinária beleza, Sauipe pertence ao Município de Mata de São João, onde Garcia D’Ávila construiu o seu Castelo da Torre.


Castelo da Torre

A história desse personagem é extraordinária. Chegou ao Brasil na caravana de Tomé de Souza que veio assumir o Governo do Brasil em 1549. Dizem que era filho do homem. O pai deu-lhe umas terras em Itapagipe e um casal de vacas. 

Quem nos conta essa história e Gabriel Soares de Souza no seu Tratado Descritivo do Brasil,  ainda em 1587, apenas 38 anos após a chegada do fidalgo português na Bahia. Logo, bem próximo dos acontecimentos. Deve ter entrevistado remanescentes daquela época, inclusive, o seu irmão que aqui já vivia há mais anos. 

Aí Garcia D’Avila construiu diversas olarias na península com vistas certamente à construção da cidade de Salvador que se fazia no alto do morro, na chamada Cidade Alta.

Naturalmente, com os ganhos obtidos, Garcia D’Ávila requisitou do pai uma pedaço de terra no outro lado da cidade, em Itapuã.  Foi ganhando espaço e chegou a Mata de São João, onde está a nossa belíssima Sauipe. Aí construiu o seu castelo que é um dos maiores símbolos de posse dessa terra, de sua colonização.

A Copa do Mundo de 2014 está tendo assim um inicio maravilhoso. Não poderia haver melhor lugar.

A vila



terça-feira, 3 de dezembro de 2013

4 DE DEZEMBRO - DIA GLORIOSO DE SANTA BÁRBARA

Confessamos que tentamos fazer uma nova postagem abordando o Dia de Santa Bárbara. Pretendíamos fazer algo melhor do que aquela feita em dezembro de 2011. Uma ambição talvez natural que move as pessoas  que escreve, mas confessamos que não conseguimos nem nos aproximar do escrito anterior. Estamos a repetí-lo. Só fizemos algumas acréscimos fotográficos. O texto é, praticamente, o mesmo.

Não é que ele seja perfeito e que nada pode superá-lo. Talvez tenha sido executado ante uma inspiração recebida na hora, certamente da própria Santa que insistimos em homenagear nesse seu dia glorioso. Tomara!

"Hoje, 4 de dezembro é dia de Santa Bárbara. Um grande dia, tanto para a igreja Católica quanto para o Candomblé. Também é um grande dia para nós. Nascemos nesse dia. Justifica-se, pois, uma postagem especial, desde que de uma certa forma, estamos envolvidos com a data, tanto quanto o povo da Bahia e de diversas partes do mundo.

Comecemos bem por cima, no alto. Façamos uma oração à grande santa:




Belíssima e extraordinária oração. Começa forte citando “as torres das fortalezas e a violência dos furacões”; Pede que” as tempestades e batalhas da vida sejam vencidas”, mas não esquece “ da consciência do dever cumprido”. Amém.

Agora, vamos às origens da grande e bela santa.

Nasceu em Nicomédia, Ásia Menor. Apesar dos pais serem pagãos, conseguiu instruir-se na religião cristã. Os pais queriam que ela casasse, mas ela se opunha de todas as formas possíveis. Queria o amor supremo de Cristo. Em conseqüência, o próprio pai denunciou-a ao prefeito da cidade onde morava. Era o tempo do Imperador Maximiano nos primeiros anos do século IV. Implacavelmente foi condenada à morte, sendo que o próprio pai se ofereceu para decapitá-la. Ai ela se colocou de joelhos em atitude de oração enquanto o horrendo homem executava sua própria filha. Felizmente, ele não durou muito. Na mesma hora foi fulminado por um raio.

Bárbara era muito bonita. Hoje é apresentada com uma palma significando o martírio pelo qual passou; um cálice como símbolo de sua proteção aos moribundos e ao lado uma espada, instrumento de sua morte.

Mundialmente, Santa Bárbara de Nicomédia, é protetora das pessoas e das cidades contra tempestades, raios e trovões. Por esta razão o Corpo de Bombeiros, Mineiros e Artilheiros, têm a santa como sua padroeira.

Nicomédia (nome na Antiguidade Clássica) é uma cidade hoje conhecida como İzmit, na Turquia. Situa-se no Golfo de İzmit, no Mar de Mármara e fica a aproximadamente 100 km de Istambul (antiga Constantinopla).
Izmit
Atualmente İzmit, capital da província turca de Kocaeli com pouco mais de 200 mil habitantes, é um importante centro comercial e industrial. Possui um porto muito ativo e está localizada no mais importante eixo viário turco, o que liga Istambul a Ankara, capital da Turquia moderna.

Do seu passado só restam algumas ruínas do porto da cidade, do palácio imperial de Diocleciano, alguns trechos de um aqueduto e uma fonte do século II d.C.. No dia 17 de agosto de 1999 um forte terremoto, que alcançou 7,4 na Escala Richter devastou a região causando mais de 14 000 mortes.

No século VI, as relíquias da Santa Mártir Bárbara foram transladados para Constantinopla. No século XII, a filha do Imperador Bizantino Aleixo Comenes, que também chamava-se Bárbara, após contrair matrimônio com o príncipe russo Miguel Izyaslavich as transladou para Kiev, capital da atual Ucrânia. Hoje suas santas relíquias descansam na Catedral de São Valdomiro em Kiev.



Kiev


Santa Bárbara - Representação bem antiga

A imagem de Santa Bárbara foi trazida ao Brasil pelos portugueses ainda no período colonial e passou a ser cultuada no século XVII, quando o casal Francisco do Lago e Andressa de Araújo instituiu o Morgado de Santa Bárbara, em 1641, em homenagem à filha Francisca. Este Morgado era composto por prédios e capela dedicada à santa e localizava-se ao pé da Ladeira da Montanha, transformado-se, com o tempo, em mercado.

Devido a um incêndio no Morgado, em 1898, do qual restaram apenas ruínas e a imagem de Santa Bárbara, ela foi transferida, em 1938, para a Igreja do Corpo Santo. A imagem esteve, ainda, nas igrejas do Paço, da Saúde, no Mercado de Santa Bárbara e, atualmente, encontra-se na Igreja do Rosário dos Pretos.

Antigo Mercado de Santa Bárbara

Durante todo este período e ainda hoje a santa é invocada em momentos iminentes contra a morte trágica, trovões, armas de fogo, raios, explosões e temporais.

No Candomblé, Santa Bárbara é Iansã. Por essa razão era de se esperar que entre Santa Barbara e Iansã houvesse certa semelhança de caracteres pessoais, mas não é o que acontece, na realidade. Enquanto a Santa se resguarda na sua castidade, inclusive levando-a a ser decapitada pelo próprio pai por não querer se casar, Iansã tem um procedimento absolutamente diverso: foi mulher de Ogum com quem teve 9 filhos, abandonados por ela e em seguida foi mulher de Xangô, seu verdadeiro amor.

As filhas de Iansã são mulheres audaciosas, poderosas, autoritárias e dinâmicas. Estão sempre procurando algo para se ocupar, são cheias de iniciativa e determinação. São mulheres que nunca passam despercebidas, pois são combativas, teimosas e temperamentais, mas também podem ser doces e meigas, quando possuem interesse em seduzir algum homem.

Então, como se explica a co-relação entre as essas duas mulheres no contexto das duas religiões? Se pela igualdade de procedimento não há como, resta-nos crer na diversidade entre as duas

Achamos que é mais ou menos por ai. Por exemplo, quando da realização da procissão que se faz todos os anos em Salvador, enquanto determinado grupo entoa cantos do candomblé, outro ensaia cânticos católicos.

Conta-se, por exemplo, que numa determinada vez, o bispo sendo abordado a respeito, julgou absolutamente normal as duas manifestações, afirmando categoricamente que Santa Bárbara é Santa Bárbara e Iansã é Iansã. As duas devoções se conservam arraigadas às tradições do povo baiano, ao ponto de trabalharem juntas na organização da festa. Conta-se, por exemplo, que no meio de uma missa que antecedia a procissão, aconteceu uma passagem inusitada – os que professavam o catolicismo passaram a enaltecer Iansã e seus cânticos; por sua vez, os seguidores do Candomblé, entoavam cânticos em homenagem à Santa Bárbara. Absoluto sincretismo que costuma reger a maioria das festas da Bahia.

Outra prova: “Epa hey” uma saudação à Iansã é comumente dirigida também à imagem da santa católica. “Santa Bárbara é minha mãe” é outra muito comum e aí completa- “hoje é dia de homenagear a deusa dos ventos, a rainha das tempestades”. Isso denota o amalgama em que se fundem as religiões na Bahia.

A mesma imagem que sai do Rosário dos Pretos é levada para a porta do Mercado de Santa Bárbara, que concentra as manifestações africanas em favor de Iansã. No local de encerramento da grande festa, as duas imagens estão lado a lado na mesma gruta.


Igreja Rosário dos Pretos no Pelourinho






Tornou-se tradicional em Salvador o famoso caruru do Mercado de Santa Bárbara. Após a procissão que saí do Pelourinho; desce a Ladeira da Praça e no quartel do Corpo de Bombeiros ao fim da mesma, recebe as homenagens da corporação. Em seguida, o povo se encaminha até o Mercado de Santa Bárbara onde é servido um grande caruru. Fala-se que são mais de 70 mil quiabos.

 É organizado pela Ialorixá Risalva Silva Soares, 58 anos e conta com o apoio de mais de 80 ajudantes.


Ele teve inicio quando um dos seus filhos nasceu no dia da festa, 4 de dezembro. Como resultado, são distribuídas cerca de 10.000 quentinhas. É uma tradição que se mantêm ao longo dos anos.



Por fim fica o encanto das coisas que não se explicam. Epa hey” Santa Bárbara. Proteja-nos!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

HOMENAGEM A SANTA BÁRBARA

Hoje é dia de Santa Bárbara. Nascemos nesse dia. Somos seu devoto. Temos sua imagem em nossa sala. Vemo-la todos os dias. Pedimos sua proteção. Cremos que ela nos dá. Vivemos em paz com a nossa consciência. Amamos os que nos são próximos e acreditamos que somos amados.Desejamos felicidade e prosperidade para a nossa cidade e o País. Contribuímos


Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura. Ficai sempre ao meu lado para que possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Pedimos licença aos nossos leitores para essa homenagem e que se estenda a todos a  proteção  divina.