sábado, 11 de janeiro de 2014

AS GARÇAS DA RIBEIRA

Itapagipe, especialmente a Ribeira, surpreende-nos a cada instante. Nesse sábado o autor esteve no belíssimo bairro. Está como que acompanhando as obras de recuperação de suas avenidas, ruas e largos. Está uma buraqueira geral, mas necessário.

Mas como “acompanhando? Em nosso modo de ver as coisas, a cidade pertence às pessoas que moram nela. É natural a nossa preocupação.

Pois bem. Sentamos em um dos bancos que a Prefeitura colocou na Ribeira, mais precisamente nos Tainheiros, bem em frente aos destroços das escunas que não mais navegam. Hoje são apenas esqueletos monumentais.  

Certa ocasião, fizemos uma postagem onde afirmávamos que os Tainheiros viraram um cemitério de escunas e a cada dia ele cresce.



Não vamos repetir a dose. Hoje vamos nos dedicar às garças brancas que se alojam nas  proas das escunas em destroços, possivelmente, fazendo ninho no interior das mesmas.





É mais um programa que a Ribeira nos oferece. 

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O BOMBARDEIO DE SALVADOR ONTEM E HOJE

Palácio Rio Branco com seu lado oeste parcialmente destruído (1912)

Noutro  dia deparamo-nos com a foto acima. É do Palácio Rio Branco na Praça Municipal de Salvador, ainda sem a grande cúpula que hoje ele ostenta e que lhe dá mais beleza arquitetônica, além dos aspectos de harmonização. Se fazia necessária a reforma. Era muito sério e se tornou triste após o seu bombardeio em 10 de janeiro de 1912.

 O ocorrido está completando 102 anos amanhã. Os políticos daquela época estavam se guerreando pelo poder. Gente muita conhecida de todos nós como Ruy Barbosa, Otávio Mangabeira, Luiz Vianna, Severino Vieira, Joaquim José Seabra e até o General Hermes da Fonseca. Todo mundo queria o poder e ninguém se entendia

Rapidamente, desde que o episódio é por demais insólito, o então Governador Araujo Pinho pede renuncia; deveria assumir o cargo o seu sucessor natural o Presidente do Senado Estadual o padre Manuel Leôncio Galvão, mas este não o quis alegando questões de saúde. Isto abriu caminho para o Presidente da Câmara, Aurélio Rodrigues Viana, assumir o posto. Foi o que fez, contudo as forças oposicionistas lideradas por Luiz Viana e J.J. Seabra, não concordaram e pediram intervenção federal.

Não deu outra: o General Sotero de Menezes, da Sétima Região Militar mandou um aviso ao governador que dentro de uma hora (simples 60 minutos) bombardearia a cidade e foi o que fez. Às 14 horas teve inicio o bombardeio oriundo do Forte São Marcelo, São Pedro e  Barbalho.Vinte tiros atingiram a sede do governo,  a Biblioteca Pública e diversos prédios nas proximidades. Instalou-se o caos com a população saqueando os prédios e enfrentando tanto as forças federais como as estaduais, dependendo de que lado estivesse.

Forte de São Marcelo

Interessante! Este acontecimento nos veio a mente durante a queima de fogos do último réveillon. Os fogos partiam do cais sul do Porto de Salvador. Vez em quando um daqueles petardos mais fortes iluminavam o Forte São Marcelo e dava para ver os seus contornos, mas estávamos em outros tempos e reinava paz, alegria e respeito entre todos os baianos.



segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A PALMEIRA INUSITADA DO ESPANHOL

Sem dúvida que as árvores nos encantam. Elas enfeitam as cidades, amenizam a temperatura, fornece-nos mais oxigênio, essas coisas das pessoas que gostam delas.

Também elas nos oferece lances inusitados de equilíbrio e extensão, principalmente das alturas. É o caso das palmeiras.

Hoje vamos destacar as palmeiras do Hospital Espanhol na Barra. Foto adiante:

Palmeiras do Espanhol - Lindas!

Além de lindas, uma delas tem um "inusitado" impressionante. Sua base ou suas raízes estão acasaladas por dentro da "portaria" do nosocômio ou ameaçando ruir o seu espaço ou ser por ele arruinada. Estranho:


Esta penetra pela portaria à dentro

A NOVA BARRA COMEÇA A SE DESENHAR

Sem dúvida que há uma grande expectativa sobre a nova Barra especialmente sobre seu novo piso. Estão sendo retirados os passeios então existentes, tanto do lado das casas, quanto do lado da balaustrada e no seu lugar virá uma nova pavimentação. As fotos espalhadas pelo bairro mostram isto.

Mas fotos, principalmente de maquetes, mostram uma coisa e a realidade é outra. Por essa razão fomos conferir “in loco”, de perto.

Sinceramente, não gostamos. Julgávamos que houvesse algo em granito como eram antes os passeios da grande avenida.Pelo menos, parte deles. 

Não é! É uma cerâmica comum, mas bem comum mesmo. Verdade que depois de um brilho, haverá de se apresentar melhor. Estamos torcendo!


Confiram:



domingo, 5 de janeiro de 2014

LAVAGEM DO BONFIM PATRIMONIO IMATERIAL DO BRASIL

No próximo dia 16 realiza-se mais uma Lavagem do Bonfim e ao longo dos cinco anos desse blog fizemos diversas postagens sobre o evento.

Nossas impressões não foram ditadas pelo sistema de “ouvir falar”. Desde 1940/45, o autor participou de todas as lavagens realizadas desde aquele tempo até os dias de hoje. Morávamos aos “pés do Senhor do Bonfim” como se costuma dizer. De nossa residência víamos a igreja. Íamos a pé todos os domingos para a missa do Padre Lourival para o visto na carteira de estudante do Dom Macedo Costa. Era obrigatório, senão era castigo certo na segunda feira.

Sem dúvida alguma, esta circunstância aliada ao gosto pelas festas da cidade, nos deu condições de relatar com a máxima fidelidade os “acontecimentos” desse grande evento, cremos nós.

Baianas lavando o adro e a própria igreja

Por exemplo: outro dia lemos num jornal que a Lavagem sempre saiu da Conceição da Praia. Não é verdade! Inicialmente, as baianas se concentravam no principio da Ladeira do Bonfim onde se passava uma corda entre a balaustrada e o Solar do Marback. Eram poucas as baianas e eram também poucas as pessoas que as acompanhavam. Às 10 horas, descida a corda, essas baianas e esse pequeno público subiam a ladeira e se dirigiam até a igreja onde se fazia uma encenação de uma lavagem. A foto acima, mostra e prova o que se acaba de dizer. 

Corria o ano de 1940. Àquele tempo, a igreja se mantinha aberta. Hoje é uma “fortaleza”, segundo comentário de um turista; “hermeticamente fechada”, segundo outro.

Claro que hoje não se pode abrir mais a igreja em razão da massa popular presente. Não é isto que se pede. Pede-se o apoio da igreja ao grande evento.

No ano seguinte, ainda na base da ladeira, a Banda de Música da Polícia Militar dos Dendezeiros se incorporou ao evento e as baianas e o público cresceram muitas vezes. Já se percebia a organização de alguma entidade e mais uma vez às 10 horas a corda desceu e esse aglomerado de gente subia cantando o hino ao Senhor do Bonfim, sob os auspícios musicais da Banda Militar. 

Posteriormente, decidiram que a concentração das baianas e do público se faria  no Largo de Roma. Ai os seus participantes percorreram (andaram)  todo o “Dendezeiros”, precisos 1000 metros (l km). Era a primeira manifestação da passeata que viria a ser o formato da  lavagem nos tempos atuais.

Posteriormente, a concentração passou a ser no Largo dos Mares e se acrescentou mais 1 quilômetro.

Mais adiante, resolveram fazer a concentração no Largo do Ouro e posteriormente na Conceição da Praia ao lado da igreja. Nesse último caso,  a distância passou a ser de 6.500 metros
É oficial!

Apesar dos números oficiais, da distância medida por aparelhos, o povo acha que o trajeto tem a distância de 8 quilômetros e segundo muitos a voz do povo é a voz de Deus ‘vox populi, vox dei’; não há como discutir. Em nosso caso, justificamos a distancia maior com uma possível entrada de algumas pessoas na feira de São Joaquim, antes Água de Meninos, para “umas e outras” e outros desvios e acréscimos de percurso.

Outra boa oriunda do povo diz respeito a sua fé no grande santo. “Quem tem fé vai a pé” é a frase que muitos ostentam em camisas aos milhares.

Em algumas de nossas postagens escrevemos sobre as restrições que a Igreja Católica coloca contra a lavagem. Muita gente não entende a razão e nos incluímos nessa leva hoje e sempre. Não se compreende como uma festa em louvor ao Senhor do Bonfim seja malquista pela igreja, com base em alguns excessos cometidos por alguns, desde que no conjunto da obra, há uma infinidade de demonstrações de fervor ao grande santo da Bahia. São famílias inteiras participando do evento. Senhores e Senhoras. Crianças. O povo!

Enquanto isto, na Espanha a igreja designa um padre para receber as preces dos toureiros em todas as arenas daquele País. Quais preces? Que ele não seja atingido pelo touro com o qual vai guerrear; que ele tenha sucesso nas suas manobras de desvio do animal enfurecido; que por fim ele consiga matá-lo com u golpe de espada bem no dorso da fera; que o público o aplauda entusiasticamente pelo seu feito. Amen!





Isto é que deveria ser proibido e em não sendo por questões até de órdem econômica, não deixa espaço nem que seja milimétrico para a Igreja ter o direito de não apoiar a grande festa da Bahia, hoje patrimônio imaterial do Brasil, segundo o Iphan. Isto é que é importante!

Outra questão ainda imprecisa de relação a Lavagem do Bonfim diz respeito ao seu inicio na Conceição da Praia. Temos visto citações até do século XVIII  e muitas do século XIX. Não é nada disto! A essa época o Largo da Conceição da Praia nem existia. Através de fotos que publicamos adiante vão provar esse fato. 



Essa foto esclarece muita coisa. Vamos nos concentrar no que acabamos de afirmar: "não existia a Praça em frente a Igreja da Conceição da Praia. O mar chegava junto aos prédios hoje da Rua da Preguiça que é aquela  existente entre o Elevador Lacerda e a Igreja da Conceição da Praia.

Enseada da Preguiça

Esta foto mais do que prova o que se afirma acima. Os barcos encostados próximos às residências na Preguiça. Mais para a esquerda, a câmara poderia pegar a Igreja da Conceição da Praia. 

Monumento a Riachuelo

Na foto acima, vemos a Praça Riachuelo e o seu famoso monumento. Junto ao mar. No prolongamento do Cais das Amarras.

Cais das Amarras

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

TERNO DE REIS - SIGNIFICADO

Noutro dia fizemos uma postagem sobre a Lapinha, tradicional bairro de nossa cidade, localizado entre a Soledade e a Liberdade. Falamos de sua igreja e do prédio que abriga os carros do Caboclo e da Cabocla, tradicionais alegorias dos festejos do 2 de julho em nossa Capital.


Igreja da Lapinha

Vimos que a palavra Lapinha significa Presépio e que, possivelmente, por esta razão os Ternos de Reis de nossa capital se dirigem para a mesma para as comemorações do Natal desde os idos de 1899.

Como a igreja foi construída em 1791, possivelmente a presença dos ternos na Lapinha seria ainda mais antiga.

Os ternos, contudo, também iam ou vão a outros lugares de Salvador. É o caso do Pelourinho e da Colina do Senhor do Bonfim, durante os festejos desse santo.
Terno no Pelourinho

Pouco se sabe, entretanto, ter havido uma época que os ternos iam à  Amaralina e até Itapagipe.

Reproduzimos notas de jornais da época.




Por fim, vamos ver a origem do termo TERNO- TERNO DE REIS. Achamos que pouca gente sabe, nós inclusive, até que descobrimos o seu significado quase por acaso. (setor musical).

““Como antigamente não havia rádio, nem internet, era preciso que as pessoas andassem pela comunidade anunciando as coisas, um nascimento, um casamento, uma festa. E o dia de reis era um desses dias. Tinha que anunciar a chegada do Salvador. E esse grupo é chamado de terno porque tem três vozes: a primeira, a segunda e a oitava. A oitava é essa voz agudíssima, bem alta, que chegava ao infinito”.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

PROCISSÃO DO SENHOR DOS NAVEGANTES 2014

Mais uma procissão do Senhor dos Navegantes. Aconteceu a pouco, no dia 1º de janeiro de 2014. Registramos sua passagem pela Barra. De resto quem quiser saber toda a  história dessa procissão sugerimos acessar nossa postagem de 5 de novembro de 2009 denominada RÉVEILLON DA BOA VIAGEM – FESTA DE ITAPAGIPE. Naquela ocasião fizemos uma descrição da grande festa, bem como comentamos um fato inusitado ocorrido em 1890. Não podemos deixar de citá-lo:

Conta-se que quando a procissão passava em frente ao Forte de São Marcelo, tradicionalmente, a fortaleza disparava tiros de festim de canhão em homenagem ao evento. Em 1890 houve um pequeno grande engano: dois desses tiros foram verdadeiros e um deles atingiu um navio norueguês que se encontrava ancorado nas proximidades do porto carregado de bacalhau, causando grande pânico aos participantes da procissão e aos incrédulos noruegueses”.




Praia do Porto lotada

Procissão chegando na Barra

Os mais adiantados
A Galeota no meio de tudo.
É como se estivessem assistindo de camarote