terça-feira, 13 de maio de 2014

A 30 DIAS DA COPA REGISTRA O BERIMBAU DO TEMPO

Em 11 de novembro de 2011 escrevíamos uma postagem sobre o andamento das obras da Arena Fonte Nova que peço licença para transcrever parte dela:


(Na Bahia o registro desse extraordinário evento tinha que ser sustentado por um dos maiores símbolos de nosso folclore e tem como finalidade marcar o compasso da dança. Efetivamente, não sabemos se o autor dessa peça teve a intenção de marcar o compasso do tempo com a escultura de um berimbau ou apenas ele está ali como sustentação física e material de um marcador eletrônico. 


Seja como for, registramos como tendo sido “um compasso do tempo” e quem o diz muito bem é nosso amigo de longos anos, médico e professor dos mais renomados, parceiro de grandes mergulhos na nossa costa, Dr. Ângelo Decânio Filho. 



“A capoeira baiana é um processo dinâmico, coreográfico, desenvolvido por dois parceiros, caracterizado pela associação de movimentos rituais, executados em sintonia como ritmo ijexá, regido pelo toque do berimbau, simulando intenções de ataque, defesa e esquiva...
Mais, diz o grande mestre: “Todos os movimentos possíveis do corpo humano são admissíveis no jogo da capoeira, desde que realizados a partir do gingado, em concordância com o toque do berimbau.”)

Pois bem, hoje temos a satisfação de fotografar o Berimbau do Tempo, como havíamos chamado, apenas a 30 dias da copa. 

Apenas 30 dias

(Desde então, passaram-se 908 dias da primeira foto).



segunda-feira, 12 de maio de 2014

PRAIA DO BUGARI COM E SEM AS BARRACAS DE PRAIA



Praia do Bugari ainda com as barracas

Praia do Bugari sem as barracas

As duas fotos acima forçam-nos a uma reflexão. A primeira mostra a Praia do Bugari ao tempo das barracas de praia. Gente por todos os lados, certamente num dia de domingo. Pouco se vê da praia em si.

 Quase todos os espaços estão ocupados. Uma festa, sem dúvida nenhuma de um domingo na Península de Itapagipe. Festa principalmente de pessoas que moram nos Alagados, gente das classes C e D que não tem como se divertir de outra maneira.

A segunda mostra-nos a mesma praia, após a extinção das barracas, também em dia de domingo. Na ocasião, já em vigor as novas regras de uso dessa praia com exclusividade de guardas-sol e cadeiras padronizados.


Diz-se que a cessão é gratuita o que em verdade não está acontecendo e mesmo que o fosse, o banhista fica praticamente obrigado a consumir alguma coisa que o “locatário” podemos assim classificar, tem a vender. Uma situação um tanto quanto vexatória.

domingo, 11 de maio de 2014

SEM LENÇO E SEM DOCUMENTO- SEM GINÁSIO E SEM PISCINA!

Estamos todos eufóricos com o novo Estádio da Fonte Nova. Aliás, estádio não! Arena! É o modismo. Que se há de fazer?

Há, contudo, um “porém” nessa euforia. Para que ele pudesse ser construído sacrificaram o Ginásio de Esportes Antônio Balbino e a Piscina Juracy Magalhães.

O antigo conjunto

O novo "conjunto".

Na época, lembramo-nos que os Poderes Públicos prometeram a construção imediata de outro ginásio e de outra piscina em  Pituaçu.

Nada aconteceu até então e como já estamos no ano de eleições, mais dois ou três anos decorrerão até que se cumpra a promessa. Falamos “promessa”. A concretização em si só deve acontecer em torno de 5 anos o que representa uma geração de atletas. 

Com isto, os esportes praticados nesses dois locais, natação, polo aquático, basquete, voley, futebol de salão, etc. etc. estarão seriamente comprometidos A  Bahia continuará de fora desses esportes à nível Brasil por mais um longo tempo.

Dizem que a extinção da piscina e do ginásio de esportes teria sido uma exigência da FIFA. Seriamente, não se acredita. O que a FIFA não gosta ou não aceita na construção de novos estádios  nos certames 
patrocinados por ela é a pista de atletismo em razão de que aumenta a distância entre o campo e a platéia.


Ai os projetistas de nossa “arena” entenderam que também a piscina e o ginásio que existiam nas proximidades tinham que ser extintos. Puro engano!  Aliás, muitíssimo engano!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

PILAR - CONCEIÇÃO E O PREFEITOSINHO DE DILMA

Esse “prefeitosinho” como foi chamado pela presidente Dilma em comício aqui em Salvador está trabalhando demais. Verdade que o anterior (de relação a sua segunda gestão) deixou a cidade quase  aos pedaços, de modo que, o trabalho do atual tende a aparecer ainda mais.

Mas tem obra que precisa ser feita em nossa cidade da qual não se pode prescindir: a recuperação dos Bairros do Comércio e Pilar.

Foi em razão desses dois distritos que Salvador foi considerada uma das maiores cidades do Hemisfério Sul.  Também são essas localidades as mais vistas pelos turistas, principalmente aqueles que chegam de navio. Praticamente desembarcam nas redondezas e caminham pelas ruas dos dois bairros como que naturalmente.

Quando ainda no navio, a maioria já viu o Elevador Inclinado do Pilar, bem como o nosso Lacerda.  De relação ao primeiro, forçosamente caminham pelas ruas do Pilar, pela Praça Marechal Deodoro e chegam até ele. E o que veem no percurso? Uma cidade desmoronada com os  prédios sustentados por barras de ferro para não caírem de vez. Centenas deles.



Pilar caindo aos pedaços

O mesmo acontece com o Comércio, especialmente a Rua da Conceição da Praia, tanto para a direita, quanto para a esquerda.  Se aprofundar um pouco mais vai ver uma Preguiça acabada, deteriorada.
Tende a amenizar a situação, a extraordinária beleza do Elevador Lacerda e do Mercado Modelo.


Conceição também

Então, senhor Prefeito. Faça o que seu avô fez com o Pelourinho que também estava acabado e ele o recuperou para o mundo. Salvador vai lhe agradecer para sempre. 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

DEGRADAÇÃO DO ANTIGO PALÁCIO DO ARCEBISPADO DE SALVADOR

Os jornais noticiam que o antigo Palácio do Arcebispado de Salvador será recuperado. Como se sabe, este palácio tinha uma ligação lateral com antiga Igreja da Sé que já foi a Catedral de Salvador. Esta passagem evitava que os padres tivessem que sair à rua quando precisasse ir de um lugar para outro.

Palácio Episcopal

A Igreja da Sé - Vê-se o passadiço ligando-a ao Palácio Episcopal

A bela igreja

Tiveram coragem!

Muita coragem!

Já deteriorada

Pois bem! Em 1933 com base na necessidade de modernização da cidade, inclusive com a implantação de trilhos para os bondes circularem na Praça da Sé, resolveram demolir a referida igreja. (um dos crimes cometidos contra o patrimônio da Cidade). Alegou-se que a igreja já estava degradada e não havia condições de recuperá-la, nem eles queriam. Já estava em andamento uma negociação para a mudança do Arcebispado para um palacete no largo do Campo Grande, propriedade do inglês Hugy Wilson. Ele o construiu em 1927.

Os trilhos dos bondes chegando na antiga Praça da Sé

Como era o palacete do Campo Grande ao tempo de Wilson.

Ao que se fala, esta troca foi precedida por entendimentos entre a empresa “Circular da Bahia” controlada por um grupo inglês e a o Arcebispado com vistas à instalação de trilhos para circulação dos bondes dessa Companhia na hoje Praça da Sé.

Há um porém em tudo isto. Se a Igreja da Sé pertencia à Arquiodocese, não lhe eram de sua propriedade quatro quarteirões de imóveis então existentes no espaço onde é hoje a Praça da Sé, também demolidos em razão da implantação dos trilhos a que nos referimos acima e não se tem notícia de que tenha sido paga qualquer indenização aos seus moradores.

Aí se divulgou que assim estava sendo feito para combater às epidemias que assolavam a cidade, quando, na verdade, essas epidemias eram devidas à inexistência de uma estrutura de saneamento básico. Talvez nem fosse o caso da Sé, desde que é sabido que correm em seu subsolo, boas e grandes galerias de água e esgoto.

Mas não teve jeito. O Arcebispado mudou-se para o Campo Grande e ai ficou até 2003\2004 quando deu lugar à Morada dos Cardiais um dos maiores edifícios do local.

O projeto manteve o palacete, pelo menos na sua parte externa, desde que internamente tornou-se uma caixa oca ou no máximo alguns aparelhos de ginástica no seu interior. Além disso, vários elementos que compunham a residência foram demolidos para que se construíssem em seu lugar uma quadra de esportes e um teleférico. Além do mais, foram retiradas diversas árvores e jardins, bem como foram demolidas as garagens e uma torre que havia no fundo da casa.

O grande edifício e o palacete 
O palacete hoje

Visão geral do conjunto- O gradeado à direita da quadra de esporte prejudica e muito o conjunto da obra

Claro que em torno disso houve uma grande polêmica, desde que o prédio é tombado desde 2003, contudo, dando como exemplo diversos prédios no Corredor da Vitória que usaram o mesmo expediente, em 6 de dezembro de 2005 ele foi inaugurado. Fica a torcida para que nada mais aconteça a velha e bela mansão do inglês Hugy Wilson.

sábado, 3 de maio de 2014

AVENIDA JEQUITAIA NO SEU ESPLENDOR

Na postagem anterior abordamos a construção da Avenida Jequitaia, hoje Av. Oscar Pontes. Vimos os precalços de sua construção, principalmente no que se refere à destruição da Igreja do Hospício, pertencente à Ordem dos Carmelitas Descalços.  Poderia tê-la contornado e estaria preservado um templo construído no século XVI.  É muito tempo. Hoje não se faz nada igual, mas a insensibilidade dos homens daquele tempo (1939/1940) era por demais atroz. Por outro lado, nos dá a impressão que a Igreja Católica não andava muito bem com os poderes públicos na época ou se fizeram acordos um tanto quanto duvidosos. Tudo é possível!

Por enquanto deixemos isto de lado e vamos ver através de fotos da época como ficou a grande avenida. É surpreendente o resultado. Extraordinariamente bela e poderia ter sido ainda melhor se não permitisse a construção de nada do lado do mar, como na foto adiante, antes da avenida.

Ainda sem a avenida

Com a avenida



Belíssima

Detalhes: ainda não existia o atual Mercado do Peixe à esquerda, na base da ladeira. Um belo jardim ainda a esquerda. Vê-se um monumento no bloco mais espesso desse jardim. Homenagem a quem? Toda arborizada simetricamente. À direita em frente à igreja o prédio onde funcionou durante um bom tempo a Mesbla Náutica.(hoje casa de show). A igreja do Santíssimo Sacramento estava no auge. (Belíssima). Hoje está aos pedaços.


Já sem uma torre- Quase em ruínas!

Agora vamos ver como o local se modificou quando do lado do mar se instalou a antiga Feira de Água de Meninos:



Feira de Água de Meninos


sexta-feira, 2 de maio de 2014

A CONSTRUÇÃO DA AVENIDA JEQUITAIA E A IGREJA DOS CARMELITAS DESCALÇOS

Sem dúvida alguma que os critérios técnicos urbanísticos de construção das cidades de antigamente e de hoje mudaram muito. Atualmente, a mobilidade urbana é a maior preocupação. Antigamente, a preocupação residia na proximidade dos elementos que compunham a cidade.

 Por essa razão, tudo era perto. A casa era perto do  trabalho, da escola e mesmo da igreja.

Dessa maneira, as cidades foram sendo construídas em blocos compactos. Terminado um bloco, começava outro, logo após. As ruas eram estreitas, suficiente apenas para a passagem das pessoas e dos animais.

Uma rua estreita do Pelourinho, mas dá para passar a bandinha dos garotos

Salvador é um ótimo exemplo desse sistema. Após a construção dos primeiros imóveis do governo, da igreja e as residências de seus moradores entre a atual Praça Castro Alves e o principio da Rua da Misericórdia, tudo muito perto, a cidade avançou para a atual Praça da Sé, ainda perto e se fez novos blocos de casas e igrejas. Em sequência, continuou pelo Terreiro de Jesus, Pelourinho, Taboão e Santo Antônio, não muito longe.

Como era o bairro da Sé ainda com a antiga catedral, depois demolida

Por sua vez, do outro lado, de São Bento, a mesma coisa, até alcançar São Pedro e Piedade
.
Descendo a ladeira, no Comércio, a mesmíssima coisa. A cidade se concentrava entre a Preguiça e o Pilar. Tudo a pé ou a cavalo. Naturalmente, como a cidade foi construída em dois planos em razão de uma  falha geográfica, fizeram-se elevadores e planos inclinados e teve inicio a construção das primeiras ladeiras, não ladeiras para veículos, mas ladeiras para se descer e subir à pé e para quem podia em liteiras carregadas por escravos.

Uma liteira

Com o tempo, alguns setores da cidade começaram a ficar mais longe. Não dava mais para ir a pé e nem todos podiam usar cavalo. Ai surgiram diligências puxadas a cavalo, charretes e até mesmo os primeiros bondes com tração animal. Vieram os trilhos como que disciplinando o tráfego.

Diligência à cavalos


Bonde à cavalos sobre trilhos

Houve como que um domínio das distâncias e para tanto os governos programaram sucessivos avanços a locais mais longícuos.

Foi o caso da construção da Avenida 7 de setembro, ligando o centro da cidade à Barra e foi também o caso da Avenida Jequitaia, ligando o bairro do Comércio à Calçada.

Sobre as obras da Avenida 7 de setembro este blog tratou por diversas vezes, principalmente no que se refere a destruição de diversas igrejas no percurso como foi o caso, por exemplo, da Igreja de São Pedro na foto adiante:

A avenida passou por cima dela. Resultou numa grande celeuma. Além dos templos, foram demolidos quarteirões inteiros de casas, sem dó nem piedade. Na época alegou-se que assim estava sendo feito em razão das pestes que assolaram Salvador àquela época.  Fazia-se uma espécie de saneamento. A verdade, contudo, era outra. Prevaleceu a vontade de construir a avenida e valorizar áreas antes pouco habitadas. Estávamos no principio do século passado.

Depois foi a vez da construção da Avenida Jequitaia, ligando o Comércio à Calçada, obra iniciada por volta de 1939. Também foi complicado, principalmente em razão de que o mar chegava muito perto dos caminhos que deram lugar a grande avenida.  Por sua vez, do outro lado, limitando a ação de expansão, corriam as encostas dos morros da cidade alta de Santo Antônio, Lapinha,  Barbalho e Liberdade.

Da mesma forma do que aconteceu na construção da Avenida Sete, também na construção da Avenida Jequitaia teve que ser demolida muita coisa, inclusive uma igreja maravilhosa situada no litoral do Pilar de pouca gente conhecida.

Referimo-nos à Igreja do Hospício do Pilar, também conhecida como a igreja dos padres Carmelitas Descalços, igreja esta cuja construção se deu no século XVI. Hoje o local é a Travessa do Pilar.

A igreja vista do mar. À esquerda, a igreja do Pilar

Já sem as torres - Começava o estrago
Noutro ângulo

Segundo muitos estudiosos, a demolição não se fazia necessária. A área aterrada ficava atrás da igreja. Foi um crime contra o patrimônio da Bahia.
A Ordem dos Carmelitas Descalços (ou, simplesmente, Carmelitas Descalços, O.C.D.) é um ramo da Ordem do Carmo, formado em 1593, que resulta de uma reforma feita ao carisma carmelita elaborada por Santa Teresa de Ávila e São João da Cruz.
 Santa Tereza de Ávila
São João da Cruz