terça-feira, 19 de agosto de 2014

OS CHAFARIZES DA CONCEIÇÃO DA PRAIA

É sabido, desde Tomé de Souza, da abundância de água potável (doce) em Salvador. Por exemplo, quando transferiu sua frota aportada no Porto da Barra (Vila Velha) para a Enseada da Preguiça em frente onde seria instalada a cidade de Salvador, procurou saber se no local havia água doce potável.

Claro que havia e ainda existe até os dias de hoje. No local funciona a Fonte das Pedreiras ou da Preguiça, construída em 1585.

Fonte das Pedreiras ou da Preguiça

Não se sabia, entretanto, que em frente à igreja da Conceição da Praia, foi instalado em 1853 um chafariz, conforme se pode ver na ilustração adiante:

Um belíssimo chafariz em frente à Igreja da Conceição da Praia
Mais completo
Se não bastasse tanto, em 1898 ( 8 de novembro) o senhor João Gomes, rico comerciante português, benemérito da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, presentou a igreja com um chafariz confeccionado em Lisboa, todo em mármore. Fez questão de registrar a oferta em nome de sua filha Maria Emília Gomes da Costa. 

Chafariz do pátio da Igreja

Detalhe importante da peça - Lindo!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A PRAÇA CASTRO ALVES PELOS TEMPOS

Como é sabido, Salvador ao tempo de sua construção em 1549, foi cercada para se proteger de ataques tanto de índios quanto de corsários que à época corriam o mundo à procura de riquezas ou mesmo de água e comida. Seu acesso se fazia através duas portas, uma ao norte denominada Santa Catarina e a outra ao sul chamada Santa Luzia.

A porta de Santa Catarina ficava localizada no principio da atual Rua da Misericórdia e a de Santa Luzia ao fim da hoje Rua Chile.

 

Isto não quer dizer que os espaços próximos aos limites da cidade, não fossem

visitados ou pelo menos circulados pelas pessoas da época. É o caso, por exemplo, daquele onde hoje se encontra a Praça Castro Alves, desde que através dele os tripulantes das naus que aportaram na Enseada da Preguiça, alcançavam os limites da cidade que se instalava.

 

Nesse sentido, reportamo-nos à nossa postagem datada de 27 de novembro de 2013:

 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

ENSEADA DA PREGUIÇA - A FICÇÃO E A REALIDADE

 

De acordo com o que escreveu Gabriel Soares de Souza em seu Tratado Descritivo do Brasil, Tomé de Souza após aportar suas naus e caravelas no Porto (Vila Velha) não achou segura a permanência das mesmas nesse local. Vejamos o que escreveu o nosso primeiro cronista:

 

“Como Tomé de Souza acabou de desembarcar a gente da armada e assentou na Vila Velha, mandou descobrir a baía, e que lhe buscassem mais para dentro alguma abrigada melhor que a em que estava a armada para a tirarem daquele porto da Vila Velha, onde não estava segura, mandou descobrir a terra bem, e achou que defronte do mesmo porto era melhor sitio que por ali havia para edificar a cidade, e por respeito do porto assentou que não convinha fortificar-se no porto de Vila Velha, por defronte desse porto estar uma grande fonte, bem à borda da água que servia para aguada dos navios e serviço da cidade, o que pareceu bem a todas as pessoas que nisso assinaram’

 

Interpretando o que acima está escrito, inicialmente Tomé de Souza aportou suas naus no Porto da Barra (Vila Velha) e não achando seguro o local, mandou descobrir um lugar mais seguro dentro da “Baia de Todos os Santos” e o lugar escolhido foi a Enseada da Preguiça onde havia uma grande fonte de água doce. Logo acima estava o melhor sítio para instalar a cidade.

 

E a subida para os limites da cidade era feita pelas inclinações hoje das Ladeiras da Preguiça e da Conceição da Praia, obrigatoriamente passando pelo espaço onde hoje se encontra a Praça Castro Alves.

 

É sobre a mesma que vamos tratar, desde aquele tempo até os dias de hoje. Inicialmente no local funcionou uma feira de produtos diversos; aos domingos teria sido local onde se praticava touradas, a grande paixão portuguesa; fosse nos dias de hoje, teria tido a prática de futebol; na sua parte superior foi construído um dos maiores e belos teatros na época, o Teatro São João e a sua parte central foi destinada ora para monumentos, ora para chafarizes.

 


Ilustremos essa inclinação com fotos e ilustrações daquele tempo, procurando dar uma seqüência temporal:


 Teatro São João - No espaço em frente apenas um jardim com duas grandes árvores


Foto colorida  quase do mesmo ângulo já sem o gramado da foto anterior- Ainda não há registro de qualquer monumento ou chafariz em frente ao teatro.

Foto um tanto quanto enigmática. Porquê? Vê-se um monumento ao centro da praça. Teria sido o nosso pelourinho quando esteve nesta praça? É anterior a instalação de chafarizes em nossa cidade para abastecimento de água à população.


A praça já com um chafariz e no pedestal a figura de Cristóvão Colombo
O mesmo chafariz visto de outro ângulo - À direita à ladeira de São Bento e o grande mosteiro



Chafariz em homenagem à Lord Crokone(!?) instalado no Vale do Barris. Trata-se do mesmo chafariz que ostentava a estátua de Cristóvão Colombo na atual Praça Castro Alves. E que fim levou a estátua de Cristóvão? Instalaram-na no Rio Vermelho.


Bela estátua de Cristóvão Colombo


Homenagem à Cristóvão Colombo no Rio Vermelho - A figura poderia estar voltada para o mar. Seria mais condizente. Ele veio pelo mar para descobrir a América.

E esse monumento? Não há registro de sua existência na maioria dos trabalhos sobre a Praça Castro Alves. Ninguém sabe quem é o homenageado.

Já esta todos sabem. É o nosso grande poeta

Eu já não tenho mais vida!
Tu já não tens mais amor!
Tu só vives para o riso,
eu só vivo para dor.

Livros à mão cheia
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar!


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O PELOURINHO DE SÃO BENTO

De alguma maneira, podemos nos considerar satisfeitos em ter constatado que, efetivamente, existiu materialmente o “pelourinho” de Salvador. Isso só foi possível graças ao trabalho de um engenheiro militar, baiano, José Antônio Caldas, quando fez o chamado Prospecto de Caldas. Na sua visão de Salvador dos anos 1750, ele indica com dois traços o referido pelourinho na altura do Mosteiro de São Bento, ou seja, na ladeira que dá acesso à igreja. 




Prospecto de Caldas - Pelourinho:  número 68 - Indicado com seta e círculo amarelo

É muito pouco, poderão dizer muitos. Não considero assim! A sua importância está evidenciada no fato de ser uma prova material da existência do referido monumento. Tudo bem! Mas ninguém ficou sabendo do seu formato, de sua altura, de possíveis desenhos em alto e baixo relevos, etc. etc.  Tinha um pedestal? Possuía uma cruz ou um nicho no alto? Essa coisas de monumentos e de pelourinhos. 

Diante dessa carência, continuamos as pesquisas sobre a referida peça. Fotos, nem pensar. Ainda não tinha sido inventada a máquina fotográfica. Encaminhamos-nos para desenhos e gravuras e parece que encontramos fortes indícios do que procurávamos. Aliás, um único e bendito indicio.

Trata-se de uma gravura da Ladeira de São Bento, ainda sem calçamento, onde se vê algo parecido com um pelourinho. Graças ao recurso da informática, conseguimos ver até seus contornos. Fica provado que, efetivamente, este pelourinho andou por ali. 




Gravura da Ladeira de São Bento, ainda sem calçamento. Indicado pela seta vê-se uma coluna. Deve ser o nosso pelourinho.


Graças aos recurso da informática, conseguimos aumentar a gravura anterior e reproduzi-la e o resultado é uma imagem de uma coluna decorada com relevos e até um pedestal. É o pelourinho de Salvador.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

O PELOURINHO (PICOTA) EXISTIU MESMO - PROSPECTO DE CALDAS

Em postagem recente sobre o Pelourinho, famoso espaço de nossa cidade, dissemos que o “pelourinho” popularmente designado como picota é uma coluna de pedra colocada num lugar público de uma cidade ou vila onde eram punidos e expostos os criminosos.  

O  de nossa cidade foi inicialmente instalado na Praça Tomé de Souza; em seguida fora transferido para o Terreiro de Jesus; depois para as portas de São Bento; em seguida para as portas do Carmo e por fim para um largo adiante da Igreja do Rosário, até sua destruição em 1835 por decisão da Câmara Municipal.  

Já em outros estados da Federação seus pelourinhos foram preservados e há diversos registros dos mesmos, formato,  localização, e história. O de Salvador não, o que poderia resultar até na veracidade de sua existência, não fosse o engenheiro militar José Antônio Caldas, autor de um trabalho cartográfico denominado "Prospecto de Caldas" onde ele "desenha" a cidade de Salvador aí pelos idos de 1750. 

Ele numerou os principais edifícios, igrejas e monumentos de Salvador àquele tempo e o de número 68 indica a existência do nosso "pelourinho". Salve! Salve! Tinha uma certa altura. 

Prospecto de Caldas
 - A seta amarela indica a existência do Pelourinho em São Bento (68)

Prospecto de Caldas (complementação)

Este magnífico prospecto da Cidade do Salvador foi tirado pelo engenheiro baiano José Antônio Caldas, entre 1756 e 1758. Trata-se do mais importante trabalho cadastral da Cidade feito até então. Caldas era um profissional cuidadoso, engenheiro renomado e professor do curso de Engenharia Militar que funcionava no Forte de São Pedro, no século 18.  

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A ORIGEM DO PELOURINHO

Não deixa de ser curioso e até lamentável que o mais famoso “pelourinho” do Brasil, quiçá do mundo, consolidado como patrimônio da Humanidade pela Unesco desde 1985, não tenha preservado a coluna de pedra onde os criminosos eram expostos e castigados.

Sim! A palavra “pelourinho” se refere a uma coluna de pedra localizada geralmente ao centro de uma praça, onde criminosos e escravos eram expostos e castigados. 


Diz-se que o pelourinho de Salvador foi instalado no século 16, no limiar da construção da cidade na Praça Municipal, atual Praça Tomé de Souza. (Havia uma tendência de copiar as coisas de Portugal, onde os pelourinhos eram muito comuns). 


Pelourinho de Vila Real - Portugal


Pelourinho de Vila D'Ouro - Portugal

Posteriormente foi transferido para o Terreiro de Jesus. Ai os jesuítas não suportando os gritos dos torturados, providenciaram sua transferência para as Portas de São Bento. Depois, em 1807 foi deslocado para as Portas do Carmo e mais adiante para um largo acima da igreja do Rosário. Corria o ano de 1829. Por fim, em 1825  a Câmara Municipal resolveu destruí-lo. Infelizmente, não ficou registro de seu formato. Este blog registra com reserva que o referido pode ter sido o que se verá adiante entre grades.


 Uma suspeita

A seguir alguns pelourinhos ainda existentes no Brasil:

Pelourinho de Alcantara

Pelourinho de Ouro Preto
Pelourinho de Mariana

Todos belos. Será que o nosso também era assim? Acreditamos que não. Porquê? Os caras não teriam coragem de destruir tanta beleza, apesar dos horrores que ele simbolizava. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

7x1 - APENAS UMA QUESTÃO TÁTICA

Havia prometido a mim mesmo não voltar a falar de futebol tão cedo. Aliás, este blog não foi criado para isto. Mas o futebol é uma paixão nacional  e como tal tem um envolvência muito grande. Foge ao controle!

O caso é o seguinte: o novo coordenador da seleção, o ex-jogador Gilmar num programa de televisão, criticou o uso de um boné pelos jogadores da seleção com uma mensagem de apoio a Neymar. Disse claramente que isto prejudicou o desempenho de Bernad que o substituiu.


Nada disto! A homenagem foi bonita; solidária e até emocionante. A verdade é que o jovem jogador não estava ainda preparado para enfrentar uma seleção. Daqui a quatro anos, talvez.

Também não tinham condições por questões de ordem técnica: Fred e Jô. Jogávamos com um homem a menos. Quase não pegaram na bola nos jogos em que atuaram.

Mas não vamos sacrificar os dois profissionais em se imaginando que o Brasil perdeu por causa deles. Todos jogaram mal, “do goleiro ao ponta esquerda”, como se dizia antigamente.

As razões são outras e vamos tentar explicar. Basicamente  estranha-se que maioria de nossos jogadores joga nos melhores times da Europa e são tidos como os melhores do mundo: Thiago Silva, David Luiz, Marcelo, Daniel Alves e Neymar, fizeram parte das seleções da maioria dos profissionais da imprensa mundial, ou seja 45% de um time de 11 jogadores. Tiveram também votação expressiva Paulinho, Luiz Gustavo, Oscar, Ramirez e William. É quase o time todo.

E por que deu tudo errado? É fácil e simples a explicação. Na Europa esses jogadores jogam num determinado padrão tático que levou o Barcelona e outros times a encantar o mundo. Quando vieram atuar pela seleção, desceram os degraus da mediocridade tática do atual futebol nacional.


Essa é que a verdade nua e crua, sem mais conversa. Felipão, o simpático treinador brasileiro, o paizão, estava mais preocupado em fazer propaganda, rivalizando-se com Neymar. Dentro de campo, na realidade de um jogo, estava superado, técnica e taticamente. Daí o 7x1 e não foi mais porque os alemães não quiseram.

Diz-se que num jogo treino da seleção alemã contra os índios Pataxós de Santa Cruz de Cabrália, ganharam apenas por 2x0. Enquanto isto....

Assistência

domingo, 3 de agosto de 2014

UM RELÓGIO POR UM TIRO DE CANHÃO


Antigamente, ai pelos idos de 1900, ninguém possuía relógio de pulso que permitisse saber as horas. Faziam-se conjecturas através do sol. O que era usual eram os relógios colocados no alto de alguns prédios ou em praças públicas.  

Em Salvador, era o caso da Prefeitura, atual Câmara Municipal.  Inicialmente por volta de 1696 instalaram um sino na sua fachada. Em fins do século XIX o sino cedeu lugar a um relógio elétrico. Durante nova reforma nos anos 70 do século passado, retornaram com o sino.

Paço Municipal com relógio na sua fachada

Câmara Municipal - Tempos atuais

Os sinos também indicavam as horas. Certas igrejas durante o dia e até mesmo nas primeiras horas da noite badalavam anunciando cada hora. 

Outro relógio famoso e ainda hoje existente é o que se encontra no prédio da Estação Ferroviária da Calçada.  Funciona com uma precisão maravilhosa. Foi instalado em 1896.


Famoso, aliás, famosíssimo, é o nosso relógio de São Pedro. Anteriormente no espaço em torno existia uma igreja: a Igreja de São Pedro. Foi colocada a baixo a mando do então governador J.J. Seabra quando da construção da Avenida 7 de setembro.

Igreja de São Pedro

Colocando abaixo a grande igreja

Não era uma igreja qualquer. Tinha duas torres e uma arquitetura maravilhosa. A devoção à mesma era muito grande. O povo se revoltou. Houve apedrejamento, mas não teve jeito. O governo se prontificou em levantar outro templo mais adiante, na Piedade. 

A nova igreja de São Pedro

Bonita mas sem a tradição da anterior. Além do mais, apenas com uma torre. Também isto é considerado na avaliação patrimonial. 

1916/1920


Monumental!


 Foi importado da França É um relógio “Henry Le Paute A coluna é de autoria de Pasquale De Chirico . O material é constituído por ferro fundido e granito e mede 6.50 m. de altura. Na parte superior possue quatro relógios, apoiados por quatro figuras de Atlantes (2).

O termo “atlante” em arquitetura, refere-se a um tipo de coluna antropomorfa onde, no lugar do fuste, se apresenta a forma esculpida de um homem (no caso, mulheres).

Foi inaugurado em 15 de novembro de 1916.



Superficialmente, julga-se tenha sido uma compensação: o relógio pela igreja destruída. Não foi! Já dissemos acima que o governo compensou a Diocese com a construção de um novo templo.
A história é bem diferente e é escabrosa.

Desde o século XIX o forte de São Marcelo costumava dar um tiro de festim às 9 horas da noite. Era como que um aviso: "é hora de dormir". Toda a população sabia disto e, em termos, respeitava: era um indicativo.

Desde o momento, contudo, que esse mesmo Forte de São Marcelo bombardeou a cidade de Salvador em razão das dissidências políticas envolvendo o próprio J.J. Seabra e figuras outras como Rui Barbosa, o governo proibiu o tal tiro das 9 horas.

Ai, sim, veio a compensação: o governo instalou o relógio de São Pedro que, se não tinha a força de um tiro de canhão, tinha a força da beleza de uma peça glamourosa que muitas cidades gostariam de tê-la. Hoje o relógio de São Pedro é uma das grandes referências de nossa cidade. Precisa ser melhor cuidado!



Tempos atuais- A área está totalmente degradada. Curiosamente, é o local onde mais se vende relógio. Tem diversas relojoarias afora o camelôs com seus relógios populares.