segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 5

A península tem seqüência já do outro lado, ou seja, o lado dos portos: da Lenha e do Bonfim. Nesses locais, desembarcava toda a lenha carbonizada ou não que vinha das ilhas para “aquecimento” de Salvador.

Nesse sentido, há de se lembrar que, antigamente, não existiam os modernos fogões, ferro de engomar e tudo mais que usa aquecimento elétrico. A coisa era feita mesmo na “lenha”.

Daí o nome da ladeira que dá acesso ao alto do Bonfim – Ladeira da Lenha. No ombro dos escravos subia a lenha; em seguida, em carroças tomava o rumo de Monte Serrat, Boa Viagem, Canta –Galo até Água de Meninos (antes da feira). Ali perto, na borda da montanha, subia pela Ladeira da Água Brusca até Santo Antônio Além do Carmo. Caminhava mais um pouco e alcançava a Porta de Santa Catharina que protegia Salvador desse lado. A cidade era cercada de muros altos e fortes.


Ladeira da Jequitaia hoje
 



Após o Estaleiro se construiu uma marina – Marina do Bonfim. Ao lado, fica o Porto da Lenha e em seguida o Porto do Bonfim.

Como se viu anteriormente, a lenha trazida das ilhas era descarregada inicialmente no Porto da Lenha e a mercadoria subia até o alto do Bonfim no ombro dos escravos. Era realmente uma “lenha”. Esta ladeira é super inclinada.

Posteriormente se construiu a Ladeira do Bonfim, bem menos inclinada, permitindo até que as carroças descessem até o Porto do Bonfim.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 4




Após a Ponta do Humaitá vista acima, a península se desdobra numa área difícil, chamada Pedra Furada:

Quase não tem praia no local; somente uma estreita faixa de areia. Quando cheia a maré bate direta num cais imenso, que protege velhas casas como que incrustadas na rocha. Quando vazia, descobre um imenso espaço de argaço e pedras.

Na ponta da formação acha-se o Estaleiro do Bonfim. É muito antigo. Nos primórdios da formação da cidade, esta área já servia para conserto de naus.



O nome Pedra Furada se originou de um minadouro de água doce potável, existente na localidade.

A foto é incrível! Lembra muito um ser humano fazendo uma de suas necessidades fisiológicas. O entorno parece as cochas desse homem de pedra.

Sua água vem de um aqüífero localizado pouco acima. Diz-se que esse minadouro teria sido beneficiado pelo pecuarista Amado Bahia que tinha uma unidade de abate de carne na Pedra Furada. Havia necessidade de muita água. O abatedouro não existe mais, mas o aqüífero ainda está lá, bem como o famoso e inusitado minadouro. Ainda servem à comunidade.

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE – 3


Em frente à Igreja da Boa Viagem já há uma melhoria da praia nessa parte da cidade। A foto abaixo indica isto, pela presença de maior público.
Em seguida, como que emendando uma na outra, já estamos na Praia de Monte Serrat. Muio agradável. Tem o Forte de Monte Serrat como sua marca principal.

Esta é a última praia desse lado da península, desde que, na Ponta do Humaitá não existe praia nem na Pedra Furada, logo adiante.


A Ponta do Humaitá é um local belíssimo, tanto em si própria quanto pela vista que se descortina de toda Salvador quando se lá está.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 2

Antigamente, esta praia chamava-se Praia do Santa Cruz. Tinha esse nome, porquê ali funcionava a sede social do Clube de Regatas Santa Cruz. Faziam-se festas em sua sede – pela Rua Barão de Cotegipe - e no mar em frente e suas bacias, praticava-se natação e pólo-aquático. Numa delas, uma nadadora ( Detinha Campos) teve a perna dilacerada por um tubarão que ficou preso após a maré vazar.

Hoje também é chamada Praia do Canta Galo. A sede do Santa Cruz virou uma das empresas da Barão de Cotegipe e hoje tanto a praia com saída pela Rua do Canta Galo, quanto aquela com saída pela Rua Agrário de Menezes, ambas são Praia do Canta Galo, apesar da separação que as ruínas da Fratelli Vita impõe.
Se já falávamos do avanço sobre a praia da antiga fábrica da Fratelli Vita, e o que dizer da que estamos vendo adiante– além da praia, também o mar foi invadido. É um depósito enorme. Teria sido um frigorífico. Encontra-se desativado.

Após o paredão que vimos há pouco, já estamos na Praia de Roma. O Largo de Roma, ou Praça da Bandeira e hoje Praça Irmã Dulce é visto um pouco atrás (redondo).



Esta praia era ou é uma das mais poluídas desse espaço. Ainda podem ser notadas as terminações de esgoto ao longo de todo o seu percurso, inclusive, de dejetos hospitalares. Não temos certeza se ainda o é. Contudo, em razão desse problema era uma das praias menos freqüentadas da área. Ainda hoje.Tornou-se um antro de traficantes e usuários de drogas. Alguma das ruas que lhe dão acesso, são fechadas por grades de ferro. Todas as casas são protegidas, igualmente por grades. Bobeou- dançou.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ITAPAGIPE COMO PENINSULA – VISTA PELO SATÉLITE - 1



As duas fotos acima via Google Earth, mostram nitidamente onde começa e acaba a Peninsula de Itapagipe. Não nos referimos especificamente à Itapagipe (bairro), mas de modo geral, ao acidente geográfico “Península de Itapagipe”. Diferentemente de uma ilha, uma península é uma parte de terras continentais que avançam sobre o mar, envolvidas por águas marinhas, a exceção apenas da parte que se liga ao continente.

É o que vemos acima, nitidamente: à partir do bairro da Calçada, exatamente na Praia do Canta Galo, o mar envolve quase todo o seu contorno e o faz de forma caprichosa.

Vamos “sobrevoar” este espaço. De avião ou helicóptero? Melhor, de satélite que os tempos modernos nos permite. É o chamado Google Earth da Google. Nas fotos acima, por exemplo, o satélite estava a cerca de 3 quilômetros.

E o primeiro destaque é a Praia do Canta Galo que tem esse nome graças ao aniversário de um galo pertencente a um senhor chamado Oscar. Este cidadão costumava fazer prezépios. Tinha muita habilidade no manejo da madeira. Próximo ao aniversário de um galo de estimação, ele fazia uma espécie de armação no formato de uma pirâmide. Montava-a na praia em frente e tocava fogo graças a uma fogueira que era armada no interior da formação piramidal, toda decorada com papel celofane de muitas cores. Naturalmente, os moradores do local, principalmente crianças, aplaudiam o “espetáculo”. Ao final, eram distribuidos confeitos. Não extranhem: hoje as pessoas não fazem festas para seus cachorros e gatos de estimação?! Naquela época - 1940 –o senhor Oscar fazia a festa para um galo. Do seu jeito.

Este blog já fez uma postagem sobre a origem do nome Canta Galo. Na oportunidade, se contrapôs a uma informação prestada em outro blog de que o nome dessa rua foi dado porque ali tinha existido uma rinha de galos. Categoricamente, não existiu. O autor morou no Canta Galo e era uma dos meninos que apreciava os confeitos do Sr. Oscar após a queimação, independentemente do estranho procedimento.

Ao final da Praia do Canta Gamo destacava-se a fábrica Fratelli Vita de refrigerantes e cristais, nessa ordem. Primeiro os irmãos Vita, Giuseppe e Francesco iniciaram seu negócio com refrigerantes, após rápido período fabricando vinho e licor, principio do século XX (1902). Seus refrigerantes tornaram-se um sucesso a partir dos anos de 1940, principalmente as gasosas de maçã e limão. Chegou a patrocinar boa parte do Carnaval baiano – por exemplo, o Trio Elétrico de Dodô e Osmar. Também patrocinou a participação de Martha Rocha no Concurso Miss Universo.Da mesma forma como é hoje com certas marcas, a cidade era impregnada de “propaganda” alusiva aos seus produtos. A mais famosa é esta colocada no antigo Elevador do Parafuso, também conhecido como Elevador da Conceição, hoje Elevador Laceerda.
E os cristais? Ora, os cristais! Um dos mais famosos do mundo. Teve inicio por um acaso ou, digamos, uma necessidade. Naquele tempo os refrigerantes eram vendidos em garrafas de vidro que eram importadas. Aqui não se fabricava nada. Era proibido! Quando estourou a 1ª guerra mundial (1914), a fábrica parou por falta de garrafas. Aí os dois italianos resolveram fazer uma fábrica de vidro para produzir suas próprias garrafas. No andar da carruagem, passaram a fabricar cristais – os famosos cristais Fratelli Vita. Abaixo fotos de alguns deles:




Acima, as ruínas da antiga fábrica de refrigerantes e cristais Fratelli Vita. Hoje, ao lado, funciona uma faculdade. Campus Fratelli Vita. – Estácio.
Há de se notar o avanço do edifício da fábrica sobre grande parte da praia. No momento dessa foto, a maré estava vazia. Quando cheia, ninguém passava andando ou ainda não passa. Uma evidente transgressão imobiliária, aliás, muito comum na época. Veremos outras nas proximidades.

Enquanto isto, RUÍNAS:

“As ruínas como alegorias da metamorfose e da mística abrigam embaixo de suas pedras o segredo da história; nos convidam a meditar; nos evocam sua força destruidora e nos provocam o desejo de controlar a morte.” – Marcos Serrano
“As ruínas são como uma mistura de natureza e cultura que surge sob nosso olhar crítico das lembranças e esperanças na linha do tempo” – Marcos Serrano


“O universo das ruínas representa um ponto de encontro entre as variadas civilizações, nas dimensões de tempo e de espaço। As ruínas estão associadas ao ato criador, à construção que lhe antecede, seja física ou conceptual, a um conjunto sujeito a interpretações verbais, pictórias, musicais ou de outra forma artística” – Nelson Cerqueira.






Esta estátua de mármore foi trazida da Italia por Giuseppe Vita. Na sua mão esquerda as frutas do guaraná e a sua direita uma roda dentada embaixo das pedras sílicas, ícones, em estado primário, do processo industrial de refrigerantes e cristais.
 
A mesma estátua em foto de hoje. Deu tudo errado! A grande fábrica foi vendida à Brahma e se pensava que essa indústria desse continuidade à fabricação dos refrigerantes da Fratelli. Não foi isto que aconteceu! Foi uma absorção para retirada dos produtos da praça. A marca Fratelli Vita, para cristais continua em poder da família. Vez em quando surge a notícia do retorno de sua fabricação, mas está muito difícil. Todos os artífices de sua fabricação devem ter morrido. Vai ser muito difícil encontrar iguais. Eram maravilhosos. Grandes profissionais.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ORLA DE SALVADOR

Longe está a política deste blog। Alguns quilômetros de distância! Consideramos que a política destorce os fatos conforme a tendência e o gosto de cada um. Esse procedimento é nefasto para um blog como este que trata da cidade de Salvador como ela foi, como é e como será. Nada mais, nada menos!
 
Hoje, vamos tratar de nossa orla de um modo geral, desde Itapoâ até a Ribeira, o que significa dizer, algo em torno de 40 quilômetros e neste espaço o atual Prefeito realizou muitas obras.

Será? Vamos ver. E como se explica a baixa popularidade do cidadão? É a política que distorce os fatos ao sabor dos interesses de cada facção.

Estamos em Itapoâ (an) e temos o prazer de ver a balaustrada de tronco de árvores chegar às suas bordas, junto com passeios bem feitos, inclusive ciclovia. Antes disso, era um caos.

Na Pituba, no espaço onde funcionava o Clube Português da Bahia, a Prefeitura fez uma grande praça – Praça Wilson Lins. Tem suas limitações é verdade, mas é um lugar com muito verde e o mar está a vista. Felizmente não o esconderam como o ex-clube fazia.

Vista aérea do ex-clube Português= frente para a avenida e fundo para o mar.
Em Ondina, aquela praça horrível com uma espécie de arena – arquibancada inclusive – para prática de aeromodelismo (é verdade) e dois campos de futebol degradados, foi substituída por outra bem organizada com quadra poli-esportiva, um campo de futebol com arquibancada, sanitários, etc. e creiam, conseguiram circundar o coqueiral existente na área com uma praia artificial que se liga com a verdadeira quase sem ser percebida.Muito bem bolada!
 

Chegamos à Barra. Todos devem se lembrar da celeuma provocada pela substituição dos antigos passeios de pedra portuguesa por algo mais moderno e consistente. Consistente? Sim! A maneira como são colocadas as pedras em Salvador, não permite uma fixação confiável. As pedras se soltam fácil e os buracos deixados por elas causavam problemas de torção aos transeuntes e atletas do Cooper. Fez-se então um passeio de cimento e granito e bem mais largo. Por outro lado,os antigos passeios eram muito estreitos. Junto com as árvores plantadas ao longo dele, praticamente as pessoas vindas em sentido contrário, tinham que pedir licença para passar uma pela outra.

Nas proximidades das praias da Barra, no Chame-Chame, a Prefeitura modernizou a Avenida Centenário e da mesma forma que a celeuma dos passeios da praia, houve muita conversa sobre a tubulação do rio que ali corria. Mas que rio? Foi um rio, o Rio dos Seixos aí por volta do século XIX\XX. Quando a Prefeitura fez a obra, era apenas um canal fétido. Hoje é uma das mais belas avenidas da cidade. Até mesmo as inundações que o Chame-Chame sofria nos dias de chuva, deixaram de existir. Virava um lago desde a Praça dos Reis Católicos até o Shopping Barra.
 

Obra dos mesmos moldes está sendo realizada na Avenida Vasco da Gama com a tubulação do canal do Rio Lucaia. No local, vai passar uma linha de ônibus preferencial. Mas logo o Rio Lucaia? Antes de um julgamento definitivo, vejam uma foto de como ele é hoje. Muito pior do que o canal do Chame-Chame.

Agora a Prefeitura dirige suas vistas para a Ribeira. Seus passeios estão sendo alargados e decorados com granito, bem como as árvores estão recebendo iluminação vinda de baixo.




Por fim, junto ao chamado Largo do Bonfim, à beira-mar, onde localizava-se a antiga fábrica de beneficiamento de cacau Barreto de Araujo, está sendo construído uma grande praça com várias funções de entretenimento.



Esta postagem não estaria completa se não falássemos das antigas barracas de praia que continuam fazendo falta, independentemente de sua estética e outros fatores. Elas eram como um “Oasis” em meio ao imenso calor de nossas praias. Ninguém agüenta ficar o tempo todo exposto ao sol, apesar das sobrinhas, todas elas com limitações de cobertura.
No contexto das coisas, as pessoas mais idosas foram as mais prejudicadas. Sem condições de se expor nas praias, tinham as barracas como local de descanso e prazer. Os turistas também! São raros áqueles que se dispõem em ir direto para a praia. Após boas caminhadas, tinham nas barracas uma ótima opção de descansar. Ainda recentemente, um suíço sendo entrevistado por uma emissora de TV, manifestou esse detalhe. Ele já conhecia Salvador de outra viagem. Apropriadamente, fez a comparação. Não tem quem agüente!

Até mesmo os jovens usavam as barracas para uma cerveja mais garantida, estupidamente gelada. Agora, ficam limitados às oferecidas em caixas de isopor. Um horror e um perigo. Perigo? Por quê? Alguém já pensou onde estes isopores são guardados após um dia de trabalho? Não? Vou lhes dizer – em galpões fétidos, fundos de quintais e até mesmo nas transversais menos transitáveis, isto é, na rua. Geralmente esses lugares são o espaço de ratos, baratas e formigas. Será que antes de serem usados, eles são desinfetados? Claro que não!Ai o nosso amigo pequeno comerciante coloca o gelo no recipiente e em seguida as latinhas de cerveja. Será que essas latinhas não são infectadas? Claro que são! E depois o líquido não é consumido nelas próprias? A boca, as mãos, têm contato direto com o alumínio do produto. Este recurso de uma pequena proteção de plástico num dos seus lados, é muito pouco. Deveria envolver toda a lata, desde que o simples contato já se constitui um grande problema.
Sinseramente, não se percebia esse importante detalhe. Agora todos estão sabendo. Cuidado!