sábado, 19 de novembro de 2011

ESTÁDIO DA FONTE NOVA OU ARENA FONTE NOVA?

A antiga Fonte Nova chamava-se oficialmente Estádio Octávio Mangabeira. Isto mesmo, Octávio com “c”, conforme a ortografia da época, ou seja, 28 de janeiro de 1951, quando foi inaugurado.

Àquela época, os estádios e outros equipamentos esportivos, levavam o nome do governador que ordenava a sua construção. Na Fonte Nova tivemos três exemplos: o próprio Estádio Octávio Mangabeira, o Ginásio de Esportes Antônio Balbino e a piscina Juracy Magalhães.
 
Em outros estados aconteceu a mesma coisa. O Maracanã no Rio de Janeiro chama-se Estádio Mario Filho; o Morumbi em São Paulo chama-se Estádio Cícero Pompeu de Toledo e o Mineirão em Minas Gerais, Estádio Governador Magalhães Pinto. E por ai vai por todo o Brasil.
 
Uma das raríssimas exceções e tinha que ser com ele, é o Estádio Rei Pelé em Maceió, mas mesmo assim, tem gente que insiste em chamá-lo O Trapichão. Um nome horrível!Menos mal do que levasse o nome de um governante alagoano. Aí seria terrível! Mas porquê Trapichão? Porque localizado no bairro chamado Trapiche da Barra, aí sim uma denominação mais suave e tradicional. Estádio Trapiche da Barra.
E como é o critério denominativo das praças de esportes de outros países? Tem também o nome de reis, presidentes e políticos ou lá a coisa é diferente?

É diferente! Vamos começar com dois estádios famosos porque os seus donos são dois dos maiores clubes do mundo: o Barcelona e o Real Madrid.

O estádio do Barça chama-se “Camp Nou” . Significa em catalão – Campo Novo – Seu nome oficial é Estadio Futbol Clube Barcelona.

Já o estádio do Real Madrid, chama-se Santiago Bernabeu.

Será que Santiago Bernabeu foi nome de algum político, de um rei, de um aristocrata? Que nada! Santiago Bernabéu Yeste, nasceu em Almansa em 8 de junho de 1895 e faleceu em Madrid em 2 de junho de 1978. Jogou pelo Real Madrid. Tornou-se empresário e posteriormente Presidente do clube, sendo considerado o maior presidente da história do clube. Quando jovem foi soldado ao tempo da Guerra Civil Espanhola.

Ainda na Península Ibérica, a nossa querida Portugal, os dois mais importantes estádios de lá têm denominações absolutamente distante de pessoas: um chama-se O Dragão e o outro Estadio da Luz.

Este último é conhecido também como “A Catedral”, aí um nomem bonito.

O primeiro pertence ao Esport Club do Porto e o outro ao Benfica:




Na França, temos o Parc des Princes, pertencente ao Paris Saint Germain.

Ainda na França, lembramo-nos do Lyon. Seu estádio chama-se Stade Olympique Ives Du Manoir. Epa! Ives Du Manoir, pode ser o nome de um político importante! Não é! Ele foi um aviador e jogava rúgbi pela seleção francesa desse esporte. Foi morto em um acidente de avião em 2 de fevereiro de 1928. Tinha apenas 23 anos.

Outra história interessante sobre nome de estádios na França é o Roland Garros. Pouca gente sabe por que esse extraordinário complexo de tênis chama-se Roland Garros. Até o pessoal ligado a esse esporte desconhecia o fato. Tem esse nome em homenagem a um aviador, heroi nacional.


Do outro lado, na Inglaterra, o mundo se encanta com o novo estádio de Wembley. Tem esse nome porque está localizado em Wenbley, ao norte de Londres.
Até então, estivemos circulando pelo mundo ocidental. Será que no Oriente, onde os governos nem sempre são democráticos e se faz a vontade imperial de seus dirigentes, os estádios de futebol tem o nome de seus presisdentes e governadores?
Não tem. Pasmem! Na Chima, por exemplo, temos o belíssimo estádio da foto adiante.

Ele foi visto pelo mundo inteiro quando da realização das Olimpiadas naquele País.
 
Chama-se, “simplesmente” Estadio Nacional de Pequim”.

Toda essa longa história deve-se a um fato, aliás, dois fatos: quando da escolha do novo nome que se daria ao Estadio da Fonte Nova que se constroi com vistas à Copa do Mundo de 2014, aventaram chamá-lo de "Estádio Presidente Luiz Inacio Lula da Silva".

Pelo amor de Deus! Uma coisa não tem nada haver com outra coisa. O nosso governador, Jacques Wagner, foi absolutamente contra e mais: também foi contra quando sugeriram que o estádio poderia chamar-se “Estádio Governador Jacques Wagner”. Vocês estão malucos? Teria dito. Parabéns governador! Isso quebra uma inclinação comun e antipática em nossa terra. Acabamos de historiá-la. O caso do complexo esportivo da antiga Fonte Nova é emblemático: num mesmo lugar o nome de três governadores. Algo fora do comun.
 
Emquanto isto, a nova Fonte Nova está entre dois nomes, nomes que o grande público haverá de chamá-la abreviadamente, como sempre fez: Estadio da Fonte Nova ou Arena Fonte Nova, ou menos ainda: FONTE NOVA. De relação ao nome Arena da Fonte Nova, uma das construtoras já está chamando assim; pelo menos é o que indica uma placa colocada na cerca de madeira que envolve a construção do estádio. Não deveria! Parece-nos que o projeto indica Estádio da Fonte Nova, mantendo uma tradição.
 
De qualquer sorte, lembramos a todos o significado de ARENA. Em latim significa AREIA, mas uma areia que não nos agrada e nem a ninguém. Refere-se àquela areia que era colocada no piso para encobrir o sangue dos animais mortos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

ESTÁDIO DA FONTE NOVA- BERIMBAU DO TEMPO

O futebol está na ordem do dia. O Brasil deverá sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Bahia será uma das sedes do grande certame. Alguns estados preferiram reformar os seus estádios. Outros optaram por fazer novos estádios, mantendo os que já têm e ainda outros, botaram abaixo o que tinha para construir no local um novo estádio. A Bahia está neste último caso. Tinha a Fonte Nova e a demoliu. E daí? Qual é o problema?

Não é só um problema, são dois. Ao tempo em que demoliram o estádio de futebol, demoliram também as piscinas e o ginásio de esportes. Resultado, Salvador ficou sem piscina e sem ginásio de esportes e vai levar tempo para se construam esses equipamentos em outro local.

Em conseqüência, certames nacionais dos esportes de piscina e de “ginásio” não serão realizados em Salvador durante muito tempo. Quem quiser vê-los, terá que assistir pela televisão. Às vezes, até é mais atraente, há de se confessar, contudo, o prejuízo técnico que a falta desses equipamentos causará ao esporte da Bahia é incalculável. Toda uma geração de atletas estará seriamente prejudicada. É o caso do Clube Olímpico da Bahia que treinava nas piscinas da Fonte Nova e acabou de pedir desfiliação à Federação Baiana de Natação. Era um celeiro de grandes nadadores. Fez até um campeão mundial.

Isso é parte de uma realidade, um dos lados da moeda. Vamos dizer que é “CARA”. Já o outro lado, a “COROA” poderá significar o coroamento da construção de um belo estádio com vistas à Copa do Mundo de Futebol, evento que é do interesse de toda uma coletividade, seja ela esportista ou não, goste ou não goste de futebol, pois o que está em jogo é a construção de um monumento de nossa cidade, num dos locais mais belos que ela possui, por onde passa todos os dias centenas de milhares de pessoas e olham, queiram ou não, o andamento dessa gigantesca obra de engenharia.

Claro que este blog não poderia ficar à parte dessa realização. Isso também é história, história de nossa cidade, história moderna.

Somente estávamos em dúvida sobre a melhor forma de registrar o fato e ele estava ali, às nossas vistas, todos os dias que passávamos nas proximidades. O berimbau sustentando um marcador eletrônico de dias, no caso, dos dias que faltam até o grande evento.

Na Bahia o registro desse extraordinário evento tinha que ser sustentado por um dos maiores símbolos de nosso folclore que tem como finalidade marcar o compasso da dança.

Efetivamente, não sabemos se o autor dessa peça teve a intenção de marcar o compasso do tempo com a escultura de um berimbau ou apenas ele está ali como sustentação fisica e material de um marcador eletrônico.

Seja como for, registramos como tendo sido “um compasso do tempo” e quem o diz bem é nosso amigo de longos anos, médico e professor dos mais renomados, parceiro de grandes mergulhos na nossa costa, Dr. Ângelo Decânio Filho:

“A capoeira baiana é um processo dinâmico, coreográfico, desenvolvido por dois parceiros, caracterizado pela associação de movimentos rituais, executados em sintonia com o ritmo ijexá [1], regido pelo toque do berimbau, simulando intenções de ataque, defesa e esquiva...

Mais, diz o grande mestre: Todos os movimentos possíveis do corpo humano são admissíveis no jogo da capoeira, desde que realizados a partir do gingado, em concordância com o toque do berimbau...


Pois é esse berimbau que vai marcar os movimentos construtivos da grande obra; como ela crescerá aos poucos a partir do solo barrento da Fonte Nova até se tornar uma grande casa de espetáculos.

Se passamos pela emoção de registrar o cataclismo da implosão do ex-estádio em postagem memorável, haveremos de tempos em tempos de registrar o crescimento das novas estacas, brotando da terra até as alturas de sua cobertura extraordinária।



Abaixo fazemos o nosso primeiro registro do estágio da obra:

sábado, 12 de novembro de 2011

FAVELA DA ANTIGA FÁBRICA BARRETO DE ARAUJO

Desde a nomeação de Itapagipe como Pólo Industrial de Salvador pelos idos de 1940, implantou-se na península dezenas de indústrias, principalmente de beneficiamento de chocolate. Foram cinco no total, algo em torno de 14% do montante conhecido.
O cacau, àquela época, comandava o espetáculo das exportações brasileiras. Só a indústria Barreto de Araujo processava um milhão de sacas por ano, algo em torno de US$ 120 milhões.
Justamente esta indústria tem uma história muito ligada a Itapagipe de antes e de agora. Foi instalada no chamado Porto do Bonfim, ao lado do Largo do Bonfim, próximo ao Porto da Lenha. Subindo as ladeiras próximas, chega-se à Colina do Senhor do Bonfim.
Antes de se instalar como fábrica de chocolate o local serviu como depósito de pólvora. Sim, isto mesmo! Pólvora! Na época era um produto dos mais importantes ao ponto de a própria capital ser bombardeada por questões de ordem política. Antes dos tiros verdadeiros, deram dois tiros de pólvora como aviso. Brasileiros contra brasileiros. Baianos contra baianos. Decorria o ano de 1912 e precisamente no dia 10 de janeiro, às 14 horas, teve inicio um bombardeio com canhoneio oriundo do Forte do Mar (Forte São Marcelo), Forte de São Pedro e Forte do Barbalho. Os tiros atingiram o Palácio do Governo, a Biblioteca Pública, a Câmara e um quartel da Policia Militar. O “espetáculo dantesco” durou quatro longas horas.





Passado os tempos, eis que em 1960 se instala nesse local a indústria a que estamos nos referindo. Também uma bomba. Jogava seus dejetos no mar ao lado – borra de cacau. A água nas proximidades ficava roxa. Deve ter provocado muitos problemas de saúde.



Findo o grande periodo do cacau da Bahia, entre os anos 1980/1990, todas as fábricas de beneficiamento do cacau fecharam as suas portas, inclusive a Barreto de Araujo. O prédio ficou abandonado por muitos anos até que por volta de 2004/2005, o mesmo foi invadido por pessoas de baixa renda e instalaram dentro de suas dependências, uma favela. Outra bomba.

Até que o ano passado a Prefeitura conseguiu desalojar os invasores e botou abaixo a ex-grande fábrica, encerrando defitinivamente essa história bombástica.

Agora vai se iniciar uma outra história, qual seja o aproveitamento dessa área de 6.675 metros quadrados. Fala-se na construção de um centro de atividades náuticas, com pier e atracadouro para pequenos barcos. Cuidado! É preciso estudar bem a questão. Essa área em horas de maré vazia, fica absolutamente raza à uma distância aproximada de 300 metros, tornando-a abolutamente imprópria para a navegação de barcos até de pequeno porte.

Não é por outra razão que a Marina do Bomfim ao lado, construiu um pier com cerca de 200 metros de extensão, para facilitar a operação dos barcos.


Não quer isto dizer que haja absoluta impropriedade do local para ativades do mar, mas é preciso estudar bem a questão.

Por outro lado, ficamos temerosos que se faça algo de mau gosto que nem foi feito na Pituba, após a demolição do Clube Português.

Aqui, o mau gosto imperou em todos os sentidos, do mar, da terra, do ceu! Outra bomba!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

RIBEIRA SEM LENÇOS, SEM DOCUMENTOS

A Ribeira, a nossa tradicional Enseada da Ribeira em Itapagipe, transformou-se paulatinamente num verdadeiro cemitério de escunas e outros barcos. As fotos adiante apresentam o quadro:





Velhas escunas, carcomidas, estão ali ancoradas por falta de absoluta navegabilidade. Estão nas últimas como se diz também.

Talvez os proprietários das mesmas possam justificar que ainda há condições de se aproveitar uma parte ou outra da embarcação, mas sem dúvida que elas permanecerão ali por muito tempo, até que as correntezas de maré vazante possam levar suas últimas tábuas para o grande canal da Baía de Todos os Santos e daí se dirigirem pra os lados de Saubara e Cabuçu, como acontece com todo o lixo proveniente dos Alagados, também na Ribeira.

Enquanto isto, o aspecto, o visual do local, da Ribeira das Naus como já foi conhecida, estará sumamente prejudicado aos olhos das pessoas que a visitam como, por exemplo, os turistas. Sim! Constantemente vêem-se ônibus e kombis de turistas parados bem nesse local ou próximo, afim de “olhar” o Solar Amado Bahia que fica em frente.

 Este que também está se deteriorando, já deve proporcionar uma “certa” decepção aos nossos visitantes, acostumados com as coisas bem tratadas de suas terras, principalmente os europeus. Aí o cenário de degradação se completa com o da borda do mar e suas escunas ao léo.
É sabido que o senhor Amado Bahia, antes de morrer, doou essa mansão à Associação dos Empregados do Comércio do Estado da Bahia. Esta não se fez de rogada e “lascou” uma placa gigantesca na fachada da grande residência, registrando a posse. Não precisava tanto! Em ocasiões tais, faz-se uma placa de bronze (por causa do salitre) e a coloca numa das paredes do prédio. É distinto e tem o mesmo poder e força.
Resultado: os turistas estão tirando suas fotos com mais esse detalhe inusitado, posicionado bem na varanda da grande mansão। Se já não bastasse a ferrugem que deteriora sua estrutura de ferro. A mansão como que se equilibra sobre ela. Um dia a casa cai!


Ampliado também está o píer de atracação de uma das marinas existentes na Ribeira, onde funcionou o Hidroporto de Salvador. Ela tem como base a sede do mesmo. A partir daí, o píer à direita está estendido até quase a sede do Santa Cruz, cerca de 70 metros. Quem está na balaustrada não vê nada adiante. Por exemplo, os torcedores em dias de regata costumam correr do hidroporto até a sede do Santa, torcendo pelos barcos em competição. É onde praticamente os páreos se decidem. O autor deste blog andou também fazendo suas corridinhas ao tempo de jovem, torcendo pelo São Salvador e sabe bem o que está falando.

Outra coisa importante ainda de relação à raia de remo da Ribeira. Ela é oficial e o foi por Decreto do Departamento Nacional de Portos e Navegação, órgão ligado ao Ministério dos Transportes e/ou ao Ministério da Marinha, desde 1940, ou seja, 71 anos atrás e nunca foi revogado. Tem que ser respeitado. E não foi numa das últimas regatas, quando uma escuna invadiu a raia de competição, justamente no momento da disputa de um dos páreos. A população em terra gritava assustada. Os juízes de raia na sua lancha acenavam com bandeiras e a escuna impávida e colosso, deslizava pelas águas tranqüilas do canal, quase causando um acidente.

Acidente também poderá ocorrer quando um barco em treinamento bater numa dessas escunas que costumam ficar ancoradas em meio à raia. A raia de remo também é para treinamentos. Preparem-se para pagar os prejuízos ao barco. A raia é dos clubes e da Federação Baiana de Remo, segundo provas em contrário.

Finalizando, diz-se na Bahia “que todos os caminhos levam ao Bonfim” e estando nós na Ribeira onde fomos fazer as fotos dessa postagem, evidentemente que passamos pela Baixa do Bonfim. Dias antes fomos até o Alto pagar uma promessa. Pois bem! Ao curvamos à Rua do Meio, deparamo-nos com quatro cavalos “pastando” na encosta. Ei-los:




Os turistas devem estar adorando!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BONDES- DESDE AS GÔNDOLAS ATÉ OS ELÉTRICOS

Há três postagens consecutivas estamos falando de bondes. Foram motivadas pela remessa de fotos desses veículos por dois grandes amigos, Humberto e Dortas. Quem haveria de resistir? Coloquei-as no blog, contudo, procuramos dar uma conotação que achamos importante em casos tais: comentamos o espaço onde o bonde foi fotografado, o chamado “entorno” físico, isto é, a rua ou avenida onde estava circulando à época, bem como, as vezes, falamos das pessoas que a fotografia mostrava, anônimos daqueles tempos.

Foi o caso adiante:

Dizíamos: “Vamos fechar com chave de ouro esta postagem sobre os antigos bondes de Salvador. Um bonde circula pela chamada Rua de Fora, na Baixa do Bonfim (de Fora porquê existe uma Rua de Dentro ou do Meio, todas nas proximidades da baixada). Os cinco homens à frente do bonde, inclusive o motorneiro, estão de gravata borboleta e chapéu. O da esquerda está de cartola e fraque. Estaria indo para aonde? Chiquérrimo!”
Como se viu, falamos da rua aonde o bonde andava e até nos referimos às pessoas que estão à frente do veículo. Poderíamos ter citado o menino que, de braços cruzados, está na calçada, possivelmente esperando que o bonde passe para que ele possa atravessar a rua ou apenas está ali, dirigindo seu olhar curioso na direção do fotógrafo.

Como todas as fotos que nos foram enviadas são de uma determinada época entre 1910 a 1960, este o último ano em que os bondes deixaram de circular em Salvador, sentimos que se fazia necessário nos reportarmos ao período anterior a 1910, ao século XIX ou até menos se assim for necessário. É uma força interior que nos leva a pesquisar até aonde for possível e temos a impressão que também o leitor foi provocado nesse sentido. Ele quer saber mais. Saber tudo até esgotar a última gota do assunto. Vamos lá!

E como era o transporte coletivo de Salvador anteriormente? Por exemplo, ao tempo de Tomé de Souza, Diogo Álvares Correia, Duarte da Costa, essa gente de nossa história?

Não havia! Por essa razão, as habitações que se construíam eram próximas do local de trabalho, do lugar que se estudava ou da igreja onde se rezava. A cidade cresceu dentro desse contexto, tudo muito próximo, do que resultou uma aglomeração dos prédios, um ajuntamento ligado por becos e travessas.

Até princípio dos 1800 praticamente nada aconteceu. Em 1845, através Lei Municipal, (Lei 223 de 03 de maio de 1845) foi concedido o privilégio de se estabelecer companhias de transporte coletivo,as chamadas gôndolas que só entraram em operação em 1851, o tempo necessário para a constituição das empresas, sua capitalização e encomenda das primeiras peças. (Se ainda hoje esta coisa é demorada, imaginem naquele tempo).

A concessão foi obtida pelo cidadão chamado Antônio Filgueiras que deu inicio à operação com duas linhas: uma da Cidade Alta até a Barra e a outra do Comércio até o Bonfim. Em pouco tempo, o mesmo contrato foi transferido para o senhor Rafael Adriani, leiloeiro italiano.







Reproduzimos acima diversos modelos de gôndolas. Rodavam livremente em qualquer terreno plano. Ainda não se pode considerá-las como bondes e efetivamente não eram. Pareciam mais as antigas diligências dos filmes americanos de cowboy.

Somente em 1864, foram aprovadas algumas linhas de gôndolas sobre trilhos. Começava a se desenhar a figura dos bondes – sobre trilhos. O próprio senhor Adriani foi o precursor.

Em 1866 os primeiros trilhos foram assentados e em 12 de maio de 1869 é inaugurado o serviço da linha férrea urbana dos “veículos econômicos” em substituição às antigas gôndolas. A nova companhia tinha como sócios o próprio senhor Nicolau Adriani e mais os senhores, Carneiro da Rocha e Paulo Pereira e Monteiro.


Em 1871 ocorreu uma modificação importante no sistema de tração dos bondes sobre trilhos. Foi colocada em operação a chamada “maxambomba”. Do que se tratava? Era uma espécie de locomotiva mirim que mais parecia um trator dos tempos de hoje. Ela substituía os cavalos na condução dos bondes de um ou de dois andares. Vejam-na:
A introdução desse veículo em Salvador foi feita pelo senhor Francisco Antônio Pereira da Rocha, rico comerciante daqueles tempos.

A apresentação desta “extraordinária” máquina movida por motor a vapor foi um acontecimento notável. O povo enchia a Praça do Palácio e a grande máquina fazia diversas evoluções “sem causar o menor incômodo aos circunstantes”. Apesar de tudo, a mexambomba não foi aprovada e for parar em Porto Alegre. Não se sabe se foi por terra ou por navio.

E, finalmente, em 1897, surgiram os bondes elétricos, trazendo consigo as grandes empresas do setor “Companhia Brasileira de Energia Elétrica (ainda como Guinle & Co.), The Bahia Tramway, Light and Power Co. (na liderança de Percival Farquhar), Companhia Linha Circular de Carris da Bahia, mas aí já é assunto de blog especializado em bondes. Aqui só os achamos bonitos e chiques.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BONDES- BOMFIM COM ‘’M’

A nossa postagem sobre os bondes de Salvador já está repercutindo entre os nossos leitores. Muitos estão nos oferecendo fotos dos antigos bondes, numeração das linhas, trajetos e mais não sei quantas coisas.

Dentro do possível, haveremos de aproveitar cada informação e formatá-las em próximas postagens. O primeiro da lista, o nosso amigo José Dortas, grande mergulhador dessa Baía de Todos os Santos, nos enviou as seguintes fotos, das mais preciosas:



Na sequência, o amigo de Itapagipe, acrescentou duas outras ainda mais preciosas e interessantes:

A primeira delas, um bonde e outro a reboque na porta do Elevador Lacerda, parte de baixo.
 
O bonde vinha pela Rua Portugal; passava em frente à antiga Alfândega (hoje Mercado Modelo); virava à esquerda pela lateral do antigo Mercado Modelo, em seguida, curvava ainda à esquerda e parava em frente Elevador Lacerda.
 
A seta amarela indica o referido bonde, encostadinho ao antigo Mercado Modelo. Vai em direção ao Elevador Lacerda após virar à esquerda.


A outra grande foto do Dortas impressiona. Um bonde está parado em plena hoje Avenida Dendezeiros do Bonfim. Alguns passageiros estão do lado de fora. Possivelmente ou o bonde quebrou ou faltou energia. Sim! Tinha também esta de faltar energia. Era um grande problema. Às vezes demorava de voltar.
 
Além disto, a foto tem outros detalhes importantíssimos na recuperação dos velhos tempos. Isto para um pesquisador é como encontrar uma mina de ouro. O primeiro deles, diz respeito à vegetação em torno da grande avenida. Palmeiras minha gente até quase à colina que se vê ao fundo! Certamente, quando do alargamento da avenida, elas foram sacrificadas.
 
Porque não sacrificaram o outro lado? Possivelmente porque desse lado construir-se-ia a Vila dos Dendezeiros da Polícia Militar e, consequantemente, com o passar dos anos, o Hospital de Irmã Dulce, desde que o espaço do mesmo foi uma cessão de posse da Vila Militar à Santa da Bahia. No local funcionava a cavalariça da vila.
 

O segundo “grande” detalhe dessa foto é a inscrição contida fora dela, na sua parte inferior. “Bahia, Roma – Bom  Fim”.

Bomfim com “M” antes de “F”. Estranho, não é?

Nem tanto. A Prefeitura de Salvador também escrevia assim. Veja uma de suas placas de rua:


A respeito tivemos oportunidade em 21 de outubro de 2009 escrever uma postagem sobre o assunto.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009

HISTÓRIA DE SALVADOR- CIDADE BAIXA - O VERDADEIRO NOME DA IGREJA DO BOMFIM

Quando este blog foi criado, afirmamos que as informações nele contidas seriam fruto de pesquisas em diversas fontes e conhecimento do lugar. Moramos muitos anos na Cidade Baixa, entre infância no Canta Galo e juventude em Itapagipe.
Não fosse a experiência advinda dessa vivência, seria impossível ou pouca produtiva a ação da própria pesquisa. Ou levaríamos anos para realizá-la ou a faríamos de forma pouco convincente.

Um evidente erro de gramática. “Antes de "F" não se põe M”. Mas aí está a placa da Prefeitura. Bem no Largo de Roma. Têm outras por toda Itapagipe, indicando o caminho do Bomfim. Tem uma na Praia do Bugari. Têm mais duas bem próximas da Colina: uma no final da Avenida Dendezeiros do Bonfim e outra no final da Rua da Imperatriz, quase esquina com a Baixa do Bonfim. Todas indicam Bomfim com “m”.
Resultado: malho na Prefeitura. Como se faz uma coisa desta? Inclusive ela própria se contradiz, quando na placa indicativa do nome da Avenida Dendezeiros está lá escrito Bonfim com “n”. Avenida Dendezeiros do Bonfim.
Mas será que está errado mesmo? Será que o nome do Santo é com M e não com N. Foram feitas pesquisas de todos os lados, consulta e surpresa, o verdadeiro nome do Santo é Senhor Bom Jesus do Bomfim. A imagem foi trazida de Portugal pelo militar Teodósio Rodrigues de Farias. Ela é de Setubal naquele País e lá o santo chama-se Bom Jesus do Bomfim de Setubal.

Como surgiu o nome Bomfim lá em Portugal. Diz-se que a imagem foi encontrada próxima a Setubal (sempre a imagem foi “encontrada” e não “feita”). A partir do seu descobrimento procurou-se dar a mesma um “bom fim”. Ficou sendo Senhor Bom Jesus do Bomfim. Pode ser também o bom fim de todas as coisas, o bom fim da vida ou o bom fim da morte. Que tudo tenha um bom fim, este é o nosso desejo, poderíamos dizer para alguém que persegue um objetivo ou tenta a solução de um problema. (REF: CARVALHO FILHO – 1932).

Não foi por outra razão que o militar Teodósio Rodrigues de Farias que tinha uma patente alta na hierarquia das forças armadas portuguesas, portanto um homem com algum conhecimento das coisas, possivelmente de gramática, ao registrar a Irmandade dos Devotos do Senhor do Bomfim, o fez acertadamente com M. Ele era de Setubal.E agora? Vale o registro Bomfim ou vale a tradição do nome Bonfim? Briga boa!

BONDES – ANTECIPAÇÃO DE UMA MODERNIDADE

O bonde foi um dos primeiros meios de transporte coletivo das populações que viviam nas cidades de todo o mundo. Inicialmente, tinham tração animal – um ou dois cavalos – depois se motorizaram, movidos à energia elétrica. Nesta ocasião a tração era feita sobre uma paralela de trilhos com cerca de 1.20 m. entre as duas rodas. Talvez tenha sido esta dependência – andar sobre trilhos – a principal razão de sua extinção. Era uma enorme limitação em comparação com os ônibus que se moviam em todos os sentidos.
Um bonde eletrico de um lado e do outro um bonde puxado à burros

Curiosamente, entretanto, não foram os ônibus que deram prosseguimento ao progresso dos transportes nas grandes capitais. Foram os bondes a fonte de inspiração dos metrôs que hoje transportam milhões de pessoas, geralmente em baixo da terra.

- Mas como assim?


- Eram os bondes que usavam paralelas de trilhos।


- Os trens também usavam paralelas de trilhos e são também velozes que nem os metrôs.


- Sem dúvida, mas os trens não eram movidos à energia elétrica. Os bondes eram e ainda são em algumas cidades. Esta é a grande vantagem dos bondes em relação aos trens numa comparação dessa natureza. Não tem similar na história dos transportes.

Aliás, até que tem. Esquecemo-nos dos novos carros que estão sendo lançados de forma gradual pela indústria automobilística – os carros elétricos. Eles estão chegando como salvação de uma situação global, qual seja a escassez do petróleo cada vez mais acentuada com as guerras do mundo árabe. Senão isto, os preços que se elevam a cada conflito.


Carro elétrico da Renaut
 
Viva então os bondes। Os eternos bondes! Precursores da modernidade de hoje, ou melhor, antecipando-se a ela।

EG