quinta-feira, 10 de novembro de 2011

RIBEIRA SEM LENÇOS, SEM DOCUMENTOS

A Ribeira, a nossa tradicional Enseada da Ribeira em Itapagipe, transformou-se paulatinamente num verdadeiro cemitério de escunas e outros barcos. As fotos adiante apresentam o quadro:





Velhas escunas, carcomidas, estão ali ancoradas por falta de absoluta navegabilidade. Estão nas últimas como se diz também.

Talvez os proprietários das mesmas possam justificar que ainda há condições de se aproveitar uma parte ou outra da embarcação, mas sem dúvida que elas permanecerão ali por muito tempo, até que as correntezas de maré vazante possam levar suas últimas tábuas para o grande canal da Baía de Todos os Santos e daí se dirigirem pra os lados de Saubara e Cabuçu, como acontece com todo o lixo proveniente dos Alagados, também na Ribeira.

Enquanto isto, o aspecto, o visual do local, da Ribeira das Naus como já foi conhecida, estará sumamente prejudicado aos olhos das pessoas que a visitam como, por exemplo, os turistas. Sim! Constantemente vêem-se ônibus e kombis de turistas parados bem nesse local ou próximo, afim de “olhar” o Solar Amado Bahia que fica em frente.

 Este que também está se deteriorando, já deve proporcionar uma “certa” decepção aos nossos visitantes, acostumados com as coisas bem tratadas de suas terras, principalmente os europeus. Aí o cenário de degradação se completa com o da borda do mar e suas escunas ao léo.
É sabido que o senhor Amado Bahia, antes de morrer, doou essa mansão à Associação dos Empregados do Comércio do Estado da Bahia. Esta não se fez de rogada e “lascou” uma placa gigantesca na fachada da grande residência, registrando a posse. Não precisava tanto! Em ocasiões tais, faz-se uma placa de bronze (por causa do salitre) e a coloca numa das paredes do prédio. É distinto e tem o mesmo poder e força.
Resultado: os turistas estão tirando suas fotos com mais esse detalhe inusitado, posicionado bem na varanda da grande mansão। Se já não bastasse a ferrugem que deteriora sua estrutura de ferro. A mansão como que se equilibra sobre ela. Um dia a casa cai!


Ampliado também está o píer de atracação de uma das marinas existentes na Ribeira, onde funcionou o Hidroporto de Salvador. Ela tem como base a sede do mesmo. A partir daí, o píer à direita está estendido até quase a sede do Santa Cruz, cerca de 70 metros. Quem está na balaustrada não vê nada adiante. Por exemplo, os torcedores em dias de regata costumam correr do hidroporto até a sede do Santa, torcendo pelos barcos em competição. É onde praticamente os páreos se decidem. O autor deste blog andou também fazendo suas corridinhas ao tempo de jovem, torcendo pelo São Salvador e sabe bem o que está falando.

Outra coisa importante ainda de relação à raia de remo da Ribeira. Ela é oficial e o foi por Decreto do Departamento Nacional de Portos e Navegação, órgão ligado ao Ministério dos Transportes e/ou ao Ministério da Marinha, desde 1940, ou seja, 71 anos atrás e nunca foi revogado. Tem que ser respeitado. E não foi numa das últimas regatas, quando uma escuna invadiu a raia de competição, justamente no momento da disputa de um dos páreos. A população em terra gritava assustada. Os juízes de raia na sua lancha acenavam com bandeiras e a escuna impávida e colosso, deslizava pelas águas tranqüilas do canal, quase causando um acidente.

Acidente também poderá ocorrer quando um barco em treinamento bater numa dessas escunas que costumam ficar ancoradas em meio à raia. A raia de remo também é para treinamentos. Preparem-se para pagar os prejuízos ao barco. A raia é dos clubes e da Federação Baiana de Remo, segundo provas em contrário.

Finalizando, diz-se na Bahia “que todos os caminhos levam ao Bonfim” e estando nós na Ribeira onde fomos fazer as fotos dessa postagem, evidentemente que passamos pela Baixa do Bonfim. Dias antes fomos até o Alto pagar uma promessa. Pois bem! Ao curvamos à Rua do Meio, deparamo-nos com quatro cavalos “pastando” na encosta. Ei-los:




Os turistas devem estar adorando!

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

BONDES- DESDE AS GÔNDOLAS ATÉ OS ELÉTRICOS

Há três postagens consecutivas estamos falando de bondes. Foram motivadas pela remessa de fotos desses veículos por dois grandes amigos, Humberto e Dortas. Quem haveria de resistir? Coloquei-as no blog, contudo, procuramos dar uma conotação que achamos importante em casos tais: comentamos o espaço onde o bonde foi fotografado, o chamado “entorno” físico, isto é, a rua ou avenida onde estava circulando à época, bem como, as vezes, falamos das pessoas que a fotografia mostrava, anônimos daqueles tempos.

Foi o caso adiante:

Dizíamos: “Vamos fechar com chave de ouro esta postagem sobre os antigos bondes de Salvador. Um bonde circula pela chamada Rua de Fora, na Baixa do Bonfim (de Fora porquê existe uma Rua de Dentro ou do Meio, todas nas proximidades da baixada). Os cinco homens à frente do bonde, inclusive o motorneiro, estão de gravata borboleta e chapéu. O da esquerda está de cartola e fraque. Estaria indo para aonde? Chiquérrimo!”
Como se viu, falamos da rua aonde o bonde andava e até nos referimos às pessoas que estão à frente do veículo. Poderíamos ter citado o menino que, de braços cruzados, está na calçada, possivelmente esperando que o bonde passe para que ele possa atravessar a rua ou apenas está ali, dirigindo seu olhar curioso na direção do fotógrafo.

Como todas as fotos que nos foram enviadas são de uma determinada época entre 1910 a 1960, este o último ano em que os bondes deixaram de circular em Salvador, sentimos que se fazia necessário nos reportarmos ao período anterior a 1910, ao século XIX ou até menos se assim for necessário. É uma força interior que nos leva a pesquisar até aonde for possível e temos a impressão que também o leitor foi provocado nesse sentido. Ele quer saber mais. Saber tudo até esgotar a última gota do assunto. Vamos lá!

E como era o transporte coletivo de Salvador anteriormente? Por exemplo, ao tempo de Tomé de Souza, Diogo Álvares Correia, Duarte da Costa, essa gente de nossa história?

Não havia! Por essa razão, as habitações que se construíam eram próximas do local de trabalho, do lugar que se estudava ou da igreja onde se rezava. A cidade cresceu dentro desse contexto, tudo muito próximo, do que resultou uma aglomeração dos prédios, um ajuntamento ligado por becos e travessas.

Até princípio dos 1800 praticamente nada aconteceu. Em 1845, através Lei Municipal, (Lei 223 de 03 de maio de 1845) foi concedido o privilégio de se estabelecer companhias de transporte coletivo,as chamadas gôndolas que só entraram em operação em 1851, o tempo necessário para a constituição das empresas, sua capitalização e encomenda das primeiras peças. (Se ainda hoje esta coisa é demorada, imaginem naquele tempo).

A concessão foi obtida pelo cidadão chamado Antônio Filgueiras que deu inicio à operação com duas linhas: uma da Cidade Alta até a Barra e a outra do Comércio até o Bonfim. Em pouco tempo, o mesmo contrato foi transferido para o senhor Rafael Adriani, leiloeiro italiano.







Reproduzimos acima diversos modelos de gôndolas. Rodavam livremente em qualquer terreno plano. Ainda não se pode considerá-las como bondes e efetivamente não eram. Pareciam mais as antigas diligências dos filmes americanos de cowboy.

Somente em 1864, foram aprovadas algumas linhas de gôndolas sobre trilhos. Começava a se desenhar a figura dos bondes – sobre trilhos. O próprio senhor Adriani foi o precursor.

Em 1866 os primeiros trilhos foram assentados e em 12 de maio de 1869 é inaugurado o serviço da linha férrea urbana dos “veículos econômicos” em substituição às antigas gôndolas. A nova companhia tinha como sócios o próprio senhor Nicolau Adriani e mais os senhores, Carneiro da Rocha e Paulo Pereira e Monteiro.


Em 1871 ocorreu uma modificação importante no sistema de tração dos bondes sobre trilhos. Foi colocada em operação a chamada “maxambomba”. Do que se tratava? Era uma espécie de locomotiva mirim que mais parecia um trator dos tempos de hoje. Ela substituía os cavalos na condução dos bondes de um ou de dois andares. Vejam-na:
A introdução desse veículo em Salvador foi feita pelo senhor Francisco Antônio Pereira da Rocha, rico comerciante daqueles tempos.

A apresentação desta “extraordinária” máquina movida por motor a vapor foi um acontecimento notável. O povo enchia a Praça do Palácio e a grande máquina fazia diversas evoluções “sem causar o menor incômodo aos circunstantes”. Apesar de tudo, a mexambomba não foi aprovada e for parar em Porto Alegre. Não se sabe se foi por terra ou por navio.

E, finalmente, em 1897, surgiram os bondes elétricos, trazendo consigo as grandes empresas do setor “Companhia Brasileira de Energia Elétrica (ainda como Guinle & Co.), The Bahia Tramway, Light and Power Co. (na liderança de Percival Farquhar), Companhia Linha Circular de Carris da Bahia, mas aí já é assunto de blog especializado em bondes. Aqui só os achamos bonitos e chiques.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

BONDES- BOMFIM COM ‘’M’

A nossa postagem sobre os bondes de Salvador já está repercutindo entre os nossos leitores. Muitos estão nos oferecendo fotos dos antigos bondes, numeração das linhas, trajetos e mais não sei quantas coisas.

Dentro do possível, haveremos de aproveitar cada informação e formatá-las em próximas postagens. O primeiro da lista, o nosso amigo José Dortas, grande mergulhador dessa Baía de Todos os Santos, nos enviou as seguintes fotos, das mais preciosas:



Na sequência, o amigo de Itapagipe, acrescentou duas outras ainda mais preciosas e interessantes:

A primeira delas, um bonde e outro a reboque na porta do Elevador Lacerda, parte de baixo.
 
O bonde vinha pela Rua Portugal; passava em frente à antiga Alfândega (hoje Mercado Modelo); virava à esquerda pela lateral do antigo Mercado Modelo, em seguida, curvava ainda à esquerda e parava em frente Elevador Lacerda.
 
A seta amarela indica o referido bonde, encostadinho ao antigo Mercado Modelo. Vai em direção ao Elevador Lacerda após virar à esquerda.


A outra grande foto do Dortas impressiona. Um bonde está parado em plena hoje Avenida Dendezeiros do Bonfim. Alguns passageiros estão do lado de fora. Possivelmente ou o bonde quebrou ou faltou energia. Sim! Tinha também esta de faltar energia. Era um grande problema. Às vezes demorava de voltar.
 
Além disto, a foto tem outros detalhes importantíssimos na recuperação dos velhos tempos. Isto para um pesquisador é como encontrar uma mina de ouro. O primeiro deles, diz respeito à vegetação em torno da grande avenida. Palmeiras minha gente até quase à colina que se vê ao fundo! Certamente, quando do alargamento da avenida, elas foram sacrificadas.
 
Porque não sacrificaram o outro lado? Possivelmente porque desse lado construir-se-ia a Vila dos Dendezeiros da Polícia Militar e, consequantemente, com o passar dos anos, o Hospital de Irmã Dulce, desde que o espaço do mesmo foi uma cessão de posse da Vila Militar à Santa da Bahia. No local funcionava a cavalariça da vila.
 

O segundo “grande” detalhe dessa foto é a inscrição contida fora dela, na sua parte inferior. “Bahia, Roma – Bom  Fim”.

Bomfim com “M” antes de “F”. Estranho, não é?

Nem tanto. A Prefeitura de Salvador também escrevia assim. Veja uma de suas placas de rua:


A respeito tivemos oportunidade em 21 de outubro de 2009 escrever uma postagem sobre o assunto.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009

HISTÓRIA DE SALVADOR- CIDADE BAIXA - O VERDADEIRO NOME DA IGREJA DO BOMFIM

Quando este blog foi criado, afirmamos que as informações nele contidas seriam fruto de pesquisas em diversas fontes e conhecimento do lugar. Moramos muitos anos na Cidade Baixa, entre infância no Canta Galo e juventude em Itapagipe.
Não fosse a experiência advinda dessa vivência, seria impossível ou pouca produtiva a ação da própria pesquisa. Ou levaríamos anos para realizá-la ou a faríamos de forma pouco convincente.

Um evidente erro de gramática. “Antes de "F" não se põe M”. Mas aí está a placa da Prefeitura. Bem no Largo de Roma. Têm outras por toda Itapagipe, indicando o caminho do Bomfim. Tem uma na Praia do Bugari. Têm mais duas bem próximas da Colina: uma no final da Avenida Dendezeiros do Bonfim e outra no final da Rua da Imperatriz, quase esquina com a Baixa do Bonfim. Todas indicam Bomfim com “m”.
Resultado: malho na Prefeitura. Como se faz uma coisa desta? Inclusive ela própria se contradiz, quando na placa indicativa do nome da Avenida Dendezeiros está lá escrito Bonfim com “n”. Avenida Dendezeiros do Bonfim.
Mas será que está errado mesmo? Será que o nome do Santo é com M e não com N. Foram feitas pesquisas de todos os lados, consulta e surpresa, o verdadeiro nome do Santo é Senhor Bom Jesus do Bomfim. A imagem foi trazida de Portugal pelo militar Teodósio Rodrigues de Farias. Ela é de Setubal naquele País e lá o santo chama-se Bom Jesus do Bomfim de Setubal.

Como surgiu o nome Bomfim lá em Portugal. Diz-se que a imagem foi encontrada próxima a Setubal (sempre a imagem foi “encontrada” e não “feita”). A partir do seu descobrimento procurou-se dar a mesma um “bom fim”. Ficou sendo Senhor Bom Jesus do Bomfim. Pode ser também o bom fim de todas as coisas, o bom fim da vida ou o bom fim da morte. Que tudo tenha um bom fim, este é o nosso desejo, poderíamos dizer para alguém que persegue um objetivo ou tenta a solução de um problema. (REF: CARVALHO FILHO – 1932).

Não foi por outra razão que o militar Teodósio Rodrigues de Farias que tinha uma patente alta na hierarquia das forças armadas portuguesas, portanto um homem com algum conhecimento das coisas, possivelmente de gramática, ao registrar a Irmandade dos Devotos do Senhor do Bomfim, o fez acertadamente com M. Ele era de Setubal.E agora? Vale o registro Bomfim ou vale a tradição do nome Bonfim? Briga boa!

BONDES – ANTECIPAÇÃO DE UMA MODERNIDADE

O bonde foi um dos primeiros meios de transporte coletivo das populações que viviam nas cidades de todo o mundo. Inicialmente, tinham tração animal – um ou dois cavalos – depois se motorizaram, movidos à energia elétrica. Nesta ocasião a tração era feita sobre uma paralela de trilhos com cerca de 1.20 m. entre as duas rodas. Talvez tenha sido esta dependência – andar sobre trilhos – a principal razão de sua extinção. Era uma enorme limitação em comparação com os ônibus que se moviam em todos os sentidos.
Um bonde eletrico de um lado e do outro um bonde puxado à burros

Curiosamente, entretanto, não foram os ônibus que deram prosseguimento ao progresso dos transportes nas grandes capitais. Foram os bondes a fonte de inspiração dos metrôs que hoje transportam milhões de pessoas, geralmente em baixo da terra.

- Mas como assim?


- Eram os bondes que usavam paralelas de trilhos।


- Os trens também usavam paralelas de trilhos e são também velozes que nem os metrôs.


- Sem dúvida, mas os trens não eram movidos à energia elétrica. Os bondes eram e ainda são em algumas cidades. Esta é a grande vantagem dos bondes em relação aos trens numa comparação dessa natureza. Não tem similar na história dos transportes.

Aliás, até que tem. Esquecemo-nos dos novos carros que estão sendo lançados de forma gradual pela indústria automobilística – os carros elétricos. Eles estão chegando como salvação de uma situação global, qual seja a escassez do petróleo cada vez mais acentuada com as guerras do mundo árabe. Senão isto, os preços que se elevam a cada conflito.


Carro elétrico da Renaut
 
Viva então os bondes। Os eternos bondes! Precursores da modernidade de hoje, ou melhor, antecipando-se a ela।

EG

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

BONDES DE SALVADOR- CHIQUÉRRIMO!

Há poucos dias recebemos via internet diversas fotos dos antigos bondes que circulavam em Salvador até a década de 1960, aproximadamente.
Além do prazer de recordá-los, acrescente-se a isto a lembrança dos espaços onde eles circulavam, espaços estes hoje modificados pelas circunstâncias do tempo e razões outras de diversas ordens. A remessa foi feita por um grande amigo de Jequié, Humberto Barros, sempre atento as coisas da capital.
Por exemplo, o antigo bonde da Federação circulando em meio a vegetação agreste, quase nativa, onde deveriam correr pelo seus espaços senão onças e leopardos, pelo menos, gatos do mato e raposas.
Noutra foto, vemos a antiga igreja de São Pedro e o largo do mesmo nome. Um bonde circula num dos seus lados, bem encostadinho. Pois bem! Esta igreja e este largo foram destruídos para dar passagem a atual Avenida 7 de Setembro aí por volta de 1920. J.J. Seabra, então governador, queria por que queria, abrir os caminhos para a sua avenida, não importando as tradições históricas e a importância arquitetônica do que quer que fosse.

O nosso grande governador, o Reformista, só não teve sucesso na sua concepção retilínea, ou seja, no movimento em que o corpo ou ponto material se desloca apenas em trajetórias retas, segundo os físicos, quando teve pela frente os padres do Mosteiro de São Bento e da Basilica Arqueiabacial de São Sebastião, isto bem ao inicio das obras. Parou tudo por várias semanas. Foram feitas muitas reuniões. Consultadas diversas entidades. Por fim, os padres venceram e a avenida teve se curvar à direita
Na foto acima, um bonde se acha ao lado da Praça Castro Alves à direita e outro está lá em cima da ladeira, onde ela se curva. Logo no principio da Ladeira de São Bento à direita, vê-se ainda antigo prédio de três andares e junto a ele um mais alto de quatro andares. Esses dois prédios foram colocados abaixo para se construir no local o atual Edificio Sulacap, oportunidade em que se alargou a Rua Carlos Gomes.
A foto acima mostra-nos já o Edifício Sulacap construído। Há de se reparar que os casarões ao fim da Ladeira da Montanha, ainda se encontram no lugar. Só muitos anos depois, foram demolidos.

A terceira foto recebida no e-mail a que estamos nos referindo é uma grande incógnita. A principio, há de se pensar tratar-se da Rua Chile, mas não é e nos baseamos em alguns detalhes e comparações realizadas com outras fotos da mesma via.



O primeiro grande detalhe é a existência de árvores nos dois lados da famosa rua. À direita, conta-se cerca de 10 árvores e à esquerda são reparadas umas três e, segundo se sabe, a famosa rua nunca teve árvores em seu percurso.

Adiante, coletamos algumas fotos da Rua Chile em diversas épocas. Em nenhuma delas há árvores.


A foto seguinte também é da Rua Chile ainda estreita e ainda com uma só paralela de trilhos. Nesta também não havia árvores, o que é um bom indicativo do fato.

Há uma hipótese de que este pedaço de avenida seja aquele que vai da Piedade até o Passeio Público, na época chegando até o fim dessa avenida. Apenas uma vaga hipótese.
A quarta foto que nos foi enviada mostra quatro bondes. Dois que se acham parados num canteiro então existente na Praça Municipal.

Um que vem em sentido contrário e o quarto está numa posição um tanto quanto estranha – em frente ao Palácio Rio Branco, esquina com a Rua Chile. Há de se reparar que não há ligação de trilhos com a paralela dos existentes na Rua Chile, bem como não se vê trilhos em frente ao palácio. Teria esse bonde descarrilado e afastado para o lado? E os passageiros dentro dele, o que estariam fazendo? Descansando? Evitando o sol?
Afastado para o lado? É possível। Não se vê o motorneiro.
A próxima foto é sensacional! É o Cais do Ouro, hoje Praça Marechal Deodoro. Reparem a beleza dos jardins em torno. Em meio a eles passa um bonde.




Na sequência de belas fotos da Salvador do principio do século XX, temos acima o espaço aonde veio a funcionar a antiga feira de Água de Meninos ( a primeira – não confundir com a atual Feira de São Joaquim). Também o espaço em torno era muito bonito. A igreja é da Santíssima Trindade, hoje caindo aos pedaços e servindo até de abrigo para famílias pobres.
 
Ao alto, à direita, já o Porto de Salvador funcionando – vê-se parte de um dos seus quebra-mares.
Três bondes circulam no pedaço.

Vamos fechar com chave de ouro esta postagem sobre antigos bondes de Salvador. Um bonde circula pela chamada Rua de Fora, na Baixa do Bonfim.( de Fora porquê existe uma Rua de Dentro ou do Meio, todas nas proximidades da baixada).

Os cinco homens à frente do bonde, inclusive o motorneiro, estão de gravata borboleta e chapéu. O da esquerda está de cartola e fraque. Estaria indo para aonde? Chiquérrimo!




 

domingo, 30 de outubro de 2011

O VELHO CASARÃO DA PONTA DO HUMAITÁ

Em 26 e 28 de outubro de 2009, tivemos ocasião de nos referir à Ponta do Humaitá, esse extraordinário local de Salvador, localizado na Península de Itapagipe, mais precisamente no Bairro de Monte Serrat. Além da sua igrejinha onde abriga Nossa Senhora de Monte Serrat, tratamos especialmente de uma residência próxima dela que é uma das mais antigas de nossa capital, ainda em bom estado de conservação. Ela foi construída em 1619.




Dizíamos naquela oportunidade que, nessa residência teria morado o Padre Antônio Vieira. Somente morado, desde que o grande sacerdote de nacionalidade portuguesa, só chegou ao Brasil em 1614, ainda menino. Logo, ele não patrocinou a construção do imóvel como às vezes é citado. Residia no centro de Salvador com seus pais. Presume-se que a construção tenha sido realizada por quem herdou esse pedaço de terra do Conde Garcia D’Avila ou o próprio, ele que era proprietário de todo esse espaço e tantos outros. O difícil é saber qual dos Dias d’Ávila foi realmente o responsável pelo feito. O primeiro deles chamava-se Garcia de Souza d’Ávila e era filho de Thomé de Souza. Faleceu em 1609, dez anos antes do ano que a placa aponta (1619). Não pode ter sido ele. Em seguida vieram: Francisco Dias d’Ávila, Garcia d’Ávila II, Cel. Francisco Dias d’Ávila, Francisco Dias d’Ávila Pereira e Cel. Garcia d’Ávila Pereira III. Esse último nasceu em 1680 e faleceu em 1734. Está fora de cogitação. Deve ter sido o penúltimo deles, o Francisco Dias d’Ávila Pereira.


Completávamos, ela foi construída na parte mais bem protegida da ponta. Originalmente, tinha quatro lados avarandados a fim de aproveitar a amplitude do local. Hoje possui apenas três lados, desde que a parte anterior ao mar foi terrivelmente sacrificada.

Como isto aconteceu? Naquela oportunidade dos blogs de 2009, juntamos as duas fotos seguintes:.

Em lugar da varanda com as seis colunas, construíram um paredão divisório na casa ao lado. A seta indica-o.


Já na foto acima, vê-se uma coluna embutida na parede. Mais cinco dessas colunas faziam parte desse lado onde se encontra hoje a referida parede. Foram todas demolidas. A casa que tinha quatro lados avarandados hoje só possui três.  


Não temos a menor dúvida desse detalhe. E para comprovar o que se está dizendo, eis que nos chega às mãos uma pintura do artista baiano Diógenes Rebouças, justamente desse pedaço da Bahia.

Mostra a igreja em destaque e ao seu lado esquerdo o casarão de 1619, ainda livre das casas ao lado, principalmente aquela que lhe é junto. Vê-se, apenas, após o casarão, uma construção de dois andares relativamente bem afastada.

A verdade tarda, mas não falha.