domingo, 29 de janeiro de 2012

INICIA-SE A NOVA FEIRA DE SÃO JOAQUIM

A nossa conhecida Feira de São Joaquim tem uma história bem interessante. Ela foi sucessora de outras feiras existentes nas proximidades. Pela ordem, primeiro a Feira do Sete e segundo, a Feira de Água de Meninos.

A Feira do Sete formava-se na altura do armazém número 7 do Porto de Salvador, ai por volta dos anos 1930\40 ou até mesmo antes. Segundo alguns, os comerciantes dessa feira, na sua maioria, moravam na zona do Pilar o que não corresponde com a realidade. Eles não tinham essa inclinação. Eram mais trapicheiros. Em verdade,a maior parte provinha das inúmeras hortas existentes na cidade, principalmente da antiga Rua das Hortas – hoje Baixa dos Sapateiros – e Dique do Tororó, ainda não urbanizado como conhecemos nos dias de hoje. Por outro lado, o local ficava próximo ao ancoradouro dos barcos oriundos do Recôncavo e das Ilhas. Desde o aterro da área para a construção do atual Porto de Salvador e conseqüente extinção do Cais das Amarras e Cais do Ouro restou para os saveiros unicamente este espaço onde mais tarde seria montada a Feira de Água de Meninos.

Os comerciantes sempre reclamavam da mobilidade dessa feira. Ao fim de cada tarde tinha que ser desmontada. Achavam que ela deveria ser fixa, mas o local não dava condições. Adiante, contudo, onde seria a Feira de Água de Meninos, havia melhores condições de fixação definitiva. E foi o que aconteceu gradualmente. Uma barraca aqui, outra acolá, aos poucos foi se estruturando.
 


Quando os poderes públicos tentaram uma remoção, a opinião pública e a imprensa, ficaram à favor dos feirantes. Por outro lado, razões políticas compuseram o quadro.
 
A feira de Água de Meninos se sustentou nesse local até 5 de setembro de 1964 quando foi totalmente consumida por um incêndio. No subsolo do local corria a tubulação dos tanques de gasolina das grandes empresas do ramo, localizados ao fundo. Era eminente o desastre.
 
Praticamente, no dia seguinte, grande número de feirantes se deslocou para o terreno ao lado. Facilitou o processo o tipo de material que grande parte deles usava – simplesmente tábuas, paus e lona - e em pouco tempo a feira estava funcionando normalmente. Com o tempo foi se consolidando, inclusive com construções à base de cimento e tijolo. É o que vemos hoje em dia até a inauguração no mês passado de um espaço que já estão chamando de “a nova Feira de São Joaquim".
 


Aproveitaram um galpão pertencente à Codeba e transferiram cerca de 500 feirantes da antiga feira. O restante ainda continua no antigo espaço, mas há planos para uma re-estruturação total até 2014.
E é aí que mora o perigo. A área era é muito bonita. Para se ter uma idéia, próxima à enseada, o Clube de Natação e Regata São Salvador, mantinha uma sede náutica. Este clube em certa ocasião chegou a realizar partidas de pólo-aquático na enseada com a presença de grande público que se aglomerou naquele espaço onde a Petrobrás construiu sua sede e hoje funciona o Colégio Oscar Cordeiro (!). Deveria ter o nome do verdadeiro descobridor do petróleo no Brasil, o engenheiro agrônomo Manoel Inácio Bastos.
Um rápido parêntese – Este senhor fez contato com moradores do Lobato que usavam uma lama preta como combustível de suas lamparinas e fifós. Desconfiou que tratasse de petróleo. Conseguiu enviar um laudo técnico ao então Presidente da República, Getúlio Vargas, mas a resposta demorou demais. Inconformado, procurou o Sr. Oscar Cordeiro, então Presidente da Bolsa de Mercadorias da Bahia. Foi este senhor que conseguiu o contato presidencial. Ai Getulio veio à Bahia e diretamente do Hidroporto da Ribeira se dirigiu de lancha até o Lobato. Do seu lado estava o senhor Oscar Cordeiro. Enquanto isto, num hospital de Vitória de Conquista, o engenheiro agrônomo Manoel Inacio Bastos morria.
Após a sua morte, sua mulher, de posse de material irrefutável, conseguiu junto a Petrobrás o reconhecimento de seu feito e a grande empresa hoje reconhece esta autoria, sem desmerecer os esforços do senhor Oscar Cordeiro na efetivação dos contatos governamentais. 
 

Fechando este necessário parêntese, preocupa-nos a confecção do projeto do restante da feira। Antes como hoje, Salvador deu as costas para o mar। Fez isto na construção do porto। Tomou a frente do mar com seus 7 armazéns, a maioria sem nenhuma utilidade। Também fez isso no antigo Corredor da Vitória – todas as mansões do lado direito à partir do Campo Grande tinham a frente voltada para a avenida e o fundo para o mar. Só recentemente os novos e belos edifícios construídos no local em substituição às mansões, voltaram-se para o mar e se valorizaram aos milhões
Uma lição a ser aprendida e já tem seguidores como, por exemplo, as pessoas que estão comprando os imoveis de Santo Além do Carmo. Ai também os imóveis têm seu fundo voltado para o mar. Os novos proprietrários não poderão inverter a posição física dos mesmos, porquê a área é tombada, mas a funcionalidade estará dirigida para o mar. Também na Barão de Cotegipe e Luiz Tarquinio na Cidade Baixa, todas as construções deram as costas para o mar. Agora já se fala em inverter a posição dos imóveis.


Mais recentemente, tivemos o desprazer de assistir a construção de um shopping na Boca do Rio, onde funcionava o antigo e pitorresco campo de pouso de aviões, com as costas voltadas para o mar. Salvador perdeu a grande oportunidade de uma construção maravilhosa que tivesse o mar como espetáculo – os restaurantes e bares com vistas para o mar, por exemplo. Desprezaram-no e se deram mal.


Agora surge uma outra grande oportunidade de ter o mar como elemento “decorativo”. Que os arquitetos responsáveis pensem um pouco mais no assunto. Visitem a área. Sobrevoem aquele espaço ou use o Google Earth para melhor conclusão. Não escondam o mar. Aproveitem-no em prol da população como um todo. Não só os feirantes terão um melhor local para o trabalho, bem como os freguesses de um modo geral.













domingo, 22 de janeiro de 2012

VENHA RECARREGAR A BATERIA NO CARNAVAL DE SALVADOR

Ano passado tivemos oportunidade de publicar uma postagem sobre o Carnaval baiano denominado “Carnaval de Antigamente e de Hoje”, bem como uma outra sobre Siri Boia, denominada “Siri Boia – Portunus Spinimanus – em Extinção.”
No sistema há uma estatística das postagens mais lidas e o resultado é este que estamos vendo acima: a postagem sobre o Carnaval já foi lida por 2.897 leitores e a do Siri Boia por apenas 653.
Em consequência, poder-se-ia chegar a conclusão que a diversão chamou mais atenção do que o saber ou, em outras palavras, que é mais importante o Carnaval do que a extinção de uma espécie.
Mas, não é bem assim. Enquanto o assunto Carnaval – diversão – atinge praticamente todo mundo, é genérico, o caso dos siris alcança uma comunidade específica, restrita, muito embora casos como este devesse interessar a muito mais gente, desde que se trata de um problema que a humanidade vem tendo ao longo dos anos. É questão de vida ou morte! A extinção dos animais irracionais pode chegar aos racionais. Está ai o aquecimento global, o aumento dos tusnamis , o retorno das erupções de antigos vulcões e outras manifestações nada boas da Senhora Natureza.

A grosso modo, o homem é como se fosse uma bateria. Ela é usada durante muito tempo e se desgasta. É necessáro recarregá-la. Por todo ano o individuo vai gastando esta carga no trabalho ou no estudo para esse trabalho e uma das melhores recargas está nos 6 dias de Carnaval, como o baiano.
Porque especificamente “baiano”. Primeiramente, a cidade se prepara para a festa. Por exemplo, agora, está toda tomada por cartazes em postes de rua anunciando o evento. São peças dos patrocinadores , daquelas empresas que financiam a festa, desde que sem dinheiro nada se faz, ontem como hoje. E haja dinheiro!
Duvido que no Rio ou São Paulo haja qualquer anuncio nos postes, nos outdoors das estradas e das avenidas, sobre seus carnavais mais ou menos restritos aos seus sambodromos.
Não é porquê ninguém lá não tenha tido essa idéia. Tem e tiveram , mas primeiro essas cidades não comportam esse tipo de propaganda e segundo e mais importante, não tem essa empresa que queira ligar sua marca a um Carnaval sem as dimensões ao da Bahia ou Pernambuco. É perder dinheiro.

Ao mesmo tempo,nas duas principais avenidas da Salvador, a 7 de setembro que começa em São Bento no Centro e se estende até o Largo do Farol na Barra e a Oceânica que se inicia na Barra e ultrapassa os lados de Ondina, momtam-se arquibancadas e camarotes para o público assistir ao grande espetáculo, considerado um dos maiores do planeta. Antigamente, colocavam-se cadeiras e bancos na avenida. A população ainda era pequena. Hoje, são três milhões de almas.
É grande mesmo! Para começo de conversa, a extensão do desfile é de cêrca de 10 a 12 quilômetros. Enquanto isto os sambódromos de Rio e São Paulo não passam de 800 metros. Verdade que no Rio tem mais alguma coisa na Av. Rio Branco que está sendo revigorada para os festejos momescos.
A festa de Salvador dura 6 dias; começa na quinta feira e termina na quarta da semana seguinte. Não tem horário. Ainda pela manhã, já tem bloco desfiliando no Pelourinho. È outro Carnaval, parecido com o de antigamente, de fantasiados e mascarados. Suas ruas são decoradas com muito bom gosto.
Mas sem dúvida é a grande festa dos Trios Elétricos, invenção de dois baianos, Osmar Macedo e Adolfo Nascimento(Dodô). Este último era técnico em eletrônica. Assistindo a uma apresentação do músico Benedito Chaves – que utilizava um captador acoplado a um violão, teve a idéia de criar o chamado “pau elétrico” ou “cavaquinho elétrico! E nas mãos de Osmar que já tocava o tradicional instrumento, subiram num Ford 1929 e em 1950 sairam pela cidade tocando. A amplificação era feita por um alto-falante à frente do veículo.

Era assim e como é hoje?


Agora vamos ver por dentro. É quase inacreditável!




Agora, vejam outros números da grande festa:

1 bilhão: É a cifra estimada devido à geração de negócios no período.

550 mil: É o número de turistas que irão a Salvador para aproveitar a semana de folia na cidade. Destes, grande parte vem de São Paulo, mas o resto do Brasil e o exterior também contribuem.

12.616: Policiais militares foram destacados para a segurança na capital baiana. Eles estarão espalhados por pontos estratégicos e pelos circuitos do Carnaval.

2600: Policiais civis também vão participar da segurança.

1350: Sanitários químicos serão dispostos pelos circuitos da folia.

255: Horas de cobertura do evento serão transmitidas por TVs locais e nacionais.

833: Horas de diversão estão programadas. O número dá conta tanto das atrações que fazem parte dos grandes circuitos, como o Campo Grande e o Barra-Ondina, como das festas nos bairros.
São números gigantescos que poucas festas no mundo podem alcançar.
Além de tudo isto, o turista que vem a Salvador para o Carnaval, conhecerá uma cidade maravilhosa de dois andares, com uma comida toda própria e uma gente com uma habilidade de trato incomum. O baiano sabe ser hospitaleiro. Venha conhecer o elevador que liga as duas partes; seu artesanato, suas comidas; suas ilhas em magistrais passeios de escuna. Venha conhecer suas igrejas, desde aquela quase toda feita de ouro quanto a outra das fitinhas do Senhor do Bonfim; visite seus fortes que são muitos; dois deles protegem a 3ª melhor praia do mundo segundo os ingleses – Praia do Porto- não é uma proteção contra tubarões que aqui não atacam. Quando foram construídos procuravam proteger a cidade contra os invasores holandeses e franceses -hoje sem mais o que fazer, protege a beleza de seu contorno; ande pelo Pelourinho do Século XVI; Santo Antônio Além do Carmo; vá até Itapagipe conhecer a Ponta do Humaitá. De lá você verá toda a cidade de Salvador em vista esplêndida; e um pouco mais adiante na Pedra Furada de muitos restaurantes, vá comer o nosso siri-bóia, aquele mesmo, que os cientistas denominaram de Portunus Spinimanus como o qual começamos esta postagem. Ainda é possível encontrar uns grandes se Senhor do Bonfim ajudar.Tenho certeza que sim.

CARNAVAL DO ‘"AI SE EU TE PEGO’...

Todos os anos uma música se destaca no Carnaval Baiano e junto com ela vem os movimentos do corpo, principalmente pernas, braços e quadris. Verdade que nem todas provocaram comportamento corporal diferenciado. São os casos, por exemplo, de Pombo Correio de Moraes Moreira em 1972. Era só melodia.
Já “FRICOTE” de Luiz Caldas em 1985, marco zero da chamada axé music, já pedia mais movimentação corporal.
A coisa aumentou com Faraó com o Olodum, em 1987, já provocando um gingado “á lá candomblé”, contorcendo o corpo como nas reverências dos grandes salões.

Já em 1991 com Prefixo de Verão, a coisa começou a balançar mais forte. Ae,ae,ae,ae\EI, ei, ei, ei\ OÕôÕÕ.

Em 1995 o caldo engrossou com Melô do Samba (Segura o Tcham)- Muito rebolad0 com Sheila Mello e Carla Perez.

E por ai vai, entrando nisso tudo a irreverência de Durval Lélis sempre criando novos ritmos e consequentemente novas danças e rebolados. Um gênio.

Este ano, a coisa vai pegar com a tal "ai se eu te pego”. Não vai dar outra. Felizmente, na musica tem um “se”, pois do contrário iria dar muito problema. A coreografia é muito forte – contêm gestos ousados do pega-pega. O que dizer para uma criança?
Nada, diriam muitos ou “a vida é assim mesmo” ou melhor, começa assim. Uma pena!Pior são as cenas em baixo de um andredon de dterminado programa de TV liberado pela crítica até 12 anos. E o que dizer das novelas, também liberadas para esta idade. Cenas de crime, traições, mesmo sexo ou principio dele. Aí a coisa pega mais.







sábado, 21 de janeiro de 2012

CARNAVAL DOS CAMAROTES – UMA VOLTA AO PASSADO?

Parece não haver a menor dúvida que a idéia de camarote de carnaval começou no Rio de Janeiro. Muitos devem se lembrar do Camarote da Brahma na Marquês de Sapucaí, onde desfilavam desde Presidentes da República até o mais famoso desconhecido. Todos “fardados” com a camisinha da famosa cervejaria. Era o passaporte de entrada.


Apesar de famoso, não tinha o luxo que hoje se observa nos camarotes do Carnaval de Salvador. Houve um aumento de atrações inimaginável. Vejamos algumas delas:
Cine Namoro – Salão de Beleza, Tenda Isotérica, Parque de brinquedos, Backstage da Pipoca, Restaurantes, Sala de computação, Sala de massagens, Sala de ginástica, Sorveteria, Boite, Enfermaria, Serviço de segurança. "All inclusive" isto é, você pode comer e beber à vontade, mas comer de verdade desde comidas japonesas a australianas, e claro, acarajés e abarás de nossas baianas à caráter. Também pode sair uma feijoada às 3 horas da manhã ou uma maniçoba.



A cada ano inventam uma novidade. Parece que determinado camarote em Ondina oferece até “praia particular” ou quase isto. Daqui a pouco, o folião vai chegar no local de lancha ou de escuna.
Um pouco mais difícil vai ser chegar de helicóptero. Está faltando pouco! O problema não reside nos camarotes que tem espaço suficiente, uns até com quase 10.000m2. A falha é dos hoteis da Barra e da Vitória que não têm estrutura suficiente.
Verdade que já alguns de Sauipe oferecem o serviço, mas é muito longe ficar lá.

Toda esta conversa vem a propósito de uma tendência que se já se observa de "isolamento social" do carnaval baiano. Isolamento social? Sim! Algo mais ou menos parecido com o que existia antigamente com os grandes bailes dos sofisticados clubes de Salvador, como Baiano de Tênis, Associação Atlética da Bahia e Yacht Clube da Bahia.
As pessoas iam para esses clubes e ficavam lá dentro a noitre toda. As pessoas viam as outras dezenas de vezes e era para ver mesmo - Olhe, estou aqui. Não esqueça. Somos da mesma linhagem, Familia tal...
Algo parecido parece estar acontecendo com os camarotes do Carnaval de Salvador. Só a alta sociedade ou os novos ricos que podem pagar, mais as autoridades, claro, e artistas globais podem entrar e ficam lá dentro a noite toda.
Copo de uisque na mão, um petisco ali, outro acolá e na hora que Ivete ou Daniela passam, dão uma olhadela rápida. O resto dos trios que trafegam na avenida que passe rápido para não atrapalhar o som local e estério das músicas inglesas dos Beatles e Roling Stone que impregna o ambiente numa miscigenação internacional das mais admiráveis.
No dia seguinte, é só olhar nos jornais. Passado o Carnaval, na quinta feira conferir nos painés de fotos dos principais shoppings e mais adiante pesquisar nas revistas Cláudia e Contigo. Um barato!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CARNAVAL DA BAHIA – MILHÕES NA FOLIA...ENQUANTO ISTO!

Faz pouco tempo que a Prefeitura inaugurou a nova Praça de Ondina, aquela ao lado do flat e próxima ao Hotel Othon.
 
No local onde ficavam as antigas barracas, fez-se como que uma extensão da praia. Os coqueiros que antes ficavam entre as barracas dando-lhe sombra, hoje como que fazem parte da própria praia.
 
As obras, do que resultou essa praça, levaram mais de 1 ano. À frente do espaço os construtores montaram uma barreira de compensados que escondia totalmente a praia.
 
Surpreendentemente, há pouco mais de 1 mês a referida barreira de compensado foi de novo levantada e julgávamos que mais alguma coisa estava sendo feita na referida praça, melhorando-a.
Ledo engano! O “fechamento” estava ocorrendo para que fosse levantado no local um mega camarote para o Carnaval, um dos maiores que já se construiu em todos os tempos. Vejam as primeiras fotos do mesmo:



É algo em torno de 100 metros de frente por 70 de fundo, desde que abarcou todo o espaço da praça, inclusive seus equipamentos esportivos, restaurante, livraria, etc. etc.
 
Em conseqüência, os freqüentadores habituais da referida praia, principalmente os moradores das proximidades, estarão impedidos de freqüentá-la por cerca de 2 meses ou mais, desde que após o Carnaval a estrutura ainda deve permanecer no local por muitos dias, afora os trabalhos de limpeza e reconstituição dos estragos provocados por furos no chão e outros procedimentos técnicos.



O fato já gerou uma manifestação popular no local com o slogan de “DESOCUPA”, e na esteira dos protestos diversas denuncias. A primeira delas, dizia respeito à taxa de ocupação do espaço pelo mega camarote, Teria sido cobrada apenas R$5.00 por metro quadrado, enquanto o camarote de Daniela Mercury na Barra teria pago R$42.34 m2, apesar dos dois espaços (Barra e Ondina) se equivalerem em valor territorial.
 
A segunda denuncia parece mais grave. Esses grandes camarotes pagam à Prefeitura uma determinada taxa no valor de R410.34. Aé ai, tudo bem! Acontece, portém, que, a barraquinha de cachorro quente ou o isopor das cervejas, pagam o mesmo valor.
 
Ainda na esteira dos protestos, comentou-se muito o fato de a Prefeitura bancar sozinha as despesas do Carnaval, enquanto os blocos ganham milhões e lhe são cobrados impostos irrisórios.
 
Evidentemente que isto não está certo.Tomemos como exemplo a realização das Olimpiadas em determinados países. As despesas com sua realização são bancadas totalmente pels iniciativa privada, bem como outros eventos de menor importância, um Carnaval por exemplo, uma batalha de tomate, uma corrida de touro.

Ainda há um agravante muito sério. Os blocos, os camarotes, etc. etc. são parocinados por empresas. Quase todos eles! Em consequência, a Prefeitura encontra dificuldades em vender as cotas de patrocinio a essas mesmas empresas, desde que ela encontram mais visibilidade (retorno) nas luzes e sons esfuziantes dos Trios Elétricos e camarotes.

Além do mais, em razão dessa concorrência, o valor das cotas da Prefeitura se tornam baixas, em se tratando de um dos maiores espetáculos da Terra.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

POR FIM A LAVAGEM...

Será que todos conseguem chegar ao Bonfim? A maioria, estamos crendo. Senão, tudo bem! Mais vale a intenção. Até mesmo o pessoal que desce o Elevador Lacerda e estaciona na Praça Cayru por falta de condições físicas para andar quase 7 quilômetros, poderá dizer “Fui à Lavagem” ou “ Fiz a Lavagem”. Mesmo aqueles que apenas se vestem de branco nesse dia e nem de casa sai, ainda assim “fizeram a Lavagem”. Também aqueles que nem de branco pode se vestir por falta de recursos, ainda assim, estão na Lavagem. Os que residem em outros Estados ou fora do País, mas lembram-se da Lavagem, também dela participam. Foi o caso, por exemplo, de uma senhora brasileira que mora em Londres. Escreveu “que era baiana; que quando jovem participou de diversas lavagens; na oportunidade que leu a nossa postagem, estava como que “participando” mais uma vez da Lavagem”.
É que a Lavagem tem uma força lúdica impressionante. Alguém disse uma vez, “que ser lúdico indica que não apenas se está inserido no mundo, mas, sobretudo, que é o próprio mundo”.

A lavagem é isto. Tem uma extensão além dos seus limites. A ingenuidade de seus elementos, o ato de lavar os degraus de uma igreja, têm uma força divina que extrapola os melhores sentimentos que o ser humano pode ter.





Já dissemos numa de nossas postagens e voltamos a repetir:

“No momento que as baianas sobem a ladeira, é como se fosse um lençol do melhor linho estendido na vertical da ladeira. Nesse momento, não há como não pensar no divino e já ficamos pensando coisas. Por exemplo, vemos na feliz fotografia acima, a nuvem formando a figura caprichada de um anjo com asas, como que admirando o espetáculo. É impressionante o detalhe. "

LAVAGEM DO BONFIM – PERCURSO – 2ª PARTE

Na postagem anterior, quando começamos a fazer o percurso da Lavagem do Bonfim, esquecemos de acrescentar a Feira de São Joaquim e o Colégio/Igreja de São Joaquim, que ficam na Avenida Jequitaia.
Em tempo, falemos dos mesmos.
A Feira de São Joaquim é a principal feira livre de Salvador. Ela se originou após o incêndio da antiga Feira de Água de Meninos que ficava ali bem próximo, quase se unindo. Da mesma forma que a sua antecessora, ela se formou por si própria, isto é, sem nenhum planejamento, ao leo, conforme a vontade de cada barraqueiro. É uma Babel! Agora, parece que começa a tomar algum rumo. Num antigo barracão das Docas da Bahia, ao seu lado esquerdo, se organizou alguma coisa mais digna. Esperamos que aproveitando a oportunidade, possa se construir outro barracão e juntar tudo num só espaço, devidamente higienizado e confortável. Que se faça uma Cantareira em nossa cidade. Já merece isto!


Bem em frente à feira, o nosso passante vai se deparar com a casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim. Este edifício foi doado à Companhia de Jesus pelo senhor Domingos Affonso, mas passou a pertencer à Coroa com a expulsão dos jesuítas, caindo em ruínas. Após restauração pela Corporação do Comércio, em 13 de maio de 1822, o edifício foi doado à Casa Pia dos Órfãos, por mediação do governador D. Francisco de Assis Mascarenhas, o Conde de Palma, realizando-se sua inauguração, em 12 de outubro de 1825, dia do aniversário do imperador D. Pedro I.


Por dentro é ainda mais maravilhoso। Temos algumas fotos do seu interior:



Poucos metros adiante do São Joaquim, já estamos na Calçada.
A estação da Calçada foi construída em 1860 e reformada em 1981 com a atual fachada. Quando de sua abertura denominava-se Estação da Jequitaia e era uma estação “central e marítima da estrada”, segundo descrição de Cyro Deocleciano em 1886. Depois foi denominada Estação Bahia e finalmente Estação da Calçada.

Sua história começou em 1853, quando um senhor chamado Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto, recebeu do Governo Imperial a concessão por 20 anos para construir uma estrada de ferro saindo das proximidades do porto de Salvador até Juazeiro, às margens do Rio São Francisco. Muniz Barreto era engenheiro. Não se sabe como o referido senhor conseguiu a referida concessão, desde que ele próprio não tinha condições financeiras de construir uma ferrovia. Isto ficou comprovado dois anos após quando transferiu a difícil e milionária concessão para a Bahia and São Francisco Railway Company, uma empresa inglesa.

Em conseqüência, todo o projeto foi elaborado em Londres pelo inglês John Watson e já em 1860 foi inaugurado o primeiro trecho ligando a Calçada a Paripe. Esse trecho contava com uma extensão de 15.2km e tinha estações intermediárias nas comunidades de Santa Luzia, Lobato, Almeida Brandão, Itacaranha, Escada, Praia Grande, Periperi e Coutos.
Na Calçada estamos a 3.0 km do Bonfim. Vamos seguir em frente, agora em direção aos Mares. Passaremos pela sua maravilhosa igreja em estilo gótico que muitos não querem aceitar.
Esta foto foi tirada via satélite. Aparece a igreja e à sua frente o Largo dos Mares que, oficialmente, chama-se Praça Manoel Natividade Maria, que poucos sabem. O personagem foi um padre que nasceu em 8 de maio de 1845 e desencarnou em 1º de janeiro de 1922. Essa informação foi encontrada num site da religião espírita. Curioso, não?

Outro religioso maravilhoso foi o Cônego Anísio Ayres Esteves. Ele foi o responsável por grande parte da construção da Igreja dos Mares. A sua torre, por exemplo, em estilo gótico, foi ele quem comandou sua elevação. Foi um homem excepcional. Chegamos a conhecê-lo pessoalmente.
Foi o patrono dos “Licenciados” de 1946 do Colégio D. Macedo Costa. O autor fazia parte deste grupo.









Aqui as nossas já famosas placas indicam que estamos a 2.3 km do Bonfim. Ainda temos que andar por toda a Avenida dos Mares, oficialmente designada Fernandes da Cunha, ilustre desconhecido.

Olhem a placa do local. Nessa avenida quase não tem nada de tradicional para se vê. Seria “tudo” não fosse um edifício construído pelos antigos donos da aguardente Jacaré, a cachaça que mais se vendia em Salvador no século passado. Este prédio tem 10 andares. É o único com esta altura existente na península. Não seria estranho se não fosse verdadeira a desvalorização de toda a península após a invasão dos Alagados.
 
Até versos se fazia em homenagem a tal da cachaça:

Eu nasci num ninho de cobra.
Minha mãe era serpente.
Eu bebi do leite dela.
Meu sangue ficou mais quente.
Jacaré mato no tapa.
Cascavel mato no dente.
Porque o sangue que corre na minha veia.
É o veneno do aguardente
.
 
A grande avenida em extensão desemboca no Largo de Roma. Aí tem história. Este largo já teve três nomes. O próprio Roma; Praça da Bandeira e hoje Praça Irmã Dulce, em homenagem à grande Santa da Bahia.

Era Praça da Bandeira por algum tempo porque ali se hasteava uma grande bandeira Nacional.Depois tiraram o mastro.

Hoje, chama-se Praça Irmã Dulce porque ali perto está a sua obra magnífica, o Hospital Santo Antônio e principalmente, porque seu mausoléu acha-se perto.

Apesar de tudo, o povo continua chamando a praça de Largo de Roma. Por quê?

Diz-se ter existido nas proximidades, entre o largo e o mar, uma capela dedicada a Nossa Senhora de Roma. Daí o nome, Largo de Roma.

É muito duvidosa esta citação. Primeiramente, não se tem notícia de ter existido uma Nossa Senhora de Roma, nem aqui nem na Itália ou em qualquer outro lugar. O que se comenta é que Nossa Senhora da Babilônia com prática de seu culto na antiga Babilônia e no Egito, deu origem a Nossa Senhora Romana. Este fato é comentado em um livro de autoria de Alexander Hislop, denominado “The Two Babylons”.

Este erudito cristão pesquisou durante muitos anos em livros antigos e modernos e encontrou detalhes de ligação da “Santa Madre” com a antiga Babilônia pagã, o berço do ocultismo, onde se adorava o sol, a lua, as estrelas, os animais, os pássaros, as plantas e até os insetos.

Mais tarde, quando o culto chegou ao Egito houve a integração da Santa ao cristianismo. Apenas lhe mudaram o nome, sendo chamada de Virgem Maria com um menino nos braços. “Cristãos professos a adoravam com o mesmo fervor que antes o faziam abertamente os que eram pagãos declarados”, escreveu Alexander Hislop.
 
Outra citação histórica, esta mais recente, indica que em 1944 em plena guerra, “um quadro da Virgem Maria foi transferido para Roma ficando nas dependências da Igreja de Santo Inácio. O povo contrito fez três promessas à Virgem se a cidade fosse preservada: de mudar a própria vida, de erigir um novo Santuário e de realizar uma obra de caridade, em sua honra”. E Roma foi preservada e a Nossa Senhora do Divino Amor, este era seu nome, ganhou o título de “Salvadora de Roma”.

Por fim, existe a Nossa Senhora Romã. É a mesma Virgem Maria segurando uma criança nos braços. Por sua vez, esta criança segura uma romã em uma das mãos. Qual o significado disto? Para que possamos entender, será necessário explicar que as romãs são Símbolos de Retidão e Honradez. Elas estão esculpidas no Templo de Salomão em Jerusalém. Fato curiosíssimo é que cada romã possui 613 sementes e este número é igual aos 613 mandamentos ou provérbios judaicos que existem nos livros do Velho Testamento. Por isso, os judeus comem romãs no feriado chamado Rosh Hashanah e os católicos comem romãs no Dia de Reis. As sementes deverão ser guardadas durante o ano para que este seja um ano abençoado.

Após Roma adentramos na oficial Avenida Bonfim. Mas também ninguém á chama assim. É Avenida dos Dendezeiros, porque ali, muito antigamente, tinha muito dessa palmácea.

Vista as coisas dessa maneira, estamos crendo que o Largo de Roma não ganhou esse nome por existir uma capela nas proximidades dele, homenageando Nossa Senhora de Roma. Esta santa nunca existiu!A origem do nome é outra. Pode ser mais folclórica. Por exemplo, algo como “quem tem boca vai a Roma” ou algo de relação a sua localização, desde que todas as grandes avenidas e ruas que saem do interior da península terminam nele. O povo poderá ter dito que “todos os caminhos vão dar em Roma”. São apenas algumas hipóteses. Nada mais do que isto!



A antiga av. Dendezeiros. Reparem as balaustradas limitando o seu espaço, bem como a linha de bondes. A igreja completa o cenário.

Claro que não podia faltar a nossa placa, principalmente porque ela marca somente 1,0 km. Já andamos quase 6 quilômetros.

Mas, antes de continuamos, deparamo-nos com uma placa “insólita” podemos assim dizer. Ela designa Bomfim com M, desde que todos nós sabemos que antes de F não pode vir M. Mas nesta placa vem. Vejamo-la:


Bem claro, não é verdade? E confirmando o “desmando” gramatical, já bem próximo à Colina, tem uma outra do mesmo jeito, com igreja e tudo.

Vamos tentar explicar a situação. Servimo-nos de nós mesmo, em postagem publicada em 2009. Reproduzimos o seu texto:

Largo do Bonfim


Até pouco tempo atrás era chamado Praça Teodósio Rodrigues de Farias. Por quê? Esta pessoa foi um dos grandes responsáveis pela construção da Igreja do Senhor do Bonfim que enriquece o local. Foi ele também quem trouxe as imagens do Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Guia de Portugal, por volta de 1740. Cumpria uma promessa. Também foi ele quem fundou a Irmandade dos Leigos que hoje tem o nome de Devoção do Senhor do Bomfim registrada dessa forma. Não critiquem o erro gramatical. Foi cometido há tanto tempo atrás! Nos tempos atuais a nossa querida Prefeitura espalhou por diversos lugares da península, placas indicativas de trânsito com o mesmo erro gráfico.
Complementando, em Portugual de onde veio a imagem, Senhor do Bomfim é com M mesmo. Explicam: é o Bomfim das coisas; das pessoas, da vida, da lavagem.