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domingo, 14 de maio de 2017

UMA PRAÇA DIVIDIDA AO MEIO POR UM GRANDE TRÃNSITO

Após a construção da Praça Thomé de Souza ou enquanto ela se fazia, o caminho de acesso à mesma foi se construindo pelos ocupantes das naus de Thomé de Souza e, possivelmente antigos moradores da Vila do Pereira com sede na Barra, inicialmente estreita e depois alargada. Todos os terrenos foram doados pelo governo.


Foi a primeira rua do país. Inicialmente teve outros nomes como Rua Direita dos Mercadores e Rua Direita do Palácio, Largo ou Praça do Teatro. A denominação atual veio da Câmara Municipal de Salvador como forma de homenagem à visita da esquadra da Marinha de Guerra do Chile que havia desfilado na cidade. Na época era uma das maiores do mundo.[1]



Antiga Rua Chile . À direita o passeio acima referido

                                                               Dia da inauguração da Rua Chile

A referida rua, uma das mais famosas de Salvador, tinha seu término na Praça Castro Alves onde se construíram teatro, jornal, cinema e até  um cassino.

O teatro ficava a direita da rua e a frente um grande espaço. Ocupava esse lado.

Olhando de frente tinha o mar a sua esquerda.



Um incêndio em 6 de junho de 1923 destruiu o magnífico prédio. Tinha a sua frente 3 árvores pouco frondosas e uma estátua circundada por 4 grandes  luminárias.
Não se acredita que a referida estátua fosse a atual que homenageia o poeta Castro Alves, desde que, segundo se sabe, a que hoje engrandece a nossa praça foi fundida na oficina de Angelo Aureli, em São Paulo, chegando à Bahia, em dezembro de 1922. A foto é anterior. É um trabalho do escultor italiano Pasquale de Chirico e representa o poeta na atitude de fala ou estaria declamando, tendo a cabeça descoberta, fronte erguida, olhar perdido no infinito, chapéu mole de estudante à mão esquerda, braço direito estendido.


Na manhã de 20 de junho de 1923, a estátua, foi levantada até o topo da coluna que lhe serve de base. A atual está mais a frente da praça.
  


Fazendo esquina com o teatro ao término da Rua, existia uma velha casa de dois andares que foi demolida e em seu lugar se construiu o prédio onde funcionou o jornal A Tarde com quatro andares e o restante  ocupado por consultórios médicos e até um pequeno hotel, usando dois andares.



Bem em frente ao prédio, cerca de 30 metros, havia um ponto permanente de água doce. Era uma dádiva da natureza. No local resolveram instalar um chafariz de mármore tendo ao centro uma estátua dedicada a Cristovão Colombo. Era circundado por quatro luminárias suspensas cerca de  5 metros do solo e um gradeado de ferro ao redor.




Estátua de Colombo

Há de se reparar que a linha de bondes passava à direita do monumento e como que eliminando qualquer dúvida sobre sua localização, a Ladeira de São Bento se acha bem em frente à peça decorativa. Nada a haver com a estátua de Castro Alves do outro da praça, próxima ao Teatro, enquanto ele existiu.

Assim colocado, precisamos estar certos de que a Praça Castro Alves era dividida ao meio por essa linha de bondes e um abrigo de passageiros como se vê na foto adiante:


Temos em nossos arquivos diversas fotos do abrigo da praça Castro Alves, mas em nenhuma encontramos o que expressa a foto acima vista no blog "Amo a História de Salvador" de autor que não conseguimos idendificar.

Além do abrigo em si, vemos a primeira estátua de Castro Alves logo atrás, contudo o que mais chama a atenção é o contorno da praça com uma belíssima balaustrada com um acababento primoroso com cinco metros de altura, pelo menos.

Há de se reparar que a referida balaustrada protege apenas  o final da Ladeira da Montanha. Em seguida, nota-se ainda a antiga balaustrada, baixinha e inexpressiva.

Voltando ao abrigo, ficava bem no meio da rua. A linha de bondes é perfitamente percebida. Este caminho dividia o espaço ao meio. Do outro lado se constuiria o prédio onde funcionou até pouco tempo o jornal  A Tarde, o Cinema Guarani (hoje Glauber Rocha), ainda existente, e ao seu lado uma casa que dizem ter sido um cassino. Alguns afirmam que ali funcionou o Cacique Bar. Não se coaduna com informes da época. 

Essa casa ficava em meio de um autêntica floresta. Floresta? Sim de bom tamanho. Sensacional! Bem no centro alto de Salvador quando ela ainda se fazia. Colocada a baixo, no seu espaço coube o grande edificio do jornal A Tarde, o antigo cinema Guarany (hoje Glauber Rocha e, claro a misteriosa casa que acabamos de nos referir; de sobra o Cacique que ninguém sabe onde ficava. (Seria na casa?).    





Acima a misteriosa casa. Uma série de dúvidas paira sobre ela. Primeiramente, a floresta ao seu lado esquerdo lhe pertencia?
Não é uma casa comun. Sua frente era toda "decorada" e tinha uma espécie de brasão na sua fachada. Sem dúvida, coisa de cassino ou cinema e não de uma casa comun. A sua direita, um acesso com luminárias. 



Posteriormente nos deparamos com a foto acima. Não existe mais a floresta e em seu lugar, o prédio do jornal, o cinema e aquela casa que antes era recuada bem em frente da rua com bela balaustrada circundando-a.
(Ainda não nos referimos à igreja vista nas duas fotos. É a Igreja da Barroquinha que nada tem a haver com o tema que estamos tratando. Posteriormente falaremos sobre ela).