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segunda-feira, 30 de março de 2015

SALVADOR COMEÇOU NA BARRA

Claro que num blog como este que focaliza principalmente a Cidade de Salvador, não poderia passar sem registro a data dos 466 anos da cidade de Salvador, comemorada no dia 29 de abril de 2015. Faço-o no dia de hoje, um dia após, ainda no limiar das comemorações que se fizeram a respeito.

Todas as vezes que se trata do aniversário da cidade, ressurge antiga celeuma sobre a data que se deva comemorar o feito, se na própria data da chegada de Tomé de Souza com suas sete naus ou meses depois quando realmente a cidade se construiu que nem em parte, 

 Os historiadores divergem: Pedro Calmon e Edgard Cerqueira Falcão sugerem 1º de maio de 1549, uma data digamos mundial. Talvez mesmo por esta razão de caráter universal, teria sido rejeitada. 


Pedro Calmon 

Teodoro Sampaio também admite a chegada de Tomé de Souza em Março e sugeriu uma data posterior em considerando o tempo de sua construção. Sugeriu  13 de junho, dia de Corpus Christi, sem dúvida, uma data forte. Nesse dia se fazia e ainda se faz uma grande procissão.


Theodoro Sampaio

Diversas outras pessoas e entidades sugeriram diversas outras datas e estava ficando difícil encontrar uma unanimidade, digamos lógica.

Esta celeuma histórica foi resolvida em 1952 pela portaria 299 de 11 de março assinada pelo então prefeito da época o senhor Osvaldo Gordilho e “sacramentada”, digamos assim, pelo Primeiro Congresso de História da Bahia; seria mesmo em 29 de março, data da chegada de Tomé de Souza no Porto da Barra..


Em nosso entendimento esta determinação sugere que, efetivamente Salvador começou na Barra, independentemente da construção ou não de uma cidade no alto do morro e a Barra nos dias de hoje pelo menos pela sua beleza a Barra faz jus a essa indicação.


Porto da Barra - Aqui chegou Tomé de Souza


sexta-feira, 13 de março de 2015

MÃOS SUJAS DE PETROLEO DESDE GETÚLIO

Esse pessoal que vem metendo a mão no dinheiro da Petrobrás deveria saber e decorar a história do descobrimento do petróleo no Brasil. É o momento exato! Coube ao Engenheiro José Inácio da Silva, morador de Itapagipe, nas terras lodosas de Lobato, Salvador.

 Após a descoberta,  começou a lutar para entrar em contato com o então Presidente da República, Getúlio Vargas, a fim de oficializar a descoberta e dá inicio às primeiras providências para a instalação de um poço do precioso óleo no Brasil. Nada conseguiu! Sua correspondência não chegava até o Presidente. 

Desesperado procurou o Presidente da Bolsa de Mercadorias da Bahia, Sr. Oscar Cordeiro que morava próximo a sua casa e foi este senhor que, em nova carta, se dirigiu ao Presidente e por fim este tomou conhecimento do feito. Em seguida,  acertaram a sua vinda à Bahia, fato ocorrido em 1940.

. Claro que foi uma festa do arromba nas dependências do hidroporto da Ribeira com a presença de todas as autoridades do Estado e do País e, naturalmente, do senhor Oscar Cordeiro, já tido como o descobridor do petróleo brasileiro.

 Foram de lancha até o local e lá Getúlio mergulhou uma das mãos no pequeno poço que aflorava à flor da terra. A imprensa brasileira, toda ela presente, registrava o momento histórico. 

E o senhor Inácio, o verdadeiro descobridor do petróleo brasileiro, não deveria também estar presente? Claro! Mas o engenheiro agonizava num hospital em Conquista onde morreria. Diante da impossibilidade, alguém da família não deveria ter sido  convidada para acompanhar a “comitiva” que se dirigiu ao Lobato ou pelo menos  comparecer ao hidroporto? Sem dúvida alguma! Mas não havia nenhuma preocupação nesse sentido, muito pelo contrário. As honrarias estavam concentradas apenas no senhor Cordeiro.

 Somente muitos anos depois, o poço já desativado pela pouca produtividade, mas já com uma torre simbólica no local e uma placa salientando que o Sr.Oscar Cordeiro foi o descobridor do petróleo brasileiro, a esposa do senhor Ignácio debruçada sobre a mesma, aos prantos, tomava conhecimento da injustiça ou da omissão.

Posteriormente, ao bem da verdade, diga-se que a Petrobrás foi muito digna ao conceder a referida senhora uma pensão vitalícia e nas referências futuras sobre esse descobrimento, o Sr. Inácio já era citado como também “descobridor” do petróleo e em verdade, primeiro e único.

Aliás, o descobrimento do petróleo brasileiro sempre foi muito controverso, desde o ano de 1892 quando o fazendeiro Eugênio Ferreira de Castro perfurou o primeiro poço em sua fazenda na cidade Bofete (interior de São Paulo), porém o poço de 488 metros de profundidade teve como resultado apenas água sulforosa.

Defender idéias naquela época, mesmo aquelas em benefício de um Brasil melhor não era para qualquer um, principalmente pessoas envolvidas de uma forma ou de outra com outros correntes de governo. Era considerado subversivo, espião, sabotador, etc. etc. Foi assim com Monteiro Lobato que chegou a ser preso.

Não fosse isso, e o petróleo brasileiro teria sido descoberto muito antes de Lobato, não rigorosamente por ele próprio  Lobato, mas por outros empresários que lhe sucederam.

Mas tinha que ser na Bahia, diriam os proféticos. Estamos com eles, com as ressalvas feitas acima.




Getúlio










terça-feira, 10 de março de 2015

PEDREIRA DE SANTA LUZIA NO LOBATO

Pedreira de Santa Luzia no Lobato

É sabido pela maioria das pessoas  em Salvador que o calçamento de grande parte da cidade foi feita com paralepípedos, ou seja, um bloco retangular de pedra extraído de antigas pedreiras, então existentes na cidade.

Uma dessas pedreiras, talvez a maior delas, é a Pedreira de Santa Luzia no Lobato. Teria funcionado até os anos 50 do século passado. Quem é daquela época, deve se lembrar dos estampidos provocados por dinamite introduzida na rocha.


Paralepípedos

Com o advento do asfalto, as ruas de paralepípedos vão desaparecendo, ou melhor, vão sendo cobertas em prol de uma melhor uniformidade e, possivelmente, de custo. Entretanto continuam sendo usados como elemento decorativo de composição estética.

Na Ribeira - Asfalto e paralepípedos- Beleza ou custo?


quinta-feira, 5 de março de 2015

COMO ERA A LAVAGEM DO BONFIM






A foto acima é do principio do século 19. Mostra-nos como era a colina do Senhor do Bonfim, a igreja no alto a já algumas construções à direita e até mesmo duas grandes construções ao fundo da mesma e até uma à frente à igreja. À esquerda, na parte baixa dois ou três casebres de madeira, talvez pertencentes a pequenos lavradores ou escravos.

Subia-se até o alto da colina através caminhos de terra percebidos ao centro da foto; outros pela frente das casas à direita, por onde teria se originado a atual Ladeira dos Romeiros. É um indicativo forte.

Então não existia a atual Ladeira do Bonfim também chamada Ladeira das Pedras, nome originário muito provavelmente pela diferenciação de relação aos caminhos de terra que acabamos de nos referir?
Não existia. Ela só foi construída em 1810 juntamente com a atual Av. Dendezeiros dos Bonfim.

 Ladeira do Bonfim

Esses dados indicam que a Lavagem do Bonfim antes de 1810 não existia aos moldes que hoje conhecemos e mesmo pessoas outras que freqüentavam a igreja chegavam até ela através outros caminhos e formas. A lavagem na parte que se refere aos saveiros e os andores que  vinham com eles,  vinham  pelo mar. Começava o percurso  na altura da Conceição da Praia, mais precisamente na Preguiça. Os que não tinham saveiros, o povo no geral, vinha pela praia: São Joaquim, Canta Galo, Santa Cruz, Boa Viagem  e por fim Monte Serrat onde alcançavam a hoje  Rua São Francisco, ou seja o Alto de Monte Serrat. Ai chegavam ao Bonfim por cima.


Ladeira Rio São Francisco- O acesso pelo alto à Colina do Senhor do Bonfim

Enquanto isto os saveiros dobravam o Estaleiro do Bonfim e alcançavam as proximidades da Ladeira da Lenha e do Bonfim..O povo carregava os andores por essas ladeiras. Usavam uma quanto a outra.   Era o principio da grande festa. Chegavam ao alto do Bonfim pelos caminhos que indicamos acima e, posteriormente, pela Ladeira dos Romeiros.

Ladeira da Lenha ou Ladeira do Porto da Lenha

Ladeira dos Romeiros

Somente em 1810 se construiu a atual Ladeira do Bonfim, inicialmente chamada  Ladeira das Pedras. Do outro lado, claro,ainda funcionavam  as pobres ladeiras de terra que davam acesso ao alto do Bonfim.

Nesse momento nos assalta uma dúvida. Após a construção da Ladeira do  Bonfim (das Pedras) e a Ladeira do Romeiro, a colina foi toda gramada. Posteriormente, fizeram uns caminhos por todo ela. Teriam os seus autores  a idéia de imitar os antigos caminhos de terra que o povo usava para chegar ao alto? Estão lá até hoje.Não imitam nem são usados. É difícil o artificialismo dar certo.

 Caminhos de terra.

quarta-feira, 4 de março de 2015

FAROL DA BARRA VISTO DO MAR EM 1928 E ATÉ ANTES



Sem sombra de dúvida,  o  Farol da Barra é uma das maravilhas de Salvador. Junto com o Elevador Lacerda, são os dois maiores ícones de Salvador. Quase que obrigatoriamente, incluem-se nessa lista a Colina do Senhor do Bonfim, o Pelourinho, a Ponta do Humaitá , a Ribeira, Itapuã, etc. etc. Uma lista interminável. 

Conta-se aos milhares as fotos, gravuras, ilustrações, pinturas etc. do nosso Farol da Barra. Sinceramente, julgávamos que havia esgotado todas as formas de apresentá-lo. Ledo engano: de frente, de lado, das alturas e agora nos chega ao conhecimento uma apresentação da parte de trás do grande monumento. Há de se reparar que a Avenida Oceânica já delineia o seu caminho três a quatro metros acima da praia. Outro detalhe significativo é o morro do Gavazza, ainda sem nenhuma construção. Absolutamente virgem!

Farol da Barra


Já a foto adiante, praticamente do mesmo ângulo, mas obtida em 1828 por um navio alemão, mostra uma barra ainda sem a Avenida Oceânica. 
1828- Ainda não existia a Avenida Oceânica. Puro mato!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

A PREFEITURA DE VIDRO DE SALVADOR



Salvador poderia até se orgulhar de possuir a única Prefeitura do Mundo toda em vidro e até desmontável, ou seja, pode ser reinstalada em qualquer outro lugar.
Hoje ela se encontra na Cidade Alta, em plena Praça Municipal, onde, praticamente começou a construção da Cidade de Salvador. Amanhã poderá estar na Cidade Baixa, por exemplo, no meio da Praça Cairu em frente ao Mercado Modelo, ou poderia estar nos Alagados, em meio às palafitas ou do que restou delas ou no seio daquelas que continuam sendo instaladas na incessante progressão desse problema social.

Quando se construiu a dita cuja, teve gente que gostou e outros tantos que não toleraram. A crítica estourou de todos os lados, a maioria contra “a cristaleira”. O próprio autor, senhor Lelé (João da Gama Filgueiras Lima) certa feita se expressou afirmando que até ele já estava se acostumando com a obra.

 Em verdade não é uma questão de se acostumar ou não: ela é indiferente e inexpressivo. O seu valor estar realmente no fato de que pode ser desarmada rapidamente e instalada em qualquer lugar. Isso é incontestável!

Teve gente que afirmou que ela era melhor do que o “cemitério de Sucupira” (espaço deixado pelo incêndio da antiga bibilioteca). Nesse caso, apenas lembramos que o cemitério de Sucupira era apenas um espaço vazio e não uma obra arquitetônica. Não deve ser comparado! É insano!


 A prefeitura de vidro

Palácio da Aclamação (Apenas para uma comparação)

Por fim, é imcompreensível a afirmação de um dos defensores da prefeitura de vidro: disse ele que ela tenta maneter um diálogo entre ela e o Palácio de Aclamação. Mas que diálogo?! Vamos devagar! É figurativo, mas muito inapropriado.



MISERIORDIA - UMA RUA EXTRAORDINÁIA



Não resta a menor dúvida que uma das atrações pelo menos turística de Salvador é o seu centro histórico, detalhe que muitas cidades pelo mundo gostariam de ter e não tem. Ai começam a levantar edifícios de quase cem andares; fazer grandes pontes; belíssimos hotéis, teatros maravilhosos e tantas outras coisas que as tornem diferenciadas. 

Enquanto isto uma pequena cidade construída a séculos passados tem uma atração muito maior que as megas cidades de hoje e sabem porquê: não se construirá outra igual; foi feita uma vez e nunca mais, resultado da inspiração divina  e única de uma pessoa.



Este é o caso de Salvador. Foi construída assim, muito embora de princípio tenha havido um planejamento, mas um planejamento estratégico visando á segurança da cidade. Só isto!

Em sendo assim, Salvador e outras cidades do seu estilo ou parecido, tinham que ser preservadas para o resto da vida, mas, infelizmente, não é o que acontece. Primeiro as intempéries inevitáveis e, infelizmente, a ignorância dos homens e das organizações.

Vamos focalizar um caso entre dezenas de outros que a nossa cidade sofreu. Fixemo-nos na Rua da Misericórdia bem no centro de Salvador. Uma via especial não pela sua extensão ou qualquer outra grandiosidade, mas tão somente pelos prédios que a compõem. Pela harmonia. Torna-se bela e única.

Ela tem inicio na Praça Municipal, no alto da Ladeira do Corpo de Bombeiros, tendo à sua direita o prédio da Câmara Municipal de Salvador que já foi a  Prefeitura. Bem na esquina funcionava a Pastelaria Triunfo, o primeiro grande estabelecimento do ramo da cidade (era especialista em importados), ponto de encontro de pessoas da sociedade  da cidade, das pessoas mais ricas, essas diferenciações que se tem que fazer para compor um quadro social.

Antiga Biblioteca Pública e a Pastelaria Triunfo à direita



Em foto mais antiga
A beleza de um rua (Misericórdia)
Pastelaria Triunfo à noite


Num determinado ano a Pastelaria Triunfo pegou fogo. Destruiu todo o prédio. E agora? Terão condições e capacidade de reconstituí-lo? Dificilmente e efetivamente no local levantaram um prédio horrível respeitando apenas o gabarito do local. Instalaram no local uma agência bancária. Não deixou de ser um privilégio. Em plena Rua da Misericórdia, um “Bradesco antigo”. Um destino imprevisível!

 Bradesco da Misericórdia