terça-feira, 9 de agosto de 2011

RIO VERMELJHO 3- ÁGUAS MILAGROSAS

Hoje, a principal ligação da Barra com o Rio Vermelho se faz através da av. Oceânica numa distância aproximada de 3 quilômetros diferentemente do principio da colonização de Salvador onde uma mata fechada instalada em muitos morros separava os dois locais.
Ate mesmo o acesso pela praia era muito difícil, todo ele crivado de muitos paredões de pedras, quando não dificultado ainda mais pela aproximação do mar que se unia em muitas partes do seu trajeto às íngremes encostas do trajeto.
Essas circunstâncias sumamente adversas dificultaram em muito as ligações entre Vila Pereira e Rio Vermelho, de modo que os progressos que a velha vila ia adquirindo ao longo dos seus primeiros anos, não se transferiram para o arrabalde vizinho.
Para não dizer que não havia nenhum contato, apenas Diogo Álvares Correia, o Caramuru, freqüentava os dois lugares, mas quando ia à Vila o fazia pelos caminho, da Graça e Barra Avenida.
Essa situação praticamente persistiu até 1800, quando começaram a se instalar na área pequenos sítios e núcleos de pescadores, principalmente na Mariquita e em Santana.












Esses pescadores, além do mar, pescavam também no Rio Lucaia, braço do Camurugipe que ali desembocava. ( O Rio Camurugipe também é chamado de Camarajipe, Camarugipe, etc.)
O Rio Lucaia era muito piscoso, notadamente de camarões, tainhas, sardinhas e pititingas, o que atraia tubarões e baleias para próximo da sua foz.
E eis que acontece um fato curiosíssimo no Rio Vermelho: o antigo aldeamento dos índios e pescadores, ganha fama de possuir “águas milagrosas”. Essas águas estavam curando a beribéri.
Àquele tempo Salvador vivia uma síndrome de epidemias de várias doenças, inclusive a beribéri. E ao surgir uma notícia como esta, é de se imaginar a corrida da população para o local, já agora com um acesso pela Avenida Vasco da Gama.
Este fato haveria de gerar uma super valorização dos terrenos nas proximidades do que se aproveitou a classe mais favorecida da população para construções de belas casas, muitas delas verdadeiras mansões e palacetes.
Em pouco tempo, o Rio Vermelho se transformou numa grande estação de veraneio com uma estrutura invejável e até sofisticada. Até hipódromo foi construído no local, bem como campo de futebol, de críquete e de tênis.
De relação ao futebol, o Campeonato Baiano desse esporte foi disputado nesse campo durante 13 anos entre os anos de 1907 e 1920, quando se construiu o Estádio Artur Morais na Graça.





O hipódromo ficava localizado onde é hoje o Parque Cruz Aguiar e o Campo de Futebol na atual Fonte do Boi.
Mas na “correria” do escrever, esquecemos de nos aprofundarmos mais na questão das águas milagrosas do Rio Vermelho e se realmente elas curavam a tal do beribéri.
Curavam! Não é que curavam por algo existente na composição da água. Apenas por que a população tomava mais sol, respirava o ar fresco de suas praias, fazia exercícios, o que não acontecia na inóspita Salvador daqueles tempos com esgotos para todos os lados e a céu aberto.


Os tempos caminharam e em 1922 foi inaugurada a ligação Barra-Ondina-Rio Vermelho pelo então governador J.J. Seabra.

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