quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CARNAVAL DA BAHIA – MILHÕES NA FOLIA...ENQUANTO ISTO!

Faz pouco tempo que a Prefeitura inaugurou a nova Praça de Ondina, aquela ao lado do flat e próxima ao Hotel Othon.
 
No local onde ficavam as antigas barracas, fez-se como que uma extensão da praia. Os coqueiros que antes ficavam entre as barracas dando-lhe sombra, hoje como que fazem parte da própria praia.
 
As obras, do que resultou essa praça, levaram mais de 1 ano. À frente do espaço os construtores montaram uma barreira de compensados que escondia totalmente a praia.
 
Surpreendentemente, há pouco mais de 1 mês a referida barreira de compensado foi de novo levantada e julgávamos que mais alguma coisa estava sendo feita na referida praça, melhorando-a.
Ledo engano! O “fechamento” estava ocorrendo para que fosse levantado no local um mega camarote para o Carnaval, um dos maiores que já se construiu em todos os tempos. Vejam as primeiras fotos do mesmo:



É algo em torno de 100 metros de frente por 70 de fundo, desde que abarcou todo o espaço da praça, inclusive seus equipamentos esportivos, restaurante, livraria, etc. etc.
 
Em conseqüência, os freqüentadores habituais da referida praia, principalmente os moradores das proximidades, estarão impedidos de freqüentá-la por cerca de 2 meses ou mais, desde que após o Carnaval a estrutura ainda deve permanecer no local por muitos dias, afora os trabalhos de limpeza e reconstituição dos estragos provocados por furos no chão e outros procedimentos técnicos.



O fato já gerou uma manifestação popular no local com o slogan de “DESOCUPA”, e na esteira dos protestos diversas denuncias. A primeira delas, dizia respeito à taxa de ocupação do espaço pelo mega camarote, Teria sido cobrada apenas R$5.00 por metro quadrado, enquanto o camarote de Daniela Mercury na Barra teria pago R$42.34 m2, apesar dos dois espaços (Barra e Ondina) se equivalerem em valor territorial.
 
A segunda denuncia parece mais grave. Esses grandes camarotes pagam à Prefeitura uma determinada taxa no valor de R410.34. Aé ai, tudo bem! Acontece, portém, que, a barraquinha de cachorro quente ou o isopor das cervejas, pagam o mesmo valor.
 
Ainda na esteira dos protestos, comentou-se muito o fato de a Prefeitura bancar sozinha as despesas do Carnaval, enquanto os blocos ganham milhões e lhe são cobrados impostos irrisórios.
 
Evidentemente que isto não está certo.Tomemos como exemplo a realização das Olimpiadas em determinados países. As despesas com sua realização são bancadas totalmente pels iniciativa privada, bem como outros eventos de menor importância, um Carnaval por exemplo, uma batalha de tomate, uma corrida de touro.

Ainda há um agravante muito sério. Os blocos, os camarotes, etc. etc. são parocinados por empresas. Quase todos eles! Em consequência, a Prefeitura encontra dificuldades em vender as cotas de patrocinio a essas mesmas empresas, desde que ela encontram mais visibilidade (retorno) nas luzes e sons esfuziantes dos Trios Elétricos e camarotes.

Além do mais, em razão dessa concorrência, o valor das cotas da Prefeitura se tornam baixas, em se tratando de um dos maiores espetáculos da Terra.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

POR FIM A LAVAGEM...

Será que todos conseguem chegar ao Bonfim? A maioria, estamos crendo. Senão, tudo bem! Mais vale a intenção. Até mesmo o pessoal que desce o Elevador Lacerda e estaciona na Praça Cayru por falta de condições físicas para andar quase 7 quilômetros, poderá dizer “Fui à Lavagem” ou “ Fiz a Lavagem”. Mesmo aqueles que apenas se vestem de branco nesse dia e nem de casa sai, ainda assim “fizeram a Lavagem”. Também aqueles que nem de branco pode se vestir por falta de recursos, ainda assim, estão na Lavagem. Os que residem em outros Estados ou fora do País, mas lembram-se da Lavagem, também dela participam. Foi o caso, por exemplo, de uma senhora brasileira que mora em Londres. Escreveu “que era baiana; que quando jovem participou de diversas lavagens; na oportunidade que leu a nossa postagem, estava como que “participando” mais uma vez da Lavagem”.
É que a Lavagem tem uma força lúdica impressionante. Alguém disse uma vez, “que ser lúdico indica que não apenas se está inserido no mundo, mas, sobretudo, que é o próprio mundo”.

A lavagem é isto. Tem uma extensão além dos seus limites. A ingenuidade de seus elementos, o ato de lavar os degraus de uma igreja, têm uma força divina que extrapola os melhores sentimentos que o ser humano pode ter.





Já dissemos numa de nossas postagens e voltamos a repetir:

“No momento que as baianas sobem a ladeira, é como se fosse um lençol do melhor linho estendido na vertical da ladeira. Nesse momento, não há como não pensar no divino e já ficamos pensando coisas. Por exemplo, vemos na feliz fotografia acima, a nuvem formando a figura caprichada de um anjo com asas, como que admirando o espetáculo. É impressionante o detalhe. "

LAVAGEM DO BONFIM – PERCURSO – 2ª PARTE

Na postagem anterior, quando começamos a fazer o percurso da Lavagem do Bonfim, esquecemos de acrescentar a Feira de São Joaquim e o Colégio/Igreja de São Joaquim, que ficam na Avenida Jequitaia.
Em tempo, falemos dos mesmos.
A Feira de São Joaquim é a principal feira livre de Salvador. Ela se originou após o incêndio da antiga Feira de Água de Meninos que ficava ali bem próximo, quase se unindo. Da mesma forma que a sua antecessora, ela se formou por si própria, isto é, sem nenhum planejamento, ao leo, conforme a vontade de cada barraqueiro. É uma Babel! Agora, parece que começa a tomar algum rumo. Num antigo barracão das Docas da Bahia, ao seu lado esquerdo, se organizou alguma coisa mais digna. Esperamos que aproveitando a oportunidade, possa se construir outro barracão e juntar tudo num só espaço, devidamente higienizado e confortável. Que se faça uma Cantareira em nossa cidade. Já merece isto!


Bem em frente à feira, o nosso passante vai se deparar com a casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim. Este edifício foi doado à Companhia de Jesus pelo senhor Domingos Affonso, mas passou a pertencer à Coroa com a expulsão dos jesuítas, caindo em ruínas. Após restauração pela Corporação do Comércio, em 13 de maio de 1822, o edifício foi doado à Casa Pia dos Órfãos, por mediação do governador D. Francisco de Assis Mascarenhas, o Conde de Palma, realizando-se sua inauguração, em 12 de outubro de 1825, dia do aniversário do imperador D. Pedro I.


Por dentro é ainda mais maravilhoso। Temos algumas fotos do seu interior:



Poucos metros adiante do São Joaquim, já estamos na Calçada.
A estação da Calçada foi construída em 1860 e reformada em 1981 com a atual fachada. Quando de sua abertura denominava-se Estação da Jequitaia e era uma estação “central e marítima da estrada”, segundo descrição de Cyro Deocleciano em 1886. Depois foi denominada Estação Bahia e finalmente Estação da Calçada.

Sua história começou em 1853, quando um senhor chamado Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto, recebeu do Governo Imperial a concessão por 20 anos para construir uma estrada de ferro saindo das proximidades do porto de Salvador até Juazeiro, às margens do Rio São Francisco. Muniz Barreto era engenheiro. Não se sabe como o referido senhor conseguiu a referida concessão, desde que ele próprio não tinha condições financeiras de construir uma ferrovia. Isto ficou comprovado dois anos após quando transferiu a difícil e milionária concessão para a Bahia and São Francisco Railway Company, uma empresa inglesa.

Em conseqüência, todo o projeto foi elaborado em Londres pelo inglês John Watson e já em 1860 foi inaugurado o primeiro trecho ligando a Calçada a Paripe. Esse trecho contava com uma extensão de 15.2km e tinha estações intermediárias nas comunidades de Santa Luzia, Lobato, Almeida Brandão, Itacaranha, Escada, Praia Grande, Periperi e Coutos.
Na Calçada estamos a 3.0 km do Bonfim. Vamos seguir em frente, agora em direção aos Mares. Passaremos pela sua maravilhosa igreja em estilo gótico que muitos não querem aceitar.
Esta foto foi tirada via satélite. Aparece a igreja e à sua frente o Largo dos Mares que, oficialmente, chama-se Praça Manoel Natividade Maria, que poucos sabem. O personagem foi um padre que nasceu em 8 de maio de 1845 e desencarnou em 1º de janeiro de 1922. Essa informação foi encontrada num site da religião espírita. Curioso, não?

Outro religioso maravilhoso foi o Cônego Anísio Ayres Esteves. Ele foi o responsável por grande parte da construção da Igreja dos Mares. A sua torre, por exemplo, em estilo gótico, foi ele quem comandou sua elevação. Foi um homem excepcional. Chegamos a conhecê-lo pessoalmente.
Foi o patrono dos “Licenciados” de 1946 do Colégio D. Macedo Costa. O autor fazia parte deste grupo.









Aqui as nossas já famosas placas indicam que estamos a 2.3 km do Bonfim. Ainda temos que andar por toda a Avenida dos Mares, oficialmente designada Fernandes da Cunha, ilustre desconhecido.

Olhem a placa do local. Nessa avenida quase não tem nada de tradicional para se vê. Seria “tudo” não fosse um edifício construído pelos antigos donos da aguardente Jacaré, a cachaça que mais se vendia em Salvador no século passado. Este prédio tem 10 andares. É o único com esta altura existente na península. Não seria estranho se não fosse verdadeira a desvalorização de toda a península após a invasão dos Alagados.
 
Até versos se fazia em homenagem a tal da cachaça:

Eu nasci num ninho de cobra.
Minha mãe era serpente.
Eu bebi do leite dela.
Meu sangue ficou mais quente.
Jacaré mato no tapa.
Cascavel mato no dente.
Porque o sangue que corre na minha veia.
É o veneno do aguardente
.
 
A grande avenida em extensão desemboca no Largo de Roma. Aí tem história. Este largo já teve três nomes. O próprio Roma; Praça da Bandeira e hoje Praça Irmã Dulce, em homenagem à grande Santa da Bahia.

Era Praça da Bandeira por algum tempo porque ali se hasteava uma grande bandeira Nacional.Depois tiraram o mastro.

Hoje, chama-se Praça Irmã Dulce porque ali perto está a sua obra magnífica, o Hospital Santo Antônio e principalmente, porque seu mausoléu acha-se perto.

Apesar de tudo, o povo continua chamando a praça de Largo de Roma. Por quê?

Diz-se ter existido nas proximidades, entre o largo e o mar, uma capela dedicada a Nossa Senhora de Roma. Daí o nome, Largo de Roma.

É muito duvidosa esta citação. Primeiramente, não se tem notícia de ter existido uma Nossa Senhora de Roma, nem aqui nem na Itália ou em qualquer outro lugar. O que se comenta é que Nossa Senhora da Babilônia com prática de seu culto na antiga Babilônia e no Egito, deu origem a Nossa Senhora Romana. Este fato é comentado em um livro de autoria de Alexander Hislop, denominado “The Two Babylons”.

Este erudito cristão pesquisou durante muitos anos em livros antigos e modernos e encontrou detalhes de ligação da “Santa Madre” com a antiga Babilônia pagã, o berço do ocultismo, onde se adorava o sol, a lua, as estrelas, os animais, os pássaros, as plantas e até os insetos.

Mais tarde, quando o culto chegou ao Egito houve a integração da Santa ao cristianismo. Apenas lhe mudaram o nome, sendo chamada de Virgem Maria com um menino nos braços. “Cristãos professos a adoravam com o mesmo fervor que antes o faziam abertamente os que eram pagãos declarados”, escreveu Alexander Hislop.
 
Outra citação histórica, esta mais recente, indica que em 1944 em plena guerra, “um quadro da Virgem Maria foi transferido para Roma ficando nas dependências da Igreja de Santo Inácio. O povo contrito fez três promessas à Virgem se a cidade fosse preservada: de mudar a própria vida, de erigir um novo Santuário e de realizar uma obra de caridade, em sua honra”. E Roma foi preservada e a Nossa Senhora do Divino Amor, este era seu nome, ganhou o título de “Salvadora de Roma”.

Por fim, existe a Nossa Senhora Romã. É a mesma Virgem Maria segurando uma criança nos braços. Por sua vez, esta criança segura uma romã em uma das mãos. Qual o significado disto? Para que possamos entender, será necessário explicar que as romãs são Símbolos de Retidão e Honradez. Elas estão esculpidas no Templo de Salomão em Jerusalém. Fato curiosíssimo é que cada romã possui 613 sementes e este número é igual aos 613 mandamentos ou provérbios judaicos que existem nos livros do Velho Testamento. Por isso, os judeus comem romãs no feriado chamado Rosh Hashanah e os católicos comem romãs no Dia de Reis. As sementes deverão ser guardadas durante o ano para que este seja um ano abençoado.

Após Roma adentramos na oficial Avenida Bonfim. Mas também ninguém á chama assim. É Avenida dos Dendezeiros, porque ali, muito antigamente, tinha muito dessa palmácea.

Vista as coisas dessa maneira, estamos crendo que o Largo de Roma não ganhou esse nome por existir uma capela nas proximidades dele, homenageando Nossa Senhora de Roma. Esta santa nunca existiu!A origem do nome é outra. Pode ser mais folclórica. Por exemplo, algo como “quem tem boca vai a Roma” ou algo de relação a sua localização, desde que todas as grandes avenidas e ruas que saem do interior da península terminam nele. O povo poderá ter dito que “todos os caminhos vão dar em Roma”. São apenas algumas hipóteses. Nada mais do que isto!



A antiga av. Dendezeiros. Reparem as balaustradas limitando o seu espaço, bem como a linha de bondes. A igreja completa o cenário.

Claro que não podia faltar a nossa placa, principalmente porque ela marca somente 1,0 km. Já andamos quase 6 quilômetros.

Mas, antes de continuamos, deparamo-nos com uma placa “insólita” podemos assim dizer. Ela designa Bomfim com M, desde que todos nós sabemos que antes de F não pode vir M. Mas nesta placa vem. Vejamo-la:


Bem claro, não é verdade? E confirmando o “desmando” gramatical, já bem próximo à Colina, tem uma outra do mesmo jeito, com igreja e tudo.

Vamos tentar explicar a situação. Servimo-nos de nós mesmo, em postagem publicada em 2009. Reproduzimos o seu texto:

Largo do Bonfim


Até pouco tempo atrás era chamado Praça Teodósio Rodrigues de Farias. Por quê? Esta pessoa foi um dos grandes responsáveis pela construção da Igreja do Senhor do Bonfim que enriquece o local. Foi ele também quem trouxe as imagens do Senhor do Bonfim e Nossa Senhora da Guia de Portugal, por volta de 1740. Cumpria uma promessa. Também foi ele quem fundou a Irmandade dos Leigos que hoje tem o nome de Devoção do Senhor do Bomfim registrada dessa forma. Não critiquem o erro gramatical. Foi cometido há tanto tempo atrás! Nos tempos atuais a nossa querida Prefeitura espalhou por diversos lugares da península, placas indicativas de trânsito com o mesmo erro gráfico.
Complementando, em Portugual de onde veio a imagem, Senhor do Bomfim é com M mesmo. Explicam: é o Bomfim das coisas; das pessoas, da vida, da lavagem.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

LAVAGEM DO BONFIM – PERCURSO – 1ª PARTE

...e ás 10 horas da manhã, o povo começa a andar. À frente do cortejo vão os políticos divididos pelo menos em três grupos: o do governador e seus secretários; o do prefeito e seus secretários e o pessoal da oposição, sempre o mais aplaudido. Logo atrás a banda de música de uma corporação militar; em seguida, o pessoal dos sindicatos e suas faixas fazendo as costumeiras exigências. Essa é a parte dispensável da Lavagem, mas não tem como evitá-la. Faz parte! Depois vêm as baianas, centenas delas vestidas de branco, muito branco, das dálias e das angélicas; é um grande momento, aliás, o primeiro grande momento, desde que, ao longo do percurso outros grandes momentos vão acontecer até aquele último já nas escadarias do templo ou um pouco antes na subida da ladeira. Após este estado de beleza o jegue eletrônico dá o ar de sua graça e de sua irreverência. Depois mais branco, o branco dos filhos de Gandhi , milhares deles e o seu perfume de alfazema impregnando as pessoas, as ruas e as praças.

Em seguida os jegues mais enfeitados do mundo, puxando suas carroças igualmente fantasiadas de papel crepom, flores plásticas e balões de látex. Conduzem “ilustres” passageiros que pagam pelo luxo de cervejas geladíssimas armazenadas em caixas térmicas; até mesmo o gelo trazido de casa para as doses de uísque 12 anos e quibes e empadas feitos em casa. A carroça tem espaço para muita coisa, da mesma forma que tinha antigamente para carregar a madeira carbonizada que vinha das ilhas para esquentar os arcaicos, mas necessários utensílios domésticos das residências do século XVIII para XIX que requeriam aquecimento, principalmente aqueles para cozimento dos alimentos.

Claro que isto merece mais esclarecimento. Um pouco antes dos períodos citados, toda a lenha que vinha das ilhas e do recôncavo, inclusive a carbonizada (carvão) chegava a Salvador em saveiros no Porto da Lenha, ali embaixo do Bonfim. Esse material subia pela Ladeira da Lenha no lombo dos escravos . Do Bonfim, a “preciosa” e utilíssima mercadoria era transportada em carroças puxadas a jegue pelo Alto do Monte Serrat, seguindo pela atuais Avenida Luiz Tarquínio e Barão de Cotegipe, Calçada e chegava na antiga Feira de Água de Meninos que ainda não existia. Ai à esquerda, subia para a Cidade Alta pela hoje Ladeira da Água Brusca, Santo Antônio, Pelourinho, até alcançar as portas de Santa Catharina ao norte da cidade. Lá dentro, e depois fora, morava a maior parte da população de Salvador.
 
É por essa razão que as carroças participam da lavagem. É um interessante simbolismo! Quem diria?
 
Também com grande simbolismo é a participação das “baianas”. Não somente pela beleza de suas vestes e o encanto e a simpatia de suas pessoas. Têm um significado religioso. No Candomblé muitos santos da religião Católica têm uma referência sincrética, de sincretismo, que significa, assim muito rapidamente, uma mistura de crenças, ou seja, uma reunião de elementos de uma religião aceitos por outra. No caso, no sincretismo do Candomblé, Senhor do Bonfim é Oxalá, o mais importante deus iorubano, representando o principio de tudo, inclusive de criar o mundo e determinar o fim da vida. É o pai da brancura, da paz e da união. É contra a violência e gosta de limpeza e pureza. Seus filhos devem vestir branco todas as sestas feiras. Daí a indumentária de todos que vão à Lavagem do Bonfim, daí as baianas que vão lavar hoje as escadarias do grande templo.


Antes, lavavam (simbolicamente) o mesmo templo. Fotografias da época. Nesse tempo, só as baianas tinham o direito de lavar a parte interna da igreja. A parte externa era lavada por devotos não caracterizados. As imagens mostram mais ou menos este detalhe


Acrescentamos ainda que Oxalá é muito ligado à água, daí a sua maior festa chamar-se “Águas de Oxalá” e já por ai se sente e se compreende as ligações com a lavagem do Senhor do Bonfim. Fortalece as ligações acima expostas.

Outros animais participam da lavagem: são os cavalos. Eles vêm de chácaras da Grande Salvador, de Pirajá, Cabula, Mata Escura e outras localidades. Diz-se que até das ilhas vêm cavalos (nos antigos saveiros). São também uma representação e referência daqueles velhos tempos.

Na sequência, diversos blocos de percussão própria e clarinetes estridentes. A Timbalada, por exemplo, costuma aparecer.

Aparecem também torcedores do Bahia, este ano comemorando sua permanência da 1ª divisão. Os do Vitória também costumam aparecer, mas este ano não têm o que comemorar.

E lá vem o povo todo de branco. Muita gente! Em frente à Praça Cayru, percebem a 1ª placa indicativa do percurso. Achamos que é único percurso no mundo com esse detalhe.

6.500 metros até a Igreja do Bonfim. Disseram que eram 8.000 metros, mas pode ser. Muita gente costuma dar uma entrada na Feira de São Joaquim para umas e outras e até almoçar e assim completar a distância “oficiosa”.
 
Já estamos entrando na Rua Miguel Calmon, a antiga rua dos bancos, hoje a rua das faculdades e de dezenas de casas de crédito. O saber e o consumo estão em alta!
 
Ao final da Miguel Calmon temos o privilégio de ver um dos mais belos edifícios de Salvador. Nele funciona a Associação Comercial da Bahia.

Essa belíssima construção foi erguida no terreno da antiga bateria (obra fortificada com peças de artilharia) do Forte São Fernando, anteriormente chamado Cais Novo. Decorria o ano de 1811. Foi inaugurado no dia 28 de janeiro de 1817.

Quem quiser ver mais alguma coisa do Comércio, é só entrar por uma de suas ruas à direita da Miguel Calmon e vai apreciar belíssimos prédios da fase áurea dessa parte da cidade.


No largo em frente levantaram um belíssimo obelisco em homenagem à Batalha do Riacuelo;
Foi inaugurado em 23 de novembro de 1874 e sua origem é francesa. É composto por pedra calcárea, bronze e ferro. Tem 23 metros de altura e um diâmetro de 27,60m.
À título de curiosidade, em 1817 o mar chegava junto a esse obelisco. Ainda não tinha sido construída a Av. Miguel Calmon.

Ali próximo, tem inicio a Av. Jequitaia que termina no Largo da Calçada. A placa de distância nesse local indica que a Igreja do Bonfim se encontra a 5.5 km, consequentemente, a passeata só cumpriu apenas um quilômetro, mas um quilômetro de pura alegria e devoção. Não deu nem para sentir!

Esta região antigamente era muito bonita. Chamava-se Cais Dourado. Vejam uma foto:



Reparem a quantidade de saveiros aportados na área.
Praça Marechal Deodoro de hoje. Antigamente chamava-se-se Praça Cais do Ouro ou Cais Dourado.
Nas proximidades do Cais Dourado se multiplicou o número de trapiches que eram as grandes casas de comércio da época. Absorviam todas as mercadorias importadas e as vendiam. Salvador chegou a ter para mais de 400 trapiches. Com o advento do porto e a taxação das mercadorias importadas em 40% todos os trapiches fecharam as portas, encerrando um ciclo de prosperidade dos maiores de todo o mundo. Salvador era considerada a capital do Hemisfério Sul.
A esquerda da Jequitaia, numa pequena subida, acha-se uma igreja um tanto diferente das demais. Trata-se da Igreja Nossa Senhora do Pilar, também conhecida como Igreja de Santa Luzia, porque lá se encontra uma imagem da grande santa protetora dos olhos.
 

Olha como era o Forte Santo Alberto por volta de 1694.
 
Projetava-se sobre o mar em cima de uma barreira de recifes.


Hoje é assim. Mais significativo ainda é o fato de que o forte que estamos vendo acima, foi construído sobre um outro que existia no local e foi demolido. Verdade! Nesse mesmo local existia o Forte São Thiago de Água de Meninos, também conhecido como Forte Lagartixa, construído entre 1590 e 1610.



Nesse local, temos mais uma placa da Prefeitura. Indica que estamos a 4 quilômetros do Bonfim. Que bom!

Depois, alcançamos a Calçada, antes conhecida como Calçada do Bonfim. O destaque hoje é a sua estação de trens. Foi construída em 1860 e reformada em 1981 com a atual fachada. Quando de sua abertura denominava-se Estação da Jequitaia e era uma estação “central e marítima da estrada”, segundo descrição de Cyro Deocleciano em 1886. Depois foi denominada Estação Bahia e finalmente Estação da Calçada.
Sua história começou em 1853, quando um senhor chamado Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto, recebeu do Governo Imperial a concessão por 20 anos para construir uma estrada de ferro saindo das proximidades do porto de Salvador até Juazeiro, às margens do Rio São Francisco. Muniz Barreto era engenheiro. Não se sabe como o referido senhor conseguiu a referida concessão, desde que ele próprio não tinha condições financeiras de construir uma ferrovia. Isto ficou comprovado dois anos após quando transferiu a difícil e milionária concessão para a Bahia and São Francisco Railway Company, uma empresa inglesa.

domingo, 8 de janeiro de 2012

LAVAGEM DO BONFIM – DESTAQUES DE SEU PERCURSO- CONCENTRAÇÃO

Grande parte da população vai andar da Conceição da Praia até a Colina do Senhor do Bonfim na próxima quinta feira. Não é “andar de carro” na baianidade de nosso falar, mas andar mesmo, á pé.

 Tem até uma tradicional camisa que retrata muito bem esse procedimento: estampa em letras garrafais o dito: “QUEM TEM FÉ VAI A PE”. Todos os anos ela se renova.

É dessa maneira que o baiano, há muitos anos, dá ao mundo um exemplo de admiração pelo seu Santo preferido, Senhor do Bonfim e o faz se vestindo de branco, cantando, sambando, tomando umas, paquerando, lavando a alma.

É uma festa maravilhosa! Tem razão determinado blog aqui visto, quando diz que “se lhe fosse dado o direito de escolher entre o Carnaval e a Lavagem como exemplo da melhor festa da Bahia, não teria dúvida de apontar a Lavagem”. E olhem que o nosso Carnaval é um dos melhores do mundo.

Efetivamente é uma festa maravilhosa, única em todo o mundo, organizada pelo povo, desde que a Igreja a qual ela está veiculada, quase a proíbe ou pelo menos, desaconselha-a, fecha as portas de suas igrejas, pinta e borda negativamente.

O turista que não está sabendo da história; fica sem entender este incrível disparate e muitos que aproveitam para conhecer a igreja nesse dia, ficam decepcionados ao encontrá-la fechada. Não se vê nem um padre.Parece que eles são proibidos de sair às ruas nesse dia.

Devia ser ao contrário. No mundo inteiro a igreja está veiculada a manifestações populares dessa ordem, haja vista, por exemplo, a manutenção de um capelão em todas as praças de touros da Espanha para abençoar os toureiros que em poucos minutos, logo após, estará na arena matando um animal indefeso sob os aplausos de uma galera enfurecida que só para de aplaudir quando o touro se abate na arena, sujando-a de sangue. Aí o toureiro se retira do local, fronte erguida, olhar dirigido para o alto, sob uma chuva de flores arremessadas por lindas espanholas.

Certa vez, um amigo sugeriu que na composição do cortejo, se fizesse uma ala só de padres e freiras e, sem dúvida, seria o conjunto mais aplaudido da passeata. Quando isto vai acontecer? “Never” o que é uma pena.

Também um amigo sugeriu que “orientasse” o povo sobre o que ele vai ver durante o percurso de 6.500 metros que separa a Conceição da Praia da Colina do Senhor do Bonfim. Mas que orientação, indagamos?

A Cidade Baixa tem um conjunto arquitetônico admirável. Muita gente não sabe disso. Desde que todos vão caminhar entre eles, não custaria nada destacá-los num espaço como este que os vem mostrando há mais de dois anos.

Mas isto seria misturar as coisas? O povo vai estar na lavagem para se divertir, beber, comer, dançar, cantar e que importa “conjunto arquitetônico”?

Talvez importe, desde que não custa muito o passeador de vez em quando, dirigir para o alto o seu olhar, como faz o toureiro nas arenas da vida e colher senão flores, pelo menos sementes de saber da sua cidade. Qual o nome dessa rua? Que edifício é este? Tal monumento homenageia quem? Coisas simples que não irá prejudicar seu divertimento. Claro que este tem prioridade!

Assim posto, faremos como que um “tour” antecipado do que poderá ser visto e admirado. Terá que ser feito em pelo menos três postagens: concentração, percurso e chegada.

Já nas primeiras horas da manhã o povo vai chegando à Conceição da Praia e se espalhando ao redor da igreja, do mercado, da praça em frente ao Elevador Lacerda. Parece que é realizada uma missa bem cedo e logo a igreja é fechada.

No local onde hoje está a grande igreja foi erguida em 1549 uma ermida em homenagem à Nossa Senhora da Conceição. Foi uma determinação expressa de nosso primeiro governador.  (Ele próprio teria ajudado na construção).

A ordem era construir uma ermida junto à Enseada da Preguiça que, possivelmente, já era usada pelos primeiros colonizadores, talvez por Diogo Álvares Correia, o Carumurú.

A grandiosidade de sua fachada tem características neoclássicas e é realçada com as torres em diagonal. Em 1946 foi elevada à Basílica (Sacrossanta Basílica). O papa Paulo VI declarou Nossa Senhora da Conceição padroeira “única e secular do Estado da Bahia”. Muitos pensam que o padroeiro da Bahia é Senhor do Bonfim. Não é! É já em 1623, ganha nova dimensão e em 1765 é iniciada a construção do seu atual aspecto, obra concluída em 1849.

A Conceição da Praia se caracteriza também pelo seu casario. Quase todos da mesma altura, hoje bem degradados:


Ao lado da igreja desce \ sobe a Ladeira da Conceição da Praia, possivelmente uma das primeiras ladeiras construídas para ligação da Cidade Baixa com a Alta:


Antes não era assim. Era apenas uma torre de 58 metros de altura inaugurada em 8 de dezembro de 1872. Chamava-se Elevador da Conceição, também conhecido como Elevador do Parafuso.

Em 1930 ou um pouco menos, começou a construção da segunda torre medindo 75 metros. A foto adiante  mostra a construção da mesma.
Muitos acreditam que essa torre tenha sido projetada e construída por Antônio Lacerda, do qual o elevador tem o nome. Em verdade, não foi! O senhor Lacerda foi o idealizador e construtor da primeira torre, aquela incrustada na Ladeira da Montanha. A segunda torre foi construída pela empresa dinamarquesa Cristian-Nielsen, pioneira no mundo na construção de grandes estruturas em concreto armado. O projeto é do também dinamarquês Fleming Thiesen.
Quando o projeto ficou pronto, deram nome de Elevador Lacerda em homenagem ao idealizador e construtor da primeira torre. Super merecido!


Lado contrário à igreja, foi construído um monumento que já deu muito o que falar pelo inusitado de sua forma. Já foram chamados “os apitos de Armando Marques” (famoso juiz de futebol da época). Pior foi a referência com o então governador Antônio Carlos Magalhães. Chamaram-no de “os testículos de ACM”. Outros que eram as “bundas” das baianas. Teve gente que achou que as peças vieram montadas de Brasilia, em razão de certas semelhanças arquitetônicas. Hoje ele esguincha água por todos os poros.
Em verdade contudo o monumento é uma homenagem à Abertura dos Portos e é de autoria do escultor Mário Cravo.
No local onde foi construído o referido monumento, antes era ocupado pelo antigo Mercado Modelo, incendiado em 1960.
 
No bairro do Comércio existiam, no século passado, dois pequenos mercados municipais: Santa Bárbara e São João, situados respectivamente, nos terrenos onde hoje se localiza o Edifício Centenário, pertencente à Aliança da Bahia, e a Rede Ferroviária Federal, na Rua Portugal.
 Desde 1878, pretendeu-se construir um novo centro de abastecimento na cidade baixa. Em 12 de agosto de 1906, o governo aprovou os estudos definitivos das obras do porto, com exceção das modificações relativas à Doca do mercado, que poderia ser transferida para a área do ex – arsenal da marinha.
A construção do Mercado Modelo foi concluída no final de 1912. Tratava-se de um edifício retangular, envolvidos por marquises, estrutura metálica importada, com cobertura constituída por três detalhes superpostos, de modo a permitir boa ventilação e iluminação natural.
 
Com a destruição do antigo Mercado Modelo, o novo Mercado Modelo passou a funcionar no edifício da antiga 3ª Alfândega de Salvador, uma construção de 1861 em estilo neoclássico.
 
Vejam o que escrevemos alguns anos atrás nesse mesmo blog:
 
“O novo Mercado Modelo passou a funcionar no edifício da antiga 3ª Alfândega de Salvador, uma construção de 1861 em estilo neoclássico. Como a transferência se deu às pressas, naturalmente as instalações eram precárias, inclusive elétricas. Não deu outra. Também esse mercado sofreu um grande incêndio em 1983. Da mesma forma que o outro ficou tudo oco, apenas as paredes ficaram em pé. Contudo, diferentemente do primeiro, reconstituíram seu interior, oportunidade em que se construíram dois andares de lojas.

Esperava-se que o novo Mercado Modelo tivesse as mesmas funções do anterior, isto é, um centro de abastecimento com a reativação do transporte de mercadorias pelos saveiros, a comercialização dos peixes, tudo enfim que caracterizava o antigo mercado.

Tal não aconteceu! A Marinha já havia interditado o ancoradouro dos saveiros. Havia proibido o comércio de peixes na área. Tinha que ser feito algo diferente. Surgiu, então, a idéia de um centro de artesanato. É o que é hoje. Para turista ver! Poucos baianos compram no local.

Se, por um lado, esta inclinação foi boa para o turismo de nossa terra, por outro, decretou o esvaziamento definitivo de toda a área do Comércio. Foi um sucedâneo de coisas ruins. Na ocasião do aterro do porto, o Cais do Ouro desapareceu. Os saveiros ficaram sem uma referência. Restou a Rampa do Antigo Mercado Modelo e ele próprio. Veio o incêndio de 1969. Fim da nova referência.
A esperança era que o prédio da antiga Alfândega substituisse em tudo por tudo as atividades do anterior. Primeiramente, estava ali junto, na mesma praça. O ancoradouro seria o mesmo. Pouca coisa iria mudar. Tal não aconteceu. Decidiram fazer um centro de artesanato. Os saveiros pouco tinham a haver com este segmento. Somente as cerâmicas de Maragogipe se enquadravam ao novo sistema. As frutas, as farinhas, as carnes secas, os charutos, os grãos, etc, ficaram sem comercialização. Cada cidade fornecedora que se virasse por si própria, com seu incipiente "mercado interno". Por demais precário. Parou tudo. Atrasos de anos. Decadência total. Também o bairro do Comércio decaiu. Os poucos trapiches que restaram após a construção do Porto, fecharam de vez as suas portas. Todo o comércio sentiu. Começou a grande decadência que se radiou em outras decadências, num sucedânio natural das coisas.”

Sugerimos aos que não conhecem visitar o subtérreo do mercado. Serão vistas as antigas masmorras dos escravos.
Também se aconselha  conhecer os restaurantes do 1º andar do Mercado, Maria de São Pedro e Camafeu de Oxossi.

Sobre esta senhora há uma deliciosa história:

O restaurante de Maria de São Pedro era o mais famoso. Nascida em Santo Amaro da Purificação, a famosa quituteira começou seu negócio na antiga Feira do 7, isto é, uma feira que existia em frente ao 7º Armazém das Docas.

Tinha uma única mesa e seus fregueses eram os chamados estivadores. Seu tempero era maravilhoso. Foi criando fama. Mudou-se para o antigo Mercado Popular onde é hoje o Mercado do Peixe, ao final da Ladeira da Água Brusca. A Feira de Água de Meninos ficava em frente.

Já nessa época grandes boêmios e intelectuais de Salvador começaram a freqüentar o pequeno restaurante da grande quituteira, com destaque para pessoas como o jornalista Odorico Tavares do antigo Diário de Noticias e o escritor Jorge Amado, sempre à procura de novidades para seus maravilhosos livros.

Na década de 1940, Maria de São Pedro, mudou-se para o antigo Mercado Modelo. Em seu restaurante recebeu figuras badaladas de todo o mundo. O ator Orson Welles, o poeta Pablo Neruda, o filósofo Jean Paul Sartre. Jorge Amado continuava freguês, agora se fazendo acompanhar por Calazans Neto e Caribé, seus grandes amigos.

Também marcou presença o Conde Matarazzo e sua esposa, Dona Yolanda. Convidaram-na para preparar o banquete da festa dos 400 anos de fundação da capital paulista. Maria de São Pedro viajou de avião. Levou ajudantes e uma tonelada de dendê, camarão, pimenta, gengibre, coco, castanha, panelas de barros e colheres de pau.

Conta-se que já no palácio, ao tempo em que começava a preparar as comidas, um “chef” tentou dar palpite. Maria não se fez de rogada. Chamou dona Yolanda e disse: “ou este gringo ou eu”. Dona Yolanda não pestanejou. Botou o gringo para fora. Isso nos conta Odorico Tavares.

Por fim e o fizemos de propósito, vamos focalizar a nossa Praça Cairu. Sem mais palavras, vejam como era antes:
Agora, vejam como ela é hoje। Uma mixórdia. É inacreditável o retrocesso.



É brincadeira! Destruíram uma das mais belas praças de Salvador. Fizeram à esquerda um estacionamento e o resto da praça foi ocupado por barracas de produtos artesanais. Uma mixórdia.
A direita ainda está em pé um prédio dos mais antigos da Cidade Baixa. Dizem que vão construir um hotel no seu espaço, mantendo-se a frente do imóvel que é toda coberta de azulejos portugueses importados.

Escrevemos sobre o mesmo:

A Praça Visconde de Cayru é pródiga de atrações. Vimos há pouco o Mercado Modelo, o novo. Fica na praça, aos fundos. O antigo também ficava na praça, à esquerda do Elevador Lacerda, que também é da praça. À direita um dos prédios mais tradicionais de Salvador, construído em estilo pombalino, fachada toda revestida de azulejos importados e suas 60 janelas de frente. Tem mais algumas nas laterais. Recentemente foi comprado pela rede dos Hotéis Hilton que fará uma unidade no local, desde que mantenha a fachada atual. Quis derrubá-la. Foi uma luta na Justiça, mas a fachada permanecerá. O hotel perdeu nesse quesito, mas sem querer ganhou nos quesitos arquitetônico e tradição, isto é, ganhou uma coisa que não mais se fará. Foi construído nos fins do século XIX a princípio do século XX. Será uma referência internacional! Será que isso foi avaliado?